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| James Petras |
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
A ascendência de uma elite financeira criminosa
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
A PRIVATARIA TUCANA
Não,
não era uma invenção ou uma desculpa esfarrapada. O jornalista Amaury Ribeiro
Jr. realmente preparava um livro sobre as falcatruas das privatizações do
governo Fernando Henrique Cardoso.
Neste
fim de semana chega às livrarias “A
Privataria Tucana”,
resultado de 12 anos de trabalho do premiado repórter que durante a campanha
eleitoral do ano passado foi acusado de participar de um grupo cujo objetivo era
quebrar o sigilo fiscal e bancário de políticos tucanos. Ribeiro Jr. acabou
indiciado pela Polícia Federal e tornou-se involuntariamente personagem da
disputa presidencial.
Na
edição que chega às bancas nesta sexta-feira 9, CartaCapital
traz um relato exclusivo e minucioso do conteúdo do livro de 343 páginas publicado pela
Geração Editorial e uma entrevista com autor (reproduzida abaixo). A obra
apresenta documentos inéditos de lavagem de dinheiro e pagamento de propina,
todos recolhidos em fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado.
José
Serra é o personagem central dessa história. Amigos e parentes do ex-governador
paulista operaram um complexo sistema de maracutaias financeiras que prosperou
no auge do processo de privatização.
Ribeiro
Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990,
todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre
Bourgeois, e um sócio e marido de uma prima, Gregório Marín Preciado. Mas quem
brilha mesmo é o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, o
economista Ricardo Sérgio de Oliveira. Ex-tesoureiro de Serra e FHC, Oliveira,
ou Mister Big, é o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e
offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da
privatização.
O
livro traz, por exemplo, documentos nunca antes revelados que provam depósitos
de uma empresa de Carlos Jereissati, participante do consórcio que arrematou a
Tele Norte Leste, antiga Telemar, hoje OI, na conta de uma companhia de Oliveira
nas Ilhas Virgens Britânicas. Também revela que Preciado movimentou 2,5 bilhões
de dólares por meio de outra conta do mesmo Oliveira. Segundo o livro, o
ex-tesoureiro de Serra tirou ou internou no Brasil, em seu nome, cerca de 20
milhões de dólares em três anos.
A
Decidir.com, sociedade de Verônica Serra e Verônica Dantas, irmã do banqueiro
Daniel Dantas, também se valeu do esquema. Outra revelação: a filha do
ex-governador acabou indiciada pela Polícia Federal por causa da quebra de
sigilo de 60 milhões de brasileiros. Por meio de um contrato da Decidir com o
Banco do Brasil, cuja existência foi revelada por CartaCapital
em 2010, Verônica teve acesso de forma ilegal a cadastros bancários e fiscais em
poder da instituição financeira.
Na
entrevista a seguir, Ribeiro Jr. explica como reuniu os documentos para produzir
o livro, refaz o caminho das disputas no PSDB e no PT que o colocaram no centro
da campanha eleitoral de 2010 e afirma:
“Serra
sempre teve medo do que seria publicado no livro”
Leia a entrevista no blog Conversa
Afiada de Paulo Henrique Amorim
Ilustração: Capa do
livro
sábado, 4 de dezembro de 2010
Narcotraficantes - sócios garantidores dos Bancos Internacionais

sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Wall Street lava o dinheiro do narcotráfico impunemente
Wall Street lava o dinheiro do narcotráfico impunemente**
António
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«Grande demais para cair» é um problema muito maior do que se pensa. Todos lemos artigos de crítica ao governo por salvar os bancos das suas jogadas de alto risco, mas acontece que o problema do privilégio da Wall Street está muito mais profundamente arreigado no sistema legal dos EUA do que os simples resgates mostraram em 2008.
Os maiores bancos dos EUA podem envolver-se em actividades descaradamente criminosas em grande escala e saírem quase totalmente indemnes. O último e repugnante exemplo vem do Banco Wachovia: acusado de lavar 380 mil milhões de dólares de dinheiro dos cartéis da droga mexicanos, espera-se que o gigante financeiro se safe com apenas uns arranhões graças à política oficial do governo, que protege os megabancos contra acusações criminais.
Michael Smith de Bloomberg [1] escreveu uma revelação devastadora que pormenoriza as operações do Wachovia com o dinheiro da droga e a enviezada reacção do governo. O banco fazia transacções com dinheiro que provinha literalmente das toneladas de cocaína de cartéis da droga violentos. Não se trata de um acaso. Denunciantes internos do Wachovia avisaram que o banco estava a lavar dinheiro do narcotráfico, os manda-chuvas do banco ignoraram-nos totalmente para conseguirem maiores benefícios e o governo dos EUA está à beira de consentir que todos os implicados fiquem impunes. O banco não será acusado, visto que é política oficial do governo não processar megabancos.
Do artigo se Michael Smith:
«Nenhum grande banco dos EUA foi alguma vez acusado de violar a Lei do Sigilo Bancário ou qualquer outra lei federal. Em vez disso, o Departamento de Justiça resolve as acusações criminais utilizando acordos de suspensão das actuações judiciais, segundo as quais o banco paga uma multa e promete não voltar a violar a lei. (…) Os grandes bancos estão protegidos de irem a julgamento, graças a uma variante da teoria “demasiado-grande-para-cair”. Acusar um grande banco poderia provocar uma corrida frenética dos investidores para venderem as acções e provocar o pânico nos mercados financeiros».
O Wachovia foi comprado pelo Wells Fargo em fins de 2008. O castigo do banco pela lavagem de mais de 380 mil milhões de dólares de dinheiro da droga consistirá na promessa de não voltar a fazê-lo e numa multa de 160 milhões de dólares. A multa é tão pequena que é quase garantido que o Wachovia obterá lucros do negócio de financiamento da droga depois de feitas as deduções dos custos legais e das multas.
As autoridades internacionais conhecem a ligação entre banqueiros e narcotraficantes muito para além do Wachovia, mas os governos não fazem nada. Um relatório de 2009 do Bureau das Nações Unidas sobre Droga e Crime estabeleceu que as regras para impedir a lavagem de dinheiro da droga através dos bancos são na sua maioria violadas.
Do relatório:
«Em tempo de quebras dos grandes bancos, os bancos parecem pensar que o dinheiro não tem cheiro. Os cidadãos honestos que enfrentam dificuldades em tempos de crise financeira perguntam-se por que razão não são confiscados os lucros do crime, convertidos em ostentosos imóveis, carros, barcos e aviões».
Em fins de 2009, o chefe desse departamento da ONU António Maria Costa disse à imprensa que muitos empréstimos entre bancos (empréstimos a curto prazo que os bancos fazem entre si) assentavam em dinheiro da droga.
Quando os mercados financeiros paralisaram em 2007 e 2008, os bancos voltaram-se para os cartéis da droga para obterem dinheiro. É possível que muitos bancos importantes não tivessem sobrevivido sem esse dinheiro da droga.
Nota do tradutor:
[1] Bloomberg é o principal web-site norte-americano de informação económica e financeira, sediado em Nova Iorque e com delegações em Tóquio e Londres .
* Zach Carter é editor de economia de AlterNet e colaborador da revista The Nation.
** Ver "Os bancos dos EUA e a liberdade comercial… da drogas e seus traficantes" , de Jorge Cadima.
Este texto foi publicado em: "Wall Street Is Laundering Drug Money and Getting Away with It"
Tradução: Jorge Vasconcelos
extraído do ODiario.info
sábado, 31 de julho de 2010
Os bancos dos EUA e a liberdade comercial… da drogas e seus traficantes
Os bancos dos EUA e a liberdade comercial… das drogas e seus traficantes
“Quem disse que o crime não compensa? (…) O Departamento da Justiça [dos EUA] resolve as acusações criminais utilizando acordos de adiamento do processo, em que o banco paga uma multa e promete não voltar a violar a lei». Para os banqueiros não há pistolas taser…”
A Wells Fargo, uma das maiores instituições financeiras dos EUA, confessou em tribunal que a sua unidade bancária Wachovia «não havia monitorizado e participado [às autoridades] suspeitas de lavagem de dinheiro por parte de narco-traficantes» (Bloomberg, 29.6.10).
O montante do «lapso» é estonteante: 378 mil milhões de dólares. Trata-se de dinheiro proveniente de «casas de câmbio» mexicanas nos anos 2004-07. A notícia acrescenta que «o Wachovia habituara-se a ajudar os traficantes de droga mexicanos a movimentar dinheiro».
Martin Woods, ex-chefe do combate à lavagem de dinheiro no Wachovia em Londres informou o banco e as autoridades do que se passava. «Woods disse que os seus patrões mandaram-no estar calado e tentaram despedi-lo».
Qual foi a penalização do banco? Pagou 160 milhões de dólares de multa («menos de 2% dos seus lucros de 12,3 mil milhões em 2009») e prometeu melhorar o sistema de vigilância. Se o fizer, «o governo dos EUA deixará cair todas as acusações contra o banco em Março de 2011, segundo o acordo alcançado» (Bloomberg 7.7.10).
Quem disse que o crime não compensa? É sempre assim: «Nenhum grande banco dos EUA – incluindo a Wells Fargo – foi alguma vez formalmente acusado de violar a Lei dos Segredos Bancários ou qualquer outra lei federal. Em vez disso, o Departamento da Justiça resolve as acusações criminais utilizando acordos de adiamento do processo, em que o banco paga uma multa e promete não voltar a violar a lei». Para os banqueiros não há pistolas taser…
Entretanto, o México desintegra-se na violência que «já matou mais de 22 000 pessoas desde 2006» (Bloomberg, 7.7.10). A carnificina – e a catástrofe social – não suscitam campanhas indignadas.
Fosse na Venezuela, já haveria inflamados comentaristas a invectivar contra o «Estado falhado» e exigir «intervenções humanitárias». Mas aqui, não.
Talvez porque «o Wachovia é apenas um dos bancos dos EUA e Europa que têm sido utilizados para lavar dinheiro da droga». Ou porque, como afirmou o chefe do Gabinete da ONU sobre Droga e Crimes (UNODC), no auge da crise do sistema financeiro em 2008 «em muitos casos o dinheiro da droga era o único capital de investimento líquido. […] empréstimos inter-bancários eram financiados pelo dinheiro da droga e outras actividades ilegais. Houve sinais de que alguns bancos foram salvos desta forma» (Observer, 13.12.09).
Os EUA estão numa escalada militar maciça na América Latina. O pretexto oficial é o combate ao narcotráfico. Mas há um longo historial de ligação das intervenções dos EUA com os tráficos de vária ordem.
Foi assim na Nicarágua, no Kosovo, com o regime colombiano. É assim no Afeganistão. País que, segundo o relatório UNODC de 2010 «é responsável por cerca de 90% da produção ilícita de ópio nos últimos anos». Na página 38 há um gráfico eloquente.
Praticamente inexistente até 1980, a produção afegã de ópio cresceu de forma acentuada nos anos da ingerência imperialista. A grande excepção foi 2001, o ano antes da invasão, quando os talibã no poder erradicaram mais de 90% da produção. Depois da ocupação EUA/NATO foram batidos todos os recordes de produção.
Grandes alvos do tráfico de droga são os países vizinhos: a Rússia «livre» é hoje «o maior mercado nacional de heroína afegã, um mercado que se expandiu rapidamente desde a dissolução da URSS». E também as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central, o Paquistão, a região oriental da China e o Irão.
O relatório da ONU elogia o papel deste último país no combate ao tráfico. «São frequentes os combates mortíferos entre tropas iranianas e traficantes, como é evidenciado pelos milhares de baixas sofridas pelos guardas fronteiriços iranianos nas últimas três décadas». Entre 1996 e 2008 o Irão «é responsável por mais de dois terços das apreensões de ópio a nível mundial» e cerca de um terço das apreensões de heroína.
Em meados do Século XIX o imperialismo britânico desencadeou as duas Guerras do Ópio contra a China, em nome da «liberdade de comércio»… do ópio. Parece que os EUA lhe querem seguir o exemplo.
* Professor da Universidade de Lisboa e analista de política internacional.
Este texto foi publicado em Avante nº 1.913 de 28 de Julho de 2010 (Liberdade Comercial)
extraído d'ODiário.info (A Banca e a liberdade comercial... Da droga)
inspirado no Gilson Sampaio






