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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Reset Monetário Global já está rolando

21/12/2014, [*] Tyler Durden, Zero Hedge
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu




Colapso Econômico
Você está preparado?

O Reset Monetário Global está em andamento, mas parece que ninguém notou. A chave é o movimento para as taxas zero de juro.

A dívida pública, praticamente no mundo inteiro, é alta demais para ser paga; e pagá-la por taxa tradicional de juros, disso, nem se fala! Quando as dívidas vencem, e também quando amadurecem as ações, a única opção dos governos é rolar a dívida e os juros acumulados. E o único modo pelo qual conseguem dinheiro para fazer tal coisa é se o dinheiro continua a ser impresso como prática ininterrupta; e se os juros estão em zero ou perto de zero.

“Quantitative Easing” (ing. QE, “alívio monetário quantitativo”) é o mais recente nome para imprimir-dinheiro, aumentando o montante de moeda disponível. Logicamente, o “alívio monetário quantitativo” dilui o valor da moeda, porque inflaciona o número de unidades monetárias em circulação, e, teoricamente, deveria levar à inflação dos preços. Contudo, se todas as nações engajam-se na expansão monetária, os efeitos dessa “fabricação” de dinheiro impresso sobre as taxas de câmbio podem, sim, ser efetivamente ocultados num equilíbrio de expansão.

Ora, como no caso do dólar norte-americano, uma moeda que tenha status de moeda mundial de reserva pode ser expandida com relativa impunidade pela nação que cria essa moeda; e que está efetivamente exportando sua inflação para o resto do mundo que continua a vender para a tal nação, ou comercia num sistema monetário baseado naquela moeda. Injeções de “alívio monetário quantitativo” numa economia com fundamentos frágeis devem, com toda a probabilidade, resultar em bolhas especulativas, quando os fundos do “alívio” aparecem em mãos de investidores, não dos consumidores em geral.

“A inflação tornou-se elemento necessário da vida econômica”, como reza o meme dominante entre os economistas. A inflação é uma estratégia chave para lidar com dívidas gigantescas e crescentes.

Dívidas tão imensas que não possam ser pagas têm de ser inflacionadas e enviadas à estratosfera, ou os governos condenam-se ao calote. A deflação torna dívidas atuais cada dia mais difíceis de pagar (principal ou serviço) se não de deflacionam o PIB e as entradas de dinheiro.

Nações exportadoras já concorrem nas reduções competitivas de taxas de câmbio, para ganhar ou manter a competitividade de suas exportações. Moeda forte fere a competitividade na exportação, mas baixa o culto dos importados. Moeda fraca eleva o custo de vida da população que tenha de comprar importados – traço frequente em nações que importam petróleo, por exemplo. Há um equilíbrio necessário a construir entre competitividade nas exportações e inflação de preços ao consumidor; esse equilíbrio é regulado, quase sempre, por manipulação na taxa de câmbio.

Algumas das nações da zona do euro estão conhecendo os dolorosos efeitos de se terem trancado numa moeda única, perdendo a capacidade para usar as taxas de câmbio para preservar a respectiva competitividade para suas exportações.

As expansões monetárias do passado (feitas para reinflacionar a economia mundial sempre que se metesse em becos sem saída – Obrigado, Greenspan & sucessores!) inundaram de moeda, o mundo. Essa moeda engordou portfólios de especulação, a tal ponto que o volume de moeda que gira por aí à caça de retornos ou de segurança pode a qualquer momento desabar sobre o sistema financeiro de um país e suas relações comerciais (competitividade comprometida, bolhas de falsos investimentos, crises repentinas da dívida, quando o dinheiro vai embora, etc.).

Os sistemas comercial e financeiro internacionais tornaram a maioria dos países relativamente indefesos contra o comércio e, muito mais criticamente grave, os fluxos de capital.

Vastas somas de dinheiro podem entrar e sair de um país e suas respectivas moedas, num clic de computador. Obtêm-se lucros e perdas gigantescas apostando nas flutuações do câmbio e manipulando-se as taxas do câmbio.

ZIRP [1] e NIRP [2] são agora regularmente empregadas, ostensivamente para dissuadir residentes de tentar qualquer corrida ao dinheiro, em vez de aumentar a velocidade monetária gastando cada vez mais. Mas ZIRP e NIRP também são usadas para dissuadir especuladores de comprar moeda de algum país (a compra faria subir a taxa de câmbio).

Tradicionais estoques de valor e meios de troca entre bancos centrais – metais preciosos – foram desmoralizados, graças à manipulação dos preços nos mercados de ações.

Estratégias que parecem esquisitas e raras, contrárias à tradição – crescente volume de moeda impressa; monetização da dívida, quando bancos centrais compram papeis do governo; ZIRP, NIRP e o arrocho do preço dos metais preciosos – são as estratégias de um novo sistema monetário que tem de enfrentar os problemas que advêm dos excessos monetários do passado.Chegaram para ficar. São a nova normalidade.

Ao desiludir o público da ideia de que a moeda devesse ser estoque estável de valor, que poupar seria virtude e que tomadores de empréstimos devessem pagar “aluguel” razoável pelo dinheiro que tomam emprestado, as autoridades monetárias estão adestrando o público para a nova normalidade.

No paradigma da Moderna Teoria Monetária, criar moeda é ação que pode prosseguir ao infinito sem inflação destrutiva, desde que as taxas de juros e a expectativa de retorno do dinheiro emprestado possam ser mantidas em zero ou próximo de zero. Qualquer taxa de juro significativamente acima de zero derrubará o sistema. Assim sendo, não esperem aumentos da taxa de juros, exceto como estratégia de emergência, no curto prazo, para conter uma queda na taxa de câmbio de uma moeda.

Necessidade é a mãe da invenção, e a necessidade de enfrentar a dívida-monstro e riscos financeiros sem cobertura nos levou à inventar a Teoria Monetária Moderna.

Acrescentem a isso a nova regra do “resgate de bancos”, a regra segundo a qual os depósitos bancárias passaram a ser definidos como parte do capital do banco, e que a bolsa dos depositantes deve suprir o que os bancos percam. Esse é o lado dívida pública da estratégia. Para quem tenha grandes somas de moeda e queira continuar a especular, há os mercados de ações e commodities; e o cassino está aberto para apostas nos “derivativos”.

Para acomodar os especuladores, já houve vários “arranjos”: Wall Street foi blindada e não pode ser processada criminalmente por fraude; a lei Glass Steagall foi rejeitada; acordaram a lei Dodd Frank; a lei Volker; pode-se agora usar dinheiro público para ‘resgatar’ as perdas que Wall Street sofreu em 2008; e há instruções claras para que se use dinheiro público para cobrir perdas que Wall Street venha a sofrer em futuras apostas em derivativos:tudo isso está na “Lei CRomnibus” [orig. CRomnibus bill – combinação de Continuing Resolution (resolução continuada) com “lei-guarda-chuva” de gastos que inclui dúzias de agências federais, aprovada nos EUA, dia 13/12].



Notas dos tradutores

[1] ZIRP [Zero Interest Rate Policy, “Política de Juros Zero”] é a política oficial do Fed-EUA, e assim é desde a Grande Crise Financeira de 2008.

[2] NIRP [Negative Interest Rate Policy, “Política de Taxas Negativas de Juros”] é tão nova que ainda nem tem página na Wikipedia. Talvez seja o caso de inaugurarmos uma? Se não fizermos, outros fazem. Essa Política de Taxas Negativas de Juros chegou para ficar. É quando você paga juros ao banco ou a algum outro “emprestador”, como o governo, pelo privilégio de deixar que eles guardem o seu [meu, teu, de-você, não deles] dinheiro.

[*] Tyler Durden é o apelido de numerosos blogueiros que comentam no Zero Hedge. O nome foi copiado de personagem do romance de Chuck Palahniuk (depois filme) Fight Club (Clube de Luta).

sábado, 28 de junho de 2014

Uma Nova Recessão e um Novo Mundo Livre da Arrogância dos EUA?

25/6/2014, [*] Paul Craig Roberts − Institute for Political Economy
Traduzido por  mberublue.



Variação do PIB dos EUA (primeiro quadrimestre de 2011 até o primeiro
 quadrimestre de 2014). Notar que no  primeiro quadrimestre de 2014 a
 previsão era de crescimento de 1,6%, mas o resultado foi queda de 2,9%.
Finalmente, foi liberado hoje (25/06/2014) um número final para o real Produto Interno Bruto dos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2014. O número não é o de um crescimento de 2,6% previsto pelos economistas sabe-nada (orig.: know-nothing) em janeiro deste ano. O número é um declínio do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos para -2,9%.

O crescimento negativo de 2,9% noticiado, por si só, já é um eufemismo, pois somente foi alcançado pela subestimação da inflação ocorrida durante o período. Durante o regime Clinton, a Boskin Commission (grupo de estudos nomeado pelo Senado dos Estados Unidos em 1995 para medir a inflação – NT) manipulou o cálculo da inflação para enganar os beneficiários da Seguridade Social em seus ajustes do custo de vida. Qualquer cidadão, ao adquirir comida, combustível ou seja o que for, sabe que a inflação está muito mais alta que os números oficiais fornecidos pelo governo.

É bem possível que a queda real do PIB no primeiro trimestre seja de três vezes o número oficial.

De qualquer forma, a diferença entre a previsão de crescimento de 2,6% feita em janeiro e o declínio no final de março, de 2,9% é enorme (5,5%).

Qualquer economista de verdade e que não esteja sendo pago por Wall Street, pelo governo ou pelo establishment, sabe que a previsão de crescimento de 2,6% era uma safadeza. Com exceção do 1%, o rendimento do povo americano não cresceu e o único crescimento real que aconteceu foi o dos empréstimos a estudantes, já que muitos dos que não conseguem encontrar um emprego voltam-se de forma errônea para a crença de que “educação é a resposta”. Em uma economia que se baseia na demanda de consumo, a falta de aumento nos rendimentos e no crédito significa que a economia não crescerá.

Inflação dos alimentos (jan. 2013 até jan. 2014)
A economia dos EUA não pode crescer porque, incentivadas por Wall Street, as corporações transferiram a economia dos Estados Unidos para uma economia offshore (empresas offshore são aquelas entidades comerciais ou financeiras que se localizam em domicílio diverso do país de seus proprietários e não sujeitas, portanto, às leis desse país. “Economia offshore”, como denomina o autor, seria uma economia grandemente localizada fora do país, por motivos comerciais, como mão de obra mais barata e isenções fiscais, por exemplo – NT). São feitos fora do país os produtos manufaturados dos Estados Unidos. Preste atenção nas etiquetas de suas roupas, sapatos, sua comida e utensílios de cozinha, seus computadores, qualquer coisa. Trabalhos profissionais dos Estados Unidos, como engenharia de software, migraram para fora do país. Uma economia com economia fora do país não é uma economia. Tudo acontece bem na nossa frente, enquanto os bem pagos figurantes mentirosos do mercado declaram que os americanos são beneficiados por dar seus empregos da classe média americana para a China ou a Índia.

Tenho mostrado essas mentiras por uma ou duas décadas, e é por isso que há tempos não sou convidado para falar para universitários americanos ou para associações financeiras americanas. Os economistas gostam muito do dinheiro que recebem para mentir. A última coisa que querem em seu meio é uma pessoa que fale a verdade. Um declínio oficial de 2,9% no primeiro trimestre significa que o segundo trimestre também verá um declínio do PIB. Uma recessão é definida como dois trimestres consecutivos de PIB negativo.

Pense nas consequências de uma recessão. O significado é o de que anos de Quantitative Easing (Flexibilização Quantitativa – política monetária fora do convencional, onde ocorrem compras massivas de valores mobiliários por um Banco Central ou governo com a intenção de reduzir juros e aumentar a oferta de moeda. Considerada atualmente financeiramente perigosa pelo risco de aumento da inflação e redução do crédito [o que diminuiria a produção], se os bancos resolverem estocar o excesso de moeda gerado por essa política financeira – NT) falharam em reativar a economia. Significa ainda que anos de déficits fiscais Keynesianos não conseguiram reativar a economia. Nem as políticas fiscais, nem as monetárias tiveram sucesso. O que pode reativar a economia?

Base Monetária ajustada e os QEs de 2008  (QE1), 2009 (QE2) e 2013 QE3)
Nada, exceto forçar o retorno da economia que as corporações antiamericanas levaram para fora, o que requer um governo que tenha credibilidade. Infelizmente, o governo dos Estados Unidos perdeu credibilidade desde o segundo mandato de Clinton. A credibilidade não mais existe. Nada.

Atualmente não existe qualquer lugar no mundo onde se acredite no governo dos Estados Unidos, com exceção dos zumbis americanos sem cérebro que lêem e assistem a “imprensa-empresa convencional”. A propaganda política manipulada de Washington dominou a mente dos estadunidenses, mas em qualquer outro lugar do mundo, produz gargalhadas e escárnio.

As perspectivas cambaleantes da economia dos Estados Unidos levaram dois grandes lobbies de negócios – A Câmara de Comércio dos Estados Unidos e a Associação Nacional de Fabricantes (ou o que restou delas) a entrar em conflito com a ameaça do regime de Obama, que pretende novas sanções contra a Rússia.

De acordo com o Bloomberg News, a partir de amanhã (26 de junho de 2014 – o que realmente aconteceu - NT), as associações de negócios começarão a postar anúncios do New York Times, Wall Street Journal e Washington Post em oposição a novas sanções contra a Rússia. As organizações comerciais dos Estados Unidos dizem que as sanções contra a Rússia prejudicarão seus lucros e significarão mais desemprego para os estadunidenses.

Papai, Obama colocou sanções na minha mesada!
Dessa forma, duas grandes organizações de comércio e finança dos Estados Unidos, o que significa dizer grandes doadores de campanhas políticas, finalmente juntaram suas vozes às dos homens de negócios da Alemanha, da França e da Itália.

Fora o público norte-americano que sofreu a lavagem cerebral da imprensa-empresa, todos sabem que a “crise da Ucrânia” não passa de um trabalho engendrado por Washington. Homens de negócios europeus e dos Estados Unidos perguntam: “por que devemos sacrificar nossos lucros e nossos trabalhadores por causa da propaganda política mentirosa de Washington contra a Rússia?”.

Para isso, Obama não tem resposta. Talvez a sua escória neocon representada por Victoria Nuland, Samantha Powers e Susan Rice possa apresentar uma resposta. Obama pode contar com o New York Times, Washington Post, Wall Street Journal e Weekly Standard para explicar porque milhões de norte-americanos devem sofrer para que o roubo que os EUA praticam contra a Ucrânia não seja ameaçado. As mentiras dos EUA aumentam com Obama.

A chanceler alemã Angela Markel é uma completa prostituta dosEUA, mas a indústria alemã está dizendo à puta de Washington que, para eles, tem muito mais valor seus negócios com a Rússia que o sofrimento que terão que passar por causa dos motivos do império de Washington. Os homens de negócios franceses estão inquirindo a Hollande quais as suas propostas para os milhares de trabalhadores franceses que fatalmente perderão seus empregos na França caso Hollande resolva seguir os ditames de Washington. As empresas italianas estão lembrando ao governo de seu país – se é que a Itália tem um – que os estadunidenses são pessoas grosseiras e sem finesse e que as sanções contra a Rússia significam um golpe diretamente contra o setor econômico mais reconhecido e organizado da Itália – o setor de produtos de luxo de alto padrão.

As divergências entre os EUA e os dois governos joguetes de Washington na Europa estão se espalhando. A última pesquisa realizada na Alemanha mostra que três quartos da população alemã rejeitam de forma permanente a instalação de bases da OTAN na Polônia e nos Estados Bálticos. A antiga Checoslováquia, atuais Eslováquia e República Checa, mesmo sendo estados membros da OTAN não mais aceitam a OTAN e as tropas dos Estados Unidos em seus territórios. Recentemente, um ministro da Alemanha disse que para satisfazer os EUA é preciso lhe dar uma rodada de sexo oral, sem benefício algum em retorno.

Bases Militares dos EUA na Alemanha
Os rumos que os idiotas de Washington estão dando à OTAN podem pouco a pouco destruir a organização. Reze para que isso realmente aconteça. A desculpa para a existência da OTAN acabou com o colapso da União Soviética, 23 anos atrás. No entanto, os EUA incrementaram a OTAN, que cresceu para além das fronteiras da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Hodiernamente, a OTAN cobre do Báltico até a Ásia Central. Para que haja uma razão que justifique a constante e caríssima expansão da OTAN, Washington resolveu construir um novo inimigo: a Rússia.

A Rússia tem deixado muito claro que não pretende fazer da OTAN e dos EUA seus inimigos. Mas o complexo exército/segurança dos Estados Unidos, que anualmente consomem um trilhão de dólares (US$ 1.000.000.000.000) dos já pressionados pagadores de impostos estadunidenses precisa de uma desculpa que faça com que os lucros continuem fluindo.

Infelizmente, os imbecis em Washington escolheram um inimigo perigoso. A Rússia é uma potência com armas nucleares, um país de vastas dimensões e com uma aliança estratégica com a China. Apenas um governo que se afoga na própria arrogância e húbris ou um governo cheio de psicopatas e sociopatas escolheria tal inimigo.

O presidente russo, Vladimir Putin alertou a Europa de que a política dosEUA para o Oriente Médio e Líbia não apenas se revelou num fracasso total, como prejudica fortemente a Rússia e a Europa. Os imbecis em Washington removeram os governos que contiveram os jihadistas. Agora, os jihadistas violentos estão desenfreados. Estão neste mesmo instante refazendo no Oriente Médio as fronteiras artificiais impostas pela Bretanha e pela França após o final da Primeira Grande Guerra Mundial. A Europa,assim como a Rússia e a China, todos tem populações islâmicas e agora devem se preocupar, porque a violência desencadeada pelos EUA poderá provocar a desestabilização de regiões da Europa, Rússia e China.

Ninguém, em qualquer parte do mundo, tem motivos para gostar dos Estados Unidos. Muito menos todos os estadunidenses, sangrados até a inanição para que Washington possa fazer paradas de exibição de poder pelo mundo afora. A taxa de aprovação de Obama é de minguados 41% e ninguém gostaria que ele permanecesse no gabinete, uma vez terminado seu segundo mandato. Contrastando com isso, dois terços da população russa querem que Putin permaneça como seu presidente depois de 2018.

Em março, a agência de pesquisa Public Opinion Research Center, informou que a taxa de aprovação de Putin chegava a 76%, e isso apesar da agitação contra ele, promovida pelas ONGs russas financiadas pelos Estados Unidos e instaladas às centenas como quintas colunas estabelecidas na Rússia pelos EUA durante as duas últimas décadas.

Aprovação de Putin na Rússia - 86,9% (14/5/2014)
No topo dos problemas da política dos Estados Unidos o dólar americano encontra-se em perigo. O dólar ainda se mantém com o nariz fora d’água Porque os mercados financeiros estão sendo pressionados pelos Estados Unidos a manter o seu valor, através da impressão desenfreada de suas próprias moedas para comprar dólares. Para que isso se mantenha, uma grande parte do mundo está sendo corroído pela inflação. Quando todo mundo finalmente abandonar essa política insana e correr para o ouro, a China estará com tudo.

Um dos conselheiros do presidente Putin, Sergey Glazyev, já disse ao presidente russo que apenas uma aliança que faça com que o US$ (dólar dos EUA) perca seu valor pode fazer cessar as agressões de Washington. Esta é, há muito tempo, a minha própria opinião. Não haverá, não pode haver paz enquanto os EUA puderer continuar imprimindo dinheiro para financiar mais guerras.

Como já disseram os governantes chineses, está na hora de “desamericanizar o mundo”. Os líderes dos EUA falharam completamente com o mundo, produzindo nada mais que mentiras, violência, morte e a promessa de mais violência.

Os Estados Unidos são excepcionais apenas na medida em que Washington, sem qualquer remorso, destruiu em parte ou no todo, sete países apenas neste começo do século 21. Enquanto a liderança em Washington não for substituída por líderes mais humanos, a vida na Terra não tem futuro.
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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 3/4/1939) é um economista norte-americano e colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que destruíram a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

EUA: A anarquia à moda Bernanke vai continuar

7/1/2014, [*] Noureddine Krichene, Asia Times Online
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

(Entreouvido no quisque da Pregafrôxa na Vila Vudu: Esse Nuridini é analista tão isento quanto quarqué vilas, manholis, sardimburgs ou wackas, ora bolas!).

Ben Bernanke, o destruidor do sonho neoliberal
Pesquisa recente da ONG Transparência Internacional põe a Somália no topo do ranking da corrupção no mundo. Engraçado. A Somália lá está, no topo, pelo menos em parte, por causa da ação de pirataria dos piratas somalianos.

Pirataria é confisco de riqueza mediante força bruta. Imprimir dinheiro falso também é confisco de riqueza, e fraudes financeiras em geral, também. Bernie Madoff foi condenado a dez anos de cadeia, exclusivamente porque fraude financeira é crime; as vítimas de Madoff perderam o dinheiro que haviam confiado a Madoff. Pois mesmo apesar disso tudo, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke que agora se prepara para deixar o cargo, imprime mensalmente US$85 bilhões, dinheiro que, de fato, ele tira da cartola, e essa “mágica” é considerada virtude – por mais que seja confisco forçado de riqueza. Dá à coisa nome de “estímulo” econômico, porque, segundo os mágicos, faria avançar a economia e todos estaríamos andando na direção do pleno emprego, cá nos EUA.

Bernanke deixa o posto no final desse mês, depois de anos de destruição, durante os quais só fez avançar o caos financeiro, o desemprego em massa, a inflação, o confisco de riqueza e a miséria, nos EUA e noutros locais.

Os EUA viviam em grande prosperidade antes de Bernanke fazer de nós país de desolação. Seu turno como propositor de políticas e presidente do Fed ficará na história como era de mentiras e de anarquia. Suas políticas monetárias não ortodoxas e taxas de juro quase-zero ajudaram a realizar os piores pesadelos do período do pós-Segunda Guerra Mundial; destruíram os bancos norte-americanos; e levaram a desvalorização da moeda para outros países industrializados.

Ignorando a Constituição dos EUA e agindo como se dinheiro fosse brinquedo de moleque, Bernanke reinou com poderes absolutos para destruir dinheiro. Comparando-se 2000, pouco antes de Bernanke passar a integrar o grupo de diretores do Fed em 2002, e 2013, vê-se logo que Bernanke muito mereceu o título de “Helicopter Ben” [ganhou o apelido quando disse que “jogaria dinheiro de helicóptero em Wall Street para evitar a repetição do desastre dos anos 1930s” (NTs)]. O crédito do Fed subiu, de US$0,5 trilhão para $4 trilhões (foi multiplicado por 8). A dívida pública dos EUA chega hoje a $17 trilhões; era de $3,4 trilhões, antes de ele chegar ao Fed. O barril de petróleo custa hoje $100; antes, custava $18; o ouro subiu, de $250 para $1.300 a onça. A comida custa hoje, no mínimo, quatro vezes mais cara. Os preços de ações bateram todos os recordes em 2013. Mas a renda per-capita real é hoje, nos EUA, muito menor que em 2000. Eis a herança de caos que Bernanke deixa ao país.

"Helicopter Ben"
Bernanke crê numa teoria que estipula que “jogar dinheiro (de helicóptero)” seria o segredo da prosperidade e do pleno emprego. Tão alucinada é essa teoria, que causou susto, nos EUA, entre políticos e acadêmicos. E é falácia de tal magnitude, que muitos anos de injeção de vastas quantidades de dinheiro na economia ainda não nos fizeram chegar nem perto do pleno emprego; só se vê caos.

Se a tal teoria fosse correta, o pleno emprego seria quase instantâneo. Ao contrário de ciências nas quais as relações são exatas, pode acontecer de teorias econômicas jamais serem confirmadas por fato algum. Em ciências exatas, há uma relação imutável entre a temperatura e a expansão do mercúrio, por exemplo, o que nos permite medir temperaturas com precisão. Na economia, não há tal relação exata entre juro zero e pleno emprego. Se tal relação existisse, Bernanke teria chegado ao pleno emprego já há muitos anos.

A única coisa que fez foi encorajar a especulação intensiva com patrimônio, o que criou desordem financeira e empobrecimento. Claro que, nisso, Bernanke não está sozinho – muitas teorias econômicas ditas exatas por seus proponentes, como o comunismo e o keynesianismo, falharam miseravelmente e geraram desastres onde foram aplicadas. Agora se pode acrescentar o bernankismo a essa lista de teorias desonradas.

Quando os piratas somalianos obtêm dinheiro de resgate por navio que tenham sequestrado, não há dúvidas de que esse dinheiro fará aumentar a demanda por bens e serviços entre os piratas; e reduzirá a demanda por bens e serviços entre os que tenham sido sangrados para pagar o resgate. O emprego de pirata é incerto e a própria pirataria tem a ver exclusivamente com redistribuição de riqueza – não com criação de riqueza.

É a parábola da janela quebrada: a necessidade de gastar dinheiro para instalar uma nova janela reduzirá a demanda por outros bens. A simples teoria do comércio afirma que um agricultor troca trigo por sapatos: nesse caso há criação de valor e de riqueza. O agricultor precisa dos sapatos, e o sapateiro precisa de trigo; criam-se empregos, porque o trabalho do agricultor é trocado pelo trabalho do sapateiro. Na fraude de Bernanke, como na pirataria dos somalianos, quem recebe o dinheiro ganha riqueza, mas sem que qualquer trabalho tenha sido trocado por trabalho; claro que, nem a fraude de Bernanke, nem a pirataria criam empregos. Nos dois casos, alguém está ganhando sapatos e trigo sem qualquer trabalho. Ainda que a criação de trabalho fosse virtuosa, nem a fraude de Bernanke nem a pirataria podem ser toleradas, nem criam empregos.

O dinheiro que Bernanke joga “de helicóptero” não é maná caído do céu. Bernanke tinha poder para confiscar, mas tinha poder-zero para criar riqueza. Fabricar dinheiro “do nada”, é redistribuir dinheiro em estado puro. Bernanke injetou perto de $3,5 trilhões. Mas não criou um grama de trigo nem criou um pé de sapato.

Ben Bernanke imprime SEM LASTRO US$ 85 bilhões por mês (Quantitative Easing)
Inconstitucionalidade flagrante!
A jogada, aí, é jogo de soma zero: há os que se beneficiam da riqueza ampla, total e irrestrita (efeito estímulo) e há os que só perdem (efeito desolação). O dinheiro do helicóptero de Bernanke nada fez na direção do pleno emprego; em vez disso, criou inflação de dois dígitos desde 2002 – por mais que Bernanke diga que não há inflação.

Pior, a montanha de dinheiro despejado “de helicóptero” pressionará fortemente a inflação, por muitos anos à frente.

A inflação beneficia alguns grupos e pesa dolorosamente sobre outros grupos. Ações subiram 30% em 2013 num contexto de economia aleijada, excessivos déficits fiscal e externo e desemprego em massa. Essa inflação de preços teria sido impossível, sem o dinheiro “de helicóptero” de Bernanke. Indica furiosa transferência de riqueza mediante o preço de ações que excedem em muito o PIB dos EUA.

Barack Obama
O presidente Barack Obama pode até estar indignado com a desigualdade de renda nos EUA – mas não está absolutamente preocupado com a massiva transferência de renda à moda Bernanke, em favor de alguns sortudos beneficiários e à custa de muitos infelizes que só perdem e perdem. Como num sistema feudal, a riqueza tornou-se monstruosamente concentrada via confisco, não pela geração.

Comprando hipotecas, Bernanke tornou-se o maior comprador de casas nos EUA, o que elevou o preço da moradia em 14% em 2013. Para os políticos, não é inflação... apesar de essa elevação ser impossível sem as taxas de juros quase-zero, de Bernanke. Eles chamam a coisa de “forte” recuperação do setor de moradias – apesar de outra “forte” recuperação, semelhante à atual, em 2003-2008, ter levado a milhões de despejos. A recuperação da moradia à moda Bernanke intensificará a especulação, tornará impossível a casa própria e aumentará dramaticamente a arrecadação de impostos sobre a propriedade, com os proprietários vendo suas casas reavaliadas e os impostos a pagar aumentando ao ritmo de taxas de dois dígitos.

Bernanke e seus apoiadores não dão a mínima, à lei constitucional; decidiram independentemente, totalitariamente, quanto dinheiro inventar, a taxa de juros, os preços de patrimônio e de commodities. Foram obcecadamente doutrinários. Creram, com fé de fanáticos, que destruir o dólar norte-americano seria a chave para o pleno emprego e a prosperidade, por mais desastres que sua política provocasse, dois dos quais, e nem foram os maiores desastres, foram o colapso financeiro de 2008 e a subsequente grande depressão.

A Constituição dos EUA condena severamente o dinheiro sem lastro e só reconhece como dinheiro a prata e o ouro. Muitos eminentes cientistas alertaram contra a emissão de dinheiro à moda Bernanke. No início do século 16, o astrônomo Copérnico dedicou ao rei da Polônia o seu tratado Monetae Cudendae Ratio [Proporção da cunhagem da moeda], [1] que abre com essa declaração ampla:

Nicolau Copernico
Apesar de serem inúmeros os desastres que causam a decadência dos reinos, principados e repúblicas, penso que os mais importantes são estes quatro: a discórdia, a mortalidade, a esterilidade da terra e a desvalorização da moeda. Os três primeiros são tão evidentes, que ninguém ignora que assim é; mas o quarto, o que tem a ver com a moeda, poucos, só os mais sensatos, se preocupam com ele. Isso, porque destrói as repúblicas, não de repente, mas aos poucos, por certo mecanismo que age escondido. (p.103).

(...) Bernanke e seus apoiadores, loucos por inventar dinheiro “do nada”, arruinaram o pleno emprego e o crescimento nos EUA. Se os EUA não tivéssemos sido tungados pelas falácias de Bernanke, teríamos preservado o pleno emprego. Melhor ainda: nem a crise financeira de 2008 teria acontecido.

Bernanke conseguiu travar os EUA em sua taxa de juro quase-zero, queimando dinheiro e fraude massiva; assim ficaremos ainda por muito tempo, por décadas! O pleno emprego tão buscado por Bernanke e apoiadores é louvável, sim. Infelizmente, o dinheiro não foi inventado para ser ferramenta de políticas. Dinheiro é meio de troca. A relação entre dinheiro e emprego é distante e irrelevante. Pior, e sobretudo: criar dinheiro do nada é taxação sem representação.

Bernanke promoveu sua destruição da moeda com pleno apoio e sob os cuidados do Congresso dos EUA. Senadores e deputados norte-americanos firmemente acreditam no absurdo by Bernanke de que taxas de juro-zero “geram” pleno emprego, apesar de, por anos e anos e anos, essa relação jamais se ter materializado.

Agora, firmemente aderido aos absurdos de Bernanke, o presidente Obama indicou Janet Yellen, apoiadora obcecada de Bernanke, que essa semana foi confirmada para sucedê-lo como nova presidenta do Fed e levar avante as falácias de Bernanke.

E com Janet Yellen a "Farra-do-Dólar" vai continuar...
O futuro será mera extrapolação do passado: inflação e mais inflação, como efeito retardado da gigantesca fabricação de dinheiro, mais especulação e mais instabilidade. As falácias de Bernanke prevalecerão ainda por décadas, até que o dólar seja completamente extinto.

Moedas hiper-inflacionadas desaparecem quando ninguém mais se interessa por elas e muita gente deixa de aceitá-las. Passarão gerações antes que percebam que pirataria ‘legal’ de Bernanke, vale dizer, a fraude financeira, não é via que leve nem ao pleno emprego nem ao crescimento. Quanto mais engodo e mais inflação, mais cresce a especulação; e mais a depressão ataca a economia.

Nota dos tradutores
[1] COPÉRNICO, Nicolau. Sobre a moeda. [1526] Curitiba: Segesta, 2004, 117p.
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[*] Noureddine Krichene é economista com Ph.D. pela U.C.L.A. e autor de Islamic Capital Markets: Theory and Practic (London: Wiley, 888 pp., jan. 2013, ISBN: 978-1-118-24713-6). Lecionou finanças islâmicas na Global University, INCEIF, na Malásia, e foi um economista do International Monetary Fund Economist Program 1986-2009. De 2005 a 2007, foi assessor do Islamic Development Bank da Arábia Saudita. Suas áreas de especialização são o sistema de pagamentos internacionais, as políticas macroeconômicas, finanças, energia e economia da água. Foi assessor econômico do governo da Arábia Saudita. 



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Mais Guerra! A rota para o Armagedon

Paul Craig Roberts

por Paul Craig Roberts [*]

Quando principiou a segunda década do século XXI, a economia estadunidense não se recuperara da Grande Recessão iniciada em Dezembro de 2007.

O fracasso da recuperação econômica verificou-se apesar do maior estímulo fiscal e monetário da história do país. Houve um salvamento bancário de US$700 bilhões, um programa de estímulo de US$700  trilhões, um par de trilhões (trillion) de “facilidade quantitativa”, isto é, monetização de dívida ou impressão de dinheiro para financiar as despesas do governo. Além disso, o balanço do Federal Reserve expandiu-se em trilhões de dólares quando o Fed comprou títulos hipotecários e derivativos problemáticos no seu esforço para manter o sistema financeiro solvente e em funcionamento. Segundo auditoria do Government Accountability Office do Federal Reserve, divulgada pelo senador Bernie Sanders, o Federal Reserve proporcionou empréstimos secretos a bancos dos EUA e estrangeiros que totalizavam US$16,1 trilhões, uma soma maior do que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA.


Apesar do enorme estímulo fiscal e monetário, a economia permaneceu morta.

Em 2011 o déficit das despesas anuais do governo federal foi de 43 por cento do orçamento. Por outras palavras, o governo dos EUA tinha de tomar emprestado, ou o Fed tinha de monetizar, 43 por cento das despesas federais durante o ano fiscal de 2011. Apesar deste estímulo fiscal e monetário sem precedentes, a economia não recuperou.

No fim da primeira década do século XXI, o declínio da economia foi temporariamente suspenso pelos subsídios federais para compras de carros e de casa. O subsídio de habitação de US$8.000 ajudou recém-casados a comprarem as primeiras casas, pois o subsídio era uma grande fatia da entrada num mercado habitacional em depressão. O subsídio à compra de carro transferiu procura futura para o presente. Quando estes subsídios expiraram, os aparelhos salva-vidas da economia foram desligados.

Problemas com informação estatística de desemprego, inflação e PIB disfarçaram o agravamento para pior da economia. Ajustamentos sazonais utilizados para aplanar os dados ao longo do ano não foram concebidos para recessão prolongada. Nem tão pouco o modelo “nascimento-morte” utilizado pelo US Bureau of Labor Statistics (BLS) para estimar empregos não relatados de novas companhias que arrancavam e perdas de companhias que abandonaram os negócios. O modelo nascimento-morte foi concebido para uma economia em crescimento e durante épocas baixas superestima o número de novos empregos criados.

O “efeito substituição” utilizado no índice de preço no consumidor (IPC) subestima a inflação ao assumir que os consumidores substituem alimentos mais baratos por aqueles que sobem de preço. Por exemplo: se o preço de um bife em Nova York sobe, isto não é mostrado no IPC devido à suposição de que as pessoas mudam as suas compras para bife menos caro.

Cozinhando a contabilidade

A medida amplamente utilizada do “núcleo inflacionário” (“core inflation”) não inclui alimentos ou energia. O núcleo inflacionário é uma medida útil para aqueles que querem dar uma visão otimista da perspectiva.

Ao subestimar a inflação, o governo pode superestimar o crescimento do PIB real, criando, portanto, uma perspectiva fictícia rósea. Analogamente, ao utilizar a medida do emprego conhecida como U.3, o governo subestima o desemprego.

A “manchete” da taxa de desemprego, aquela enfatizada pela “imprensa” e a imprensa financeira, fixava-se em 9,2 por cento em Junho de 2011. Mas esta taxa não inclui quaisquer trabalhadores desencorajados. Um trabalhador desencorajado é uma pessoa que cessou de procurar um emprego, porque não há empregos a serem descobertos. Um trabalhador desencorajado não é considerado estar na força de trabalho e não é contado entre os desempregados U.3. O governo federal sabe que isto é falso e tem uma medida U.6 do desemprego que conta os desencorajados a curto prazo. Esta medida, raramente informada pela “imprensa”, fixava-se em 16,2 por cento em Junho de 2011.

O estatístico John Williams ( shadowstats.com) continua a contar também os trabalhadores desencorajados a longo prazo de acordo com o modo como era feito oficialmente em 1980. Em Junho de 2011, esta medida completa da taxa de desemprego nos EUA era de 22,7 por cento.

Em outras palavras; em 2011 entre um quinto e um quarto da força de trabalho dos EUA estava sem emprego.

À medida que 2011 avançava, os Estados Unidos enfrentavam três crises econômicas simultâneas. Uma crise decorre da perda de empregos nos EUA, PIB, rendimento do consumidor e base fiscal causada por corporações deslocalizando sua produção destinada ao mercado estadunidense. Ao invés de fabricar seus produtos em casa com trabalho americano e proporcionar empregos aos americanos e receitas fiscais aos estados e localidades, corporações estadunidenses proporcionam PIB, empregos, rendimento do consumidor e uma base fiscal a países como a China, Índia e Indonésia. Esta prática significa que o estímulo econômico foi incapaz de ressuscitar a economia dos EUA, pois os americanos não podem ser chamados de volta a empregos que foram exportados.

Outra crise foi a financeira resultante da desregulamentação; fraude e cobiça. A titularização de hipotecas significou que emissores de hipotecas já não tinham qualquer incentivo para averiguar a possibilidade de crédito do tomador do empréstimo, porque os emissores vendiam as hipotecas a terceiros os quais combinavam as hipotecas com outros e vendiam-nas a investidores.

Como as hipotecas foram emitidas à base de comissões (fees), quanto mais hipotecas emitidas, mais alto era o rendimento das comissões. A fim de arrecadar rendimento de comissões, alguns emissores falsificaram relatórios de crédito para tomadores de empréstimos. Com o mercado habitacional em expansão, muitas pessoas fizeram hipotecas a fim de ganhar dinheiro com a revenda das propriedades. Com os preços habitacionais a subir rapidamente, as entradas e a confiabilidade do crédito tornaram-se preocupações do passado. A crise financeira foi agravada pela capacidade de bancos de investimentos para contornar exigências de capital e, portanto, alavancar seu capital incorrendo em enormes dívidas. Quando todas as bolhas estouraram, o castelo de cartas entrou em colapso.

Armagedon econômico

A terceira crise foram os déficits do orçamento federal de US$1,5 trilhão, os quais eram demasiado grandes para serem financiados sem que o Federal Reserve comprasse novas emissões de dívida do Tesouro. Conhecido como monetização da dívida, o Federal Reserve comprou os Títulos do Tesouro, notas e outros títulos através da criação de uma conta corrente, da qual o Tesouro retiraria para pagar as contas do governo. A expansão da dívida do Tesouro despertou preocupações acerca do valor cambial do dólar e do seu papel como divisa de reserva, e despertou temores de inflação. Os preços do ouro e da prata se elevaram quando o dólar declinou em mercados de câmbio estrangeiros.

Qualquer uma destas crises era séria. Todas juntas, implicavam o Armagedon econômico.

Não havia caminho óbvio de saída, mas mesmo que alguém pudesse descobri-lo o governo estava focado alhures – em guerras.

Além das operações em curso no Iraque, Afeganistão, Paquistão, Iêmen e Somália, os EUA e a NATO começaram operações militares contra a Líbia em 19 de março de 2011. Tal como as guerras existentes, o objetivo real da agressão contra a Líbia não foi reconhecido, mas ficou claro que o objetivo da guerra era expulsar a China dos seus investimentos em petróleo na Líbia oriental. Ao contrário dos protestos árabes anteriores, a rebelião Líbia foi um levantamento armado no qual alguns viram a mão da CIA.

A guerra líbia aumentou o risco, porque embora escondendo-se por trás do véu do protesto árabe, os EUA estavam realmente confrontando a China.

Analogamente, no apoio estadunidense à rebelião armada na Síria, o objetivo de Washington era a base naval russa em Tartus. Derrubando o governo Assad na Síria e instalando ali um regime amistoso para com os EUA poria fim à presença naval russa no Mediterrâneo.

Ocultando seus objetivos por trás dos protestos árabes na Líbia e na Síria que pode ter iniciado, Washington evitou conflitos diretos com a China e a Rússia, mas, no entanto as duas potências entenderam que Washington estava atacando os seus interesses. Isto elevou a imprudência das políticas agressivas de Washington ao iniciar confrontação com duas potências nucleares, uma das quais possui poder financeiro sobre os EUA, pois é o maior credor estrangeiro da América.

Os investimentos petrolíferos da China em Angola e na Nigéria eram outros dos objetivos. Para conter a penetração econômica da China na África, os EUA criaram o American African Command nos últimos anos da primeira década do século XXI. Perturbado pela ascensão da China, os EUA procuraram impedir a China de ter fontes de energia independentes. O grande jogo que no passado sempre levou à guerra está sendo jogado outra vez.

O 11 de Setembro de 2001 proporcionou a Washington uma nova “ameaça” para substituir a ameaça soviética, a qual expirou em 1991. Apesar da ausência da ameaça soviética, o orçamento militar e de segurança foi mantido alto durante uma década. O 11 de Setembro de 2011 injetou crescimento rápido no orçamento militar e de segurança. Uma década mais tarde o orçamento fixava-se em aproximadamente US$1,1 trilhões por ano, ou aproximadamente 70 por cento do déficit federal, o qual debilitava o dólar e ameaçava a classificação de crédito do Tesouro dos EUA.

Centrada nas guerras do Médio Oriente, Washington estava perdendo a guerra da economia dos EUA.

Quando a expectativa de recuperação econômica se evaporou, no decorrer de 2011, a necessidade da guerra tornou-se mais imperiosa.

01/Agosto/2011

[*] Ex-editor do Wall Street Journal e ex-assistente do secretário do Tesouro dos EUA. Seu último livro, HOW THE ECONOMY WAS LOST , foi publicado por CounterPunch/AK Press. Este artigo saiu no número do Verão de 2011 do Trends Journal, publicação do Trends Research Institute de Gerald Celente.

O artigo original, em inglês, encontra-se em: More War! The Road to Armageddon
  
Esta tradução foi extraída de: Resistir