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domingo, 27 de abril de 2014

EUA: primeiros sinais de desagrado com atuais autoridades em Kiev

26/4/2014, Voice of Russia
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Joe Biden visita Kiev e é recebido por Vitaly Klitschko (foto: Sergei Chuzavkov)
Parece que as autoridades dos EUA começam a chegar à conclusão que há tipos bem pouco confiáveis entre os novos “líderes” ucranianos e que é preciso mantê-los sob controle estrito.

Alguns observadores sugeriram que a visita de Joseph Biden teria sido uma espécie de compensação, pelo Ocidente, às autoridades ucranianas, depois do “acordo” de Genebra. Os EUA sequer conseguiram fazer aprovar a cláusula que protegeria a unidade territorial da Ucrânia.

Grigory Trofimchuk
O analista russo Grigory Trofimchuk diz:

As autoridades norte-americanas estão começando a dar-se conta de que, na atual situação, não podem dar qualquer ajuda significativa à Ucrânia. Nem a visita de Joseph Biden resultou em ajuda exequível. Tanto quanto sei, ele não trouxe um avião carregado de dinheiro. Mas, ao enviar à Ucrânia um personagem de tão alto cargo, as autoridades norte-americanas tentaram dar a impressão à junta ucraniana que a questão ucraniana seria importantíssima para os EUA. Mais importante que ele, só se viesse o presidente dos EUA em pessoa.

Segundo fontes na imprensa da Ucrânia, as autoridades locais esperavam muito da reunião entre Biden e o presidente “interino” da Ucrânia, Alexander Turchinov. Mas o único resultado da reunião foram mais promessas de Biden. Pode-se dizer que os EUA só estão prometendo ajudar a Ucrânia a presumir a própria integridade territorial, a tornar-se menos dependente do gás russo, e $50 milhões para ajudar nas reformas. Para a Ucrânia, é “garantia” miserável.

A razão pela qual os EUA estão pondo tão pouco dinheiro nas reformas na Ucrânia é, provavelmente, que já têm sérias dúvidas sobre como o dinheiro será efetivamente usado e, principalmente, se o empréstimo será pago – diz Sergey Pravosudov, especialista russo em políticas de energia.

Hillary Clinton
US$ 50 milhões é muito pouco, para resolver os problemas financeiros da Ucrânia – prossegue o Dr. Pravosudov – a Ucrânia já deve $ 2,2 bilhões à Rússia, em pagamentos atrasados por gás fornecido. A visita do vice-presidente Biden à Ucrânia não passou de encenação. Vimos show semelhante, na performance de Hillary Clinton, que veio à Ucrânia para dizer que os principais recursos naturais do país são gás de xisto e chocolate. Mesmo que, até hoje, ninguém tenha jamais visto gás de xisto na Ucrânia. Quanto ao chocolate, Clinton provavelmente lembrou dele porque Pyotr Poroshenko, candidato à presidência da Ucrânia que os EUA estão apoiando ativamente é, também, magnata do chocolate, um dos maiores produtores de chocolate do país. Clinton sabe pouco da real situação na Ucrânia, se diz tais coisas.

Vai ficando cada vez mais evidente que a situação na Ucrânia está escapando do controle das autoridades norte-americanas. Recente comentário feito por Ron Paul, ex-senador e conhecido libertarista norte-americano, também sugere que os EUA começam a ter de modificar a posição anti-Rússia. Comentando o fato de a Crimeia, parte da Ucrânia até recentemente, ter-se tornado parte da Rússia, Paul escreveu:

E qual é o problema? Por que os EUA teriam algo a ver com que bandeira é hasteada num pequeno pedaço de terra, a milhares de quilômetros de distância de nós?




domingo, 12 de dezembro de 2010

Ron Paul defende Julian Assange e WikiLeaks em discurso na Câmara de Deputados, Washington, EUA

10/12/2010, Colby Hall, 10:19 am. Dica de Glenn Greenwald, reTwitted:
Ron Paul's concise nine questions listed here are as good a defense of WikiLeaks as I've seen. http://bit.ly/f8HrmT - about 24 hours ago via TBUZZ
Retweeted by 
ggreenwald and 100+ others
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu

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Ron Paul não passa de conservador iconoclasta. Pois o deputado Republicano do Texas, com profundas raízes na direita liberal mais tradicional, tomou ontem uma via contraintuitiva, se comparada à retórica tradicional e fixada dos Republicanos mais conservadores, na questão dos WikiVazamentos.

Nota dos tradutores: De fato, nesse discurso, Ron Paul só fez apertar o garrote vil dos Republicanos, no pescoço do presidente Obama. Mas, sim, a defesa que fez de Assange e WikiLeaks, foi MAGNÍFICA. Obama que se vire!

Em discurso emocionado da tribuna da Câmara de Deputados dos EUA [orig. US House floor], Paul hoje comparou o ataque contra Julian Assange a “matar o mensageiro por trazer más notícias”. E propôs nove perguntas de alta provocação, sobre as quais pediu que os norte-americanos reflitam. Adiante, a transcrição das perguntas (via FromTheOld, aqui traduzidas).

Número 1: O povo dos EUA merece saber a verdade sobre as guerras em andamento no Iraque, Afeganistão, Paquistão e Iêmen?

Número 2: Como é possível que um soldado raso tenha acesso a tal quantidade de informação secreta?

Número 3: Por que a hostilidade é dirigida contra Assange, que publicou, e não contra o governo dos EUA, que não soube proteger informações sigilosas?

Número 4: Os 80 bilhões de dólares do nosso dinheiro, que nos custa o trabalho de recolher informações de inteligência, estão rendendo o que nos custam ganhar?

Número 5: O que levou a número maior de mortos: ter metido os EUA nessas guerras, ou a publicação dos telegramas por Wikileaks, ou a publicação dos “Documentos do Pentágono”?

Número 6: Se Assange for condenado por publicar informação que não roubou, que futuro terá a Primeira Emenda e a independência da Internet?

Número 7: É possível que a causa dos ataques histéricos quase universais contra Wikileaks seja mais o interesse de manter escondida uma política externa muito seriamente maculada, do que algum cuidado com a segurança nacional dos EUA?

Número 8: Não haverá imensa diferença entre divulgar informação secreta para ajudar o inimigo em tempo de guerra declarada, o que é traição, e divulgar informação que expõe as mentiras dos governos dos EUA, que promovem guerras secretas, morte e corrupção?

Número 9: Alguém algum dia disse que seria patriotismo defender o próprio governo quando estivesse errado?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Tea Party! América em chamas!

O Tea Party Movement já exerce influência relativamente grande na política americana. Um perigo!
por Jim Wygand*


A última vez que um movimento sociopolítico chegou a ameaçar o governo dos Estados Unidos foi em 1968, com as manifestações estudantis contra a Guerra do Vietnã. Poucos sabem que houve um momento naquele período em que o governo norte-americano estava perto de uma paralisia total.

Os EUA estão novamente perante uma ameaça semelhante com o Tea Party Movement. Este nome deriva de um momento na história colonial do país em que um grupo de "patriotas" despejou na baía de Boston um carregamento de chá vindo da Inglaterra, em protesto contra os impostos ingleses na colônia. Os "patriotas" que cometeram esse ato "subversivo" contra a coroa britânica vestiram-se como índios para executar a façanha. Entraram para os livros de história norte-americanos como heróis. Mais adiante, revisionistas da história colonial sustentaram que os famigerados heróis eram um bando de imigrantes irlandeses (sempre acusam os irlandeses, pô!) que, bêbados, simplesmente cometeram um ato de vandalismo que nada tinha a ver com patriotismo ou com nacionalismo.

Ao contrário das manifestações contra a Guerra do Vietnã, que foram promovidas por estudantes universitários e professores, o Tea Party Movement é, em sua essência, um movimento anti-intelectual. Aqueles que se demonstraram contra a guerra estavam criticando e exigindo uma mudança na política externa e protestando contra o "complexo militar-industrial", que diziam ter tomado conta dos EUA. O Tea Party Movement, por sua vez, quer acabar com o governo e suas instituições. Critica não apenas a atuação de Washington, como as próprias instituições governamentais. Seus membros querem derrubar as instituições, não mudá-las.

O Tea Party Movement é uma colcha de retalhos de ideologias e grupos que abrangem neonazistas; milícias armadas autodenominadas “Patriot Groups”; organizações antissemitas e racistas; grupos ultraconservadores; americanos “médios”, de pequenas cidades, que se sentem impotentes contra o poder do Estado; liberais frustrados; e outros grupos com agendas singulares (por exemplo: antiaborto, fundamentalistas religiosos, etc.). É mais fácil, portanto, saber o que eles estão contra, que saber o que eles querem.

O mais recente herói desse grupo “vira-lata” é A.J. Stack, o americano que jogou seu avião contra um prédio da IRS - a Receita Federal norte-americana - em Austin, Texas, após escrever um manifesto contra o governo e seus desmandos e controle sobre a vida do cidadão. A descrição de Stack, na mídia, como desequilibrado e desesperado, serve, aos olhos do Tea Party Movement, para reforçar sua tese de que o governo e a mídia são controlados pelas grandes corporações e Wall Street, em detrimento da verdade. De fato, há pouco na vida de Stack que justifique o rótulo de desequilibrado. Desesperado, sim, pois a vida do homem estava de fato em frangalhos. Para o Tea Party Movement, Stack é vítima de um governo e uma estrutura econômica opressivos, que funcionam somente para o bem de alguns privilegiados.

Movimentos desse tipo não são incomuns nos EUA, embora nas últimas décadas não houvesse um tão grande assim. A última vez de que se tem notícia de um movimento anti-intelectual e anti-educacional nos EUA foi no início de século XX com o movimento progressista, cujo maior porta-voz foi William Jennings Bryan. Bryan apoiou a Lei Seca, que proibiu a produção e venda de bebidas alcoólicas, foi contra o ensino do darwinismo nas escolas, e declarava-se a favor do “americano comum”. Muitas das posições que Bryan defendia se assemelham às defendidas hoje pelo Tea Party Movement, cujos representantes em muito se parecem com uma reencarnação de Bryan. Sarah Palin defende o conceito de que o verdadeiro americano é aquele que vive no interior, abraça valores tradicionais e opõe-se às elites educadas dos grandes centros urbanos e é cópia fiel do anti-intelectualismo de Bryan. Outro líder, Glenn Beck, comentarista da rede Fox News, faz apelos emocionais para a reconquista da América e chega a chorar em suas declarações. Uma vez declarou que se vestia com uniforme de um soldado soviético para saber como comunista pensa. Chegou a fundar um movimento, "9/12" - o dia depois do ataque terrorista de 11 de setembro -, e abraça uma banda larga de ideias estapafúrdias, para não dizer loucas.

O Tea Party Movement já chegou a "sequestrar" o Partido Republicano, cujos representantes e candidatos sentem-se na obrigação de ir mais “à direita” no espectro político, para obter o apoio dos membros do movimento. Os Democratas vivem com medo do aparecimento dos membros do Tea Party em comícios públicos, onde serão vaiados ou silenciados com palavras de ordem. Portanto, o movimento já exerce uma influência relativamente grande na política e, por extensão, sobre as medidas econômicas para recuperar a economia norte-americana.

Mas, o perigo desse movimento não está apenas em sua capacidade de afetar a política. Há outro perigo maior: a disposição de se empregar a violência para fazer valer o seu ponto de vista. Ações como aquelas cometidas por A.J. Stack e Timothy McVeigh (que explodiu um prédio federal em Oklahoma, em 1995, matando 168 pessoas) são descritos pelo Tea Party Movement como “atos patriotas”, contra um governo e uma estrutura governamental opressiva.

Abraça-se à violência e, ao terrorismo doméstico (por que não dizer?), como sendo métodos válidos para fazer valer suas ideias e crenças.

Como americano, reconheço que a violência, tanto verbal quanto física e institucional, sempre fez parte da minha sociedade. A paixão que o cidadão comum tem por seu direito de possuir armas de fogo permeia o pensamento do americano. Interessantemente, o Canadá tem mais armas de fogo per capita que os EUA, mas uma taxa de homicídio por essas armas muito menor. A diferença está na cultura. Uma situação em que o cidadão norte-americano perde a confiança em suas instituições políticas e a esperança em transformá-las por métodos pacíficos é, certamente, uma situação de perigo. Não pense que o americano jamais levantará armas contra outro americano. Já aconteceu e poderia acontecer novamente. E, instigado por demagogos como Sarah Palin, Glenn Beck, Ron Paul, Rush Limbaugh, e outros como eles, apela-se para o menor denominador comum de qualquer sociedade.

Uma economia do tamanho dos EUA, emaranhada em uma disputa interna dessa natureza, não deve interessar a ninguém em meio à crise econômica global. Penso que os EUA e seus concidadãos têm de abraçar o novo paradigma de um mundo mais pluralista e do declínio da influência norte-americana. A ideia de que se pode restaurar a dignidade de uma nação por meio de rufiões é equivocada e perigosa. Foi assim que nasceu o nazismo. O mundo mudou, não obstante as objeções do Tea Party Movement. Cabe a alguém informar a seus membros!

*Jim Wygand é consultor nas áreas de investigação de fraude, due diligence, gestão de risco e diretor na CCI - Critical Corporate Issues .

Extraído da Revista Brasileiros e enviado por Jotamorim