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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Egito, 2013: Contra o ataque das Forças Armadas a trabalhadores e sindicatos

18/8/2013, MENA Solidarity Network – Solidariedade aos trabalhadores do Oriente Médio e Norte da África
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Egípcios choram o assassinato de parentes e amigos pelo exército de al-Sisi

DECLARAÇÃO DE EMERGÊNCIA: Egito

(abaixo assinado que será entregue na Embaixada do Egito em Londres, 26 South Street, W1K 1DW, dia 21/8/2013, às 13h – REÚNA-SE A NÓS!)

Estamos horrorizados ante a matança de centenas de manifestantes pelas forças de segurança e exército do Egito durante ações para dispersar apoiadores do ex-presidente Mohamed Mursi das praças nas quais se reuniam no Cairo, dia 14 de agosto. Observamos também com grave preocupação a onda de ataques a cristãos e a igrejas por todo o Egito, desde o início das ações para evacuar as praças de protesto.

Simultaneamente, as forças armadas atacam também para trabalhadores grevistas em manifestação na fábrica Suez Steel, onde dois operários foram presos dia 12 de agosto – e enfrentam acusações que podem levar a penas de 3-5 anos de prisão. Essa ação vem depois de repressão violenta contra trabalhadores grevistas pelo governo da Fraternidade Muçulmana, que incluiu tentativas de cercar trabalhadores ferroviários em greve, em abril de 2013, com uso de cães da Polícia para interromper manifestação pacífica dos trabalhadores da Portland Cement, em fevereiro de 2013.

Quando a Revolução Egípcia começou em 2011, acendeu um farol de esperanças em todo o mundo, com suas bandeiras a favor de pão, liberdade e justiça social. Hoje, o Exército Egípcio tenta afogar em sangue aquela esperança. Os líderes militares querem que o relógio ande para trás e que se reinstaure no Egito a situação que se vivia nos anos de Mubarak. O governo dos militares impôs um Estado de Emergência e está ressuscitando a polícia de segurança de Mubarak.

Por isso continuamos solidários à luta dos egípcios por justiça social, democracia genuína, com plenos direitos de reunião, de organização e de greve.

Nos mobilizamos aqui, em solidariedade aos egípcios, mortos, presos e perseguidos na luta pelos direitos legítimos de protestar, fazer greve e votar.

EXIGIMOS:

Ø Fim imediato do Estado de Emergência;
Ø Que o próximo governo leve a julgamento os autores de todos os crimes que se veem hoje, tanto contra manifestantes como contra a comunidade cristã no Egito;
Ø Que as autoridades egípcias respeitem os direitos dos cidadãos, garantindo-lhes plena liberdade de associação e de manifestação, incluído o direito de greve, e que se anulem todos os processos hoje em curso que violem esses direitos democráticos;
Ø Que Grã-Bretanha, EUA e todos os governos estrangeiros cortem imediatamente qualquer tipo de ajuda e de vendas de armas às Forças Armadas e à polícia egípcias.

Para assinar, use este FORMULÁRIO.

O DOCUMENTO SERÁ ENTREGUE às autoridades egípcias, em manifestação em frente à Embaixada do Egito em Londres, 26 South Street, W1K 1DW, dia 21/8/2013, às 13h.

REÚNA-SE A NÓS!

[assinam, até essa data]

Sue Bond (vice-presidente do Sindicato de Servidores dos Serviços Públicos e Comerciais [Public and Commercial Services Union – PCS), Grã-Bretanha;
Andy Reid (Executiva Nacional, PCS), Grã-Bretanha;
Marianne Owens (Executiva Nacional, PCS), Grã-Bretanha;
Nick Grant (Executiva Nacional, do Sindicato Nacional de Professores [National Executive, National Union of Teachers – NUT), Grã-Bretanha;
Tom Hickey (University and College Union – UCU), Grã-Bretanha; 
Simon Hester (Presidente, HSE Branch) – Grã-Bretanha.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Artistas, professores e militantes norte-americanos pedem que Correa dê asilo a Assange


22/6/2012, Just Foreign Policy -  Megan Iorio
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Embaixada do Equador em Londres
Senhor presidente Correa,

Escrevemos para pedir que o senhor garanta asilo político a Julian Assange.

Como é do seu conhecimento, cortes britânicas negaram recentemente provimento a recurso encaminhando pelo Sr. Assange contra mandato de extradição para a Suécia, onde não há acusação formalizada de qualquer crime contra o Sr. Assange. A extradição foi pedida para interrogatório. O Sr. Assange disse repetidas vezes que está disposto a responder a quaisquer perguntas relacionadas às acusações que lhe foram feita, mas que requer o direito de respondê-las na Grã-Bretanha. Sem qualquer razão admissível, o governo sueco exige que ele seja interrogado na Suécia. Em depoimento, o ex-procurador geral de justiça de Estocolmo e especialista na legislação de seu país, Sven-Erik Alhem, considerou a exigência “não razoável e imprópria, além de injusta e desproporcional”.

Acreditamos que o Sr. Assange tem sólidos motivos para temer a extradição para a Suécia, posto que será preso ao desembarcar e, muito provavelmente, será imediatamente extraditado para os EUA.

O jornalista e advogado militante, especialista em direitos humanos nos EUA, Glenn Greenwald observou recentemente que, se for formalmente acusado na Suécia, será preso e posto em condições “extremamente fechadas, provavelmente sem qualquer comunicação possível, longe dos olhos da imprensa, sem direito a responder ao processo em liberdade sob fiança”. Interrogatórios antes de formalizada a acusação, para casos semelhantes ao dele, na Suécia, são secretos. Greenwald observa que, nessas condições, nem a mídia nem a opinião pública saberão como serão tomadas as decisões judiciais contra o Sr. Assange, nem saberão que informações serão consideradas.  

O Washington Post noticiou que o Departamento de Justiça e o Pentágono conduziram investigação criminal para determinar “se o fundador de WikiLeaks Julian Assange violou leis criminais quando o grupo divulgou documentos do governo, acusações que lhe foram feitas nos termos da Lei Antiespionagem [orig. Espionage Act]”. Muitos temem, baseados em informações contidas nos documentos divulgados por WikiLeaks, que o governo dos EUA já tem preparados os termos da acusação, e só espera a oportunidade de receber o acusado, extraditado da Suécia para os EUA.

O Departamento de Justiça dos EUA forçou outros membros de WikiLeaks a depor ante um Grande Juri, para assim definir que acusações poderiam ser formalizadas contra o Sr. Assange. Os EUA não fazem segredo de sua aberta hostilidade contra WikiLeaks, e altos funcionários do governo Obama referiram-se ao Sr. Assange como “terrorista high-tech”, tendo procurado informações sobre a conta na empresa Twitter da deputada islandesa Birgitta Jónsdóttir, por causa de laços antigos que manteve com WikiLeaks.

Se for acusado e condenado pelos termos da Lei Antiespionagem, o Sr. Assange pode receber a pena capital. 

Antes dele, o caso do Cabo Bradley Manning, soldado norte-americano acusado de ter entregue a WikiLeaks documentos do governo dos EUA, ilustra bem o tipo de tratamento que o Sr. Assange deve esperar, depois de ser preso. Manning foi submetido a prolongado confinamento em cela solitária, foi torturado e humilhado por guardas da prisão onde está, obrigado a permanecer nu, fora da cela, em posição de sentido. Todas essas razões somam-se, para justificar que seu governo assegure asilo e proteção ao Sr. Assange. 

Pedimos também que o senhor conceda asilo político ao Sr. Assange, porque está sendo acusado pelo “crime” de praticar o jornalismo. Revelou crimes contra a humanidade cometidos pelo governo dos EUA – a começar pela divulgação de um vídeo filmado de um helicóptero Apache, em 2007, em que se veem militares dos EUA assassinando, tanto quanto se pode avaliar, deliberadamente, civis, entre os quais dois empregados da Agência Reuters. Os milhares de telegramas do Departamento de Estado dos EUA distribuídos por WikiLeaks revelaram casos em que se veem funcionários do governo dos EUA agindo para minar a democracia e em atos de agressão aos direitos humanos, em todo o mundo.


Dado que aí se tem caso de grave ataque à liberdade de imprensa e ao direito de os cidadãos serem informados sobre importantes verdades da política externa dos EUA; e porque pesa grave ameaça à integridade física, à saúde e ao bem-estar do Sr. Assange, solicitamos veementemente que seu governo conceda asilo político ao Sr. Assange. 

Agradecemos por sua atenção a esse pedido.

[assinam até o momento] 

Michael Moore, Diretor de Cinema
Danny Glover, Diretor de Cinema
Oliver Stone, Diretor de Cinema
Naomi Wolf, Escritora
Glenn Greenwald, advogado constitucionalista e colunista de Salon.com
Chris Hedges, Jornalista
Coleen Rowley, agente aposentado do FBI e ex-conselheiro do Departamento de Justiça de Minneapolis, EUA
Ann Wright, coronela aposentada do Exército dos EUA e ex-diplomata do Serviço Diplomático dos EUA
Ray McGovern, ex-oficial do Exército dos EUA e analista-chefe da CIA (aposentado)
Thomas Drake, Ativista a favor da Lei dos Direitos Civis
Linda Lewis, Diretoria do Fundo de Apoio aos Whistleblowers
Kent Spriggs, do Conselho Habeas, pelo fechamento da prisão de Guantanamo
Jesselyn Radack, Diretor do National Security & Human Rights, Projeto Government Accountability
Mark Weisbrot, Codiretor do Center for Economic and Policy Research
Medea Benjamin, Cofundador de Global Exchange
Kathy Kelly, Cocoordenador de Voices for Creative Nonviolence
Mark Johnson, Diretor Executivo de Fellowship of Reconciliation
Denis J. Halliday, Secretário-geral da ONU 1994-98 (Irlanda).
Leslie Cagan, Cofundadora de United for Peace and Justice
Russ Wellen, Foreign Policy in Focus
James Early, Diretor do Institute for Policy Studies
Jim Naureckas, FAIR – Fairness & Accuracy in Reporting
Sam Husseini, Diretor em Washington do Institute for Public Accuracy
Robert Naiman, Diretor de Políticas de Just Foreign Policy
Jane Hirschmann, da organização Jews Say No! New York, organizador da Flotilha EUA para Gaza
Richard Levy, advogado e passageiro da Flotilha EUA para Gaza
Helaine Meisler, Orton-Gillingham Learning Specialist, Helaine Meisler Learning Center, Woodstock, New York
Laurie Arbeiter, Artista ativista, WE WILL NOT BE SILENT
Mayo C. Toruño, Professor catedrático do Departamento de Economia da Universidade Estadual da California, San Bernardino
Julio Huato, Professor Associado de Economia, St. Francis College
Michael Brun, Professor visitante assistente, Departamento de Economia, Illinois State University
Dana Frank, Professora, Departmento de História, University of California, Santa Cruz
Adrienne Pine, Professor assistente de Antropologia, American University
Miguel Tinker Salas, Professor de História da América Latina, Pomona College
Steve Ellner, Professora de Ciência Política, Johns Hopkins University/Universidad de Oriente, Venezuela
Marc Becker, Professor de História da América Latina, Truman State University
Francisco Dominguez, Presidente do Centro de Estudos Brasileiros e Latino-americanos, Middlesex University, London, UK
Peter Hallward, Professor de Filosofia, Kingston University London
Doug Hertzler, Professor Associado de Antropologia, Eastern Mennonite University
Carolyn Eisenberg, Professora de Política Exterior dos EUA, Hofstra University
Vijay Prashad, Professor de Estudos Internacionais, Trinity College, USA
T.M. Scruggs, Professor Emérito, University of Iowa
Ellen Schrecker, Professora de História, Yeshiva University
Antonia Darder, Leavey Endowed, Catedrática de Ética e Liderança Moral,  Loyola Marymount University, Los Angeles
Demetra Evangelou, Professora, Purdue University
Gilbert G. Gonzalez, Professor Emérito, University of California, Irvine
Renate Bridenthal, Professor (aposentado), City University of New York
A. Belden Fields, Professor Emérito, Political Science, University of Illinois
C. G. Estabrook, professor visitante (aposentado) University of Illinois
Carol Murry, Doutora em Saúde Pública, Hawaii
Ellen Barfield, Veterans For Peace
Libor Von Schönau, OccupyWallStreet Legal, New York
Gar W. Lipow, jornalista, do Movimento Olympia for Justice and Peace

Movimientos Sociales hacia el ALBA reúnem-se com Correa e pedem asilo para Julian Assange


Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

“Assange está à frente da batalha contra os gringos e o monopólio da informação. Por isso pedimos, em nome do povo e dos Movimentos Sociais, que o Equador o receba”
João Pedro Stédile, porta-voz do MST, na Cúpula dos Povos, em reunião com o presidente Correa do Equador.

Representante da ALBA e Correa
Em reunião com o presidente do Equador, Rafael Correa, uma delegação dos Movimentos Sociais da ALBA entregou uma petição de solidariedade ao processo de transformações do Equador e o pedido de concessão de asilo a Julian Assange, fundador do WikiLeaks, que está atualmente hospedado na Embaixada de Equador em Londres.

A reunião dos movimentos sociais para a ALBA e Correa foi realizada no âmbito da Cúpula dos Povos que está ocorrendo no Rio de Janeiro, Rio (Alternativa para +20). 

O documento entregue ao Presidente do Equador diz que "A Revolução Cidadã está em luta a favor da democratização das comunicações e de real liberdade de expressão. O Equador deve manter-se na vanguarda dessa luta. Nesse sentido, entendemos que é dever do Equador garantir asilo político a Julian Assange, hoje perseguido pelos EUA e pelos mesmos interesses que trabalham para roubar dos povos o direito a serem informados".

João Pedro Stédile (E) e Rafael Correa (D)
João Pedro Stédile, dirigente do MST, disse no encontro que:

“Assange está liderando a batalha contra os EUA e o monopólio da informação. Então nós pedimos em nome dos povos e dos movimentos sociais que o Equador o receba”.

Correa, face ao pedido, afirmou:

Julian Assange
“Confiem, como Julian diz em sua carta, que o Equador é uma terra de paz, justiça e verdade. Nós estamos analisando com muita seriedade os motivos apresentados pelo Sr. Assange no seu  pedido de refúgio, asilo, com mais precisão. Não permitiremos qualquer periclitação de vida a nenhum ser humano. Acreditamos que o principal direito de todo ser humano é o direito à vida.

Recusamos veementemente qualquer  perseguição político-ideológica. Assim vamos analisar conscienciosa, responsável e seriamente a solicitação de asilo do Sr. Assange em nosso país e daremos uma resposta definitiva em momento oportuno. Muito obrigado por sua solidariedade e preocupação”.

Rafael Correa
Em outra parte do comunicado assinada por diversas organizações, sediadas por toda a América Latina,  que apoiam os processos de mudança que vive hoje o Equador e os países no âmbito da ALBA:

“Como o senhor disse em várias ocasiões, passamos por mudança de época em nossos países, depois que nossos povos decidiram assumir as rédeas dos nossos destinos e proporem-se novos paradigmas que questionam o capitalismo e todas suas estruturas de dominação – como as empresas de comunicação”, conclui o documento emitido para Correa.


A seguir o Documento entregue ao Presidente Rafael Correa (traduzido)

Rio de Janeiro, 21/6/2012
Senhor Rafael Correa
Presidente da República do Equador

Companheiro Presidente:

Nós, membros dos movimentos sociais de toda a região, aqui estamos para manifestar ao senhor, a seu governo e a todo o povo equatoriano, nossa solidariedade com o processo de transformações em andamento no país, na Revolução Cidadã.

Como o senhor disse em várias ocasiões, passamos por mudança de época em nossos países, depois que nossos povos decidiram assumir as rédeas dos nossos destinos e proporem-se novos paradigmas que questionam o capitalismo e todas suas estruturas de dominação – como as empresas de comunicação.

A Revolução Cidadã está em luta a favor da democratização das comunicações e de real liberdade de expressão. O Equador deve manter-se na vanguarda dessa luta. Nesse sentido, entendemos que é dever do Equador garantir asilo político a Julian Assange, hoje perseguido pelos EUA e pelos mesmos interesses que trabalham para roubar dos povos o direito a serem informados.

Conceder asilo político a esse jornalista e prisioneiro político é valente ação que o Equador saberá tomar, que mostra que o heróico povo de Alfaro não cederá nem um palmo de sua soberania. Mas mostra também que a América Latina constrói-se hoje como espaço de plena liberdade e paz.

Em seu sonho sobre o Chimborazo, Bolívar, que vive na memória de nossos povos e inspira nossas lutas, ouviu uma frase que se deve relembrar hoje: “Dize aos homens a verdade!” O Equador tem hoje a tarefa de ajudar a dizer aos povos a verdade.

“A unidade e a integração de Nossa América estão no nosso horizonte e são nosso caminho”.