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sábado, 19 de maio de 2012

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Traduzida pelo pessoal da Vila Vudu

Various Authors - Verschiedene Autoren - AA.VV. - Auteurs divers –
Από διάφορους συντάκτες - Olika skribenter - مؤلفون مختلفين

“E depois de tanto esperar é chegada a hora de levantar âncora”

Caro camarada Alexis Tsipras,

Escrevemos a você como cidadãos de países europeus que, como na Grécia, somos hoje atingidos pela ofensiva “dívidocrática” dos poderes financeiros e oligárquicos na Europa.

Dirigimo-nos a você e, por seu intermédio, aos milhares de cidadãos e cidadãs gregos e gregas que ofereceram suas vozes à sua organização política, para manifestar nossa gratidão, nossa solidariedade e nosso apoio à resistência que vocês estão impondo contra a devastação neoliberal das condições materiais, dos quadros políticos e da vida na sociedade grega.

Contem conosco na luta de vocês por uma alternativa de justiça, de dignidade e de democracia para o povo grego e para todos os povos que compõem a União Europeia.

Alexis Tsipras
Saudamos com entusiasmo o sucesso que alcançaram nas recentes eleições gregas, e aplaudimos também a gestão de resultados que vocês estão fazendo; encorajamos vocês a perseverar nessa linha de ação, que já é exemplo e esperança para milhões de homens e mulheres em toda a Europa.

Queremos que saibam, você, os membros de sua organização e todos os cidadãos e cidadãs gregos e gregas, que outros grupos políticos de outras orientações, sindicais e da sociedade em geral, partilhamos com vocês o projeto de uma vida comum verdadeiramente livre e solidária, esperança viva que acalentamos para toda a Europa, de que um novo governo grego de unidade popular derrote a ditadura dos burocratas e vendilhões dessa Europa sequestrada.

Interpretamos a conjuntura grega atual como um ponto de inflexão que pode levar a transformação radical da ordem política e econômica europeia. Precisamos todos de uma nova Europa, dos seus cidadãos e cidadãs, não dessas brutais políticas de austeridade, que dão prioridade ao pagamento de uma dívida odiosa, ilegal e ilegítima, que impede o desenvolvimento humano de nossas comunidades. Esse é o apelo que fazemos hoje, nas praças da Europa, da Puerta del Sol madrileña à Praça Syntagma de Atenas, e em tantos outros pontos dispersos por toda a geografia europeia, de praças libertadas que são como os grãos dos quais germina a democracia real que nós, homens e mulheres da Europa, sonhamos cultivar em comum.

A luta contra o autoritarismo neoliberal que prende sob hipoteca temerária o presente e o futuro de nossos povos só pode ser vencida no nível europeu. É indispensável, também no nível europeu, que tenhamos instituições verdadeiramente democráticas, que contribuam para a liberdade e a solidariedade entre todos os povos da Europa, face ao diretório oligárquico neoliberal e ao seu estado permanente de exceção econômica e política.

“E depois de tanto esperar, é chegada a hora de levantar âncora”, dizia o poeta cidadão grego, de vocês e nosso, Alexandros Panagoulis.

Nós, homens e mulheres da Europa, já esperamos por tempo demais e já aguentamos demais. Mais uma vez, caberá ao povo grego, tão requintado conhecedor dos segredos do mar, mas também da liberdade, a responsabilidade de apontar o rumo até essa nova Europa que já se entrevê pelas praças e nas nossas vozes rebeldes.

Nos alinhamos com vocês, ombro a ombro, para fazermos juntos, como numa grande assembleia de povos irmãos, essa travessia perigosa e grávida de esperanças.

Saudações fraternais e agradecidas.

Para assinar essa carta, escreva para cartatsipras@gmail.com (escreva nome, sobrenome, cidade onde vive, atividades e afiliações)

Essa carta será publicada nos jornais gregos, com as assinaturas recebidas até o dia 1/6/2012.

Primeiras assinaturas

Abraham Herrero. Logística y márketing. Madrid.
Agustín Velloso Santisteban. Profesor. Madrid
Alberto Fernández Liria. Psiquiatra. Madrid
Alberto Hidalgo Hermoso. Estudiante. Izquierda Unida. Madrid
Alejandro Álvarez García. Asamblea 15-M de Merida (Badajoz)
Ana Domínguez Rama. Ciudadana. Madrid
Ana Isabel Gómez. Trabajadora de la Administración Local. Madrid
Ander Gutiérrez-Solana. Profesor. Bilbao
Andrés Villena Oliver. Economista. Málaga
Antoni Lluís Trobat Alemany. Parado. Activista social y político. Joves d'Esquerra Nacionalista - Partit Socialista de Mallorca. Palma (Mallorca)-Barcelona
Antonio Mata Lozano. Fotografo e informatico. Badajoz
Artegalia Radio. Alicante
Blanca Cambronero Manzano. Periodista. Madrid
Carlos A. Navarro Selma. Estudiante. Izquierda Unida. Orihuela (Alicante)
Carlos Delclós. Sociologo. Barcelona
Carlos Fernández Liria. Profesor. Madrid
Carlos Lechado García. Funcionario. Madrid
Cristina Regueira. Actriz. Ciudadana. Madrid
Eduardo Fernández Rubiño. Estudiante. Madrid
Elda Maganto. Profesora. Zaragoza
Elena Albajar. Arquitecta. Alicante
Francisco Manuel Parejo Moruno. Profesor. Don Benito (Badajoz)
Francisco Moriche Mateos. Docente y escritor. Hervás (Cáceres)
Franz Biberkopff. Ciudadano. Trabajador de la Sanidad Pública. Madrid
Gaëlle Suñer. Colectivo Artefakte. Barcelona
Ginés Fernández González. Director de Mundo Obrero y Secretario de Comunicación del PCE. Madrid
Gorka Castillo. Periodista. Bilbao
Hugo Martínez Abarca. Izquierda Unida. Madrid
Isabel Cánovas Sánchez. Dependienta. IU. Totana (Murcia)
Israel Morales Benito. Técnico en Cooperación al Desarrollo. ATTAC, ENTREPOBLES. Alacant
Iñigo Errejón. Investigador Universitario. Fundación CEPS. Madrid
Jaime Pastor. Profesor. Madrid
Javier Navascués. Profesor. Sevilla
Jesús Taboada Ferrer. Escritor y profesor de griego. Madrid
Joan Antón García Carrera. Funcionario. IU / PCE. Madrid
Joan M. Gual. Universidad Nómada. Barcelona
Jorge García Castaño. Concejal de IU en el Ayuntamiento de Madrid
Jorge Rodríguez Seguín. Funcionario. Izquierda Unida y Asamblea 15-M de Girona
Jorge Ruiz Morales. Editor. Madrid
Jose Javier Lop. Analista informático. Zaragoza
Jose Manuel Martinez Gomez. Dependiente. ATTAC. Alacant
Joseba Fernández González. Politólogo y activista social. Bizkaia
José Carlos Herrero Lucas. Geógrafo. Hervás Toma la Plaza. Hervás (Cáceres)
José Luis Carretero Miramar. Profesor. Madrid
José Luis Úriz Iglesias. Jubilado. Ex-parlamentario y ex-concejal del PSN-PSOE. Villava-Atarrabia (Navarra)
Juan Antonio Gascón Sorribas. Profesor. Concejal de Izquierda Unida. Palencia
Juan Domingo Sánchez Estop. Escritor y traductor. Asamblea 15-M de Madrid / Bruselas.
Juan Pedro García del Campo. Profesor. Asamblea 15-M de Ciempozuelos y Titulcia (Madrid)
Julián Sanz Hoya. Profesor. Izquierda Unida-EUPV. Valencia
Jérôme Duval. CADTM-España
Jónatham F. Moriche Vázquez. Trabajador de artes gráficas. ATTAC. Don Benito (Badajoz)
Lola Matamala Oporto. Ciudadana. Madrid
Lorena Pérez Del Postigo Pareja. Camarera. ATTAC. Alicante
Luis Alegre Zahonero. Profesor. Izquierda Anticapitalista. Madrid
Luis Angel Sanchez de Lachina. Técnico en Prevención de riesgos laborales. Antikapitalistak. Basauri (EH)
Luis Carlos López Pérez. Ciudadano. Málaga
Manuel Tapial. Activista social. León (Nicaragua)
Maricarmen Muñoz Donoso. Ama de casa. Concejala de Izquierda Unida. Jaraíz de la Vera (Cáceres)
Marta García. Producción audiovisual. Bilbao
María Mandalou. Escritora y traductora. Hervás (Cáceres)
María Maza Brualla. Artista plástica. Barbastro (Huesca)
Melania Torregrosa. Intérprete de lengua de signos. Alicante
Miguel Angel Valdivielso Romero. Industria. EUiA-IU
Miguel de Lucas. Desempleado y activista. ATTAC
Miguel Escobar Asunción. Ingeniero Técnico. Izquierda Unida. Villanueva de la Serena (Badajoz)
Miguel Fernández Liria. Medico. Vizcaya.
Miguel Manzanera Salavert. Escritor y docente. Izquierda Unida. Zafra (Badajoz)
Mª Asun Reglero Velasco. Funcionaria. Izquierda Unida y CCOO. Palencia
Natividad Vázquez Merchán. Docente. Hervás (Cáceres)
Nerea Rosa Barros. Comunicación Internacional. Alicante
Nuria Pascual Gisbert. Estudiante. Entrepobles y ATTAC. Alicante
Pablo Bustinduy Amador. Docente. Nueva York, EEUU
Pablo Castaño Tierno. Estudiante. Badajoz
Pablo Fernández. Economista. Bilbao
Pablo Paz Corbelle. Economista. Izquierda Unida. Badajoz
Patricia Rivero. Socióloga. Barcelona
Pedro Natalio Rodríguez Martín. Sociólogo. Asamblea 15-M de Badajoz
Rafael Pla López. Profesor jubilado y periodista. Meliana (València)
Raimundo Viejo Viñas. Profesor. Colectivo Artefakte. Barcelona
Ramon Rodriguez Torres. Estudiante.
Ramón Espinar Merino. Investigador universitario. Madrid
Raquel Palacio. Ciudadana. Izquierda Unida. Zaragoza
Ruth Sáez Buedo. Estudiante. Activista Rumbo a Gaza. Elche (Alicante)
Samuel Pulido. Ciudadano. Santa Cruz de Tenerife/Bruselas
Santiago Alba Rico. Escritor y docente. Túnez
Santiago Arellano Borrajo. Docente y músico. Asamblea 15-M de Jérez de la Frontera (Cádiz)
Sergio Diestro Menacho. Politólogo. Vivares (Badajoz)
Silvia Casado Arenas. Profesora. Madrid
Sylvia Martín Sánchez, Activista social. Alicante
Tony Vargas Aparicio. Granjero. PCA/IU. Dehesas Viejas (Granada)
Víctor J. Sanz. Escritor. Pilar de la Horadada (Alicante)
Víctor Manuel Casco Ruiz. Diputado Autonómico de Izquierda Unida. Cáceres
Xavi Tello. Músico y Realizador Audiovisual Independiente. Alicante

Apoios

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Benjamin Noys. Academic. Reino Unido
Castor Filho. Engenheiro/fotógrafo. redecastorphoto. São Paulo, Brasil
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Renaud Vivien. Jurista. CADTM (Comité pour l'Annulation de la Dette du Tiers Monde). Bélgica
Robert Leston. Profesor. Nueva York. EEUU
Rodrigo Sepúlveda Montero. Sociólogo. Colectivo Grita. Chile
Sonia Estela Durand. Ciudadana. Argentina
Vittorio Morfino. Profesor. Milan
Warren Montag. Profesor. Los Angeles, California, EEUU

sábado, 18 de fevereiro de 2012

África, 1987: “O discurso da dívida”


29/7/1987, Thomas Sankara (então presidente revolucionário de Burkina Faso [1]) - Discurso na Conferência da Organização da Unidade Africana, Addis Abeba, Etiópia e a seguir traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ver também

 

 

Não podemos pagar a dívida. E com isso não quero dizer que somos contra a moral, a dignidade e o dever de cumprir nossa palavra. Quero dizer que a moral, a dignidade e o dever de cumprir nossa palavra não são a mesma coisa entre os ricos e os pobres. A Bíblia, o Corão, não podem servir do mesmo modo aos que exploram os pobres e aos explorados. É preciso que haja duas edições da Bíblia e duas edições do Corão.

Não podemos aceitar que nos deem lições de dignidade. Que elogiem os que pagam as dívidas, e desqualifiquem os que não pagam, que nos digam que os que não pagam não merecem confiança. Ao contrário disso, devemos dizer que, hoje, os maiores assaltantes são os mais ricos, e que isso é visto como normal. Porque um pobre, quando rouba, comete pequeno crime, um pecadilho. Trata-se de sobreviver, de necessidade. Mas os ricos, quando roubam, têm autoridade fiscal, ou roubam na Alfândega. São os que exploram o povo.

Senhor presidente, minha ideia aqui não é provocar, nem fazer espetáculo. Apenas digo aqui o que todos nós pensamos e desejamos. Quem aqui não deseja que essa dívida seja simplesmente cancelada? Quem não desejar que essa dívida seja cancelada, que tome seu avião é vá pagá-la imediatamente, ao Banco Mundial! 

Tampouco desejo que pensem que a proposta de Burkina Faso é ideia saída da cabeça de jovens inexperientes e imaturos, ou que a ideia de não pagar a dívida seja ideia só dos revolucionários. Digo que a proposta de não pagarmos a dívida é proposta objetiva, e é nossa obrigação. E posso citar muitos exemplos de outros que também disseram que não paguemos a dívida, revolucionários e não revolucionários, jovens e velhos.

Cito, por exemplo, Fidel Castro, que já disse que não paguemos. É revolucionário, como eu; e mais velho que eu. Mas posso citar também François Mitterand, que também disse que os países africanos, os países pobres, não podem pagar a dívida. Posso citar a senhora primeira-ministra. Não sei quantos anos tem e não perguntarei, mas é mais um exemplo. Posso citar também o presidente Felix Houphoüet-Boigny, que não é tão jovem e declarou, oficialmente, publicamente, pelo menos em relação ao seu próprio país, que a Costa do Marfim não pode pagar a dívida. Ora, a Costa do Marfim classifica-se entre os países mais ricos da África, ou pelo menos da África ‘francófona’. Por isso também, a Costa do Marfim paga contribuição maior aqui [risos].

Mas, senhor presidente, não falo para provocar. É preciso que os senhores nos ofereçam melhores soluções. Gostaria que nossa conferência adotasse como resolução muito necessária, uma declaração de que não podemos pagar a dívida. E que seja resolução conjunta, não declarações individuais.

É importante que assim seja, para que não nos exponhamos a ser assassinados. Se Burkina Faso permanecer sozinha, como único país que se recusa a pagar a dívida, eu não estarei aqui, na nossa próxima Conferência. Mas se, ao contrário, obtivermos aqui o apoio de todos, de que eu tanto preciso, conseguiremos não ser obrigados a pagar.

Se conseguirmos não pagar essa dívida, poderemos aplicar nossos pequenos recursos ao nosso próprio desenvolvimento.

Para terminar, quero dizer que cada vez que um país africano compra uma arma, é arma que será usada contra outro africano. Não será usada contra europeu nem contra país asiático. Será usada contra africanos. Portanto, temos de tirar vantagem da questão da dívida, para lançar, para encaminhar alguma solução para o problema das armas. Sou militar e ando armado. Mas, senhor presidente, sei que o desarmamento é questão inadiável. Eu ando armado, com a única arma que tenho. E muitos têm um arsenal escondido em casa. Assim, queridos irmãos, com o apoio de todos, conseguiremos ter paz em casa.

Também conseguiremos usar as imensas potencialidades da África para desenvolver a África. Nosso solo é rico. Nosso subsolo é rico. Temos braços e temos um vasto mercado, do norte ao sul e de leste a oeste. Temos capacidades intelectuais para criar ou, no mínimo, para usar todas as tecnologias e ciências, onde quer que as encontremos.

Senhor presidente, façamos dessa Conferência de Addis Abeba uma frente unida contra o pagamento da dívida. Façamos dessa Conferência de Addis Abeba uma frente unida para limitar o comércio de armas entre os países pobres e fracos. Os porretes e facões que se compram por toda parte são inúteis. 

Façamos também dessa Conferência uma frente a favor do mercado africano, a favor do mercado para os africanos. Produzir na África, transformar na África e consumir na África. Vamos produzir o que nos falta, e consumir nossa produção, em vez de importar tudo.

Burkina Faso aqui está para apresentar os tecidos de algodão que nós mesmos estamos produzindo. Algodão plantado em Burkina Faso, tecido em Burkina Faso, modelado e costurado em Burkina Faso, para vestir os burkinabeses. Minha delegação e eu aqui estamos, vestidos por nossos tecelões  camponeses. Não há aqui um único fio importado da Europa ou dos EUA. Mas não estou aqui para apresentar desfile de modas. Queria dizer apenas que temos de aprender a viver à africana, porque não há outro meio para vivermos livres e com dignidade.

Agradeço a atenção, senhor presidente. Pátria ou morte! Venceremos!
_______________________


 Nota dos tradutores
[1] Thomas Sankara [1949-1987] foi assassinado três meses depois desse discurso. Lê-se sobre ele, em “Who killed the lion king?: “Thomas Sankara liderou, entre 1983 e 1987, uma das revoluções mais radicais e criativas que a África produziu em décadas. Sankara inaugurou uma trilha que outros países africanos poderiam seguir, genuína alternativa à modernização conservadora do continente. Como outros líderes africanos radicais, Sankara foi assassinado. O homem que o matou continua no poder, há 24 anos, sempre apoiado pelo ocidente”.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Como Fernando Henrica


O Caso Paribas ou fraude à francesa do Príncipe dos Ociólogos


Palmério Dória
18 de Dezembro de 2011 às 08:30 - Palmério Doria

Acho que Protógenes Queiroz nem sonhava com uma candidatura quando me falou pela primeira vez do Caso Paribas. Não apenas falou: de noite, no saguão do hotel em que se hospedava entre uma e outra operação em São Paulo, fez mapa minucioso da armação de tucanos de megabico para manipular a dívida externa em seu proveito.

A segunda vez foi em sua primeira entrevista à imprensa, na sede da revista Caros Amigos, que durou de 2 da tarde às 7 da noite. De tudo se tratou. Selecionei apenas o capítulo que trata do Caso Paribas, que pode levar à convocação de FHC e Armínio Fraga, entre outros, pelo Congresso.

Protógenes Queiroz
Não por coincidência, depois da entrevista, a caixa d’água veio abaixo na vida de Protógenes.

PALMÉRIO DÓRIA - Você está falando do Fernando Henrique Cardoso?

Fernando Henrique Cardoso.

PALMÉRIO DÓRIA - Você está falando do Paribas, de como o presidente manipulou e ganhou com isso?

Exatamente. Nossa dívida externa é artificial e eu provei isso na investigação. Houve repulsa minha porque quando era estudante empunhei muita bandeira "Fora FMI", "Nós não devemos isso".

MYLTON SEVERIANO - "A dívida já está paga".
"A dívida já está paga". E foi muito jato d'água, muita cacetada, muito gás lacrimogêneo, "bando de doido, tem que tomar porrada, pau nesses garotos". Você cresce achando que era um idiota, não é? Chega um momento que pensa "a dívida foi criada no regime militar, mas a gente precisa pagar".

FERNANDO LAVIERI - Como você provou isso?

PALMÉRIO DÓRIA - O jogo começou a ser jogado no Ministério da Fazenda?

Sim. Querem essa história?

TODOS - Sim!

Vocês não vão dormir direito. Isso é para maiores de 50 anos. Estamos em 2002, me atravessa as mãos o expediente para um banco francês, "esse banco eu conheço, é sério". E a suspeita que investigo é fraude com títulos públicos brasileiros, negociados no mercado internacional, títulos da dívida externa. Negociados na década de 1980: o que chama atenção?

MYLTON SEVERIANO - Fim da ditadura.

E transição para o regime civil. José Sarney pega o país em frangalhos, devendo até a alma, sem dinheiro para financiar as contas públicas, muito menos honrar compromissos, a famigerada dívida com o FMI. Havia até o "decrete-se a moratória". Era o papo nosso, da esquerda, dos estudantes, "não vamos pagar, já levaram tudo". E o Sarney, o que faz? Bota a mão na manivela e nossos títulos da dívida externa valiam, no mercado internacional, no máximo 20% do valor de face, era negociado na bolsa de Nova York. No paralelo valiam 1%. O que significa? Não pass...

Continue lendo a entrevista em Brasil 247

Enviado por Sílvio de Barros Pinheiro

terça-feira, 18 de outubro de 2011

“Χρεοκρατία” (Dividocracia) Documentário

Documentário crítico sobre a “construção” da DÍVIDA soberana da Grécia (legendado em português)


Debtocracy – International Version (legendado em português)


Na Internet, todo mundo fala do documentário sobre a crise grega preparado pelos jornalistas Katerina Kitidi e Aris Hatzistefanou e que tem por título “Debtocracy”. Rodado com dinheiro próprio e com donativos de alguns amigos, o filme tem exibição gratuita em: “Debtocracy (em grego).

Em menos de dez dias, foi visto por 600 mil utilizadores. Todos os dias, defensores e adversários do documentário apresentam os respectivos pontos de vista no Facebook, no Twitter e em blogues.

Os principais atores do documentário (cerca de 200 pessoas) assinam um pedido de criação de uma comissão internacional de auditoria, que teria por missão especificar os motivos da acumulação da dívida soberana e condenar os responsáveis. No caso vertente, a Grécia tem direito a recusar o reembolso da sua “dívida injustificada”, ou seja, da dívida criada através de atos de corrupção contra o interesse da sociedade.

“Debtocracy” é uma ação política. Apresenta um ponto de vista sobre a análise dos acontecimentos que arrastaram a Grécia para uma situação preocupante. As opiniões vão todas no mesmo sentido, sem contraponto. Foi essa a opção dos autores, que apresentam a sua maneira de ver as coisas, logo nos primeiros minutos: "Em cerca de 40 anos, dois partidos, três famílias políticas e alguns grandes patrões levaram a Grécia à falência. Deixaram de pagar aos cidadãos para salvar os credores".

Os “cúmplices” da falência perderam o direito à palavra.

Os autores do documentário não dão a palavra àqueles que consideram “cúmplices"”da falência.

Os primeiros-ministros e ministros das Finanças gregos dos últimos dez anos são apresentados como elos de uma cadeia de cúmplices que arrastaram o país para o abismo.

O diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, que se apresentou aos gregos como o médico do país, é comparado ao ditador Georges Papadopoulos [primeiro-ministro sob o regime dos coronéis, de 1967 a 1974]. O paralelo é estabelecido com uma facilidade notável desde o início do documentário, mas não é dado ao personagem relevante (DSK) o direito a usar da palavra.

À pergunta “Por que não fazer intervir as pessoas apontadas a dedo?”, um dos autores, Kateina Kitidi, responde que se trata de “uma pergunta que deve ser feita a muitos órgãos de comunicação que, nos últimos tempos, difundem permanentemente um único ponto de vista sobre a situação. Nós consideramos que estamos a apresentar uma abordagem diferente, que faz falta há muito tempo”.

O público garante a independência do filme.

Para o seu colega Aris Hatzistefanou, o que conta é a independência do documentário. “Não tínhamos outra hipótese”, explica. “Para evitar as limitações quanto ao conteúdo do filme, que as empresas [de produção], as instituições ou os partidos teriam imposto, apelamos ao público para garantir as despesas de produção. Portanto, o documentário pertence aos nossos “produtores associados”, que fizeram donativos na Internet e é por isso que não há problemas de direitos. De qualquer modo, o nosso objetivo é difundi-lo o mais amplamente possível."

O documentário utiliza os exemplos do Equador e da Argentina para suportar o argumento segundo o qual o relatório de uma comissão de auditoria pode ser utilizado como instrumento de negociação, para eliminar uma parte da dívida e do congelamento dos salários e pensões de reforma.

“Tentamos pegar em exemplos de países como a Argentina e o Equador, que disseram não ao FMI e aos credores estrangeiros que, ainda que parcialmente, puseram de joelhos os cidadãos. Para tal, falamos com as pessoas que realizaram uma auditoria no Equador e provaram que uma grande parte da dívida era ilegal”, acrescenta Katerina Kitidi. Contudo, “Debtocracy” evita sublinhar algumas diferenças de peso e evidentes entre o Equador e a Grécia. Entre elas, o fato de o Equador ter petróleo.

Conforme o YouTube a análise acima foi realizada pela PressEurop, mas o “link” indicado está “quebrado”.
Postado no YouTube por sebmellovip em 17/06/2011 em português. No DailyMotion por BitsnBytes em 5/5/2011
Licenças: padrão do YouTube/DailyMotion
Exibido no Brasil pela primeira vez em português (conforme Google) pelo Blog do Nassif  
Fonte original do vídeo: Debtocracy 

Enviado para a redecastorphoto pelo pessoal da Vila Vudu
A redecastorphoto decidiu publicar as duas versões técnicas para facilitar seus leitores e correspondentes.