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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Diálogos de paz na Colômbia: Duas visões que se enfrentam já desde o primeiro instante


20/10/2012, Narciso Isa Conde*, Tiro Al Blanco/La Pluma (Santo Domingo, Republica Dominicana)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Nas montanhas da Colômbia, Narciso é ladeado pelos comandantes Ivan Márquez e Jesús Santrich, ambos representantes das FARC-EP no diálogos de paz
A prolongada guerra civil colombiana tem suas causas no regime violento e cruel de dominação, exploração e exclusão social, econômica, política, cultural (...) que se formou ao longo da história da Colômbia, muito especialmente nos últimos 60 anos.

É produto do modelo agrário, do latifúndio, da dependência, das aberrações de um capitalismo constantemente recolonizado, do sistema de repressão e terror político patrocinado pelos EUA e suas doutrinas militares, da negação da real democracia, da cultura violenta e despótica promovida pela classe dominante-governante durante seis décadas, pelo ímpeto de depredação e empobrecimento do neoliberalismo ao longo dos últimos 20 anos e da crescente intervenção de unidades militares especializadas e de bases norte-americanas e israelenses de operações em território colombiano, para tutelar guerra local de baixa e média intensidade contra as forças insurgentes e a população insatisfeita.

Isso se traduziu em fome, desigualdades escandalosas, profundas injustiças sociais e de todo tipo, abuso de poder, torturas, paramilitarismo (perversamente acolhido e mantido a partir do Estado), narcomilitarismo e narcopolítica, assassinatos a granel (incluídos os executados com motosserras, chamados “falsos positivos”), as grandes covas comuns e cemitérios clandestinos), despejos massivos e cruéis, deslocamentos massivos forçados, restrições às liberdades, delinquência de Estado e corrupção do sistema de partidos tradicional...

A insurgência armada e a rebeldia social e política não armada foram uma resposta político-social a essa realidade cruel, a essa guerra suja em tempo integral: guerra de Estado, da classe dominante, do poder imperialista e máfias associadas a essas forças.

O problema da posse e do uso de armas

As armas em poder dos e das revolucionários e revolucionárias civis das FARC-EP e do ELN não são causa dessa guerra, mas resposta forçada à violência social, econômica, cultural, política, militar e paramilitar que chega ao povo imposta de cima para baixo e usada sistematicamente como fator de submetimento, opressão e represálias.

Armas podem existir e não ser usadas, podem ser necessárias ou desnecessárias, possuem-se ou não se possuem armas, conforme as circunstâncias. Nem sempre é necessário distribuir armas no curso das lutas populares. Mas, sim, podem ser indispensáveis quando são garantia de direitos justos, de vários deles, inclusive do direito de dialogar em busca de paz.

Os/as primeiros a ter e usar armas não foram membro das forças insurgentes revolucionárias colombianas. Esses foram, isso sim, os primeiros a propor um cessar-fogo, para que se criasse clima adequado a essa segunda fase dos diálogos de paz inaugurados em Oslo-Noruega, dia 19/10/2012.

Agenda comum e intenções reveladas

Comandantes Iván Márquez e Jesús Santrich na mesa de negociações
O comandante Iván Márquez – que conheço, de quem gosto e que admiro – falando em nome da delegação das FARC-EP no ato inaugural, procurou, em sentido geral, de forma elegante e profunda ir à medula do problema, às causas profundas do conflito armado, identificar a guerra e as injustiças e desigualdades, ao modelo agrário, ao modelo mineiro, à dependência e à intervenção estrangeira, ao tipo de sociedade, ao sistema político excludente, à necessidade de mudança profunda e integral. E o fez nos termos da agenda preliminar aprovada pelas partes.

O representante do governo e do poder estabelecido na Colômbia, o ex-vice-presidente Humberto De la Calle, respondeu dizendo que “nem o modelo econômico, nem a doutrina militar nem a inversão estrangeira estão em discussão. A mesa se limitará só aos temas que estão na agenda. As ideias que as FARC queiram ventilar são suas, podem promovê-las depois de acabado o conflito e terão de fazê-lo sem armas”.

O caso é que a agenda aprovada contempla a questão agrária, a participação política, o narcotráfico, a situação das vítimas e o fim do conflito, nessa ordem e sem que em momento algum a agenda inclua ou preveja, como condição a entrega prévia e unilateral das armas das FARC-EP.

O senhor De la Calle – personagem com escassa experiência de andar por ruas das periferias – enunciou, sem querer querendo, saídas diretamente das entranhas, as intenções fundamentais de poderosos setores do oficialismo pró-imperialista ativas nesses diálogos: cercar, pressionar fortemente as FARC-EP, para que aceitem entregar unilateralmente suas armas. É o meio com que contam para continuar a apresentar o exército popular, construído pelos e pelas guerrilheiros e guerrilheiras, durante décadas de sacrifícios, como causa básica, quase única, da guerra e da violência.

De la Calle expôs imprudentemente fora de hora, tolamente precipitado, a pretensão do governo de apresentar “outras” raízes para o conflito armado, diferentes das que o comandante Iván Márquez listara; situou aquelas raízes, outra vez, no fato de haver armas em mãos de guerrilheiros: a insurgência seria causa do conflito, não consequência do conflito; já pressionando na direção de exigir a rendição das FARC; como se a paz só fosse cogitável se a guerrilha for desarmada, desmobilizada e “legalizada”, deixando intactos o sistema e seus modelos setoriais, ou modificado, só, por reformas limitadas e mudanças domésticas.

Bandeira das FARC-EP
Por tratamento especial para o tema das armas

O representante do presidente Manuel Santos, cujo governo está montado numa crise sistêmica integral e sitiado por movimento político-social (armado e não armado) em ascensão, ignorou que agora, mais que nunca na Colômbia, a palavra paz significa justiça; os acordos entre as partes implicam mudanças substanciais, e a questão das armas exige tratamento totalmente diferente do tradicional.

E isso vale igualmente para as FARC-EP e o ELN e também para o vergonhoso regime colombiano.

A ninguém deve ocorrer a ideia de que seriam tolos os guerrilheiros que lutam a guerrilha mais antiga, mais experiente e mais heroica da história moderna em todo o mundo. E confesso que, para mim, seria desconcertante, triste surpresa, que cometessem erro dessa magnitude – repetindo os erros que tanto nos custaram, do M-19, raiz da desmobilização e da deposição das armas, efeito dos acordos que deram lugar à vida legal-eleitoral da União Patriótica, do pactado na Guatemala e, inclusive do que ocorreu nesse plano, embora com consequências menos graves, em El Salvador.

Manuel Marulanda
Relembrando Marulanda

Nunca esquecerei o que me disse o camarada Manuel Marulanda durante longa, íntima conversa, quando visitei a Colômbia no início dos diálogos de paz do Caguán, quando me deu plena certeza de que os dirigentes das FARC jamais aceitariam dissolver, numa mesa de conversa, o exército popular construído com enormes sacrifícios durante mais de 40 anos. O camarada Marulanda repetiu que o exército popular é patrimônio do povo em luta e a revolução em marcha, que tinha de ser parte e garantia das mudanças a serem feitas, mesmo que sob o marco de qualquer acordo com vistas a uma etapa de paz e a uma transição democrática.

Tenho certeza de que a nova e talentosa direção dessa força insurgente continuará leal a essa concepção medular exposta por seu líder legendário, que, além de defender acertadamente o que o esforço revolucionário coletivo acumulou, rechaça categoricamente a ideia do desarmamento unilateral e de entregar o monopólio da ação militar em mãos das direitas e do bloco dominante.

O fim do atual conflito armado na Colômbia é o último ponto a ser abordado, na agenda acordada. A inclusão nessa posição indica que tratamento adequado da questão dependerá dos êxitos que se obtenham nos quesitos anteriores e que de modo algum o fim do conflito armado estaria inexoravelmente amarrado à entrega de armas por qualquer das partes, embora, sim, por definição a paz implique o fim do recurso às armas e, consequentemente, dos combates armados.

Sou dos que pensam que, nesse caso, uma paz com garantias duradouras, sem riscos graves de desequilíbrios inadmissíveis e de violações imediatas, nunca será obtida mediante a dissolução sumária dos exércitos populares, mas, sim, buscando-se formas novas, originais, de convivência e coexistência de todos no processo da transição democrática e de construção da nova institucionalidade.

As FARC e o ELN são organizações político-militares com ampla presença nacional. O militar, o político e o social que nelas se combinam são a garantia de sua existência e de sua potência duradoura, de que se cumprirá a agenda de mudanças nacionais, de que os movimentos democráticos, patrióticos e revolucionários civis serão defendidos. Se se deixassem desarmar unilateralmente, estariam, lamentavelmente, decretando seu autoextermínio progressivo e o retrocesso de qualquer avanço que se possa obter nos diálogos de paz. Esse é dado muito claro e forte da história colombiana e lição a extrair dessa fase altamente perigosa, consequência da decadência e da ainda maior agressividade do imperialismo norte-americano.

Jamais a paz foi sinônimo necessário do desarmamento de apenas um dos lados. A paz é, isso sim, sinônimo necessário de justiça, liberdade, bem-estar coletivo, fim dos conflitos armados e plena garantia de que o que for acordado agora será executado, com plena participação e sob vigilância popular. As atuais conversações de paz não podem vir a ser exceção, nessa definição de paz efetiva.



Narciso Isa Conde* é marxista. É analista político, escritor e veterano das lutas contra a ditadura de Trujillo e a invasão ianque à República Dominicana em 1965. Durante a revolução de abril de 1965, representou o Partido Comunista no comando político da revolução chefiado pelo coronel Francisco Caamaño. Em sua longa carreira política, foi preso, perseguido e exilado pelo governo de Joaquín Balaguer. Isa Conde é hoje um dos líderes do Movimento Caamañista (MC) e participa da presidência coletiva do Movimento Continental Bolivariano.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ELN/FARC-EP: Declaração Conjunta


Montanhas da Colômbia, 28/9/2012

“... não pode haver outro caminho para a unidade revolucionária e luta, ação de massas nas ruas, a revolta popular no campo e cidades”, diz um fragmento declaração conjunta FARC-ELN.


Na foto, o Pastor Alape (com boina), membro do Secretariado das FARC e do comandante Gallero, ELN, do Bloco Guerrilheiro de Bolívar do Sul logo após uma coluna combinada das duas organizações guerrilheiras abater dezenas de paramilitares e destruir cinco fortificações desses irregulares que são apoiados e operam helicópteros fornecidos pelo exército colombiano; FOTO: Dick Emanuelsson.
O Exército de Libertação Nacional [Ejercito de Liberación Nacional (ELN)] e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Exército do Povo [Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia, Ejército del Pueblo (FARC-EP)], inspirados nos mais profundos sentimentos de irmandade, solidariedade e companheirismo, com otimismo e alta moral de combate, unidos num forte abraço de esperança na mudança revolucionária, reuniram-se para analisar a situação política nacional e internacional, os problemas da guerra e da paz na Colômbia e avançar no processo de unidade que, desde 2009, vêm forjando passo a passo, com o propósito de fazer convergir ideias e ações que permitam enfrentar, ao lado do povo, a oligarquia e o imperialismo – elementos que impõem a exploração e a miséria.

Absoluto dever nosso, que não se rende, é continuar na busca de uma paz que, para a Colômbia e para o continente, signifiquem o estabelecimento da verdadeira democracia, da soberania popular, da justiça social e a liberdade.

Realizamos esta reunião, em momento em que se desenrola a mais profunda crise do sistema capitalista mundial, caracterizada por desavergonhada sequência de guerras de invasão, de saque e de sobre-exploração dos recursos da natureza, com precarização das condições de trabalho, que condenam à fome e à morte milhões de seres humanos num planeta governado pela voracidade do imperialismo, rumo ao caos e à destruição.

Em nossa pátria, as calamidades geradas por este sistema de super-exploração desumana e exclusão dos mais pobres aumentou a desigualdade e aprofundou a confrontação de classes, em dimensões jamais vistas antes, as quais derivam diretamente da aplicação ininterrupta e descontrolada de políticas neoliberais, que favorecem os grandes grupos financeiros e as grandes corporações transnacionais, em detrimento das maiorias nacionais.

No panorama internacional de crise sistêmica do capital, que mostra seus vários rostos, de debâcle financeiro, econômico, ambiental, urbanístico, energético, militar, político, institucional, moral e cultural, a Colômbia configura-se como país de economia reprimarizada e financeirizada.

A essa condição os detentores do poder arrastaram a Colômbia, para permitir o saque que se faz pela extração sem limites, o roubo de recursos naturais e a especulação financeira. Milhões de colombianos foram jogados na miséria e na guerra, imposta pelas elites para calar o inconformismo das maiorias ante essa iniquidade.

O governo de Juan Manuel Santos foi instaurado para garantir a continuidade dos planos de despossessão por roubo, que o imperialismo impõe ao povo colombiano. Uma nova espacialidade do capital, acompanhada de ordenamentos jurídicos e disposições militaristas de segurança e defesa, imersas ainda na velha Doutrina da Segurança Nacional e terrorismo de Estado, aplica-se em nosso país, para blindar os ‘direitos’ do capital, o bem-estar dos ricos, à custa dos trabalhadores e do povo mais humilde.

Sob essa perspectiva, define-se a nova etapa de saque de terras, hoje disfarçada sob o falso nome de “restitución”. Na prática, aos milhões de deslocados e vítimas de sucessivas etapas de expulsão violenta patrocinada pelo Estado, somam-se agora novas legiões de camponeses, indígenas e gente pobre em geral, aos se arrebatará ou se negará a terra, mediante procedimentos de falsa legalidade, o que engrossará os números da pobreza e da indigência que põem a Colômbia como o terceiro país mais desigual do mundo.

Esse é o sentido cruel da segurança para os investidores e de prosperidade, que o presidente Juan Manuel Santos propagandeia, ao mesmo tempo em que segue encarcerando, assassinando e reprimindo todos os opositores.

Frente a essa realidade, não pode haver outro caminho para os revolucionários que a unidade e a luta, a ação de massas nas ruas, o levante popular no campo e nas cidades, desafiando a criminalização dos protestos e exigindo do governo ações reais na direção da paz, que não podem ser senão a solução dos problemas sociais e políticos que as maiorias enfrentam, por causa do terrorismo de Estado da casta governante, cujas tendências mais belicistas conduziram os destinos do país na última década.

Não será com demagogia e ameaças de repressão e mais guerra que se porá término ao conflito. Não será com compra de mais material bélico, nem entregando a Colômbia ao Pentágono que se chegará à paz. Não será com planos militares e soluções de terra arrasada – como o “Plano Patriota” ou “Espada de Honra” – que se alcançará a reconciliação dos colombianos. Muito menos com ‘'ultimatos'’ à guerrilha, brotados da ideia vã de que a paz seria resultado de alguma quimérica vitória militar do regime, que teria conseguido por de joelhos a guerrilha, rendida ou desmobilizada, ante esse patético chamado ‘'marco jurídico'’ para a paz de que o governo cogita.

Nossa vontade de paz radica no convencimento de que o destino da Colômbia não pode depender dos interesses nefastos da oligarquia. As mudanças políticas e sociais, com participação e decisão plenos do povo são necessidade e exigência inafastáveis. Mas a unidade e a mobilização do povo a favor das mudanças estruturais, baseadas na justiça e para construir a paz são as únicas verdadeiras chaves para que alcancemos a paz.

A passos firmes, na unidade de pensamento e ação, assinam, fraternalmente,

COMANDO CENTRAL, ELN
SECRETARIADO DEL ESTADO MAYOR CENTRAL, FARC-EP
Montanhas da Colômbia, setembro de 2012

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Comandante Nicolás Rodríguez Bautista, “Gabino”


EJÉRCITO DE LIBERACIÓN NACIONAL, ELN-COLOMBIA

18/9/2012, Entrevista concedida a Carlos Lozano (Marcha, Argentina)
Traduzida pelo pessoal da Vila Vudu

Carlos Marín Guarín
Desde que o presidente Santos anunciou o acordo para iniciar negociações de paz com as FARC, praticamente nada mais se ouviu do Ejército de Liberación Nacional, ELN.

Até agora, o único a falar fora o dirigente Carlos Marín Guarín, “Pablito”, integrante da Frente Oriental do ELN, onde se localizam os níveis mais intensos de atividade da guerrilha. Em entrevista coletiva da a um grupo de correspondentes nacionais e internacionais, distribuída na Argentina pela rede Cartago TV, Guarín disse apenas que “Como chefe do ELN, cabe a nosso comandante Nicolás Rodríguez Bautista decidir com quem mantém negociações”.

Nicolás Rodríguez Bautista
Rodríguez Bautista, conhecido como “Comandante Gabino”, integra a guerrilha desde a formação, em 1964. De família católica, chegou ao comando em 1998, depois da morte do sacerdote e dirigente guerrilheiro Manuel Pérez Martínez. O correspondente do jornal argentino Marcha, que acompanham na Colômbia as negociações de paz, fez contato com o Comandante Gambino, que concordou em conceder essa entrevista, na qual o comandante histórico do ELN fala sobre o que sua organização pensa dessa nova etapa da luta política na Colômbia.

Marcha: Por que só as FARC, não o ELN, participam das negociações de paz recentemente anunciadas?

Comandante Gabino:
Antes de tudo, recebam saudações respeitosas do ELN da Colômbia, com nosso desejo de que mantenhamos aberta essa linha de comunicação. Esperamos que a irmandade de nossos povos nos una sob as bandeiras de nossos grandes, como San Martín, Bolívar, Artigas, o Che, Camilo Torres e tantos outros lutadores pela liberdade e pela democracia.

Respondendo sua pergunta: a única vez que a guerrilha sentou à mesma mesa de negociações foi na década dos 1990 do século passado, nos diálogos com o presidente Gaviria. Todas as outras experiências foram diálogos em separado, com cada força guerrilheira. Mais uma vez, será feito assim. O ELN entende que o mais acertado, para construir um processo de paz, é uma única mesa de negociações para toda a guerrilha. Temos de nos esforçar para chegar lá. É preciso alcançar níveis de unidade e estamos caminhando para conseguir isso. Respeitamos o processo que o governo iniciou com os companheiros das FARC e desejamos a eles o máximo êxito. Confiamos que, adiante, o processo que agora se inicia, de negociações em separado, possa convergir para uma mesma mesa. Exceto algumas diferenças, somos forças com objetivos semelhantes, o que é o mais importante.

Marcha:
Quais são hoje, na Colômbia, os requisitos para essa paz que voltou a estar na boca de todos, inclusive do presidente Santos?

Comandante Gabino:
 A maioria dos colombianos estão cansados de uma guerra interna que já dura mais de 50 anos; os vários setores sociais foram-se organizando e falou-se de uma saída política que leve ao término dos confrontos, como é o caso do Congresso dos Povos, que está organizando um Congresso de Paz para o próximo ano. Também muitas organizações populares e sociais já se manifestaram sobre a urgência de construir a paz. Quando se fala de paz, todos os colombianos e colombianas queremos que o momento chegue. O problema é que entendemos a paz de diferentes modos e a queremos em condições diferentes, conforme a situação e os interesses de cada grupo. As grandes maiorias na Colômbia, inclusive a guerrilha, entendemos que paz é justiça e igualdade social, democracia e soberania. Mas para a classe dominante, paz é o que se consegue quando se derrota o inimigo interno no campo de batalha – palavras do próprio presidente Santos, dias antes de se iniciarem os diálogos com as FARC.

Processo de paz, nas condições colombianas, para que leve a paz estável e duradoura, requer a participação não só da guerrilha e do governo, mas dos vários setores populares que são os que carregam às costas o peso da guerra. A paz é processo longo e dispendioso, contra o qual se alinham inimigos poderosos, os mesmos que lucram muito com a guerra.

Marcha
: Como é a situação social, nas comunidades onde o ELN está presente?

Comandante Gabino:
Nas comunidades onde o ELN está presente, vive-se em estado de guerra. São os territórios conhecidos como “zonas vermelhas”, submetidos a operações militares e policiais permanentes. Tudo ali é controlado, movimentos, provisões, especialmente alimentos e remédios. Toda a vida da população é vigiada, sob o pretexto de que as pessoas colaboram com a guerrilha. As forças repressivas do governo, aliadas a forças mercenárias paramilitares, atuam com a população como força de ocupação. A população é exposta a todos os tipos de vexames e ações repressivas.

As áreas onde os camponeses subsistem do cultivo de plantas de uso ilícito, como a folha de coca, são castigadas, os proprietários, por serem proprietários das terras, e as plantações por serem consideradas ilegais, todos submetidos à aspersão permanente de um fungicida, Glifosato, que destrói as plantas da folha de coca e também outras plantas, e causa danos irreparáveis a animais e seres humanos, às crianças e aos idosos, sobretudo, e a mulheres grávidas.

Essa repressão já gerou massa considerável de exilados internos, que não podem circular nos centros urbanos, porque são considerados ilegais, e perambulam pelo país, como alvos vivos dos ataques das forças armadas, que os consideram alvo militar. Está gerada uma situação muito grave para numerosas famílias, cuja única proteção é a guerrilha. Passou a ser dever da guerrilha proteger essas pessoas, contra o ataque das forças governamentais. Nada disso é novidade. Essa é uma das explicações pelas quais muitos jovens camponeses, homens e mulheres, não têm alternativa de sobrevivência, além de alistar-se na guerrilha.

Marcha:
Em função das experiências anteriores, como o senhor acredita que terminará essa recente nova tentativa de diálogo?

Comandante Gabino:
Apesar de diálogos tentados antes não terem tido êxito, vemos com expectativa a possibilidade de um processo sério e realista, que abra caminho para a paz, como desejam as maiorias colombianas, esgotadas em mais de meio século de conflito social e armado, que já ultrapassou todos os limites. A classe dominante não conseguiu derrotar a guerrilha, nem o movimento popular, apesar da violência da guerra suja e do terrorismo de Estado.

As forças governamentais, assessoradas pelos EUA e por Israel, tentaram aplicar aqui a experiência de outras guerras; mas, apesar da violência e da crueldade, nem o movimento popular nem a guerrilha foram derrotados, e se mantêm.

Entendemos que nessa realidade, o caminho certo a seguir é o que chamamos “uma saída política” – que significa que, mediante um diálogo aberto, que envolva não só a guerrilha e o governo, mas as mais variadas expressões populares e sociais,  consiga chegar-se a um acordo responsável para superar as causas que produziram o levante armado e ponha fim à confrontação, com solução bilateral e todos possamos cuidar de reconstruir o país, superando a crise profunda que destroçou o tecido social e a convivência normal na Colômbia.

O ELN propôs, há mais de 20 anos, a saída política. Cinco governos anteriores assumiram nossa proposta como sinal de fraqueza e trataram, só, de aproveitar como vantagem militar o nosso interesse em dialogar. Dessa vez, afinal, parece que a classe do poder está assumindo com mais realismo a responsabilidade de construir a paz, como as maiorias reclamam, em nosso país.

Marcha:
Como o ELN vê o futuro da guerrilha na Colômbia, para os próximos anos. Consideram a possibilidade de renunciar à luta armada e dirigir toda sua força para a luta política?

Comandante Gabino:
Nos levantamos em armas há quase 50 anos, porque a luta popular ampla e legal não recebeu garantias políticas e jurídicas. Quando se alterar essa lógica perversa, e haja garantias e respeito para que a luta popular prossiga, o povo já não precisará de armas para defender seus direitos. Mas essa decisão, hoje, está em mãos da classe que ainda domina a Colômbia; são os únicos que, como se diz, têm a palavra. Se, depois de 50 anos de guerra fratricida, dispõem-se afinal a reconhecer à maioria da população seu direito a justiça e igualdade social, à democracia e à soberania, então, afinal, se poderá avançar para a paz. Claro que não se faz paz por decreto. Mas é urgente que se comece a andar nessa direção.

Não concebemos que a solução esteja na desmobilização e no desarmamento da guerrilha. Essa forma já foi tentada e fracassou, porque a essência do conflito é social; e foi o conflito social que levou ao levante armado. É preciso portanto ir às causas originárias do conflito, para encontrar soluções. Só assim será possível superar o conflito e mudar a situação em campo.

Continua na Parte 2 de 17/9/2012 (a seguir)


Marcha: Depois das fortes ofensivas do governo do ex-presidente Uribe, há territórios liberados, sob controle da guerrilha?

Comandante Gabino: Nesse meio século de luta guerrilheira, não houve territórios liberados, no sentido de territórios nos quais as forças governamentais não podem entrar. Os desenvolvimentos dessa guerra de quarta geração não permitem territórios vedados nem para as forças do governo nem para as forcas da guerrilha. O que existe são extensas regiões nas quais a guerrilha permaneceu por meio século e, embora a força militar inimiga tenha entrado, não pôde nem aniquilar nem expulsar a guerrilha. A esses territórios, vários analistas chamam de “zonas vermelhas”. São regiões de população camponesa de centenas de quilômetro onde o Estado apenas marca presença com suas forças repressivas.

Marcha: Arauca é uma das províncias petroleiras mais importantes da Colômbia, onde o ELN consolidou presença mediante ações de defesa dos bens comuns e das comunidades indígenas. Qual a situação atual em Arauca?

Comandante Gabino: Propusemos ao governo e ao país uma proposta soberana e de benefício social para a exploração do petróleo, mas os governos mantiveram-se surdos, porque sua política na exploração dos recursos minerais e energéticos é imposta pelo capital internacional, em troca de financiamento para a guerra contra o povo. Denunciamos a exploração irracional de petróleo em Arauca e no país, em detrimento dos interesses dos colombianos, o dano às comunidades indígenas, a destruição da biodiversidade o grave dano ao meio ambiente. Nossa política tem várias identidades com a dos trabalhadores do petróleo e da população dessa região.

Recentemente desenvolvemos campanha político-militar, de 7/6 a 16/8, contra as forças armadas que protegem o capital estrangeiro. Tivemos ali oito combates contra o exército, 17 emboscadas, 47 ações de comando, 11 explosões no oleoduto Caño Limón Coveñas, foram destruídos dois blindados militares e provocamos 105 baixas no exército e polícia do governo.

Desde junho, até hoje, a construção do Oleoducto Bicentenario está paralisada, resultado de ação revolucionária.

É urgente discutir-se uma proposta de exploração dos recursos minerais e energéticos, que se baseie na soberania e no bem-estar para os colombianos, particularmente para os trabalhadores e a gente que vive na região araucana e em harmonia com o meio ambiente. É preciso pensar no bem-estar e no bem-viver das futuras gerações. A política do presidente Santos em matéria de minérios e energia á anti-pátria, a serviço do capital transnacional. E se não for contida, a Colômbia no futuro será um imenso lixão, sem vida para os seres humanos, com gravíssimas consequências para a mãe-terra.

Uma mesa de diálogo com o governo deve por, no centro da discussão a questão sensível do interesse nacional. O ELN dispõe-se a suspender sua ação revolucionária contra a infraestrutura petroleira, se se abrir discussão sobre esse tema, para abrir caminho para uma saída soberana e em benefício das maiorias.

Marcha: O governo de Santos, de algum modo, buscou um equilíbrio com o governo de Chávez, diferente da pressão belicista que o antigo presidente Uribe mantinha. Veem isso como positivo?

Comandante Gabino: Consideramos que os países do continente americano estão unidos por laços históricos que os irmanam, apesar de suas diferenças políticas e ideológicas. A classe governante colombiana não é monolítica, e uma das expressões disso são os mandatários.

Tanto no primeiro como no segundo mandato, boa parte dos votos que elegeram e reelegeram Uribe foram conseguidos pelos paramilitares, a sangue, fogo e terror. Na Colômbia, todos sabem disso. O lema de Uribe como presidente foi a luta sem quartel contra o terrorismo, para conseguir a chamada “segurança democrática”. Essa concepção delirante levou-o a ver como acérrimos inimigos todas as organizações que foram críticas ao seu governo, além de organizações, personalidades e governos do exterior que o criticaram.

Qualifica todos esses como terroristas ou auxiliadores de terroristas. Nessa concepção, atacou o Equador, que é país irmão, e participou das intentonas golpistas contra o governo do presidente Chávez. Recentemente, o ex-presidente disse que lhe faltou tempo para atacar a Venezuela e fez campanha na fronteira, buscando canalizar os setores mais retrógrados, num esforço desesperado para desestabilizar o governo bolivariano e fortalecer a oposição.

O presidente Santos é parte de uma grande família de raízes históricas misturadas com o poder econômico e político colombiano, representante da oligarquia tradicional. Santos chega à presidência com o caudal eleitoral dos partidos políticos que representam esse poder oligárquico, mas também muitos eleitores seguidores e intimidados pelo uribismo, para os quais sua campanha não mostrava diferenças políticas em relação ao antecessor, que Uribe apenas continuava.

Não é que o presidente Santos seja profundamente diferente de Uribe, mas tem outro modo de governar e dá ênfase a pontos que Uribe nunca destacou. Parte disso são as relações internacionais, dar força à institucionalidade e um pacote de leis reformistas para o Estado, com forte componente publicitário.

Não há dúvidas de que a política internacional de Santos é inteligente e está afinada com a atual fase do capitalismo; e a de Uribe foi torpe e isolou seu governo, do mundo  externo que é importante para qualquer país.

Marcha: Organizações camponesas da Venezuela queixaram-se da alegada presença da guerrilha naquele país. Qual é a política do ELN nas áreas de fronteira e em relação às organizações populares da Venezuela?

Comandante Gabino: Nossas frentes de guerrilha no Norte, Nordeste e Leste estão assentadas num amplo território da fronteira com a Venezuela há mais de 30 anos. Nossos eventos democráticos definiram nossa política de profundo respeito à soberania, autodeterminação dos países, governos e povos irmãos e reafirmamos nossa coerência com esses postulados. A acusação de que nossas forças cruzam a fronteira é invenção dos inimigos da revolução dos dois lados, do lado colombiano e do lado venezuelano. Inventaram um escândalo, a serviço dos interesses que se beneficiam de gerar confusão e animosidade contra as boas relações entre nossos dois países.

Estamos informados de uma das recentes campanhas publicitárias, orquestrados pela oposição venezuelana, na qual nos acusavam de prejudicar as organizações populares na Venezuela. É muito significativo que aquela campanha tenha sido patrocinada pelos setores mais duros da oposição venezuelano nos estados de fronteira entre Colômbia e Venezuela.

Marcha: Cuba e Venezuela apresentaram-se como avalistas dos diálogos de paz entre Santos e as FARC. O ELN teve diálogo direto com os mediadores desses governos?

Comandante Gabino: Os governos de Cuba e Venezuela trouxeram generosa contribuição nos esforços anteriores, feitos pelo ELN, em busca da paz, com os governos de Cesar Gaviria, Andrés Pastrana e Álvaro Uribe. Temos certeza de que também agora têm a mesma disposição de antes, o que muito valorizamos, com alto respeito.

Outros governos do Continente e de outras regiões do mundo, entre os quais a Noruega, também estão interessados em contribuir para o processo de paz da Colômbia. A participação da comunidade internacional é vital para que o processo de paz tenha confiabilidade e êxito, até a paz.

Marcha: No marco das negociações de paz atuais, qual pode ser a contribuição do governo argentino? O que esperam das organizações populares da Argentina e do continente?

Comandante Gabino: Hoje, quando se tornam maiores as possibilidades de um diálogo do governo com toda a guerrilha colombiana, solicitamos mais uma vez e respeitosamente ao governo da presidenta Cristina Fernández, sua contribuição decidida, como parte do grupo de governos do continente que são amigos da paz da Colômbia. Para a paz na Colômbia, é indispensável a contribuição da comunidade internacional e dos países que integram a União de Nações Sul-americanas (Unasul), a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) e a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), que podem trazer apoio muito positivo.

O povo argentino que, em sua grandeza, ergueu símbolos como San Martín, Che Guevara e tantos outros, é irmão do povo colombiano, e suas organizações devem estreitar laços de união, solidariedade e luta, para construir e sonhar o futuro de justiça, democracia, soberania e paz que nós todos merecemos. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

MILICANALHAS: “É preciso aprofundar as verdades”



O MILICANALHA


Publicado em 11/09/2012 por Mário Augusto Jakobskind*

O Brasil está passando por um momento de apresentação à opinião pública de muitas verdades que estavam sendo escondidas. É o caso da série de reportagens sobre torturadores, divulgadas até mesmo pela mídia de mercado, exatamente por órgãos de imprensa que deram total apoio à longa noite de trevas a partir de abril de 1964.

O fato de jornalões como O Globo, como diria Leonel Brizola, que engordaram na estufa da ditadura, divulgarem verdades escondidas demonstram que os defensores daquele período tentam de todas as formas se desvencilhar do passado comprometedor.

Neste passado não basta apenas apontar os, como diria Uraniano, “velhinhos” que quando tinham força torturavam e matavam opositores do regime. É preciso não esquecer dos financiadores da repressão, empresários que hoje, reciclados, apoiam candidatos dos mais variados, mas sempre com objetivo de retribuição a curto, médio e longo prazo. Até porque, não pregam prego sem estopa.

Pois bem, tendo em vista essa questão, a Comissão da Verdade criada no município de São Paulo convocou, além de Brilhante Ustra, o ex-Ministro da Fazenda, Delfim Neto, para esclarecer acusações segundo as quais ele foi um dos arrecadadores de grana para a ação dos órgãos da repressão.


Brilhante Ustra, o major Curió e outros do gênero foram executores do esquema apoiado pelas elites brasileiras, que naquele momento fizeram a opção pela truculência.

Da mesma forma que os órgãos de imprensa conservadores tentam se desvencilhar do passado condenatório, Delfim Neto hoje procura se apresentar apenas como um “técnico” daquela época e chegou nos dias atuais a ser considerado consultor econômico de Luis Inácio Lula da Silva.

O ex-Ministro da Fazenda juntamente com o nonagenário Jarbas Passarinho, entre outros, foram signatários do AI-5 que endureceu ainda mais o regime golpista resultando no aumento de torturas e mortes contra opositores do regime de força vigente no país.

Já são passados mais de 40 anos, mas muitos fatos daquele período ainda não foram totalmente desvendados. Documentos que se encontram agora no arquivo nacional podem ser considerados a ponta do iceberg do esquema repressivo. É necessário também que os demais arquivos da ditadura sejam conhecidos, porque se isso não acontecer, a página do horror acontecida cairá no buraco negro da história.

É claro que os setores extremistas de direita do espectro político atual, embora minoritários e que até de vez em quando se manifestam em comentários de leitores deste espaço democrático, procuram de todas as maneiras evitar que as verdades daquele período finalmente venham à tona.

Não se pode esquecer também que além da face repressiva, o regime ditatorial tinha outras facetas. A política econômica, por exemplo, de arrocho salarial e em determinados momentos de subserviência total aos interesses dos Estados Unidos, cujos governos, desde John Kennedy conspiraram para a quebra da ordem constitucional, deve ser também lembrada.

Outro fato que não se deve esquecer é o de que, no período ditatorial, os meios de comunicação eram impedidos de divulgar denúncias sobre corrupção e corruptores. Os órgãos de imprensa silenciavam, seja por temor da censura, seja por autocensura mesmo.

Vale lembrar também que o poder ditatorial vigente,  encabeçado por generais de plantão nomeados, cassou políticos e até mesmo ministros do Supremo Tribunal Federal, na época, figuras de proa do mundo jurídico brasileiro, entre eles Evandro Lins e Silva e Hermes Lima, nomeando como substitutos nomes sem independência e coragem para não acatarem resoluções do Executivo.

A redemocratização do país não avançou em todos os campos. O Poder Judiciário, por exemplo, continua praticamente intocável e ainda guarda vícios daquele período, que volta e meia se manifestam nas condenações absurdas de movimentos sociais que não aceitam uma ordem social injusta.

Por estas e muitas outras, já é tempo também de passar a limpo o Poder Judiciário e até mesmo mudar os critérios de escolha dos Ministros do STF.

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Na área internacional vale a informação, quase não divulgada, de que um comitê jurídico equatoriano levará a tribunais internacionais a denúncia sobre a coleta de amostras de DNA do povo waorani por parte de enviados do Instituto Coriell, dos Estados Unidos. O Presidente Rafael Correa disse que não permitirá que prevaleça a impunidade.

Depoimentos de integrantes desse grupo indígena confirmaram que em 1991 dois estadunidenses extraíram sangue de alguns deles com o pretexto de examinar sua saúde. O silêncio sobre a violência cometida não continuará, como imaginavam os responsáveis pelo Instituto Coriell, com sede em New Jersey.

Espera-se que outros governos sigam o exemplo do Equador e façam o mesmo em matéria de defesa da proteção aos patrimônios naturais ou biológicos de suas nações.

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Depois de dez anos de  tentativas de diálogo  entre as Farcs e o governo do então Presidente, Andrés Pastrana, depois de tanto sangue derramado, o governo colombiano de Juan Manoel Santos chegou à conclusão de que a saída deve ser o diálogo, que a maioria do povo defende. E as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) sempre defenderam.

Fora do diálogo, não se alcançará a paz e a justiça social. E para se conseguir tudo isso é necessário neutralizar os setores vinculados ao ex-presidente Álvaro Uribe e os ditames do Departamento de Estado norte-americano nestas bandas.
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Obs: O título da postagem e ilustrações foram alterados pela redecastorphoto

Mário Augusto Jakobskind* é jornalista, correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE.

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