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domingo, 26 de abril de 2015

Doutrina Hillary: “Viemos, vimos, todos morreram”

16/4/2015, [*] Wayne Madsen, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Os que dizem que a chamada “Doutrina Obama” de política exterior foi, na melhor das hipóteses, amorfa e conflitante, veem a possibilidade de um governo Hillary Clinton, como ainda mais danosa para a política exterior dos EUA. Agora que a ex-Secretária de Estado já anunciou formalmente que é candidata à presidência dos EUA, especialistas dedicam-se a dissecar as decisões dela enquanto comandava a diplomacia dos EUA. Entre aquelas decisões estão não só os mais gritantes fracassos da política exterior de Obama, como resultado direto do agitar de sabres e da diplomacia temerária da Sra. Clinton, mas também sinais gritantes da avidez com que ela sempre quis engajar-se em operações, assemelhada à conhecia obsessão por revoluções de George Soros. Tudo isso preocupa muitos diplomatas, temerosos de que um governo Hillary Clinton – com o marido como “embaixador itinerante” – venha a castigar ainda mais o mundo, com mais desse mesmo aventureirismo intervencionista norte-americano.

Quando Obama já quase havia sido convencido a envolver militarmente os EUA na guerra na Síria, empurrado pela doutrina da “Responsabilidade de Proteger”, R2P, de Hillary, e desenvolvida com a assistência da embaixadora dos EUA à ONU, Susan Rice, e da encarregada de Assuntos Multilaterais e Direitos Humanos do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Samantha Power, Obama, parece, deu-se conta de que a tal Responsabilidade de Proteger era caminho certo para embrulhar os EUA em mais uma guerra sangrenta no Oriente Médio.

Se Obama tivesse desconsiderado ‘'conselhos'’ das mesmas Clinton, Rice & Power quanto a operações anteriores de “R2P” na Tunísia, Líbia, Egito e Iêmen, não haveria hoje o Estado Islâmico no Iraque e Levante (ISIL) na Síria e Iraque, nem seus muitos ramos na Líbia, Tunísia, Iêmen e Egito.

Hillary Clinton apoiou terrotistas na Líbia
Hillary Clinton na presidência não apenas promoverá mais causas de R2P e trará mais instabilidade para o mundo, mas, também, sem dúvida, ela também promoverá sua secretária de estado assistente, que a própria Hillary selecionou a dedo, Victoria Nuland, o cérebro (?) por trás do golpe de estado da Praça Maidan na Ucrânia, que fez mais para desestabilizar a Europa do que qualquer outra pessoa, desde quando Ronald Reagan introduziu mísseis cruzadores com ogivas nucleares na Europa Ocidental, nos anos 1980s.

A Sra. Clinton pode, inclusive, encontrar algum trabalho de alta política externa para o marido da Nuland, Robert Kagan da Brookings Institution, um dos arquitetos neoconservadores da invasão e ocupação do Iraque pelos EUA, redator da autorização para guerra, que o senado aprovou em 2002, e a favor da qual a Sra. Clinton votou, quando senadora por New York.

Outras das acólitas de Hillary no Departamento de Estado, que se empenhou para conseguir que a política externa dos EUA retrocedesse décadas, por causa das ações de intervencionismo agressivo, é Roberta Jacobson, secretária de Estado assistente para questões do Hemisfério Ocidental, que irritou a Venezuela ao chamar o país de “ameaça” à segurança nacional dos EUA, na véspera da chegada de Obama para participar da Cúpula das Américas no Panamá. Obama e Jacobson foram forçados a voltar atrás na posição dos EUA sobre a Venezuela, por causa do coro de críticas que receberam de vários presidentes latino-americanos e do Caribe.

Hillary Hitler
Claro que o reinado da Sra. Clinton no Departamento de Estado incluiu também o apoio que ela deu a um golpe militar que depôs o presidente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, em 2009.

Então secretária de Estado, Clinton apoiou apaixonadamente o golpe contra Zelaya que foi coordenado até pelo embaixador que ela pusera em Tegucigalpa, Hugo Llorens, cubano-americano e diplomata de carreira com laços com a extrema direita da comunidade de cubanos no sul da Flórida. Apesar de o próprio embaixador dos EUA ter dito, depois do golpe, em telegrama a Clinton, que a ação era ilegal, nos termos da constituição de Honduras, Clinton recusou-se a cortar a ajuda financeira à junta que tomara o poder em Honduras. A Sra. Clinton sempre se recusou a chamar de golpe o golpe que derrubou Zelaya, porque esse ‘reconhecimento’ obrigaria os EUA a cortar a assistência à junta militar. Llorens não poderia ter sido mais claro em telegrama confidencial, depois do golpe, que enviou a Clinton, e que adiante WikiLeaks divulgou para conhecimento público:

“Independente dos méritos das alegadas violações que Zelaya tivesse cometido, é perfeitamente claro, mesmo com leitura [da Constituição de Honduras] apenas superficial, que a remoção do presidente por força militar foi ilegal, e até os mais fervorosos defensores do golpe não conseguiram encontrar argumento para preencher o vácuo que há entre ‘Zelaya infringiu a lei’ e ‘portanto foi despachado pelos militares para a Costa Rica, sem qualquer julgamento’.”

Hillary Clinton
Apenas poucos dias antes de Clinton anunciar sua candidatura à presidência, por vídeo distribuído pela Internet, Obama disse a líderes americanos que estavam acabados os “dias de intromissão” dos EUA em assuntos da América Latina. Mas apenas seis anos antes, a secretária de Estado de Obama muito se intrometera em Honduras, aprovando e promovendo um golpe contra o presidente legítimo. Depois, veio um “golpe constitucional” (sic) contra Fernando Lugo presidente eleito do Paraguai em 2012, com a Sra. Clinton no posto de secretária de Estado. E também houve tentativas de golpe, durante o mandato da Sra. Clinton, contra os presidentes da Bolívia e do Equador, além, das várias tentativas de golpe contra o presidente Nicolas Maduro da Venezuela.

Clinton sempre tentará encobrir o papel que ela teve no golpe em Honduras, mas foi papel muito significativo. Ela encontrara-se com Zelaya na cúpula da Organização dos Estados Americanos em San Pedro Sula, Honduras, apenas poucas semanas antes do golpe. O falecido presidente Hugo Chávez da Venezuela e Evo Morales, presidente da Bolívia, disseram que o golpe jamais teria acontecido sem apoio ativo do Comando Sul dos EUA em Miami, bem como dos militares norte-americanos estacionados na base aérea Soto Cano-Palmerola em Honduras. Zelaya incomodou o Pentágono, quando anunciou planos para transformar aquela base aérea em um aeroporto internacional. Muitos dos altos comandantes militares de Honduras, inclusive todos os que organizaram e desencadearam o golpe, foram treinados no conhecido Western Hemisphere Institute for Security Cooperationem Fort Benning, Georgia, a antiga “Escola das Américas”, e claramente obedeceram ordens do Pentágono, como cachorros que esperam por um osso.

Clinton riu: “Nós viemos, nós vimos, ele morreu”
Nada provavelmente ilustra melhor a perfídia de Hillary Clinton, que o noticiário de outubro de 2011. Todas as redes de TV do mundo mostraram que, ao comentar o assassinato brutal do líder líbio Muammar Gaddafi, Clinton riu: “Nós viemos, nos vimos, ele morreu”.

Durante a campanha presidencial de 2007, a Sra. Clinton voou várias vezes em atividades de campanha num avião Air Rutter International Gulfstream II (número na cauda N216RR). O Air Rutter pertencia a um doador da campanha da Clinton, Arik Kislin, filho de Sam (Semyon) Kislin, rico emigrado de Odessa, Ucrânia, instalado em New York. A INTERPOL noticiou que a empresa Trans Commodities, Inc. de Sam Kislin tinha ligações com dois conhecidos gângsteres uzbeques, Lev e Mikhail Chernoy, israelenses. Sam Kislin é conhecido apoiador da organização United Jewish Appeal e de Israel. Um dos problemas com a candidatura de Hillary Clinton é que ela, como seu marido mulherengo leviano, sempre estão a um passo de algum escândalo.

Por exemplo, dia 1/10/2007, o New York Post noticiou que um ex-empregado da Air Rutter, Mark Billey, que depois seria preso acusado de abusar de crianças, declarara que vira vários policiais federais norte-americanos, armados, circulando pelas instalações da empresa Air Rutter, em Long Beach. Isso, precisamente quando o avião da mesma empresa levava a candidata Clinton por todo o país. (...)

Claro que, na próxima campanha, continuarão as ‘solicitações’ do casal Clinton, a governantes de outros países, para que doem dinheiro à “Clinton Foundation”, que o casal mantém –, se os Clintons querem mesmo voltar a morar no número 1.600 da Avenida Pennsylvania.

Os Clintons nomearam mais um FANTOCHE
no Haiti e continuam no LUCRO.
Bill Clinton construiu negócio muito lucrativo, de receber massivas quantidades de dinheiro doado a países devastados por terremotos e tsunamis, como Indonésia e Haiti. Pelo que se sabe do caso do Haiti, bem pouco do dinheiro destinado aos sobreviventes do terremoto chegou algum dia aos destinatários.

Se Hillary Clinton for eleita “a primeira mulher a presidir os EUA”, muitas das crianças que estão nascendo hoje em todo o mundo talvez não estejam vivas para festejar o quarto ou quinto aniversário. Os inocentes serão os que mais sofrerão com a doutrina Hillary na presidência: “Viemos, vimos, todos morreram”.

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[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al Jazeera, Strategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Colonizar as mentes (1/2)


Bem-vindos, irmãos haitianos! Falaí, Haiti! E viva Cuba!

21/9/2012, Dady Chery, Haiti (em Counterpunch, orig. NewsJunkiePost)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ver também: 28/9/2012, Colonialismo f the Mind – Part 2 (em inglês e em tradução)
  
Entreouvido na quitanda da Pregassorta na Vila Vudu: 
TUDO é importante nesse artigo. O mais importante, nos parece, é VER que nem toda a tal dita “mídia alternativa” presta. Assim como há:
(I) “pautação” feita pelo comando fascistizante das grandes empresas-imprensa (no Brasil, é o Grupo GAFE, Globo, Abril, FSP, Estadão), há também uma
(II) “pautação” feita pelas patrulhas “ético-liberais-blog-jornalísticas” metidas a progressistas. Essas duas pautações são daninhas. É preciso deixar falar, digamos, sempre, as “vítimas”. Sempre muito mais que pressupostos “professores” − “salvadores” liberais ONG-idiotas de direita − quando não são perfeitos safados fascistas – autoapresentados como progressistas.

A ONU no Haiti...

“Os intelectuais sempre foram cortesãos. Sempre viveram no palácio”
Pier Paolo Pasolini (1922-1975)

Jornalistas ocidentais estão, cada dia mais, roubando a voz dos nativos de povos subjugados, enquanto os engambelam e negam-lhes acesso à imprensa-empresa.

Nos EUA, os veículos mais conhecidos da imprensa-empresa alternativa, sites de notícias como Truthout, Common Dreams e Huffington Post são absolutamente vedados para escritores nativos de povos subjugados. No que tenha a ver com o Haiti, essa colonização da mente é rampante.

Inspecione a imprensa-empresa alternativa nos EUA à procura de notícias sobre o Haiti. Você encontrará artigos assinados por Beverly Bell, Mark Weisbrot, Robert Naiman, Jane Regan, Noam Chomsky, Stephen Lendman e outros, e não encontrará um único autor/colunista/escritor haitiano. Ocidentais têm tendências políticas próprias, reservam para eles o direito de comandar o mundo; e o direito de dar lições aos nativos ignorantes é parte do direito de comandar o mundo.

Os ongueiros-blogueiros...
A atual guerra contra o Haiti é guerra econômica e de propaganda que exige uso “frouxo” do dinheiro de ajuda “humanitária”, para minar a cultura e a agricultura do Haiti.

Essa guerra não seria possível sem campanha simultânea de desinformação, para persuadir o público nos EUA, no Canadá e na Europa de que o dinheiro deles ajuda muitíssimo o povo do Haiti. Essa, precisamente, é a tarefa dos altos sacerdotes do jornalismo.

Os altos sacerdotes do jornalismo-empresa promovem a agenda neoliberal e encapsulam, mascaram, travestem a desinformação que lhes cumpre distribuir, sob a forma de linguagem aparentemente racional e ponderada e que parece muito progressista.

Sobre um tema depois do outro, norte-americanos que falam “pelo Haiti” espertamente repetem e repetem os “tópicos para noticiário” [orig. talking points] que são pensados e redigidos para viabilizar políticas neocolonialistas. O trabalho desses profissionais ditos “alternativos” e “independentes” é muito mais insidioso que o da grande imprensa-empresa dominante, porque a grande imprensa-empresa dominante é limitada à editorialização das mentiras.

Nas mãos dos colonizadores de mentes, a desinformação é como um pirulito envenenado com cianureto: uma balinha letal revestida com açúcar esquerdista, quase todo ele recolhido de publicações pouco conhecidas onde escrevem escritores desconhecidos.

A culpa é da tempestade tropical Isaac

Considere, por exemplo, o artigo publicado em Truthout sob o título de “Capitalismo de Desastre em New Orleans e no Haiti”, no qual Beverly Bell, que dirige várias organizações não governamentais (ONGs) e integra o corpo de acionistas editores de Truthout promoveu dois daqueles “tópicos para noticiário” sobre o Haiti:

1. Deve-se esperar ressurgência massiva do cólera, por causa da tempestade tropical Isaac.

2. Deve-se esperar fome intensa, por causa da Isaac.

Imagem do furacão ISAAC no Haiti em 24/8/2012
Antes do artigo dela, os mesmos tópicos haviam sido intensivamente repetidos por Michel Martelly, pela ONU e pelo governo dos EUA, com o objetivo de atrair novas levas de dinheiro de ajuda. O primeiro tópico é infundado; o segundo, é absolutamente falso. Mais razoável é assumir que as vastas quantidades de água potável de chuva, que a tempestade trouxe, poderiam ajudar a prevenir, em vez de promover, qualquer “ressurgência massiva” do cólera. Quanto à produção agrícola do Haiti, caiu 20% em 2011 e espera-se que desabe em 2012 [o artigo é de 2012], por causa das políticas da USAID, e praticamente sem nenhuma ajuda de qualquer desastre natural.

Os dois “tópicos para noticiário” – repetidos no artigo de Bell – são, na verdade, a razão de ser do artigo: foi escrito para repetir aqueles “tópicos” e implantá-los na chamada “opinião pública”. O resto é “decoração”, metáforas de história, cultura e política copiadas do ensaio  “New-Orleans & Port-au-Prince: Dois contos de dois fracassos do governo” [orig. “New-Orleans & Port-au-Prince: Two Tales Of Government Failures”] publicado dois anos (2010) antes por Gilbert Mercier no News Junkie Post.

Convido o leitor a comparar os dois artigos, para aprender a reconhecer a estratégia pela qual são introduzidos os itens de desinformação, no quadro de um texto que parece correto e progressista.

Sistema provisório de coleta de chuva
O mesmo tópico para noticiário – sem qualquer fundamento científico – que liga o cólera e a tempestade tropical Isaac aparece repetido também por Mark Weisbrot em “Tempestade Tropical Isaac avança para o Haiti e fará aumentar o número de casos de cólera quando lá chegar” [orig. “Tropical Storm Isaac Heads for Haiti, Likely to Leave a Spike in Cholera in its Wake”]. O Sr. Weisbrot é conhecido “especialista” em Haiti e América Latina e co-diretor da ONG “Centro para Pesquisa Econômica e Política” [orig. Center for Economic and PolicyResearch (CEPR)].

“Uma doença da pobreza”: os haitianos como sujos, sem higiene

As “previsões” acima, sobre a tempestade tropical Isaac, não foram a primeira campanha para atribuir a responsabilidade pelo surto de cólera a qualquer coisa, desde que não fosse a fonte real.

Quando o cólera apareceu pela primeira vez no Haiti, em outubro de 2010, a doença, que com certeza era bem conhecida das autoridades norte-americanas e da ONU, porque começou entre tropas da ONU, a doença foi imediatamente atribuída às terríveis condições de falta de higiene em que viviam os haitianos mais pobres; e, assim sendo, previa-se que se convertesse em epidemia, sobretudo nos campos de desabrigados.

Dia 18/11/2010, a CNN escreveu:

Carência de água potável, combinada com falta de higiene nas mãos e na preparação dos alimentos, torna as 1,3 milhão de pessoas que ainda vivem nos campos particularmente vulneráveis, segundo recente estudo publicado pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CPCD) dos EUA (...).

O CPCD disse que a cepa da bactéria do cólera responsável é “impossível de distinguir” de outra encontrada em outras partes do planeta, inclusive no sul da Ásia, mas os pesquisadores não têm ideia de como chegou ao Haiti.

Cerca de um mês depois, Beverly Bell incorporou-se e já “noticiava” os mesmos “tópicos”:

A semana passada trouxe condições perfeitas para um pico no número de doentes de cólera – que os Parceiros para a Saúde [ONG, orig. Partners in Health] chamam de “uma doença da pobreza” que impacta os que não recebem água potável segura (...). Porque os encarregados da higiene e limpeza não conseguiam chegar aos campos, os vasos sanitários e o lixo acumulou-se a extremos terríveis (...). As chuvas esporádicas durante a semana passada, além do mais, fizeram alastrar-se a água e os esgotos contaminados, vetores perfeitos para a doença.

Esse “entusiasmo” no serviço de culpar os pobres por suas degraças veio engalanado em linguajar apaixonado, que parecia defender os pobres e lastimar suas condições de vida. Na verdade, todas previsões sobre o cólera não tinham qualquer fundamento.
\
O local no qual o cólera alastrou-se mais ampla e mais violentamente, não foi o dos campos de desabrigados em Port-au-Prince – onde vivem os mais pobres de todos os pobres do Haiti – mas numa região limpíssima, ultra limpa, rural, que foi contaminada pelos esgotos de uma base da ONU onde viviam soldados do Nepal.

Caminhão-pipa despeja excrementos humanos em riacho a apenas 400 m da Base nepalesa da ONU
Jamais houve qualquer fundamento para a predição de que o cólera tornar-se-ia epidêmico no Haiti, e ainda não há qualquer base para prever se a epidemia aumentará ou se continuará indefinidamente.

Em abril de 2012, Dr. Renaud Piarroux argumentou que o cólera no Haiti poderia estar erradicado em apenas poucos meses, como Cuba mostrou que é possível.

Na província de Granma, os médicos cubanos conseguiram deter epidemia de cólera em apenas 60 dias, com medidas apropriadas de educação e treinamento para a população, vigilância epidemiológica, atenção adequada aos doentes e fornecimento de água potável desinfetada.

(continua em 2/2)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Médicos cubanos no Haiti deixam o mundo envergonhado

Membro da Brigada Médica Cubana no Haiti

Números divulgados na semana passada mostram que o pessoal médico cubano, trabalhando em 40 centros em todo o Haiti, tem tratado mais de 30.000 doentes de cólera desde outubro. Eles são o maior contingente estrangeiro, tratando cerca de 40% de todos os doentes de cólera. Outro grupo de médicos da brigada cubana Henry Reeve, uma equipe especializada em desastre e em emergência, chegou recentemente. Uma brigada de 1.200 médicos cubanos está operando em todo o Haiti, destroçado pelo terremoto e pela cólera. Enquanto isso, a ajuda prometida pelos EUA e outros países... O artigo é de Nina Lakhani, do The Independent

Eles são os verdadeiros heróis do desastre do terremoto no Haiti, a catástrofe humana na porta da América, a qual Barack Obama prometeu uma monumental missão humanitária dos EUA para aliviar. Esses heróis são da nação arquiinimiga dos Estados Unidos, Cuba, cujos médicos e enfermeiros deixaram os esforços dos EUA envergonhados.

Uma brigada de 1.200 médicos cubanos está operando em todo o Haiti, rasgado por terremotos e infectado com cólera, como parte da missão médica internacional de Fidel Castro, que ganhou muitos amigos para o Estado socialista, mas pouco reconhecimento internacional.

Observadores do terremoto no Haiti poderiam ser perdoados por pensar operações de agências de ajuda internacional e por os deixarem sozinhos na luta contra a devastação que matou 250.000 pessoas e deixou cerca de 1,5 milhões de desabrigados. De fato, trabalhadores da saúde cubanos estão no Haiti desde 1998, quando um forte terremoto atingiu o país. E em meio a fanfarra e publicidade em torno da chegada de ajuda dos EUA e do Reino Unido, centenas de médicos, enfermeiros e terapeutas cubanos chegaram discretamente. A maioria dos países foi embora em dois meses, novamente deixando os cubanos e os Médicos Sem Fronteiras como os principais prestadores de cuidados para a ilha caribenha.

Números divulgados na semana passada mostram que o pessoal médico cubano, trabalhando em 40 centros em todo o Haiti, tem tratado mais de 30.000 doentes de cólera desde outubro. Eles são o maior contingente estrangeiro, tratando cerca de 40% de todos os doentes de cólera. Outro grupo de médicos da brigada cubana Henry Reeve, uma equipe especializada em desastre e em emergência, chegou recentemente, deixando claro que o Haiti está se esforçando para lidar com a epidemia que já matou centenas de pessoas.

Desde 1998, Cuba treinou 550 médicos haitianos gratuitamente na Escola Latinoamericana de Medicina em Cuba (Elam), um dos programas médicos mais radicais do país. Outros 400 estão sendo treinados na escola, que oferece ensino gratuito - incluindo livros gratuitos e um pouco de dinheiro para gastar - para qualquer pessoa suficientemente qualificada e que não pode pagar para estudar Medicina em seu próprio país.

John Kirk é um professor de Estudos Latino-Americanos na Universidade Dalhousie, no Canadá, que pesquisa equipes médicas internacionais de Cuba. Ele disse: "A contribuição de Cuba, como ocorre agora no Haiti, é o maior segredo do mundo. Eles são pouco mencionados, mesmo fazendo muito do trabalho pesado.".

Esta tradição remonta a 1960, quando Cuba enviou um punhado de médicos para o Chile, atingido por um forte terremoto, seguido por uma equipe de 50 a Argélia em 1963. Isso foi apenas quatro anos depois da Revolução.

Os médicos itinerantes têm servido como uma arma extremamente útil da política externa e econômica do governo, ganhando amigos e favores em todo o globo. O programa mais conhecido é a "Operação Milagre", que começou com os oftalmologistas tratando os portadores de catarata em aldeias pobres venezuelanos em troca de petróleo. Esta iniciativa tem restaurado a visão de 1,8 milhões de pessoas em 35 países, incluindo o de Mario Terán, o sargento boliviano que matou Che Guevara em 1967.
Jacklin Anore, 24, a cholera patient at the Cuban-run Nicolas Armand hospital in Arcahaie, north of Port-au-Prince. Cuba has some 1,200 health workers currently in Haiti
Jacklin Anore, 24 anos, paciente de cólera atendido pela Brigada cubana no Hospital Nicolas Armand em Arcahaie, norte de Port-au-Prince.
Cuba mantém 1200 trabalhadores de saúde atualmente no Haiti.
A Brigada Henry Reeve, rejeitada pelos norteamericanos após o furacão Katrina, foi a primeira equipe a chegar ao Paquistão após o terremoto de 2005, e a última a sair seis meses depois.

A Constituição de Cuba estabelece a obrigação de ajudar os países em pior situação, quando possível, mas a solidariedade internacional não é a única razão, segundo o professor Kirk. "Isso permite que os médicos cubanos, que são terrivelmente mal pagos, possam ganhar dinheiro extra no estrangeiro e aprender mais sobre as doenças e condições que apenas estudaram. É também uma obsessão de Fidel e ele ganha votos na ONU."

Um terço dos 75 mil médicos de Cuba, juntamente com 10.000 trabalhadores de saúde, está atualmente trabalhando em 77 países pobres, incluindo El Salvador, Mali e Timor Leste. Isso ainda deixa um médico para cada 220 pessoas em casa, uma das mais altas taxas do mundo, em comparação com um para cada 370 na Inglaterra.

Onde quer que sejam convidados, os cubanos implementam o seu modelo de prevenção com foco global, visitando famílias em casa, com monitoração proativa de saúde materna e infantil. Isso produziu "resultados impressionantes" em partes de El Salvador, Honduras e Guatemala, e redução das taxas de mortalidade infantil e materna, redução de doenças infecciosas e deixando para trás uma melhor formação dos trabalhadores de saúde locais, de acordo com a pesquisa do professor Kirk.

A formação médica em Cuba dura seis anos - um ano mais do que no Reino Unido - após o qual todos trabalham após a graduação como um médico de família por três anos no mínimo. Trabalhando ao lado de uma enfermeira, o médico de família cuida de 150 a 200 famílias na comunidade em que vive.

Este modelo ajudou Cuba a alcançar alguns índices invejáveis de melhoria em saúde no mundo, apesar de gastar apenas $ 400 (£ 260) por pessoa no ano passado em comparação com $ 3.000 (£ 1.950) no Reino Unido e $ 7.500 (£ 4,900) nos EUA, de acordo com Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE).

A taxa de mortalidade infantil, um dos índices mais confiáveis da saúde de uma nação, é de 4,8 por mil nascidos vivos - comparável com a Grã-Bretanha e menor do que os EUA. Apenas 5% dos bebês nascem com baixo peso ao nascer, um fator crucial para a saúde a longo prazo, e a mortalidade materna é a mais baixa da América Latina, mostram os números da Organização Mundial de Saúde.

As policlínicas de Cuba, abertas 24 horas por dia para emergências e cuidados especializados, é um degrau a partir do médico de família. Cada uma prevê 15.000 a 35.000 pacientes por meio de um grupo de consultores em tempo integral, assim como os médicos de visita, garantindo que a maioria dos cuidados médicos são prestados na comunidade.

Imti Choonara, um pediatra de Derby, lidera uma delegação de profissionais de saúde internacionais, em oficinas anuais na terceira maior cidade de Cuba, Camagüey. "A saúde em Cuba é fenomenal, e a chave é o médico de família, que é muito mais pró-ativo, e cujo foco é a prevenção. A ironia é que os cubanos vieram ao Reino Unido após a revolução para ver como o HNS [Serviço Nacional de Saúde] funcionava. Eles levaram de volta o que viram, refinaram e desenvolveram ainda mais, enquanto isso estamos nos movendo em direção ao modelo dos EUA ", disse o professor Choonara.

A política, inevitavelmente, penetra muitos aspectos da saúde cubana. Todos os anos os hospitais produzem uma lista de medicamentos e equipamentos que têm sido incapazes de acesso por causa do embargo americano, o qual que muitas empresas dos EUA de negociar com Cuba, e convence outros países a seguir o exemplo. O relatório 2009/10 inclui medicamentos para o câncer infantil, HIV e artrite, alguns anestésicos, bem como produtos químicos necessários para o diagnóstico de infecções e órgãos da loja. Farmácias em Cuba são caracterizadas por longas filas e estantes com muitos vazios. Em parte, isso se deve ao fato de que eles estocam apenas marcas genéricas.

Antonio Fernandez, do Ministério da Saúde Pública, disse: "Nós fazemos 80% dos medicamentos que usamos. O resto nós importamos da China, da antiga União Soviética, da Europa - de quem vender para nós - mas isso é muito caro por causa das distâncias."

Em geral, os cubanos são imensamente orgulhosos e apóiam a contribuição no Haiti e outros países pobres, encantados por conquistar mais espaço no cenário internacional. No entanto, algumas pessoas queixam-se da espera para ver o seu médico, pois muitos estão trabalhando no exterior. E, como todas as commodities em Cuba, os medicamentos estão disponíveis no mercado negro para aqueles dispostos a arriscar grandes multas se forem pegos comprando ou vendendo.
A Cuban medic wearing a Che Guevara shirt as he treats cholera victims in Haiti
Médico cubano vestindo camiseta "Che Guevara" enquanto socorre vítimas de cólera no Haiti 

As viagens internacionais estão além do alcance da maioria dos cubanos, mas os médicos e enfermeiros qualificados estão entre os proibidos de deixar o país por cinco anos após a graduação, salvo como parte de uma equipe médica oficial.

Como todo mundo, os profissionais de saúde ganham salários miseráveis em torno de 20 dólares (£ 13) por mês. Assim, contrariamente às contas oficiais, a corrupção existe no sistema hospitalar, o que significa que alguns médicos e até hospitais, estão fora dos limites a menos que o paciente possa oferecer alguma coisa, talvez almoçar ou alguns pesos, para tratamento preferencial.

Empresas internacionais de Cuba na área da saúde estão se tornando cada vez mais estratégicas. No mês passado, funcionários mantiveram conversações com o Brasil sobre o desenvolvimento do sistema de saúde pública no Haiti, que o Brasil e a Venezuela concordaram em ajudar a financiar.

A formação médica é outro exemplo. Existem atualmente 8.281 alunos de mais de 30 países matriculados na Elam, que no mês passado comemorou o seu 11 º aniversário. O governo espera transmitir um senso de responsabilidade social para os alunos, na esperança de que eles vão trabalhar dentro de suas próprias comunidades pobres pelo menos cinco anos.

Damien Joel Soares, 27 anos, estudante de segundo ano de New Jersey, é um dos 171 estudantes norte-americanos; 47 já se formaram. Ele rejeita as alegações de que Elam é parte da máquina de propaganda cubana. "É claro que Che é um herói, mas aqui isso não é forçado garganta abaixo".

Outros 49.000 alunos estão matriculados no "Novo Programa de Formação de Médicos Latino-americanos", a ideia de Fidel Castro e Hugo Chávez, que prometeu em 2005 formar 100 mil médicos para o continente. O curso é muito mais prático, e os críticos questionam a qualidade da formação.

O professor Kirk discorda: "A abordagem high-tech para as necessidades de saúde em Londres e Toronto é irrelevante para milhões de pessoas no Terceiro Mundo que estão vivendo na pobreza. É fácil ficar de fora e criticar a qualidade, mas se você está vivendo em algum lugar sem médicos, ficaria feliz quando chegasse algum."

Há nove milhões de haitianos que provavelmente concordariam.

Reportagem original: The Independent – UK
Extraído do sítio Carta Maior
Enviado por Beatrice

terça-feira, 6 de julho de 2010

“1=0” o la ecuación de la muerte

El imperio norteamericano se encuentra hoy en un despliegue bélico sin precedentes en la historia. El mismo busca resolver sus problemas económicos a través de las armas una vez más. Queda, sin embargo, la duda sobre los motivos que lo impulsan a llevar hacia adelante una especie de “suicidio” de toda la humanidad, ni que espera a cambio, si nos atenemos a la lógica con que funciona todo el sistema de mercado.

Cierto que la locura neoliberal, y, sobre todo, la especulación característica del capitalismo ha distorsionado de tal manera la economía del mundo que el mismo requiere de una recomposición que necesariamente implica, si el propósito es preservar al ser humano y todo lo que este significa, aumentar la productividad y reducir el consumo. Hasta ahora, esta formula equivale a decir “1=0”, porque las riquezas artificiales ya existentes tendrían necesariamente que ajustarse a la economía real.

Nos enfrentamos entonces ante una modificación teórico - estratégica que hace pensar a los think tanks que es imprescindible elevar la guerra a un estatus más permanente de tal modo que el soporte a los trillones de dólares entregados para salvar las economías y bancos de muchos países industrializados pueda estar atado a la siempre benefactora industria militar. Por otro lado, la “bonanza” que se obtiene de la reactivación de empleos que trae esta industria implica necesariamente un aumento del consumo, espada que apunta en la yugular del planeta mismo.

El inminente desenlace guerrerista en Irán nos termina de demostrar que el imperio no necesita justificaciones, las produce cuando las necesita. Hoy, la mayoría de la opinión pública de los países industrializados está completamente enajenada, y cree a pie juntillas que los nuevos “cruzados” occidentales deberán frenar la amenaza terrible representada por el estado iraní. Una vez más amenazas que no necesitan pruebas, y una opinión pública que no las necesita.

Israel, el bravucón del medio oriente, ha recibido el beneplácito de su eterno benefactor para obrar toda su barbarie sin control ni castigo alguno. La misma gente que apoya la guerra en Irán, piensa que el “pueblo de dios”, debe acompañar estas campañas. De hecho el Mossad ha podido extender sus tentáculos a distancias tan lejanas como nuestra América Latina, mucho más allá de lo que previamente hacía en apoyo al trabajo sucio de sus amos.

Y aquí podemos apreciar que no es el nacionalismo lo que prevalece; son los intereses los que imperan y prevalecen. Durante el golpe de Estado en Honduras, los sionistas dieron apoyo decidido a las fuerzas represivas comandadas por una oligarquía compuesta en gran proporción por individuos de origen árabe, muchos de los cuales mantienen aún vínculos con sus familias en el oriente medio, pero que desangran al pueblo hondureño para enriquecerse a niveles obscenos.

Si hacemos un examen a la actividad imperial en América Latina y el Caribe, veremos un Haitiincremento exponencial en las operaciones de desestabilización y agresión en todos los escenarios del continente. Su primer paso, sin duda, como ensayo general lo dio con el golpe militar en Honduras y la evidente complicidad de algunos individuos y países en la OEA, que siguen cumpliendo a pie juntillas lo que les indica su señor.

Luego el muy “oportuno” desastre causado en Haití, al que Estados Unidos respondió con la ocupación militar, tratando de deslegitimar al Estado, sin importar el sufrimiento del pueblo haitiano. Eso sí, se movilizaron más de 10,000 tropas cuya operación genera millones de dólares en contratos para empresas gringas en crisis, y sobre todo hace su aporte a un proceso de “blanqueamiento” de dinero especulativo para convertirlo en moneda real. La guerra, la represión, las violaciones a los derechos humanos son un negocio importante para el imperio.

Ahora mismo México hace un enorme despliegue militar para luchar contra el crimen organizado, vinculado con el narcotráfico, irónicamente un experto en “blanquear” activos; La guerra del ejército y la policía mexicanos han demostrado ser absolutamente inútiles. El problema sigue estando en el consumo inconmensurable de estupefacientes del otro lado de la frontera, el que no solo no es controlado por las autoridades imperiales, sino que es incentivado cuando hace falta desviar fondos de manera “clandestina”.

Lo único evidente, es que la situación creada en México, ha permitido la movilización de tropas a la frontera sur de los Estados Unidos, las que seguramente no tendrán ninguna necesidad de excusas para ocupar territorio azteca en “apoyo” a la guerra que tanto respiro le proporciona a la economía insostenible del mundo industrializado. Durante su proceso de inserción neoliberal, el otrora gigante de América Latina ha visto reducidos sus potenciales, a tal extremo que ahora compra combustible. En este marco de guerra se produce la mayor catástrofe ecológica de la historia, el derrame petrolero de BP en el Golfo de México. Tanto la guerra como el derrame representan gigantescos negocios para los maltrechos países ricos.

Colombia, en la misma sintonía, se ha convertido en el Israel americano. No solo presenta una amenaza grave para sus vecinos, obligados por esta a emprender una carrera armamentista que solo frena la posibilidad de nuestros pueblos de desarrollarse en paz. El gobierno paramilitar instaurado en ese país trasciende ahora las fronteras “trabajitos” al autonombrado dueño de la tierra. Un ejemplo muy ilustrativo es la enorme cooperación que está brindando el estado colombiano al régimen asesino de Honduras. De hecho, ya se habla en este país en términos de “colombianización” de Honduras.

Para las mentes acuciosas vale la pena preguntar ¿de dónde se financia esta ayuda?; ¿Cuáles son los canales de subsistencia del quebrado estado hondureño?; ¿Cuál es el interés imperial en mantener el golpismo hondureño usando a su peón más brillante?. Hace falta mucho análisis sobre el alcance de lo que está haciendo el estado colombiano contra todos sus vecinos.

Los países centroamericanos, frágiles históricamente, no solo por la profunda dependencia de los designios del imperio, que los atan tan brutalmente que están condenados a caer en el momento que el imperio caiga, sino por el pusilánime servilismo de sus clases dominantes que no aprendieron nunca lo que significa dignidad. Hoy Honduras vive un régimen de terror que mata todos los días, y el cínico de Lobo Sosa, responde “… y que, si aquí hay muertos todos los días...”, la apología sin límites de la violencia como forma de retener el poder provinciano que permite la política de la metrópoli imperial, al tiempo que se le presta al “señor” un gran servicio.

El Salvador y Guatemala, sin haber hecho muchos méritos, viven bajo la amenaza constante del estallido social. La guerra de los 80 dejó sus propios métodos de presión contra los pequeños países; los emigrados que dejó la guerra son ahora una “espada de Damocles” que de ser deportados, incluso sin ningún respaldo jurídico, podrían hacer volar en pedazos el inestable equilibrio social que buscan sus gobiernos reformistas. No podemos ser demasiado simplistas al analizar las realidades de estos países hermanos, pero la política del departamento de estado gringo utiliza hábilmente el chantaje migratorio.

En el caso de Costa Rica, la situación es mucho peor; los políticos han oficializado la eventual ocupación militar de su territorio. Aquí se cierra la peligrosa pinza que amenaza a una Nicaragua que ya recibe una enorme cuota de desestabilización que proviene tanto de fuera como desde adentro, peor aún, de supuestos revolucionarios, que optan por jugar en el equipo de la derecha argumentando que son la izquierda legitima; las paradojas de nuestra América.

Viajando hacia el sur encontramos un panorama complejo; Venezuela juega su futuro en elecciones legislativas este año. Leyendo a Chadderton o a Rangel, nos damos cuenta del desgaste que producen los vicios de la politiquería tradicional. El presidente Chávez conserva gran popularidad, pero la agresión del imperio (otra vez, cientos de millones de dólares) y los problemas autogenerados dentro del sistema, crean dudas. Este es ya un campo de batalla entre el pueblo de América Latina y el imperio con sus lacayos.

En Brasil, gigante económico que sale de dos periodos presidenciales de un obrero, que ha visto menos cambios de los que hubiera esperado su pueblo. Lula sigue siendo el líder carismático del PT, pero su compañera de partido y candidata Dilma Roussef, ni siquiera ha podido garantizar su triunfo electoral frente a José Serra, culpable de muchos de los males que hoy enfrenta este gran país.

Hoy se teme que, incluso ganando las elecciones, la presidencia de Dilma será débil y la derecha podrá generar gran ingobernabilidad hasta el punto de traer de regreso a la derecha reaccionaria que apoya la idea de instalar bases militares yanquis en territorio brasileño, carga que parece quedará en las manos de la nueva administración en un juego pierde – pierde. ¿Qué está en juego? Toda la inmensa riqueza presente y futura de este singular país. Como se ve otro prometedor negocio para los buitres del norte.

La conflictividad es alta en todas partes del continente, desde Puerto Rico hasta la Argentina, se presentan escenarios en los que se invierten muchos millones de dólares para patrocinar inestabilidad, pingues negocios para los que pretenden que salvar el sistema pasa por impulsar la Guerra Global Permanente.
Hace falta ver la respuesta de los pueblos frente a este desolador panorama. Nos vemos virtualmente obligados a unir nuestras fuerzas y prepáranos para enfrentar esta óptica guerrerista de un imperio que ahora quiere controlar todo lo que existe, incluso el aire que respiramos, las semillas que hemos comido por siglos, y toda la herencia que nos han dado miles de generaciones que preservaron la sabiduría como fuente de vida.

Estamos obligados a adoptar una posición firme y militante contra la guerra, no importa donde la plantee el imperio. La guerra va en contra de la humanidad, aunque la hagan en Irán, en Palestina, Pakistán, Honduras Colombia o México. Nuestro deber más que nuca esta en ejercer nuestra soberanía en contra de las manipulaciones de aquellos que entienden la traición como algo natural.

enviado por Ricardo Salgado
Militante del FNRP
6/julio/2010