Mostrando postagens com marcador Documentário. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Documentário. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 31 de março de 2014

Documentário: “Viva a Venezuela”

Comentário: Jacob Blinder
Enviado pelo pessoal da Vila Vudu
Créditos: Inseridos no vídeo


O Documentário “Viva a Venezuela” atende a atualidade venezuelana, ao legado de Hugo Chávez e à Revolução bolivariana.


Muitas vezes de dentro e por fora do país caribenho algumas pessoas opinavam que o chavismo estava condenado a desaparecer devido o falecimento de Hugo Chávez. Ledo engano, essa revolução continua firme e forte simplesmente porque o povo desse país comprou a ideia do socialismo e dentro de uma visão de solidariedade internacionalista através do exemplo - mostra a todos os povos e países do mundo que é possível construir, sociedades que sejam mais justas e equânimes para seus habitantes.

HispanTV − um meio informativo do Irã que transmite em  espanhol −  procura reproduzir as realidades do mundo através de noticias, documentários, programas, filmes e seriados teve a iniciativa de disseminar esse documentário.

“Viva a Venezuela” foi realizado por cineastas ingleses e tem duração de 48 minutos. Seu áudio está em espanhol e inglês, mas legendado em espanhol quando isso se torna necessário.

Jacob David Blinder

Caso esse documentário seja vetado pelo YouTube  acesse o enlace a seguir que está diretamente vinculado ao HispanTV: “Viva a Venezuela”. 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Não há “ÓSCAR” sem “JSÓC”. Ou quase.

18/1/2014, China Matters
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Navio porta-contêiner MAERSK Alabama atacado por piratas somalis em Capitain Phillips
Hoje em dia parece obrigatório: pelo menos um filme construído para celebrar os feitos mortíferos das Forças Especiais dos EUA tem de ser indicado para ganhar um Óscar.

Ano passado, foi A Hora mais Escura.

Esse ano, há duas indicações na categoria “Soldado norte-americano mete bala na testa de rapaz de pele escura”.

Captain Phillips (trailer a seguir), sobre os piratas da Somália, já tem indicação para concorrer ao prêmio de Melhor Filme.



E o COEC-EUA também está representado por Dirty Wars, baseado no livro de mesmo título, de Jeremy Scahill, candidato a Melhor Documentário.

Fato é que nem um nem outro desses dois filmes tem qualquer chance.

Captain Phillips já está sendo demolido pelos “comentaristas de Óscar” de sempre, com esforços no campo da “história real”, que inclui até grande campanha de propaganda de alto nível das reclamações da tripulação do MAERSK Alabama, segundo as quais o capitão estava mais para Capitão Queeg, de A nave da revolta, que para Jack Aubrey, de Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo. Nem Paul Greengrass (diretor), nem Tom Hanks (personagem-título) foram indicados a qualquer prêmio e Captain Phillips provavelmente ficará na poeira, atrás de meia dúzia de outros indicados, quando se contarem os votos para o melhor filme.

Quando a DirtyWars [Guerras Sujas] (trailer a seguir), fizeram-se várias escolhas duvidosas, para conseguir meter as mais de 600 páginas do livro de Scahill no formato de filme-thriller-reportagem de 82 minutos, usando, ironicamente, os mesmos recursos de alta definição/câmera-na-mão/teclados frenéticos que Greengrass usou com tanta eficácia nos filmes de Jason Bourne (e empurrando Scahill um pouco demais para o centro da narrativa).


Aos 24 minutos do filme, Scahill, depois de fazer compras no Brooklyn e lamentar o tédio da “vida comum”, discute um massacre em Gardez, Afeganistão, cometido por algum uniforme dos EUA e declara que, em dez anos de trabalho como correspondente de guerra, “nunca ouvi falar de “JSÓC/COEC-EUA”.

A frase provocou-me uma risadinha involuntária, nada, com certeza, semelhante à reação que os autores do filme esperavam obter, quando se dispuseram a documentar uma operação norte-americana que envolveu:

(a) matar as pessoas erradas;
(b) numa festa de batizado de criança; operação na qual morreram (b1) duas mulheres grávidas e
(c) um comandante da polícia afegã; o qual
(d) fora treinado em vários programas de treinamento com as forças dos EUA e que
(e) sangrou durante várias horas, até morrer, depois de ser ferido à bala, porque
(f) o helicóptero de socorro não apareceu, enquanto
(g) os soldados dos EUA montavam um cenário para o relatório da operação, a qual
(h) um familiar de uma das vítimas estava gravando com o próprio celular; e
(i) gravação que mostra os soldados dos EUA que escavavam com facas os cadáveres das mulheres para recolher as balas, para que as mortes pudessem ser informadas aos correspondentes estrangeiros como “brutal crime de honra cometido pelos Talibã”.
Jeremy Scahill

O massacre de Gardez aconteceu em fevereiro de 2010. Em 2008, o Comando das Forças Especiais Conjuntas dos EUA já estava em todas as manchetes, por suas ações no Iraque, graças ao livro Plano de ataque de Bob Woodward e ao presidente Bush, que dizia que o “Comando das Forças Especiais Conjuntas dos EUA é fantástico!” Todo mundo ouviu.

Esses são contexto e situação que, tenho certeza, Jeremy Scahill, autor de Dirty Wars, o livro, conhecia bem; e ele, sim, apresenta a experiência do Iraque e também a frase de Bush, em seu livro.

Felizmente Dirty Wars, o filme, retoma o pé, quando discute o abraço apaixonado entre o presidente Obama e as forças de operações especiais, caso de amor que vai muito além de qualquer coisa que George W. Bush tenha algum dia sonhado, simbolizado tanto pela campanha de assassinatos universais realizada pelas forças de operações especiais sob o comando de Obama como pela fúria com que o presidente virou as armas delas contra um cidadão norte-americano, Anwar al-Awlaki, no Iêmen.

Dirty Wars, o livro
Ironicamente, o livro de Scahill fecha o circuito da temporada de Óscares, revelando os bastidores do romance entre o presidente Obama e o JSÓC-COEC-EUA: todos se encontram no resgate do Capitão Phillips! Como Scahill escreve:

Pop. Pop. Pop.

Três tiros, quase no mesmo exato momento, por três diferentes atiradores. Três piratas somalianos mortos. (...) Os três piratas somalianos mortos, o capitão resgatado e Obama, parece-me, muito tangivelmente, descobre que tinha esse poder, como presidente” – relembrou [jornalista Marc] Ambinder (...) Depois da vitória sobre os piratas (...) os soldados do Comando de Operações Especiais Conjuntas dos EUA, COEC-EUA, passaram a ser os ninjas preferidos de Obama. Depois da operação Alabama, “O presidente convidou pessoalmente os comandantes das Forças Especiais à Casa Branca, e pediu que passassem a exercer papel integral de polícia...”

Não surpreende que a Casa Branca de Obama esteja tão empenhada em melhorar a reputação de sua bem-amada máquina de matar global: primeiro, com A Hora mais Escura (filme que, graças à ajuda que recebeu do governo, foi convertido em cause celèbre) e, agora, com Captain Phillips (Paul Greengrass queria “um navio da Marinha de verdade” e... conseguiu!). Scahill, é claro, por seu lado, teve de enfrentar o efeito oposto, de apedrejamento non-stop.

OK. Lembro que ÓSCAR nunca se escreve sem JSÓC. E a Academia, talvez, sinta-se tão desconfortável com a ideia da execução extrajudicial quanto pode sentir-se, como nesses dois filmes. Se você for obrigado a assistir a um dos dois, assista Dirty Wars. E, se puder, leia o livro.  


Nota dos tradutores
[1] Orig. Joint Special Operations Command, JSOC (Comando de Operações Especiais Conjuntas dos EUA, COEC-EUA).

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O filme da hora é “Maranhão 66”, de Glauber Rocha

Maranhão 66 – Wikipédia (introdução)

Enviado pelo pessoal da Vila Vudu

Glauber Rocha
A pedido do então governador eleito e seu amigo José Sarney (então com 35 anos), Glauber Rocha produziu um documentário sobre a cerimônia da posse do político em ascensão da UDN/ARENA em 1966, dois anos depois do golpe militar de 1964.

José Sarney
por Alex Leal
A posse de Sarney, em 1966, marcava o início da domínio político de sua família no Maranhão, interrompido somente em 1º de janeiro de 2007, com a posse de Jackson Lago no Palácio dos Leões.

Durante o discurso de posse de Sarney e a celebração da multidão com o novo governo, o documentário expõe a miséria da população maranhense. Enquanto Sarney, em um exercício retórico, se comprometia solenemente a acabar com as mazelas do estado, o filme mostrava as mazelas: casas miseráveis, hospitais infectos, vítimas da fome ou da tuberculose.

O filme – feito há 48 anos – pode ser visto a seguir:


Comentário do Zeca-Beiçudo da Vila Vudu: Mas nenhum apressadinho tosco e burro conclua, disso, que “nada mudou”. Muita coisa mudou! O Brasil já não tem Glauber Rocha, nem Glauber deixou “escola” ou “herdeiros” – porque depois de acabar com o próprio Glauber, os MILICANALHAS golpistas de 64 acabaram com a universidade brasileira, com a imprensa brasileira e com o cinema brasileiro: tudo se Globolizou e virou neoliberal conservador (quando não virou fascista mesmo).

E Sarney virou o nome da “redemocratização dos anos 80”! E os PETISTAS acreditaram!

Ah! Sarney NUNCA FOI governador biônico (nomeado pela ditadura, como Paulo Maluf, dentre outros): SEMPRE FOI ELEITO.

Viva a democracia Globolizada!


sábado, 16 de março de 2013

Documentário expõe ação dos EUA no conflito sectário no Iraque


14/3/2013, The Real News Network – Paul Jay entrevista Maggie O’Kane
Excerto da transcrição traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Maggie O'Kane, Produtora Executiva, fala sobre a história exposta em documentário do jornal Guardian, sobre o papel do coronel James Steele de apoio à tortura, a esquadrões da morte e no brutal conflito sectário no auge da Guerra do Iraque. Os relatórios de Steel eram entregues diretamente a Rumsfeld e Cheney.

Quando você decide apoiar uma força sectária, num país já conflagrado e dividido num conflito sectário, e decide dar armas e munição e apoiar um grupo, contra outro grupo... Você está abrindo uma perigosa, envenenadíssima, caixa de surpresas.

Os crimes que se veem nesse documentário foram cometidos contra o Iraque, na era Bush. E estão novamente sendo cometidos, sem tirar nem pôr, agora contra a Síria e na era Obama. ATÉ QUANDO?!


(Trailer do documentário – não traduzido)


O'KANE: Não se discute que o que foi feito lá pode ter sido pensado e planejado para evitar que os insurgentes continuassem a matar soldados dos EUA. Não se discute também se teria sido possível evitar a guerra civil no Iraque. Esses são outros problemas. O que se discute aqui é que a ação de Rumsfeld, que armou um grupo sectário, usando para isso gente como o coronel Steele e o general Petraeus, teve efeitos catastróficos na sociedade iraquiana. No auge daquela guerra civil em 2006, morriam quase 3.000 pessoas por mês, só de vítimas dos confrontos entre grupos sectários. A ação dos norte-americanos, naquele caso, fez do Iraque um inferno. (...)

O pior, de tudo que os EUA fizeram lá foi a decisão de “limpar” o exército e a polícia, extraindo dessas corporações todos os membros do Partido Ba’ath. Se se compara, é mais ou menos como, em 1989, quando, mesmo depois do fim do comunismo, todos, nos países comunistas, eram membros do Partido Comunista. No Iraque aconteceu o mesmo, porque imediatamente antes da intervenção norte-americana tudo – saúde, educação, todas as estruturas do estado estavam sob controle do Partido Ba’ath.

Os EUA, nesse contexto, decidiram “limpar” todas as estruturas, expulsar todos que estivessem no Exército, na Polícia, todos os militares. Claro que muitos, nessas corporações, eram pessoas decentes, que lutavam para sobreviver como podiam, no país que tinham. Os EUA decidiram “limpar” tudo a ferro e fogo. E assim criaram no Iraque um vácuo gigantesco, que só aumentou, até que os EUA descobriram que haviam criado aquele vácuo. Então decidiram “preencher” aquele vácuo, o mais rapidamente possível, com outra força sectária, diferente da anterior. E passaram a armar os sunitas, para que se encarregassem de matar os xiitas, os quais, então, matavam soldados norte-americanos como moscas. (...)

Não sei se os norte-americanos sabiam que o resultado final seria o que temos hoje, nem se procuraram ativamente esse resultado. Não tenho provas que me permitam afirmar que sim, que sabiam que o resultado seria esse e que o procuraram.

Alguém sabia, naquele momento, que aquela estratégia implicava risco grave, que era perigosíssima?

Sabemos, de depoimentos de altos funcionários do governo do Iraque, que aqueles e outros altos funcionários alertaram o general Petraeus, o establishment nos EUA e muitas lideranças políticas nos EUA, no sentido de que não continuassem a armar grupos xiitas sectários; e não entregassem o Ministério do Interior a alguém (como o ministro que já havia sido posto lá pelos EUA) que nutria ódio patológico aos sunitas, Solagh [...] (que perdera 12 membros da família, executados durante o governo de Saddam Hussein [sunita]). Era evidente que aquele homem recebera um poder que não tardaria a explodir, como adiante, de fato, explodiu. Houve inúmeros avisos. O general Petraeus foi diretamente alertado. Todo o establishment político norte-americano foi alertado. Todos os avisos e alertas foram ignorados.

JAY: Por aqui, reza a narrativa oficial que os sunitas eram brutais e violentos (no Iraque), degoladores, torturadores. Praticamente não há noticiário sobre violência xiita contra sunitas (no Iraque). Mas, agora, sua investigação mostra que o coronel Steele sempre esteve ativo na prática de torturas; e todos os relatórios de Steele eram entregues diretamente a Rumsfeld. Ninguém pode dizer que os mais altos escalões do governo não soubessem do que se passava no Iraque.

O'KANE: Em certo sentido, foi até pior que isso. O trabalho do hoje aposentado coronel Steel era supervisionar vários dos centros de detenção e tortura. Acreditamos que tenha chegado a haver 13 desses centros, centros secretos de tortura, para onde eram mandados os detidos. Vários desses detidos nada tinham a ver com a insurgência.

Não há dúvidas de que estava implantado ali um processo, uma rotina, na qual a tortura era meio para obter informação de “inteligência humana” [orig. Human Inteligence, HUMINT] que pudesse ser usada pelos norte-americanos e pelos “commandos” especiais de grupos xiitas, coordenados pelos EUA. Em vários sentidos era, sim, processo altamente organizado. Não temos dúvidas – e o documentário comprova – que o coronel Kaufmann, que reportava diretamente ao general Petraeus, e o coronel aposentado Steele sabiam perfeitamente dos centros de tortura e do que lá acontecia e entregaram aos seus superiores listas de pessoas que haviam sido sequestradas e torturadas exclusivamente para extrair informação.

JAY: Tortura é crime de guerra. Vi, no seu documentário, que o coronel Steele não apenas não foi preso e julgado como, de fato, foi condecorado. Seu filme leva à conclusão de que é preciso levar aos tribunais, para julgamento, não só o coronel Steele mas toda a cadeia de comando envolvida nesse tipo de tortura?

O'KANE: Nosso documentário visa apenas a expor fatos que puderam ser investigados e confirmados. Em todo o nosso trabalho, a maior dificuldade sempre foi a distância que há entre militares dos EUA nessa área e os commandos de iraquianos que matavam em campo, mesmo que com armamento, munição e inteligência que lhes era fornecida por norte-americanos. Havia uma espécie de “negabilidade à distância” [1]. Procuramos usar nosso trabalho de jornalismo investigativo para estabelecer que, sim, havia relações entre eles, ouvir pessoas que viveram dentro desses centros de detenção e tortura sobre as relações que mantinham com militares dos EUA; saber qual, especificamente, era o papel do coronel aposentado Steele e do coronel Kaufmann. Isso feito, nosso trabalho, como jornalistas, você sabe, foi apenas expor os fatos.

Agora, há perguntas a serem feitas. Quero dizer... Uma das perguntas que gostaria de fazer é por que a imprensa-empresa nos EUA – com o devido respeito a vocês – mas... Por que todos relutam em seguir adiante, a partir das provas que reunimos nessa investigação que se estendeu durante 17 meses? Talvez... As pessoas desejem esquecer tudo isso. De fato, não são perguntas que nos caiba fazer, a nós, à equipe com a qual trabalhei. Nosso trabalho é recolher a informação e obter provas e depoimentos de quem viu acontecer. Acho que o filme reúne material substancial para provar que, sim, os EUA têm muitas questões a responder.

JAY: É. Prometo perguntar a uns e outros por aí. Nós, desse TRNN não tivemos e não temos qualquer problema, e acompanhamos regularmente o trabalho de vocês. Mas, sim, não há dúvida, grande parte da imprensa nos EUA não trabalha assim. Vai-se ver, estão todos fazendo o que o presidente Obama mandou: “olhar adiante, não olhar para trás”. Disse também que não permitiria investigação, nem de atividades ilegais. Há muitas provas de que houve tortura em vários casos, nenhum dele objeto de processo ou investigação.

O'KANE: Um dos fatos que comprovamos, ao mesmo tempo fascinante, para qualquer jornalista, e também muito deprimente, é que o coronel Steele começou a trabalhar em El Salvador em 1984, recolhendo “inteligência humana” naquele país e, essencialmente, pelo mesmo processo. Seria importante que os EUA investigassem tudo isso...

Na verdade, trabalhando como correspondente estrangeira e correspondente de guerra, o que se aprende é que... – há um idioma inteiro só de eufemismos, quase tudo que tenha a ver com contrainsurgência e coleta de informações de inteligência. Em todos esses casos, fala-se, sempre, de tortura. Estamos falando, aqui, de iniciar uma guerra civil no Iraque. E digo, como quem fez 17, 18 filmes lá, e sinto que o legado deve ser o que aprendamos de nossos erros.

[Agradecimentos e despedidas. Fim da entrevista].


_______________________

O documentário “James Steele: America’s mystery man in Iraq - Full Documentary” (em inglês, 51’) pode ser visto, na íntegra, a seguir: 


Ou no endereço abaixo:

___________________________

Nota dos tradutores
[1] Sobre “negabilidade” ver SCAHILL, Jeremy, 21/9/2010, redecastorphoto em: “Blackwater & Co. – A negabilidade total”.

sábado, 9 de março de 2013

Noiva do Cordeiro (Documentário Histórico)


Julio Cesar Macedo 
Amorim (Jotamorim)
Enviado e comentado por Júlio César Macedo Amorim

No Dia Internacional da Mulher (8/3/2013) recomendei à redecastorphoto o documentário “Noivas do Cordeiro” de Alfredo Alves, com narração de Lya Luft. Mostra uma comunidade rural de Belo Vale, em Minas Gerais, liderada por lindas mulheres, vítimas centenárias de maldição, difamação e preconceito, mas que lutaram com incomum bravura em nome do ideal comunitário, da vida coletiva. É emocionante! Está indicado no site do jornalista Luisa Nassif e encontra-se no YouTube dividido em 3 partes de, mais ou menos, 15 minutos cada. Imperdível!

Assista a seguir:

Noiva do Cordeiro Ed 01

Noiva do Cordeiro Ed 02

Noiva do Cordeiro Ed 03

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Derrubaram o Pinheirinho


Enviado por Fabiano Amorim
Publicado em 24/01/2013

Este documentário conta a história dos quase 6000 moradores da ocupação “Pinheirinho”. Essas pessoas moravam desde 2004 num terreno abandonado há mais de 20 anos, em São José dos Campos. Esse terreno era de propriedade de uma empresa que havia falido em 1989, a Selecta, pertencente ao empresário, (criminoso condenado) Naji Nahas.

Em julho de 2011, a justiça ordenou que as famílias fossem retiradas de lá. Em 22 de janeiro de 2012, a Polícia Militar do Estado de São Paulo realizou a reintegração de posse, colocando todos os 6000 para fora. A maioria deles saiu apenas com a roupa do corpo.

No mesmo dia em que os moradores foram retirados do terreno, os tratores começaram a derrubar as casas com todos os pertences dos moradores dentro; o que é totalmente ilegal.

Essas pessoas além de perderem o teto, perderam tudo o que tinham, tudo o que compraram em quase 8 anos de trabalho. A maioria das famílias era bem pobre; ganhavam entre 0 e 3 salários mínimos.

O governo do Estado (PSDB), ao invés de regularizar a situação dos quase 6000 moradores e urbanizar o terreno, preferiu expulsar todos eles e aumentar o já imenso problema social.

Este documentário conta a história completa do Pinheirinho. Desde a origem do terreno até a ocupação em 2004; as várias tentativas de acabar com a ocupação; as tentativas de segregar os moradores; as falsas promessas da Prefeitura comandada pelo PSDB em regularizar o terreno; a reintegração em janeiro de 2012; até os fatos mais próximos de janeiro de 2013, quando o documentário foi finalizado.



Direção: Fabiano Amorim

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Recado para a Comissão da Verdade




Publicado em 09/10/2012 por Mário Augusto Jakobskind*

Dossiê Jango, documentário de Paulo Henrique Fontenelle, que concorre a prêmio no Festival de Cinema do Rio deste ano deveria ser visto pelos integrantes da Comissão da Verdade. A película mostra que quase 36 anos depois da morte do Presidente João Goulart ainda pairam dúvidas se ele foi ou não assassinado com a troca de remédios para o coração por uma substância contendo veneno.

É lamentável que depois de tanto tempo nenhum dos governos brasileiros se dispôs a seguir adiante com a investigação que tem por objetivo acabar de uma vez por todas com a dúvida.

A Justiça argentina, para vergonha do Brasil, solicitou a exumação do corpo de Jango, que está enterrado em São Borja. Desta forma se poderia verificar se procede ou não a hipótese. Há indícios fortes no sentido de que Jango foi mesmo assassinado.

Por coincidência ou não, num espaço de poucos meses, além de Jango, dois outros políticos brasileiros morreram em circunstâncias no mínimo duvidosas. A morte de Juscelino Kubitschek na estrada Rio- São Paulo, na altura do município de Resende, voltará a ser investigada pela Comissão da Verdade. Há denúncia de que o motorista de JK teria sido baleado.

Logo após o acidente desapareceu o diário que JK escrevia e falou-se que o empresário Guilherme Romano, muito ligado ao Coronel Golbery do Couto e Silva e também amigo do ex-presidente, teria se apossado do material que poderia sinalizar muitos fatos importantes.

Uma semana antes da morte, quando JK estava em seu sítio em Luiziânia, no Estado de Goiás, cerca de 60 quilômetros de Brasília, correu o boato segundo o qual o ex-presidente teria morrido em um acidente da automóvel ao se dirigir à capital federal. Os repórteres foram acionados e encontraram Juscelino no seu sítio. Realmente é muito estranho que depois dessa falsa informação tenha ocorrido o acidente em Resende.

Já Carlos Lacerda, o terceiro participante da Frente Ampla (uma tentativa política institucional, em 1968, para acabar com a ditadura) estava gripado e preventivamente foi a um hospital se tratar onde morreu, o que é também muito estranho. Lacerda, como Jango e JK era uma das lideranças em condições de numa abertura política voltar a atuar politicamente com destaque, o que desagradava a setores do regime ditatorial.

Tais lembranças de um período que antecedeu a abertura lenta e gradual desenvolvida a partir do governo do general de plantão Ernesto Geisel, com o apoio de Golbery, encontram-se no documentário Dossiê Jango, que merece ser visto por todos os brasileiros interessados em consolidar o processo democrático. E para que isso aconteça é necessário esclarecer de uma vez por todas os fatos nebulosos do passado. Está aí a Comissão da Verdade, que se espera cumpra o papel histórico nesse sentido.

No caso de Jango é absolutamente necessário convocar o agente da CIA, área de Montevidéu, em 1976, Frederick Latrash, que mais tarde tornou-se assessor do então candidato republicano, em 2008, John McCain. Latrash teria informações a prestar já que, segundo informam várias testemunhas, teve participação ativa no esquema que culminou com a morte (assassinato?) de Jango.

Em 2002, portanto há 10 anos, o ex-agente da inteligência uruguaia, Mario Neira Barreiro fez uma série de denúncias sobre as circunstâncias da morte de Jango em Las Mercedes, na Argentina. Barreiro acusa agentes da CIA de serem os responsáveis pela montagem de “uma farsa para ocultar um infame assassinato político instigado e patrocinado pelos Estados Unidos”. Ele conta em detalhes fatos relacionados com João Goulart que só quem teve acesso direto a ele poderia conhecer. Mesmo sendo um marginal, como sempre foi e posteriormente envolvido em estelionato, o depoimento de Barreiro pode servir de roteiro inicial para a própria Comissão da Verdade. Ele seria ouvido pelo que fez quando era agente da inteligência uruguaia.

O jornalista uruguaio Roger Rodriguez investigou a fundo as denúncias e concluiu que há indícios claros sobre o assassinato de Jango. Rodriguez garante que tudo o que foi informado por Barreiro se confirmou em suas investigações. Poderia também ajudar a Comissão da Verdade a esclarecer os fatos.

Lamentável em toda esta história, conforme mostra o documentário Dossiê Jango, é que a Justiça brasileira tem criado obstáculos para se investigar a morte do único Presidente do País que morreu no exílio. E agora chegou ao ponto de a Justiça argentina, que investiga a denúncia de que Jango foi assassinado com a troca de remédios, pedir que se faça a exumação.

Diante de fatos ocorridos durante o período da ditadura no Brasil que estão sendo conhecidos, se for comprovado mesmo o assassinato de Jango, o acontecimento se somará a uma série de outros protagonizados pelos generais de plantão que conduziram o país durante 21 anos.

Não se trata de ação isolada de psicopatas, como alguns preferem que seja, exatamente para não culpar o sistema surgido depois de 64, mas sim pela política de Estado, que optou pelo terrorismo institucional, capitaneado por generais nomeados.

Figuras como Brilhante Ustra, major Curió, entre outros, são peças dessa engrenagem hedionda e responsáveis por comprovadas violações dos direitos humanos que estão aí mesmo para serem julgados com todo o direito de defesa. Exatamente ao contrário do que faziam com os presos políticos da época da ditadura quando comandavam corporações militares.

----------------------------------------------------------------

Presidente Hugo Chávez Frias
A direita venezuelana e latino-americana tentou de tudo para derrotar o Presidente Hugo Chávez. A mídia de mercado e os analistas de sempre chegaram a fazer previsões indicando a vitória de Capriles Radonski. Mas na hora da verdade ao serem conhecidos os resultados, não restou dúvida com a diferença de cerca de um milhão e 300 mil votos em favor do líder bolivariano.

Uma tarefa interessante para professores e estudantes de comunicação é analisar a cobertura dos principais telejornais, jornais e revistas brasileiras sobre o pleito na Venezuela e mesmo depois do pleito.

Se fizerem um bom trabalho vão ver quanta barbaridade desinformativa vem à tona com “analistas” chegando a afirmar que a diferença foi só de 10 pontos percentuais, mas sem informar o número de votos que corresponde o percentual.

Inacreditável, na TV Globo uma repórter disse que o resultado espelhava o descontentamento do povo contra Chávez em função da votação do candidato derrotado.

___________________________

Mário Augusto Jakobskind* é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

Enviado por Direto da Redação