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sexta-feira, 20 de março de 2015

“Business” esquemão dos eurolíderes ucranianos

19/3/2015, [*] Sergey GlazyevThe Vineyard of the Saker
Traduzido do russo ao inglês por Lenok
Traduzido do inglês pelo pessoal da Vila Vudu



The Saker
O Banco Nacional da Ucrânia decidiu subir a taxa de refinanciamento para 30%. Ao aumentar as taxas de juros, as autoridades financeiras seguiram a mesma via que o Banco da Rússia.

As consequências serão as mesmas: compressão de um crédito já inacessível, aprofundamento da recessão e alta inflação – cerca de 30%.

Política monetária, redução do dinheiro circulante, em tempos de crise e em qualquer lugar do mundo, dão sempre o mesmo resultado – retração da economia e queda na armadilha da estagflação, que combina o declínio na produção, alta inflação, desemprego crescente e renda que encolhe.

Pelo que consegui entender da discussão, essa “política” foi exigência feita pelo FMI. É medida absolutamente padrão, baseada no dogma monetarista e conhecida em todo o planeta como modelo de terapia de choque. Só sobreviverão a essa política as atividades orientadas para a exportação.

Dado que as atuais autoridades ucranianas estão rompendo a cooperação com a Rússia, a única exportação possível será a que interessar à União Europeia. Além de girassóis e sucata, a Ucrânia exportará mão de obra barata, armas contrabandeadas e, talvez, chernozem  [“terras negras”, ricas em húmus, típicas da Ucrânia]. E simultaneamente desaparecerão todos os investimentos na agricultura. Quero dizer: vão remover fisicamente as ricas terras negras ucranianas.

Chernozem
A Ucrânia já conhece a integração europeia de 1941-1944. As autoridades da ocupação exportavam, da Ucrânia para a Alemanha, terras negras e mão de obra, sobretudo trabalho feminino.

Hoje, já se vê acontecer exatamente o mesmo. O atual governo ucraniano é governo de autoridades de ocupação. Foram mandados para lá pelos EUA e pela União Europeia e com certeza implantarão lá a mesma política. Mulheres ucranianas são item apreciadíssimo na Europa. Levadas do país, tornam-se o principal item de exportação da Ucrânia.

As “recomendações” do FMI são daninhas para a indústria, para a construção e para a agricultura ucranianas. Mas são utilíssimas para as “metas” de EUA e europeus.

Especuladores ocidentais atraem dinheiro para o mercado financeiro deles, onde, como se sabe, imprime-se dinheiro alucinadamente, há anos. Ao longo da última década, a base monetária na Europa e nos EUA foi multiplicada algo entre 3 e 5 vezes.

O FMI, portanto, impõe aos nossos países a política de contração na oferta de dinheiro, substituindo o dinheiro que falta por empréstimos e investimentos estrangeiros, e usando todos os tipos de fundos especulativos.

Hoje, você pode comprar patrimônio ucraniano por preço de liquidação. Adiante, o mesmo patrimônio será revendido a investidores diretos. A economia ucraniana nada obterá, além de pequeno aumento nas reservas de moeda estrangeira. Mas não bastará para estabilizar a economia.

Qualquer especialista mentalmente são que observe essas condições, aconselhará a recompor a cooperação com a Rússia. Salvar uma zona de livre comércio com o East Asian Economic Cáucus (EAEC) e voltar à via da integração eurasiana. Simplesmente, não há outra via para o desenvolvimento sustentável da economia ucraniana.

É necessário revisar o acordo com a UE e passar a basear-se nos interesses dos produtores ucranianos, com cooperação com a Rússia. (...)

Enquanto isso...

As atuais autoridades ucranianas sem dúvida possível roubarão tudo. Afinal, pelo que tenho ouvido, já se exige a demissão do presidente do Banco Nacional da Ucrânia por, precisamente, suspeita de roubo. As autoridades ucranianas já implantaram um sistema de múltiplos canais – mas não para a economia: só para elas mesmas. Falo de créditos especiais autorizados pelo BNU para bancos comerciais associados com Kolomoisky, Poroshenko e Yatsenyuk. Organizações criminosas sempre operaram precisamente desse modo.

As autoridades ucranianas usam o poder para a finalidade exclusiva do enriquecimento pessoal delas mesmas. O que poderia ser mais fácil? Mande o BNU imprimir dinheiro a ser “pago” aos bancos deles, os quais, a seguir, requererão que o BNU troque aquele dinheiro por dólares; e os bancos deles exportarão os dólares para empresas offshore.

Esse é hoje o principal “business” esquemão dos eurolíderes postos no governo da Ucrânia. Talvez a missão do FMI, hoje, seja – talvez – dar combate aos oligarcas “financistas” em Kiev. Mas entre esses dois males nem vale a pena escolher.

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[*] Sergey Yurievich Glazyev ( em russo: Сергей Юрьевич Глазьев). É político e economista; membro titular da Academia Russa de Ciências desde 2008. Foi ministro e membro da Duma (Parlamento russo) de 1993 até 2007, quando se tornou o principal Conselheiro Político do Presidente Vladimir Putin.
Nasceu em 1/1/1961 em Zaporizhia na ex-União Soviética, hoje território da Ucrânia, filho de pai russo e mãe ucraniana. Glazyev frequentou a Universidade de Moscou, onde obteve os graus de bacharel, mestrado e doutorado em Economia. Deixou a universidade em 1990. No ano seguinte, ele entrou para o serviço do governo, tornando-se primeiro Vice-Ministro das Relações Econômicas Externas. Serviu nesta função por um ano, e depois foi promovido a Ministro onde permaneceu até 1993, quando saiu para concorrer a um cargo na Duma.
Foi eleito pelo Partido Democrático da Rússia em 1993. Renunciou ao mandato antes de completar o 4 anos, pois foi nomeado como membro do Conselho Econômico da Federação da Rússia e Chefe do departamento de análise desse Conselho. 
Em 1999, decidiu novamente concorrer à Duma sendo eleito como independente na lista do Partido Comunista da Federação Russa. Em 2003, abandonou o partido para ajudar a formar a Rodina, partido nacionalista, na ala esquerda do espectro político russo. Naquele ano, ele se tornou um dos 37 candidatos eleitos pela Rodina a Duma.
Glazyev anunciou sua aposentadoria da política em março de 2007, e disse que não tinha mais intenção de buscar novo mandato na Duma. Em julho de 2012, Putin o  nomeou como Assessor Presidencial para a coordenação do trabalho dos órgãos federais no desenvolvimento da União Aduaneira da Bielorrússia, Cazaquistão e Rússia.
Glazyev é autor de mais de quarenta livros e centenas de artigos, ensaios e documentos de pesquisa. Em 1995 foi premiado com a Medalha de Ouro Kondratieff pela Fundação Internacional ND Kondratieff e da Academia Russa de Ciências Naturais (RAEN).
Em 17 de março de 2014, no dia seguinte após o referendo da Criméia, Glazyev tornou-se uma das primeiras sete pessoas sancionadas pelo Presidente Obama. As sanções congelaram seus ativos nos EUA e o proibiu de entrar nos Estados Unidos.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Pepe Escobar: “Carnaval na Criméia”

28/2/2014, [*] Pepe Escobar, Asia Times Online – The Roving Eye
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Mapa político da Ucrânia e principais cidades e fronteiras - ao sul a península da Crimeia
O tempo não espera por ninguém, mas, parece, esperará pela Crimeia. O presidente do Parlamento da Crimeia, Vladimir Konstantinov, confirmou que haverá um referendo, que decidirá sobre maior autonomia em relação à Ucrânia, dia 25 de maio.

Até lá, a Crimeia permanecerá tão quente e fumegante quanto o carnaval no Rio – porque na Crimeia tudo tem a ver, sempre, com Sebastopol, o porto de atracação da Frota Russa do Mar Negro.

Se a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) é um touro, esse é o pano vermelho mãe de todos os panos vermelhos. Ainda que você esteja tentando afogar todas as suas mágoas no nirvana movido a álcool e pulando para suar todos os seus problemas no carnaval no Rio – ou em Nova Orleans, ou Veneza, ou Trinidad e Tobago – mesmo assim seu cérebro registrou que o sonho mais molhado dos sonhos molhados da OTAN é instalar um governo fantoche do ocidente na Ucrânia, para despachar de lá, de sua base em Sebastopol, a marinha russa. O arrendamento negociado do porto é vigente até 2042. Já há rumores e ameaças de que o arrendamento será cancelado.

Mapa da Crimeia com suas cidades principais e a vizinhança da Rússia
A península da Crimeia é habitada por maioria absoluta de falantes de russo. Pouquíssimos ucranianos vivem ali. Em 1954, o ucraniano Nikita Krushchev – aquele, o que bateu o sapato na mesa, na Assembleia Geral da ONU [1] – precisou só de 15 minutos para dar a Crimeia de presente à Ucrânia (então, parte da União Soviética). Na Rússia, a Crimeia é vista como russa. Nada mudará esse fato.

Ainda não estamos diante de uma nova Guerra da Crimeia – ainda não. Só um pouco. O sonho molhado da OTAN é uma coisa; outra coisa, muito diferente, é fazê-lo acontecer: tipo pôr fim para sempre à rotina de a frota russa deixar Sebastopol pelo Mar Negro, pelo Bósforo, e assim chegar a Tartus, o porto mediterrâneo da Síria. Assim sendo, sim, sim, trata-se tanto de Crimeia, quanto de Síria.

Mapa Étnico linguístico-cultural da Ucrânia atual
A nova revolução ucraniana cor de laranja, de tangerina, de Campari, de Aperol Spritz ou de Tequila Sunrise parece, até aqui, ser resposta às preces da OTAN. Mas ainda há estrada longa e sinuosa a percorrer, antes de a OTAN conseguir reencenar os anos 1850s e produzir o remix da Guerra da Crimeia original.

Chuck Hagel
No futuro à vista e previsível, seremos afogados num mar branco de platitudes. Como o El Supremo do Pentágono, Chuck Hagel, “avisando” a Rússia que fique longe do torvelinho, enquanto ministros da Defesa da OTAN lançam toda a pilha indispensável de declarações, em nenhuma das quais se lê “garantindo integral apoio” à nova liderança, e paus mandados da imprensa-empresa universal repetem sem parar que não se trata de Nova Guerra Fria, para tranquilizar a população. [2]

Dancem conforme a minha estratégia, otários

Onde está HL Mencken, quando se precisa dele? Ninguém jamais perdeu dinheiro subestimando a capacidade de mentir do sistema Pentágono/OTAN/CIA/Departamento de Estado dos EUA. Especialmente agora, quando a política para a Ucrânia do governo Obama parece ter sido subalugada à turma da neoconservadora Victoria "Foda-se a União Europeia” Nuland, casada com Robert Kagan, neoconservador queridinho de Dábliu Bush.

Como Immanuel Wallerstein já observou, Nuland, Kagan e a gangue neoconservadora estão tão aterrorizados ante a possibilidade de a Rússia “dominar” quanto ante o surgimento de uma aliança geoestratégica que pode emergir lentamente, e bastante possível, entre a Alemanha (com a França como parceiro júnior) e a Rússia. Significaria o coração da União Europeia constituindo um contrapoder, de oposição ao abalado e oscilante poder norte-americano.

E, como atual encarnação do abalado poder norte-americano, o governo Obama é, sim, um fenômeno. Agora, estão perdidos no pântano que eles próprios inventaram, do tal “pivô”. Que pivô vem primeiro? Aquele na direção da China? Mas, nesse caso, temos de pivotear-nos, antes, para o Irã – para pôr fim à ação dispersiva, lá, no Oriente Médio. Ou quem sabe...? Talvez não.

John Kerry
Ouçam essa, a melhor, do secretário de Estado John Kerry, sobre o Irã:

Tomamos a iniciativa e lideramos o esforço para tentar ver se antes de irmos à guerra realmente poderia haver uma solução pacífica.

Quer dizer então que já não se trata de acordo nuclear a ser alcançado, talvez, em 2014. Nada disso. Agora se trata de “antes de irmos à guerra”. Trata-se de bombardear um possível acordo, para que o Império possa bombardear mais um país – outra vez. Ou, talvez, não passa de sonho molhado fornecido pelos patrões dos fantoches Likudniks.

O grande Michael Hudson especulou que um “xadrez multidimensional” poderia estar “guiando os movimentos dos EUA na Ucrânia”. Nada disso. Está mais para “se não podemos nos pivotear para a China – ainda – e se a pivotagem para o Irã vai falhar (porque desejamos que falhe), podemos nos pivotear para algum outro lugar...” Oh yes, tem aquele maldito país que nos impediu de bombardear a Síria; chamado “Rússia”. E tudo isso sobre o comando ilustrado de Victoria “Foda-se a União Europeia” Nuland. Onde está um neo-Aristófanes, para escrever a história dessas comédias?

Christiane Amanpour
E ninguém jamais esqueça a imprensa-empresa. A CNN já começou a “Amanpourear” [ref. a Christiane Amanpour; equivale aos verbos “Jaborizar (derivado de Jabor)” ou “Waackear (der. de Waack)”, em português do Brasil (NTs)] sobre o Acordo de Budapeste – e só fazem repetir que a Rússia tem de ficar fora da Ucrânia. Visivelmente, uma horda de produtores, todos com “índices” de audiência desabados, sequer se deram o trabalho de ler o Acordo de Budapeste, o qual, como o professor Francis Boyle da Universidade de Illinois lembrou “determina, isso sim, que EUA, Rússia, Ucrânia e Grã-Bretanha têm de reunir-se imediatamente, para “consulta” conjunta – e que a reunião tem de ser feita no nível de ministros de Relações Exteriores, pelo menos”.

Assim sendo, então... Quem paga as contas?

O novo primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, é – e o que mais seria?! – um “tecnocrata reformador”, expressão em código para “fantoche do ocidente”. [3] Ucrânia está convertida em caso perdido (rebentado). A moeda caiu 20% desde o início de 2014. Milhões de desempregados europeus sabem que a União Europeia não tem dinheiro para resgatar o país (talvez os ucranianos devam pedir algumas dicas ao ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi).

Em termos do Oleogasodutostão, a Ucrânia é apêndice da Rússia; o gás que transita pela Ucrânia para mercados europeus é gás russo. E a indústria ucraniana depende do mercado russo.

Examinemos mais de perto os bolsos dos novos “revolucionários” cor de Aperol Spritz. Todos os meses, a conta de gás natural importado da Rússia fica em torno de US$ 1 bilhão. Em janeiro, o país teve de despender também US$ 1,1 bilhão para pagar dívidas. As reservas em moeda estrangeira caíram, de US$ 20,4 bilhões, para US$ 17,8 bilhões. A Ucrânia tem de pagar, como pagamento mínimo da dívida, nada menos de $17 bilhões  em 2014. E tiveram até de cancelar um lançamento de $2 bilhões de eurobonds, semana passada.

O gato de Cheshire
Francamente: o presidente Vladimir Putin – codinome “Vlad, A Marreta” – deve estar rindo feito o gato de Cheshire [4]. Pode simplesmente cancelar o significativo desconto de 33% no preço do gás natural importado, que deu a Kiev, no final do ano passado. Rumores insistentes já dizem – desesperançados – que os revolucionários da revolução cor de Aperol Spritz não terão dinheiro para pagar aposentadorias e salários dos funcionários públicos. Em junho, vence uma dívida monstro, em mãos de vários credores (no total, cerca de US$ 1 bilhão). Depois disso, a coisa é mais sinistra, desolada e escura que o norte da Sibéria no inverno.

A oferta dos EUA, de $1 bilhão, é piada. E tudo isso, depois que a estratégia de “Foda-se a União Europeia” de Victoria Nuland torpedeou um governo ucraniano de transição – transição, por falar dela, negociada pela União Europeia – que teria mantido os russos a bordo, e o dinheiro deles.

Sem a Rússia, a Ucrânia dependerá totalmente do ocidente para pagar as próprias contas, para nem falar de tentar evitar o calote de todas as dívidas. O total alcança vertiginosos $30 bilhões, até o final de 2014. Diferente do Egito, a Ucrânia não pode telefonar para a Casa de Saud e pedir cataratas de petrodólares. Aquele empréstimo de US$ 15 bilhões que a Rússia ofereceu recentemente chegaria em boa hora – mas Moscou tem de receber algo em troca.

Vladimir Putin por Maurício Porto
A ideia de que Putin ordenará ataque militar contra a Ucrânia explica-se pelo quociente subzoológico de inteligência da imprensa-empresa nos EUA. “Vlad, A Marreta” só precisa assistir ao circo – o ocidente batendo cabeça para ver se arranja aqueles bilhões a serem desperdiçados num caso perdido (rebentado). Ou ao Fundo Monetário Internacional e aquela conversa sinistra de mais um monstruoso “ajuste estrutural” para mandar a população da Ucrânia de volta ao Paleolítico, de vez.

A Crimeia pode até encenar seu próprio carnaval adiado, votando não só para ter mais autonomia, mas, também, para livrar-se do tal caso perdido (rebentado). Nesse caso, Putin receberá a Crimeia de presente, grátis – à moda Krushchev. Não é mau negócio. E tudo graças àquela oh! tão estratééégica pivoteação contra a Rússia, com “Foda-se a União Europeia”.
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Notas de rodapé

Khrushchev e o sapato 
[1] A foto da primeira página do New York Times do dia 12/10/1960 mostrava Khrushchev com um sapato na mão e a manchete “Rússia novamente ameaça o mundo. Dessa vez, com o sapato do líder”. Mas, pouco depois, pessoas presentes à Assembleia Geral da ONU que se realizara na véspera corrigiram a notícia e a manchete: Khrushchev não batera com o sapato no púlpito principal, mas na própria mesa; e não para ameaçar alguém, apenas para chamar a atenção.


Quando Nikita Sergeevich entrou no salão, estava cercado de jornalistas; um deles pisou no seu calcanhar e arrancou-lhe o sapato. Khrushchev, bastante gordo, não quis expor-se ao ridículo de procurar o próprio sapato e calçá-lo ali, em pé, à vista das câmeras. Andou então diretamente para sua mesa e sentou-se; o sapato, embrulhado num guardanapo, foi trazido por alguém e posto sobre a mesa. Naquele momento, um delegado filipino disse que a União Soviética havia ‘engolido’ a Europa Oriental, “privando-a de seus direitos civis e políticos”. A frase causou tumulto e protestos na sala. Um delegado romeno saltou em pé e pôs-se a gritar contra o diplomata filipino. Nesse ponto, Khrushchev quis intervir na discussão, mas o delegado irlandês, que presidia a discussão, não o viu. Khrushchev acenou com uma mão, depois com a outra. Sem resultado, ele pegou o sapato que ainda estava sobre a mesa e o agitou no ar. Ainda sem resultado, ele bateu o sapato, com força, na mesa. O irlandês afinal olhou na direção dele e o viu

[2] 26/2/2014, Daily Telegraph em: US and Britain say Ucrânia is not a battleground between East and West.

[3] 27/2/2014, Voice of America, em: Biden: U.S. Supports Ucrânia's New Government

[4] Cheshire Cat com a banda Blinck 182 com letra mostrada no vídeo (em inglês) a seguir:

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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política do blog Tom Dispatch e correspondente/ articulista das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.