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quinta-feira, 21 de março de 2013

Jonathan Cook: “Só faltaram as bênçãos de Obama...”


Muito palavreado, promessas magras, ação zero contra o roubo de terras da Palestina pelos judeus

20/3/2013, Jonathan Cook, Counterpunch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Jonathan Cook
Quem esperava que Barack Obama desembarcasse em Israel para forçar palestinos e israelenses a negociar, depois de quatro anos de impasse total no processo de paz, se decepcionará muito tristemente.

A viagem do presidente dos EUA que se inicia hoje talvez seja “histórica” – a primeira, de Obama, a Israel e aos territórios palestinos – mas o próprio Obama já cuidou de fazer todo o possível para esvaziar qualquer expectativa.

No fim de semana, líderes árabe-norte-americanos revelaram que Obama deixara bem claro que não apresentaria qualquer plano de paz, porque Israel já sinalizara que não tem interesse em acordo com os palestinos.

Dúvidas que por acaso persistissem sobre as intenções de Israel foram varridas, com o anúncio de um novo gabinete, rapidamente empossado antes da chegada de Obama. O novo governo faz o anterior, também de Benjamin Netanyahu – já considerado o mais linha-dura de toda a história de Israel – parecer quase moderado.

Colônias exclusivas para judeus em terras roubadas da Palestina
Ynet, um website de notícias muito popular em Israel, noticiou que os colonos saudaram o novo gabinete como a realização de seu “sonho erótico molhado”.

Zahava Gal-On
Zahava Gal-On, líder do partido de oposição Meretz, observou que o novo gabinete “muito fará pelos colonos e nada, absolutamente, pelo resto da sociedade israelense”.

O partido dos próprios colonos, “Lar Judeu”, foi premiado com três ministérios chaves – comércio e indústria, Jerusalém e moradia – além de controlar a comissão de finanças do Parlamento, o que basta para assegurar que as colônias exclusivas para judeus frutificarão durante seu mandato.

Não há sequer a mínima chance de o partido “Lar Judeu” aceitar congelamento de construções nas colônias semelhante ao que Obama propôs e no qual insistiu no primeiro mandato. Em vez disso, o partido acelerará o ritmo das construções e do desenvolvimento de indústrias além da Lista Verde, para tornar mais atraentes as colônias e promover a venda de moradias.

Uzi Landau
Uzi Landau, do partido de extrema direita “Israel nosso Lar”, de Avigdor Lieberman, ficou com o portfólio de turismo e rapidamente direcionará recursos para promover os muitos endereços bíblicos na Cisjordânia, para encorajar a visitação de israelenses e turistas.

O novo ministro da Defesa, que supervisiona a ocupação, é o único funcionário cuja posição que lhe dá competência para obstruir essa colonização “grátis-para-todos”; mas Moshe Yaalon, do partido Likud, ex-comandante militar, é conhecido pelo fervoroso apoio à ocupação e aos colonos.

É verdade que o grande partido, Yesh Atid, de Yair Lapid, centrista, também está representado. Mas sua influência, só diplomática, será posta sob rédea curta, porque seus cinco ministérios cuidarão de questões domésticas, bem-estar, saúde e ciência.

Moshe Yaalon
A única exceção, Shai Piron, novo Ministro da Educação, é rabino e colono, do qual só se deve esperar prosseguimento do atual programa de viagens escolares às colônias, continuando os bem-sucedidos esforços dos colonos para integrar-se na sociedade.

Longe de preparar-se para fazer concessões ao presidente dos EUA, Netanyahu só faz declarar seu apoio ao plano do partido Lar Judeu, para anexar novas vastas porções da Cisjordânia.

O único ministro com interesse pressuposto em conversações diplomáticas, mas quase exclusivamente orientado por seus esforços de autopromoção para permanecer popular na Casa Branca, é Tzipi Livni. Ela sabe bem o quanto são limitadas as oportunidades para negociar: o processo de paz só foi superficialmente mencionado no acordo da coalizão.

Obama, aparentemente consciente de que estará diante de governo ainda mais intransigente que o anterior, optou por não falar ao Parlamento. Em vez disso, discursará para platéia mais receptiva, de estudantes israelenses, em ação que funcionários dos EUA têm chamado de “uma ofensiva de charme”.

Devem-se esperar muito palavreado, promessas magras e ação zero contra a ocupação.

Yair Lapid
Sinal da relutância da Casa Branca, que foge da questão das colônias ilegais nos territórios ocupados, seus representantes na ONU recusaram-se a participar, na 2ª-feira, de um debate no Conselho de Direitos Humanos que apresentou as colônias como forma de “deplorável anexação” da Cisjordânia e de Jerusalém Leste.

A abordagem “não é comigo” de Obama satisfará seu eleitorado nos EUA. Pesquisa feita pela rede ABC-TV mostrou que o maior número de norte-americanos (55%) apoiam Israel, contra 5% que apóiam os palestinos. Maioria ainda maior, 70%, entende que os EUA devem deixar que os dois lados discutam e decidam o próprio futuro.

Israelenses comuns, o público que o presidente dos EUA quer atingir, tampouco veem com bons olhos qualquer envolvimento dos EUA. Outra pesquisa recente mostra que 53% preveem que Obama não protegerá interesses de Israel; e 80% entendem que com Obama, nos próximos quatro anos, não acontecerá qualquer avanço na questão com os palestinos. O estado de espírito dominante é de indiferença, mais de que de expectativa.

Shai Piron
Todas essas são boas razões para explicar por que nem Obama nem Netanyahu dedicarão grande atenção à questão palestina, durante a visita de três dias. Como o analista Daniel Levy observou: “Obama vem, sobretudo, para fazer declarações sobre os laços que unem EUA e Israel, não para falar da ocupação ilegal”.

É o que entendem também muitos palestinos, cada dia mais exasperados pelo obstrucionismo dos norte-americanos. Funcionários dos EUA que foram a Belém, na preparação da visita que Obama fará à cidade na 6ª-feira, foram colhidos em várias manifestações anti-Obama. E esperam-se novas manifestações hoje, em Ramallah.

Outros palestinos protestam hoje, montando uma nova comunidade de barracas em terra palestina ocupada próxima de Jerusalém. Inúmeros outros acampamentos desse tipo, montados antes, foram violentamente demolidos por soldados israelenses.

Os organizadores esperam chamar a atenção para a hipocrisia dos EUA no apoio à ocupação israelense: colonos judeus são autorizados a construir, com apoio do governo de Israel, em territórios ocupados – o que é flagrante violação da lei internacional; e os palestinos são impedidos por soldados israelenses de desenvolver o próprio território, o mesmo que a comunidade internacional já reconheceu como estado palestino, com representantes na ONU.

Barack Obama, obedientemente, aceita as ordens de "Bibi" Netanyahu
A mensagem escrita nas entrelinhas dessa visita de Obama é que o governo de Netanyahu tem carta branca para fazer avançar sua agenda de violências, sem nada temer de Washington, além, no máximo, de algum protesto simbólico.

O novo gabinete israelense não perdeu tempo para definir suas prioridades legislativas. A primeira nova lei já anunciada é uma “lei básica” que mudará a definição oficial do Estado, de modo a que os aspectos “judeus” sobreponham-se aos elementos “democráticos” – movimento que o jornal Haaretz qualificou de “insano”.

Dentre outras determinações de lei, há uma que limita a aplicação de fundos públicos, que passam a só poder ser aplicados em novas comunidades de judeus. É um arranjo cínico, com o qual Netanyahu visa a aplacar um crescente movimento de protesto em Telavive, que começa a exigir moradia a preços mais acessíveis para todos.

Oferecendo terra a preço subsidiado para novas colônias na Cisjordânia e em Jerusalém Leste, Netanyahu consegue expandir as colônias, rouba mais terra dos palestinos, cala os protestos e desestabiliza a oposição. Só precisava, de fato, das bênçãos de Obama.
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mais um ativista condenado por participar de passeatas não violentas


Baby Siqueira Abrão- Correspondente no Oriente Médio: 16/01/2012

Ashraf Abu Rahmah foi condenado pelo Tribunal Militar de Israel a seis meses e meio de prisão

Ashraf reclamando com o soldado que o empurrava contra a cerca, em Nabi Saleh
O Tribunal Militar da prisão israelense de Ofer condenou no domingo, 15 de janeiro, o ativista de direitos humanos Ashraf Abu Rahmah a seis meses e meio de prisão e ao pagamento de 3 mil shekels (a moeda de Israel). O “crime” de Ashraf: participar das passeatas não violentas contra o muro e as colônias construídos ilegalmente por Israel em terras palestinas.

A reportagem de Brasil de Fato estava presente à manifestação de Bil’in em que Ashraf foi preso e viu sua prisão. Em 21 de outubro de 2011, uma sexta-feira nublada e enevoada de outono, ele pouco se aproximou do muro que separa a área C do vilarejo da colônia judaica de Modi’in Illit. Permaneceu quase o tempo todo numa colina próxima, conversando com um amigo inglês que não via há anos. No final da manifestação – particularmente violenta, com o exército israelense atirando, quase sem parar, balas de metal cobertas de borracha, granadas e bombas de gás que provocavam queimadas –, Ashraf tomou a estradinha que leva ao centro de Bil’in, de volta para casa.

Mas jipes do exército entraram no parque Abu Lemon, onde as manifestações terminam. E prenderam Ashraf. Ativistas palestinos e israelenses, e a reportagem de Brasil de Fato, correram em sua direção. Alguns ainda tentaram evitar o aprisionamento, conversando com os soldados, mas não houve jeito. Ashraf foi empurrado para um dos jipes e levado para a prisão.

Para justificá-la, e para mantê-lo atrás das grades, os soldados alegaram que Ashraf atirara pedras contra eles. Na primeira audiência, fotos, vídeos e testemunhas desmentiram essa versão. Por isso, o tribunal precisou de outra justificativa. Para casos assim, ela é bem conhecida: o acusado estava em zona militar fechada, onde só é permitido o acesso do exército de Israel. Essa é outra solução encontrada pelos sionistas para criminalizar os ativistas de direitos humanos que participam das passeatas não violentas das sextas-feiras, organizadas na maioria das vilas palestinas. Ao declará-las zonas militares fechadas, eles se dão o direito de prender e punir não apenas os ativistas, mas, se quiserem, todos os habitantes dos vilarejos.

Ashraf é irmão de Bassem e Jawaher Abu Rahmah, assassinados por soldados sionistas em abril de 2009 e janeiro de 2011, respectivamente. Bassem foi atingido por um cânister de diâmetro largo, atirado a pouca distância com uma espingarda de alta pressão, e morreu na hora. Jawaher, intoxicada pelos gases expelidos por bombas e granadas, desmaiou e foi levada ao hospital de Ramala em 31 de dezembro de 2010. Morreu um dia depois. Alguns médicos desconfiam de que, pelos efeitos devastadores dos gases no corpo de Jawaher, foi adicionado fósforo branco à composição das bombas.

Apesar do drama familiar, Ashraf é um homem bem-humorado, que gosta de estar com os amigos, de visitá-los. Suas gargalhadas altas costumam ecoar pelo centro da vila, provocando empatia nos moradores. É um ativista corajoso, que conhece os riscos e não foge deles. Sua bravura e sua admiração por Che Guevara fizeram com que recebesse o apelido de “Che Guevara palestino”. Vítima do desemprego causado pela ocupação israelense, ele coloca seu tempo à disposição de todos, ajudando no que for necessário. Nos sete meses em que a reportagem de Brasil de Fato ficou sediada em Bil’in, Ashraf foi presença constante, levando notícias sobre a vila e a resistência, convidando para o falafel vendido na esquina e para cafés em sua casa.

Os soldados o conhecem bem. Sabem que ele é incapaz de cometer atos violentos e de causar mal a quem quer que seja. Sua prisão se deveu a motivos políticos: humilhar os palestinos até que saiam de suas terras, para que elas possam ser anexadas a Israel. Uma lei israelense torna possível, ao governo, a posse de qualquer propriedade palestina da qual o dono tenha se afastado por um determinado período. Mas os palestinos, como se sabe, continuam resistindo. E, como Ashraf sempre fazia quando em liberdade, afirmam que nada os fará desistir.

A Coordenação dos Comitês da Luta Popular Não-Violenta Contra o Muro e as Colônias, com sede em Ramala, Palestina, declarou que a prisão de Ashraf não vai impedir a realização das passeatas das sextas-feiras em toda a Cisjordânia.

Veja o vídeo da manifestação e da prisão de Ashraf:

Aqui, momentos do ativismo de Ashraf, homenagem prestada pelo amigo Hamde Abu Rahmah e postada no dia seguinte à prisão:

Neste outro vídeo

você verá o parque Abu Lemon e, atrás do muro construído em Bil’in, a colônia de Modi’in Illit. Também ouvirá Ashraf criticar os organizadores das passeatas, ligados ao Fatah (maior partido da Palestina), os quais, segundo ele, cooptam os moradores de Bil’in, bem como ativistas israelenses e estrangeiros, para servir à propaganda da Autoridade Palestina.

O resultado dessa cooptação é a queima de oliveiras e de carvalhos, além de ferimentos, prisão, mortes, intoxicações e incursões militares que espalham terror nas vilas. “Quem perde com isso?”, Ashraf questiona. E responde: “Nós perdemos”.

 Enviado por Baby Siqueira Abrão 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Algumas notas sobre a tradução do termo “settlement” no contexto da ocupação israelense

05 de outubro de 2011 às 10:10
Israeli settlement of Har Homa constructed on village land of Beit Sahour (image from whypalestine blog)
Colônia exclusiva para judeus Har Homa, construída ilegalmente na aldeia de Beit Sahour, a leste de Belém; daqui.

Faz umas duas semanas, rolou lá no Viomundo um enorme balacobaco a propósito da tradução da Vila Vudu de um texto do israelense Uri Avnery, ferrenho opositor da política de ocupação levada a cabo pelo seu governo sobre os territórios palestinos. O texto de Avnery, intitulado “Dogs of War” [Cães de Guerra], denuncia as manobras israelenses para reprimir a mobilização palestina que vem ocorrendo no bojo do pedido de reconhecimento do “estado” palestino à ONU. Os cães de guarda a que se refere o texto de Avnery são os quase 500.000 colonos judeus ilegais que continuam ocupando terras palestinas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

Num determinado momento do texto, Avnery diz: Their task is to protect the settlements and attack Palestinians. They are settler-dogs, or, rather, dog-settlers. Tradução da Vila Vudu: A tarefa deles é proteger os colonos judeus e atacar os palestinos. São cães colonos judeus ou, melhor, colonos judeus cães. A inserção da palavra “judeu” junto à palavra “cães” foi tomada pelo jornalista Bernardo Kucinski para atribuir conteúdo antissemita à tradução da Vila Vudu. Essa inserção – que é, em outros contextos, um recurso legítimo para que o leitor de língua portuguesa entenda o que significa “colono” dentro da realidade da ocupação israelense—ecoava, argumentou o jornalista, utilizações antissemitas do termo “cães” para referenciar judeus. Caia Fittipaldi, respondendo em nome da Vila Vudu, deu razão parcial ao jornalista, mas elencou uma série de argumentos pra defender os princípios que regem as traduções do coletivo. Esses argumentos, no meu modo de ver, ficaram sem resposta. Sobre todos os crimes denunciados por Avnery, um judeu fundador do estado de Israel e combatente na guerra de 1948, Kucinski, evidentemente,  não disse nada.

Este post não é pra entrar na pendenga, inclusive porque, à luz da própria entrevista de Kucinski ao Viomundo, não há muito mais o que dizer acerca de suas declarações sobre 1948. Depois de repetir a propaganda oficial israelense de que o fato gerador do exílio palestino foi a invasão de seis exércitos de países árabes que não aceitaram o plano de partilha proposta pela ONU em 1947, Kucinski declara: não conheço Finkelstein nem Pappé. Fazer afirmações sobre o que aconteceu em 1948 para, na frase seguinte, confessar desconhecer Pappé e Finkelstein é como dizer o que foi o futebol paulista nos anos 60 e logo depois declarar não saber quem foram Pelé e Ademir da Guia. É como pontificar sobre o que é a antropologia para, em seguida, declarar desconhecer Franz Boas e Claude Lévi-Strauss. Sobre isso, nada a acrescentar além do baile de argumentos oferecido pelos próprios leitores do Viomundo, em especial por Pedro Germano Leal.

O objetivo aqui é só reforçar uma escolha da equipe de tradutores da Vila Vudu que também é a minha, ao traduzir textos sobre o assunto: formar língua de chegada de tal forma que não se obscureça aquilo que é compreendido por qualquer leitor do original que possua o mínimo contexto. Em particular, há tempos venho me batendo sobre a tradução da palavra settlement, que aparece na mídia brasileira traduzida doce, inofensivamente como assentamentos, assim, sem mais. Eu sempre o traduzi como assentamentos colonizadores. O pessoal da Vila Vudu opta por colônias exclusivas para judeus. Considero a tradução da Vila Vudu melhor que a minha e passarei a adotá-la daqui em diante.

Um brasileiro que leia assentamentos provavelmente pensará em assentamentos rurais (uma das primeiras associações que vêm à mente, claro, é o MST) ou espaços precários e provisórios.

É uma forma de traduzir “literalmente” que esconde, em vez de revelar, o sentido presente no original.

As colônias ilegais israelenses são fortalezas ilegais, brutalmente armadas, exclusivas para judeus, invariavelmente construídas em território mais elevado e fonte de constantes agressões contra palestinos.

Além de serem ilegais segundo a legislação internacional, as colônias exclusivas para judeus na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental são, em grande parte, habitadas por fanáticos religiosos que defendem seu direito sobre a terra com base na Bíblia.

Os colonos ilegalmente situados nessas fortalezas desfrutam de estradas exclusivas, proteção do exército (há uma enorme teia de relações entre os colonos e a hierarquia do exército de ocupação), virtual monopólio sobre a escassa água da região e total impunidade em seus crimes de agressão, assassinato e tortura contra palestinos.

Eles possuem completa liberdade de trânsito em terras palestinas e não são submetidos às humilhações dos postos de controle que picotam todo o território ocupado.

Em alguns lugares, como Hebrom, a construção de colônias sobre as casas e lojas palestinas permite que os colonos, por exemplo, despejem suas fezes e urina sobre os palestinos, obrigando-os a viver enclausurados em lonas protetoras.

A distinção entre “judeu” e “israelense” não se aplica aqui: não há árabes israelenses nos assentamentos colonizadores.

Portanto, nesta polêmica, estou com a Vila Vudu: na próxima vez que encontrar o termo “assentamentos” na mídia brasileira, lembre-se de perguntar ao seu jornal ou revista favorita o que a palavra revela e o que ela esconde.


Idelber Avelar é colunista da “Revista Fórum  - Outro mundo em debate”.
Professor of Spanish and Portuguese
Tulane University
New Orleans, LA 70118

Texto enviado pelo autor e publicado inicialmente na Revista Fórum