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sábado, 7 de dezembro de 2013

1963: Ngo Dinh Diem assassinado

Todos os golpes da CIA são o mesmo golpe

2/10/2013, [*] John Prados, Blog Unredacted (Arquivos da Segurança Nacional dos EUA)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Nós da família [de João Goulart] estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance para elucidar esse caso. Eu sempre digo o seguinte: a exumação é apenas um dos meios para se chegar à verdade depois de tanto tempo. A Justiça brasileira tem que cumprir o seu papel legal, constitucional e, principalmente, soberano. Pedimos ao Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul que abrisse uma ação cautelar para nós solicitarmos a oitiva dos agentes americanos que tinham conhecimento da operação que estão sob proteção do Estado americano e moram dentro dos Estados Unidos [João Vicente Goulart, em entrevista à Deutche Welle Brasil, 5/12/2013].

Ngo Dinh Diem assassinado. Essa foto foi tirada por um funcionário dos EUA em serviço
no Vietnã, nunca identificado; está arquivada nos US National Archives (USNA)
[Arquivos Nacionais dos EUA].
Ngo Dinh Diem
Com outubro já chegando a novembro, nos aproximamos do 50º aniversário do golpe militar apoiado pelos EUA no Vietnã do Sul, que derrubou o governo e resultou no assassinato do governador de Saigon, Ngo Dinh Diem e de eu irmão e alter ego Ngo Dinh Nhu. Embora generais do Vietnã do Sul sejam os responsáveis diretos pelo golpe de Estado, o governo Kennedy apoiou-os com entusiasmo e lhes ofereceu o apoio da CIA.

Essa história foi objeto da Conferência “Vietnam, 1963”, semana passada. O golpe e muitas outras questões pertinentes foram discutidas na Conferência organizada pelo Centro Vietnã e Arquivos da Universidade Texas Tech, co-organizada pelo Projeto História Internacional da Guerra Fria do Wilson Center e pela Administração dos Arquivos e Gravações Nacionais dos EUA, nos dia 26-28/9/2013.

O papel da CIA no golpe em Saigon já está há muito tempo estabelecido, mas ainda restam controvérsias sobre quando e como o presidente John F. Kennedy passou a investir todo seu peso no apoio a generais golpistas do Vietnã do Sul.

Daniel Ellsberg
Versão muito amplamente aceita [mas que Ellsberg, nos “Pentagon Papers”, põe em dúvida (NTs)] afirma que “uma claque [orig. a cabal] de altos funcionários conspiradores” de Washington, entre os quais o vice-secretário de Estado, W. Averell Harriman; o vice-secretário de Estado para o Extremo Oriente, Roger A. Hilsman; e o secretário do Conselho de Segurança Nacional, Michael Forrestal teriam conspirado para que as coisas acontecessem como aconteceram. Segundo essa versão, aquela “claque de conspiradores” esperaram que o governo estivesse fora de Washington, num fim-de-semana em agosto de 1963, e aproveitaram o momento para fazer chegar uma instrução ao embaixador dos EUA, Henry Cabot Lodge, no sentido de que desse apoio ao golpe dos generais. Segundo essa narrativa, outros altos funcionários, principalmente o diretor da CIA, John McCone, ficaram enfurecidos quando souberam da manobra e denunciaram o que ficou conhecido como “Hilsman cable” [ou “Telegrama 243”, datado de 24/8/1963] em reunião do Conselho de Segurança Nacional dos EUA do dia 26/8/1963, o que teria levado o presidente Kennedy a rescindir as instruções enviadas a Cabot Lodge.

John Kennedy
No final de 2009, os Arquivos Nacionais reuniram e apresentaram novas provas desse caso,[atualizadas em 1/11/2013 (NTs)] entre as quais as gravações reais de áudio das reuniões do Conselho de Segurança Nacional dos EUA sobre o Vietnã realizadas durante aquela semana crucial em 1963, provavelmente porque o presidente Kennedy tinha um sistema de gravação instalado em seu escritório na Casa Branca e no “Cabinet Room”, onde eram realizadas as reuniões do Conselho de Segurança Nacional. Essa prova, combinada com documentos relevantes da mesma época, mostram que essa versão padrão da história do telegrama de Hilsman não é acurada. Apresentei as provas e o caso, na Conferência Texas Tech.

A tal “claque” de funcionários de Washington não estava simplesmente conspirando para enviar um telegrama de instruções: estava respondendo a específica demanda de generais vietnamitas, que pediam resposta no mesmo dia. Foi coincidência que, naquele dia, os principais decisores estivessem ausentes de Washington. Embora os funcionários do governo estivessem divididos em facções baseadas nas respectivas preferências políticas, o “telegrama Hilsman” foi redigido pelas vias normais e liberado pelos procedimentos habituais.

Michael Forrestal, secretário do Conselho de Segurança Nacional, deu a Kennedy duas oportunidades [itálicos no orig. (NTs)] para deter a ação: uma ao comunicar que havia uma instrução em preparação; a segunda, quando entregou o rascunho da resposta ao presidente.

As gravações de áudio das reuniões do Conselho de Segurança Nacional do dia 26/8/1962 mostram claramente que os participantes só discutiram detalhes instrumentais com vistas a facilitar o apoio dos EUA a um golpe já preparado pelos generais sul-vietnamitas. Nenhum dos presentes fez qualquer objeção à política básica.

Ainda mais evidente: o tom das falas, nas fitas gravadas, não sugere qualquer ‘fúria’ contra membros de alguma “claque” de outros altos funcionários.

Robert Kennedy
Muitos dos historiadores que relatam a versão antiga da história do “telegrama Hilsman” basearam-se numa entrevista (história oral) que Robert F. Kennedy gravou em meados dos anos 60s. Pelas gravações, sabe-se que Robert Kennedy não esteve presente na reunião do dia 26/8/1962 do Conselho de Segurança Nacional [itálicos no orig. (NTs)].

Os funcionários de Washington mantiveram a mesma atitude antes e depois da reunião. A CIA, por exemplo, teria sido o centro da “oposição”. Mas as fitas gravadas mostram que o chefe de operações da CIA no Extremo Oriente, William E. Colby, reuniu-se com Roger Hilsman imediatamente depois [itálicos no orig. (NTs)] daquela reunião do Conselho de Segurança Nacional; e que Colby esteve em contato com Hilsman duas vezes mais frequentemente nos dias depois de o apoio ao golpe ter sido decidido do que na semana anterior.

Mais que isso: antes de outra reunião com o presidente, dia 28/8, Colby falou várias vezes com Hilsman e parece ter ensaiado o briefing do Conselho de Segurança Nacional para o funcionário do Departamento de Estado. Depois [itálicos no orig. (NTs)] daquela reunião presidencial, Colby enviou instruções para a base da CIA em Saigon, para que listassem figuras do Vietnã do Sul adequadas para substituir Diem, ao mesmo tempo em que Hilsman instruía o embaixador Lodge a andar devagar nos planos para o golpe.

Mas a instrução para andar mais devagar foi efeito de novo relatório da CIA, que informava que os generais estavam adiando seus planos. Mas enquanto os sul-vietnamitas adiavam, os EUA continuaram nos preparativos decididos na discussão original do Conselho de Segurança Nacional. Essa prova está exposta em detalhes no Electronic Briefing Book n. 302.

Em resumo, os EUA decidiram, sim, em agosto de 1963, apoiar um golpe em Saigon, se Diem não se livrasse de seu irmão Ngo Dinh Nhu. Tomada a decisão, como política básica, jamais se afastaram dela nem reduziram o apoio.





[*] John Prados é um analista de segurança nacional sediado em Washington, DC. Prados é Ph.D. pela Universidade de Columbia em Ciência Política (Relações Internacionais) e concentra-se em poder presidencial, relações internacionais, inteligência e assuntos militares. É um Diretor Geral do projeto com o Arquivo de Segurança Nacional da Universidade George Washington. Prados lidera projetos de documentação do Arquivo para o Vietnã e para a CIA, é co-diretor do projeto Iraque, e ajuda com projeto de Afeganistão. Seu livro mais recente é Islands of Destiny: The Solomons Campaign and the Eclipse of the Rising Sun (NAL/Caliber). Seu próximo livro é uma obra sobre as operações da CIA. Outros trabalhos recentes incluem Normandy Crucible: The Decisive Battle That Shaped World War II in Europe (NAL/Caliber), Vietnam: The History of an Unwinnable War, 1945-1975 (University Presses of Kansas), vencedor do Henry Adams Prize em  História Americana; e How the Cold War Ended: Debating and Doing History (Potomac). Prados também é autor de dezesseis outros livros, com títulos sobre a segurança nacional, a presidência norte-americana, a inteligência, a história diplomática e militar, incluindo o Iraque, o Vietnã, a União Soviética e a Segunda Guerra Mundial. Foi pioneiro em contar a história do Conselho de Segurança Nacional em Keepers of the Keys, e The Soviet Estimate: U.S. Intelligence and Soviet Strategic Forces (um recurso fundamental na compreensão de poder militar soviético).

terça-feira, 7 de maio de 2013

Hora de se conhecer a verdade



Publicado em 07/05/2013 por Mário Augusto Jakobskind*

Depois de quase 36 anos e meio da morte do Presidente João Goulart (6 de dezembro de 1976), a Comissão Nacional da Verdade e o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul decidiram, finalmente, exumar o corpo do herdeiro político de Getúlio Vargas. Muitos devem estar dizendo, antes tarde do que nunca.

Mas não se pode esquecer que logo após a morte de Jango, as autoridades brasileiras e argentinas se recusaram a fazer a autopsia. Por que será?  

Há fortes indícios de que Jango foi mesmo assassinado com a troca de remédios. Embora deva ser considerado louvável a inicativa da Comissão Nacional da Verdade, não se pode garantir que depois de tanto tempo a exumação seja considerada conclusiva.

Como se sabe, há testemunhas, como a do ex-agente da repressão uruguaia, Mario Barreiro, que conta com detalhes como ocorreu a troca de remédios que teria provocado a morte do Presidente.

Vale ainda lembrar que recentemente a Justiça argentina – Jango morreu em Las Mercedes, na Argentina – tinha solicitado às autoridades brasileiras que fosse feita a exumação. O pedido não foi respondido, o que só agora acontecerá graças a Comissão da Verdade.

É preciso também que a Comissão procure esclarecer com precisão o que poucas semanas antes da morte de Jango foi fazer no Uruguai (Jango ainda estava lá) o famigerado delegado Sérgio Fleury, que recebeu grandes elogios por parte do então deputado estadual pela Arena de São Paulo, José Maria Marin, atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) .

Da mesma forma que Jango, ainda falta esclarecer, em definitivo, a morte de Juscelino Kubitschek em acidente de carro na Rio-São Paulo em que o motorista, segundo denúncias, teria sido baleado, fato não investigado como deveria.

O terceiro participante da Frente Ampla, Carlos Lacerda, segundo denúncias, ingressou em um hospital para cuidar do agravamento de uma gripe e acabou morrendo.

Os três naquele momento de 1976, em função da carência de lideranças civis de envergadura nacional, poderiam, em caso de uma abertura, ser eleitos por voto popular, algo que os generais de plantão não conseguiam. Sempre foram biônicos.

Eleger Jango, JK ou mesmo Lacerda naquele momento era tudo que o general de plantão da ocasião (Ernesto Geisel) e seu “mago”, o Coronel Golbery do Couto e Silva, não queriam. Temiam perder o controle da propalada abertura lenta e gradual, que nunca passou de uma peça de marketing do sistema que agonizava.

A extrema direita, a das bombas e atentados praticados, muitas vezes com o objetivo de incriminar a esquerda, tentava também à sua maneira manter o regime ditatorial.

Para conhecer tudo o que aconteceu naquele período é preciso também lembrar fatos e contextualizá-los. É preciso não esquecer da política econômica praticada pelos governos ditatoriais, responsáveis em grande medida pela redução do poder aquisitivo dos assalariados, resultando na perda de qualidade de vida de amplas parcelas da população.

Tudo isso faz parte de um todo que derivou na dura repressão praticada por agentes do Estado brasileiro, que obedeciam ordens superiores, mas agiam de forma mais realista do que o rei, como acontece em regimes do tipo implantado a partir de 1964.

A Comissão Nacional da Verdade tem a missão histórica de mostrar aos brasileiros tudo isso com detalhes.

Audiência pública - Na audiência pública com militares perseguidos pelo regime ditatorial, realizada na ABI no sábado (4/5/2013), muitas histórias sobre o setor apareceram, uma delas, por exemplo, a de oficiais que se recusaram a participar de uma ação para derrubar o avião de Jango, a chamada Operação Mosquito, em 1961. Acabaram cassados e presos depois do golpe de 64 . Foi uma das primeiras vinganças contra militares legalistas praticadas pelos militares golpistas cooptados pelo Departamento de Estado norte-americano que se apossaram do poder.

Na mesma audiência, Luis Claudio Monteiro da Silva contou que foi preso, torturado e expulso dos quadros do Exército porque foi pego no alojamento lendo um artigo elogioso a Darcy Ribeiro. E, pasmem, isso aconteceu na década de 80. Além de ter sido interrompido o seu sonho de se tornar militar, Luis Claudio até hoje guarda sequelas das torturas.

Quem assistiu a histórica sessão da Comissão da Verdade foi informado também que cerca de 7.500 militares foram punidos pelos golpistas de 64.

A perseguição chegou a tal ponto que até hoje muitos militares de escalões inferiores, como cabos e sargentos, continuam sem ser anistiados. Tanto eles como oficiais, legalistas e nacionalistas, que defendiam a legalidade, seguem sendo tratados como parias quando vão a alguma repartição militar.

A história desses militares precisa ser conhecida pelos brasileiros em todos detalhes. Espera-se que Comissão da Verdade cumpra com a missão histórica. O primeiro passo nesse sentido foi dado com a Audiência Pública.
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Mário Augusto Jakobskind* é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE.

Enviado por Direto da Redação


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Recado para a Comissão da Verdade




Publicado em 09/10/2012 por Mário Augusto Jakobskind*

Dossiê Jango, documentário de Paulo Henrique Fontenelle, que concorre a prêmio no Festival de Cinema do Rio deste ano deveria ser visto pelos integrantes da Comissão da Verdade. A película mostra que quase 36 anos depois da morte do Presidente João Goulart ainda pairam dúvidas se ele foi ou não assassinado com a troca de remédios para o coração por uma substância contendo veneno.

É lamentável que depois de tanto tempo nenhum dos governos brasileiros se dispôs a seguir adiante com a investigação que tem por objetivo acabar de uma vez por todas com a dúvida.

A Justiça argentina, para vergonha do Brasil, solicitou a exumação do corpo de Jango, que está enterrado em São Borja. Desta forma se poderia verificar se procede ou não a hipótese. Há indícios fortes no sentido de que Jango foi mesmo assassinado.

Por coincidência ou não, num espaço de poucos meses, além de Jango, dois outros políticos brasileiros morreram em circunstâncias no mínimo duvidosas. A morte de Juscelino Kubitschek na estrada Rio- São Paulo, na altura do município de Resende, voltará a ser investigada pela Comissão da Verdade. Há denúncia de que o motorista de JK teria sido baleado.

Logo após o acidente desapareceu o diário que JK escrevia e falou-se que o empresário Guilherme Romano, muito ligado ao Coronel Golbery do Couto e Silva e também amigo do ex-presidente, teria se apossado do material que poderia sinalizar muitos fatos importantes.

Uma semana antes da morte, quando JK estava em seu sítio em Luiziânia, no Estado de Goiás, cerca de 60 quilômetros de Brasília, correu o boato segundo o qual o ex-presidente teria morrido em um acidente da automóvel ao se dirigir à capital federal. Os repórteres foram acionados e encontraram Juscelino no seu sítio. Realmente é muito estranho que depois dessa falsa informação tenha ocorrido o acidente em Resende.

Já Carlos Lacerda, o terceiro participante da Frente Ampla (uma tentativa política institucional, em 1968, para acabar com a ditadura) estava gripado e preventivamente foi a um hospital se tratar onde morreu, o que é também muito estranho. Lacerda, como Jango e JK era uma das lideranças em condições de numa abertura política voltar a atuar politicamente com destaque, o que desagradava a setores do regime ditatorial.

Tais lembranças de um período que antecedeu a abertura lenta e gradual desenvolvida a partir do governo do general de plantão Ernesto Geisel, com o apoio de Golbery, encontram-se no documentário Dossiê Jango, que merece ser visto por todos os brasileiros interessados em consolidar o processo democrático. E para que isso aconteça é necessário esclarecer de uma vez por todas os fatos nebulosos do passado. Está aí a Comissão da Verdade, que se espera cumpra o papel histórico nesse sentido.

No caso de Jango é absolutamente necessário convocar o agente da CIA, área de Montevidéu, em 1976, Frederick Latrash, que mais tarde tornou-se assessor do então candidato republicano, em 2008, John McCain. Latrash teria informações a prestar já que, segundo informam várias testemunhas, teve participação ativa no esquema que culminou com a morte (assassinato?) de Jango.

Em 2002, portanto há 10 anos, o ex-agente da inteligência uruguaia, Mario Neira Barreiro fez uma série de denúncias sobre as circunstâncias da morte de Jango em Las Mercedes, na Argentina. Barreiro acusa agentes da CIA de serem os responsáveis pela montagem de “uma farsa para ocultar um infame assassinato político instigado e patrocinado pelos Estados Unidos”. Ele conta em detalhes fatos relacionados com João Goulart que só quem teve acesso direto a ele poderia conhecer. Mesmo sendo um marginal, como sempre foi e posteriormente envolvido em estelionato, o depoimento de Barreiro pode servir de roteiro inicial para a própria Comissão da Verdade. Ele seria ouvido pelo que fez quando era agente da inteligência uruguaia.

O jornalista uruguaio Roger Rodriguez investigou a fundo as denúncias e concluiu que há indícios claros sobre o assassinato de Jango. Rodriguez garante que tudo o que foi informado por Barreiro se confirmou em suas investigações. Poderia também ajudar a Comissão da Verdade a esclarecer os fatos.

Lamentável em toda esta história, conforme mostra o documentário Dossiê Jango, é que a Justiça brasileira tem criado obstáculos para se investigar a morte do único Presidente do País que morreu no exílio. E agora chegou ao ponto de a Justiça argentina, que investiga a denúncia de que Jango foi assassinado com a troca de remédios, pedir que se faça a exumação.

Diante de fatos ocorridos durante o período da ditadura no Brasil que estão sendo conhecidos, se for comprovado mesmo o assassinato de Jango, o acontecimento se somará a uma série de outros protagonizados pelos generais de plantão que conduziram o país durante 21 anos.

Não se trata de ação isolada de psicopatas, como alguns preferem que seja, exatamente para não culpar o sistema surgido depois de 64, mas sim pela política de Estado, que optou pelo terrorismo institucional, capitaneado por generais nomeados.

Figuras como Brilhante Ustra, major Curió, entre outros, são peças dessa engrenagem hedionda e responsáveis por comprovadas violações dos direitos humanos que estão aí mesmo para serem julgados com todo o direito de defesa. Exatamente ao contrário do que faziam com os presos políticos da época da ditadura quando comandavam corporações militares.

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Presidente Hugo Chávez Frias
A direita venezuelana e latino-americana tentou de tudo para derrotar o Presidente Hugo Chávez. A mídia de mercado e os analistas de sempre chegaram a fazer previsões indicando a vitória de Capriles Radonski. Mas na hora da verdade ao serem conhecidos os resultados, não restou dúvida com a diferença de cerca de um milhão e 300 mil votos em favor do líder bolivariano.

Uma tarefa interessante para professores e estudantes de comunicação é analisar a cobertura dos principais telejornais, jornais e revistas brasileiras sobre o pleito na Venezuela e mesmo depois do pleito.

Se fizerem um bom trabalho vão ver quanta barbaridade desinformativa vem à tona com “analistas” chegando a afirmar que a diferença foi só de 10 pontos percentuais, mas sem informar o número de votos que corresponde o percentual.

Inacreditável, na TV Globo uma repórter disse que o resultado espelhava o descontentamento do povo contra Chávez em função da votação do candidato derrotado.

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Mário Augusto Jakobskind* é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

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