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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

WIKILEAKS à imprensa: NAS ELEIÇÕES NOS EUA, VOTE WIKILEAKS


Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


“AJUDE WIKILEAKS A GOVERNAR OS EUA nos próximos quatro anos”
Doe em: WikiLeaks Donate  

WikiLeaks decidiu entrar na campanha eleitoral nos EUA. De hoje até o dia das eleições nos EUA, pelos próximos 34 dias, com início dia 3/10/2012 e término no dia 6/11/2012, estamos lançando uma nova campanha de arrecadação de fundos para manter WikiLeaks.

Até hoje, ninguém desmentiu nem UM ÚNICO item de qualquer informação que tenha sido revelada ao mundo por WikiLeaks. E a reação do governo dos EUA é prova de que TODAS AS INFORMAÇÕES DISTRIBUÍDAS AO MUNDO POR WIKILEAKS SÃO VERDADEIRAS.

6ª-feira passada, dia 28/9, o Pentágono, mais uma vez, ameaçou WikiLeaks. O porta-voz do Pentágono George Little “exigiu” que WikiLeaks destrua suas publicações, inclusive os “Papéis da Guerra do Iraque” [orig. Iraq War logs] que revelaram a matança de mais de 100 mil civis. Little disse que “a posse continuada, por WikiLeaks, de informação sigilosa que pertence ao governo dos EUA representa violação continuada da lei”. Mais uma vez, o Pentágono “advertiu o Sr. Assange e WikiLeaks” contra “solicitar” material de militares “sentinelas” [soldado que toca o apito, para avisar sobre presença ameaçadora, orig. “whistleblowers” (NTs)] dos EUA.

Em resposta, WikiLeaks decidimos intervir na campanha eleitoral para a presidência dos EUA.

O governo dos EUA alega que o Sr. Assange e a organização WikiLeaks estariam sob jurisdição do governo dos EUA.

Em resposta, WikiLeaks decidimos colocar o governo Obama sob nossa jurisdição.

Todas as crianças norte-americanas aprendem, desde a escola primária, que estar submetido a leis sem ter garantido o direito de defesa é injustiça. Dessa certeza democrática se fez a Revolução Norte-americana. 

Exigimos o nosso direito de defesa. E aqui iniciamos uma campanha para converter os votos de Democratas e Republicanos em apoio econômico e político a WikiLeaks e aos valores consagrados na Primeira Emenda.

No dia das eleições, não vote em candidatos do Partido Republicano nem do Partido Democrata. Em vez disso vote o único voto que realmente significa alguma coisa. Vote com seu dinheiro, para ajudar WikiLeaks.

O Partido Democrata prometeu governo transparente. Em vez disso, está construindo um Estado dentro do Estado. Há hoje nos EUA 5 milhões de cidadãos que vivem sob vigilância, espionados como se fossem inimigos.

O governo do Partido Democrata escondeu mais informação relevante que todos os governos anteriores. Os cidadãos, nos EUA, não sabem sequer quem são os condenados à morte que o presidente manda executar como melhor lhe pareça. Sem conhecimento dos cidadãos, o presidente dos EUA decide hoje quem vive e quem morre assassinado.

O governo dos EUA caminha a passos largos para a distopia: leis secretas, processos secretos, orçamentos secretos, resgates secretos, matanças secretas, espionagem secreta massiva contra os próprios cidadãos, ataques secretos com aviões-robôs, drones, e prisão secreta de cidadãos norte-americanos sem qualquer acusação formalizada.

O colapso da União Soviética poderia ter levado ao fim do estado de exceção nos EUA, ao fim do estado de segurança. Mas, sem a oposição moral de outro sistema, o estado de exceção cresceu nos EUA sem qualquer limite ou controle e hoje já influencia, com seus tentáculos, todas as políticas norte-americanas. Não se podem admitir mais quatro anos nessa direção. É intolerável.

O governo Obama mantém uma “investigação por toda a máquina de governo”, em “escala e natureza sem precedentes” contra WikiLeaks e toda nossa equipe.

Conseguiu impor bloqueio extrajudicial ilegal de todas as nossas contas bancárias. E mantém Bradley Manning sob prisão ilegal, sem acusação formal, apenas porque os EUA ‘desconfiam’, sem ter até agora encontrado qualquer prova, de que ele seria ‘fonte’ de WikiLeaks. Bradley Manning é mantido sob prisão em condições que, na avaliação do Relator Especial da ONU sobre Tortura, Juan Mendez, caracterizam tortura.

O Sr. Assange é refugiado político, legalmente declarado e reconhecido, mas embaixadores dos EUA ameaçaram países – por exemplo a Suíça – para que não lhe garantissem asilo.

O presidente Obama ‘declarou’ Bradley Manning culpado, sem que haja qualquer sentença legalmente declarada por tribunal legal. O vice-presidente Biden disse do Sr. Julian Assange que seria “um terrorista hi-tech”. A campanha Obama-Biden jacta-se de ter processado duas vezes mais vazadores de informação relacionadas à segurança nacional que “todos os governos anteriores somados” (como se lê em: 5/9/2012 - The Guardian, Glenn Greenwald: Obama campaign brags about its whistleblower persecutions). É inadmissível. É absolutamente inaceitável.

Os políticos vivem a repetir que a decisão do eleitor, nas eleições, determina o futuro.

Mas, como já se viu no governo Obama, pouca diferença faz que a maioria dos votos decida quem ocupará formalmente a presidência, porque se vota num nome de presidente, mas elege-se um governo, composto das agências do governo e dos amigos do governo que não precisam ser sequer amigos do presidente eleito, nem amigos, sequer, do partido do presidente eleito. Nenhuma diferença faz o partido eleito porque, no governo, todos os partidos são calados. E o mais calado dentre os calados é quem tente falar por alguma oposição ao governo, seja de que partido for.

Mas há outra opção.

As agências do governo e todas as corporações SABEM que conhecimento é poder. Por isso, precisamente, consomem literalmente bilhões de dinheiro público para manter o mais estrito sigilo em torno do governo e das corporações. É vitalmente importante para eles manter seus planos, projetos e ações ocultados dos eleitores e absolutamente invisíveis, preservados sempre sob o mais estrito sigilo.

Tudo que façam tem de ser ocultado, precisamente, dos eleitores, de nós todos

Porque sabem que, unidos, podemos forçá-los a agir de outro modo.

Foram as revelações que WikiLeaks trouxe ao mundo – não algum ‘'ato'’ do presidente Obama – que obrigaram os EUA a porem fim à Guerra do Iraque. Ao noticiar a matança de crianças iraquianas, WikiLeaks motivou diretamente o governo do Iraque a remover a imunidade que, até então, assegurara aos militares norte-americanos, que lhes permitia matar cidadãos iraquianos sem que os assassinatos fossem considerados crimes. E o fim dessa imunidade, afinal, forçou os EUA a se retirarem do Iraque (é o que todos podem ler em 23/10/2011 – Salon, Glenn Greenwald: WikiLeaks cables and the Iraq War”)

Foram as revelações que WikiLeaks noticiou para o mundo e a ação dos ativistas em todo o mundo árabe – não alguma “ação” do governo Obama – que ajudaram a disparar a Primavera Árabe.

Enquanto WikiLeaks já desmascarava ditadores do Iêmen ao Cairo, o vice-presidente dos EUA Joseph Biden ainda insistia em chamar Hosni Mubarak de “um bom democrata”; Hillary Clinton dizia que o governo de Murarak era “estável” e o governo dos EUA trabalhava, em conluio com o ditador Saleh do Iêmen, para bombardear o próprio povo do Iêmen (é o que todos podem ler em 13/5/2011 – The Guardian, Peter Walker: Amnesty International hails WikiLeaks and Guardian as Arab spring 'catalysts'e em jul/ago/2011 – World Affairs, Judy Bachrach: WikiHistory: Did the Leaks Inspire the Arab Spring?)

E foram as revelações de WikiLeaks – não a Casa Branca – que obrigaram o governo a reformar a maior rede de hospitais infantis nos EUA (é o que todos podem ler em: 25/7/2008 – New York Times, Stephanie Strom, em WikiLeaks: Report on Shriners raises question of wrongdoing)

Ano passado, o Pentágono recebeu $662 bilhões para fazer guerras pelo planeta em 2012.

Até hoje, ninguém desmentiu nem UM ÚNICO DADO de qualquer informação que tenha sido revelado ao mundo por WikiLeaks. E a reação do governo dos EUA é prova de que TODAS AS INFORMAÇÕES DISTRIBUÍDAS AO MUNDO POR WIKILEAKS SÃO VERDADEIRAS.

Para que WikiLeaks possa continuar a fazer o seu trabalho, publicando informação verdadeira, com distribuição em massa de informações que podem, sim, levar o mundo a construir melhores governos, temos, agora, de construir, nós também, nossa frente de resistência.

No início de dezembro de 2010, WikiLeaks recebia cerca de $120 mil dólares por dia em doações de cidadãos comuns, em todo o mundo.

Em obediência à pressão que receberam de Washington – e em ação absolutamente ilegal –, instituições financeiras entre as quais Visa, MasterCard, PayPal, Bank of America e Western Union, impuseram um bloqueio bancário contra WikiLeaks, que resultou em roubo de 95% dos fundos pertencentes a WikiLeaks que estavam sob guarda daquelas empresas.

Embora WikiLeaks tenha vencido todas as ações judiciais que impetramos até hoje contra o bloqueio ilegal, aquelas empresas, todas elas subordinadas a Washington, continuam a apelar indefinidamente

Então, de hoje até o dia das eleições nos EUA, pelos próximos 34 dias, com início dia 3/10/2012 e término no dia 6/11/2012, estamos lançando uma nova campanha de arrecadação de fundos para manter WikiLeaks.

Ainda é possível fazer doações em dinheiro para WikiLeaks por várias vias simples, que contornam os bloqueios, inclusive através de Visa, MasterCard e PayPal. As doações serão usadas para pagar os custos da infraestrutura de nossa organização e os custos legais da luta contra o bloqueio de nosso dinheiro. Esperamos para breve uma decisão final, irrecorrível, na apelação que Visa impetrou contra sentença de tribunal islandês que já declarou ilegal o bloqueio financeiro. Também esperamos para breve sentença final favorável na ação que impetramos na Europa, de violação, pelas instituições bancárias europeias, da legislação antitrustes.

Para ajudar a pagar os custos da defesa judicial de Julian Assange, você ainda pode usar seu cartão de crédito, mas terá de fazer doação em separado, para

Julian Assange and WikiLeaks Staff Defence Fund, administrado e auditado por Derek Rothera & Co.
Detalhes em nossa página: WikiLeaks

Você também pode contribuir para o Bradley Manning Defense Fund


“A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento”
(Milan Kundera)

Assina [por WikiLeaks] Julian Assange
_________________________________

Visite a página da campanha em WikiLeaks 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O “segundo” de WikiLeaks vem para o centro da arena: Kristinn Hrafnsson

7/12/2010, Andy Greenberg, Forbes
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu



Julian Assange descreveu-se algumas vezes como uma espécie de lanterna de WikiLeaks: é quem representa a causa do grupo e, ao mesmo tempo, atrai sobre si a fúria dos críticos. Ontem, a lanterna sofreu uma pane: Julian Assange foi preso em Londres, sem direito a libertação sob fiança; e WikiLeaks ficou privado de sua persona básica.
 

Mas há um “segundo homem” que representa WikiLeaks e que nos últimos meses começou a ser apresentado às câmeras: é islandês, é conhecido jornalista investigativo e acompanha Assange já há algum tempo. Chama-se Kristinn Hrafnsson e trabalha com WikiLeaks desde abril. À medida que os movimentos de Assange foram-se tornando cada vez mais limitados e ele precisou recolher-se por causa de ameaças legais e ilegais contra ele, Hrafnsson foi-se tornando cada vez mais visível.

Hrafnsson pode ser visto em: WikiLeaks Spokesperson Kristinn Hrafnsson Interview , em entrevista à CNN, dizendo que WikiLeaks é uma organização jornalística e que, evidentemente, tem, mais que o direito, o dever, de publicar informação que ninguém tem o direito de sonegar aos cidadãos (vale a pena ver o jornalista empregado da CNN gaguejando e, depois, tentando ‘noticiar’ que há ‘notícias’ que ‘não se devem divulgar”). Hrafnsson responde: “Se um jornalista não pode divulgar o que digam e escrevam os diplomatas norte-americanos... procuraremos informação relevante, permita-me perguntar, onde?! Se uma organização jornalística não pode publicar texto escrito e assinado por diplomatas dos EUA... não sei exatamente que sentido teria o jornalismo.” 

Não conseguimos fazer contato com Hrafnsson para que ele confirmasse e não há qualquer indicação de que liderará a organização na ausência de Assange. Mas Hrafnsson continua a ser o único rosto da organização na ausência de Assange, e a estrutura formal de WikiLeaks pode estar sendo parcialmente transferida para a Islândia: em novembro, Hrafnsson disse à imprensa que WikiLeaks criara uma empresa (Cia. Ltda.) na Islândia, cujo endereço oficial seria o apartamento de uma pessoa da equipe de WikiLeaks.

Como vários cidadãos islandeses, Hrafnsson, então jornalista empregado da RUV, rádio nacional da Islândia, tomou conhecimento da existência de WikiLeaks quando o grupo distribuiu documentos do hoje defunto Kaupthing Bank, em agosto do ano passado, dez meses antes da falência do banco. Os documentos comprovavam que o banco emprestara bilhões de dólares aos seus próprios executivos e a empresas das quais eram acionistas e proprietários.

Imediatamente depois, ainda sob o impacto do escândalo, Hrafnsson ajudou a organizar o movimento que ficou conhecido como Moderna Iniciativa para a Mídia da Islândia [ing. Icelandic Modern Media Initiative, (IMMI)].

O Movimento IMMI redigiu e fez aprovar a Lei Islandesa de proteção à liberdade de expressão e divulgação de documentos secretos tida como a claramente orientada, dentre todas as ‘leis de comunicações e mídia’ do mundo, para proteger o direito à plena informação, dos cidadãos e eleitores. O nome de Hrafnsson aparece como conselheiro no site do Projeto IMMI.

Para conhecer o Projeto IMMI, ver: ICELAND TO BECOME INTERNATIONAL TRANSPARENCY HAVEN

Sobre o projeto de lei IMMI, ver matéria de capa da revista Forbes sobre Assange, WikiLeaks e IMMI, em:WikiLeaks’ Julian Assange Wants To Spill Your Corporate Secrets WikiLeaks' Julian Assange Wants To Spill Your Corporate Secrets

Sobre a aprovação do projeto de lei IMMI (foi aprovado dia 16/6/2010), há matéria interessante em: Icelandic Modern Media Initiative passes: a new safe haven for journalists?


Quando encontrei Hrafnsson em Reiquijavique em novembro, ele referiu-se à divulgação dos documentos do banco Kaupthing como “revelação tremendamente importante, talvez o mais importante depois da crise dos bancos” – e fator decisivo que despertou seu interesse tanto em relação a WikiLeaks quanto em relação à IMMI.

“O choque na sociedade islandesa foi incrível. A carência e a urgência de informação de boa qualidade fez aumentar a pressão sobre os jornalistas.
Muitos jornalistas desesperavam-se porque nada se conseguia, todos batendo cabeça contra a muralha de ferro da Lei do Sigilo Bancário e só obtendo fragmentos de informação que não se encaixavam uns nos outros” – disse ele.

“Rapidamente a sociedade islandesa percebeu a importância de haver uma organização como WikiLeaks, um canal anônimo que conseguisse levar a informação ao público.”

Em abril, Hrafnsson viajou para Bagdá para filmar uma entrevista com filhos dos civis que foram mortos no ataque do helicóptero Apache que WikiLeaks divulgou ao mundo sob o título de “Collateral Murder”. Três meses depois, foi demitido de seu emprego na RUV; embora não haja provas, há suspeitas de que sua conexão com WikiLeaks foi fator de peso na demissão. Fonte da RUV, que pediu para não ser identificado, diz que a demissão foi consequência, exclusivamente, de desentendimento pessoal entre Hrafnsson e seu superior sobre a edição de um fragmento do noticiário.

Hrafnsson é personagem muito mais contido e taciturno que Assange, e não parece sentir-se à vontade sob os holofotes. Na entrevista que tivemos em novembro, disse que tem planos para “dar gradualmente cada vez mais ênfase sobre material vazado do que sobre a organização WikiLeaks, e mais ênfase à organização que ao fundador.”

Sobre o impacto da prisão de Assange? “Não somos organização de um homem só. Continuaremos a fazer o que sempre fizemos.”

sábado, 14 de agosto de 2010

Guerra cibernética contra WikiLeaks? Veremos.

13/8/2010, Kevin Poulsen, Blog “Threat Level”, revista Wired

Traduzido por Caia Fittipaldi


espejos-de-wikileaks

View WikiLeaks insurance seeders in a larger map


Na 5ª-feira (12/8/10), o fundador do site WikiLeaks Julian Assange disse, em reunião em Londres, que o site continuará a publicar os outros 15 mil arquivos de dados que ainda não publicou, do material sobre a guerra do Afeganistão, apesar da ordem do Pentágono para que WikiLeaks “devolva” todos os documentos secretos dos EUA em seu poder, publicados e não publicados. (...) Assange disse que sua organização já trabalhou sobre metade dos arquivos ainda não publicados, para ocultar os nomes dos informantes afegãos. A notícia sugere que a divulgação pode demorar semanas.


Os jornais, porém, clamam por ação preventiva. “Os EUA têm capacidade cibernética para impedir que WikiLeaks divulgue o material”, escreveu ontem Marc Thiessen, colunista do Washington Post. “O presidente Obama ordenará que os militares usem a capacidade que têm? (...) Se Assange for deixado livre, e os documentos em seu poder forem divulgados, Obama só poderá culpar-se ele mesmo.”


Fato é que tentativa anterior, pelos especialistas do governo, para varrer da Internet a página WikiLeaks não deu certo. Em 2008, Jeffrey White, juiz federal em San Francisco, ordenou que o nome de domínio “WikiLeaks.org” fosse confiscado, no julgamento de ação movida pelo banco Julius Baer Bank & Trust, banco suíço que tivera alguns de seus documentos internos vazados. Duas semanas, depois o juiz reconheceu que decidira sem pleno conhecimento da ação; o domínio foi devolvido e a página, restaurada. “Há graves questões envolvidas, que terão de ser decididas antes de qualquer confisco de domínio”, disse o juiz, “entre as quais, a possível violação da 1ª Emenda”.


Mas mesmo durante o tempo em que houve ordem judicial e foi cumprida, a página WikiLeaks permaneceu ativa: apoiadores e militantes de organizações que defendem a liberdade de manifestação distribuíram o IP [Internet Protocol, o endereço da página na própria rede], e a página continuou a poder ser acessada diretamente. As páginas-espelho [ing. Mirrors of the site] não foram incluídas na ordem judicial; e uma cópia de todo o arquivo vazado em WikiLeaks circulou livremente pela página Pirate Bay.


Claro que o governo dos EUA tem outras vias, menos legais, às quais recolher – as “capacidades cibernéticas” das quais fala Thiessen. É provável que o Pentágono tenha meios para lançar ataques “denial-of-service” contra os servidores de interface pública. Se não tiver, o Exército pode contratar os serviços de uma boa turma de hackers russos; é mais barato que um blindado Humvee.


Mas talvez nem os hackers russos tenham grande serventia. Há duas semanas, a página WikiLeaks produziu e distribuiu sua própria apólice de seguro: um arquivo de 1,4 GB, intitulado “insurance.aes256”.[1]


Os conteúdos dos arquivos estão codificados, e não há meios para saber o que lá existe. Mas, como já noticiamos, o arquivo contém 19 vezes mais material que todos os arquivos já divulgados da guerra do Afeganistão – suficientemente grande para conter toda a base de dados do Afeganistão, além de outras bases de dados ainda maiores que se suspeita que já estejam em poder de WikiLeaks.


Há boatos de que Bradley Manning, o analista militar norte-americano que vazou o material já divulgado, teria também enviado a WikiLeaks uma pasta de material sobre a guerra do Iraque com mais de 500 mil arquivos, de 2004 a 2009, além de um banco de dados com 260 mil telegramas do Departamento de Estado, mensagens e respostas do serviço diplomático dos EUA em todo o mundo.


Haja o que houver em sua apólice de seguro, Assange – que falou pelo Skype num debate do Frontline Club – cuidou de lembrar, anteontem, que, sim, pode divulgar tudo a qualquer momento. “Basta liberar a senha para aquele material, e tudo estará instantaneamente acessível”, disse ele.


WikiLeaks está instruindo seus apoiadores a baixar a apólice de seguro pela página BitTorrent “The Pirate Bay” . “Baixem e guardem com vocês”, diz a mensagem de recepção a visitantes na sala-de-bate-papo da página WikiLeaks. Passadas já duas semanas, não há dúvidas de que a apólice de seguro de WiliLeaks já está bem guardada em centenas, se não em milhares de máquinas de net-cidadãos que trabalham no mesmo projeto “Segredo-zero. Transparência total”, de Assange.


Entramos no Torrent, ontem, 6ª-feira, para ter uma ideia do apoio que WikiLeaks teria obtido nessa empreitada. Em poucos minutos de downloading, rastreamos sinais do arquivo “insurance.aes256” em 61 pontos, em todo o mundo. Processamos os endereços de IP num programa oferecido por um serviço de geolocalização, que gerou um arquivo KML, a partir do qual geramos o Google Map que se vê no artigo original, em inglês.


A apólice de seguro de WikiLeaks já está bem guardada, toda aquela pasta gigantesca, nos quatro cantos do mundo: nos EUA, na Islândia, Austrália, Canadá e em vários pontos da Europa [nenhum no Brasil. NT]. Todos esses – são homens e mulheres – já baixaram toda a pasta, e, nesse preciso instante, estão doando largura de banda, para ajudar WikiLeaks a sobreviver. (Não, não! Não estamos distribuindo mapa com alvos para os mísseis cruzadores do Pentágono. A geolocalização pelo IP não é precisa.)


Desde que os arquivos secretos da guerra do Afeganistão foram divulgados, há notícias de que, em 77 mil arquivos, aparecem os nomes de centenas de informantes afegãos, os quais, por causa do vazamento, teriam ficado expostos à vingança dos Talibãs. A página WikiLeaks recebeu várias críticas de organizações de direitos humanos e da ONG Repórteres sem Fronteiras. Essas organizações exigem apenas que WikiLeaks trabalhe mais atentamente sobre os dados antes de divulgá-los.


O Pentágono já deu sinais de que ainda tem recursos que usará contra a página. “Se o dever de fazer as coisas direito não os convencer, estudaremos a melhor alternativa, dentre as várias que temos, para obrigá-los a fazer o que eles têm de fazer” – disse semana passada Geoff Morrell, porta-voz do Pentágono. Mas é difícil imaginar o que o Pentágono pode ainda tentar, se se sabe que Julian Assange, ou qualquer pessoa do seu círculo mais próximo, podem vazar 1,4 gigabytes de material mediante um simples tweet bem redigido.


Nota de rodapé:

[1] Ver “WikiLeaks Posts Mysterious ‘Insurance’ File” , 30/7/2010, Kim Zetter, revista Wired


O artigo original, em inglês, pode ser lido em: Cyberwar Against Wikileaks?Good Luck With That (com mapa detalhado)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Pentágono exorta imprensa a não publicar novos documentos de WikiLeaks

18/10/2010, Cuba Debate  – distribuído ontem pelo Twitter 
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu


A notícia de que a organização WikiLeaks – que se dedica a divulgar documentos secretos de importância social e histórica pela internet – planeja distribuir outra grande quantidade de documentos secretos do Exército dos EUA sobre a guerra do Iraque deu lugar a uma guerra de declarações. As duas entidades, o Pentágono e WikiLeaks, têm-se dirigido aos veículos de comunicação exortando-os a que ajam como lhes indique, em cada caso, o que cada veículo entenda que seja o jornalismo.

O Pentágono pediu diretamente a empresas jornalísticas internacionais que não publiquem o conteúdo dos cerca de 500 mil novos documentos secretos sobre a guerra, que estariam com a página WikiLeaks, e que WikiLeaks teria anunciado que divulgaria nas próximas horas[1]. Julian Assange, presidente de Wikileaks já desmentiu que a publicação teria sido anunciada; disse que sua organização pode publicar, sim, o que tem, mas que não fará qualquer anúncio da publicação.

Em comunicado ambíguo, Assange criticou todos os veículos que repetiram a notícia distribuída pela revista Wired sobre a distribuição de novos documentos, sem verificar a veracidade da notícia; e sugeriu que o boato teria a intenção de minar a credibilidade de WikiLeaks.

Imune a esses argumentos, o Pentágono insiste em que os documentos comprometedores estão prontos para serem divulgados a qualquer momento, e que os EUA impedirão que a divulgação ponha em risco a vida dos que sejam citados naqueles documentos. O coronel David Lapan, porta-voz do Pentágono, disse 2ª-feira (18/10) que o Exército dos EUA exige “enfaticamente” que Wikileaks “devolva os documentos que foram roubados do Governo dos EUA e que não os publique”.

“Todos os veículos devem estar avisados para não permitir qualquer divulgação do conteúdo de documentos secretos, hoje em posse dessa organização de reputação duvidosa conhecida como Wikileaks”, disse o porta-voz do Pentágono. Lapan insistiu em que a credibilidade de Wikileaks depende da veracidade que os meios de comunicação atribuam aos documentos vazados ilegalmente. (...)

Uma equipe do Pentágono, de 120 técnicos, revisou todos os documentos que se suspeita que Wikileaks planeje publicar nas próximas horas, disse Lapan. A mesma equipe está preparada para agir com rapidez, no caso de os documentos serem divulgados, para verificar se são os mesmos que a equipe já analisou e para avaliar o dano que a divulgação possa causar e a quem. Para Lapan, essa equipe deve ajudar a controlar o dano que a divulgação provocará entre as fontes e os sistemas operacionais de inteligência do Pentágono. A principal preocupação do Pentágono – continua Lapan – é a segurança dos iraquianos citados nominalmente nos documentos como “colaboradores” das forças de segurança dos EUA.

Os cerca de 70 mil arquivos distribuídos por WikiLeaks em julho passado sobre a guerra do Afeganistão revelaram que o Exército dos EUA havia manipulado o número real de mortos civis e que o Pentágono preocupava-se com o “jogo duplo” do Paquistão, aliado dos Talibãs e, ao mesmo tempo, sempre interessado nos bilhões de ajuda provenientes dos EUA.
  
Nota:
[1] Em Wired Magazine Called Out By WikiLeaks President Julian Assange For False Reports  lê-se matéria de ontem sobre a discussão entre Assange (de WikiLeaks) e o editor da revista Wired, em que Assange acusa a revista Wired de ter distribuído notícias falsas. Nessa matéria, Assange reafirma que WikiLeaks não disse quando divulgará outros documentos em seu poder (matéria de WikiLeaks, redistribuída pelo Twitter ). 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Apoio popular multiplica WikiLeaks e cria mais de 500 clones

06 de dezembro de 2010 • 21h23 • atualizado às 22h40

À medida que se fecha o cerco governamental sobre o WikiLeaks e seu fundador, Julian Assange, o apoio popular no mundo todo permitiu que nas últimas horas o site fosse clonado e existam mais de 500 páginas oferecendo seu conteúdo na rede.

No último sábado, após uma semana de publicação de documentos diplomáticos dos Estados Unidos com informações confidenciais e secretas, e perante a crescente pressão de governos e grandes companhias, o WikiLeaks fez um pedido popular através do Twitter sob a bandeira "imwikileaks" (eu sou wikileaks).

Nesta segunda-feira, 48 horas depois do início da campanha, a organização conseguiu que 507 sites clonassem seus conteúdos "para deixar impossível que o WikiLeaks seja retirado totalmente da internet", precisamente o que o governo dos Estados Unidos e outros países estão tentando há uma semana. Em mensagem publicada no wikileaks.ch, a página criada pelo Partido Pirata suíço para hospedar o WikiLeaks depois que a “Amazon Web Server” (AWS) decidiu expulsar de seus servidores o site, indica que o WikiLeaks “está sob forte ataque”.

O WikiLeaks também oferece as instruções para que qualquer servidor possa clonar a página. O êxito do crescente apoio popular ao WikiLeaks, que corre paralelo aos crescentes esforços governamentais e corporativos para silenciar o site, está tornando muito difícil que as autoridades americanas possam apagar a página de Assange e impedir a revelação de mais informação comprometedora.

O próprio procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, reconheceu nesta segunda-feira de forma implícita as dificuldades que Washington está tendo para silenciar o WikiLeaks. “Estamos fazendo tudo o que podemos”, disse Holder durante uma entrevista coletiva em Washington.

Holder não quis explicar as ações que as autoridades americanas estão tomando, mas disse que "a segurança nacional dos Estados Unidos foi colocada em risco. As vidas das pessoas que trabalham para o povo americano foram colocadas em risco".

Por enquanto, o que parece ter causado mais danos ao WikiLeaks e Assange foram as companhias particulares que deram as costas ao australiano desde que começou a publicar o conteúdo dos documentos.

Primeiro foi a “Amazon Web Server” (AWS), uma filial do gigante da internet Amazon, especializada em oferecer servidores para hospedar sites.

Na semana passada a AWS decidiu expulsar o WikiLeaks de seus servidores oficialmente porque o conteúdo da página era roubado.

Pouco depois, outra empresa americana “EveryDNS.net” interrompeu a conexão entre o nome WikiLeaks.org e os servidores que contêm o site, o que impediu temporariamente que os internautas acessassem a página.

Depois o PayPal cancelou a conta do WikiLeaks, deixando mais difícil que o público possa doar dinheiro a Assange. Finalmente, o banco suíço PostFinance anunciou nesta segunda-feira o fechamento da conta aberta para cobrir os custos legais da página.

Além disso, Assange enfrenta pedidos públicos para ser executado por parte de importantes figuras conservadoras norte-americanas e acusações de abusos sexuais na Suécia, que os advogados do australiano consideram motivadas politicamente.

Assange distribuiu através da internet um arquivo codificado que contém todos os documentos diplomáticos dos EUA, assim como outras informações adicionais, cujo conteúdo será acessível caso lhe ocorra algo ou o WikiLeaks desapareça.































Extraído doTerra

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Oito calúnias sobre a WikiLeaks

Ataques mal intencionados à WikiLeaks procuram perpetuar falsos conceitos que se recusam a morrer por mais que entrem em conflito com a realidade.

Por Julianne Escobedo Shepherd e Tana Ganeva, AlterNet
ARTIGO | 9 JANEIRO, 2011 - 23:29

A tendência da comunicação social empresarial de difundir informações falsas e notícias fabricadas tem sido particularmente notória na cobertura da WikiLeaks. Como Glenn Greenwald tem defendido, as principais agências de notícias têm divulgado repetidas difamações e falsidades sobre o sítio de fugas de informação e o seu fundador Julian Assange, ajudando a perpetuar uma série de “mentiras imbecis” – falsos conceitos que se recusam a morrer por mais que entrem em conflito com a realidade conhecida, a lógica básica e informação bem divulgada.

Aqui estão as falsas narrativas que continuam a aparecer nos jornais e na rádio.

1. Fomentar campanhas de alarmismo afirmando que as revelações da WikiLeaks irão provocar mortes.
Até ao momento não há evidência de que as revelações da WikiLeaks tenham custado vidas. De fato, mesmo antes de os telegramas terem sido revelados, funcionários do Pentágono admitiram não haver casos documentados de mortes causadas pela informação exposta por divulgações anteriores de documentos da WikiLeaks (e ao contrário dos telegramas diplomáticos, os arquivos do Afeganistão não estavam editados).

Não quer dizer que a exposição dos ficheiros secretos do governo não possa de alguma forma levar a que alguém, em algum lugar, seja um dia magoado. Mas isto é ir longe de mais, especialmente por parte de um governo envolvido em múltiplas operações militares – muitas das quais secretas – que levam a um número incontável de vítimas civis.

2. Espalhar a mentira que a WikiLeaks divulgou todos os telegramas.
A WikiLeaks divulgou menos de 2.000 dos 251.287 telegramas na sua posse. Divulgou aqueles documentos em conjunto com as mais importantes agências de notícias, incluindo o Guardian, El País e Le Monde, e utilizou a maioria das redações desses jornais para proteger as identidades de pessoas cujas vidas poderiam ser ameaçadas pela exposição. A AP detalhou este processo num artigo em 3 de Dezembro, mas isto não impediu que funcionários e analistas afirmassem que a WikiLeaks tinha colocado todos os telegramas “indiscriminadamente” na Internet. Muita da comunicação social repetiu a afirmação sem pensar.

Greenwald e outros têm lutado para acabar com o mito de que o sítio de fugas de informação divulgou todos os telegramas sem tomar quaisquer precauções para proteger as pessoas, mas este mito continua. Ainda esta semana a NPR emitiu um pedido de desculpas por todas as vezes que os colaboradores e convidados sugeriram ou expressaram abertamente ser uma calúnia que a WikiLeaks tenha colocado cegamente todos os telegramas de uma só vez.

3. Afirmar falsamente que Assange cometeu um crime no que diz respeito à WikiLeaks.
O Departamento de Estado tem trabalhado arduamente para incriminar Julian Assange. O problema é que até agora não parece que ele tenha infringido qualquer lei. Assange não é um cidadão dos Estados Unidos, não trabalha para o governo dos Estados Unidos e os documentos da WikiLeaks divulgados foram obtidos por outra pessoa. Conforme Greenwald tem sublinhado repetidamente, não é proibido publicar informações secretas do governo dos Estados Unidos. Se assim fosse, centenas de jornalistas estariam agora na prisão.

Enquanto o governo tenta evocar uma justificação legal para processar Assange, a comunicação social está a ajudar, estimulando a afirmação que ele é uma mente criminosa. Importantes meios de comunicação continuam a acolher convidados que acusam Assange de comportamento criminoso sem especificar de que crime se trata. Num debate bastante ridicularizado na CNN entre o Conselheiro da Segurança Interna de Bush Fran Townsend e Glenn Greenwald, moderado por Jessica Yellin, Greenwald teve que repetidamente rebater a afirmação de que Assange “lucrou” com atos “criminosos”.

O esforço para classificar Assange como um criminoso – liderado pelos membros do governo e ajudado pela comunicação social – pode ter um efeito perturbador sobre futuros autores de fugas de informação.

4. Negar que a WikiLeaks é uma empresa jornalística.
Autoridades e especialistas continuam a afirmar que a WikiLeaks não é uma fonte jornalística, ainda que tenha conseguido o mais importante furo jornalístico de uma década. Mas muito do que a WikiLeaks faz é idêntico às atividades de outras fontes de notícias. A WikiLeaks recebe informações secretas de fontes anônimas, que depois revela ao público – as notícias não são mais do que um sistema de controlo e equilíbrio para o governo, um direito fundamental de liberdade de imprensa. A seguir, trata essas informações secretas antes de divulgá-las – um jornalista ao selecionar material relevante e adequado de um documento confidencial não é diferente da WikiLeaks, ao editar certos excertos dos telegramas.

Como as ações da WikiLeaks estão de acordo com a Primeira Emenda, todos os jornalistas deveriam ficar indignados com as tentativas de acusação do governo americano. Se a WikiLeaks for processada por gerir uma empresa jornalística, que direitos irão ser retirados aos jornalistas no futuro? A denúncia vem de uma das mais respeitadas instituições jornalísticas do mundo, a Columbia University Graduate School of Journalism. No início deste mês, 20 membros da faculdade elaboraram e assinaram uma carta ao Presidente Obama e ao Procurador-geral Eric Holder dizendo que ao processar a WikiLeaks o governo irá abrir “perigosos precedente aos repórteres de qualquer publicação ou meio de comunicação social, amedrontando potencialmente o jornalismo de investigação e outras atividades protegidas pela Primeira Emenda…

Processar o caso WikiLeaks irá prejudicar grandemente os americanos participantes em debates na imprensa livre em todo o mundo e desencorajar os jornalistas que procuram este país para inspiração.

A Fundação Walkley, uma instituição de jornalismo no país de Assange, a Austrália, coloca este assunto mais sucintamente na sua própria carta de apoio à WikiLeaks:

“Tentar fechar a WikiLeaks agressivamente, ameaçar processar aqueles que publicam fugas de informação oficiais, e pressionar empresas a deixarem de negociar com a WikiLeaks, é uma séria ameaça à democracia, que se baseia numa imprensa livre e sem medo”.

5. Negar uma ligação entre os Documentos do Pentágono de Ellsberg e a WikiLeaks, apesar do apoio de Ellsberg ao site.
Em 1969, Daniel Ellsberg fotocopiou secretamente documentos secretos que provavam que a administração Johnson tinha mentido ao povo americano sobre as hipóteses de ganhar a guerra do Vietnã, que sabia desde o início serem quase nulas.

Em 1970, Ellsberg ficou desiludido com a situação desesperada e começou a fazer circular os documentos, primeiro aos senadores dos Estados Unidos, depois ao New York Times, que divulgou o conteúdo numa inovadora série de artigos que pôs em marcha o fim à guerra… e à administração Nixon. Ao proceder desta forma, ajudou a acabar com uma guerra injusta realizada em nome do povo americano. As suas ações foram amplamente aplaudidas.

Num cenário paralelo, a WikiLeaks está a fazer a parte do Times e de outros meios de comunicação que relataram os Documentos do Pentágono – divulgando informações de ações secretas, e em muitos casos, injustas efetuadas em nome do povo americano sem o nosso conhecimento.

O alegado delator Bradley Manning é Ellsberg nesta situação; semelhantemente, se as conversas entre ele próprio e Adrian Lamo impressas na Wired forem verdadeiras, ele divulgou os telegramas com um esmagador sentido de justiça, dizendo, “eu quero que as pessoas, sejam elas quem forem, vejam a verdade, porque sem informação, como público, não se podem tomar decisões informadas.

No início deste mês, Ellsberg apareceu no Colbert Report e elogiou Manning. “Se Bradley Manning fez aquilo de que é acusado, então ele é o meu herói e eu acho que ele prestou um grande serviço a este país” disse Ellsberg. “Esta confusão em que nos encontramos, no mundo, não é por causa de demasiadas fugas de informação… embora diga que devem existir alguns segredos. Mas também digo que invadimos o Iraque ilegalmente porque nos faltou um Bradley Manning na altura.”

6. Acusar Assange de lucrar com a WikiLeaks.
Os jornais divulgaram a notícia que Assange assinou um contrato lucrativo de um livro, informação que inspirou as principais fontes de informação como a CNN a ridicularizar Assange por “lucrar” com os telegramas apesar da sua ideologia anti-empresarial. Na entrevista mencionada acima, Yessica Yellin perguntou a Glenn Greenwald se tinha “Alguns dúvidas sobre o fato de ele estar a lucrar essencialmente com a fuga de informação.” Greenwald assinalou que Assange quase não lucra com esse material, mas tenta cobrir os ganhos legais acrescidos, já que todos os governos do mundo estão atrás dele. Greenwald também assinalou que tentar ganhar dinheiro com o jornalismo é pura rotina na profissão. Bob Woodward, por exemplo, escreveu vários livros baseados em documentos secretos.

7. Chamar terrorista a Assange.
Joe Biden
A semana passada o Vice-presidente Joe Biden, que faz parte de uma administração que supervisiona a escalada da desastrosa guerra no Afeganistão, juntou-se a Mitch McConnel e a Sarah Pallin ao chamar “terrorista” a Assange.

Tanto quanto sabemos, as fugas de Assange não mataram ninguém. Nem sequer ele tentou perpetrar violência para promover uma agenda política, a definição de terrorismo. No entanto os membros do governo continuam a tentar vincular Assange ao terrorismo na consciência do público.

8 Minimizar a importância dos telegramas.
Embora só uma pequena fração dos telegramas tenha sido divulgada, muitos críticos promoveram a ideia de que eles não revelaram “nada de novo” e, portanto não têm qualquer valor. Mas mesmo os telegramas divulgados até ao momento continham revelações importantes sobre os Estados Unidos e seus aliados.

Aqui estão algumas das histórias divulgadas pelos documentos:

– Forças Especiais dos Estados Unidos trabalham dentro do Paquistão
– A Inglaterra concordou proteger interesses dos Estados Unidos nas provas do Iraque
– Bombardeamentos secretos do Iêmen
– O papel do Departamento de Estado no golpe de estado das Honduras
– Estados Unidos pressionaram a Espanha a ignorar as provas da tortura de Bush
– Os Estados Unidos procuraram retaliar contra a Europa por se recusar a permitir as culturas geneticamente modificadas da Monsanto.
– A Drug Enforcement Agency torna-se global, para além das drogas
– Aperto da Shell sobre o estado da Nigéria

A promessa de que a próxima divulgação irá atingir um banco dos Estados Unidos, e que irá ter um efeito semelhante às divulgações da Enron, segundo Assange, certamente prenuncia um tesouro de informações sem precedentes que poderá ser explosivo. E isso é incrivelmente valioso para o povo americano.


Julianne Escobedo Shepherd é editora associada da AlterNet e escritora e editora freelancer em Brooklyn. Anteriormente diretora executiva da The FADER, o seu trabalho tem aparecido na VIBE, SPIN, New York Times e em várias outras revistas e sítios da internet.
Tana Ganeva é editora da AlterNet. Podem acompanhá-la no Twitter ou enviar-lhe um mail para tanaalternet@gmail.com.
Tradução de Noêmia Oliveira para o Esquerda.net
Enviado pelo pessoal da Vila Vudu