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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Julian Assange saltou de banda


20/6/2012, Ray McGovern, Consortium News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

“Eu já morei na tal da feira moderna
mas saltei de banda
e hoje sou meu próprio patrão
e ninguém me manda...”
Elza Soares, 1973 [3]


Ray McGovern
Exceto se houver um ataque com drones da CIA contra a embaixada do Equador em Londres, o inesperado pedido de asilo feito pelo fundador de WikiLeaks Julian Assange pode tê-lo salvo da prisão na Suécia ou, possivelmente, nos EUA. A liberdade de Assange depende agora em grande medida do presidente do Equador, Rafael Vicente Correa Delgado, da nova safra de presidentes de ideias independentes, como o presidente Hugo Chávez da Venezuela.

Correa tem sido duro crítico do comportamento dos EUA em relação ao Equador e seus vizinhos latino-americanos e empenhado admirador de WikiLeaks. Fato não típico para a região, o Equador não recebe ajuda significativa, nem militar nem econômica, dos EUA. Portanto, Washington tem ali reduzido poder de chantagem. É possível que o governo do Equador desafie Washington, conceda o asilo que Assange solita e o mande imediatamente, em segurança, para o Equador.

Nesse caso, muitos funcionários da “justiça” britânica provavelmente respirarão aliviados – literalmente. Há semanas trabalham cobrindo o nariz para sobreviver ao odor fétido da própria rendição ao diktat dos EUA, depois que a Alta Corte de Justiça da Grã-Bretanha rejeitou o argumento de Assange, segundo o qual não poderia ser extraditado para a Suécia.

Embora a “justiça” sueca não tenha conseguido formalizar qualquer acusação contra Assange pela prática de qualquer crime, mesmo assim insistem em que seja extraditado para ser interrogado a propósito de declarações de duas mulheres, que dizem ter sido sexualmente atacadas por Assange. Muitos já viram – em minha opinião, corretamente – que tudo isso não passa de subterfúgio para conseguir que Assange seja entregue aos suecos, para, assim, facilitar a extradição para os EUA, onde enfrentaria acusações mais sérias, por ter publicado informação secreta e altamente embaraçosa para Washington.

Assange  ao ser detido em Londres
Tem havido repetidas notícias de que Assange teria sido objeto de investigação secreta por um tribunal federal nos EUA, que investigaria a divulgação de documentos sigilosos os quais, ao que se supõe, mas sem qualquer confirmação, teriam sido passados a WikiLeaks pelo cabo Bradley Manning. Em mensagem de e-mail vazada em 2011, Fred Burton, um dos vice-presidentes da empresa privada de inteligência Stratfor, informava seus colegas de que “temos uma acusação secreta já formalizada contra Assange”; mas nada disso foi, até agora, confirmado. Mas Manning já enfrenta julgamento em corte marcial, por, como quer a acusação, ter entregue documentos dos EUA a WikiLeaks.

Passar a perna nos britânicos

Interessante, não é? Assange – apenas poucos dias antes de ser extraditado para a Suécia – conseguiu (suponho) tirar a tornozeleira de monitoramento eletrônico, passar sem ser visto pelo cordão de Bobbies que vigiavam a casa de campo onde vivia sob prisão domiciliar, passar por outros Bobbies e pessoal da segurança que houvesse no caminho e entrar em segurança na embaixada do Equador.

Não há dúvidas de que Assange é sujeito esperto. Mas a menos que se o veja como uma espécie de Houdini, tem de haver explicação mais lógica de como atravessou vários pontos de controle policial e entrou no prédio da embaixada, localizado atrás da conhecida Harrods, loja de departamentos, em Londres.

Todos os agentes britânicos de segurança haviam saído para o chá? Ou apenas felizes por o caso Assange – e a pressão de Washington – tomar outro rumo?

Kintto Lucas
Não pode haver dúvidas de que, sim, os britânicos tiveram muitas indicações de que, in extremis, Assange poderia tentar chegar à embaixada do Equador. No final de novembro de 2010, o vice-ministro do Exterior do Equador, Kintto Lucas, ofereceu publicamente residência no Equador a Julian Assange, dizendo que o Equador estava “muito preocupado” ante a informação, revelada por WikiLeaks, segundo a qual diplomatas dos EUA estaria espionando governos amigos.

“Estamos abertos para oferecer-lhe residência no Equador, sem problema algum e incondicionalmente” – disse Lucas.

O presidente Correa interveio imediatamente. Disse que Kintto Lucas falara sem autorização; que não houvera qualquer convite formal a Assange; e que, antes de oferecer-lhe residência no Equador seria preciso proceder à análise formal do pedido, caso Assange pedisse alguma coisa. (Tudo isso, apenas uma semana antes de Assange ser detido, preso e, depois, posto em prisão domiciliar).

Agora, estou pedindo

A embaixada do Equador em Londres, ao anunciar a chegada de Assange, na 3ª-feira à tarde, informou que ele pedira asilo; e acrescentou:

Como signatários da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, que temos o dever de examinar qualquer pedido de asilo que nos chegue, tomamos a providência de encaminhar os documentos que nos foram entregues ao departamento competente em Quito”, capital do Equador. “Enquanto aquele departamento avalia o pedido feito pelo Sr. Assange, o Sr. Assange permanecerá na embaixada, sob a proteção do governo equatoriano.

Embaixada do Equador em Londres
A embaixada acrescentou que o encaminhamento que deu ao pedido de asilo “de modo algum deve ser interpretado como interferência, pelo governo do Equador, nos processos judiciais nem do Reino Unido nem da Suécia”.

É fraseado de contemporização considerado de rigueur nos contatos diplomáticos, enquanto o presidente Correa e assessores decidem como reagir ante o fato consumado de terem Assange já sob custódia do Equador. Em Quito, o ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patino disse a jornalistas que seu país “estuda e analisa o pedido [de asilo]”.

Tal mãe, tal filho

A mãe de Assange não apenas aplaudiu a decisão do filho, de pedir asilo, mas resumiu bem a situação, ao falar com a imprensa:

Christine, mãe de Julian
Espero que o Equador lhe dê asilo e, se não, algum outro país do Terceiro Mundo. Espero que o Terceiro Mundo levante-se e faça o que é moralmente certo, quando o Primeiro Mundo não pode e não fará, porque vive com o focinho enfiado no cocho, subjugado pela ganância dos EUA e da grande finança.

Julian é prisioneiro político, é jornalista, é editor que publicou a verdade sobre corrupção, crimes de guerra, sequestros, chantagem e manipulação. Não há nenhuma acusação formal contra ele e sequer foi interrogado sobre crime que, se você examina os eventos, não tem base alguma. É claro que teria de pedir asilo.

Acrescentou que seu filho é vítima de decisões tomadas por EUA, Grã-Bretanha, Suécia e Austrália no sentido de deixar de lado o devido processo legal.

Muito século 20!

Deixar de lado o devido processo legal? É argumento – colhendo emprestada a expressão do eminente especialista em leis e professor Alberto Gonzales — tão “antigo”, tão “obsoleto”, “tão pré-11/9”! Deixar de lado o devido processo legal tornou-se, depois do 11/9, o “novo paradigma” adotado não só pelo governo Bush, mas também pelo governo Obama.

Assange não tem só pleno direito de buscar asilo: ele também avalia corretamente a situação objetiva e decide certo. Considerem o seguinte: estava a um passo de ser enviado para uma Suécia falsamente neutra, com histórico recente de curvar-se a todas as demandas dos EUA, em todos os casos em que Washington alegou algum tipo de ameaça à segurança dos EUA. Na 3ª-feira, Glenn Greenwald já apresentara um exemplo:

Em dezembro de 2001, a Suécia entregou duas pessoas à CIA a qual, em seguida, entregou as mesmas pessoas ao Egito, para serem torturadas. Decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU condenou a Suécia por violar a lei que proíbe a tortura em todo o mundo, violação que se consumou na entrega daquelas pessoas a um terceiro país (adiante, as duas pessoas vitimadas nesse procedimento processaram o governo sueco e obtiveram substancial indenização) [1]

Quem esteja pensando “Ah, mas isso foi durante o governo Bush, essas coisas já não acontecem”, repense. Em 2010 e 2011, a histeria que cerca a revelação dos crimes e vícios no modo como os EUA atuam no mundo levou várias figuras proeminentes do cenário político norte-americano a “exigir” que Assange fosse classificado como terrorista, que fosse preso e processado como espião. E houve até quem pregasse que fosse assassinado.

O deputado Peter King, Republicano de New York, presidente da Comissão de Segurança Nacional da Câmara de Deputados, exigiu que WikiLeaks fosse declarada organização terrorista e que Assange fosse processado nos termos da Lei de Espionagem de 1917, posição partilhada pela senadora Dianne Feinstein, Democrata da California, presidente da Comissão de Inteligência do Senado, que escreveu, em coluna assinada no Wall Street Journal:

“A divulgação desses documentos causa dano aos nossos interesses nacionais e põe em risco vidas de inocentes. Ele deve ser vigorosamente processado por espionagem”.

Sarah Palin
Outros foram ainda mais longe e exigiram que Assange fosse assassinado, por meios judiciais ou extrajudiciais. Por exemplo, um ex-funcionário canadense, Tom Flanagan, pregou abertamente o assassinato de Assange.

A ex-governadora do Alaska Sarah Palin disse de Assange que seria “agente antiamericano com sangue nas mãos”, caso a ser tratado como se tratam os terroristas da al-Qaeda.

Em postado em Facebook, Palin disse que Assange seria tão jornalista quanto o “editor” da revista da al-Qaeda em inglês, Inspire. E acrescentou:

“Os documentos secretos que ele divulgou revelaram a identidade de mais de 100 contatos afegãos Talibã. Por que não é caçado com a mesma urgência com que caçamos os líderes da al-Qaeda e dos Talibã?”

Tudo isso considerado, ponham-se no lugar de Assange. Se o New York Times noticia, acuradamente, que o presidente Barack Obama considerou “fácil” a decisão de mandar assassinar Anwar al-Awlaki, cidadão norte-americano suspeito de ter participado de operações terroristas contra alvos norte-americanos... como confiar que o ex-professor de Direito Constitucional saberá resistir à pressão política para mandar assassinar... você?

Pode-se descartar qualquer movimento para dronar um prédio no centro de Londres. Mas Assange, muito compreensivelmente, deve temer uma operação clandestina pelos contrapartes britânicos do FBI e da CIA — MI-5 e MI-6 — para eliminá-lo “com preconceito extremo”, como se dizia antigamente na CIA.

Dr. David Kelly
Por melodramático que soe, é preciso não esquecer que faz apenas nove anos que o biólogo do Ministério da Defesa britânico e inspetor de armamentos da ONU, Dr. David Kelly, “foi suicidado”. Sobrevivem até hoje muitas provas (circunstanciais) de que aquele suicídio não foi autoinfligido.

Kelly foi considerado “culpado” por ter distribuído informação acurada e verdadeira sobre a inexistência de “provas” das armas de destruição em massa que haveria, mas jamais houve, no Iraque. Foi convenientemente removido do palco, há quem acredite, pelas próprias mãos. A embaixada do Equador bem fará se contratar provadores britânicos, para provar todo o foie gras, trufas e bolinhos que encomendem na Harrods, vizinha.

Correa na televisão, com Assange

Quatro semanas antes de Assange procurar asilo, ele entrevistou o presidente do Equador, Rafael Correa, no 6º episódio do programa “The World Tomorrow” (programa de entrevistas, assinado por Assange, no canal Russia Today, exibido às 3ª-feiras [2]). Assange perguntou a Correa por que tanto insistira para que WikiLeaks divulgasse todos os telegramas que tinha. Correa respondeu:

“Porque quem nada deve nada teme. Nós nada temos a ocultar. De fato, os [telegramas divulgados por] WikiLeaks nos fortaleceram.” (...) Nós não tememos nada. Que publiquem tudo o que tenham a publicar sobre o governo do Equador. Não se encontrará nada contra nós. E veremos aparecer muitas informações sobre entreguismos, traições, acertos, feitos por muitos supostos opositores da revolução cidadã no Equador…

Correa comentou que quando os telegramas WikiLeaks foram distribuídos para as empresas de mídia no Equador, as empresas optaram por não publicá-los – em parte porque os documentos revelavam muito, também, sobre os próprios veículos e os próprios jornalistas. Lembrou que quando assumiu a presidência, em janeiro de 2007, cinco das sete empresas privadas de comunicação com canais de televisão no Equador eram propriedade de banqueiros. Os banqueiros usavam a máscara do jornalismo, para interferir na política e desestabilizar governos, por medo de perder poder.

Equador e EUA

Rafael Correa
Correa, 49, formado na Bélgica, na Universidade Católica de Louvain e na Universidade de Illinois em Urbana/Champaign (onde viveu por quatro anos e obteve dois títulos, de mestre e de PhD em economia), disse que admira muito o povo norte-americano. Mas o governo dos EUA é outro assunto.

Assange e Correa discutiram a decisão de Correa de expulsar do Equador a embaixadora dos EUA, Heather Hodges, tanto pelo que os telegramas de WikiLeaks revelaram quanto pela “arrogância” da embaixadora; discutiram também a decisão unilateral do presidente do Equador, de ordenar o fechamento da base militar dos EUA que havia em Manta.

Mesmo assim, tem-se a impressão de que Correa ainda tem grandes esperanças de que as coisas possam melhorar no governo Obama. O presidente do Equador comentou uma vez que o que Hugo Chávez dizia de Bush – que é o demônio – não era justa com o demônio. E que o governo de Bush tornara “invisível” a América Latina.

Sobre as relações gerais entre Equador e EUA, Correa disse a Assange que teriam de ser “um quadro de respeito mútuo e soberania.” Essa expectativa de respeito mútuo, sobretudo o respeito que Washington deve à soberania do Equador estará sendo testada nas próximas semanas.

Hillary Clinton
Hillary Clinton já deve estar arrependida de ter gasto tanta energia em sua primeira visita à Suécia como secretária de Estado, no início do mês. Se Assange conseguir escapar às garras suecas e partir para o Equador, Clinton será obrigada a repor Quito em sua agenda de viagens.

Há dois anos, uma visita de Clinton à capital do Equador foi marcada por vastos protestos, mas o presidente Correa revelou-se anfitrião elegante e cortês. Sim, mas isso foi antes de o Equador ser informado dos comentários que a embaixadora Hodges dedicava ao próprio Correa e sua equipe; antes, portanto, de Correa ter despachado a embaixadora de Clinton, de volta para casa, por excesso de “arrogância”.

Correa parece ter desenvolvido alergia aguda a arrogâncias. Clinton, portanto, talvez deva considerar a possibilidade de mandar alguém em seu lugar, no caso de os EUA precisarem persuadir o Equador a entregar Assange às suaves graças da “justiça” norte-americana.


Notas dos tradutores
[1] 19/6/2012, Glenn Greenwald, Salon, em: Assange asks Ecuador for asylum (excerto traduzido ao português na redecastorphoto)
[2] A entrevista (22/5/2012, redecastorphoto) pode ser vista em vídeo, traduzida ao português, em: Assange entrevista No. 6 – “Rafael Correa, presidente do Equador”
[3] Saltei de Banda, a seguir:


Saltei de Banda

Eu já morei na tal da feira moderna
mas saltei de banda
e hoje sou meu próprio patrão
e ninguém me manda

Eu já cansei de enganar a todo mundo
que eu era santo

mas não existe ninguém minha mana
que me acredite tanto

Agente já viu muitos caminhos à nossa frente
você já esteve doente
você também ficou bom
e hoje agente está nesse caminho
mas bem feito para gente

Eu já morei na tal da feira moderna
mas saltei de banda
e hoje sou meu próprio patrão
e ninguém me manda

Eu já cansei de enganar a todo mundo
que eu era santo
mas não existe ninguém minha mana
que me acredite tanto

Agente já viu muitos caminhos à nossa frente
você já esteve doente
você também ficou bom
e hoje agente está nesse caminho
mas bem feito para gente

Você descobre e eu também
que nem tudo no mundo é sonho
e agora eu sei.

Eu já morei na tal da feira moderna
mas saltei de banda
e hoje sou meu próprio patrão
e ninguém me manda

Eu já cansei de enganar a todo mundo
que eu era santo
mas não existe ninguém minha mana
que me acredite tanto.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

“A casa que Fox TV construiu: Anonymous, espetáculo e ciclos de amplificação” (2/3)


(a ser publicado no periódico peer-reviewed Television and New Media

11/5/2012, Whitney Phillips, Scholars Bank, University of Oregon - 2a. Parte

(to be published in peer-reviewed journal Television and New Media)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

 Leia também ( e se possível antes) a 1ª Parte deste artigo

Como chegamos até aqui?

Christopher "moot" Poole
Como já dissemos, o 4chan foi criado em 2003 por moot, então com 15 anos. Começou como página que abrigava um fórum Something Awful, SA [Alguma Coisa esquisita], com um subfórum chamado “Anime Death Tentacle Rape Whorehouse, ADTRW” [Bordel do Estupro do Tentáculo da Morte do(s) Anime]. moot era contribuidor regular do subfórum ADTRW, e queria arquivar contribuições de outros usuários de SA (chamados “goons [1]) (FAQ 2010). O 4chan começou a atrair usuários de fora do pretendido subfórum, e rapidamente, logo depois de criado, passou a ser destino específico, com léxico próprio e normas específicas de comportamento.

Uma daquelas normas levou à apropriação da palavra “troll”. Embora muitos dos primeiros usuários do 4chan fossem ligados ao fórum SA, e em geral se autoidentificassem como goons, a palavra “troll” e seus derivados [trollar, trollagem e outros] passou a ser preferida no /b/ board do 4chan. Mais importante que isso, aqueles pioneiros abraçaram, em grupo, um tipo especial de atitude em relação aos seus alvos-objetos – o lulz, corruptela de “lol” (sigla para “laugh out loud”/rir alto, gargalhar).

Como Schadenfreude, o lulz também nasce da desgraça ou má-sorte dos outros. Mas, diferente de Schadenfreude, que implica gozo passivo de desgraças “medianas”, o agente do lulz sempre é ou a fonte direta da desgraça do seu objeto-alvo, ou, no mínimo, deu ou está dando “uma passada” na festa onde se reúne o grupo dos “culpados”.

Embora muitos dos trolls com os quais trabalhei insistam em que o lulz seria riso justo, a maior quantidade de lulz verifica-se sempre que o alvo é negro (sobretudo afro-americanos), mulher, gay e lésbica. Isso não implica dizer que grupos historicamente dominantes sejam à prova de lulz: católicos, Republicanos e brancos em geral sempre geraram muitas gargalhadas de trollagem. O trolls creem que nada deva ser levado a sério; por isso têm atitude de oposição agressiva e com forte marca de gênero sempre que cruzam com sentimentalismo ou com qualquer simples rigidez ideológica – ou com qualquer pressuposto rigidamente ideológico.  

Lulz
Com o lulz ativado como âncora e farol de comportamento, a cultura da trollagem começou a expandir-se. Em 2006, e como extensão da própria retórica de enxame com a qual já estavam familiarizados (“nenhum de nós é tão cruel como todos nós”), os trolls de /b/ adotaram a identidade de coletivo anônimo. Especificamente, passaram a chamar-se, em massa, “Anonymous”.

Infelizmente, não é possível saber em que momento o substantivo “anonymous” gerou a forma adjetiva “Anonymous”: Encyclopedia Dramatica, uma página Wiki devotada a tudo que se referisse à trollagem, com entradas geradas por usuários desde 2004, foi apagada pelo fundador Sharrod DeGrippo em 2011. Embora a página de abertura de cada entrada tenha sido salva, resultado da intervenção de emergência feita por Web Ecology, todos os postados de antes de 2011 foram perdidos.

Mas, graças aos conteúdos gerados por usuários em outras páginas, ainda é possível traçar, pelo menos nos grandes traços, um cronograma das transformações da subcultura de /b/. No caso dos Anonymous, e baseada em várias entradas do Urban Dictionary, onde há uma entrada para “Anonymouslinkada a /b/ e 4chan, sabe-se que a palavra “Anonymous”, como designativo coletivo, estava em circulação em 2006. As mesmas entradas mostram que, em 2007, os Anonymous já haviam gerado e distribuído o Anonymous Credo (também conhecido pela variante “O Código dos Anonymous” [The Code of Anonymous], o qual desde então passou por várias versões, mas que foi lançado sob um compromisso, irônico, em certo sentido: “We are Anonymous, and we do not forgive” [“Somos Anonymous e não perdoamos”] (UD 2007).

Naquele início, os Anonymous apareciam personificados pelo “greenman” [homem verde], um avatar bem vestido, cuja cabeça aparecia encoberta pela frase “no photo available” [não há foto disponível]. Em termos retóricos, nada disso acontecia por acaso: desde o início, entendia-se que “Anonymous” era um coletivo interligado por laços frouxos, animado por incontáveis agentes sem nome. Quando os anons referiam-se às experiências dos Anonymous, faziam referência tanto ao poder retórico do coletivo sem rosto como aos seus efeitos no comportamento.

De início, o greenman ficou confinado a interações dentro da página. Os trolls citavam os Anonymous (e anons individuais) no 4chan, e usavam o apelido, ao participar de fóruns para raids [ataques] fora da página (i.é, ao definir áreas para ataques anônimos organizados, mas raramente o usavam em círculos de não iniciados. Na medida em que a subcultura crescia, contudo, os anons começaram a citar os Anonymous em fóruns públicos, inclusive no Urban Dictionary e em YouTube. Mesmo assim, em meados de 2007, só os próprios anons davam sinais de interesse pelos Anonymous e falavam do coletivo.

Então, dia 27/7/2007, o canal Fox News levou ao ar o hoje infame “Report on Anonymous” [Relatório sobre os Anonymous]: “Eles se chamam “Anonymous” – diz o locutor-âncora John Beard. “São hackers turbinados, que tratam a rede como um videogame da vida real (...) assaltam e saqueiam websites, invadem contas de Myspace, atormentam pessoas inocentes (...). E, se você reagir, tome cuidado!” Adiante, na mesma emissão, o repórter Phil Shuman descreve os Anonymous como “gangue hacker” e “máquina de ódio da internet”, em “surto de destruição”. “Eu tinha sete senhas diferentes, e ele roubaram todas, até agora” – diz uma entrevistada. “Para mim, são terroristas domésticos”, insiste outra, opinião que aparece ilustrada por imagens da explosão de uma caminhonete.

Shuman apresenta os Anonymous como gangue clandestina e impiedosa. Uma mulher, mãe, enfrentou ataques repetidos por telefone e foi obrigada a comprar um cão de guarda; um adolescente, David, foi abandonado pela namorada, quando hackers postaram “fotos de sexo gay” em sua página em Myspace; vários estádios receberam ameaças de bombas – informação que adiante descobriu-se que era falsa. Na mesma matéria, um ex-membro dos Anonymous – de costas, de boné, com a voz distorcida, presumivelmente para protegê-lo de represálias – acusa a dita “gangue hacker” de ter ameaçado sequestrá-lo e matá-lo. Na cena seguinte, a mãe cuja família foi atacada, e cuja identidade não é revelada (voz off), aparece cerrando janelas e cortinas, enquanto diz: “Será que [o FBI] fará alguma coisa, depois de um de nós aparecer morto? É provável” (“FOX 11” 2007).

A matéria do canal Fox “Report on Anonymous” chegou no mesmo dia ao Youtube [2] ; até hoje, já recebeu cerca de dois milhões de visitas e recolheu mais de 20 mil comentários de internautas. Postado de DancingJesus94 captura o espírito dessas reações: “UAU” – escreve ele ou ela. “Fox deu a maior força aos trolls, e com o máximo de lulz possível. O ego dos Anon vai explodir de felicidade, agora que a televisão os apresentou como perigosos bandidos que, só de pensar nisso, já conseguem invadir computadores” (2010). Em outras palavras: para os Anonymous, foi a consagração.

Em consequência, as expressões “hackers turbinados”, “gangue de hackers e “Máquina de Ódio da Internet” [“hackers on steroids”, “hacker gangs” e “the internet hate machine”] foram imediatamente integradas ao léxico da trollagem, bem como a imagem da caminhonete explodindo – que recebeu o nome de “Caminhonete de Festas do 4chan” [4chan party van] e é exibida sempre que a polícia investiga ataques de trollagem (“getting v&” [pegar a van&] passou, desde então, a ser versão taquigrafada de “ser preso”).

O 4chan recebeu enorme divulgação e forte impulso de Relações Públicas, a partir do programa da Fox; mas, além disso, recebeu ali tratamento muito eficaz, do ponto de vista publicitário, de implantação e difusão de uma nova marca. Douglas Thomas descreveu fenômeno similar, em seu estudo sobre a cultura hacker, especialmente da “nova escola” de hackers do início dos anos 1990s. Como Thomas explica, “A imprensa, a mídia, como o público (...) aprenderam a esperar o pior, dos hackers; como resultado, os hackers passaram a oferecer-lhes imagem correspondente, mesmo que seus “ataques” não passem de brincadeiras inofensivas” (2002: 37).

Ao definir os Anonymous (e os seus trolls) como elementos socialmente desviantes, a rede Fox News ofereceu-lhes uma griffe comportamental – além de ter deixado no ar a promessa de que comportamentos semelhantes também receberiam generosa cobertura da emissora.

Embora Fox News não tenha criado os Anonymous, o Relatório “Fox 11” sobre eles deu aos Anonymous plataforma nacional, a partir da qual os trolls construíram estruturas cada vez maiores. O que antes fora uma página underground, conhecida só dos poucos participantes ativos, tornou-se “marca” e conceito genérico: os Anonymous só passaram a aparecer muito em matérias da mídia-empresa depois de o Relatório “Fox 11” ter ido ao ar pelo canal Fox (“Internet Justice” 2007).

O segundo grande catalisador dos Anonymous apareceu em janeiro de 2008, quando Nick Denton postou em Gawker um vídeo incômodo, em que se via Tom Cruise rindo de modo, talvez, “histérico”, e elogiando a Igreja da Cientologia. Intimado pela Igreja da Cientologia, Denton recusou-se a remover o vídeo; disse que era “notícia” (Denton 2008); em resposta à tentativa de a Igreja censurar o vídeo, alguém postou um comentário em /b/, sugerindo reação (“Plan” 2008). Assim começou o Projeto Chanology, o mais ambicioso projeto de ataque dos Anonymous até aquele momento. Embora os Anonymous de modo algum fossem o primeiro grupo a por os olhos na Igreja da Cientologia (Coleman 2010), foram os que tiveram mais sucesso. Uma semana depois de Denton ter publicado o vídeo das risadas de Cruise, os Anonymous divulgaram sua, hoje, já icônica Message to Anonymous (“Message” 2008); e dia 10/2/2008, centenas de manifestantes protestaram, em todo o país, à frente de centros locais da Igreja da Cientologia, em várias cidades. Para preservar o anonimato, os anons que participaram das manifestações usavam máscaras de plástico de Guy Fawkes, referência ao que então era conhecido no 4chan como “Epic Fail Guy”, figura aplicada num adesivo, que indicava fracasso e desapontamento – exatamente a mensagem que os anons desejavam transmitir sobre a doutrina da Cientologia. Imagens dos manifestantes, sobretudo dos que usavam máscaras de Guy Fawkes, foram vistas em todos os noticiários. Dois dias depois dos primeiros protestos, os Anonymous ganharam seu primeiro verbete na Wikipedia.

Com os Anonymous e sua nave-mãe, /b/ board, ganhando cada dia mais destaque cultural, a mídia-empresa aplicou-se ainda mais na cobertura. Movimento que, por sua vez, criou muito ampla ocasião para muito lulz, o que atraiu cada vez mais cobertura da mídia, a qual engendrou mais conteúdo original e... mais cobertura nas televisões e jornais. O canal Fox News assumiu a vanguarda do sensacionalismo, com Bill O’Reilly liderando a matilha. Depois que um anon invadiu a conta de Sarah Palin em Yahoo, O’Reilly denunciou o 4chan como “uma das páginas mais imundas, nojentas e desprezíveis da internet” (Popkin 2008) e exigiu que o FBI tomasse medidas drásticas (“Palin”2008; “Hackers” 2008).

Os Anonymous colheram a oportunidade para declarar guerra aberta contra o canal Fox News, particularmente contra O’Reilly. Depois da invasão à página de Palin, trolls invadiram a página de O’Reilly e divulgaram informações sobre frequentadores e os endereços pessoais e profissionais de O’Reilly (Danchev 2008). A mesma tática foi usada também em resposta a um segmento do programa Talking Points/Confronting Evil, no qual O’Reilly dizia que:

“A página da extrema-esquerda radical conhecida como “4chan” está distribuindo pornografia infantil para pedófilos da internet” (O’Reilly 2009).

Um ano depois, os Anonymous iniciaram a “Operation Bill Haz Cheezburgers” [aprox. “Operação Bill ‘tá côs xizburguers”], mais uma tentativa para derrubar a página. Mas, diferente de outras vezes, aquela operação foi planejada para matar com gentileza. Um anon escreveu:

“Tentem não mandar material obsceno para ele. Sem material obsceno, quando ele pirar no programa, ninguém se solidarizará com ele e todos o verão como doido varrido, que diz aquelas coisas horríveis daqueles gatinhos tão bonitinhos”.

Durante algumas horas, na sequência, Anonymous enviaram para O’Reilly centenas de mensagens com elogios os mais incoerentes e sem sentido, e montanhas de imagens de coelhinhos, patinhos e gatinhos, muitas das quais exibiam, como título, a frase “The Internet Love Machine” [Internet, Máquina de Amor]. Em dado momento durante o raid, alguém lembrou de redistribuir o endereço da casa de O’Reilly. Imediatamente começaram a chegar pizzas de pepperoni enviadas para aquele endereço, e um Anon distribuiu foto alterada do rosto de O’Reilly, com a frase: “O quê?! Não encomendei pizza alguma. E nem gosto de abacaxi” [“What? I didn’t order any pizza. I don’t even like pineapples” (“Operation Bill Can Haz Cheezburgers” 2009).

Em resumo, as várias respostas de Fox contra os Anonymous, o 4chan e os trolls em geral, ajudaram a ampliar e reforçar os contornos do que, naquele momento, era ainda fenômeno localizado, mas que, em pouco tempo, emergiu como sólida subcultura. Essas histórias ampliaram não só o léxico da trollagem; também forneceram aos trolls farto material memético e ajudaram a legitimar o desenvolvimento de uma “identidade troll” bem marcada, deliberada e altamente identificável e reconhecível. O canal Fox News, ao comandar a carga contra eles, deu aos trolls as principais coordenadas para traçarem sua face pública. Os trolls gostaram, ocuparam o espaço, armaram suas barracas e, graças a uma mídia-empresa-imprensa cada vez mais autorreferente e repetitiva, encontraram fonte praticamente infinita de alimento. Os Anonymous fortaleceram-se, e a mídia-empresa-imprensa perdeu o rumo, dividida entre nutrir e punir aquela sua prole amaldiçoada.

[Continua]



Notas dos tradutores

[1] Na origem, são personagens das histórias de Popeye: “Os Goons são estranhos habitantes da Ilha dos Goons, que já mantiveram o pai do Popeye preso. Mas quando Popeye foi à ilha resgatá-lo, pai e filho conseguiram acabar com os Goons, e sair da ilha”.

[2] Anonymous on FOX11 pode ser visto a seguir:

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mestres do ódio carregado e engatilhado

Pepe Escobar
12/1/2011, Pepe Escobar, Asia Times Online 
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

NEW YORK. Há uma aterrorizante conexão direta entre a retórica do ódio que arde como febre alta nos EUA, os tiros contra a deputada Gabrielle Giffords do Arizona, as ameaças de morte contra Julian Assange, fundador de WikiLeaks, e o nono aniversário da infame prisão em Guantánamo, Cuba. Essa conexão perturbadora deveria provocar calafrios na espinha, em quem tenha qualquer preocupação com direitos humanos, por remota que seja. Pois não provoca. Não, pelo menos, nos EUA. 

Julian Assange
Assange voltará ao tribunal em Londres dia 7 de fevereiro para audiência de dois dias inteiros sobre sua possível extradição para a Suécia, conectada ao ultra-nebuloso caso de camisinhas supostamente furadas e “sexo por surpresa”, coestrelado por duas fanzocas de Assange numa Estocolmo candente, em agosto passado. 

Os advogados de Assange entenderam rapidamente o xis da questão: se ele for extraditado para a Suécia, o governo dos EUA moverá céus e terra até conseguir extraditá-lo para os EUA. Nos EUA, Assange pode ser condenado à morte, ou à pena irmã-gêmea dessa, nos termos da “guerra ao terror” – ser mandado para o limbo legal de Guantánamo. Para os EUA, o fato de que os tratados de direitos humanos proíbam extradição nessas condições é coisa de somenos. 

Prisão de Guantánamo 
Almas simplórias, bem-intencionadas, talvez lembrem que o presidente Barack Obama dos EUA prometeu fechar Guantánamo. Nunca fechará. O Congresso dos EUA matará qualquer possibilidade de transferir “combatentes inimigos” para a pátria-mãe, para que tenham julgamento adequado. A Casa Branca está pronta para condenar pelo menos 40 daqueles prisioneiros a permanecer para sempre em Guantánamo – sem acusação formalizada, sem julgamento, só um buraco negro. E Bagram, no Afeganistão, segue o mesmo caminho. Esqueçam a Constituição dos EUA e a lei internacional. 

Os direitos humanos tiveram de aparecer como parte crucial da estratégia de defesa de Assange, em sete partes – porque uma possível extradição viola o Artigo 3 da Convenção Europeia sobre Direitos Humanos. Assim, os advogados de Assange, no sumário inicial de 35 páginas de sua estratégia, foram obrigados a chamar atenção para a possibilidade real de Assange ser vítima de prisão ilegal e para “o risco real de ser condenado a pena de morte. Sabe-se que figuras destacadas da cena pública nos EUA já declararam implicitamente, quando não explicitamente, que o Sr. Assange deve ser executado.” 

Sarah Palin
Para que a ideia apareça com clareza para a opinião pública global, a própria WikiLeaks distribuiu release para a imprensa, no qual destaca o paralelo inevitável entre a retórica de “peguem Assange” (a ex-governadora do Alaska Sarah Palin diria “recarregue e atire”) e a narrativa dos mestres do ódio da direita, que culminou, até agora, nos tiros contra Giffords. Palin é citada, porque conclamou o governo Obama a “caçar esse chefe de WikiLeaks como os Talibãs”. 

A estrada à frente só aponta para radicalização – enquanto o ódio supura, numa configuração que o próprio Assange resumiu como “Orwelliana”. Assim como os ataques contra WikiLeaks são hoje mais fortes que nunca, assim também cresce o apoio global. E há muito mais a caminho. Até agora, só foram publicados 2.017 telegramas diplomáticos (nesse passo, o arquivo ainda não estará integralmente publicado no final da década). O próximo mega-alvo é o Banco da América. E há ainda preciosidades sobre a China, os EUA e, sim, Guantánamo. 

Embora a parceria entre WikiLeaks e algumas publicações da imprensa global pareça ter chegado a um ponto de equilíbrio em termos jornalísticos, estamos a um passo de guerra declarada entre os que defendem a mídia como – a palavra já diz tudo – instituição de mediação, e os que apoiam o ethos de WikiLeaks, de descarregar blocos de realidade, com mínima intervenção. Embora nada vença a informação bruta, é essencial alguma contextualização e alguma edição. E o leitor que compare e decida se prefere a versão crua ou as versões filtradas. 

O que mais preocupa é o fato de que o ponto crucial do argumento de WikiLeaks – se há políticos e figuras de destaque da mídia, promovendo o homicídio e incitando ao crime, ele deveriam ser acusados e processados nos termos da lei – não está tendo qualquer ressonância nem nos EUA nem no resto do mundo. Inevitavelmente, como argumenta WikiLeaks, se o grupo continuar a ser estigmatizado como uma espécie de nova al-Qaeda, certamente acontecerão outras tragédias semelhantes à de Tucson, Arizona.

Massacre de Tucson
Não há evidência alguma de que os mestres do ódio nos EUA, que infestam o pântano do show midiático e político corram qualquer risco de serem punidos. Não há evidência alguma de que os líderes do Partido Republicano tomarão atitude pública contra a retórica “peguem, matem e arrebentem”. O massacre no Arizona, que matou seis pessoas e feriu 14, já está sendo desqualificado em bloco, pelos círculos da direita, como mais um ato isolado, de mais um dos doidos solitários de sempre. 

Portanto, não há sinal algum de que o crescimento acelerado, gráfico, endêmico, do fascismo na sociedade dos EUA esteja em vias de começar a ser enfrentado seriamente. Abandonai toda a esperança, vós que ansiais por debate adulto, sereno, racional na política dos EUA. Negócio lastimável, que o pensador político e historiador francês, Alexis de Tocqueville, previu há mais de um século e meio, em A Democracia na América. 

Hoje é Giffords. Amanhã pode ser Assange. Mas o verdadeiro alvo somos todos nós.