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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Posse de Obama: retórica, contra a realidade - “Nós, o Povo dos EUA”... só cremos em guerra


23/1/2013, Richard Becker, Global Research
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



O discurso de posse do presidente Barack Obama ao assumir seu segundo mandato foi saudado pelas corporações de imprensa-empresa e seus financiadores e anunciantes como uma nova “visão liberal”, como se lia em manchete do New York Times Obama Offers Liberal Vision: ‘We Must Act’ [Obama oferece visão liberal: “Temos de agir”].

Mas, embora boa parte da retórica do presidente soasse progressiva, e o discurso tenha sido enunciado em tom firme, há nele bem pouco conteúdo de realidade, e praticamente todo o discurso foi anti qualquer progressismo. E/ou foi mentiroso.

“Uma década de guerra está terminando” – discursou Obama. A verdade é que os ataques militares e movimentos de intervenção prosseguem no Afeganistão, no Paquistão, no Iêmen, na Somália e em outros países. Todas as terças -feiras há uma reunião na Casa Branca, durante a qual o presidente autoriza novos assassinatos de alvos predefinidos, assassinatos premeditados e planejados de indivíduos selecionados e de quem mais tenha a infelicidade de andar por perto dos alvos atacados pelos aviões-robôs armados, os drones, em muitos países, nenhum dos quais está em guerra com os EUA.

Depois de declarar que “Nós o povo ainda cremos que segurança e paz duradouras não exigem guerra perpétua”, Obama disse que “os EUA continuarão como a âncora de alianças fortes em cada canto do mundo”. O Pentágono continua a manter mais de 900 bases militares distribuídas por todos os continentes. O orçamento militar dos EUA é maior que todos os orçamentos militares de todos os demais países do mundo, somados! Esses, sim, são os elementos essenciais do império e da guerra perpétua.

Em seu discurso, o presidente citou “Seneca Falls e Selma e Stonewall”, tentando pintar-se, ele mesmo, como continuador de três movimentos de defesa de direitos iguais para as mulheres, os afro-americanos e os/as LGBT. As conquistas desses movimentos jamais dependeram de presidentes ou exércitos. Foram conquistas de movimentos de massa determinados, ao longo de décadas e séculos.

Contra a evidência de que mais imigrantes foram deportados durante seu governo do que jamais antes em toda a história dos EUA, Obama vangloriou-se de que “estudantes jovens e brilhantes, e engenheiros alistaram-se em nossa força de trabalho e não foram expulsos de nosso país”.

Alguns trechos do discurso soam como saídos de um universo paralelo. “Sabemos que os EUA avançam quando cada pessoa extrai a própria independência e muito orgulho do próprio trabalho, quando os salários pelo trabalho honesto liberam famílias nas fronteiras da miséria”.

No mundo real dos EUA-2013, há mais de 23 milhões de desempregados ou severamente subempregados. Mais de 146 milhões – 48% da população – vive com renda menor que a mínima necessária para sobreviver ou já mergulhou na indigência, recorde nacional. Os salários reais foram incansavelmente empurrados para baixo, ao longo dos últimos 30 anos. Se corrigido pela inflação, o salário mínimo hoje é 45% menor do que era em 1968.

Apesar disso, a palavra “pobreza” só ocorreu duas vezes no discurso: uma, com o verbo usado no pretérito (“quando os anos do anoitecer da vida eram consumidos na pobreza”...) como se hoje não houvesse milhões de idosos entre os mais pobres.

E a outra referência à pobreza: “Somos fiéis ao nosso credo, quando uma menininha nascida na mais profunda pobreza sabe que tem a mesma chance de sucesso que qualquer outra, porque ela é norte-americana, é livre e é igual...” Até soa muito nobre, mas por que, em vez de fazer frases, o presidente não apresentou à nação um plano para pôr fim à “mais profunda miséria” aqui, no país mais rico da história?

Exatamente como já fizera durante todo o primeiro mandato, o presidente não apresentou proposta alguma que visasse a atacar o empobrecimento, a fome, a falta de moradia que não param de crescer. Nada.

Num dos parágrafos mais ardilosos de todo o discurso, ouviu-se o seguinte: “Nós, o povo, ainda cremos que todos os cidadãos merecem grau básico de segurança e dignidade. Temos de fazer as mais difíceis escolhas, para baixar o custo da atenção à saúde e o tamanho de nosso déficit”.

Tradução: Cremos que todos merecem segurança e dignidade. Por isso, em breve estaremos cortando benefícios de atendimento público à saúde de vocês, para atender ordens dos grandes bancos.

A eleição de Barack Obama à presidência dos EUA em 2008 foi ocasião histórica num país marcado pelo racismo mais profundo e mais violento. Quebrou uma sequência de 220 anos de presidentes brancos, descendentes de europeus do norte, praticamente todos milionários, eleitos para o mais alto posto eletivo dos EUA.

Mas fato é que, independente de quem seja eleito, o emprego de presidente dos EUA impõe exigências bem claras aos que se candidatem: terá de ser presidente executivo do império e do imperialismo e protetor das megacorporações norte-americanas.

domingo, 11 de novembro de 2012

Obama reeleito: mais e menos


11/11/2012, Lawrence Davidson, Consortium News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Lawrence Davidson
Barack Obama obteve a reeleição dia 6/11 – e a reação de muitos na esquerda foi: “E daí?”. Ora! Fomos poupados de quatro anos de Mitt Romney. E a esquerda, outra vez: “E daí? São todos farinha do mesmo saco”.

Sim, talvez sejam, mas até farinha do mesmo saco pode variar. Ofereço aqui algumas diferenças positivas e, depois, algumas semelhanças negativas em relação a Romney e seus assessores conservadores. Comecemos pelo lado mais alegre:

– Em termos de probabilidades, os EUA, sob Obama estão menos expostos ao risco de, de repente, nos descobrirmos já em guerra contra o Irã, o que aconteceria no caso de Romney ser eleito. Nas questões da guerra no Oriente Médio, Obama parece capaz de pensar com relativa independência; Romney, como ele próprio disse, não vê diferença alguma entre interesses dos EUA e interesses de Israel.

– Obama tomou atitude sensível, pode-se dizer, em relação aos levantes da Primavera Árabe, exceto, claro, no Bahrain, onde o seu governo manteve o apoio à monarquia, o que foi lamentável. A reação de Romney à Primavera Árabe seria telefonar para Netanyahu e consultá-lo sobre o que fazer.

– Nas questões dos direitos para mulheres, para os gays, relacionados ao meio ambiente e nas questões de educação, qualquer governo Obama sempre será preferível a qualquer governo Romney.

– Se houver vagas a serem preenchidas na Suprema Corte nos próximos quatro anos, estamos menos expostos ao risco de o presidente indicar juízes conservadores extremistas fundamentalistas em governo de Obama, que em governo de Mitt Romney.

– Obama proibiu a tortura que Bush oficializou. Se se consideram os assessores neoconservadores de Mitt Romney, é razoável temer que seu governo cedesse à tentação de reoficializar a tortura nos EUA.

Obamney Combo
As similitudes

Aí ficam listadas algumas coisas positivas, que não se pode dizer que não tenham importância. São importantes. Mas Obama arrasta também um lado obscuro que, às vezes, faz eco à mentalidade dos Republicanos mais conservadores. Para citar algumas dessas sombras:

– Barack Obama é negro afro-americano com, ao que parece, a cabeça cheia de ideias seletivas em matéria de liberdades civis. Deu emprego a outro negro afro-americano, Eric Holder, em cuja cabeça há os mesmos pontos cegos. Holder comanda o FBI e permitiu que a agência se pusesse a caçar elementos de outro grupo minoritário, dessa vez, muçulmanos, envolvendo-os em supostas atividades terroristas as quais, sem o esquema do FBI, praticamente com certeza, jamais teriam sido executadas.

– Durante seu primeiro mandato, Obama pôs-se a caçar “estrangeiros ilegais”, deportando-os aos magotes; e só modificou essa política quando as eleições se aproximavam. Nesse front, Obama absolutamente não merece confiança alguma.

– Obama continuou a aplicar políticas criminosas do presidente Bush, muitas das quais foram institucionalizadas na “Lei Antiespionagem” [orig. Patriot Act] e leis correlatas. Dentre essas políticas criminosas, estão práticas inconstitucionais, como a detenção por tempo indefinido e as escutas clandestinas, não autorizadas.

– E, muito embora a política de Obama para o Oriente Médio provavelmente não nos leve à guerra tão ardentemente ansiada por Netanyahu, primeiro-ministro de Israel e amigo de Romney, Obama continua dedicado a usar seus drones para assassinar civis e a usar suas sanções draconianas para também matar civis, em muitos casos, de fome.

A minoria de Romney

A eleição, propriamente dita, não trouxe resultados tranquilizadores. Basta examinar o mapa que mostra quem venceu em quais estados, e o que se vê é uma assustadora onda vermelha (e quanto ao motivo pelo qual a imprensa-empresa decidiu pintar de vermelho os estados Republicanos, apenas uma geração depois do fim do comunismo russo, aí está um fenômeno superior à minha capacidade de compreender!).
 
Resta, à guisa de consolo, que os estados “vermelhos” são (exceto o Texas) os menos populosos. Mesmo assim, segundo os números finais da eleição publicados no Philadelphia Inquirer (8/11), coisa como 57.591.058 de norte-americanos votaram em Romney, sujeito que pode ser facilmente confundido com o “camaleão anão”, um subgrupo dos camaleões com grande talento para “ajustar as cores da própria camuflagem conforme o olhar das espécies” que o desafiem.

Dos eleitores de Romney, 62% são homens brancos e, mais surpreendentes, 56% são mulheres brancas. Será que toda essa gente votou mais contra Obama, que a favor de Romney? Ou não passavam de bons pacientes para serem usados em shows de hipnotismo e de mentira-encenação coreografados por especialistas?

Depois da vitória, o presidente reeleito fez discurso do tipo “agora vamos, unidos para sempre” o qual, nas atuais circunstâncias, foi embaraçoso, ruim de ouvir.

Depois de termos, tantos de nós, como o presidente, passado meses e meses sob fogo cerrado de ofensas e difamações, ridicularizados sem trégua, preferiríamos ver algum tipo de “resposta” pública, uma reação qualquer, uma vírgula, que fosse, de reação contra a campanha suja dos Republicanos. Seriam sentimentos humanos e adequados às circunstâncias.

Mas, na opinião de Obama, embora alguns até possam discordar “ferozmente”, a montanha de ofensas e desaforos e mentiras e calúnias que assacaram contra ele e contra seus seguidores não passou de manifestação “ruidosa, confusa” de democracia. Segundo o presidente Obama, apesar da guerra imundíssima de que fomos vítimas, todos nós desejamos o mesmo tipo de EUA.

Não, não concordo. Os Republicanos e neoconservadores militaristas do Tea Party não desejam o mesmo tipo de EUA que Obama deseja (ou, pelo menos, eu e muitos outros sinceramente esperamos que Obama deseje). Aposto qualquer coisa que nem John A. Boehner, presidente da Câmara de Deputados controlada pelos Republicanos, deseja os mesmos EUA que Obama deseja!

Pois mesmo assim, na noite da vitória, Obama disse aos seus apoiadores que “acabo de falar com o governador Romney e... Estou ansioso para sentar com ele e conversar sobre o muito que podemos fazer juntos para levar avante esse país”.

Pode não ser oferecimento apenas pro forma, gesto gracioso do vencedor, que estende uma mão conciliatória. Estou convencido de que Obama quer, sim, fazer exatamente o que disse, porque, no âmago do âmago de seu coração, Obama é homem que cede, é homem de concessões. Concederá praticamente qualquer coisa a qualquer um, em praticamente qualquer negociação.

Considerada a estrutura política dentro da qual Obama vive, isso implica que ele fará concessões aos mais cruéis e gananciosos Republicanos, sionistas e neoconservadores – bastando para tanto que eles “ouçam a razão” - e deixem-se convencer por Obama. De fato, a única provável exceção nessa lista são os norte-americanos progressistas que, parece, são vistos por Obama e seus assessores como grupo limítrofe, quase periférico, cujos objetivos e valores não merecem a mesma consideração.

Por tudo isso, os primeiros indicadores sugerem que o segundo mandato de Obama será bastante semelhante ao primeiro. Embora, sim, muitos dos seus apoiadores entendam que não, nada disso, porque engoliram aquele verso sedutor da trilha sonora que diz que “o melhor ainda está por vir”.

Como disse-me um obamista, semana passada, “agora tudo será diferente em Washington, porque Obama provou que a maioria está com ele”. Pensei com meus botões que... Ora bolas! Isso já ficou provado em 2008.

A lista de desejos de Obama

OK, OK, para os que confiam que, no segundo mandato, aparecerá um Barack Obama “com reais inclinações progressistas”, listo aqui algumas coisas que o presidente pode fazer para provar que as coisas não serão exatamente iguais. Muitos dos pontos seguintes foram inspirados em coluna recente de Juan Cole, “Lista de desejos do presidente Obama: Top Ten. [1]

– Obama pode propor e lutar com empenho para aprovar leis que neutralizem essa lei horrenda que criou os Citizens United e a qual, dentre outras coisas, reforça a farsa segundo a qual empresas são “gente” e podem votar e, portanto, os Super PAC têm direito de comprar eleições. Simultaneamente, o Obama “real” pode também investir algum capital político numa campanha decente a favor de uma reforma decente dos sistemas de financiamento de campanhas eleitorais.

– Obama pode empenhar-se a favor de forte regulação, sobretudo para bancos e todos os setores financeiros da economia.

– Obama pode lutar para fortalecer os direitos sindicais, tanto no setor privado, quanto público.

– Pode também trabalhar a favor de leis que tornem ilegais todos os esforços dos conservadores para limitar o direito de ir e vir dos cidadãos; pode dedicar-se, para começar, a pôr fim ao projeto de se emitirem documentos de identidade com foto.

– Obama pode remodelar todas as prioridades do FBI e de outras agências, afastando-as de qualquer missão que tenha a ver com a aplicação da Lei (inconstitucional) Antiespionagem; impedindo essas agências públicas de envolverem-se em esquemas terroristas com vistas a prender e a matar (mais) gente inocente; e impedindo-as, também, de qualquer prática que implique violência contra o direito à privacidade (proibir escutas clandestinas) de milhares de norte-americanos. Em outras palavras, o segundo mandato de Obama deve, afinal, mostrar um presidente eleito que se faz ver, publicamente, em clara oposição aos crimes da era Bush, hoje já travestidos e convertidos em “crimes legais”.

– Por fim, especificamente no que tenha a ver com o Oriente Médio, o presidente Obama pode:

a) parar de criar obstáculos aos esforços dos palestinos para obterem status de membros da ONU; e
b) declarar o perdão dos líderes da Holy Land Foundation, injustamente condenados em acusação de apoio a terroristas, num dos mais escandalosos erros judiciários do século 21.

E... o Barack Obama que se prepara para seu segundo mandato lutará por todas essas causas? Meu palpite é que esforços, se houver, serão, no máximo, mornos. E cada avanço, se houver, virá aguado, diluído em concessões e mais concessões e concessões sem parar. Não porque “política é isso”, ou “tem de ser jogada assim”, mas porque esse é o único modo pelo qual o Barack Obama real quer fazer política.



Nota de rodapé
[1]  11/7/2012, Informed Comment, Juan Cole em: “Top Ten Wish List Progressives should Press on President Obama

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Obama, acordo com o Irã & “swing”


6/11/2012, MK Bhadrakumar*, Indian Punchline
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O muito aguardado comentário dos iranianos apareceu na edição de 2ª-feira do Tehran Times  [1] – sobre como a eleição presidencial nos EUA atinge o Irã. A conclusão:

Romney e Obama discordam em questões como assistência pública à saúde, emprego, orçamento militar e impostos, mas partilham o mesmo ponto de vista no que tenha a ver com prolongar a oposição ao Irã e ao programa nuclear iraniano para finalidades pacíficas. O próximo presidente dos EUA será anunciado dentro de algumas horas; pode-se dizer que qualquer dos candidatos que seja eleito será hostil ao Irã, como todos os presidentes dos EUA que estiveram no cargo desde a vitória da Revolução Islâmica em 1979

A avaliação segue linhas previsíveis. Mas, de fato, o que importa no comentário iraniano deve ser lido nas entrelinhas. A principal entrelinha é que o comentário rebate a acusação de Mitt Romney, de que Obama seria “soft” [suave, frouxo] contra o Irã. Dito em outras palavras, o comentário não compromete as credenciais de Obama, nem suas chances eleitorais

Claro: uma vitória de Romney será golpe duro de assimilar para o Irã, e quase com certeza significará o fechamento do canal oculto de contato que parece estar em operação entre Washington e Teerã. Mês passado, o New York Times  [2] revelou que há contatos secretos entre Washington e Teerã e que conversações diretas podem começar no instante em que se concluam as eleições presidenciais.

Por falar nisso, um jornal israelense de grande circulação popular, Yedioth Ahronoth publicou matéria na 2ª-feira, em que identifica uma advogada de Chicago, nascida na cidade iraniana de Shiraz e hoje conselheira de Obama, Valerie Jarrett, como peça chave do lado norte-americano nas comunicações com os líderes iranianos em reuniões secretas no Bahrain há vários meses.

Enriquecimento de urânio a 20% é essencial para uso civil
Al-Arabiya também noticiou no domingo [3] que o Irã suspendeu o enriquecimento de urânio a 20% como gesto “de boa vontade”, ante a aproximação do início de conversações, dentro do formato P5+1, previsto para o final de novembro. E, isso, logo depois de notícias persistentes de que Ali Akbar Velayati, alto conselheiro do Líder Supremo do Irã Aiatolá Ali Khamenei, tivera reuniões com funcionários da ONU sobre a questão nuclear.

Velayati é figura chave do establishment da política externa do Irã (foi Ministro de Relações Exteriores do Irã, por dez anos) e, se o noticiário é verdadeiro, o processo já envolve os líderes iranianos de mais alto nível. É muito possível um acordo que permita ao Irã enriquecer urânio a baixos níveis e sob rigorosa inspeção.

E até Israel já entrou em cena. Há bons sinais, dado que, segundo matérias recentes, funcionários e diplomatas iranianos e israelenses já estão trabalhando em torno da mesa de negociações, [4] em atmosfera de contato entre empresários, longe de qualquer publicidade; o objeto dessas discussões é a eliminação de todas as armas nucleares em todo o Oriente Médio. Nada disso jamais aconteceria, se o governo Obama não tivesse oferecido forte encorajamento.

Um acordo com o Irã [5] poderia fazer do segundo mandato de Obama algo realmente novo e transformador, não só em termos de desarmar um ponto potencial de conflito altamente perigoso para a segurança internacional, mas, também, em termos de pôr sobre novas bases as relações entre os EUA e o Oriente Médio Muçulmano. E, se o processo levar a uma conferência internacional para que se estabeleça uma zona livre de armas de destruição em massa no Oriente Médio, será passo significativo na direção de implementar a agenda de não proliferação nuclear, que Obama sempre acalentou como possível legado de seu governo.



 Notas de rodapé

[1] 5/11/2012, The Tehran Times, Kourosh Ziabari em: How U.S. presidential election will impact Iran
[2] 20/10/2012, The New York Times, Helene Cooper e Mark Landler em: U.S. Officials Say Iran Has Agreed to Nuclear Talks
[3]  4/11/2012, Al Arabiya News, (with agencies) em: Hard-hit by sanctions, Iran suspends 20-percent uranium enrichment
[4]  5/11/2012, The Guardian, Julian Borger, diplomatic editor em: Israel and Iran hold 'positive' nuclear talks in Brussels
[5]  21/10/2012, Indian Punchline, M.K. Bhadrakumar em: Who’s afraid of US-Iran talks?
MK Bhadrakumar* foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu, Asia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.

EUA-2012: “O implacável espancamento da democracia”


7/11/2012, Robert Parry, Consortium News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Robert Parry
Afinal, depois de quatro anos de longo suplício, o povo norte-americano rejeitou a política dos Republicanos, de sequestro e espancamento implacável da democracia. Em vez de recompensar o Velho Grande Partido [orig. Great Old Party, GOP], por fazer “gemer” a economia dos EUA, os eleitores – por margem de quase 3 milhões de votos – reelegeram o presidente Barack Obama.

A estratégia de violência dos Republicanos começou no dia em que Obama tomou posse, dia 20/1/2009. O plano sempre foi deslegitimar, denegrir e destruir o primeiro presidente negro dos EUA. Fracassou, porque os jovens, os negros, os hispânicos e outras minorias uniram-se na luta para defender o candidato que elegeram; compareceram às urnas em grandes números e nunca cederam.

Em 2012, o presidente Obama perdeu votos entre os brancos (mais brancos votaram nos Republicanos, que em 2008), mas outras minorias demográficas, entre as quais as mulheres, votaram mais massivamente na reeleição que na eleição de Obama.

Ao fazê-los, os eleitores não só rejeitaram o projeto dos Republicanos de usar a economia dos EUA como refém (obstruindo todas as propostas que Obama encaminhou ao Congresso e forçando uma crise que levou ao rebaixamento do crédito dos EUA no ano passado), mas, também, reagiram contra os esforços dos Republicanos de suprimir o voto de milhões de eleitores. Além disso, também neutralizaram o ataque – de violência sem precedentes – da campanha conduzida pela televisão e que rendeu centenas de milhões de dólares às redes comerciais, dinheiro o qual foi injetado na campanha por bilionários pró-Republicanos.

Por tudo isso, a noite das eleições presidenciais foi grande noite para a democracia norte-americana. Os eleitores conseguiram resistir à mais violenta ofensiva conduzida pelos plutocratas e pela televisão, na história moderna dos EUA. Resistiram e deram o troco. Além da reeleição de Obama, os Democratas de fato ganharam assentos no Senado dos EUA (contrariando as expectativas de que poderiam perder a maioria).

Os Republicanos conservaram a maioria que tinham na Câmara de Representantes – beneficiaram-se da nova redivisão em distritos, em muitos estados controlados por governadores e Assembleias estaduais Republicanos – mas, depois de encerradas algumas eleições ainda não decididas, a maioria Republicana se verá menor do que antes.

A Grande Pergunta

Eisenhower
A grande pergunta do dia, portanto, depois desse fracasso dos Republicanos, é se a derrota levará a algum tipo de exame de consciência que faça os Republicanos olharem-se no espelho e começarem a se reconstituir, em busca de uma imagem de partido de empresários sérios e mais responsáveis, semelhante à que tiveram nos anos 1950s, na era Eisenhower.

Richard Nixon
Os Republicanos terão aprendido a lição? Repudiarão, afinal, as táticas do vencer a qualquer custo que aprenderam de Richard Nixon, inclusive sua “Southern Strategy” e os apelos nada sutis a sentimentos e ressentimentos racistas e xenofóbicos? Os Republicanos aceitarão os fatos da ciência, em questões cruciais como o aquecimento global – ou continuarão a insistir em fantasias e a fazer o próprio pensamento político depender integralmente de propaganda?

Os Republicanos afinal reconhecerão que a República Norte-Americana foi criada por Fundadores que acolheram o Estado e o Governo como agentes cruciais na construção da nação, e que conceberam a Constituição para criar uma autoridade central com poderes fortes para promover “o bem-estar geral”? Os Fundadores nunca rejeitaram e desdenharam o governo, como faz hoje o Tea Party.

Encontrar respostas a essas questões é tarefa difícil para os Republicanos, os quais não só internalizaram a violência, ao longo dos últimos 40 anos, mas, também, implantaram genes do “não queremos saber de nada” no próprio DNA do partido. Em termos gerais, os Republicanos beneficiaram-se dessa abordagem. Não é fácil abandonar táticas que tenham dado resultado.

E há também a considerar a realidade da massiva infraestrutura da imprensa-empresa de direita, jornalistas, editores, colunistas, think-tanks mercenários e grupos de ataque organizados como gangues – os quais, todos, tem fortes interesses investidos na manutenção do status quo.

Ainda que alguns líderes dos conservadores possam ter algum desejo ou interesse em mudar a rota, teriam de enfrentar diretamente inúmeros jornalistas e comunicadores, que operam pelas televisões comerciais como propagandistas entrincheirados (falo dos Rush Limbaugh, Glenn Beck e da rede Fox News), todos a postos, desde já, para denunciar como traidores quaisquer conservadores que deem sinal de interessar-se por atitude mais responsável.

Nesse quadro, ante a perspectiva de guerra quase inevitável, o Partido Republicano pode bem optar por manter a mesma linha de atuação; continuarão, assim, a trabalhar para consolidar o voto dos brancos e para legislar na direção de suprimir o voto de outros grupos étnicos, investindo simultaneamente cada vez mais em propaganda, para estabelecer confusão ampla, geral e irrestrita na opinião pública, para perseverar nas táticas de obstrução de votações.

Mas a dura realidade com a qual os Republicanos têm hoje de conviver é que aquelas táticas velhas não deram certo em 2012. Os Republicanos fizeram refém a economia dos EUA e disseram, pela imprensa-empresa, que a única salvação, para os eleitores, seria eleger Mitt Romney e, dali em diante, obedecer servilmente a um Congresso Republicano.

Hoje já se viu que mais de 60 milhões de eleitores reelegeram o presidente Obama e declararam que o Partido Republicano dos EUA é blefe.

Obama, o filho da mãe? (II)



Publicado em 08/11/2012 por Urariano Motta*

Recife (PE) - Há quatro anos, em 5 de novembro de 2008,  publiquei o texto a seguir. 

Na vitória de Barack Obama há um aspecto original que não vem sendo notado. “Há muitos aspectos, colunista apressado”, poderia ser dito. Tentarei explicar. Além do mais claro, quero dizer, além do fato mais óbvio, de Obama ser o primeiro negro eleito para a presidência dos Estados Unidos, me chama atenção que na sua vida há uma vitória sem ruído de pessoas “derrotadas”, ou marginalizadas na cultura da sociedade norte-americana. Para ser mais preciso, na sua vitória há uma vitória muito especial da sua mãe.

A mãe de Obama, Stanley Ann Duham, foi uma pessoa rara já a partir do nome com que foi batizada. O pai queria um filho homem, e se compensou , ou se vingou, impondo-lhe um nome de homem. Para quê? O bom da vida são as limonadas que fazemos dos limões que nos atiram. Stanley Ann, para a sociedade americana em 1960, não demorou a mostrar a que veio. Aos 18 anos, conheceu o negro Barack Hussein Obama na Universidade do Havaí, em uma aula de... russo! Branca, namorou o jovem queniano, casou.... queremos dizer, juntou suas roupas e livros às dele, e teve Barack Hussein Obama Jr. Como a estabilidade não era bem o seu ideal, separou-se poucos anos depois. Em 1964, ainda irrecuperável, Stanley Ann voltou à faculdade para se formar e casar à sua maneira mais uma vez: uniu-se a um estrangeiro não-branco, o indonésio Lolo Soetoro.

Stanley Ann era não só diferente, rebelde, por intuição. Antropóloga, escreveu uma dissertação de 800 páginas sobre os trabalhos de serralheria dos camponeses de Java. Trabalhando para a Fundação Ford, defendeu o direito das mulheres trabalhadoras e ajudou a criar um sistema de microcréditos para os pobres. Maya Soetoro-Ng, a meia-irmã de Obama, afirmou recentemente sobre a mãe:

“Essa era basicamente a sua filosofia de vida: não nos limitarmos por medo de definições estreitas, não erguermos muros à nossa volta e nos empenharmos ao máximo para encontrarmos a afinidade e a beleza em locais inesperados”.

Stanley Ann Duham morreu de câncer no ovário em 1995. O pai, a quem Obama dedicara um livro, ele mal viu, depois dos 2 anos de idade. Por isso afirmou, o primeiro homem negro eleito para a presidência dos Estados Unidos: “Eu creio que se eu soubesse que a minha mãe não iria sobreviver à doença, eu escreveria um livro diferente – menos meditação sobre o pai ausente, mais celebração da mãe que era a única coisa constante em minha vida”, escreveu no prefácio de suas memórias, “Sonhos De Meu Pai”. E acrescentou “Eu sei que ela era a mais gentil, o espírito mais generoso que já conheci e o que existe de melhor em mim eu devo a ela”. Para essa Ann, mulher estranha para os valores dominantes, delicada e rebelde, na campanha eleitoral Obama chamava de a sua "mãe solteira".

O presidente eleito não repete, é claro, o pensamento, os atos e as convicções da mãe. Se assim fosse, não teria chegado aonde chegou. Mas sem as idéias de Stanley Ann Duham, Barack Hussein Obama Jr. não teria tido a mais remota possibilidade de existir. Em lugar do “sonho americano”, que toda imprensa proclama, Obama é antes uma vitória do pensamento e de idéias não-conservadoras, que estavam no limite dos marginalizados hippies. E os hippies, vocês lembram, naqueles malditos tempos acabavam nas prisões, ou como em Easy Rider, sob tiros de espingarda.

Em 2008, um filho de mãe solteira, de uma irrecuperável, é eleito presidente. Para essa nova história, somente espero não ser um colunista muito apressado.

As linhas acima escrevi há quatro anos. Neste novembro de 2012, depois de ver os crimes que Obama cometeu na política externa dos Estados Unidos, reconheço que fui muito apressado. O presidente Obama é apenas um presidente dos Estados Unidos. Se algum dia ele foi o filho da mãe, daquela hippie marginalizada, foi, mas não mais.

No exercício da presidência o negro anulou sua origem.  
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Urariano Motta*é natural de Água Fria, subúrbio da zona norte do Recife. Escritor e jornalista, publicou contos em Movimento, Opinião, Escrita, Ficção e outros periódicos de oposição à ditadura. Atualmente, é colunista do Direto da Redação e colaborador do Observatório da Imprensa. As revistas Carta Capital, Fórum e Continente também já veicularam seus textos. Autor de Soledad no Recife (Boitempo, 2009) sobre a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife, em 1973, e Os corações futuristas (Recife, Bagaço, 1997).

Enviado por Direto da Redação

Pepe Escobar: “Barry Obama, outra vez”


8/11/2012, Pepe Escobar, Asia Times Online - US PRESIDENTIAL ELECTION
Traduzido  pelo pessoal da Vila Vudu


Pepe Escobar
LAS VEGAS – É, ele conseguiu. Com ajuda da demografia, do corpo a corpo, de arrancar os eleitores de dentro de casa, da campanha de telefonemas diretos aos eleitores, apesar dos temores de que os votos dos negros e hispânicos que votaram antecipadamente em Ohio e na Flórida fossem suprimidos, e com mais de 55% do eleitorado feminino a seu favor, Barack Obama ganha seu segundo mandato para (re)projetar, pelo menos, alguma amostra do evanescido sonho americano, num país, profunda, gravemente dividido (os votos populares virtualmente empatados em 49%, e sem falar dos 90 milhões de norte-americanos que sequer se deram o trabalho de votar).

Nas palavras do Big O: Here I am, baby [Cá estou, baby] (introdução de Stevie Wonder [1]); agora, é só questão de “aperfeiçoar nossa união”, “os píncaros da esperança”; “uma família americana como uma nação e um povo”, “o melhor ainda está por vir” [2]. Trata-se de oportunidades iguais; de um “laço comum”; “se você tentar, você consegue” e de “esperança”. Tudo outra vez. Mas dessa vez, para valer? Será que pega?

Empire State azul
A CNN pintou o Empire State de azul. Histeria em massa no quartel-general da campanha, em Chicago; mas, nos confortáveis intestinos com ar condicionado do cassino Aria em Vegas, não se ouviu rigorosamente festa alguma. O pessoal que participa do campeonato de pôquer (US$100 a entrada, mais $25 para apostar nas megatelas HD do livro Race and Sports) estava mais interessado em apostar nos jogos de futebol da NFL, em corridas de cavalos e até na distante Liga dos Campeões da Europa.

Quando o sol se punha em Vegas, já era evidente que os britânicos é que entendem de apostas. Betfair indicava Romney com apenas 15% de chances de vitória (os britânicos já o enterravam, àquela hora, cadáver do tipo 9/1).

Se essa eleição norte-americana foi um cassino multibilionário operado pelas duas campanhas, o negócio original e às veras, em Vegas, dá sinais de andar mal das pernas. O cassino Aria esteve virtualmente deserto durante toda a tarde e o início da noite, hora local, quando todo o suspense concentrava-se na Flórida – até que as redes finalmente projetaram a vitória de Obama em Ohio e bateram o martelo.

Visão impressionante, andando por ali, por aquele cemitério iluminado de máquinas solitárias. Uma Roda da Fortuna oferecendo mais de $289 mil dólares. Uma Progressive oferecendo mais de $1,2 milhão. Uma loteria Megabucks oferecendo bons $16 milhões (Double Diamonds, alguém se interessa?) E até uma Progressive modesta – cada jogada a 1 cent – oferecendo nada desprezíveis $11 mil dólares. E ninguém jogando. Ninguém. Nada. Exceto, mais para o final do dia, é claro, um lento influxo de chineses fanáticos, interessados em conquistar as mesas de Blackjack. A guerra comercial/monetária que Mitt declarara contra o Império do Meio, afinal de contas, jaz afogada nas ondas do Pacífico Asiático.

O Inferno dos Despejos
Cassino deserto é sinal infalível de economia em dificuldades graves. Obama levou Nevada – mas os eleitores, sim, se mostraram bastante relutantes. Nevada é O Inferno dos Despejos – ainda mais e maior que no Arizona (onde Romney venceu) ou no Novo México (onde Obama venceu). O desemprego chegou oficialmente aos 12%, mas moradores dizem que, em Las Vegas, já ultrapassa os 20%. Bastou afastar-me alguns quarteirões da Strip, para ver quarteirões e quarteirões de casas inacabadas ou semidestruídas, desertas, como cadáveres ardendo ao sol. Pelo menos 7% dos eleitores de Nevada são mórmons. Não bastaram, para Romney. Nem o grupo de trabalhadores de cassinos que votaram em Obama em 2008 e que na 3ª-feira, no último momento, decidiram votar em Romney.

E cojones, meu irmão?

A demografia de Nevada foi crucial – além da campanha perfeita em campo, para Obama. Desde 2008, quando Obama venceu no estado pela primeira vez, a população latina aumentou nada menos que 39%. A maioria vota com os Democratas. O fato de a campanha de Romney jamais ter conseguido avançar aí, sequer um palmo, em situação de economia ultradeprimida, é prova provada de suprema incompetência. Os 71% de latinos pró-Obama, de fato, enviaram mensagem portentosa aos Republicanos: “Não se metam conosco. Vocês não sabem do que se trata, mas, por aqui, nós temos cojones”.

Pesquisa informal que esse repórter errante fez ao longo de mais de 9.500 km, em seis estados do sudoeste dos EUA, já alertava sobre o que viria: Romney, conforme o previsto, levou Utah e Arizona (estado que, em breve, o voto latino pintará de azul). Obama levou California, Nevada, Colorado e Novo México. A campanha de Romney fez de tudo para desqualificar e enfraquecer os eleitores pobres, negros, hispânicos e os estudantes – todos apresentados como parte dos 47%, no mesmo saco, com soldados, aposentados e desempregados – em todos os estados, inclusive nesses. E falhou miseravelmente. E como não falharia? Romney simplesmente demitiu da vida civil e pública, 47% da população dos EUA.

Mitt Romney imita Genghis Khan
Além do mais, Mitt “Pastas Cheias de Mulheres” Romney atacou feito Genghis Khan (perdoe, Genghis, a comparação) tudo: do aborto à imigração, da mudança climática (não existe, é fraude) à pesquisa com células-tronco. E, sobretudo, cuidou de preservar o Santo Graal, a qualquer custo: os tais cortes de impostos à moda Bush.

Na política exterior, Romney antagonizaria a Rússia e iniciaria guerra comercial/monetária contra a China, logo no dia da posse – sem falar em começar imediatamente a bombardear, bombardear, bombardear o Irã. Se se considera a espantosa ignorância de Romney do o mundo, entende-se que se tenha tornado presa fácil para medíocres de mediocridade de dimensões cósmicas como Dan Senor ou John Bolton. Que se afundem no esquecimento. – E vale também para Karl Rove.

Assim sendo... E agora? Num mundo perfeito, desejar é poder: Obama fará o máximo para construir um país que comece a andar na direção de mais tolerância, justiça social e igualdade. Não é garantido que consiga. Nem que tente. Longe disso.

Quanto ao mundo em grande escala, só perguntas: Obama afinal terá cojones para realmente pôr fim à tragédia dos palestinos? Para mostrar o porrete – e sem cenouras – àquelas petromonarquias antidemocráticas do Golfo Persa? Para engajar-se em “reset” que efetivamente signifique “reset” com os russos? Repensará as suas várias “guerras de sombras”? Deixará de converter o tal “pivô” na direção da Ásia em preâmbulo de guerra contra a China? Chegará a um acordo com o Irã?

Fato é, caro Barry, que, agora, as desculpas acabaram-se. Trate de pôr em ação os seus cojones.



Notas dos tradutores

[1] Pode ser visto/ouvido a seguir:


[2] Orig. The Best Is Yet To Come. É verso que dá título a uma canção gravada por Frank Sinatra. Pode ser vista/ouvida a seguir:


Pode-se também obter a tradução da letra em: O melhor ainda está por vir