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quinta-feira, 12 de março de 2015

Exército da União Europeia: mais um sinal de impotência

10/3/2015, The SakerThe Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Muuuuuito mais importante e significativo, como demonstração de poder e de dignidade, seria simplesmente dizer “não” a qualquer das ordens que Tio Sam dá àqueles eurocretinos.


The Saker
Vocês com certeza ouviram falar da tentativa europeia para dar alguma relevância ao “continente”: agora inventaram de criar um “Exército da União Europeia”. [1] Em parte, é tentativa, pelos europeus, de mostrar que são importantíssimos e que sabem fazer alguma coisa sem serem mandados, que não são completamente lacaios dos EUA. Pode também ser reação às sandices do general Philip Breedlove, comandante do Supremo Comando Europeu e do Comando Aliado (dos EUA) na Europa [orig. U.S. European Command and the Supreme Allied Commander Europe (SACEUR)] cujas declarações incendiárias  valeram-lhe até resposta em várias páginas na revista Der Spiegel (circulam rumores de que os europeus querem demitir Breedlove).

Seja como for, a ideia de inventar-se algum tipo de exército europeu não é novidade – já existiram a Brigada Franco-Alemã e o Eurocorps. Tudo muito bem, mas só no papel. A realidade é que ninguém, na Europa, tem dinheiro para pagar por nenhum futuro exército da União EuropeiaMas, ainda pior, é que mesmo dentro da OTAN a contribuição europeia é praticamente nenhuma.

Para começar observem esse gráfico que mostra a contribuição de cada estado-membro da OTAN em 2013:


Claro que os EUA pagam a parte do leão, e se se acrescenta a parte do poodle britânico, a anglofatia cresce ainda mais. E não é tudo. Considerem-se os dois países seguintes (e praticamente os únicos) relevantes, Alemanha e França. Não apenas a contribuição financeira deles é muito pequena, como seus respectivos exércitos são total lástima. Russia Insider acaba de publicar excelente análise das condições atuais do exército alemãoà qual gostaria de acrescentar outro artigo, intitulado O Exército francês não tem um vintém e está com o moral abaixo de zero – que chega a conclusões semelhantes sobre os franceses em armas.

E quanto ao resto da OTAN? – vocês podem perguntar.

São piada ainda mais patética que França e Alemanha. Os únicos militares que restaram são o exército turco, que jamais aceitará participar de “exército europeu” e que, aliás, provavelmente nem seria convidado (porque os europeus ainda nem admitiram que “os muçulmanos” entrem na União Europeia, para começo de conversa!). O que resta são forças aéreas e marinhas semidecentes, mas sem reais capacidades combinadas de armas. Para concluir, a Europa inteira sempre dependeu dos EUA para inteligência, principalmente inteligência de guerra. Implica dizer que aquelas forças armadas e marinhas são, de fato, completamente dependentes do Tio Sam.

O que nos deixa com palhaços da Europa Central como Polônia e Lituânia. Para avaliar a real “contribuição” deles, basta pensar no exército da Geórgia em 2008, que foi totalmente treinado e integralmente equipado pela mesma gente que está treinando e equipando os centro-europeus.

A verdade é que ninguém na Europa tem dinheiro para qualquer coisa além de ar engarrafado, e os militares europeus só servem para esse enfatuado sacudir dos sabres, não convincente, que exibiram a Noruega ou as “forças navais” da OTAN no Mar Negro (no Mar Negro, qualquer navio é sempre alvo  fácil  para o exército russo). Vídeo a seguir mostrando o tipo de embarcações disponíveis no Mar Negro:


E, além de nada disso atemorizar ou “conter” a Rússia que, para começar a conversa, não tem qualquer intenção hostil, só contribuirá para piorar as relações, como já se viu na recente decisão dos russos de afastarem-se completamente do Tratado das Forças Armadas Convencionais na Europa [ing. CFE].

Essa mais recente iniciativa dos europeus, longe de sinalizar qualquer tipo de “despertar” europeu, é só mais uma prova da espantosa carência de capacidade política para governar, dos ‘líderes’ que estão no poder em Bruxelas e nas capitais europeias. 

Muuuuuuuuuuuuito mais importante e significativo, como demonstração de poder e de dignidade, seria simplesmente dizer “não” a qualquer das ordens que Tio Sam dá àqueles eurocretinos.

Mas isso – é pena –não acontecerá tão cedo.

The Saker
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Nota dos tradutores

[1] Ver também na redecastorphotoRacha na Aliança Atlântica. Mentiras e provocações da OTAN, 10/3/2015, Mike Whitney, Counterpunch (traduzido).

quarta-feira, 11 de março de 2015

Racha na Aliança Atlântica - Mentiras e provocações da OTAN

10/3/2015, [*] Mike WhitneyCounterpunch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


A guerra foi provocada para destruir o mundo russo, arrastar a Europa para a guerra e cercar a Rússia com países hostis. Ao desencadear essa guerra planetária, os EUA tentam encontrar alguma saída para seus problemas internos.
Sergey Glazyev, Conselheiro do presidente Vladimir Putin



As elucubrações acima, do principal comandante da OTAN na Europa, general Philip Breedlove, meteram uma cunha entre a Alemanha e os EUA que pode levar ao colapso da Aliança Atlântica. Segundo a revista alemã Der Spiegel, Breedlove várias vezes sabotou as tentativas da chanceler Angela Merkel para encontrar uma solução diplomática para a guerra na Ucrânia, sempre distribuindo “perigosa propaganda” que está mal informando a opinião pública sobre “avanços de tropas na fronteira (e) o acúmulo de munição e colunas de tanques supostos russos”.

Mas, embora o artigo, raro pela contundência das críticas, destaque isoladamente Breedlove pelos exageros ridículos sobre inexistente invasão russa, o verdadeiro objetivo da matéria publicada pela Spiegel é alertar Washington de que os líderes da União Europeia não apoiarão nenhuma política de confrontação militar com Moscou.

Philip Breedlove na OTAN
Antes de explicar o que está acontecendo, é preciso ler um excerto do artigo. Segundo a Spiegel:

(…)  já há meses a chancelaria limita-se a balançar a cabeça com desagrado, cada vez que a OTAN, sob o comando de Breedlove, vem a público para anunciar, com espalhafato, movimentos de tropas ou tanques russos (...). O que mais incomoda Berlim é o tom dos “anúncios” de Breedlove. Notícias falsas, relatos visivelmente exagerados, alertou um alto funcionário alemão, em recente reunião sobre a Ucrânia, expõem a OTAN — e, por extensão, todo o ocidente – ao risco de perder a credibilidade.

Os exemplos abundam (...) No começo da crise, o general Breedlove anunciou que os russos teriam deslocado 40 mil soldados para a fronteira ucraniana e disse que a invasão poderia começar a qualquer momento. A situação, disse o homem, seria “incrivelmente preocupante”. Mas agentes da inteligência de países membros da OTAN já haviam descartado completamente qualquer possibilidade de invasão russa. Para eles, nem a composição nem o equipamento das tropas eram consistentes com qualquer invasão iminente.

Os especialistas logo desmentiram praticamente todos os itens do que Breedlove dissera. Não havia 40 mil soldados na fronteira; eram muito menos de 30 mil e talvez bem menos de 20 mil. Além do mais o equipamento militar não estava com certeza próximo da fronteira para qualquer invasão, e já haviam estado na mesma região antes do início do conflito. Além do mais, não havia nenhum sinal de movimentação para preparação logística de alguma invasão, como quartéis-generais de campanha.

Breedlove continuou a fazer, como antes já fizera, declarações inexatas, contraditórias e, até, declarações absolutamente erradas. (...)

Dia 12/11/2014, durante visita a Sofia, Bulgária, Breedlove relatou que “vimos colunas de equipamento russo – basicamente tanques russos, artilharia russa e sistemas russos de defesa, além de tropas russas de combate — entrando na Ucrânia”. “Seria”, disse ele, “a mesma informação que a OSCE está distribuindo”. Mas a OSCE só falara de comboios militares dentro da Ucrânia, no leste do país. Nenhum observador da OSCE jamais disse coisa alguma sobre tropas vindas da Rússia.

Breedlove não vê motivo algum para revisar suas intervenções. “Mantenho tudo que já disse nos pronunciamentos feitos durante a crise na Ucrânia” – escreveu ele à revista Spiegel, em resposta ao convite para que se manifestasse acompanhado de uma lista de suas controversas declarações.(Breedlove’s Bellicosity: Berlin Alarmed by Aggressive OTAN Stance on Uckraine [Belicosidade de Breedlove: Berlin está assustada com a posição agressiva da OTAN sobre a Ucrânia], Der Spiegel).

Por mais que se possa escorregar na superfície da narrativa da revista Spiegel, de um militarista ensandecido que estaria tentando arrastar a Europa para sempre mais perto da IIIª Guerra Mundial, o roteiro parece ser outro, ardilosamente construído. Como sabem todos que acompanham o fiasco do “ocidente” na Ucrânia ao longo do ano passado, nada há de extraordinário nas distorções e sandices de Breedlove. O Secretário de Estado, John Kerry, repetiu as mesmas sandices várias vezes, como vários outros, para vários veículos. As mentiras sobre alguma “agressão russa” são a regra, não a exceção em toda a imprensa-empresa mundial de repetição.

Breedlove, Merkel e Philip Murphy (Embaixador dos EUA na Alemanha) - foto de 2009
Assim sendo, por que a revista Spiegel teria resolvido, de repente, pôr-se a atacar Breedlove, o qual, afinal, nem é mais mentiroso que qualquer outro? O que está realmente acontecendo?

Bem claramente, Spiegel está operando para ajudar Merkel, vale dizer, para minar a credibilidade do comandante do exército de Washington na Europa, para desencorajar qualquer escalada da guerra na Ucrânia.  Sim. Mas Merkel não cuidou só de humilhar Breedlove para mostrar que a Alemanha não se manterá imóvel e sentada sobre as mãos enquanto Washington empurra a Europa para o fundo do abismo; ela também cuidou atentamente, ao mesmo tempo em que humilhava nomeadamente só o general, de poupar Kerry e Obama, que não ouviram crítica alguma.

É atitude significativa, porque a verdade é que todos, absolutamente todos, os supracitados e outros – virtualmente todo o establishment político e toda a imprensa-empresa de repetição e respectivos lobbies nela ativados – todos mentiram sempre sem parar, sobre praticamente todos os aspectos do conflito ucraniano. Merkel não quis desacreditar todos esses (mas a matéria da Spiegel sugere fortemente que ela poderá “bater mais”, se o “mau comportamento” [do general] persistir).

O artigo em Spiegel foi parte de um movimento de “saque e voleio” para forçar Washington a alterar a sua atitude confrontacional. O segundo “ataque-voleio” veio logo no domingo à tarde, quando o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, anunciou que a Europa precisa constituir exército próprio. Eis o que a agência Reuters noticiou:

Jean-Claude Juncker
A União Europeia precisa de seu próprio exército para enfrentar a Rússia e outras ameaças, e para restaurar a posição da política exterior do bloco em todo o mundo, disse o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker a um jornal alemão no domingo (...).

Com seu exército próprio, a Europa pode reagir com mais credibilidade a qualquer ameaça à paz em estado membro ou em estado vizinho.

Ninguém pensa em exército europeu a ser imediatamente mobilizado, Mas um exército europeu comum a todos os países enviaria clara mensagem à Rússia de que falamos sério sobre defender nossos valores europeus.(Juncker calls for EU army, says would deter RússiaReuters).

Viram o que está acontecendo? Com uma mão, Merkel–Spiegel dá uma martelada na credibilidade do principal comandante da OTAN; com a outra, o Presidente da Comissão Europeia–Reuters atropela os negociadores norte-americanos e anuncia seu plano para criar uma força europeia de combate independente, que tornará a OTAN redundante. São dois grandes desenvolvimentos que, sem dúvida, deixaram zonzos a trupe que cerca Obama. É ataque direto, frontal, ao papel da OTAN como grande garantidora da segurança regional da União Europeia.

Talvez a opinião pública europeia não seja suficientemente simplória e ingênua a ponto de engolir a ideia, perfeitamente absurda, de Junker, para quem um exército da União Europeia “enviaria clara mensagem” ao mundo; mas com absoluta certeza ninguém, no n. 1.600 da Pennsylvania Avenue acreditou nessa. Todo o movimento foi pensado para enviar a Washington o “recado” de que a Europa está farta das andanças da OTAN e quer mudanças. O recado para Breedlove e a turma dele é “tome jeito ou tome seu rumo”.

Vladimir Putin e Angela Merkel ombro-a-ombro
Ironicamente, esses mesmos movimentos põem Merkel alinhada ombro-a-ombro com o modo como Putin vê as coisas, nos termos de seu famoso discurso de Munique, em 2007, quando disse:

Estou convencido de que alcançamos aquele momento decisivo quanto temos de pensar seriamente sobre a arquitetura da segurança global. E temos de seguir adiante, procurando um equilíbrio razoável entre os interesses de todos os participantes no diálogo internacional. (...) Os EUA já extravasaram para fora de suas fronteiras nacionais por todas as vias imagináveis. (...) E é claro que isso é extremamente perigoso (...). Resulta em que ninguém se sente jamais seguro. É preciso enfatizar – ninguém se sente jamais seguro.(Vladimir Putin, 10/2/2007, 43ª Conferência de Segurança de Munique).

Como os EUA poderiam apresentar-se como “defensores do sistema de segurança global”, quando as intervenções norte-americanas deixaram pelo caminho uma tão longa trilha de estados destruídos, da fronteira sul da Somália ao extremo norte da Ucrânia, rastro caótico de ruínas fumegantes e de indescritível sofrimento humano, comparável às depredações do 3º Reich?!

Nenhuma segurança poderá jamais ser assegurada à Europa por uma entidade semeadora de guerras, controlada pelos EUA, que só age com vistas a atender os interesses de Washington. Nesse momento, a OTAN obtém dos EUA 75% dos fundos que a mantêm, motivo pelo qual a aliança vive muito menos interessada em fazer alguma paz ou em promover alguma segurança, e muito mais se dedica a internacionalizar sua guerra imperial de agressão por todo o planeta. Antes da crise na Ucrânia, os líderes europeus não perceberam o perigo desse arranjo estúpido (embora as intervenções norte-americanas na Sérvia, na Líbia, no Afeganistão devessem ter bastado para lhes abrir os olhos).

Mas agora, quando os movimentos ensandecidos, temerários, da OTAN já criaram o risco real de vaporizar a Europa numa tempestade de fogo nuclear; líderes como Merkel e Hollande parecem estar começando a mudar a sua velha cantoria.

Que ninguém esqueça: o cenário ideal para os EUA seria guerra limitada que arrase grandes porções dos continentes europeu e asiático, devolvendo os EUA ao posto que tinham no final da IIª Guerra Mundial, quando ninguém cogitava de “rublo-izar” o mundo. Talvez seja excelente projeto para maníacos genocidas e guerreiros de poltrona, que comandam o mundo da segurança de seus bens abastecidos bunkers em Washington, DC. Mas para a Europa, essa não é, definitivamente, estratégia vencedora.

A Europa não quer guerra, e com certeza não quer ser usada como bucha de canhão para maior glória de uma Nova Ordem Mundial distópica.

Sergey Glazyev
Sergey Glazyev, Conselheiro de Putin, mostrou que Washington estava agindo já muito antes de Kiev lançar sua desgraçada campanha “antiterroristas” contra federalistas rebeldes no leste. Eis como Glazyev resume tudo isso:

A principal tarefa que os norte-americanos determinaram para seus fantoches operados à distância na junta de Kiev foi arrastar a Rússia para guerra total com a Ucrânia. Para essa finalidade, cometeram-se todos aqueles crimes horrendos – para forçar a Rússia a enviar tropas à Ucrânia para proteger a população civil (...).

A bancarrota do sistema financeiro nos EUA, incapaz de honrar o serviço da própria dívida externa; a falta de investimentos para financiar o salto para uma nova ordem tecnológica e para manter a competitividade da indústria norte-americana; e a já previsível possível derrota na competição geopolítica contra a China. Para resolver esses problemas, os EUA precisam de uma guerra de novo mundo. (Sergey Glazyev).

Bingo. O império em acentuado e persistente declínio, cuja fatia no PIB mundial só faz encolher ano a ano, precisava, já desde o início, de uma guerra. Não há outro meio pelo qual os EUA consigam reverter o rápido declínio econômico, preservando para si o posto de única superpotência. Felizmente, já há governantes na União Europeia que começam a erguer a cabeça do buraco na areia, o suficiente, pelo menos, para perceber o que se passa e alterar a própria atitude.

Vale registrar que ninguém no governo Merkel ou em lugar algum desmentiu publicamente a matéria da revista Spiegel. Por quê?

Esse silêncio parece sugerir que todos sabem, há tempos, que a propaganda anti-Putin não passa de conversa à toa; que o tal “Putin-do-mal” que os EUA tentam construir não mandou tropas e soldados para o outro lado da fronteira da Ucrânia; que não foi Putin quem derrubou o avião da Malaysian Airlines; que Putin não matou nenhum “líder da oposição”, a tiros, no meio da rua, a poucos metros do Kremlin. Isso, sim, parece estar sendo dito, bem claramente, naquele silêncio dos europeus.

-- Olha o que o Obama me mandou!
É claro que sim. A razão pela qual nenhuma autoridade se manifestou a favor da OTAN é – como a revista Spiegel reconhece cinicamente – que “é necessária uma mistura de argumentação política e propaganda militar”.

“Propaganda necessária?”

Hah-hah! Afinal um reconhecimento que só muito raramente se vê na imprensa–empresa. Mas é pura verdade, não? Os euro-líderes deixaram-se enganar na onda de mentiras sempre usadas para manter as massas submissas e alinhadas. Em outras palavras, como sempre: forte dose de “gerenciamento de percepções” para o rebanho, mas a verdade, claro, para nossos reverenciados amos-senhores-patrões. Sempre foi assim. Até que, agora, de repente, aquelas mesmas elites amestradas resolveram partilhar a verdade com a massa ignara e servem-se da revista Spiegel?! Mas... por quê? Por que essa repentina vontade incontrolável de (o governo alemão) declarar e de (a revista Spiegel) publicar verdades?!

É porque aquelas elites europeias já não apoiam as políticas de Washington. Essa é a razão.

Ninguém mais na Europa quer que os EUA armem e treinem o exército ucraniano. Ninguém mais na Europa quer que os EUA mandem 600 paraquedistas para Kiev e aumentem o apoio logístico que os EUA dão a Kiev. Ninguém mais na Europa quer saber de escalada na guerra na Ucrânia, porque ninguém na Europa quer saber de guerra contra a Rússia. Mais simples, impossível.

Sr.Presidente... Que orelhas grandes você tem!
Pela primeira vez, líderes europeus, especialmente Angela Merkel, compreendem com clareza que os objetivos estratégicos dos EUA (o pivô para a Ásia) não se alinham com os objetivos da União Europeia. Na verdade, as ambições geopolíticas de Washington são grave ameaça à segurança europeia.

Lamentavelmente, não basta que Merkel apenas compreenda o que está acontecendo. Ela precisa atrair para o seu lado os colegas europeus e dar passos positivos, ativos, para fazer descarrilar agora o plano de Washington. Sem isso, os EUA continuarão a forjar mais e mais atentados, mais e mais assassinatos sob falsa bandeira, até que Putin seja obrigado a responder. Quando acontecer, muito provavelmente já será inevitável a guerra catastrófica, generalizada, pela qual os EUA anseiam.
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[*] Mike Whitney é escritor e jornalista norte-americano que dirige sua própria empresa de paisagismo em Snohomish (área de Seattle), WA, EUA. Trabalha regulamente como articulista freelance nos últimos 7 anos. Em 2006 recebeu o premio Project Censored por uma reportagem investigativa sobre a Operation FALCON, uma massiva, silenciosa e criminosa operação articulada pela administração Bush (filho) que visava concentrar mais poder na presidência dos EUA. Escreve regularmente em Counterpunch e vários outros sites. É co-autor do livro Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion (AK Press) o qual também está disponível em Kindle edition.
Recebe e-mails por: fergiewhitney@msn.com

terça-feira, 29 de julho de 2014

A arte nada sutil da propaganda russofóbica

28/7/2014, The Saker, The Vineyard of the Saker
Tradução enviada por Sadeu Erado – professor de sumô da Vila Vudu

The Saker
Estou com a assustadora impressão de que a plutocracia ocidental decidiu que, sim, haverá guerra contra a Rússia. O que, se não isso, explicaria a coordenação PLANETÁRIA do tipo de propaganda “minuto-de-raiva” que se vê na imprensa-empresa em todo o planeta... No mesmo momento?

Comentário do Sadeu Erado: NUNCA MAIS me falem de jornalismo necessário! É ouvir falar em jornalismo necessário, eu já começo a rir! KKKKKK Mas... tuuuudo copiadinho?! Assim, na cara dura?! Tudo copiadim?!
Um prédio inteeeeeeeiro, na Marginal, só prôs carinha-lá copiarem revista ruim que já tem pronta por aí?! Revista (não)Veja?! Eu? Nem morto! KKKK.
A minha amada grana, os carinha da revista (não)Veja NUNCA verão! KKKKKK


Vejam as capas abaixo: 

IIa. Guerra Fria
O Ocidente está perdendo de Putin num jogo perigoso

O
INIMIGO NÚMERO 1 DO OCIDENTE
PÁRIA


Uma rede de mentiras

PAREM PUTIN AGORA!

OS ESPIÕES DE PUTIN NA FRANÇA

O ASSASSINO ESTÁ ESCAPANDO



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Snowden: Um Manifesto pela Verdade (íntegra)

3/11/2013, Der Spiegel, Information Clearing House
Traduzido do alemão e cotejado com a versão em inglês por João Aroldo 

Edward Snowden aprecia a paisagem do rio Moscou...


Em um curto espaço de tempo, o mundo aprendeu muito sobre a operação das agências de inteligência e sobre os programas de monitoramento muitas vezes ilegais.

Às vezes, as agências tentam mesmo esconder sua vigilância deliberadamente de altos funcionários ou do público.

Enquanto a NSA e o GCHQ (Inteligência britânica) parecem ser os piores culpados – isto é o que os documentos que agora estão sendo publicados sugerem - não podemos esquecer que a vigilância em massa é um problema global que exige soluções globais.

Tais programas não são só uma ameaça à esfera privada, eles também ameaçam a liberdade de expressão e a sociedade aberta. A existência de tecnologia de espionagem não deve determinar a política. Nós temos a obrigação moral de garantir que nossas leis e valores limitem os programas de monitoramento e protejam os direitos humanos.

A sociedade só pode entender e controlar esses problemas através de um debate aberto, informado e respeitoso. No princípio, alguns governos que se sentiram expostos pelas revelações de monitoramento em massa iniciaram uma inédita campanha de perseguição para suprimir este debate.

Eles intimidaram jornalistas e criminalizaram a publicação da verdade. Naquele momento, a opinião pública ainda não era capaz de avaliar os benefícios das revelações. Ela ainda dependia dos governos para tomar decisões corretas.

Hoje sabemos que isso foi um erro e que tal ação não serve ao interesse público.

O debate que eles queriam suprimir agora acontece em todos os países do mundo. E ao invés de serem prejudiciais, os benefícios para a sociedade desse novo conhecimento público são claros, já que agora são propostas reformas na forma de leis e controle.


Os cidadãos devem combater a supressão de informação de interesse público. Dizer a verdade não é crime.

Edward Snowden

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Edward Snowden: “Um Manifesto pela Verdade”

4/11/2013, [*] Jacob Chamberlain, Commondreams
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

As revelações, que prosseguem, sobre as práticas de vigilância avassaladora pela Agência de Segurança Nacional dos EUA, “estão levando a sociedade a exigir reformas políticas, controle social e novas leis” – escreveu Edward Snowden em carta aberta intitulada Um Manifesto pela Verdade (em alemão), na qual prega a ação internacional continuada contra os piores agressores, culpados de crime de violação da privacidade global (matéria de capa da edição dessa semana de Der Spiegel).

A carta, publicada em alemão, no domingo, na revista Der Spiegel, destaca o modo como os vazamentos de Snowden despertaram um debate crucialmente importante sobre as táticas da Agência de Segurança Nacional dos EUA e outras agências de vigilância, e cobra continuada pressão internacional contra a ação dos governos.

“Temos o dever moral de assegurar que nossas leis e valores limitem os programas de vigilância e protejam direitos humanos” – Snowden escreve na carta que, segundo a revista alemã, for redigida na 6ª-feira, em Moscou.  

“Embora a Agência de Segurança Nacional dos EUA e a agência de segurança nacional britânica,GCHQ, pareçam ser as agentes das principais agressões – pelo menos conforme os documentos que estão sendo divulgados para o grande público”, escreve Snowden – “não podemos esquecer que a vigilância massiva contra os cidadãos é problema global que exige solução global”.

Essa solução, para Snowden, seria agora possível, porque as populações sabem mais e estão mais conscientes do que acontece.

Apesar de “caça às bruxas como jamais se viu antes que ameaça jornalistas que denunciem os crimes e infrações dos governos”, escreve Snowden, “os vazamentos de material da Agência de Segurança Nacional dos EUA já ampliaram a consciência pública e continuarão a estimular uma reforma baseada no desejo dos cidadãos”.

"Manifesto pela verdade" (foto da matéria de Der Spiegel)
“Em vez de causar danos, a serventia para o grande público de uma nova compreensão já está hoje bem clara, e já se sugerem reformas de caráter político, de supervisão e novas leis” – Snowden escreveu.

“Os cidadãos têm de lutar contra a supressão de informações relativas a questões de importância essencial para a opinião pública” – como se lê em tradução publicada pela agência Reuters. “Quem diga a verdade não comete crime”.

“O mundo aprendeu muito, em curto período de tempo, sobre o quanto é irresponsável a ação das agências de segurança e, igualmente, a operação dos programas de vigilância ilegal” – escreveu ele. – “O debate que aquelas agências e agentes queriam impedir, já está em pleno andamento em muitos países, em todo o mundo”.


[*] Jacob Chamberlain é editor associado do sítio Commondreams. Além de escrever e editar artigos, gerencia a Newswire Progressive e seções de vídeos do sítio. Antes de ingressar em Commondreams - janeiro de 2012 - Jacob obteve mestrado em Cultura pós-colonial e Política Global do Goldsmiths College, University of London. Jacob ganhou valiosa experiência em vários campos e questões de justiça social em organizações progressistas, em comunicação online, mídia social e jornalismo, incluindo a Provisions Library em Washington, DC, o Institute of Race Relations em Londres, e Praxis Community Projects em Londres. 


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Mas... Tome é vergonha na cara, “Der Spiegel”!

A revista alemã Der Spiegel, alemã – uma espécie de revista (não)Veja alemã, que só não é pior que a (não)Veja brasileira, porque NÃO HÁ revista pior que a (não)Veja brasileira, noticia hoje (traduzido):

“O chefe da Segurança Nacional Alemã (BND), Gerhard Schindler apresentou mais uma pista, que ainda não foi divulgada para a mídia. Disse que a BND interceptou uma conversa telefônica entre um alto quadro da milícia libanesa Hezbollah, que apoia Assad e fornece assistência militar ao exército sírio, e a Embaixada do Irã. O quadro do Hezbollah, disse Schindler, parecia admitir que o gás venenoso foi usado. Disse que Assad perdeu a paciência e cometeu um grave erro, ao ordenar o ataque com armas químicas” [“Gas Attack: Germany Offers Clue in Search for Truth in Syria”, Matthias Gebauer, Der Spiegel]

Imediatamente se ouviu, pela rede, resposta, na lata:


Amal Saad-Ghorayeb, Consultora Sênior de Estratégia e Management 
(Hoje perto de Beirute, Líbano, pelo Facebook)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Amal Saad-Ghorayeb
Eu costumava reclamar da nossa imprensa da resistência, que sempre me parece fraca e não faz “propaganda contra-hegemônica mais sofisticada”. Mas, então, leio uma merda como essa (aí em cima) e me pergunto por que me dou o trabalho de pensar em coisas “contra-hegemônicas”. A empresa-imprensa em geral e os sabujos ocidentais não merecem mais que simples “vão à merda”, “tomem vergonha nessa cara suja, seus felásdaputa”.

O caso, agora, é essa matéria do que dá ânsias de vômito, publicada por ninguém menos que Der Spiegel, infame pelo papel que teve ao ajudar a inventar, produzir e distribuir acusações contra o Hezbullah no caso Hariri. Segundo eles, a inteligência alemã teve a felicidade de interceptar uma conversa telefônica entre alguém do Hezbollah e alguém na Embaixada do Irã, conversa na qual o quadro do Hezb culpou Assad por usar sarin.

Nem sei por que Spiegel de deu o trabalho de parafrasear a “conversa”. Bastaria escrever:

Alô, é um diplomata iraniano? Sou alto quadro do Hezbollah e resolvi telefonar prô senhor sobre questão importante que pode levar a uma guerra regional, e, para isso, porque sou perfeito idiota, estou falando de um celular comum, embora pudesse usar a rede interna do Hezbollah, que é impenetrável e que foi uma de nossas armas jamais vencidas durante a guerra de julho. Ah, sim! Como eu ia dizendo: é, tenho de admitir: Assad usou gás sarin. E por falar dele, há notícias de lá? É. Vai perder. É. Espero que essa conversa não seja gravada, porque, se for, vai dar merda.