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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Obama “exigiu” capitulação da Rússia!

30/9/2014, [*] MK BhadrakumarIndian Punchline− rediffBLOGS
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Pergunta entreouvida aqui no escritório:
“Esse qui exigiu isso é qui é o tar de Babac Obama?”


Sergey Lavrov , MRE da Rússia
O Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov é profissional muito experiente, que está na linha de frente da diplomacia mundial há mais de 40 anos, e só muito raramente, se é que alguma vez, deixou transparecer opiniões pessoais sobre políticas de outros países. Mas o seu humor cáustico é lendário.

A observação que fez ao discurso do presidente Obama dos EUA na 4ª-feira (24/9/2014) na Assembleia Geral da ONU é sinal muito vigoroso de para onde estão andando as relações russo-americanas.

Lavrov declarou-se atônito, ao descobrir que Obama lista a Rússia como segunda maior ameaça à segurança mundial – só perde para o vírus ebola – ameaça mais perigosa, até, que o Estado Islâmico. Achou muito “estranho” que Obama dissesse que o mundo é hoje mais livre e mais seguro. Lavrov então ponderou que havia algo de “orwelliano” na fala de Obama.


Em seu tempo, George Orwell inventou um “ministério da verdade”. Parece que o conceito persiste ainda hoje.

Daí em diante, foi devastador; disse que os EUA são potência predatória, desonesta, sem respeito por ninguém, e intrometidos e intrigantes, mesmo em situações que, como a Ucrânia, absolutamente não dizem respeito aos EUA. E disse que isso, exatamente, dissera ao Secretário de Estado, John Kerry, cara a cara, quando se encontraram na 5ª-feira (25/9/2014) passada, em New York.

Verdade é que Obama muito fez por merecer a resposta dos russos, depois do ataque violento que fez da tribuna da ONU semana passada. Disse coisas que ninguém havia dito até agora: que, na Ucrânia, a Rússia teria desafiado a ordem do pós-Guerra Fria ao anexar a Crimeia e enviar armas para regiões do leste do país “alimentando um violento conflito separatista que já matou milhares”, razão pela qual os EUA e aliados manteriam o curso de apoiar a Ucrânia, “reforçar” a OTAN e “impor um custo à Rússia pela agressão”, mantendo as sanções até que a Rússia “mude de rota”.

John Kerry e Sergey Lavrov em 25/9/2014
Em resumo, não importa o que tenha sido decidido no Acordo de Minsk entre Kiev e os separatistas ucranianos, não haverá qualquer “alívio” na pressão que Washington manterá contra Moscou, e na determinação para isolar a Rússia, da Europa.

Lavrov voltou ao assunto com renovado vigor depois de alguns dias, em longa entrevista que deu ao influente canal Bloomberg TV. Sua resposta, nas canelas de Obama foi: Os russos não vamos chamar “o Tio” [Sam], por causa das sanções. Em termos tenísticos, pode-se dizer que o set está empatado.

Mas qual é o plano de jogo de Obama? Já se percebem umas três, quatro coisas.

Primeiro e sobretudo, os EUA não aceitam o acordo de Minsk sobre diálogo nacional (para o qual Washington não foi chamada) como palavra final na Ucrânia.

Segundo, as sanções contra a Rússia serão mantidas por todo o futuro previsível, com o objetivo já claro de frustrar qualquer possibilidade de Moscou vir a aproximar-se da Europa.

Terceiro, Washington está satisfeitíssima com o que já alcançou até agora, no plano diplomático: governo pró-EUA em Kiev; a OTAN re-energizada; implantação militar nos estados do Báltico e na Polônia, que, antes, era impensável; uma muito necessária reafirmação da liderança transatlântica dos EUA; considerável erosão dos laços que ligam a Rússia à Europa, que, antes, estavam crescendo, e erosão de debilita politicamente e economicamente a Rússia; e, finalmente, implantação de um conjunto de sanções, entendidas elas mesmas como armas “brandas” [orig. soft]. Tudo isso não só alavanca as políticas dos EUA contra a Rússia como, ao mesmo tempo, atrapalha as relações Rússia-União Europeia, além de ferir tangivelmente interesses russos estratégicos (por exemplo, muitas dessas “medidas” já estão provocando interrupções nos projetos de petróleo que a Rússia tem para a região do Ártico, e que dependem de tecnologia ocidental), além de forçar a Rússia a deslocar recursos massivos para construir capacidade militar de defesa, em vez de continuar, como antes, lutando contra os efeitos da recessão econômica mundial.

Javad Zarif e John Kerry (New York, 25/9/2014)
Em quarto lugar, mas importante, é que se vê claramente que o governo Obama já não está absolutamente interessado em qualquer tipo de “reset” com a Rússia, até o fim do atual mandato. Dito de outro modo, Obama afastou-se da política do pós-Guerra Fria, de construir engajamento seletivo com a Rússia, em áreas que afetem preocupações e interesses básicos vitais dos EUA.

O cálculo de Washington considera que as sanções estariam empurrando a Rússia de tal modo para a defensiva, que, seja como for, Moscou já estaria psicologicamente no “pé de trás”, e que doravante terá de curvar-se cada vez mais para trás, para fugir ao convite do Ocidente para que passe a “contribuir” nos esforços conjuntos ocidentais, se quiser mitigar o próprio isolamento. Tudo isso exige exame mais elaborado.

Prima facie, consideradas as políticas exteriores dos EUA, a cooperação dos russos seria, talvez, útil para enfrentar a situação no Oriente Médio. Mas, como Obama vê esse quadro, os EUA poderiam arrastar a Rússia pelo cabresto, para a colaboração, sem que os EUA tenham de “engajar-se” com a Rússia.

Nesses termos, no que tenha a ver com combater o Estado Islâmico, a Rússia em nenhum caso fará qualquer coisa para subverter a estratégia dos EUA no Iraque (ou na Síria, não se pode esquecer) de combate ao Estado Islâmico, porque a luta contra o terrorismo, não importa a origem, também interessa a Moscou. O Afeganistão é o mais claro exemplo do pragmatismo russo, sempre que seus interesses estão em jogo.

Mais uma vez, o engajamento EUA-Irã ganhou tração, e o formato P5+1 vai-se convertendo rapidamente em guirlanda pendurada no teto, enquanto a verdadeira negociação acontece entre Kerry e o chanceler do Irã, Mohammed Javad Zarif, que se sentam regularmente à mesa, cara a cara, sem “testemunhas”. Aqui tampouco a Rússia pode (e de modo algum tentará) agir para estragar a negociação – no mínimo, porque Teerã não admitirá interferência – o que significa que Washington já não precisa do tipo de colaboração íntima que obteve de Moscou em anos recentes, no que teve a ver com isolar Teerã. De quebra, os EUA também esperam conseguir corroer também os laços estratégicos russo-iranianos.

Bashar al-Assad  (setembro de 2014)
Sim, sim: a Síria, em certa medida, continua problemática. Mas as políticas ocidentais estão ainda no início, e é preciso dar tempo ao tempo. Pode-se supor que, mais dia menos dia, o ocidente comece a negociar abertamente com o governo sírio. No momento, o governo sírio depende do apoio dos russos, mas, isso posto, o presidente Bashar Al-Assad também tem poderosos e afinados instintos de sobrevivência política, e nas circunstâncias atuais o objetivo dele, visivelmente, é posicionar a Síria na mesma página que as potências ocidentais, para a próxima luta contra o Estado Islâmico. Na medida em que o tempo vai passando, é possível que Bashar comece a “temperar” o apoio russo, de modo a poder, ele também, negociar diretamente com Paris e/ou Washington.

Nesse sentido, é muito significativo que Paris tenha optado por manter-se longe dos ataques à Síria comandados pelos EUA, dado o papel histórico que a França teve no acordo Sykes-Picot de 1916 e, também, dadas as aspirações atuais a converter-se numa espécie de intermediário e árbitro em qualquer futura transição na Síria – papel para o qual a França está muito bem posicionada, muito mais bem posicionada que a Rússia. É perfeitamente admissível e razoável que Paris esteja em íntima coordenação com o governo Obama, fazendo a sintonia fina da posição atual de sua diplomacia para a Síria.

Tudo isso considerado, portanto, interessa aos EUA que não aconteça nenhum alívio real nas pressões sobre a Rússia. No mínimo dos mínimos, conseguirão manter a Rússia ocupada no atoleiro ucraniano, o que a impede de ter papel mais efetivo em outras regiões nas quais há envolvidos interesses centrais dos EUA. Paradoxalmente, portanto, qualquer “conflito congelado” na Ucrânia também interessa a Washington.

Nova Rota da Seda na Ásia Central 
(clique na imagem para visualizar)
Interessante e significativo, o governo Obama ressuscitou recentemente seu moribundo projeto da Rota da Seda na Ásia Central. O “recado” ao Kremlin é bem claro:

Cutucaremos vocês nas praias e nas montanhas, onde bem entendermos. E vamos mantê-los em angústia permanente.

Washington confia que os “ocidentalistas” [1] que tradicionalmente dominaram a elite de Moscou e que não vivem sem interação social com os países europeus, muitos dos quais parceiros até em nível pessoal, começarão, em dado momento, a trabalhar para impor mudanças de curso nas políticas russas. O governo Obama está convencido de que o tempo corre a seu favor, não a favor da Rússia. É jogada de alto risco, claro, porque gera as mais gigantescas incertezas contra a segurança internacional – até que um dos lados pisque.
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Nota dos tradutores
[1] São os que o Saker chama de “Integracionistas Atlanticistas” ou “5ª coluna” (p. ex. em: 20/9/2014,redecastorphotoUcrânia: Relatório de Situação (SITREP), 18/9/2014, 17h30 UTC/Zulu
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[*] MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Oriente Médio, Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de geopolítica, de energia e de segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu e Ásia Times Online, Al Jazeera, Counterpunch, Information Clearing House, e muita outras. Anima o blog Indian Punchline no sítio Rediff BLOGS. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala, Índia.

sábado, 27 de setembro de 2014

Olhadela por dentro do acordo secreto EUA-Arábia Saudita

(que gerou o ataque contra a Síria)

25/9/2014, [*] Tyler DurdenZeroHedge
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Bashar al Assad é saudado em Damasco
Para aqueles a cujos olhos o recente ataque dos EUA à Síria parece cena déjà vue da tentativa de criar “próxima guerra” do verão passado para derrubar o presidente Bashar al-Assad, e que foi impedida no último segundo graças a muito bem vinda intervenção dos russos e um quase início de guerra no Mediterrâneo entre navios russos e norte-americanos, o seguinte: parece déjà vu, porque é déjà vu. Lembro também que, como no ano passado, o coringa-agente na intervenção contra o estado sírio soberano, ou, como alguns já dizem, invasão ou mesmo guerra, não são (só) os EUA, mas a Arábia Saudita – relembrem agosto de 2013, Conheçam Bandar Bin Sultan da Arábia Saudita: é quem movimenta os fantoches por trás da Guerra à Síria (ing.).

Bin Sultan foi oficialmente demitido pouco depois que falhou a campanha de 2013 para derrubar o governo sírio e substituí-lo alguém mais “maleável”, mas as ambições sauditas para a Síria continuaram.

É o que noticia hoje (25/9/2014) o Wall Street Journal, em artigo no qual revela as negociações secretas entre EUA e Arábia Saudita para que os EUA obtivessem “luz verde” para iniciar os ataques contra partes de Iraque e Síria, ditos ‘ataques contra o ISIL’. E, como não surpreende ninguém, mais uma vez o principal item da barganha para pôr os sauditas no mesmo lado que os EUA é o destino do presidente Assad.

Verdade é que, para lançar ataque militar contra o território do estado sírio soberano, “foram necessários meses de trabalho secreto entre líderes dos EUA e árabes, que concordavam quanto à necessidade de cooperarem contra o Estado Islâmico, mas não quanto ao quando e ao como. O processo deu força aos sauditas para extrair dos EUA compromisso renovado para aceitarem treinar rebeldes para a luta contra Assad, cuja derrubada é alta prioridade para os sauditas”.

Em outras palavras, John Kerry veio, viu e prometeu tudo e qualquer coisa que tivesse, até, e inclusive, a peça que faltava do quebra-cabeças – a própria Síria numa bandeja de prata – só para fugir de outra humilhação diplomática.

Quando Kerry pousou em Jeddah para reunião com o rei Abdullah dia 11/9/2014, não sabia com certeza o que mais os sauditas estariam dispostos a fazer. Os sauditas haviam informado os norte-americanos, antes da visita, que estariam dispostos a oferecer poder aéreo – mas só se estivessem convencidos de que os norte-americanos falavam a sério sobre um esforço sustentado na Síria. Os sauditas, por sua vez, não tinham certeza sobre até que ponto Obama estaria disposto a ir – segundo os diplomatas.

Kerry visitou o Rei Abdullah da Arábia Saudita
Dito de outro modo: a libra de carne que a Arábia Saudita exigiu para “abençoar” os bombardeios norte-americanos e dar-lhes a aparência de representar alguma espécie de “coalizão”, é a derrubada do regime Assad. Por quê? Para que – como também explicamos ano passado – o gás dos grandes campos de gás natural do Qatar possa afinal tomar o rumo da Europa, o quê, não por acaso, também é desejo dos EUA. Que melhor modo para castigar Putin por suas ações recentes, que neutralizar o principal poder que o Kremlin tem sobre a Europa?

Mas voltemos aos sauditas e à montagem do negócio que levou ao bombardeio contra a Síria:

Os EUA sabiam que havia muita coisa em jogo naquela reunião de 11/9/2014 com o rei da Arábia Saudita, no seu palácio de verão no Mar Vermelho.

Um ano antes, o rei Abdullah ficara furioso quando o presidente Obama cancelou os ataques contra o regime de Bashar al-Assad da Síria. Agora, os EUA precisavam do compromisso do rei, de que apoiaria uma outra missão à Síria – contra o grupo Estado Islâmico –, sabendo que havia baixíssima possibilidade de conseguir reunir qualquer frente árabe, sem os sauditas.

No palácio, o secretário de Estado John Kerry pediu ajuda para, inclusive, ataques aéreos, segundo altos funcionários dos EUA e do Golfo. “Daremos todo e qualquer apoio de que precisem” – disse o rei.

Mas, isso, só depois de os sauditas terem obtido a garantia de que Assad seria derrubado. E para conseguir essa promessa, prenderam Obama numa chave de braço:

Desconfiados de que Obama novamente voltasse atrás, os sauditas e os Emirados Árabes Unidos conceberam uma estratégia para dificultar o mais possível que Obama mudasse de rota: “Peçam eles o que pedirem, digam que sim” – eis como um conselheiro do bloco do Golfo descreveu a tal estratégia. – “O objetivo era não dar aos norte-americanos nenhuma razão para adiar ou desistir”.

A participação árabe nos ataques aéreos tem valor mais simbólico que militar. Os norte-americanos estão fazendo tudo e já lançaram mais bombas que todos os “coligados” árabes. Mas a mostra de apoio dada por um grande estado sunita para campanha contra grupo sunita militante, dizem funcionários dos EUA, deixou Obama confortável para autorizar ataque contra o qual, antes, ele resistira.

Verdade é que até aqui Obama tem resistido contra bombardear Assad diretamente, mas o início dos bombardeios é só questão de tempo: “A duração da aliança dependerá de como os dois lados reconciliam suas diferenças fundamentais sobre a Síria e outras questões. Líderes sauditas e membros da oposição síria moderada apostam que os EUA podem vir a ser empurrados na direção de apoiar militarmente rebeldes que ataquem o presidente Assad, não só o Estado Islâmico. Funcionários dos EUA dizem que o governo não tem intenção de atacar forças do governo sírio” – por enquanto.

Barack Obama
Mas por que a Arábia Saudita tanto quer, tão empenhadamente, derrubar Assad? Eis o que escreve o Wall Street Journal:

Para os sauditas, a Síria tornou-se uma linha de frente crítica na batalha contra o Irã, aliado de Assad, pela influência regional. Com Assad ampliando seu poder doméstico, o rei decidiu fazer o que fosse preciso para derrubar o presidente sírio. É o que dizem diplomatas árabes.

Na última semana de agosto, uma delegação de militares e do Departamento de Estado voou a Riad para preparar o terreno para um programa militar de treinamento para a oposição síria moderada que combateria ao mesmo tempo o governo de Assad e o Estado Islâmico – operação que os sauditas haviam solicitado há muito tempo. A equipe dos EUA pediu autorização para usar instalações sauditas para o treinamento. Os principais ministros sauditas, depois de consultar o rei durante a noite, concordaram e ofereceram-se para pagar quase toda a conta. Mr. Jubeir foi ao Capitólio, para pressionar congressistas chaves a aprovar legislação que autorizasse o treinamento.

E, depois que os EUA mais uma vez dobraram-se à exigência dos sauditas para atacarem país soberano, o resto foi só questão de planejar:

Horas antes de a campanha militar estar pronta para começar, funcionários dos EUA reuniram-se em teleconferência para discutir os últimos preparativos. Nessa conferência, oficiais militares levantaram questões de último minuto, sobre se o Qatar tomaria parte no ataque e se os países divulgariam a própria participação.

Kerry estava numa suíte no 34º andar do hotel Waldorf Astoria em New York, em reunião com líderes que participavam dos trabalhos na ONU. Telefonou aos seus contrapartes no Golfo, para confirmar que continuavam no mesmo barco. Continuavam.

Os Emirados Árabes Unidos, que alguns funcionários da Defesa chamam de “Pequena Esparta”, por causa da desproporcional força militar, ficariam com o papel mais pesado. Um dos jatos de combate dos EAU era pilotado por uma mulher. Dois dos pilotos de F-15 eram membros da família real saudita, inclusive o príncipe Khaled bin Salman, filho do príncipe coroado. Na terceira onda do ataque inicial, metade dos aviões de ataque no céu eram de países árabes.

Bandar bin Sultan
A melhor notícia para Obama é que é só uma questão de tempo e ele poderá novamente empurrar goela abaixo do mundo a falsa bandeira que a aliança EUA−Sauditas já empurrou goela abaixo do mundo no verão de 2013, para justificar o primeiro atentado para derrubar Assad; talvez até obtenha a “simpatia” do mundo, com a ajuda, claro, da imprensa-empresa norte-americana.

Mas como se pode saber que não passa, mais uma vez, de encenação? O parágrafo seguinte explica tudo:

Os sauditas encarregaram também o príncipe Bandar bin Sultan, principal espião do rei que, ano passado, foi também enganado pela política de Kerry para Síria e Iraque, de participar da reunião do dia 11/9. Funcionários dos EUA interpretaram a presença de Bandar como sinal de que o rei quer ter certeza de que sua corte está unida.

A verdade é que a presença do príncipe Bandar é sinal, isso sim, de que o mesmo manobrador de fantoches que comandava os bonecos, e falhou, em 2013, e não derrubou Assad, e que, pelo menos oficialmente, foi logo depois removido do palco, está outra vez pessoalmente encarregado da guerra contra a Síria. Apenas que, dessa vez, não oficialmente; e com Obama completamente atado e controlado.


[*] Tyler Durden é o apelido de numerosos blogueiros que comentam no Zero Hedge. O nome foi copiado de personagem do romance de Chuck Palahniuk (depois filme) Fight Club (Clube de Luta).

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Síria: Sinal de mudança?

1/7/2014, [*] Moon of Alabama
Excerto traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Leslie H. Gelb, presidente emérito do Conselho de Relações Exteriores dos EUA, em coluna assinada no New York Times, escreveu hoje:

Leslie Gelb
A grande ameaça contra interesses dos EUA na região é o ISIS, não o presidente Assad. Para enfrentar seu inimigo real, o presidente Obama tem de convocar outros igualmente ameaçados: o Irã, a Rússia, xiitas e curdos do Iraque, Jordânia e Turquia – e, sobretudo, o líder político que comanda as melhores forças armadas da região, o presidente Assad. Parte do acordo tem de prever que o regime sírio e os rebeldes parem [sublinhado dos tradutores; negritos MofA] de combater uns contra os outros. [1]

(...) Entendo que o artigo de Gelb apareça hoje como sinal inicial de que pelo menos alguém, dentre o “pessoal sério” em Washington, está mudando de posição em relação ao governo da Síria. Será que outros seguirão a mesma trilha?  
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Nota dos tradutores
[1] Engraçado, mesmo, nessa tal coluna do NYT, é o colunista DECLARAR que os EUA podem mandar os rebeldes parar de lutar! 8-)) É uma espécie de “ato falho”, diria Freud, lapsus linguae. E, sim, claro: é confissão! 8-)).
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[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como“Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ouvir versão em performance de Tim van Broekhuizen.

domingo, 8 de junho de 2014

Sayyed Hassan Nasrallah, do Hezbollah:“Assad é parte inafastável de qualquer solução política na Síria


6/6/2014, Mohamed Salami, Discurso de Hassan Nasrallah, Al-Manar TV, Beirute
Resumo do discurso traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Sayyed Hassan Nasrallah
O secretário-geral do Hezbollah, Sua Eminência Sayyed Hassan Nasrallah, disse que as eleições presidenciais na Síria anunciam o fracasso da guerra internacional movida contra aquele país e confirmam que a intermediação do presidente Bashar al-Assad é indispensável para que se alcance qualquer solução política duradoura.

Sayyed Nasrallah falou durante a cerimônia em memória do presidente da Associação Islâmica de Educação e Ensino, Sheikh Mostafa Qassir. Enfatizou também que o governo sírio opôs firme resistência contra a pressão ocidental e insistiu em que se realizassem eleições presidenciais.

Com esse comparecimento massivo às urnas, os sírios respondera às extraordinárias pressões que os EUA e do ocidente em geral fizeram contra eles” – disse Sayyed Nasrallah. E continuou: – Em vez de insistir naquelas pressões que visavam a confiscar o desejo e o direito dos sírios, os EUA e o ocidente deveriam ter facilitado o processo para permitir que sírios votassem nas embaixadas em outros países.

Em alguns países lançaram-se até em fatwas takfiri, para impedir que cidadãos sírios participassem nas eleições de seu país.

A farsa tornou-se visível quando a coalizão contra Assad ameaçou a população síria com detonações de carros bombas durante as eleições. Mesmo assim os eleitores não se intimidaram e compareceram massivamente às urnas para votar.

Quanto à votação de sírios no Líbano, Sayyed Nasrallah disse que o comparecimento surpreendeu o Movimento 8 de Março, como também surpreendeu o Movimento 14 de março. Acrescentou que a acusação de que o Hezbollah estaria obrigando os sírios a votar ou que estaria arrastando eleitores para as urnas é acusação oca, sem qualquer comprovação.

Sayyed Nasrallah destacou que as eleições presidenciais na Síria confirmaram os seguintes pontos:

– Os milhões de eleitores sírios preservaram a integridade e a dignidade de seu país.

– O governo sírio continua perfeitamente capaz de gerir a solução dos problemas da vida pública e civil dos sírios

– Os sírios são perfeitamente capazes de decidir sobre o próprio destino, sem dar importância ao que desejem ‘potências’ estranhas e estrangeiras.

– A batalha não é entre o povo sírio e o governo da Síria. O massivo comparecimento dos eleitores sírios às urnas é grande vitória do presidente Bashar al-Assad e seu regime.

– Quem queira alcançar solução política na Síria não poderá ignorar os resultados dessas eleições presidenciais.

Bashar al Assd e esposa
Falando aos que disseram que as eleições sírias seriam ‘'uma farsa'’ e os que fizeram declarações com insultos contra o povo e o governo sírios depois de conhecido o resultado das eleições, Sayyed Nasrallah disse que insultos e acusações descabidas são como a confissão do fracasso político daqueles “críticos”.

Na Síria, qualquer solução política tem, necessariamente, de considerar o presidente Bashar Assad – Sayyed Nasrallah repetiu.

Para Sua Eminência, a solução política terá necessariamente de levar em conta os resultados das eleições presidenciais e pôr fim ao apoio militar que grupos militantes continuam a receber do exterior.

Não bastará classificar aqueles grupos como “terroristas” e incluí-los em “listas negras” – disse Nasrallah. – é indispensável também pôr fim ao apoio militar que aqueles terroristas recebem. Vários países da região já meteram os grupos militantes em suas ‘listas negras’, mas, mesmo assim, continuam a garantir apoio financeiro e logístico aos mesmos grupos terroristas.

Sayyed Nasrallah conclamou os grupos terroristas na Síria a reconhecer a derrota, sobretudo quando já se sabe que suas opções militares são limitadas, sem horizonte à frente.

Eleições presidenciais no Líbano

Sayyed Nasrallah conclamou todos os partidos políticos libaneses a envidar esforços para eleger novo presidente, mantendo-se afastados de desejos e interferências estranhas ao país.

Ao Movimento 14 de Março, Sayyed Hasan Nasrallah disse que:

Já que tanto acusam o duo xiita de desejar o vácuo político para alcançar uma modalidade de poder tripartido, vocês que desativem, de vez, o plano de eleger presidente. Por mais que neguemos essa acusação absolutamente sem fundamento, o pessoal do 14 de Março insiste sempre nessa conversa, sabendo que os franceses foram os primeiros a levantar essa questão em Teerã.
Jamais cogitamos ou desejamos qualquer partilha de poder em poder tripartido, nunca pedimos isso, nunca quisemos isso, nunca buscamos obter tal.

Sayyed Nasrallah disse também que os libaneses não devem esperar que iranianos e sauditas acertem todas as suas diferenças de posição sobre as eleições presidenciais no Líbano:

Os iranianos não impõem aos aliados as suas opções políticas, porque os iranianos respeitam os aliados” – disse Sua Eminência – e os sauditas estão preocupados com outros problemas regionais e têm reiterado que não interferirão nas eleições presidenciais libanesas.

Sayyed Nasrallah concluiu, dizendo que os próprios libaneses têm de comandar suas eleições presidenciais:

Além do desejo internacional de pacificar a situação no Líbano, todos os partidos políticos estão preocupados com preservar a segurança e a estabilidade no país. Trata-se, para começar, de pacificar a retórica política e excluir dela qualquer nota de incitamento sectário.

Sayyed Nasrallah também destacou a importância de o governo cuidar diretamente de acertar as condições de segurança no país.

Questões domésticas

Sua Eminência tratou também de outras questões domésticas: solicitou que o Parlamento aprove a lei que decide sobre as novas escalas de salário, para assegurar os próprios direitos a professores e empregados; e destacou a importância de pôr fim ao problema da Universidade Libanesa.