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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Derrubaram o Pinheirinho


Enviado por Fabiano Amorim
Publicado em 24/01/2013

Este documentário conta a história dos quase 6000 moradores da ocupação “Pinheirinho”. Essas pessoas moravam desde 2004 num terreno abandonado há mais de 20 anos, em São José dos Campos. Esse terreno era de propriedade de uma empresa que havia falido em 1989, a Selecta, pertencente ao empresário, (criminoso condenado) Naji Nahas.

Em julho de 2011, a justiça ordenou que as famílias fossem retiradas de lá. Em 22 de janeiro de 2012, a Polícia Militar do Estado de São Paulo realizou a reintegração de posse, colocando todos os 6000 para fora. A maioria deles saiu apenas com a roupa do corpo.

No mesmo dia em que os moradores foram retirados do terreno, os tratores começaram a derrubar as casas com todos os pertences dos moradores dentro; o que é totalmente ilegal.

Essas pessoas além de perderem o teto, perderam tudo o que tinham, tudo o que compraram em quase 8 anos de trabalho. A maioria das famílias era bem pobre; ganhavam entre 0 e 3 salários mínimos.

O governo do Estado (PSDB), ao invés de regularizar a situação dos quase 6000 moradores e urbanizar o terreno, preferiu expulsar todos eles e aumentar o já imenso problema social.

Este documentário conta a história completa do Pinheirinho. Desde a origem do terreno até a ocupação em 2004; as várias tentativas de acabar com a ocupação; as tentativas de segregar os moradores; as falsas promessas da Prefeitura comandada pelo PSDB em regularizar o terreno; a reintegração em janeiro de 2012; até os fatos mais próximos de janeiro de 2013, quando o documentário foi finalizado.



Direção: Fabiano Amorim

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O RETROCESSO


Antes de avaliar a cogitação final desta retrospectiva da imagem do Brasil no exterior, veja as imagens do link:



Forças de choque da Polícia Militar atacam o interior do alojamento cedido pela própria Prefeitura de São José dos Campos para abrigar moradores desocupados do Pinheirinho. No alojamento provisório estavam famílias inteiras, crianças, idosos e pessoas portadoras de necessidades especiais. Uma criança foi levada carregada para a ambulância que estava montada em uma tenda enquanto os policiais continuavam a jogar bombas em direção aos moradores.

Em sua Teoria do Choque, a canadense Naomi Klein demonstra como em diferentes partes do mundo se utilizou do terror para impedir as pessoas de pensar. Será esse o objetivo da despropositada violência empregada pelo governador de São Paulo contra a comunidade do Pinheirinho?
Até mesmo os que através da imprensa promoveram a candidatura tucana questionam a violência desmedida da polícia e da justiça de Alckmin. Ricardo Boechat da BAND, por exemplo, lembra que os credores do megaespeculador Naji Nahas são grandes bancos e investidores (também especuladores) sem qualquer necessidade da imediata reintegração de pose.  Por outro lado, o Ministério das Cidades distribuiu nota detalhando as ofertas ao governador do estado e ao prefeito de São José dos Campos para através de planos e programas federais construir moradias que abrigassem aquelas famílias.

Aos dois políticos do PDB caberia apenas negociar prazos que permitissem o alojamento dos despejados. Por qual razão optaram por tamanha violência contra mulheres, homens, idosos e crianças?
Inseminar o medo no eleitorado paulista para que a covardia garanta a perpetuidade do poder do partido naquele estado, como Naomi sugere ser o método de implantação do neoliberalismo econômico pelo mundo? Ali a ativista percebe no medo um meio de sujeição aos abusos do poder.
Será essa a intenção do partido que há décadas governa o mais rico estado da federação? Os eleitores de candidatos tucanos e seus aliados do DEM e de sua dissidência serão mais covardes do que apenas pessoas com dificuldade de apreensão, percepção e compreensão da realidade?
Alguém cogitou a probabilidade de que a real intenção do absurdo seja a provocação de um confronto direto com o governo federal. Pode ser... Afinal as manipulações dos meios de comunicação têm se demonstrado incapazes de afetar a consciência política do brasileiro.
Se seguirmos a projeção internacional da imagem do Brasil nas duas últimas décadas, talvez possamos aventar outros interesses na degradação de nossa imagem perante a comunidade das nações. Interesses que podem estar localizados muito além de nossas fronteiras.
Acompanhe esta retrospectiva dos fatos da política brasileira que mereceram maior destaque nos jornais e revistas de todo o mundo e pergunte-se a quem interessa a degradação e o retrocesso do país?


Imagem do Brasil na Imprensa Internacional

1994 – primeiro ano de governo PDB – a posse de Fernando Henrique Cardoso.

1995 – segundo ano de governo PDB – Massacre de Corumbiara.

1996 – terceiro ano de governo PDB – Massacre de Eldorado dos Carajás.

1997 – quarto ano de governo PDB – Relatório da Human Rights Watch:
“Durante o período analisado (1996-1997), antigas violações continuaram a ocorrer e novas surgiram no cenário brasileiro, apesar de esforços isolados de particulares e organizações não-governamentais, e devido, na grande maioria das vezes, ao descaso das autoridades.”

1998  quinto ano de governo PDB – Confira nos links a repercussão mundial do julgamento de Talvane Albuquerque do PFL como mandante do assassinato da aliada política Ceci Cunha, (do PDB) de quem Talvane era suplente:

BBC 
NEWS 
NPR 

1999 – sexto ano de governo PDB – Horrorizada com a displicência do governo federal à corrupção e à aceleração do desmatamento na Amazônia, a imprensa internacional dá ampla cobertura à única providência daquele governo ao rombo de mais de R$ 2 bilhões na SUDAM: o encerramento daquela superintendência.

2000 – quinto ano de governo PDB – Entre escândalos de privatizações, índices recordes de desemprego, risco país e dívida internacional, a imprensa mundial se diverte com as desastradas comemorações dos 500 anos do Brasil: espancamento de índios e caravelas que adernam como o país.

2001 – sexto ano de governo PDB – o descrédito internacional culmina com o naufrágio da P 36, a maior plataforma marítima do mundo.

2002 – último ano de governo PDB – a imprensa internacional não comenta a subserviência do chanceler brasileiro Celso Lafer ao tirar sapatos e meias para se submeter à revista na recepção dos aeroportos dos Estados Unidos, mas se surpreende com a repetição do apagão energético de julho de 2001 em setembro de 2002 (que gerou um prejuízo de R$ 45 bilhões) considerando sermos o país de maior potencial hidroelétrico no mundo,

2003 – primeiro ano do governo Lula – a imprensa internacional repercute a posse do novo presidente brasileiro com muitas incertezas e receios, prevendo um agravamento da crise administrativa e econômica herdada do governo PDB.

2004 – segundo ano do governo Lula – o repórter Larry Rohter do The New York Times acusa o presidente do Brasil de alcoólatra em matéria ilustrada por uma foto de Luís Ignácio da Silva brindando com uma caneca de chope na abertura da Oktoberfest de Blumenau.

2005 – terceiro ano do governo Lula – a imprensa internacional repercute as acusações da nacional que, baseada nas denúncias de Roberto Jefferson, acusa o governo brasileiro de quadrilha do maior esquema de corrupção já montado na história do país. Jefferson por sua vez confessa ter lesado o próprio partido (PTB) em vultosos desvios de verbas de campanha política.

2006 – quarto ano do governo Lula – a imprensa internacional se surpreende com o pagamento ao FMI, feito considerado improvável desde o aprofundamento da dívida brasileira ao longo da ditadura militar, e impossível após o governo do PDB triplicá-la, elevando-a acima do PIB do país.

Ainda em 2006 o PDB volta a chamar a atenção da imprensa internacional. Os ataques da facção criminosa PCC ao estado mais rico da federação, comandados de dentro de um presídio estadual de segurança máxima, alarmaram o mundo pelo número de inocentes executados tanto pelos criminosos quanto pela polícia de São Paulo.

2007 – quinto ano do governo Lula – a tentativa do PDB de incriminar o governo Lula no sequestro São Paulo pelo PCC é desmascarada por gravações telefônicas que comprovam o prévio conhecimento do ataque pelo governador do estado, Geraldo Alckmin, e seu secretário de segurança, bem como pelo então prefeito da capital, José Serra. Nenhuma providência foi tomada para evitar o evento ao qual a imprensa estrangeira só encontrou similar em roteiros de história em quadrinhos.

Não obstante, a mídia brasileira ligada ao PDB tentou responsabilizar pessoalmente o Presidente do Brasil por 2 dos maiores acidentes aéreos já ocorridos no país. Antes que os laudos dos peritos indicasse a responsabilidade de pilotos norte-americanos em um caso e a falhas técnicas da aeronave em outro, o descrédito da imprensa nacional perante seus colegas do mundo já era total, culminando com recente indicação da Revista Veja como “brazilian gossip magazine” – revista brasileira de fofocas - por um jornalista britânico.

2008 – sexto ano do governo Lula – o Brasil passa a ser apontado pela imprensa estrangeira e por estadistas de todo o mundo como exemplo de economia promissora. Lula é considerado o principal  líder da América Latina pela revista News Week e recebe o Prêmio da Paz da UNESCO.

2009 – sétimo ano do governo Lula  Na Inglaterra e Alemanha analistas e publicações especializadas preveem o Brasil entre as maiores economias mundiais até o ano de 2015, além de se dedicar atenção à evolução científica e tecnológica do país.  Lula é considerado uma das personalidades mundiais pela Forbes e Homem do Ano pelo Le Monde e o El País.
O britânico Financial Times inclui o Presidente brasileiro entre as 50 personalidades que moldaram a década, considerando-o como o líder mais popular da história. Mas na imprensa nacional o esforço e preocupação é o de demonstrar que Lula não foi classificado como a mais importante personalidade e sim apenas uma entre os demais.

2010 – último ano do governo Lula – o Brasil se torna um dos mais promissores mercados de investimento para o mundo, além de interlocutor político requisitado por todas as nações.  Lula é homenageado pela ONU e apontado como Estadista Global pelo Conselho de Davos.

2011 – primeiro ano do governo Dilma - o Brasil antecipa as previsões e ultrapassando a Inglaterra posiciona-se como a 6ª economia mundial, sendo considerado pela imprensa especializada de todo o mundo como exemplo a ser seguido por todas as nações para superação da crise internacional.

Eleita por Lula, Dilma é apontada pela imprensa mundial como uma das três mulheres mais poderosas do planeta.

Por sua vez Lula recebe o Prêmio Norte-Sul do Conselho da Europa, entre diversos outros que lhe são concedidos nos Estados Unidos, na Europa, na África e América Latina.  São mais de 300 condecorações e uma impraticável série de outorgas de títulos de Doutor Honoris Causa. Recusados durante seu exercício da presidência, posteriormente não poderá assumir o compromisso de aceitá-los devido a um tratamento de câncer.
Recebido em todas as nações que visita como ídolo popular, Lula ainda teve tempo de receber o 16º título de Doutor Honoris Causa (o primeiro para uma personalidade da América Latina) instituído em 1876 pela Fundação Sciences-Po, entidade ligada à Universidade Sorbonne. Ofendidos e revoltados os diretores de importante órgão de imprensa no Brasil exigem explicações do diretor da Sciences-Po.

2012 – início de segundo ano do governo Dilma. Apesar de afamada pela mídia brasileira como temperamental e geniosa, a cordialidade da primeira Presidenta do Brasil já lhe conquistou mais popularidade do que a usufruída por Lula em seu primeiro ano de governo. Ao contrário da aversão à política anteriormente desenvolvida entre a população, Dilma herdou e pôde usufruir de uma nova percepção que se desenvolve entre os cidadãos brasileiros. E Lula, mesmo que rigorosamente afastado por questões de doença, ainda mantém a maior popularidade política em todo o mundo.

No entanto, a violência do governo do PDB experimentada pelos estudantes da USP e mais recentemente pelos dependentes químicos da cidade de São Paulo, torna a levar o Brasil para as páginas dos crimes contra os direitos humanos. Com o terror promovido contra a população do Pinheirinho em São José dos Campos, Geraldo  Alckmin derrubou o país da condição de exemplo e esperança internacional para a de país sem qualquer respeito aos direitos humanos e a seus cidadãos.
A quem pode interessar um Geraldo Alckmin ou um partido como o PDB?
Até quanto os paulistas estão dispostos a pagar reelegendo ao governo um aliado de integrante do mesmo PCC que sequestrou todos os cidadãos daquele estado em sua última gestão, conforme se verifica neste outro link: 
Até quando os paulistas serão os principais responsáveis pela eleição das mais deploráveis personalidades da história política do Brasil como Ademar de Barros, Jânio Quadros, Paulo Maluf, Celso Pita, Collor de Melo, Fernando Henrique, José Serra e Geraldo Alckmin?
Até quando os brasileiros terão de pagar pela presunção e arrogância de idiotas que pedem o afogamento de nordestinos quando, à exceção de 2 ou 3 outros estados, no restante do país se aprende escolher candidatos que dignifiquem o Brasil perante o mundo conforme atesta a imprensa internacional.
Quando os paulistas haverão de aprender a pensar com a própria cabeça sem deixar se condicionar pela oligarquia que monopoliza a mídia do país? Quando terão coragem de decidir pela realidade como têm feito os nortistas e nordestinos, os cariocas, os gaúchos, os do centro-oeste?
Finalizando: Peritos descartam a possibilidade de explosão em gasoduto como causa do desmoronamento de 3 edifícios da cidade do Rio de Janeiro, mas a imprensa internacional já especula sobre a temeridade da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil.
As últimas notícias da imprensa nacional apontam a possibilidade da tragédia ter sido ocasionada por uma reforma clandestina realizada no 9º andar do edifício que ao desabar provocou o desmoronamento dos demais. A empresa indicada pelo noticiário da Globo como responsável pela obra seria uma tal de T. O.
No mesmo noticiário, apesar de se reconhecer como leiga no assunto, uma testemunha da evolução da obra afirma ter lhe parecido uma temeridade o que ali se realizava.
Creio ter esclarecido suficientemente as razões de sugestão para se averigue qualquer indício de relações entre essa T.O. e oPDB.  
Se ainda assim ocorrer de me considerarem tão ridículo quanto foi o editor da Rede Globo ao alegar um tal “jornalismo de hipóteses” para justificar a própria irresponsabilidade ao acusar o Presidente Lula pela queda do avião da TAM em menos de cinco minutos da ocorrência daquela tragédia no Aeroporto de Congonhas. 
Recomendo que retorne às imagens do primeiro link ou pesquise qualquer outro dos tantos vídeos sobre a violência e covardia do governo de São Paulo não só em São José dos Campos, como também na USP ou na Cracolândia. E depois releia a retrospectiva dos assuntos brasileiros que mais repercutiram na imprensa de todo do mundo nos últimos 18 anos.
Tempo suficiente para adquirir maturidade e emancipação. Ou vai continuar retrocedendo indefinidamente até voltar à condição fetal ou à Idade da Pedra? Bem menos, talvez. À Idade Média dos inquisidores da Opus Dei de quem Alckmin é devoto.
Escrito e enviado por Raul Longo

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Pinheirinho, a esquerda e a direita




Publicado em 26/01/2012 por *Mair Pena Neto

A tentativa de decretar o fim da história, com o triunfo do liberalismo e a extinção da luta de classes e do que seja esquerda e direita no campo político, vai sendo enterrada pela prática como bom e velho critério da verdade. Não é preciso se debruçar sobre conceitos e análises elaboradas. Basta olhar o que aconteceu no despejo de 1.600 famílias no Pinheirinho, em São José dos Campos, para constatar os evidentes interesses de classe e as diferentes visões políticas.

O que estava em jogo era o destino de milhares de pessoas, pobres e sem teto, que ocupavam há oito anos a área de uma fábrica falida, e os interesses do megaespeculador Naji Nahas, o dono (?) do terreno, que tem contas a prestar ao Estado e à Justiça. Uma questão social, e não de polícia, como a direita sempre a encarou. Basta ver o protagonismo da ação policial em São Paulo. Ela se dá contra estudantes, dependentes de crack, sem teto, sempre em defesa da ordem vigente, da propriedade privada e dos poderosos.

O litígio no Pinheirinho vinha se acirrando com decisões judiciais controversas e passou a ter a presença direta do governo federal, através da Secretaria Geral da Presidência, interessado numa solução negociada, que preservasse as famílias, com a construção de moradias populares no local. O governo federal estava disposto a se associar ao estadual na compra do terreno, numa ação conjunta para encerrar o impasse e evitar a violência prestes a explodir.

Mas não foi esse o entendimento do dono da área - aliás já um bairro, com casas montadas e famílias instaladas - interessado em faturar mais com a valorização do local, que contou com os préstimos da Justiça estadual e dos governos de São José dos Campos e de São Paulo para atirar dois mil policiais, blindados e helicópteros sobre a massa, numa demonstração desnecessária de selvageria e brutalidade, que macula o estado de Direito e democrático. Justiça (apressada) e polícia (violenta), mais uma vez, se tornaram instrumento dos poderosos contra os desvalidos. E o poder público paulista amparando toda a ação   célere ao enviar os tratores logo após o despejo, demolindo os imóveis sem sequer dar tempo para que muitos retirassem os seus pertences.

A ação policial atropelou as tentativas de solução negociada em curso, que incluíam a presença no local, no momento do despejo, de um representante da Secretaria Geral da Presidência, atingido por balas de borracha. O ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, tratou de sublinhar as diferenças entre governo federal e estadual: “Esse não é um método nosso, do governo federal. Nós achamos que tinha alguma coisa que poderia ser esgotada ainda no diálogo e, sobretudo, uma saída negociada e humana para as famílias, sem a necessidade daquela praça de guerra que foi armada.”

O governo de São Paulo e o PSDB também deixaram clara a sua visão. Decisão judicial não se discute, por mais que não seja a de última instância, envolva vidas humanas e que ainda existam canais abertos para uma solução menos traumática. “O governo de São Paulo agiu em cumprimento de determinação do Judiciário, e a operação foi comandada diretamente pela presidência do Tribunal de Justiça paulista. Enquanto o governo federal só agride, o governo paulista e a prefeitura do município providenciam a ajuda necessária para minorar o sofrimento das famílias desalojadas”, disse o PSDB em nota.

Essa distinção na maneira de lidar com conflitos sociais é fundamental para desmascarar os que tentam pregar a não existência entre esquerda e direita, como se tanto fizesse escolher entre uma e outra nos processos eleitorais. Esse é um discurso dissimulado do qual a direita se vale para tentar atrair os mal informados e a pouco politizada classe média ascendente. Mas, no fundo, ela continua a ser a antiga e conservadora tendência, que deseja reduzir o papel do Estado, entregando o país aos mercados, e está sempre pronta a tratar as questões sociais como caso de polícia.

*Mair Pena Neto é um  jornalista carioca. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia.

Enviado por Direto da Redação

“Anonymous” à caça dos governos (e da Rede Globo) depois dos protestos Anti-SOPA


Quinn Norton





25/1/2012, Quinn Norton, Wired
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu





Ver também
3/1/2012, Anonymous” 101: Introdução aoLulz  [1], Quinn Norton, Wired (Parte I)
3/1/2012, Anonymous 101: O moralismo derrota o Lulz”, Quinn Norton, Wired  (Parte II)
23/1/2012,A únicaentrevista que Anonymous jamais deram” , The shorty interview
11/1/21012 – “2011: Anonymous contra polícia,ditadores e ameaça existencial” – Quinn Norton, Wired   



Na semana passada, os Anonymous lançaram sequência sem precedentes de ataques a páginas de governos e empresas, por todo o mundo. A fúria do enxame, que ano passado atacou Mubarak no Egito, volta-se agora contra outros governos em todo o mundo.


Repetidos ataques DDoS e de hacking, pelos Anonymous, parecem ser em boa parte uma resposta a propostas de arrocho na lei de propriedade intelectual à custa de uma internet aberta; e ao que os Anonymous veem como excessos no exercício do poder, por vários governos. Depois de atacar páginas de agências do governo dos EUA e dos grandes grupos proprietários de direitos autorais, em resposta contra a prisão de empregados da página de compartilhamento Megaupload, iniciou-se um novo round internacionalista, depois de mensagem distribuída por AnonyOps, numa espécie de “conta oficial” dos Anonymous no Twitter, no sábado [aqui traduzido]:

Se você odiou #SOPA, vai super odiar #ACTA [1]. Negociado em segredo. Buscas no iPod estão em jogo.

O controvertido tratado será votado em breve na Polônia, o que contribuiu para transformar convenientemente a indignação contra uma lei norte-americana de censura à internet, em proposta transnacional.

Os Anonymous uniram-se a ativistas digitais poloneses, para responder. No Facebook, ativistas montaram um protesto físico e criaram um dia de blackout, na 3ª-feira, semelhante ao blackout de protesto contra a lei SOPA. Os Anonymous deflagraram um ataque DDoS contra páginas do governo polonês e anunciaram que teriam invadido computadores de ministérios dos quais teriam extraído documentos.

A combinação de ataques anônimos e reação das autoridades polonesas trouxe à luz o sempre obscuro tratado ACTA e ampliou a discussão na Polônia sobre se o tratado ACTA realmente interessa à Polônia e à internet polonesa. O ministro da Administração e Digitalização Michał Boni declarou que o tratado seria assinado, com ou sem ameaças dos Anonymous ou protestos da população na Polônia; mas o tratado ainda terá de ser aprovado no Parlamento polonês, antes de ser convertido em lei.

Com o início das manifestações de rua na Polônia, alguns Anons distribuíram uma nota, dizendo que era hora de suspender os ataques DDoS e, com isso, caíram também os ataques DDoS contra alvos nos EUA. Na 4ª-feira, milhares de manifestantes saíram às ruas em várias cidades da Polônia, cantando e exibindo cartazes de protesto contra a assinatura do tratado, prevista para acontecer dia 26/1.

O tratado ACTA é acordo secreto, promovido e possivelmente redigido, pelo menos em parte, pelos mesmos interesses que acabam de ver atacados em pleno voo, pela internet, os planos que tinham para aprovar a lei SOPA: a indústria do entretenimento. Os termos do ACTA jamais foram bem discutidos publicamente, mas vazaram algumas versões do tratado, que revelaram que o ACTA inclui um dispositivo de lei pelo qual três acusações de infringir a lei implicariam o “acusado” ser expulso da Internet e uma volta ao estilo dos “portos seguros” do Digital Millennium Copyright Act (DMCA) de 1998, que permitiram o funcionamento de empresas como YouTube, Flickr, Tumblr, Twitter, Facebook e Google.

O governo Obama também já disse que não é necessário que o Congresso aprove o tratado, para torná-lo vigente nos EUA, e que será implementado por ordem executiva. A incapacidade da comunidade de internet para avaliar leis que podem afetar todos muito profundamente continua a ser frustrante.

“Todo o governo, basicamente, é sempre ‘levado no bico’, em todos os aspectos” – disse um Anon, no IRC envolvido com as ações anti-ACTA.

Na França, o movimento para deter a tramitação do Tratado ACTA floresceu em milhares de canais francófonos de servidores IRC dos Anonymous. Houve muitos ataques DDoS contra o império de mídia francês Vivendi. Centenas de falantes de francês, polonês e português tornaram os servidores AnonOps mais globais do que nunca antes.

Brasil: a violência policial em Pinheirinho

Outra parte dessa missão de envolvimento planetário veio à superfície no Brasil, onde um ataque de força policial contra uma favela chamada Pinheirinho também provocou a indignação e a ação do grupo Antisec – enquanto a expulsão violenta de mais de 5.000 moradores entra no quarto dia.

Hackers brasileiros pediram ajuda aos Anons “chapéu preto”, que informaram que teriam conseguido invadir dúzias de caixas no Brasil, cujos documentos teriam sido saqueados; informaram também que as chaves teriam sido passadas aos hackers brasileiros.

Antisec ajudou os brasileiros, porque eles pediram ajuda” – disse um Anon, num chat online, à revista Wired. “Eles consideram-se fãs e membros de Lulzsec e Antisec.”

Entre as páginas hackeadas estava uma página das Organizações Globo, grande conglomerado de mídia latino-americana que tem sede no Brasil  [2]. Numa das páginas liam-se agradecimentos a Sabu e #antisec, e a frase que talvez já seja a mais perfeita tradução do “espírito do tempo” na internet, semana passada: “Que porra está acontecendo no mundo?!” 

Segundo Biella Coleman, professora da cátedra Wolfe, de Alfabetização Científica e Tecnológica [orig. Chair in Scientific and Technological Literacy] da McGill University, o que está acontecendo é que uma geração de pessoas, cujo modo de vida já é inseparável da rede, sente sua cultura ser ameaçada e decide lutar.

“A operação tem raízes em algumas questões chave, que mobilizam profundamente os Anonymous e os entusiastas da internet: liberdade de expressão, censura e restrições de propriedade intelectual” – disse Coleman.

É impossível saber por quanto tempo o enxame manterá a energia e o foco, na disputa contra os governos do mundo. Muito dependerá de como os cidadãos, nos países afetados, apoiarão o que os Anonymous estão fazendo, nos próximos meses. Seja como for, ao longo dos últimos meses os Anonymous parecem estar-se transformado em força unificada de ativismo pela rede, a única força que está conseguindo ultrapassar barreiras nacionais, de jurisdições, de protocolos e de idiomas.

Desde a 4ª-feira passada, muitos Anons estão praticamente sem dormir, saltando de alvo para alvo, tentando derrubar páginas de governos e grandes empresas, ou atacando servidores, ou até, em alguns casos, os computadores pessoais de representantes de governos. “Mas o momento é crucial” – disse um Anon, no IRC, à revista Wired – “e a batalha nunca foi mais importante”.

Eles concordam que a ação tenha sido disparada pelo caso MegaUpload, alimentada depois pelo sucesso dos protestos difundidos pela internet contra as leis SOPA/PIPA, mas dizem que, depois, a ação ultrapassou essas duas questões. Um Anon viu a notícia das prisões [MegaUpload] e conectou-se para distribuí-la; mas as operações já estavam em andamento. Esse Anon previu que os Anonymous “vão ficar doidos”.

A1: Acho que é mais que isso. MegaUpload fazia serviço válido pra todos nós 

A2: e eles entraram e acabaram com tudo

A2: Quero dizer: essa é a parte principal

A1: Estamos doidos, porque hoje perdemos um grande sistema 

E não ficou nisso, porque vários outras páginas de hospedagem de arquivos foram derrubadas ou saíram voluntariamente do ar nos últimos dias, talvez tentando fugir à ação da lei norte-americana, ou desconectaram-se dos EUA e de países que seguem o regime de IP dos EUA.

No IRC, um Anon de Antisec chamou a atual situação de “a mais grave ameaça à nuvem”. 

“Os Federais fecharem uma página por força judicial é a mão de ferro em luva de veludo” – disse um Anon envolvido nas ações de DDoS e de antisec. 

Durante os ataques, legais e não legais, na França, Polônia, EUA, Brasil e outros, a ala Antisec “chapéu preto” dos Anonymous hackearam e desmontaram a página OnGuardOnline.gov, da Comissão de Comércio Federal [ing. Federal Trade Commission website], onde estão reunidas várias agências federais que ali recebem online informação de segurança de computadores. Antisec diz ter centenas de servidores já rastreados, mas essa ação visava a transmitir mensagem específica aos chamados “chapéus brancos” – os hackers profissionais que trabalham para grandes empresas e governos. A mensagem dizia (excerto):

#ANTISEC SEZ É HORA DE RETALIAR CONTRA SOPA/PIPA/ACTA. APROVEM ESSE LIXO E POREMOS ABAIXO METADE DA INTERNET CORPORATIVA (...)

Se as leis SOPA/PIPA/ACTA forem aprovadas, será guerra infinita contra a internet corporativa. Destruiremos dezenas e mais dezenas de páginas de governos e empresas. Enquanto vocês lêem aqui, estamos arregimentado nossos exércitos de sombras aliadas, arquitetando o próximo raid. Estamos sentados em centenas de servidores, nos aprontando para derrubar e-mails e serviços de vocês. As senhas? Suas preciosas contas bancárias? Detalhes de seus sexy-encontros virtuais? Vocês nem sabem o que os espera.

Não é a primeira vez que o coletivo distribui manifestos dramáticos e apocalípticos, ou movidos por húbris-arrogância hacker ou movidos pelo lulz, mas a ação, dessa vez, foi mais ampla e mantida por mais tempo que qualquer outra ação dos Anonymous, desde que se envolveram na Primavera Árabe. “Mostra também que os Anonymous continuam capazes de colher uma emoção generalizada e difusa de descontentamento e amplificá-la, torná-la visível, mediante a campanha de DDoS e as ações de publicidade e divulgação que eles criam e distribuem muito rapidamente. A grande novidade, de fato, nas operações recentes, é o grande número de páginas que conseguiram derrubar ou desmontar num único dia. A ação foi impressionantemente ampla” – disse Coleman.

Na 4ª-feira, a Comissão Federal de Comércio disse, pelo Twitter: “Essa Comissão levará a sério esse ato criminoso” –, num de uma longa série de tuítes sobre o assunto. A página continua fora do ar, até que todas as vulnerabilidades de segurança sejam identificadas e corrigidas.

Depois de derrubarem (ação que causou grande prejuízo) toda a rede PlayStation da Sony, na primavera passada, e depois que, em dezembro, hackers invadiram a empresa de inteligência privada Stratfor, de cujos servidores extraíram muitos dados (o que causou grande embaraço), o mundo das grandes corporações começa a temer os Anonymous. Medo de verdade.



Notas dos traditores
[1]  Acordo Comercial Anticontrafação [ing. Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA)].
[2]  Hoje, 26/1/2012, há mensagem dos Anonymous ao Brasil.