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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Dupla realidade



Publicado em 27/10/2011 por *Mair Pena Neto

Uma conhecida trocou de fogão e quis doar o antigo, ainda funcional, à igreja da Matriz, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Próxima à favela de Santa Marta, a igreja sempre abasteceu os moradores com objetos e roupas doados. Mas para surpresa de minha amiga, ao procurar o padre, foi informada que a igreja não poderia receber o fogão, porque o depósito já estava repleto. Segundo o padre, com o crescimento da economia e a oferta de crédito, as pessoas estão comprando eletrodomésticos novos e não precisam mais recorrer a objetos de segunda mão.

"Antigamente, os objetos não ficavam duas semanas aqui. Bastava a notícia circular que rapidamente apareciam interessados. Agora, estamos sem espaço", contou o padre, de sotaque estrangeiro, impressionado com a rápida transformação da realidade brasileira.

Um amigo também comentou recentemente que a empregada que trabalha há muitos anos em sua casa foi visitar a família que vive no Maranhão, e, pela primeira vez, usou o avião como meio de transporte. A passagem, parcelada, coube no orçamento dela e permitiu uma viagem rápida e mais confortável que as que fazia de ônibus. Sua intenção é tornar as visitas mais reglares, sem o sacrifício de dias no interior de um ônibus, do Rio a São Luís.

Estas duas histórias ilustram bem a realidade do Brasil nos últimos anos, que está à nossa frente, mas que muitas vezes deixamos de ver por conta de uma suposta realidade apresentada pelos que não estavam acostumados a dividir os aeroportos com a população e que procuram questões econômicas e políticas para dizer que o país não funciona e corre risco. Podemos afirmar que o Brasil teria, então, duas realidades. Uma percebida pela maioria da população, satisfeita com os rumos que o país vem tomando nos últimos anos, e outra, fabricada por uma minoria insatisfeita e saudosa de privilégios perdidos, que se esforça em fazer crer que os avanços não existem.

O problema para esta minoria é que o reconhecimento ao rumo adotado pelo Brasil não se limita aos pobres, que costumam considerar como ignorantes, mas a estudiosos daqui e de fora, que buscam conhecer cada vez mais as experiências sociais e econômicas, que levaram o país a colocar uma Argentina em termos de população na classe média. Um contingente que passou a ter mais renda, a fortalecer o mercado interno e a ajudar o país a ter condições de enfrentar as turbulências internacionais.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) acaba de apresentar relatório, no qual destaca os "avanços extraordinários" do Brasil na última década, com uma redução da pobreza e da desigualdade "nunca vista". O Brasil virou referência de crescimento com distribuição de renda e sua atuação na crise econômica internacional iniciada em 2008, deixando de lado o receituário ortodoxo, despertou atenção sobre as possibilidades de uma alternativa ao fracassado modelo econômico global, que continua causando ruínas e despertando cada vez mais indignação.

Estes avanços e conquistas não significam que a condução do país só tem virtudes. O Brasil enfrenta sérias questões éticas na política, que precisam ser atacadas de forma consequente tanto pelo governo, quanto pela população. Os casos de corrupção são uma afronta, mas sempre envolvem dois lados: o corrupto e o corruptor. Quem tem telhado de vidro não pode atirar pedra. Agora mesmo, uma pesquisa da Organização Internacional de Trabalho revelou o perfil de quem pratica o trabalho escravo no Brasil. O escravocrata do século 21 é branco, nasceu no Sudeste, tem curso superior e é filiado a partido político. A pesquisa apontou o PMDB, o PSDB e o PR como as legendas escolhidas.

Provavelmente, essa gente também critica os desvios existentes no governo como se fossem cidadãos decentes. Assim como odeiam o governo, e mais ainda a Lula, que já deixou de ser presidente, mas que continua magnetizando os rancores da elite, aqueles contrários a uma estação de metrô em bairro chique de São Paulo. Devem integrar a legião dos supostos indignados os que furam fila no cinema e no teatro, os que oferecem dinheiro ao guarda quando flagrados em irregularidade e os que querem sempre levar vantagem em tudo. Certo?

Precisamos avançar nas questões éticas simultaneamente às melhorias econômicas e sociais. Por outro lado, não podemos permitir que elas sejam utilizadas para causar paralisia no que vem dando certo e foi determinado pelo povo, por escolha democrática. O governo e a política não são os vilões da história, pois os desvios estão em todo o tecido social. Apenas estão mais expostos e sobre eles podemos exercer nossa influência. Um bom momento está colocado para tanto. Mas é preciso distinguir bem quem realmente está interessado no aprimoramento das instituições de quem só quer se valer da oportunidade para recuperar uma antiga ordem.

*Mair Pena Neto é jornalista carioca. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia.

Enviado por Direto da Redação

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O retrato de um país feliz


A incontestável vitória de Dilma Rousseff tem um significado especial. Ela simboliza a ascensão social e econômica de milhões de brasileiros

Por Leonardo Attuch
Para além da continuidade nas políticas econômica e social, Leonardo Attuch, redator-chefe da Dinheiro, aposta em uma ênfase maior às mulheres na composição do novo governo. 
Confira a análise em vídeo abaixo:


Dia D. O 31 de outubro de 2010 será lembrado para sempre como o Dia Dilma. O dia em que o Brasil consagrou, pela primeira vez em sua história, uma mulher como presidente da República. Dilma Vana Rousseff, uma mineira de 62 anos, chega ao poder pelos votos de 55,7 milhões de brasileiros, 12 milhões a mais do que seu oponente José Serra. 
Um resultado convincente, incontestável e que revela um significado óbvio: a presidente eleita é o retrato de um Brasil feliz e que pretende seguir no mesmo rumo, com crescimento econômico e inclusão social. 
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"Como a primeira mulher a chegar à Presidência da República, eu não tenho o direito de errar.
E eu não vou errar"
De um país onde mais de 40 milhões de pessoas – praticamente uma Espanha – foram incorporadas à classe média e ao mercado de consumo nos últimos anos. E onde a erradicação da pobreza extrema já parece ser uma meta alcançável num horizonte relativamente curto.“Eu pretendo honrar a confiança dos brasileiros”, disse Dilma Rousseff, na noite do domingo 31, ao saber do resultado final. “Vou dar tudo de mim e um pouco mais.”
Chegar à Presidência da República de qualquer nação relevante nunca é fruto de uma escolha pessoal – é quase sempre destino. Da militância estudantil ao Palácio do Planalto, Dilma construiu uma trajetória única e absolutamente original. Combateu a ditadura militar, foi presa, incorporou-se à vida política no Rio Grande do Sul, enfrentou o apagão elétrico como secretária de Minas e Energia do governo gaúcho e foi descoberta pelo PT às vésperas da posse de Luiz Inácio Lula da Silva em seu primeiro mandato. 
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Rumo mantido: Lula cumprimenta sua candidata pela eleição. "Valeu, Dilma", disse ele 
Trabalhadora, firme e disciplinada, ela foi aos poucos conquistando seu espaço em Brasília e soube se impor sobre outros nomes do PT que antes pareciam mais fortes. Ao longo da campanha, mostrou fibra, determinação e transmitiu mais credibilidade e sinceridade ao eleitor. 
Ganhou não apenas pela popularidade transferida a ela pelo presidente Lula, mas também por seus próprios méritos. Um deles, o de contribuir, com a coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento, para o novo ciclo de desenvolvimento que se inicia no Brasil. 
Afinal, os ventos que a levam ao Palácio do Planalto são, sobretudo, econômicos. A média de crescimento do PIB nos oito anos do governo Lula foi de 4%, o que foi suficiente para gerar mais de 14,5 milhões de empregos com carteira assinada. São brasileiros que, como a grande maioria da população, progrediram nos últimos anos. 
“O ganho não foi apenas econômico, mas essencialmente de autoestima”, avalia o professor e ex-ministro Delfim Netto. “Perdemos definitivamente o nosso complexo de vira-latas.” 
No campo social, a curva de redução da pobreza extrema, que já vinha caindo desde 1994, com a implantação do Plano Real, acentuou-se nos últimos anos. Eram 26,6% da população em 2002 e hoje são 15,5%. E a renda média do trabalho também avançou de forma mais rápida. 
No início do governo Lula, um trabalhador que vivesse com o salário mínimo necessitava de 175 horas de trabalho para adquirir uma cesta básica – em 2009, eram necessárias 109 horas. 
“Com mais renda, milhões de brasileiros entraram no mercado e foram ao varejo para ter acesso a bens de consumo indispensáveis”, avalia a empresária Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza, uma das maiores redes varejistas do País.
Aos ganhos de renda, somou-se uma oferta de financiamentos jamais vista no País. No início do governo Lula, o estoque das operações de crédito era de R$ 400 bilhões – hoje, o volume é de R$ 1,6 trilhão. 
Esse R$ 1,2 trilhão a mais fez com que o País se transformasse no quarto maior mercado de veículos do mundo e experimentasse uma revolução no mercado imobiliário. O Brasil, nas palavras de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, passou a colher os “dividendos da estabilidade”.
Dilma herdará, portanto, um país no auge de saúde econômica e financeira no dia 1º de janeiro de 2011, quando receber a faixa presidencial das mãos de Luiz Inácio Lula da Silva. 
A média das estimativas de mercado aponta uma tendência de crescimento de 5,5% nos próximos quatro anos. A inflação deve permanecer dentro da meta de 4,5%, e a dívida interna pode cair para pouco mais de 30% do PIB.
São números alvissareiros. Pela primeira vez, o Brasil elege uma liderança que chega ao poder sem grandes incêndios econômicos a apagar. Dilma, portanto, terá a oportunidade de fazer com que o Brasil avance em áreas como educação, saúde, segurança e infraestrutura. E, neste último campo, o Brasil não tem escolha. 
Gerar mais energia e modernizar estradas, portos e aeroportos será essencial não apenas para garantir a continuidade do crescimento, como também para preparar o Brasil para dois eventos de porte global: a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. A vantagem é que, apesar do desafio, o Brasil tem os recursos necessários para superá-lo.
Já como presidente eleita, Dilma Rousseff emitiu vários sinais importantes – e todos eles na direção correta. O primeiro foi a escolha do ex-ministro Antônio Palocci como seu braço direito. Palocci será sempre uma âncora relevante não apenas na economia, mas também na articulação política. 
No tocante à equipe, há também indícios de que os dois timoneiros da economia, Guido Mantega e Henrique Meirelles, poderão continuar nos postos que ocupam. E Dilma também falou sobre os primeiros desafios, como o de enfrentar a guerra cambial antes mesmo da posse – ela será convidada de honra da próxima reunião do G20, em Seul, na Coreia do Sul, nos dias 11 e 12 de novembro. 
Por fim, Dilma também sinalizou que fará um governo de políticas afirmativas em relação às mulheres, ajudando a construir um país em que todos tenham oportunidades iguais. Sim, Dilma, a mulher também pode. Sim, Dilma, você pode!
Especial - A presidente Dilma
extraído da Revista IstoÉ  

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A gente vota Dilma






Para conferir as informações deste vídeo: sobre a nova classe média www.goo.gl/2E1U ; sobre as universidades www.goo.gl/d1oh e www.goo.gl/QsUR ; sobre o desmatamento www.goo.gl/hg9i e www.goo.gl/PZTj ; sobre a miséria www.goo.gl/9Awv e www.goo.gl/mVis


A gente agradece a Ilustrebob (www.ilustrebob.com.br) pelos dados e pela inspiração. Também inspiraram: http://diylma.com e Lula (http://t.co/iPAHqvc).


Este é um video de Carolina Mazzi (produção), Eric Knut (fotografia da externa), Helena Moreira (produção), Janaína Castro Alves (maquiagem e atuação), Pedro Acosta (direção, produção e roteiro), Pedro Capello (roteiro), Philippe Baptiste (som), Talita Arruda (produção).  Com Eduardo Barrucho (atuação), Leo Avila (fotografia da interna), Tamara Mattos (edição), Ticiano Diógenes (locução). 

Agradecimentos a Diogo Cunha, Érica Sarmet, Jane Acosta, Mariah Queiroz, Mariana Medeiros, Maurício Lissovsky, Mira Barros, Susana Amaral e a todos os que sopraram balões vermelhos na Praia de Copacabana pra gente. 

Este vídeo contém trechos de Vanguart "Cosmonauta", em acordo com o Art. 46 da Lei 9610, não representando necessariamente a opinião da artista.


Se você não participou deste vídeo, é a chance de fazer o seu! E dia 31 é 13. 

enviado pela incansável Dani Tristão

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Dilma: Pré-Sal é bilhete premiado

Vale a pena ver Dilma explicando para Serra o que é o pré-sal e porque o governo Lula garantiu que a Petrobras seja a operadora desta riqueza.



extraído do Maria Frô

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O que está em jogo no segundo turno das eleições...

Oct 14th, 2010

Não seria nada mal se eleitores e eleitoras dedicassem alguns minutos de seus dias para conversar um pouco sobre o assunto exibido em um pequeno vídeo que fala sobre o presente e o futuro do país. Considerando a quantidade de baixarias que circula na internet e fora dela, esse vídeo é, como gosta de dizer nossa imprensa, uma bomba. Feita para pensar. E pensar é bom. É “de grátis” e não dói.


O Brasil está entrando na reta final da disputa eleitoral. Uma disputa eleitoral que deveria estar sendo marcada por um grande debate público sobre qual caminho o país deve seguir nos próximos anos. Infelizmente, a candidatura de José Serra (PSDB) decidiu enveredar por um caminho sombrio e introduziu no debate político uma agenda fundamentalista de extrema-direita, detonando uma brutal campanha de difamação contra Dilma Rousseff (PT). Em um certo sentido, é compreensível que esta tenha sido a escolha da campanha de Serra. 

Trata-se de uma escolha que tem como motivação a necessidade de desviar a atenção da população brasileira para o verdadeiro debate que devia estar sendo feito. O debate sobre as idéias e propostas do candidato para o presente e o futuro do país.

Entre tantos vídeos que vêm circulando pela internet, vale a pena destacar um que mostra claramente um dos principais debates que devia estar sendo feito, a saber, o debate sobre as propostas econômicas dos candidatos. Considerando a quantidade de baixarias e mentiras que vem circulando na internet e fora dela, essa pequena produção aparece como algo bombástico: vídeo-bomba mostra o que está em jogo no segundo turno! – poderia ser a manchete no medíocre tom sensacionalista que viceja em nossas redações.

Afinal de contas, é isso que vai, em grande medida, decidir como será a vida de milhões de brasileiros e brasileiras nos próximos anos. Não é pouca coisa. Portanto, é preciso atenção sobre o que as duas candidaturas representam. 

O vídeo acima traça uma cronologia da crise mundial (2008-2009) sob a ótica da imprensa brasileira e da oposição ao governo Lula. Além disso, mostra como o governo de FHC e Serra (1995-2002) conseguiu quebrar o Brasil três vezes, a despeito de ter vendido quase todas as empresas públicas lucrativas. Essa retrospectiva adquire atualidade redobrada no momento em que Serra, finalmente, sai em defesa das privatizações, ainda que o faça de um modo envergonhado, tentando esconder o que realmente pensa sobre o assunto.

Também é compreensível. As idéias de Serra levaram o Brasil à estagnação e agravaram o quadro de desigualdade social no país. Aliás, não levaram apenas o Brasil à estagnação. São as mesmas idéias, filhas da ideologia do Estado mínimo e da supremacia dos mercados, que levaram a economia mundial à beira do precipício. 

Neste momento, milhares de pessoas saem às ruas em diversos países da Europa para protestar contra os efeitos perversos dessa crise. A imprensa brasileira, é claro, fiel à sua indigência política e cultural, não estabelece nenhum nexo entre o que está acontecendo na economia mundial e a situação brasileira. Acha mais importante debater aborto e questões religiosas. E tem muita gente boa embarcando nesta canoa furada. Então, vale a pena gastar alguns minutos do dia para ver esse vídeo e pensar. Não dói.

Os diagnósticos e previsões que aparecem nele sinalizam o que seria um governo Serra no Brasil. No vídeo, apesar da auto-proclamada “sólida formação” em economia, as profecias e diagnósticos de Serra e seus aliados sobre a economia brasileira acabam se revelando totalmente furadas. 

Quando estourou a crise mundial, economistas e políticos tucanos remetiam o mesmo discurso: o governo precisa cortar gastos, não há outra coisa a fazer, repete Serra. Pois havia outra coisa a fazer. E o governo Lula fez. 

O conteúdo desse vídeo é um ótimo tema para o segundo turno da campanha eleitoral. Deveria ser ao menos. 

A população brasileira tem o direito (e o dever, me atreveria a dizer) de conhecer a “sólida formação” do economista Serra que, no auge da crise, disparou a dar entrevistas em que apontava os “graves erros” do governo Lula. 

O Brasil, lembre-se, foi um dos primeiros países a sair da crise e hoje ostenta taxas de crescimento acima da média mundial. A "sólida" formação de Serra errou todas suas previsões e suas receitas, felizmente, não foram aplicadas pelo governo Lula. 

 São essas idéias e propostas que estarão em disputa no dia 31 de outubro. Não seria nada mal que os eleitores e eleitoras dedicassem alguns minutos de seus dias, daqui até lá, para conversar um pouco sobre o assunto.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Re-visões do desenvolvimento

Há dois projetos em disputa no Brasil e um único cenário de embate político real. Não há o cenário chamado por alguns de pós-Lula. O esforço da grande mídia para criar esse cenário se torna evidente quando apresentam os principais candidatos à Presidência. Dilma jamais é apresentada como candidata do governo ou do presidente Lula. E Serra e Marina não são apresentados como candidatos da oposição, mas sim como candidatos de seus respectivos partidos. No cenário pós-Lula, projetos aplicados e testados se tornam abstrações e o suposto preparo dos candidatos para ocupar o cargo de presidente se transforma em critério objetivo. O artigo é de João Sicsu.


Data: 12/07/2010

Artigo publicado originalmente na revista Inteligência.


Os últimos 20 anos marcaram a disputa de dois projetos para o Brasil. Há líderes, aliados e bases sociais que personificam essa disputa. De um lado estão o presidente Lula, o PT, o PC do B, alguns outros partidos políticos, intelectuais e os movimentos sociais. Do outro, estão o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), o PSDB, o DEM, o PPS, o PV, organismos multilaterais (o Banco Mundial e o FMI), divulgadores midiáticos de opiniões conservadoras e quase toda a mídia dirigida por megacorporações.


O projeto de desenvolvimento liderado pelo presidente Lula se tornou muito mais claro no seu segundo mandato – quando realizações e ações de governo se tornaram mais nítidas. O primeiro mandato estava contaminado por “heranças” do período FHC. Eram “heranças” objetivas, tal como a aguda vulnerabilidade externa, e “heranças” subjetivas, ou seja, ideias conservadoras permaneceram em alguns postos-chave do governo. O presidente Lula fez mudanças importantes no seu segundo mandato: trocou o comando de alguns ministérios e de instituições públicas. E, também, implementou programas e políticas claramente opostos à concepção do seu antecessor. Um exemplo foi o lançamento, no início de 2007, do Programa de Aceleração do Crescimento (o PAC), muito criticado pelos oposicionistas, mas que foi a marca da virada para um projeto de governo com contornos mais desenvolvimentistas.


Os projetos em disputa


O projeto desenvolvimentista estabelece como pilar central o crescimento. Mas, diferentemente de uma visão “crescimentista” que busca o crescimento econômico sem critérios, objetivos ou limites, o projeto liderado pelo presidente Lula busca, acima de tudo, o crescimento social do indivíduo, portanto, é um projeto desenvolvimentista – além de ser ambientalmente sustentável e independente no plano internacional (1). Já o projeto implementado pelo PSDB pode ser caracterizado como um projeto estagnacionista, que aprofundou vulnerabilidades sociais e econômicas.


O projeto desenvolvimentista tem balizadores econômicos e objetivos sociais.


Os balizadores são:


(1) manutenção da inflação em níveis moderados;

(2) administração fiscal que busca o equilíbrio das contas públicas associado a programas de realização de obras de infraestrutura e a políticas anticíclicas;

(3) redução da vulnerabilidade externa e algum nível de administração cambial;

(4) ampliaçãodo crédito; e (5) aumento do investimento público e privado.


E os objetivos econômico-sociais do projeto desenvolvimentista são: (1) geração de milhões de empregos com carteira assinada; (2) melhoria da distribuição da renda; e (3) recuperação real do salário mínimo.


O projeto implementado pelo PSDB e seus aliados no período 1995-2002 tinha as seguintes bases econômicas:


(1) estabilidade econômica, que era sinônimo, exclusivamente, de estabilidade monetária, ou seja, o controle da inflação era o único objetivo macroeconômico;

(2) abertura financeira ao exterior e culto às variações da taxa de câmbio como a maior qualidade de um regime cambial;

(3) busca do equilíbrio fiscal como valor moral ou como panaceia, o que justificava corte de gastos em áreas absolutamente essenciais; e

(4) privatização de empresas públicas sem qualquer olhar estratégico de desenvolvimento.


E os objetivos econômico-sociais eram:


(1) desmantelamento do sistema público de seguridade social;

(2) criação de programas assistenciais fragmentados e superfocalizados; e

(3) desmoralização e desmobilização do serviço público.


Os resultados da aplicação do modelo desenvolvimentista são muito bons quando comparados com aqueles alcançados pelo projeto aplicado pelo PSDB e seus aliados. Contudo, ainda estão distantes das necessidades e potencialidades da economia e da sociedade brasileiras. Logo, tal modelo precisa ser aperfeiçoado – e muito.


Só há, portanto, dois projetos em disputa e um único cenário de embate político real. Não há o cenário chamado por alguns de pós-Lula. Sumariando, o pós-Lula seria o seguinte: o presidente Lula governou, acertou e errou... Mas o mais importante seria que o governo acabou e o presidente Lula não é candidato. Agora, estaríamos caminhando para uma nova fase em que não há sentido estabelecer comparações e posições em relação ao governo do presidente Lula. Em outras palavras, não caberia avaliar o governo Lula comparando-o com os seus antecessores e, também, nenhum candidato deveria ocupar a situação de oposição ou situação. O termo oposição deveria ser usado pelo PSDB com um único sentido: “oposição a tudo o que está errado” – e não oposição ao governo e ao projeto do presidente Lula.


O pseudocenário pós-Lula


O esforço da grande mídia para criar esse cenário se torna evidente quando apresentam os principais candidatos à Presidência. A candidata Dilma é apresentada como: “a ex-ministra Dilma Rousseff, candidata à Presidência...” Ou “a candidata do PT Dilma Rousseff...”. Jamais apresentam a candidata Dilma como a candidata do governo ou do presidente Lula. E Serra e Marina não são apresentados como candidatos da oposição, mas sim como candidatos dos seus respectivos partidos políticos. Curioso é que esses mesmos veículos de comunicação quando tratam, por exemplo, das eleições na Colômbia se referem a candidatos do governo e da oposição.

No cenário pós-Lula, projetos aplicados e testados se tornam abstrações e o suposto preparo dos candidatos para ocupar o cargo de presidente se transforma em critério objetivo. Unicamente em casos muito extremos é que podemos, a priori, afirmar algo sobre o preparo de um candidato para ocupar determinado cargo executivo.


Em geral, somente é possível saber se alguém é bem ou mal preparado após a sua gestão. Afinal, o PSDB e seus aliados sempre afirmaram que o sociólogo poliglota era mais preparado do que o metalúrgico monoglota.


Rumos da economia são resultados de decisões políticas balizadas por projetos de desenvolvimento que ocorrem em situações conjunturais concretas. Situações específicas e projetos de desenvolvimento abrem ao presidente um conjunto de possibilidades. Saber escolher a melhor opção é a qualidade daquele que está bem preparado, mas isso somente pode ser avaliado posteriormente. O cenário pós-Lula e a disputa em torno de critérios de preparo representam tentativas de despolitizar o período eleitoral que é o momento que deveria preceder o voto na mudança ou na continuidade.


O voto dado com consciência política é sempre um voto pela mudança ou pela continuidade. Portanto, a tentativa de construir um cenário pós-Lula tem o objetivo de despolitizar o voto, isto é, retirar do voto a sua possibilidade de fazer história. Tentam “vender” a ideia de que a história é feita pela própria história, em um processo espontâneo, e que caberia ao eleitor escolher o melhor “administrador” da “vida que segue”. No cenário pós-Lula, o eleitor se torna uma vítima do processo, apenas com a capacidade de decidir o “administrador”, sua capacidade verdadeira de ser autor da história é suprimida. A construção de um cenário pós-Lula é a única alternativa do PSDB e de seus aliados, já que comparações de realizações têm números bastante confortáveis a favor do projeto do presidente Lula quando comparados com as (não) realizações do presidente Fernando Henrique Cardoso.


O crescimento e os objetivos macroeconômicos


A taxa de crescimento do PIB a partir de 2006 se tornou mais elevada. O crescimento a partir daquele ano trouxe uma característica de qualidade e durabilidade temporal: a taxa de crescimento do investimento se tornou, pelo menos, o dobro da taxa de crescimento de toda a economia. Para evitar que o crescimento tenha o formato de um “voo de galinha” economias devem buscar, de um lado, reduzir suas vulnerabilidades e, de outro, elevar a sua taxa de investimento: mais investimento, hoje, representa mais investimento e mais crescimento, amanhã. A taxa de crescimento esperada do investimento (público + privado) em 2010 é de mais de 18%. O investimento público, considerados os gastos feitos pela União e pelas estatais federais, alcançará mais de 3% do PIB este ano. O presidente FHC teria de governar o Brasil por aproximadamente 14 anos para fazer o crescimento que o presidente Lula fez em oito anos, ou seja, somente teríamos em 2016 o PIB que vamos alcançar ao final de 2010 se o país tivesse sido governado pelo PSDB desde 1995.


O crédito se ampliou drasticamente na economia brasileira nos últimos anos. Em 2003, representava menos que 23% do PIB. Em 2009, alcançou mais de 46% do PIB. O crédito se amplia quando potenciais credores e devedores se sentem seguros para realizar o empréstimo. Os devedores, que são aposentados, pensionistas, trabalhadores e empresas, vão aos bancos pedir um empréstimo quando avaliam que poderão honrar seus compromissos futuros. Aos olhos das empresas, a sensação de segurança sobre o futuro aumenta quando esperam crescimento das suas vendas e, portanto, elevação de suas receitas. Empresas mais otimistas fazem mais empréstimos. E, tanto para empresários quanto para trabalhadores, é o ambiente de crescimento econômico que propicia a formação de cenários otimistas em relação ao futuro.


O ânimo para que trabalhadores, aposentados e pensionistas fossem aos bancos nesses últimos anos pedir empréstimos sofreu duas influências. De um lado, houve a inovação institucional do crédito consignado que deu garantias aos bancos e reduziu a taxa de juros dos empréstimos (que, aliás, é ainda muito alta) e, de outro, a criação de milhões e milhões de empregos com carteira assinada. Com a carteira assinada, o trabalhador, além de se sentir mais seguro, cumpre o requisito formal para ir ao banco pedir um empréstimo. A carteira assinada oferece segurança econômica e sentimento de cidadania. Cabe, ainda, ser mencionado que os bancos públicos foram instrumentos preciosos para que o crescimento dos anos recentes fosse acompanhado por um aumento vigoroso do crédito. O crescimento, o aumento do investimento e a ampliação do crédito foram alcançados em um ambiente macroeconômico organizado, isto é, inflação controlada, dívida líquida do setor público monitorada de forma responsável e redução da vulnerabilidade externa.

A inflação do período 1995-2003 resultava exatamente da fraqueza externa da economia brasileira. Crises desvalorizavam abruptamente a taxa de câmbio que transmitia uma pressão altista para os preços. Ademais, nesse período os preços administrados subiam a uma velocidade que era o dobro da velocidade dos preços livres. Diferentemente, a inflação dos dias de hoje é causada por pressões pontuais. Há, contudo, um aumento de preços que tem pressionado de forma mais permanente a inflação: é o aumento dos preços de bebidas e alimentos. Políticas específicas e criativas para dissolver essa pressão devem ser implementadas.


Entretanto, cabe ser ressaltado que esse tipo específico de inflação se incorporou à economia brasileira devido ao tipo de crescimento que o modelo adotou. Um crescimento com forte distribuição da renda provoca necessariamente aumento acentuado das compras de bebidas e alimentos. A dívida líquida do setor público, como proporção do PIB, cresceu de uma média, por ano, no primeiro mandato do presidente FHC de 32,3% para 50,7% no seu segundo governo. A média esperada dessa relação no segundo mandato do presidente Lula é de 42,7%. A dívida externa foi anulada e a dívida interna dolarizada, zerada. As reservas internacionais que auxiliam na redução da vulnerabilidade externa, hoje, estão em patamar superior a US$ 250 bilhões. No seu segundo mandato, o presidente FHC matinha acumulado em média um montante inferior a US$ 36 bilhões.


Os objetivos socioeconômicos


O crescimento alcançado nos últimos anos tem uma evidente característica de maior qualidade social. Nos oito anos correspondentes aos governos de FHC foram criados somente 1.260.000 empregos com carteira assinada. O governo Lula terá criado de 2003 ao final de 2010 mais que 10.500.000 empregos. Portanto, FHC teria de governar o Brasil por 64 anos para atingir a marca do presidente Lula, ou seja, o PSDB teria de governar o Brasil de 1995 a 2058 para que pudesse criar a mesma quantidade de empregos com carteira criados com a implementação do projeto de desenvolvimento do presidente Lula.


O salário mínimo (SM) é um elemento-chave do objetivo de fazer a economia crescer e distribuir renda. Ele estabelece o piso da remuneraçãodo mercado formal de trabalho, influencia as remunerações do mercado informal e decide o benefício mínimo pago pela Previdência Social. Portanto, a política de recuperação do salário mínimo, além da política de ampliação do crédito, tem sido decisiva para democratizar o acesso ao mercado de bens de consumo. O presidente FHC teria de governar o Brasil por mais 12 anos para alcançar o patamar de recuperação atingido pelo presidente Lula para o SM, ou seja, somente em 2015 o trabalhador receberia o salário mínimo que recebe hoje se o Brasil tivesse sido governado pelo PSDB desde 1995. Em paralelo à criação de empregos com carteira assinada e à política de recuperação do salário mínimo, a ampliação da cobertura e do valor dos benefícios pagos pelo Sistema de Seguridade Social deve ser considerada decisiva dentro do projeto desenvolvimentista.


Em média por mês, durante os dois mandatos do presidente FHC, foram pagos 18 milhões de benefícios. De 2003 a 2009 foram pagos, em média, mais que 24 milhões de benefícios por mês. O valor dos benéficos no segundo mandato do presidente Lula é, em média, 36% maior em termos reais do que era no primeiro mandato do presidente FHC. O Sistema de Seguridade Social brasileiro é um importante elemento que promove crescimento com desenvolvimento porque, por um lado, reduz vulnerabilidades e desigualdades sociais e, por outro, injeta recursos na economia que se transformam diretamente em consumo. Aquele que recebe um benefício previdenciário ou social gasta quase tudo o que recebe imediatamente, gerando consumo, empregos, produção e investimentos.


Em 1995, o montante monetário dos benefícios emitidos ao longo do ano foi de aproximadamente R$ 80 bilhões; em 2009, esse montante alcançou mais que R$ 319 bilhões (ambos os valores corrigidos de acordo com o INPC para os dias de hoje). Nos cálculos referidos anteriormente não estão incluídos os pagamentos feitos pelo programa Bolsa Família, que tem orçamento muito inferior ao Sistema de Seguridade Social. Esse programa precisa ser ampliado para se tornar um elemento mais poderoso do projeto de desenvolvimento. Em 2009, alcançou 12,4 milhões de famílias que foram beneficiadas com R$ 12,4 bilhões, o que equivale a dizer que cada família recebeu aproximadamente R$ 83,00 por mês. A ampliação do Bolsa Família não pode ser oposta à política de fortalecimento do Sistema de Seguridade Social, que engloba a assistência social (aos idosos e aos deficientes pobres) e o sistema de previdência (que emite aposentadorias, pensões etc.). Os miseráveis, os pobres, a classe média e toda a sociedade brasileira precisam de ambos.


Somente para aqueles que pensam que é possível haver desenvolvimento sem crescimento (ou que desenvolvimento é sinônimo apenas de redução de desigualdades de renda) é que um real a mais para o Sistema de Seguridade Social poderia representar um real a menos para o programa Bolsa Família. São os mesmos que opõem os idosos às crianças, o ensino fundamental ao ensino universitário, o setor público ao privado, a regulação econômica às liberdades democráticas e o Estado ao mercado. Na escassez de crescimento que predominou durante os governos do presidente FHC, apresentavam sempre a solução deveras conhecida: “focalizar nos mais necessitados” por meio dos serviços do terceiro setor (ONGs), já que o Estado é considerado ineficiente, e mediante as doações de empresas que demonstram “responsabilidade social”.


Os ideólogos da área social da era FHC estavam errados. A experiência recente de desenvolvimento tem mostrado que o aumento do salário mínimo, o fortalecimento do Sistema de Seguridade Social e a ampliação do Bolsa Família conformam um tripé essencial de redução da miséria, da pobreza e das vulnerabilidades sociais, por um lado, e de impulso ao crescimento econômico baseado no mercado doméstico com redução de desigualdades, por outro.


Resultado que deve ser enfatizado


A proporção que os salários ocupam no PIB – ou a distribuição funcional da renda entre trabalhadores e detentores das rendas do capital – é um elemento importante para a avaliação da qualidade social da dinâmica econômica. Esse elemento avalia a capacidade de compra de serviços e bens por parte de cada segmento social produtivo; avalia, portanto, o grau de democratização do acesso ao mercado de bens e serviços. Desde 1995 até 2004, houve um contínuo processo de redução da massa salarial em relação ao PIB. Em 1995, era de 35,2%, em 2004, alcançou o seu pior nível histórico, 30,8%. A partir de então, houve um nítido processo de recuperação. Ao final de 2009, retornou para o patamar de 1995.


Perspectivas: desenvolvimento e planejamento


Há dois projetos em disputa: o estagnacionista, que acentuou vulnerabilidades sociais e econômicas, aplicado no período 1995-2002, e o desenvolvimentista redistributivista, em curso. Portanto, o que está em disputa, particularmente neste ano de 2010, são projetos, já testados, que pregam continuidade ou mudança. Somente no cenário artificial, que a grande mídia tenta criar, chamado de pós-Lula, é que o que estaria aberto para a escolha seria apenas o nome do “administrador do condomínio Brasil”. Seria como se o “ônibus Brasil” tivesse trajeto conhecido, mas seria preciso saber apenas quem seria o melhor, mais eficiente, “motorista”. Se for para usar essa figura, o que verdadeiramente está em jogo em 2010 é o trajeto, ou seja, o projeto, que obviamente está concretizado em candidatos, aliados e bases sociais.


Os resultados da aplicação do projeto estagnacionista durante os anos 1995-2002 e do projeto desenvolvimentista aplicado no período 2007- 2010 são bastante nítidos. Os números são amplamente favoráveis à gestão do presidente Lula em relação à gestão do presidente FHC.


Contudo, um alerta é necessário: os resultados alcançados estão ainda muito aquém das necessidades e das potencialidades da economia e da sociedade brasileiras. O primeiro passo de rompimento com a herança deixada por FHC foi o atendimento de necessidades sociais e econômicas. Medidas e programas quase que emergenciais foram implantados. Posteriormente, essas ações foram se transformando em políticas públicas que foram, por sua vez, mostrando consistência entre si e, dia a dia, foram se conformando em um projeto de desenvolvimento. Ao longo do governo do presidente Lula, a palavra desenvolvimento tomou conta dos ministérios, do PT e de demais partidos políticos aliados, tomou conta dos movimentos sociais e retornou ao debate acadêmico.


O próximo passo é consolidar cada política pública como parte indissociável do projeto de desenvolvimento. Mas, para tanto, é necessário pensar, refletir, organizar e planejar. Assim como a ideia de desenvolvimento retornou, agora é hora de retornar com a ideia do planejamento. Uma rota de desenvolvimento somente se tornará segura se estiver acompanhada de planejamento. Políticas públicas devem ter objetivos e metas quantitativas. Devem conter sistemas de avaliação rigorosos para medir realizações e necessidades. É preciso que cada gestor público cultive a cultura da busca de metas – em todas as áreas e esferas: na cultura, na saúde, na educação, na economia etc. Planejar não significa somente olhar para os próximos cinqüenta anos, significa também planejar cada dia, cada mês, cada ano... De forma detalhada, de forma obsessiva. Sem planejamento, uma trajetória desenvolvimentista promissora pode se transformar em “salto de trampolim”.


(*) O articulista é diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do IPEA e professor-doutor do Instituto de Economia da UFRJ (joaosicsu@gmail.com).

(1). Esses aspectos, embora fundamentais, nãoserão tratados neste artigo.

Artigo retirado do site Carta Maior