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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Buracos negros financeiros: nutrição e cuidados básicos


30/6/2015, [*] Dmitry Orlov, Club Orlov
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Sergey Glazyev

Há algum tempo, tive o prazer de ouvir Sergey Glazyev – economista, político, membro da Academia de Ciências da Rússia e conselheiro do presidente Putin – dizer algo que confirmou muito bem o que sempre pensei. Glazyev disse que qualquer um que saiba matemática pode ver que os EUA estão à beira do colapso, porque a dívida interna norte-americana cresce exponencialmente. Não são palavras que político europeu ou norte-americano ande dizendo por aí em público, talvez nem sussurradamente na cama, porque nos EUA travesseiros têm ouvidos, e, se acontecer assim, o tal político receberá tratamento de Dominique Strauss-Kahn (cuja ilustre carreira terminou quando, numa visita aos EUA, foi falsamente acusado de estupro, e preso). Por essas e outras nenhum político europeu (e dos norte-americanos, então, nem se fala), pode jamais declarar o óbvio, por mais óbvio que seja.
A essa altura, os russos já sabem muito bem disso. Sim, manter diálogo e relações cordiais com europeus é importante. Mas que fique bem entendido que europeus não passam de fantoches dos EUA sem vontade nem poder para tomar decisões próprias. Melhor talvez falar com os norte-americanos diretamente? Infelizmente, também são fantoches. Funcionários do governo e políticos norte-americanos são todos fantoches controlados por lobbyistas de grandes empresas e oligarcas sinistros. Mas, aqui, o choque: esses também são fantoches, controlados pelos simples imperativos do lucro e da preservação da riqueza respectivamente. De fato, são todos fantoches de cabo a rabo, de cima a baixo. E no fundo, por baixo deles, há um gigantesco, eternamente em expansão, buraco negro financeiro.
Você gosta de seu buraco negro? Se não tem muita certeza de que gosta, deixe-me fazer-lhe algumas perguntas: Você gosta do fato de que seus cartões de crédito ainda funcionem, ou de poder ainda deixar dinheiro no banco e até pegar dinheiro num caixa de atendimento automático, ou de já estar recebendo ou algum dia, sim, receber uma aposentadoria? Você gosta de poder obter coisas úteis – comida, combustível, passagens de avião – em troca de meros pedaços de papel impressos com retratos de homens brancos falecidos? Você gosta de ter acesso à internet, de ter lâmpadas acesas, água na pia? Bem, se você gosta dessas coisas, nesse caso você também tem de gostar do buraco negro financeiro, porque é ele que torna possíveis todas essas coisas, apesar de você viver num país quebrado, falido, em bancarrota. Talvez seja daquelas relações de amor-ódio: você ama conseguir fingir que está tudo ótimo, mesmo você sabendo que não está, e quer curtir mais um pouco do bussiness-como-sempre, antes que tudo vá prô inferno, seja só mais alguns dias, seja um, dois anos. Mas você odeia saber que é altamente possível que o buraco o sugue para o fundo, momento a partir do qual você estará sugado, digo, definitivamente ferrado.
Experimento do Buraco Negro dá dramaticamente ERRADO

Nos EUA, até agora, o buraco negro tem sugado famílias individualmente consideradas (embora às vezes sugue cidades inteiras, feito Detroit, Michigan ou Bakersfield, Califórnia ou Camden, New Jersey). Com a ajuda da gangue das hipotecas fraudulentas, ele suga casas e as cospe de volta, oneradas por dívidas podres. Com a ajuda da indústria médica, ele suga gente doente e cospe os doentes de volta, falidos. Com a ajuda da gangue das universidades privadas, suga gente jovem cheia de esperanças, e cospe formados nas “especializações” mais ridiculamente inúteis e com as pernas e o espírito quebrados pela mais obscena dívida “estudantil” que se possa imaginar. Com a ajuda do complexo industrial-militar, suga praticamente qualquer coisa e cospe cadáveres, tragédias ambientais, terroristas e instabilidade global. E assim vai.
Mas o buraco negro financeiro pode também sugar países. Nesse momento, está ocupadíssimo tentando devorar a Grécia, mas está difícil, porque a Grécia é – adivinhem! – estado democrático. Esse fato surpreendeu os fantoches do buraco negro, que já começaram a clamar por “mudança de regime” na Grécia, para que a Grécia possa ser obrigada a render-se, antes de o buraco negro morrer de fome.
O processo pelo qual o buraco negro financeiro suga países inteiros é o seguinte. Se o buraco negro não encontra coisas suficientes para sugar logo de início, ele então põe os mercados financeiros em queda livre. Instrumentos financeiros de países que estejam longe do buraco negro – lá, na periferia – caem mais depressa. Em busca de “paraíso seguro”, o dinheiro flui para fora desses países e diretamente para dentro dos países “núcleo” firmemente agarrados em torno do buraco negro financeiro – EUA, Alemanha, Japão e uns poucos outros. O buraco negro devora esse dinheiro, mas logo novamente já fica com fome e quer mais. E, porque os países da periferia já estão agora financeiramente fracos demais para resistirem, podem ser facilmente convertidos em ração para buraco negro financeiro. A devoração começa quando o país é sobrecarregado com dívida externa que jamais poderá pagar, o que força o país-comida a “amortizar” só parcelas da dívida, que não pode deixar de pagar completamente, porque os empréstimos para pagar dívidas são como uma linha vital de abastecimento pela qual o país recebe... mais dívidas. E assim os bancos podem ser mantidos em funcionamento, os caixas de autoatendimento abastecidos, as lâmpadas acesas e tal e tal.
O povo vai direto para Buraco Negro

Para conseguir pagar parcelas da tal dívida, o país é forçado a desmantelar a própria sociedade e a própria economia. E lhe são impostos: o mais total ARROCHO e a privatização de tudo que haja à vista (e cada empresa privatizada é empresa a ser pescada para dentro do saco das dívidas impagáveis, ou só “amortizáveis” com mais dívidas); e o país é forçado a entregar a própria soberania, a qual, rendida, passa a pertencer a organizações transnacionais, como FMI ou BCE, todas diretamente envolvidas na alimentação e na prestação de serviços de atenção à saúde do buraco negro financeiro.
E quem comanda tudo isso? – você poderia perguntar. Se tudo é buraco negro, se não há outra coisa além de buraco negro financeiro, os fantoches encarregados de mantê-lo saudável e bem alimentado e as desgraçadas vítimas do buraco negro financeiro, nesse caso... quem toma as decisões? Bem, fato é que o buraco negro financeiro é racional. Embora também seja muito, muito estúpido. E o meio que conhece para fazer acontecer o que deseja que aconteça é destruir o cérebro e o coração dos seus fantoches – o que os torna incapazes de compreender certas coisas. Mas estupidez é faca de dois gumes, e ao servir-se dela para chegar mais rapidamente ao objetivo, o buraco negro financeiro distorce também o seu próprio objetivo.
Por exemplo, há pouco tempo, o buraco negro financeiro encontrou objeto grande demais, que quis sugar, mas não conseguiu. O objeto chama-se Federação Russa. Controla território imenso, farto em todos os tipos de recursos naturais que o buraco negro financeiro muito gostaria de privatizar e converter em empréstimos colaterais e sugar para dentro do bucho. Problema é que o lugar está cheio de russos, gente difícil, com a qual os fantoches do buraco negro não conseguem lidar bem. Os russos insistem que os fantoches se mantenham à distância, para lá daquela linha vermelha real bem ali, e, se se mexerem, eles engatilham a pistola e fim de conversa fiada.


É situação que exige negociação, mas o buraco negro financeiro é exemplarmente estúpido, como já disse, e só conhece uma tática de negociação. Ele ordena e põe-se à espera que o outro lado se renda. Se não se rende, vêm as pressões: sanções, ataques contra a moeda, transações financeiras tornadas impossíveis, de tão complicadas, confisco de propriedade do país resistente e por aí vai – e outra vez, é só esperar pela rendição. Se nem isso tudo funcionar, então o país é bombardeado até ser convertido em montes de ruínas, pela OTAN. Ou, caso a OTAN não queira participar, o país é bombardeado exclusivamente pelos EUA, até ser convertido em montes de ruínas.
Em geral funciona, embora não tenha funcionado no caso da Federação Russa. Mas o buraco negro financeiro é muito, muito estúpido e fica lá, só repetindo, só repetindo, só repetindo. De tanto que só repete, só repete, só repete, a mente dos fantoches-agentes se atrapalha mesmo, de verdade, a ponto de eles já não entenderem nem a repetição, repetição, repetição deles mesmos.
Por exemplo, todo mundo sabe que pressionar a Rússia não funciona: segundo a 3ª Lei de Newton, toda a ação produz reação igual e oposta, e a Rússia é grande demais e não adianta empurrá-la, que ela não se move nem um passo – e é o empurrador que, de tanto que se esforça, acaba machucado. É feito tentar mudar a órbita da Terra, saltando de uma cadeira com os joelhos tensos (vídeo no fim do parágrafo), bom truque se você quiser atrair atenção médica. Os russos até agradeceram pelas sanções, porque afinal apareceu boa razão para investirem no desenvolvimento da própria economia doméstica e na autossuficiência. Mas os fantoches-agentes, cujos cérebros já foram sugados pelo buraco negro financeiro, nada vêem, nem compreendem e ficam lá, empurra e empurra, fazendo naufragar, no processo, as próprias economias.
Mas se as sanções não funcionam, é tempo de recorrer à opção militar. Para isso, é preciso inventar um casus belli – um motivo para ir à guerra. Foi quando o buraco negro financeiro enlouqueceu completamente: “A Rússia invadiu a Crimeia!” – sim, sim, talvez tenha invadido há algumas centenas de anos, mas já há séculos a Rússia está lá, recentemente já há até acordo internacional sobre o caso, mas... E que importa tudo isso?! (Ah! E não há o que comprove que a Crimeia foi algum dia dada à Ucrânia, porque Nikita Khrushchev alterou toda a papelada, antes de entregar o presente). Não interessa! Não interessa! A Rússia invadiu a Ucrânia e pronto! E sim, sim, sempre, é verdade todos os dias que se escrevam com “d”, mas foi muito safadinha e retirou as tropas antes que alguém pudesse fotografar, uma fotinho, que fosse, deles, por lá. OK, OK, mas isso também não interessa, porque a Rússia está prontinha para invadir a Estônia, a Letônia e a Lituânia e, pode ser, também a Polônia. Mas... vai invadir como? Você... Você acha que é fácil como tomar um ônibus para o festival de música de Jūrmala? Pode ser que seja, mas, o festival já acabou e até os fãs de música que invadiram o país vizinho já estão de volta, dormindo em casa. OK, OK, também não interessa. E os fantoches-agentes só fazem repetir “invasão russa!”, “invasão russa!” sem parar. É o dano cerebral típico de quem vive muito próximo do buraco negro financeiro. Como esse sujeito (foto abaixo), coitado, por exemplo. Bate que bate o maxilar inferior, sempre “agressão russa”, “agressão russa”, enquanto bolina uma imaginária vaca de estimação, tentando acalmar-se. Deus o ajude!

Robert Work, Secretário Adjunto de Defesa dos EUA

De volta ao mundo real: os infelizes fantoches-agentes do buraco negro financeiro não conseguem entender que, se se trata de Rússia, não há opção militar: o poder nuclear funciona aí como excelente argumento de contenção estratégica, é território muito bem defendido e não tem qualquer intenção agressiva contra seja quem for.
Mas os fantoches com a mente perturbada, nada veem, nem isso nem coisa alguma, e lá estão, empilhando os mais variados tipos de lixo militar obsoleto nas fronteiras da Rússia, e até já ameaçaram levar para a Europa os seus mísseis nucleares Pershing de alcance médio e obsoletos. São obsoletos, porque os russos têm agora o sistema S-300, com o qual podem neutralizar todos os Pershings. A opção militar tampouco funcionará, mas não conte aos fantoches-agentes – eles não suportarão informação dessa natureza, sem sofrerem novos danos neurológicos extensos.
De volta à Grécia: a pequena Grécia com certeza não é a poderosa Rússia, mas mesmo assim se recusou a capitular ante as exigências do buraco negro financeiro. Recebeu ordens para destruir completamente a própria sociedade e a própria economia, como condição para manter a linha de dinheiro de sobrevida que lhe enviariam o FMI e o BCE.
Muito inconvenientemente para o buraco negro financeiro e seus fantoches, a Grécia não é algum obscuro país “de 3º mundo”, povoado de gente de pele escura com quem o buraco negro financeiro não quer que a filha dele case: é país europeu e berço da civilização e da democracia europeias. A Grécia conseguiu eleger governo que bem que tentou negociar em boa fé, mas os fantoches-agentes não negociam – eles ordenam, ameaçam e machucam até que chegar onde querem, ou até que a cabeça deles exploda.
Vai ser interessante assistir ao que vem por aí.
Se o buraco negro financeiro conseguir sugar a Grécia, que país virá depois dela? Itália, Espanha ou Portugal? E, com o processo a continuar, quando chegará o momento em que gente em quantidade suficiente decida que basta?

O jornalismo é também responsável pelo Buraco Negro

Porque quando gente em quantidade suficiente decidir que basta, o buraco negro financeiro se encolherá. Não é buraco negro verdadeiro, feito de matéria tão densa que o seu campo gravitacional segura tudo, até a luz. O buraco negro financeiro é buraco negro fake, constituído da ganância combinada de todos.
No âmago dele só há ganância. Ganância envolta em medo por todos os lados e ele se autossustenta alimentando-se de medo, cada vez de mais medo.
Se puder continuar a sugar pessoas, famílias, países inteiros, pode manter viva a ganância que tem no âmago. Mas se não puder, nesse caso a ganância também se converterá em medo, tudo se autoconsumirá e o buraco negro financeiro se terá autodevorado.
Espero que quando acontecer, todos os seus fantoches ruins-da-cabeça livrem-se dele, percebam o quanto estavam errados e quem sabem acham algo útil para fazer – criar ovelhas, plantar hortaliças, desenterrar caranguejos...

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[*] Dmitry Orlov é um engenheiro russo-americano e escritor sobre temas relacionados ao declínio econômico, ecológico e político dos Estados Unidos. Orlov acredita que o colapso será o resultado dos orçamentos militares, enormes déficits do governo e um sistema político que não responde e declínio da produção de petróleo. Orlov nasceu em Leningrado (agora São Petersburgo) e se mudou para os Estados Unidos com 12 anos. Tem bacharelado em Engenharia de Computação e Mestrado em Lingüística Aplicada. Foi testemunha ocular do colapso da União Soviética durante os ano 1980-90. Entre 2005 e 2006 escreveu uma série de artigos sobre o colapso da União Soviética publicada em Peak Oil. Em 2006 publicou o Manifesto Orlov on-line, “A Nova Era da Vela”. Em 2007, ele e sua esposa venderam seu apartamento em Boston e compraram um veleiro, equipado com painéis solares e seis meses de fornecimento de gás propano e capaz de armazenar grande quantidade de produtos alimentícios. Chamou “cápsula de sobrevivência”. Continua a escrever regularmente no seu blog “Clube Orlov” e no EnergyBulletin.Net

sexta-feira, 20 de março de 2015

“Business” esquemão dos eurolíderes ucranianos

19/3/2015, [*] Sergey Glazyev, The Vineyard of the Saker
Traduzido do russo ao inglês por Lenok
Traduzido do inglês pelo pessoal da Vila Vudu



The Saker
O Banco Nacional da Ucrânia decidiu subir a taxa de refinanciamento para 30%. Ao aumentar as taxas de juros, as autoridades financeiras seguiram a mesma via que o Banco da Rússia.

As consequências serão as mesmas: compressão de um crédito já inacessível, aprofundamento da recessão e alta inflação – cerca de 30%.

Política monetária, redução do dinheiro circulante, em tempos de crise e em qualquer lugar do mundo, dão sempre o mesmo resultado – retração da economia e queda na armadilha da estagflação, que combina o declínio na produção, alta inflação, desemprego crescente e renda que encolhe.

Pelo que consegui entender da discussão, essa “política” foi exigência feita pelo FMI. É medida absolutamente padrão, baseada no dogma monetarista e conhecida em todo o planeta como modelo de terapia de choque. Só sobreviverão a essa política as atividades orientadas para a exportação.

Dado que as atuais autoridades ucranianas estão rompendo a cooperação com a Rússia, a única exportação possível será a que interessar à União Europeia. Além de girassóis e sucata, a Ucrânia exportará mão de obra barata, armas contrabandeadas e, talvez, chernozem  [“terras negras”, ricas em húmus, típicas da Ucrânia]. E simultaneamente desaparecerão todos os investimentos na agricultura. Quero dizer: vão remover fisicamente as ricas terras negras ucranianas.

Chernozem
A Ucrânia já conhece a integração europeia de 1941-1944. As autoridades da ocupação exportavam, da Ucrânia para a Alemanha, terras negras e mão de obra, sobretudo trabalho feminino.

Hoje, já se vê acontecer exatamente o mesmo. O atual governo ucraniano é governo de autoridades de ocupação. Foram mandados para lá pelos EUA e pela União Europeia e com certeza implantarão lá a mesma política. Mulheres ucranianas são item apreciadíssimo na Europa. Levadas do país, tornam-se o principal item de exportação da Ucrânia.

As “recomendações” do FMI são daninhas para a indústria, para a construção e para a agricultura ucranianas. Mas são utilíssimas para as “metas” de EUA e europeus.

Especuladores ocidentais atraem dinheiro para o mercado financeiro deles, onde, como se sabe, imprime-se dinheiro alucinadamente, há anos. Ao longo da última década, a base monetária na Europa e nos EUA foi multiplicada algo entre 3 e 5 vezes.

O FMI, portanto, impõe aos nossos países a política de contração na oferta de dinheiro, substituindo o dinheiro que falta por empréstimos e investimentos estrangeiros, e usando todos os tipos de fundos especulativos.

Hoje, você pode comprar patrimônio ucraniano por preço de liquidação. Adiante, o mesmo patrimônio será revendido a investidores diretos. A economia ucraniana nada obterá, além de pequeno aumento nas reservas de moeda estrangeira. Mas não bastará para estabilizar a economia.

Qualquer especialista mentalmente são que observe essas condições, aconselhará a recompor a cooperação com a Rússia. Salvar uma zona de livre comércio com o East Asian Economic Cáucus (EAEC) e voltar à via da integração eurasiana. Simplesmente, não há outra via para o desenvolvimento sustentável da economia ucraniana.

É necessário revisar o acordo com a UE e passar a basear-se nos interesses dos produtores ucranianos, com cooperação com a Rússia. (...)

Enquanto isso...

As atuais autoridades ucranianas sem dúvida possível roubarão tudo. Afinal, pelo que tenho ouvido, já se exige a demissão do presidente do Banco Nacional da Ucrânia por, precisamente, suspeita de roubo. As autoridades ucranianas já implantaram um sistema de múltiplos canais – mas não para a economia: só para elas mesmas. Falo de créditos especiais autorizados pelo BNU para bancos comerciais associados com Kolomoisky, Poroshenko e Yatsenyuk. Organizações criminosas sempre operaram precisamente desse modo.

As autoridades ucranianas usam o poder para a finalidade exclusiva do enriquecimento pessoal delas mesmas. O que poderia ser mais fácil? Mande o BNU imprimir dinheiro a ser “pago” aos bancos deles, os quais, a seguir, requererão que o BNU troque aquele dinheiro por dólares; e os bancos deles exportarão os dólares para empresas offshore.

Esse é hoje o principal “business” esquemão dos eurolíderes postos no governo da Ucrânia. Talvez a missão do FMI, hoje, seja – talvez – dar combate aos oligarcas “financistas” em Kiev. Mas entre esses dois males nem vale a pena escolher.

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[*] Sergey Yurievich Glazyev ( em russo: Сергей Юрьевич Глазьев). É político e economista; membro titular da Academia Russa de Ciências desde 2008. Foi ministro e membro da Duma (Parlamento russo) de 1993 até 2007, quando se tornou o principal Conselheiro Político do Presidente Vladimir Putin.
Nasceu em 1/1/1961 em Zaporizhia na ex-União Soviética, hoje território da Ucrânia, filho de pai russo e mãe ucraniana. Glazyev frequentou a Universidade de Moscou, onde obteve os graus de bacharel, mestrado e doutorado em Economia. Deixou a universidade em 1990. No ano seguinte, ele entrou para o serviço do governo, tornando-se primeiro Vice-Ministro das Relações Econômicas Externas. Serviu nesta função por um ano, e depois foi promovido a Ministro onde permaneceu até 1993, quando saiu para concorrer a um cargo na Duma.
Foi eleito pelo Partido Democrático da Rússia em 1993. Renunciou ao mandato antes de completar o 4 anos, pois foi nomeado como membro do Conselho Econômico da Federação da Rússia e Chefe do departamento de análise desse Conselho. 
Em 1999, decidiu novamente concorrer à Duma sendo eleito como independente na lista do Partido Comunista da Federação Russa. Em 2003, abandonou o partido para ajudar a formar a Rodina, partido nacionalista, na ala esquerda do espectro político russo. Naquele ano, ele se tornou um dos 37 candidatos eleitos pela Rodina a Duma.
Glazyev anunciou sua aposentadoria da política em março de 2007, e disse que não tinha mais intenção de buscar novo mandato na Duma. Em julho de 2012, Putin o  nomeou como Assessor Presidencial para a coordenação do trabalho dos órgãos federais no desenvolvimento da União Aduaneira da Bielorrússia, Cazaquistão e Rússia.
Glazyev é autor de mais de quarenta livros e centenas de artigos, ensaios e documentos de pesquisa. Em 1995 foi premiado com a Medalha de Ouro Kondratieff pela Fundação Internacional ND Kondratieff e da Academia Russa de Ciências Naturais (RAEN).
Em 17 de março de 2014, no dia seguinte após o referendo da Criméia, Glazyev tornou-se uma das primeiras sete pessoas sancionadas pelo Presidente Obama. As sanções congelaram seus ativos nos EUA e o proibiu de entrar nos Estados Unidos.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Racha na Aliança Atlântica - Mentiras e provocações da OTAN

10/3/2015, [*] Mike Whitney, Counterpunch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


A guerra foi provocada para destruir o mundo russo, arrastar a Europa para a guerra e cercar a Rússia com países hostis. Ao desencadear essa guerra planetária, os EUA tentam encontrar alguma saída para seus problemas internos.
Sergey Glazyev, Conselheiro do presidente Vladimir Putin



As elucubrações acima, do principal comandante da OTAN na Europa, general Philip Breedlove, meteram uma cunha entre a Alemanha e os EUA que pode levar ao colapso da Aliança Atlântica. Segundo a revista alemã Der Spiegel, Breedlove várias vezes sabotou as tentativas da chanceler Angela Merkel para encontrar uma solução diplomática para a guerra na Ucrânia, sempre distribuindo “perigosa propaganda” que está mal informando a opinião pública sobre “avanços de tropas na fronteira (e) o acúmulo de munição e colunas de tanques supostos russos”.

Mas, embora o artigo, raro pela contundência das críticas, destaque isoladamente Breedlove pelos exageros ridículos sobre inexistente invasão russa, o verdadeiro objetivo da matéria publicada pela Spiegel é alertar Washington de que os líderes da União Europeia não apoiarão nenhuma política de confrontação militar com Moscou.

Philip Breedlove na OTAN
Antes de explicar o que está acontecendo, é preciso ler um excerto do artigo. Segundo a Spiegel:

(…)  já há meses a chancelaria limita-se a balançar a cabeça com desagrado, cada vez que a OTAN, sob o comando de Breedlove, vem a público para anunciar, com espalhafato, movimentos de tropas ou tanques russos (...). O que mais incomoda Berlim é o tom dos “anúncios” de Breedlove. Notícias falsas, relatos visivelmente exagerados, alertou um alto funcionário alemão, em recente reunião sobre a Ucrânia, expõem a OTAN — e, por extensão, todo o ocidente – ao risco de perder a credibilidade.

Os exemplos abundam (...) No começo da crise, o general Breedlove anunciou que os russos teriam deslocado 40 mil soldados para a fronteira ucraniana e disse que a invasão poderia começar a qualquer momento. A situação, disse o homem, seria “incrivelmente preocupante”. Mas agentes da inteligência de países membros da OTAN já haviam descartado completamente qualquer possibilidade de invasão russa. Para eles, nem a composição nem o equipamento das tropas eram consistentes com qualquer invasão iminente.

Os especialistas logo desmentiram praticamente todos os itens do que Breedlove dissera. Não havia 40 mil soldados na fronteira; eram muito menos de 30 mil e talvez bem menos de 20 mil. Além do mais o equipamento militar não estava com certeza próximo da fronteira para qualquer invasão, e já haviam estado na mesma região antes do início do conflito. Além do mais, não havia nenhum sinal de movimentação para preparação logística de alguma invasão, como quartéis-generais de campanha.

Breedlove continuou a fazer, como antes já fizera, declarações inexatas, contraditórias e, até, declarações absolutamente erradas. (...)

Dia 12/11/2014, durante visita a Sofia, Bulgária, Breedlove relatou que “vimos colunas de equipamento russo – basicamente tanques russos, artilharia russa e sistemas russos de defesa, além de tropas russas de combate — entrando na Ucrânia”. “Seria”, disse ele, “a mesma informação que a OSCE está distribuindo”. Mas a OSCE só falara de comboios militares dentro da Ucrânia, no leste do país. Nenhum observador da OSCE jamais disse coisa alguma sobre tropas vindas da Rússia.

Breedlove não vê motivo algum para revisar suas intervenções. “Mantenho tudo que já disse nos pronunciamentos feitos durante a crise na Ucrânia” – escreveu ele à revista Spiegel, em resposta ao convite para que se manifestasse acompanhado de uma lista de suas controversas declarações.(Breedlove’s Bellicosity: Berlin Alarmed by Aggressive OTAN Stance on Uckraine [Belicosidade de Breedlove: Berlin está assustada com a posição agressiva da OTAN sobre a Ucrânia], Der Spiegel).

Por mais que se possa escorregar na superfície da narrativa da revista Spiegel, de um militarista ensandecido que estaria tentando arrastar a Europa para sempre mais perto da IIIª Guerra Mundial, o roteiro parece ser outro, ardilosamente construído. Como sabem todos que acompanham o fiasco do “ocidente” na Ucrânia ao longo do ano passado, nada há de extraordinário nas distorções e sandices de Breedlove. O Secretário de Estado, John Kerry, repetiu as mesmas sandices várias vezes, como vários outros, para vários veículos. As mentiras sobre alguma “agressão russa” são a regra, não a exceção em toda a imprensa-empresa mundial de repetição.

Breedlove, Merkel e Philip Murphy (Embaixador dos EUA na Alemanha) - foto de 2009
Assim sendo, por que a revista Spiegel teria resolvido, de repente, pôr-se a atacar Breedlove, o qual, afinal, nem é mais mentiroso que qualquer outro? O que está realmente acontecendo?

Bem claramente, Spiegel está operando para ajudar Merkel, vale dizer, para minar a credibilidade do comandante do exército de Washington na Europa, para desencorajar qualquer escalada da guerra na Ucrânia.  Sim. Mas Merkel não cuidou só de humilhar Breedlove para mostrar que a Alemanha não se manterá imóvel e sentada sobre as mãos enquanto Washington empurra a Europa para o fundo do abismo; ela também cuidou atentamente, ao mesmo tempo em que humilhava nomeadamente só o general, de poupar Kerry e Obama, que não ouviram crítica alguma.

É atitude significativa, porque a verdade é que todos, absolutamente todos, os supracitados e outros – virtualmente todo o establishment político e toda a imprensa-empresa de repetição e respectivos lobbies nela ativados – todos mentiram sempre sem parar, sobre praticamente todos os aspectos do conflito ucraniano. Merkel não quis desacreditar todos esses (mas a matéria da Spiegel sugere fortemente que ela poderá “bater mais”, se o “mau comportamento” [do general] persistir).

O artigo em Spiegel foi parte de um movimento de “saque e voleio” para forçar Washington a alterar a sua atitude confrontacional. O segundo “ataque-voleio” veio logo no domingo à tarde, quando o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, anunciou que a Europa precisa constituir exército próprio. Eis o que a agência Reuters noticiou:

Jean-Claude Juncker
A União Europeia precisa de seu próprio exército para enfrentar a Rússia e outras ameaças, e para restaurar a posição da política exterior do bloco em todo o mundo, disse o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker a um jornal alemão no domingo (...).

Com seu exército próprio, a Europa pode reagir com mais credibilidade a qualquer ameaça à paz em estado membro ou em estado vizinho.

Ninguém pensa em exército europeu a ser imediatamente mobilizado, Mas um exército europeu comum a todos os países enviaria clara mensagem à Rússia de que falamos sério sobre defender nossos valores europeus.(Juncker calls for EU army, says would deter Rússia, Reuters).

Viram o que está acontecendo? Com uma mão, Merkel–Spiegel dá uma martelada na credibilidade do principal comandante da OTAN; com a outra, o Presidente da Comissão Europeia–Reuters atropela os negociadores norte-americanos e anuncia seu plano para criar uma força europeia de combate independente, que tornará a OTAN redundante. São dois grandes desenvolvimentos que, sem dúvida, deixaram zonzos a trupe que cerca Obama. É ataque direto, frontal, ao papel da OTAN como grande garantidora da segurança regional da União Europeia.

Talvez a opinião pública europeia não seja suficientemente simplória e ingênua a ponto de engolir a ideia, perfeitamente absurda, de Junker, para quem um exército da União Europeia “enviaria clara mensagem” ao mundo; mas com absoluta certeza ninguém, no n. 1.600 da Pennsylvania Avenue acreditou nessa. Todo o movimento foi pensado para enviar a Washington o “recado” de que a Europa está farta das andanças da OTAN e quer mudanças. O recado para Breedlove e a turma dele é “tome jeito ou tome seu rumo”.

Vladimir Putin e Angela Merkel ombro-a-ombro
Ironicamente, esses mesmos movimentos põem Merkel alinhada ombro-a-ombro com o modo como Putin vê as coisas, nos termos de seu famoso discurso de Munique, em 2007, quando disse:

Estou convencido de que alcançamos aquele momento decisivo quanto temos de pensar seriamente sobre a arquitetura da segurança global. E temos de seguir adiante, procurando um equilíbrio razoável entre os interesses de todos os participantes no diálogo internacional. (...) Os EUA já extravasaram para fora de suas fronteiras nacionais por todas as vias imagináveis. (...) E é claro que isso é extremamente perigoso (...). Resulta em que ninguém se sente jamais seguro. É preciso enfatizar – ninguém se sente jamais seguro.(Vladimir Putin, 10/2/2007, 43ª Conferência de Segurança de Munique).

Como os EUA poderiam apresentar-se como “defensores do sistema de segurança global”, quando as intervenções norte-americanas deixaram pelo caminho uma tão longa trilha de estados destruídos, da fronteira sul da Somália ao extremo norte da Ucrânia, rastro caótico de ruínas fumegantes e de indescritível sofrimento humano, comparável às depredações do 3º Reich?!

Nenhuma segurança poderá jamais ser assegurada à Europa por uma entidade semeadora de guerras, controlada pelos EUA, que só age com vistas a atender os interesses de Washington. Nesse momento, a OTAN obtém dos EUA 75% dos fundos que a mantêm, motivo pelo qual a aliança vive muito menos interessada em fazer alguma paz ou em promover alguma segurança, e muito mais se dedica a internacionalizar sua guerra imperial de agressão por todo o planeta. Antes da crise na Ucrânia, os líderes europeus não perceberam o perigo desse arranjo estúpido (embora as intervenções norte-americanas na Sérvia, na Líbia, no Afeganistão devessem ter bastado para lhes abrir os olhos).

Mas agora, quando os movimentos ensandecidos, temerários, da OTAN já criaram o risco real de vaporizar a Europa numa tempestade de fogo nuclear; líderes como Merkel e Hollande parecem estar começando a mudar a sua velha cantoria.

Que ninguém esqueça: o cenário ideal para os EUA seria guerra limitada que arrase grandes porções dos continentes europeu e asiático, devolvendo os EUA ao posto que tinham no final da IIª Guerra Mundial, quando ninguém cogitava de “rublo-izar” o mundo. Talvez seja excelente projeto para maníacos genocidas e guerreiros de poltrona, que comandam o mundo da segurança de seus bens abastecidos bunkers em Washington, DC. Mas para a Europa, essa não é, definitivamente, estratégia vencedora.

A Europa não quer guerra, e com certeza não quer ser usada como bucha de canhão para maior glória de uma Nova Ordem Mundial distópica.

Sergey Glazyev
Sergey Glazyev, Conselheiro de Putin, mostrou que Washington estava agindo já muito antes de Kiev lançar sua desgraçada campanha “antiterroristas” contra federalistas rebeldes no leste. Eis como Glazyev resume tudo isso:

A principal tarefa que os norte-americanos determinaram para seus fantoches operados à distância na junta de Kiev foi arrastar a Rússia para guerra total com a Ucrânia. Para essa finalidade, cometeram-se todos aqueles crimes horrendos – para forçar a Rússia a enviar tropas à Ucrânia para proteger a população civil (...).

A bancarrota do sistema financeiro nos EUA, incapaz de honrar o serviço da própria dívida externa; a falta de investimentos para financiar o salto para uma nova ordem tecnológica e para manter a competitividade da indústria norte-americana; e a já previsível possível derrota na competição geopolítica contra a China. Para resolver esses problemas, os EUA precisam de uma guerra de novo mundo. (Sergey Glazyev).

Bingo. O império em acentuado e persistente declínio, cuja fatia no PIB mundial só faz encolher ano a ano, precisava, já desde o início, de uma guerra. Não há outro meio pelo qual os EUA consigam reverter o rápido declínio econômico, preservando para si o posto de única superpotência. Felizmente, já há governantes na União Europeia que começam a erguer a cabeça do buraco na areia, o suficiente, pelo menos, para perceber o que se passa e alterar a própria atitude.

Vale registrar que ninguém no governo Merkel ou em lugar algum desmentiu publicamente a matéria da revista Spiegel. Por quê?

Esse silêncio parece sugerir que todos sabem, há tempos, que a propaganda anti-Putin não passa de conversa à toa; que o tal “Putin-do-mal” que os EUA tentam construir não mandou tropas e soldados para o outro lado da fronteira da Ucrânia; que não foi Putin quem derrubou o avião da Malaysian Airlines; que Putin não matou nenhum “líder da oposição”, a tiros, no meio da rua, a poucos metros do Kremlin. Isso, sim, parece estar sendo dito, bem claramente, naquele silêncio dos europeus.

-- Olha o que o Obama me mandou!
É claro que sim. A razão pela qual nenhuma autoridade se manifestou a favor da OTAN é – como a revista Spiegel reconhece cinicamente – que “é necessária uma mistura de argumentação política e propaganda militar”.

“Propaganda necessária?”

Hah-hah! Afinal um reconhecimento que só muito raramente se vê na imprensa–empresa. Mas é pura verdade, não? Os euro-líderes deixaram-se enganar na onda de mentiras sempre usadas para manter as massas submissas e alinhadas. Em outras palavras, como sempre: forte dose de “gerenciamento de percepções” para o rebanho, mas a verdade, claro, para nossos reverenciados amos-senhores-patrões. Sempre foi assim. Até que, agora, de repente, aquelas mesmas elites amestradas resolveram partilhar a verdade com a massa ignara e servem-se da revista Spiegel?! Mas... por quê? Por que essa repentina vontade incontrolável de (o governo alemão) declarar e de (a revista Spiegel) publicar verdades?!

É porque aquelas elites europeias já não apoiam as políticas de Washington. Essa é a razão.

Ninguém mais na Europa quer que os EUA armem e treinem o exército ucraniano. Ninguém mais na Europa quer que os EUA mandem 600 paraquedistas para Kiev e aumentem o apoio logístico que os EUA dão a Kiev. Ninguém mais na Europa quer saber de escalada na guerra na Ucrânia, porque ninguém na Europa quer saber de guerra contra a Rússia. Mais simples, impossível.

Sr.Presidente... Que orelhas grandes você tem!
Pela primeira vez, líderes europeus, especialmente Angela Merkel, compreendem com clareza que os objetivos estratégicos dos EUA (o pivô para a Ásia) não se alinham com os objetivos da União Europeia. Na verdade, as ambições geopolíticas de Washington são grave ameaça à segurança europeia.

Lamentavelmente, não basta que Merkel apenas compreenda o que está acontecendo. Ela precisa atrair para o seu lado os colegas europeus e dar passos positivos, ativos, para fazer descarrilar agora o plano de Washington. Sem isso, os EUA continuarão a forjar mais e mais atentados, mais e mais assassinatos sob falsa bandeira, até que Putin seja obrigado a responder. Quando acontecer, muito provavelmente já será inevitável a guerra catastrófica, generalizada, pela qual os EUA anseiam.
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[*] Mike Whitney é escritor e jornalista norte-americano que dirige sua própria empresa de paisagismo em Snohomish (área de Seattle), WA, EUA. Trabalha regulamente como articulista freelance nos últimos 7 anos. Em 2006 recebeu o premio Project Censored por uma reportagem investigativa sobre a Operation FALCON, uma massiva, silenciosa e criminosa operação articulada pela administração Bush (filho) que visava concentrar mais poder na presidência dos EUA. Escreve regularmente em Counterpunch e vários outros sites. É co-autor do livro Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion (AK Press) o qual também está disponível em Kindle edition.
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