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segunda-feira, 31 de março de 2014

Para criticar a “mídia”, é preciso dar nomes aos bois!

A PROPÓSITO DE: 28/3/2014, [*] Glenn Greenwald, The Intercept [excerto]
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 
A hipocrisia de tratar o Rei Abdullah como democrata e Maduro como ditador

Entreouvido na Viela do Xixi na Vila Vudu: Esse artigo não é nenhuma brastemp, não tem novidade, ainda não é propaganda política de democratização, mas já é jornalismo de democratização E É MUITO BOM, como exemplo disso. Greenwald é jornalista liberal e ainda crê no jornalismo liberal. Além disso, trabalha em ambiente de (muuuito) melhor jornalismo, que nós, cá no Brasil, condenados todos ao monopólio e à mediocridade quase INACREDITÁVEL do “jornalismo” das empresas imprensa do Grupo GAFE (Globo-Abril-FSP-Estadão). Mas até Greenwald, por jornalista liberal que seja, JÁ SABE que se pôr a criticar “a mídia”, sem dar nomes aos bois, é perder tempo e energia.
Criticar “a mídia” só faz algum sentido e tem alguma serventia no mundo real, se a crítica inclui nome, RG, CPF, profissão e residência , bem divulgados, dos agentes da tal de “mídia”, os próprios jornalistas (editores e repórteres, todos, agentes discursivos MUITO MAIS DIRETAMENTE ATIVOS de fascistização da opinião pública, até, que os patrões deles), caso a caso: é indispensável dar nomes aos bois.
Ou só se critica uma palavra (a tal de “mídia”) e não se critica nem o pensamento (sujo) nem o serviço (ainda mais sujo) que OS JORNALISTAS, alguns políticos que sabem servir-se da tal de “mídia” e seus marketeiros são pagos para fazer e fazem (e alguns, jornalistas empregados fascistas sinceros, fascistas convictos, fariam também, igualzinho, mesmo que tivessem de PAGAR pra fazer).
Vejam aí que a crítica é personalizada, dirigida, nome, história, profissão e endereço e tuuuudo.

 
Tommy Vietor em casa
Tommy Vietor foi porta-voz do Conselho de Segurança Nacional do presidente Obama, no primeiro mandato. Deixou o posto para criar uma empresa de consultoria (associado a Jon Favreau, que escrevia discursos para Obama), a serviço da qual pôs seus contatos na Casa Branca, para construírem estratégias de ação nas redes sociais e na mídia em geral para empresas que negociam (grandes negócios) com o governo. Sua sala de trabalho, hoje, é adornada com pôsteres do presidente Obama (como se vê no vídeo).

A função de Vietor [não são INCRÍVEIS esses jovens empreendedores?! 8-))))))) [NTs]), que ele cumpre aplicadamente é simples: expressar e incorporar as ideias mais definitivas, mais convencionais, do que a Washington imperial pensa sobre ela mesma.

Na 2ª-feira (24/3/2014), Vietor foi ao Twitter, para atacar publicamente Oliver Stone, por ter manifestado seu apoio ao governo de Maduro na Venezuela:


[no tuíto:] @Oliver Stone: Como você pode apoiar Maduro, quando ele mantém ilegalmente presos líderes da oposição como #LeopoldoLopez?

Aí, claro, nada se vê além da velha tática preferida da Washington oficial: fingir cinicamente que se preocupa com direitos humanos, ao mesmo tempo que trabalha para minar governos que não obedeçam às ordens dos EUA.

Para os tommy vietors do mundo, o governo de Maduro não é ruim porque “mantém ilegalmente presos líderes da oposição”; é ruim porque se opõe a políticas dos EUA, recusa-se a obedecer ordens dos EUA e derrota, em eleições livres e populares, os candidatos neoliberais subservientes preferidos dos EUA. Até aí, nada de novo.
 
Tommy Vietor, vestindo trajes patrióticos
A coisa para de me parecer cômica, contudo, quando vejo a habilidade dos tommy vietors do mundo para convencerem, em primeiro lugar eles mesmos e, na sequência, também outros, de que conseguem distribuir esse tipo de “comentário”, sem serem imediatamente arrastados para praça pública, em desgraça. A mesma pessoa que invoca preocupações com direitos humanos a ponto de condenar publicamente Stone por apoiar governo democraticamente eleito na Venezuela passou anos apoiando tiranias – essas sim! – brutais e viciosas, que jamais foram eleitas para governar coisa alguma.

O governo Obama, do qual Vietor foi porta-voz, várias vezes forneceu armas ao governo do Bahrain para esmagar brutalmente manifestações democráticas de opositores do ditador. O mesmo governo Obama apoiou vigorosamente o repelente regime de Mubarak, aliado dos EUA por muito tempo, até que a queda tornou-se inevitável; Hillary Clinton, logo depois de nomeada Secretária de Estado, não teve pejo:

Realmente considero o Sr. e a Sra. Mubarak amigos de minha família.

Obama várias vezes abraçou os monarcas do Qatar, dos Emirados Árabes Unidos e do Kuwait. E tudo isso, independente do apoio político, financeiro, diplomático e militar inigualável que os EUA dão com prodigalidade a Israel, mesmo depois de décadas ininterruptas de ocupação, repressão e agressão aos palestinos.

E há também o mais íntimo dos aliados dos EUA, o principal, que é também uma das ditaduras mais brutalmente repressivas do mundo: a Casa de Saud. Durante o mandato de Vietor, o governo Obama revelou planos para entregar aviões de guerra à Arábia Saudita, negócio de mais de US$ 60 bilhões, o maior negócio de vendas de armas nos EUA em toda a história, e “conversações com o reino saudita sobre upgrades nos sistemas naval e de mísseis de defesa que poderiam chegar a mais dezenas de bilhões de dólares”.

Há cinco meses, o Pentágono anunciou “planos para vender à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos US$ 10,8 bilhões em armamento avançado, incluindo mísseis Cruiser ar-terra e munição de precisão”, um pacote que “inclui as primeiras vendas dos EUA a aliados no Oriente Médio das novas armas fabricadas por Raytheon e Boeing que podem ser lançadas à distância pelos aviões F-15 da Arábia Saudita, e F-16 dos Emirados Árabes Unidos”.

A Casa Branca de Obama repetidas vezes afirmou sua forte parceria com a tirania saudita.

Hoje [anteontem, 28/3/2014)], Obama chega a Riad, para garantir aos monarcas sauditas que os EUA continuam tão firmes como sempre na íntima parceria entre os dois governos, e tentar acalmar as ansiedades sauditas. Vai-se encontrar com o rei Abdullah, “terceiro encontro entre Obama e o rei, em seis anos”.


(...) tentar suavizar as relações com a Arábia Saudita, mostrando ao antigo aliado dos EUA que não está esquecido.

De fato “altos conselheiros do presidente dizem que a visita é um investimento numa das mais importantes relações dos EUA no Oriente Médio”.

Se você quer justificar tudo isso e argumentar cinicamente que seria benéfico para os EUA apoiar tiranias brutais e repressoras, OK, vá em frente. Pelo menos, será falar conforme age, postura honesta. Mas não se ponha a falar como se os EUA fossem alguma espécie de bastião contra a repressão política e a violação de direitos humanos, quando já se sabe que a verdade é, tão dolorosamente, o contrário disso.

E se você já trabalhou tanto, por tanto tempo, para garantir todos os tipos do mais irrestrito apoio vital a todos os regimes mais brutais do mundo, não se meta, agora, a fazer pose de líder da gangue, a criticar os que defendem governos mais democráticos e benignos.



[*] Glenn Greenwald (6 de março de 1967) é advogado um norte-americano, especialista em Direito Constitucional  dos EUA, colunista, blogueiro, comentarista político e escritor estadunidense. Atualmente (2014), vive no Rio de Janeiro Brasil. Divulgou, inicialmente através do jornal britânico The Guardian, as informações sobre os programas de Vigilância Global dos Estados Unidos, que vieram as claras através dos documentos fornecidos por Edward Snowden. Foi colunista do sítio Salon.com, do jornal britânico The Guardian e atualmente, desde o início de 2014 lançou o site de notícias The Intercept, uma publicação da First Look Media, criado pelo próprio Glenn Greenwald juntamente com Laura Poitras e Jeremy Scahill.3
Greenwald é premiado colunista de política nos Estados Unidos  e autor dos best-sellers, How Would a Patriot Act? (2006), A Tragic Legacy (2007), e Great American Hypocrites (2008). Suas análises sobre a vigilância governamental americana e a Teoria da separação dos poderes são usualmente citados nos jornais The New York Times, The Washington Post e  em debates no Senado e na Câmara de Representantes dos EUA.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Como se constrói a encenação de “protestos” anti-governo na Venezuela

Galeria de fotos

16/2/2014, Dawgs Blog, Global Research
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Manifestantes anti-governo jogam pedras (Venezuela em 12/2/2014)

A política polarizada da Venezuela está outra vez nos veículos da imprensa-empresa, com manifestações pró (primeira foto abaixo) e antigoverno, com, até agora, quatro mortos: um apoiador do governo; um manifestante da oposição; um policial; e um morto cuja origem não está determinada.

Manifestação pró-governo em 14/2/2014
Mas a imprensa está noticiando como se TUDO fosse “prova” da repressão por forças do governo.

Praticamente TODAS as imagens que estão sendo exibidas são imagens repetidas, de outros “eventos”. A atual “crise” está sendo integralmente inventada pelo “jornalismo”.

Não há quem não lembre as manifestações/contramanifestações no Palácio Miraflores em 2002, no início do golpe, que teve vida curta, contra Hugo Chávez.

Houve 19 mortos, naquele dia. Sete deles estavam na manifestação pró-Chávez; sete na manifestação anti-Chávez; e cinco eram passantes. Houve também no total 69 feridos, naquele dia. 38 na manifestação pró-Chávez, 17 na manifestação da oposição, e 14 eram repórteres ou passantes.

TODOS esses mortos e feridos foram apresentados como vítimas de Chávez – pela oposição e por quase a totalidade dos veículos da imprensa-empresa internacional. Como se Chávez tivesse ordenado aos militares e a militantes pró-Chavez que atirassem contra os comícios da oposição. Como se vê acontecer novamente hoje, a única coisa que se prova é que, então, o lado do governo é campeão de errar o alvo.

No que tenha a ver com a Venezuela, a imprensa-empresa internacional sequer se dá ao trabalho de fingir alguma “objetividade”.

A Venezuela é ameaça direta e declarada contra a ordem hegemônica, caracterizada hoje por estados latino-americanos domesticados, ditaduras emergentes apoiadas pelos EUA os quais, todos, aceitam como bons meninos e boas meninas as políticas econômicas neoliberais.

Com petróleo suficiente para poder dizer “não” a tudo isso, a Venezuela criou sua própria parceria contra-hegemônica, a ALBA-TCP. E domesticamente, enquanto só se ouve falar de racionamento de papel higiênico e inflação, estão acontecendo avanços substanciais em várias frentes, já há vários anos – a pobreza continua a diminuir, há avanços notáveis na educação, na redução da mortalidade infantil, e veem-se passos rápidos na direção da igualdade de gênero, saúde materna e infantil, e proteção ao meio ambiente.

Ninguém lerá palavra sobre isso, na imprensa-empresa estrangeira que opera na Venezuela.

Só se ouve falar e lê-se sobre os sofrimentos da oposição. Imagens horríveis são diariamente repetidas em centenas de veículos, pelo Twitter, não raras vezes repetidas também em veículos considerados mais “sérios”, como a CNN (só rindo [Nrc]).

Aqui se veem alguns policiais brutais, com belos chapéus e colarinho de pele, provavelmente para se proteger do frio de 30ºC de Caracas. 



E policiais búlgaros (provavelmente em visita a Caracas). 

(clique na imagem para aumentar)

E uma baixa:

(clique na imagem para aumentar)
Mas a vítima é um manifestante chavista. E a foto foi feita ano passado.

Aqui, a foto republicada, tirada, de fato, na Argentina:
  
(clique na imagem para aumentar)
E aqui uma foto feita no Chile: 



Aqui, um coitado, realmente muito azarado; foi atingido por tiros em abril e novamente, ferimento idêntico, no mesmo lugar, nos “atuais protestos”:

(clique na imagem para aumentar)

Essa é um ícone! Mas a CNN teve de admitir que a foto foi feita, na verdade, em Cingapura: 



Essa foto foi feita na Grécia: 


Aqui, os “jornalistas” anti-Chávez roubaram, desavergonhadamente, um jornal egípcio. Essa foto correu mundo durante a Primavera Árabe: 
(Clique na imagem para aumentar)

Aqui, imagem de partir o coração, de bebês em cestas de lavanderia, com a manchete “Que revolução é essa?” A foto foi tirada em Honduras: 


Aqui, uma das minhas preferidas: uma procissão religiosa, “noticiada” como protesto anti-governo na Venezuela: 
(Clique na imagem para aumentar)


As mídias sociais, que viralizam e denunciam essa loucura, e às vezes até seduzem grandes veículos da grande imprensa-empresa, como a CNN, são também os meios pelos quais os farsantes são rapidamente desmascarados.

Os leitores considerem-se convidados a indicar mais links que comprovem a grande farsa que “a mídia” está construindo, para um país que a mesma “mídia” está inventando e que só tem em comum com o país que existe, o nome: também se chama “Venezuela”. Mas não é a Venezuela real.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Rússia sob ataque

14/2/2014, [*] Paul Craig RobertsInstitute for Political Economy
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Guerra Fria
Em vários de meus artigos, tenho explicado que a União Soviética sempre serviu com força de contenção contra o poder dos EUA. O colapso da União Soviética abriu as comportas para a ambição de dominação dos EUA sobre o mundo. Agora, a Rússia de Putin, a China e o Irã são as únicas forças de contenção contra a agenda neoconservadora.

Os mísseis nucleares russos e a tecnologia militar fazem da Rússia o maior obstáculo militar contra a dominação norte-americana. Para neutralizar a Rússia, os EUA quebraram os acordos Reagan-Gorbachev e expandiram a OTAN para dentro de territórios que, antes haviam sido do império soviético; e agora querem incorporar à OTAN também territórios que foram da própria Rússia – a Geórgia e a Ucrânia.

Os EUA romperam o tratado que bania os mísseis antibalísticos e implantaram bases de mísseis antibalísticos na fronteira da Rússia. Os EUA mudaram a própria doutrina de guerra nuclear para permitir o primeiro ataque nuclear.

Tudo isso visa a diminuir o poder de contenção da Rússia e, assim, a diminuir a capacidade da Rússia para resistir aos desígnios de Washington.

O governo russo (e também o governo da Ucrânia) permitiu tolamente que várias ONGs mantidas pelos EUA operassem como agentes dos EUA, disfarçadas como “organizações de direitos humanos”, para “construir a democracia” etc.. O evento do “agito das bucetas” [orig. “pussy riot”] foi evento planejado e executado para expor imagem negativa de Putin e da Rússia. (As mulheres foram recrutadas como figurantes úteis).

O ataque pela imprensa-empresa ocidental contra os Jogos Olímpicos de Sochi são parte da operação para ridicularizar e demonizar Putin e a Rússia. Washington decidiu que Putin e a Rússia não terão espaço para exibir imagem de sucesso em nenhum setor, seja a diplomacia sejam os esportes ou os direitos humanos.

A imprensa-empresa nos EUA é um Ministério da Propaganda para o governo e as empresas, e ajuda Washington a pintar a Rússia sempre com cores nefandas. Stephen F. Cohen descreve a cobertura que a imprensa-empresa norte-americana dá à Rússia como “um tsunami de artigos vergonhosamente antiprofissionais e politicamente incendiários”.

Como restos da Guerra Fria, a imprensa-empresa nos EUA ainda conserva imagem de imprensa livre, na qual se poderia confiar. De fato, já não há imprensa livre nos EUA (exceto alguns sites de Internet).

Rússia - Vista aérea do parque olímpico de Sochi-2014
(clique na imagem para aumentar)
Durante os últimos anos do governo Clinton, o governo dos EUA permitiu que cinco conglomerados gigantes concentrassem toda a mídia ainda variada, dispersa e, em certo sentido, ainda independente, que havia. O valor dessas mega-empresas depende das licenças para operar concedidas por órgãos federais. Assim sendo, as empresas-imprensa não se atrevem a ir contra o governo, em nenhuma questão realmente importante.

No Brasil o fenômeno é mais complexo e muito menos estudado (de fato, NÃO É ESTUDADO). Aqui, as empresas-imprensa – não mais que cinco, seis empresas, todas de origem familiar – também dependem de concessão do Estado para operar.
Mas, muito estranhamente, essas privilegiadíssimas empresas-imprensa não fazem outra coisa além de distorcer fatos e acontecimentos sempre para fazer-crer que tudo, qualquer coisa, e exposta para soar como catastroficamente péssima para “o país”, é culpa exclusivamente do partido que está no governo e na chefia do Estado há mais de dez anos e nunca, em nenhum caso, seria culpa dos (sempre os mesmos) que governaram o Brasil sem parar um dia desde o golpe de 1964 até a primeira posse do presidente Lula.
Assim se vê que, no Brasil, a doença que já matou o jornalismo e está matando as próprias empresas-imprensa NÃO É a falta de “liberdade de expressão”, mas talvez seja... o excesso de “direitos” que o Estado e o governo garantem, mesmo depois de UMA DÉCADA de governos populares... a seis famílias-empresas “midiáticas”?! Será isso?! Como assim?! [NTs].

Além disso, as empresas-imprensa nos EUA já não são comandadas por jornalistas, mas por executivos de empresas de propaganda & marketing e ex-funcionários do governo – sempre com um olho posto no mercado publicitário e nos anunciantes e o outro olho posto no acesso fácil a “fontes” do governo.

No Brasil também isso é diferente: aqui, as empresas-imprensa (todas deficitárias e fracassantes) são também comandadas por gente de propaganda & marketing a serviço de grandes anunciantes (indústria da construção civil, indústria automobilística, indústria das escolas e universidades privadas, indústria da saúde, indústria da alimentação, a Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) em geral, inteirinha; e a serviço, também, do latifúndio), mas ninguém tem interesse em ter acesso fácil a qualquer fonte do governo: aliás, é o contrário.
O governo (poder concedente dos licenças para que as empresas-imprensa de televisão operem) ABSOLUTAMENTE NÃO TEM ACESSO aos veículos.
E aos veículos da imprensa-empresa, no Brasil, só interessa acesso fácil à oposição... o que, afinal, jamais foi difícil e sempre foi fácil, muito fácil, facílimo, é claro, sempre, desde 1964. [NTs]

Washington está usando a mídia para preparar o povo norte-americano para a confrontação com a Rússia; e para influenciar os russos e outros povos do mundo contra Putin. Washington adoraria ver, na presidência da Rússia, um russo mais dobrável que Putin.

Muitos russos são facilmente enganáveis. Tendo conhecido o fim do regime comunista e o caos do colapso, muitos russos creem, ingenuamente, que os EUA são o melhor país do mundo, em cujos governantes se pode confiar e crer. Essa ideia idiota, que se vê manifesta na Ucrânia ocidental, enquanto os EUA vão desestabilizando o país, preparando-se para tomar conta de tudo, é importante arma que os EUA usam para desestabilizar a Rússia.

Há russos que vivem a inventar desculpas para os EUA, explicando que a retórica anti-Rússia não passa de um resto que teria sobrado dos velhos estereótipos da Guerra Fria. “Velhos estereótipos” é engodo, mais uma ideia que se inventa para desencaminhar a atenção, para distrair. Washington está bombardeando a Rússia. A Rússia está sob ataque, e se os russos não se aperceberem do que está acontecendo, serão varridos do mapa.

Muitos russos estão dormindo ao volante, mas o Clube Izborsk está tentando acordá-los. Em artigo de 12/2/2014 publicado na revista russa Zavtra, militares e especialistas estrategistas alertam que a utilização pelo “ocidente” dos protestos de rua, para reverter a decisão do governo da Ucrânia de não se integrar à União Europeia, produziu uma situação a partir da qual se torna possível um golpe por forças fascistas. Esse golpe levaria a uma guerra fratricida na Ucrânia e constituiria “séria ameaça estratégica contra a Federação Russa”.

Os especialistas concluíram que, caso esse golpe seja bem-sucedido, as consequências para a Rússia seriam:

— perder Sebastopol como base da Frota do Mar Negro da Federação Russa;

— expurgos de russos no leste e no sul da Ucrânia, o que geraria ondas massivas de refugiados;

— perda de capacidades de manufatura em Kiev, Dnepropetrovsk, Kharkov, onde estão instaladas as indústrias que produzem para os militares russos;

— supressão da população falante de russo, numa ucranização forçada;

— estabelecimento de bases militares de EUA e OTAN na Ucrânia, inclusive na Crimeia; e o estabelecimento de centros de treinamento para terroristas a serem implantados no Cáucaso, na bacia do Volga e talvez até na Sibéria; e

— disseminação de protestos orquestrados em Kiev para grupos étnicos não russos em várias cidades da Federação Russa.

Bases navais e aéreas russas no Mar Negro (losangos vermelhos)
Os estrategistas russos concluem que consideram “catastrófica para o futuro da Rússia a situação que está tomando forma na Ucrânia”.

O que fazer? Nesse ponto, os estrategistas que analisaram corretamente a situação presente, erram. Recomendam campanha nacional pela mídia, para expor a natureza do ataque que está em andamento, e que o governo da Federação Russa invoque o Memorando de Budapeste, de 1994, para convocar conferência de representantes dos governos de Rússia, Ucrânia, EUA e Grã-Bretanha, para enfrentar as ameaças que hoje pesam contra a Ucrânia. No caso de o Memorando de Budapeste que determina e protege a soberania da Ucrânia ser desrespeitado por uma ou mais das partes reunidas, recomendam que – usando como precedente as negociações Kennedy-Khrushchev, que superaram a crise dos mísseis de Cuba em 1962 – a Federação Russa negocie diretamente com Washington uma solução para a crise que se desenrola na Ucrânia.

Essa proposta é delírio. Os especialistas russos estão-se autoenganando. Os EUA são autores perpetradores do que se vê acontecer na crise ucraniana e têm planos para tomar a Ucrânia, e exatamente pelas mesmas razões que os especialistas diagnosticaram com acerto. Trata-se exatamente de um plano para desestabilizar a Rússia e para negar a Putin qualquer sucesso diplomático por, até agora, ter conseguido impedir que os EUA atacassem militarmente a Síria e o Irã.

Na essência, se os EUA forem bem-sucedidos na Ucrânia, a Rússia estará praticamente eliminada como fator de contenção contra a dominação dos EUA sobre o mundo. Com isso, só restará a China.

Suspeito que a Ucrânia tenha sido levada ao ponto de ebulição, para tirar vantagem de um momento em que Putin e a Rússia concentravam-se na preparação dos Jogos Olímpicos de Sochi. Não parece haver dúvida alguma de que a Rússia está diante de grave ameaça estratégica. Quais são, então, as reais opções, para a Rússia? Com certeza, nenhuma real opção para salvar a Rússia inclui contar com qualquer boa vontade de Washington.

Foto aérea parcial da Base Naval russa de Sebastopol, Ucrânia (Mar Negro)
Uma possibilidade é a Rússia operar segundo o script norte-americano. Se a Rússia tem drones, pode usá-los como fazem os EUA, para assassinar os líderes dos protestos patrocinados por Washington. Ou a Rússia pode mandar equipes de suas Forças Especiais para assassinar os agentes que estão operando contra a Rússia. É o que os EUA estão fazendo em todo o mundo. Se a União Europeia continuar a trabalhar para desestabilizar a Ucrânia, a Rússia pode cortar o fornecimento de petróleo e gás para todos os governos europeus fantoches dos EUA (seriam “sanções incapacitantes”, do tipo que Hillary Clinton tanto aprecia).

Outra possibilidade é o Exército Russo ocupar a Ucrânia ocidental, enquanto se tomam medidas para dividir a Ucrânia, a qual, por 200 anos e até recentemente, foi parte da Rússia. Não há dúvida de que a maioria da população da Ucrânia ocidental prefere a Rússia, à União Europeia. É possível, até, que muitos da população ocidental, que passaram por lavagem cerebral, parem de babar ódio pela boca por tempo suficiente para que percebam que entregar-se às mãos de EUA/União Europeia implica entregar-se para serem saqueados, como já aconteceu na Letônia e na Grécia.

Listo aqui os desdobramentos menos perigosos da crise que EUA e seus estúpidos fantoches que governam países europeus criaram; não estou dando conselhos ou fazendo recomendações à Rússia. Porque o pior desdobramento possível é uma guerra muito perigosa.

Base aérea russa de Gudauta, Abicássia - Georgia
Se os russos nada fizerem, a situação se converterá num quadro inadmissível para eles. Se a Ucrânia se mover na direção de integrar-se à OTAN, com supressão da população russa, o governo russo terá de atacar a Ucrânia e derrubar o regime ali instalado por forças externas à região; sem isso, só restará ao governo russo render-se aos EUA. Dado que não haverá rendição, o efeito da temerária ameaça estratégica que Washington está impondo à Rússia pode ser a guerra atômica.

Victoria Nuland, a hiper-neoconservadora, está em sua sala no Departamento de Estado, escolhendo, risonha, os nomes que imporá como governantes da Ucrânia. O governo em Washington não sabe dos riscos de imiscuir-se nos assuntos internos da Ucrânia? O presidente e o Congresso dos EUA não sabem que Nuland está fabricando o apocalipse?

Quanto aos cidadãos, não, ninguém está prestando atenção. Ninguém sabe que menos de meia dúzia de ideólogos neoconservadores trabalham a favor de empurrar o mundo para destruição cada vez maior.

NOTA: Recebi, num e-mail da Moldávia, país que tem fronteiras com Romênia e Ucrânia, com cidades sobre a fronteira Moldávia-Ucrânia, com denúncia de que há moldávios  recebendo 30 euros/dia para posar como “manifestantes” ucranianos. Peço que quem tenha informação consistente, distribua; ou me indique alguma fonte publicada que comprove essa denúncia.



[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. 

Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.