Mostrando postagens com marcador Segurança. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Segurança. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Proteger os Jogos Olímpicos em Sochi: Missão muito difícil para os serviços russos de segurança

5/2/2014, The Saker, Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

The Saker
Hoje, quero partilhar com vocês os meus muitos medos de um ataque terrorista ou de alguma “acidente”, seja de que tipo for, em Sochi.

O que mais me assusta é que a lista de potenciais “patrocinadores” de eventos dessa natureza é muito longa: os sauditas, é claro, e suas ameaças explícitas; mas também toda a anglosfera e seus agentes terceirizados da al-Qaeda e respectivos afiliados em todo o planeta. Menos provável, mas também possível, é algum tipo de atentado pelos extremistas ucranianos (que combateram contra a Rússia na Chechênia, na Geórgia e até na Síria).

Vladimir Putin
Mas a principal ameaça vem, me parece, da anglosfera, cuja rede privada de imprensa-empresa não pára de repetir a mensagem de que “a reputação de Putin está em jogo em Sochi”, ou que “a Rússia tenta autovender-se durante os Jogos como país atraente para investidores”. As duas ideias, aliás, estão hiperinfladas e já quase sem nenhum contato com os fatos.

É claro que, como qualquer Chefe de Estado, Putin empenhou muito esforço na preparação desses Jogos; e, claro, a Rússia espera que sejam um grande sucesso. Mas ninguém na Rússia vê esses jogos como alguma espécie de teste-limite do prestígio nacional. Nem por isso a imprensa-empresa privada suspende sequer por um minuto a “notícia” de que, sim, todo o mundo pensa que a reputação de Putin está(ria) em jogo.

A insistência me faz pensar se não estará em preparação algum tipo de “fracasso dos russos”; ou algum “evento” que finalmente dê ao Ocidente a oportunidade de gozar com qualquer tragédia em Sochi, pela qual, é claro, a culpa será imediatamente atribuída ao Kremlin.

Acham que estou exagerando? Não, não exagero.

Policiais russos montam guarda nas instalações dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi
Relembrem só a quantidade de gozo ante a desgraça alheia que se vê na imprensa-empresa privada na anglosfera, sempre que alguma desgraça se abate sobre a Rússia, sobretudo se é desgraça pela qual o Kremlin possa ser acusado. Das várias crises com reféns (hospital de Buddennosvsk, Nord-Ost, Beslan), ao naufrágio (ainda não explicado) do Kursk, à guerra de 8/8/1988 com a Geórgia. Em todas essas ocasiões a imprensa-empresa privada da anglosfera festejou amplamente o momento de exibir ao mundo a imagem do “urso russo” ferido e em sofrimento.

Assim sendo, e considerando as muitas humilhações que a anglosfera padeceu em anos recentes, como joguete nas mãos do odiado Putin, temo, sim, realmente, que algo aconteça em Sochi.

A boa notícia é que o atual governo russo é, provavelmente, o melhor que o mundo conhece em matéria de impedir ataques terroristas ou algum “acidente”; e que os serviços de segurança russos já recuperaram muitas, praticamente quase todas, as suas tradicionais competências e capacidades.

Policiamento ostensivo é a palavra de ordem para a forças de segurança da Rússia
As forças de segurança já exibiram “segurança ostensiva”, o que é ótimo, mas em todos os casos terá apenas papel secundário na proteção dos Jogos. A parte maior do verdadeiro trabalho de proteção aos Jogos e manutenção da segurança acontecerá por trás dos palcos, com uma combinação de detecção, monitoramento, penetração, negociação e ameaças (dependendo da natureza do potencial inimigo).

Provavelmente não ouviremos nenhuma notícia sobre esses esforços, mas eles são cruciais. Sempre há muito mais alvos ameaçados que forças para protegê-los. E um terrorista decidido a matar é praticamente impossível de deter.

Oficialmente, o ocidente declarou total apoio à Rússia, e os EUA ofereceram toda sua “expertise” para “ajudar” a Rússia. Fizeram a gentileza, até, de alertar para a possibilidade de bombas dentro de tubos de dentifrício serem embarcadas em aviões comerciais em viagem para Sochi.  

Biatletas treinam na área de tiro do Laura Center apesar do aviso de bombas em tubos de pasta de dente
Sempre diplomata, Putin agradeceu calorosamente aos norte-americanos pela preciosa assistência e convidou todos os agentes de segurança ocidental a visitar os QGs das forças especiais conjuntas de segurança constituídas para os Jogos. Quer dizer: em termos oficiais, só apoio e sorrisos.

Acho que todos sabemos que a verdade é outra.

Só voltarei a respirar melhor, depois do fim desses Jogos.

[assina] The Saker




quinta-feira, 5 de setembro de 2013

John Cleese: “Níveis de alerta na Europa – 2013”

2/6/2013, [*] John Cleese, 21st century wire
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

John Cleese
Os ingleses estão sentindo que os recentes eventos de guerra no mundo podem respingar neles e, portanto, elevaram o nível do alerta de perigo, de “Petulantemente Irritante” para “Petulantemente Entediante”. Mas, sendo necessário, o nível de segurança pode ser elevado para “Não Pertubem” ou, mesmo, para “Você Sabe com Quem Está Falando?” Não se ouve alerta de “Você Sabe com Quem Está Falando?” na Inglaterra desde a blitz, em 1940. Os terroristas foram reclassificados, de “Entediantes” para “Entediantes Sanguinários, Malditos Sejam”. A última vez que os britânicos lançaram alarme de “Entediantes Sanguinários, Malditos Sejam” foi em 1588, quando colidiram com a Armada espanhola.

Os escoceses elevaram o nível de ameaça local à segurança, de “Tô Puto”, para “Vampegá Esses Feládapúta”. Eles só têm esses dois níveis. Por isso, precisamente, os escoceses são postos na linha de frente do exército britânico há 300 anos.

John Cleese
O governo francês anunciou ontem que elevou o nível de alerta antiterrorismo, de “Corra” para “Esconda-se”. Só há mais dois níveis superiores de alerta antiterrorismo na França: “Queremos Colaborar” e “Nos Rendemos”. O nível mais alto de alerta antiterrorismo na França tornou-se necessário, por causa de recente incêndio que destruiu a fábrica francesa de bandeiras brancas, o que paralisou a capacidade militar do país.

A Itália também subiu o nível de alerta, de “Berre o Mais Alto Possível” para “Atenção à Pose de Militar para a Fotografia”. Acima desses, só restam “Operação de Combate deu Errado” e “Mudar de Lado”.

Na Alemanha, o alerta subiu de “Desdenhosa Arrogância” para “Vestir o Uniforme e Entoar Marchas Militares”. Acima desses, para níveis crescentes de ameaça iminente, há ainda “Invada País Vizinho” e “Perca a Guerra”.

John Cleese
Os belgas, por sua vez, fizeram feriado, como sempre. A única ameaça que preocupa os belgas é que a OTAN mude-se de Bruxelas.

Os espanhóis estão excitadíssimos, agora que seus submarinos novos estão prontos. Os submarinos espanhóis, de design arrojado, têm fundo de vidro transparente, para que a nova Marinha espanhola possa ver, in loco, a beleza da velha Marinha espanhola.

A Austrália, daquela “uma espécie de ingleses”, por sua vez, subiu o nível de alarme antiataques de “Tudo Bem” para “Vai Ficar Tudo Bem, Cara”. Restam mais dois níveis: “Uau! Acho que Teremos de Adiar o Churrasco no Fim-de-semana” e “O Churrasco foi Cancelado”. Até hoje, jamais foi decretado esse nível extremo de ameaça.

Saudações, 
John Cleese

Um último pensamento: A Grécia está em colapso, os persas (iranianos) estão perdendo a paciência e Roma é um caos. Bem-vindos de volta a 430 AC.
________________________________

[*] John Cleese nasceu em Weston-super-Mare, Somerset, Inglaterra em 27 de Outubro de 1939; é  comediante, ator, produtor e escritor. Membro fundador do grupo Monty Python juntamente com Eric Idle, Graham Chapman, Michael Palin, Terry Jones e outras participações como: Terry Gilliam (ex-cartunista da revista MAD), Carol Cleveland, Neil Innes e Connie Booth, ex-mulher de John Cleese.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Blair, guerra, negócios olímpicos e o vislumbre de uma outra Grã-Bretanha


As Olimpíadas militarizadas de Londres

por John Pilger

Esta é a história de duas cartas e de dois britânicos. A primeira carta foi escrita por Sebastian Coe, o antigo atleta que preside o Comité Organizador das Olimpíadas de Londres. Ele agora é chamado de Lord Coe. No New Statesman de 21/Junho informei de um apelo urgente a Coe, feito pela União das Mulheres do Vietnã, para que ele e os seus colegas do COI reconsiderassem sua decisão de aceitar o patrocínio da Dow Chemical, uma das companhias que fabricou dioxina, um veneno utilizado contra a população do Vietnã. Com o nome em código de Agente Laranja, esta arma de destruição maciça foi despejada sobre o Vietnã, de acordo um relatório de 1970 do Senado dos EUA, na chamada Operação Inferno (Operation Hades). A carta a Coe estima que hoje 4,8 milhões de vítimas do Agente Laranja são crianças, todas elas com deformações chocantes. 

Na sua resposta, Coe descreve o Agente Laranja como “uma questão altamente emocional” cujo desenvolvimento e utilização “foi praticado pelo governo dos EUA [o qual] corretamente conduziu o processo de tratar as muitas questões que resultaram”. Ele refere-se a um “diálogo construtivo” entre os governos estadunidense e vietnamita “para resolver questões”. Eles estão “melhor colocados para gerir a reconciliação destes dois países”.

Ao ler isto, recordei-me das cartas evasivas que são uma especialidade do Foreign Office em Londres para negar a evidência dos crimes de estado e do poder corporativo, tais como a exportação lucrativa de armas terríveis. O antigo funcionário da Seção Iraque (Iraq Desk Officer), Mark Higson, chamou a estes sofismas “uma cultura da mentira”.

Lord Sebastian Coe
Enviei a carta de Coe a algumas autoridades sobre o Agente Laranja. As reações foram inequívocas. “Não houve de todo qualquer iniciativa do governo dos EUA para tratar os efeitos sobre a saúde e a economia nas pessoas do Vietnã afetadas pela dioxina”, escreveu o respeitado procurador dos EUA Constantine Kokkoris, que dirigiu um processo contra a Dow Chemical. Ele observou que “industrias como a Dow estavam conscientes da presença e nocividade da dioxina no seu produto mas deixaram de informar o governo num esforço para evitar a regulamentação”.

Segundo a Liga dos legados da guerra, nenhum dos problemas na saúde, no ambiente e na economia provocados pela mais prolongada guerra química do mundo foi tratado pelos EUA. Agências não governamentais ajudaram “apenas um pequeno número daqueles que necessitavam”. Uma “limpeza” num “ponto quente de dioxina” na cidade de Da Nang, ao qual Coe se refere, é uma impostura – nada do dinheiro concedido pelo Congresso dos EUA foi diretamente para os vietnamitas ou chegou àqueles mais gravemente incapacitados pelo câncer associado ao Agente Laranja.

Por esta razão, a menção de Coe à “reconciliação” é blasfema, como se houvesse uma equivalência entre uma super-potência invasora e suas vítimas.

A sua carta exemplifica o arame farpado das Olimpíadas de Londres, suas relações públicas, seu estado totalitário movido pelo dinheiro dentro de um local no qual se entra, apropriadamente, através do mega centro comercial de Westfield.

Baterias Rapier SAM idênticas a esta foram instaladas no
topo de edifícios no East End de Londres
Como ousam vocês queixarem-se dos mísseis sobre as coberturas dos vossos apartamentos, ralhou um magistrado a 86 residentes no East End de Londres. Como ousa qualquer de vocês protestar contra as “pistas para carros Zil”, reminiscentes da Moscou da era soviética, para apparatchiks olímpicos e os rapazes da Dow e da Coke. Com a imprensa-empresa encarregada de estimular as Olimpíadas, tal como fizeram para o “Pavor e choque” no Iraque em 2003, agora entra o homem que desempenhou um papel de estrela para possibilitar ambos os espetáculos. 

Em 11 de Julho, numa chamada noite olímpica, “uma reunião da tribo trabalhista”, declarou o líder do Labour Party, Ed Miliband, celebrou sua “estrela convidada”, Tony Blair, e a sua “prenda” de 2005 dos Jogos Olímpicos e “proporcionou a oportunidade perfeita para o retorno de Blair à linha de frente política”, informou o The Guardian. O organizador desta maquinação foi Alistair Campbell, chefe do banho de sangue com que Blair premiou o povo iraquiano. E tal como as vítimas da Dow Chemical não têm interesse para a elite olímpica, também a criminalidade monstruosa da estrela convidada do Labour não era assunto mencionável. 

A origem da segurança caótica das Olimpíadas tampouco é mencionável. Como estudos consagrados na Grã-Bretanha admitem há muito, foram as invasões do Afeganistão e do Iraque e a restante “guerra ao terror” que serviram para recrutar novos jihadistas e promover outras formas de resistência que levaram diretamente às bombas em Londres de 7/Julho. Elas foram bombas de Blair. Na sua atual reabilitação, graças ao seu “legado” olímpico, há o extra adicional de que a enorme riqueza pós Downing Street de Blair está concentrada em instituições de beneficência. 

A segunda carta que recebi foi-me enviada por Josh Richards que vive em Bristol. Em Março de 2003, Josh e quatro outros começaram a desativar um bombardeiro americano B-52 na base da RAF de Fairford, Gloucestershire, para que não pudesse bombardear o Iraque. Assim o fizeram. Foi uma ação não violenta fiel aos princípios de Nuremberg de que uma guerra de agressão era o “crime de guerra supremo”. Josh foi preso e acusado de planejamento para a colocação de explosivos. “Isto foi baseado na ideia ridícula de que alguma manteiga de amendoim que eu tinha comigo era realmente um componente de bomba. A acusação foi abandonada mais tarde depois de o Ministério da Defesa efetuar testes amplos ao meu crocante Tesco de manteiga de amendoim”. 

Após dois julgamentos e dois júris que não puderam chegar a decisão unânime, Josh foi finalmente absolvido. Foi um caso memorável no qual ele falou em tribunal aberto acerca do embargo genocida imposto ao Iraque pelos governos britânico e estadunidense antes da sua invasão e das falsas justificações da “guerra ao terror”. A sua absolvição significou que ele havia atuado em nome da lei e que a sua intenção foi salvar vidas. 

A carta escrita por Josh incluía uma cópia do meu livro, “Os novos dominadores do mundo (The New Rulers of the World)”, o qual, ele destaca, proporcionou os fatos de que necessitava para a sua defesa. Com páginas marcadas e sublinhadas meticulosamente, o livro havia acompanhado Josh numa jornada de três anos através de salas de tribunais e celas de prisão.

De todas as cartas que recebi, a de Josh exemplifica uma decência, modéstia e determinação de propósito moral que representa uma outra Grã-Bretanha e antídoto a venenosos patrocinadores olímpicos e a instigadores de guerra reabilitados. Durante estes tempos extraordinários, tal exemplo deve dar outro ânimo e inspiração para recuperar esta democracia em retrocesso.

O artigo original, em inglês,  encontra-se em: Blair, War, Olympic Deals and a Glimpse of Another Britain
Esta  tradução foi extraída de Resistir e foi ligeiramente modificada pela redecastorphoto

sábado, 3 de julho de 2010

Políticas de defesa priorizam cada vez mais segurança cibernética

Servidores da internet: alvo dos hackers

Servidores da internet: alvo dos hackers

Para governo americano, prosperidade do país dependerá de defesa e poderio cibernéticos. Em nome da proteção no mundo virtual, países formam tropas de hackers para combater ataques.

Guerras sempre foram travadas por terra, no mar e pelo ar. Mas hoje já surgiu um novo espaço bélico: o mundo virtual. A crescente dependência da infraestrutura da tecnologia de informação gera novos tipos de vulnerabilidade por meio dos ataques cibernéticos.

As forças militares e o serviço secreto já conhecem esse perigo e estão se munindo contra ele. Como resumiu o presidente norte-americano, Barack Obama: "Em suma, a prosperidade econômica dos Estados Unidos no século 21 dependerá da segurança cibernética."

O nascer de uma política

Em maio de 2009, Obama foi o primeiro presidente americano a fazer um discurso dedicado ao assunto. Ele ressaltou a dependência de redes de computadores sobre o fornecimento de petróleo, gás, energia e água, redes que controlam o sistema de tráfego e garantem a segurança dos vôos.

"No mundo de hoje, os ataques terroristas não se restringem à ação de alguns homens-bomba. Eles também podem ocorrer por meio de uma combinação de dígitos no computador. É uma arma de devastação de massa", declarou Obama.

Um ano após esse pronunciamento, em 21 de maio de 2010, o general Keith Alexander foi homenageado com a quarta estrela. O chefe da Agência de Segurança Nacional (National Security Agency, NSA) também assumiu o recém-criado Cyber Command (comando cibernético).

A NSA é considerada a seção mais ampla e poderosa do serviço secreto americano, além de ser a maior empregadora de matemáticos. A sede da agência em Fort Mead monitora, decifra e interpreta o tráfego de informação eletrônica mundial.

Em 3 de junho, quando Keith Alexander assumiu a chefia do Cyber Command, ele pintou um cenário sombrio: o sistema do Pentágono sofre diariamente seis milhões de acessos ilegais.

"A prosperidade e força dos Estados Unidos fazem com que o país seja alvo de ataques no espaço cibernético. E um dos pilares do nosso poderio, as Forças Armadas, seja talvez ainda mais vulnerável. As Forças Armadas dependem de suas redes para comando e controle, comunicação, operações secretas e para a logística. Precisamos proteger 7 milhões de computadores do Departamento de Defesa, conectados a 15 mil redes", explicou Alexander.

Hacker demonstra vulnerabilidade na internet
Hacker demonstra vulnerabilidade na internet

Ataque e defesa

No ano anterior, o secretário norte-americano da Defesa, Robert Gates, anunciara que quadruplicaria o número de especialistas em segurança de computadores. Isso inclui não apenas a proteção e defesa dos próprios sistemas.

O americano Herbert Lin, especialista em computação, fala abertamente sobre o próprio potencial de agressão cibernética. "Inúmeros países desenvolvem habilidades tanto ofensivas quanto defensivas no espaço cibernético. A discussão pública costuma se restringir à dimensão defensiva. Poucos se referem à dimensão ofensiva, embora ela seja um aspecto essencial para o entendimento da política de segurança cibernética", diz o especialista.

Sandro Gaycken, pesquisador de tecnologia e segurança da Universidade de Stuttgart, calcula que mais de 140 países estejam desenvolvendo programas de guerra cibernética e formando tropas com essa finalidade. Afinal, uma equipe de dez hackers hábeis já poderia causar danos consideráveis.

"As grandes forças armadas recomendam agora a formação de tropas de dezenas de milhares de hackers. O Exército dos Estados Unidos recrutou de 10 a 15 mil; no caso da China, não se sabe ao certo, mas devem ser de 20 a 25 mil. São equipes integradas por psicólogos, engenheiros e todos os especialistas possíveis, dedicadas a inspecionar determinados sistemas, a fim de poderem então ligá-los e desligá-los, sabotá-los e perturbá-los", explica Gaycken.

Oportunidade de negócio

O especialista em segurança Bruce Schneier, da revista britânica Economist, vê a militarização do ciberespaço de forma crítica. "A guerra cibernética é uma grande indústria. Os Estados Unidos direcionam uma grande quantia de dinheiro para essa finalidade. Assim Washington vai consolidar um grande poderio militar, e muita gente vai tirar proveito disso".

A indústria bélica também fareja aí um negócio lucrativo. Por meio de novos serviços e softwares de defesa contra ataques cibernéticos e redes de comunicação, os conglomerados do setor estão explorando um novo ramo de negócios. O grupo Raytheon, com cerca de 75 mil funcionários e um faturamento de 20 bilhões de euros em 2009, vem se expandindo no âmbito de proteção de dados.

"A Raytheon publicou recentemente um anúncio de emprego no qual se colocava em busca de 'cyber-ninjas'. Isso mostra senso de humor, mas ao mesmo tempo deixa claro o interesse por pessoas com estratégias ofensivas", avalia Samuel Liles, especialista em terrorismo cibernético.

Em meados de junho, a proposta mais ousada nesse sentido partiu do senador americano independente Joe Liebermann, presidente da Comissão de Segurança Doméstica. O senador apresentou um projeto de lei em que a internet seria declarada como patrimônio nacional dos Estados Unidos. Segundo a proposta, o presidente americano poderia desligar toda a rede em caso de emergência nacional.

Autor: Matthias von Hein (np)
Revisão: Simone Lopes

Mais artigos sobre o tema