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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

AIPAC (lobby sionista nos EUA) perdeu a batalha do Irã, mas a guerra continua

23/1/2014, Jim Lobe, IPSnews, Washington
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O "lobby" sionista no Congresso dos EUA
Há oito anos, Jeffrey Goldberg, da revista New Yorker, perguntou a Stephen Rosen, então alto funcionário do Comitê para Assuntos Públicos EUA-Israel [orig. American Israel Public Affairs Committee (AIPAC)] e conhecido em Washington pela agressividade, pensamento conservador e violência política, se uma então recente publicidade negativa havia abalado o legendário controle que o lobby tinha sobre a política de Washington.

“Um semi-sorriso apareceu no rosto de Rosen” – escreveu Goldberg sobre aquela entrevista. – “Está vendo esse guardanapo?” – perguntou-me ele. – “Em menos de 24 horas podemos ter aqui a assinatura de 70 senadores, bem aqui, nesse guardanapo”. 

Oito anos depois, o mesmo funcionário, Stephen Rosen, que foi forçado a demitir-se do AIPAC depois de ter sido acusado – adiante, foi absolvido – de espionar a favor de Israel, disse a Ron Kampeas da Agência Telegráfica Judaica [orig. Jewish Telegraphic Agency (JTA)] que o AIPAC teve de abandonar a posição de confrontação contra o presidente Obama, depois de só ter conseguido 59 assinaturas de senadores – e quase todos, exceto 16, Republicanos – de apoio a uma nova lei de sanções contra o Irã que visava a fazer gorar completamente as negociações nucleares entre o Irã e o chamado grupo P5+1 (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China, mais Alemanha).

Eles não querem ser vistos em posição derrotada, nem como desistentes... Mas acho que a postura confrontacional não é sustentável – disse Rosen.

Chanceleres do Irã e P5 +1 após as negociações sobre as capacidades nucleares do Irã, celebrado em 24 de novembro de 2013, em Genebra. Crédito: EUA Depto de Estado, EUA
Se tivesse obtido as 70 assinaturas necessárias para aprovar novas sanções – as quais o governo argumentava que violariam um acordo provisório de 24/11 entre o Irã e o P5+1 (que congela o programa nuclear iraniano em troca do alívio em algumas sanções, por um período renovável de seis meses), o AIPAC teria três assinaturas a mais, além do número de votos necessários para derrubar o veto de Obama.

Mas, ao reunir os 59 co-patrocinadores da lei das novas sanções, depois do recesso de Natal, foi como se o AIPAC e os autores do projeto de lei, senadores Mark Kirk (Rep.) e Robert Menendez (Dem.), colidiram de frente contra uma muralha de resistência liderada por dez Democratas da Comissão e apoiada por uma Casa Branca surpreendentemente determinada, com discurso estranhamente muito firme.

Bernadette Meehan
Se alguns membros do Congresso desejam que os EUA ajam militarmente, eles que apareçam e digam claramente à opinião pública dos EUA – disse Bernadette Meehan, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional. Se nada dizem, fica-se sem saber por que algum membro do Congresso apoiaria uma lei que praticamente fecha as portas a qualquer diplomacia e põe os EUA muito mais próximos de ter de escolher entre ou a opção militar ou deixar que prossiga o programa nuclear do Irã.

Assim aconteceu que a Casa Branca venceu o AIPAC naquela queda-de-braço. E surgiu a questão de saber quanto poder o AIPAC ainda tenha. (...)

A incapacidade do AIPAC para mobilizar mais apoiadores entre os Democratas, principalmente, foi efeito de dois revezes que o grupo sionista sofreu ao longo do ano passado.

Embora o AIPAC não se tenha manifestado publicamente, sabe-se que o lobby trabalhou em silêncio contra a nomeação do ex-senador Republicano, Chuck Hagel, para o posto de Secretário da Defesa, por causa da atitude em geral crítica de Hagel contra a influência de Israel na política dos EUA para o Oriente Médio.

Vários grupos e indivíduos alinharam-se firmemente com o AIPAC, especialmente o Comitê Judeu-Norte-americano [orig. American Jewish Committee] e a Liga Antidifamação [orig. Anti-Defamation League (ADL) – dois grupos que se uniram ao AIPAC no lobbying a favor da lei de novas sanções contra o Irã – na oposição à indicação de Hagel. Mas, afinal, a indicação foi confirmada no Congresso, com 58 votos a favor e 41 contra, com a grande maioria dos Democratas votando a favor de Hagel.

Barack Obama (E) e "Chuck" Hagel (D) 
Na sequência, oito meses depois, o AIPAC e outros grupos judeus de direita fizeram lobby no Congresso a favor de uma resolução favorável ao uso de força militar contra a Síria – embora, dessa vez, o Congresso tenha sido acionado por Obama, mas com a aprovação do primeiro-ministro “Bibi” Netanyahu de Israel.

Mas o gigantesco protesto popular contra qualquer intervenção militar norte-americana em mais um conflito do Oriente Médio – além da aversão “automática” da extrema-direita Republicana a virtualmente qualquer iniciativa de Obama – fez gorar o movimento dos sionistas.

Nem Hagel, nem a Síria têm, sequer aproximadamente, a mesma importância que o AIPAC atribui ao Irã e ao programa nuclear iraniano, que dominam a agenda de política exterior do grupo há mais de uma década. Ao longo desse tempo, os sionistas norte-americanos habituaram-se a mandar e desmandar sobre amplas maiorias de senadores e deputados dos dois partidos, com a política de sanções e outras leis criadas para aumentar cada vez mais as tensões – e impedir qualquer movimento de reaproximação ou “aquecimento” nas relações entre Teerã e Washington.

Em julho do ano passado, por exemplo, a Câmara de Deputados aprovou, por 400 votos a favor e 20 contra, uma legislação de sanções para bloquear todas as exportações de petróleo do Irã. As medidas foram aprovadas apenas quatro dias antes da posse do presidente Hassan Rouhani em Teerã.

Hassan Rouhani em seu discurso de posse na Presidência do Irã
Durante todo o outono, o AIPAC trabalhou duro – mas, afinal, sem qualquer sucesso – para fazer aprovar a mesma lei também no Senado.

Agora, dois meses adiante, e incapaz de arregimentar sequer 60 votos (o mínimo indispensável para impedir a obstrução regimental [orig. filibuster]) no Senado, o AIPAC parece já ter engavetado o projeto de lei “Kirk-Menendez”, que, dentre outras provisões, teria imposto novas sanções ao Irã se o país violasse o acordo de 24/11 ou não alcançasse, no prazo máximo de um ano, acordo satisfatório com o P5+1, sobre seu programa nuclear.

“É perfeitamente visível que as coisas mudaram, e o AIPAC e outros grupos que fizeram lobby muito ativo [a favor de novas sanções contra o Irã] sofreram dura derrota” – escreveu Lara Friedman, militante do grupo judeu Americans for Peace Now, em seu blog; e outros comentaristas, entre os quais Rosen, alertam que o apoio muito predominantemente Republicano à lei do AIPAC ameaça a imagem de bipartidarismo tão cuidadosamente cultivada pelo grupo sionista, e pode afugentar políticos e principais doadores Democratas.

“O AIPAC perdeu, sim, sem dúvida, esse round; e essa derrota custou-lhe imensa quantidade de capital político e de prestígio dentro do governo e no cálculo de muitos Democratas” – disse um veterano observador do Capitólio. O mesmo observador comentou que “o AIPAC enfrentou tempestade quase perfeita”: o governo lutando por uma política que também tinha amplo apoio entre os mais altos quadros da elite da política exterior e, também, de grupos de ativistas e movimentos de base, que pressionaram seus senadores e deputados. “Os gabinetes dos senadores recebiam um ou dois telefonemas a favor [daquele projeto de lei], e centenas contra! Não há dúvida de que isso pesou muito”.

Stephen Walt
O AIPAC e outros grupos linha-dura continuam a ser poderosa força para assegurar generosa ajuda dos EUA a Israel, e para boicotar quaisquer esforços que os EUA façam na direção de uma solução de dois estados. Mas o poder do AIPAC diminui sempre que os sionistas põem-se a trabalhar na direção de mais guerras no Oriente Médio – escreveu-nos Stephen Walt, coautor de The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy, em mensagem de e-mail.

Os neoliberais e neoconservadores conseguiram empurrar Bush & Co. para a invasão do Iraque em 2003, mas o sucesso, naquele caso, contou com um conjunto excepcional de circunstâncias. O público norte-americano aprendeu muito, daquela experiência desastrosa – continuou Stephen Walt.

Mas ninguém crê que o AIPAC e seus aliados tenham desistido. Se as negociações do P5+1 derem em nada, a lei “Kirk-Menendez” será rapidamente reapresentada; de fato um influente senador Republicano já disse que a lei deve ser incluída na agenda de julho, seis meses depois do dia 20 de janeiro, data em que o acordo provisório de 24/11 entrou formalmente em vigência.

Lara Friedman
Tudo faz crer que [os defensores daquela lei] estão-se preparando para iniciar uma espécie de Plano B [o qual] (...), parece, será igual ao Plano A; mas, em vez de visar a fazer gorar as negociações usando mais sanções, o “novo” plano cuidará de impor condições sobre qualquer acordo final a que se chegue algum dia; condições que sejam impossível de satisfazer e, assim, sempre matarão qualquer possibilidade de acordo com o Irã – disse Friedman.

Entre essas condições impossíveis de satisfazer, há a exigência, como condição para levantar as sanções, de que o Irã ponha fim completo e total a qualquer tipo de enriquecimento de urânio em solo iraniano – condição a qual Netanyahu já se referiu várias vezes; que Teerã já rejeitou várias vezes; e que muitos especialistas entendem que poria fim a qualquer tipo ou possibilidade de acordo.




terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Hilária e o Lobby: E os Clintons? Porão a pique a reaproximação EUA-Irã?

13-15/12/2013, [*] Franklin Lamb (de Beirute), Counterpunch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Bill e Hilária Clinton em tempos de... Monica Lewinsky
Sim, se puderem, e mancomunados com o lobby sionista nos EUA, talvez consigam. Os sionistas estão atualmente ardendo de desejo de financiar e promover o mais novo projeto dos Clintons, segundo fontes de New Orleans próximas do marketeiro político James Carville, veterano de três campanhas presidenciais de Clinton e duas de Obama. Carville jurou recentemente, bebendo com amigos em seu bar favorito do French Quarter, que cansou do trabalho de “gigolô dos Clintons”. E que hoje “realmente admira o atual presidente”.

Mas Bill não cansou nem chegou, de/a coisa alguma.

Apesar do patrimônio dos Clinton, agora estimado em dezenas de milhões de dólares, e que continua em rápida expansão desde os dias de Casa Branca, o ex-presidente, dizem as notícias, anda mal-humorado e rabugento.

Posto em versão muito simples, o problema de Bill tem a ver com seu planejado “terceiro ato” na vida. O Clinton precisa de que A Clinton volte ao Salão Oval, que, na opinião do O, pertence a ele. Mas A anda cansada e lamenta que não quer, mesmo, passar por outra temporada cruel e humilhante (palavra dela) de campanha presidencial. Somando-se à pressão em casa, há também o fato de que a campanha eleitoral de 2016 está começando, com os aspirantes à Casa Branca já esvoaçando em torno de Iowa e New Hampshire e com miríades de novas caras lançando seus “balões de ensaio”.

A Sra. Clinton, dizem as notícias, está ouvindo súplicas e suspiros do marido, no sentido de que ela tem de focar-se em conseguir ser eleita em novembro de 2016, que ele a ajudará muito. Se tudo sair como o esperado, o nome dA Clinton estará na papelada da Casa Branca, mas O comandará o show até 2024 “detrás das cortinas, e será o faz-tudo nos quintais dos EUA” – segundo ex-membro do Comitê Nacional Republicano, do qual esse observador que vos escreve foi colega quando nós dois éramos membros do Comitê Nacional Democrata do Oregon, há muitos anos.



Há vários problemas que começam a vir à tona, alguns, parece, não antecipados, com o plano cuidadosamente e sabidamente arquitetado pelo ex-presidente. Um dos maiores problemas, pelo que se vê, é o presidente Obama. “Barack parece ameaçar quebrar o modelão do negro cabisbaixo e subserviente, e aparece todo arrogância e radicalismo, a fazer coisas nas quais diz que acreditava desde criancinha, mas escondeu até o último mandato” – segundo a mesma fonte. A história dos EUA revela muitas metamorfoses semelhantes, de presidente “pato-manco” derrubado um passo antes de alcançar os objetivos de segundo mandato. Obama parece a postos para lutar pelos dele.

Barack Obama (relax)
Como tem dito cada vez mais frequentemente em conversas privadas com amigos no Congresso, Barack Obama quer extrair os EUA, pelo menos em parte, do pesadelo do Oriente Médio; pôr fim a mais de uma década de guerras criminosas; falar a verdade sobre a falsa “guerra ao terror”; reduzir o financiamento; e até rasgar pelo menos parte dos véus que, nos EUA e na ONU, dão cobertura política ao regime sionista que ainda ocupa ilegalmente a Palestina. E deseja apaixonadamente “reconstruir a escola, o sistema de saúde e a infraestrutura pseudo norte-americanista” – como meu informante destacou numa de suas aparições ao lado do indicado dos Republicanos à presidência, Mitt Romney, pouco antes do sucesso maior que o esperado de Obama, na noite das eleições.

O principal problema é que os Republicanos não parecem estar muito conectados com os eleitores e ainda têm muito a fazer para capitalizar os fracassos de Obama. O campo dos Clintons vê o legado pelo qual Obama se empenha tanto como fatal às suas chances, no mínimo porque Obama não esconde de ninguém que detestou o obstrucionismo de Telavive durante as “negociações de paz”, o qual, dizem muitos, acabou de convencer Obama de que é complô para roubar mais terra palestina e minar qualquer possibilidade real de que chegue a haver um estado palestino viável.

O que se diz é que os Clintons estão convencidos de que se Obama se desgarrar do establishment de Washington e voltar às ideias de sua nada convencional mãe – estudante ativista, pelo multiculturalismo, que não só defendeu plena igualdade de gênero e de raça, mas casou-se com um africano, nesse caso a direita norte-americana e o lobby sionista se organizarão para pôr um Republicano na Casa Branca.

Um operador político que habita a colina do Capitólio e que segue de perto a política da presidência diz que, nas últimas semanas, uma questão passou a simbolizar as metas do governo Obama e todo o potencial legado de seus dois governos: a restauração de alguma espécie de normalização das relações entre EUA e Irã.

John Kerry, potencial candidato, ele mesmo, à Casa Branca em 2016, é nome que pode vir a ganhar muito, nas urnas, pelo papel que tenha nesse processo, uma vez que suas ideias estão cada dia mais bem sincronizadas com a opinião pública dos EUA – 80% da qual, segundo pesquisas recentes, é a favor de normalizarem-se as relações com o Irã.

Para O Clinton e sua equipe, não são boas notícias. Muito menos, para o lobby sionista no Congresso que sempre, inalteravelmente, vota pelos interesses de Israel, sempre acima das necessidades e desejos de seus próprios eleitores. Por essa razão, Telavive saiu com força total para forçar o Congresso a impor mais sanções contra o povo do Irã e para elevar as barreiras de contenção contra a iniciativa Obama-Kerry. Essa semana, fracassaram novamente na tentativa de afogar as esperanças de melhores relações com o Irã, por mais que tenham tentado, e não conseguiram fazer valer ameaças de que obrigariam o governo de Rouhani em Teerã a sair do jogo. Mas fizeram avançar algumas sanções políticas, que continuam a massacrar a população civil da República Islâmica, na esperança de assim inflar movimento de rua por “mudança de regime”, dados os altos preços dos alimentos e a falta de remédios para doenças crônicas.


Alguns do cast de atores que surgem em cena com a regularidade de figurantes da Broadway, quando convocados pelo AIPAC – senadores Eric Cantor, Mark Kirk, Ed Royce, Elliot Engel, Robert Menendez, Michael McCaul, o deputado Brad Sherman dentre outros, não conseguiram desmontar os argumentos de John Kerry no final dessa semana, no Congresso, que pediu mais tempo para ver o que acontece nos próximos seis meses. O senador desse observador que lhes escreve no 5º Distrito de Maryland, cuja equipe jura que todos ali lêem CounterPunch e meus dois dedos de coluna, falou grosso e deixou o lobby pendurado na brocha, em seus esforços para abortar a iniciativa da Casa Branca. É possível que os tempos estejam mudando – embora tardiamente, nesse jogo do relógio.

John Kerry
por Bob's
Kerry uniu-se a Obama na decisão da Casa Branca de atacar empresas de petróleo e de transporte acusadas de ajudar o Irã a infringir sanções econômicas – movimento que surgiu quando a Casa Branca parecia estar ganhando terreno na luta para impedir que o Congresso aprovasse sanções ainda mais duras que poriam em risco as conversações nucleares com a República Islâmica. “Continuaremos a agir contra empresas que violem ou tentem violar nossas várias sanções contra o Irã” – disse David S. Cohen, subsecretário do Departamento do Tesouro para terrorismo e inteligência financeira, ao Congresso, essa semana. “Que ninguém se engane: o Irã continua fora, para a maioria das transações bancárias e de petróleo”, disse Cohen.

As sanções contra empresas asiáticas, europeias e iranianas foram anunciadas momentos antes de dois altos especialistas em Irã falarem num painel do Senado, alertando para o risco de a imposição de sanções mais duras pôr a perder qualquer chance de acordo final com o Irã sobre limitações permanentes ao programa nuclear daquele país. Sabe-se que a Casa Branca gostou muito do timing, que ajudou a fazer gorar o projeto sionista.

No final da semana, segundo ex-assessora que diz que deixou a política, o que se ouvia no campo dos Clinton é que Bill parece ter concluído que A Clinton não chegará ao Salão Oval, sem a luz verde (como dólares) de Telavive.

Apesar de eu ter apoiado Jerry Brown na Convenção dos Democratas de 1992 em New York e de ter permanecido com ele, contra pesadíssimo lobbying que me aplicou O Clinton, eu até que gosto dele. O trabalho humanitário que faz ajuda muita gente e ele deve dedicar cada vez mais tempo a esse trabalho. Quanto à Clinton, ela disse a Katie Couric recentemente que o que realmente mais deseja é um neto ou neta para mimar. Que fique nisso.
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[*] Franklin Lamb foi advogado-assistente do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA e professor de Direito Internacional na Northwestern College of Law, Portland, Oregon. Obteve seu diploma de Direito na Boston University, sua pós graduação (LLM), mestrado (M.Phil) e doutoramento (Ph.D). na London School of Economics. Ele está atualmente residindo em Beirute e Damasco. Depois de 3 anos advogando no Tribunal de Haia, tornou-se professor visitante na Harvard Law School’s East Asian Legal Studies Center, onde se especializou em Direito chinês.Ele foi o primeiro ocidental admitido pelo governo da China visitar a famosa prisão de “Ward Street”, em Xangai. Lamb está atualmente pesquisando no Líbano e trabalhando com a Palestine Civil Rights Campaign-Lebanon e a  Sabra-Shatila Foundation. Seu novo livro, The Case for Palestinian Civil Rights in Lebanon, será lançado em breve.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

EUA-Irã versus Israel: neoconservadores em desespero

9/10/2013, [*] Jim Lobe, Information Clearing House
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Netanyahu e a imaginária bomba iraniana
WASHINGTON – A semana passada começou com furiosa denúncia, pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de Israel, do que seria “a hipocrisia” iraniana; e terminou com probabilidade ainda menor de que Israel venha a atacar as capacidades nucleares do Irã. “Os israelenses estão hoje na pior posição, em muitos anos” – concluiu Elliott Abrams, prestigiado neoconservador que foi o principal conselheiro de George W Bush para o Oriente Médio, em artigo da revista Foreign Affairs.
Embora Israel sempre possa atacar, por iniciativa sua, as instalações nucleares do Irã,
(...) sua capacidade para fazê-lo já foi consideravelmente reduzida pelo “reaquecimento” diplomático entre o Irã e os EUA – escreveu Abrams. – Uma coisa é bombardear o Irã quando o país se mostra irrecuperavelmente recalcitrante e isolado; outra coisa bem diferente é bombardeá-lo quando boa parte do mundo, especialmente os EUA, mostra-se otimista sobre as possibilidades das conversações.
A avaliação de Abrams é partilhada por seus parceiros ideológicos que entendem que Israel será a principal perdedora, se as esperanças de uma détente entre Washington e Teerã ganharem força depois da reunião da próxima semana em Genebra entre o Irã e o P5+1 (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China, mais a Alemanha).
Michael Makovsky
A revista neoconservadora Weekly Standard descreveu como “solitária” a posição de Israel (o editorial da semana passada levava o título de “Standing Alone”), embora o editor-chefe William Kristol e o diretor do Instituto Judeu de Assuntos de Segurança Nacional, Michael Makovsky, tenham assumido tom muito mais declarado de desafio, que Abrams. Conclamaram Netanyahu a avançar nas recentes ameaças de atacar instalações nucleares do Irã, com ou sem a aprovação dos EUA.
Ninguém gosta de ouvir a verdade no campo da pacificação” – escreveram. Para eles, o presidente Obama e seu “desejo rendido, quase desesperado, de obter algum acordo [nuclear], qualquer acordo” com o Irã implicariam uma espécie de “fracasso ocidental, um colapso da vontade”, o mesmo que o ex-ministro britânico Winston Churchill lamentou, no surgimento dos nazistas alemães, nos anos 1930s.
Em tom semelhante, o principal colunista de assuntos externos do Wall Street Journal, Bret Stephens, também lamentou amargamente a situação a que Israel se via reduzida, depois do tour de force do presidente Hassan Rouhani do Irã, na ONU, na semana anterior.
Bret Stephens
Israel está hoje na desastrosa posição de ter de esperar que os linha-duras iranianos sabotem os esforços de Rouhani para negociar algum acordo – escreveu ele, pouco antes de Netanyahu subir à tribuna para denunciar a perfídia de Teerã.
O líder israelense, lamentou Stephens, já cedeu demais aos esforços diplomáticos de Obama, quando não atacou o Irã no ano passado. Dado que Washington agora se retira do mundo – o que teria ficado evidentemente comprovado quando os EUA fracassaram nas ameaças de atacar a Síria –os israelenses devem agora rebaixar as relações com Washington, o colunista exigiu; e devem agir sem levar em consideração o cronograma diplomático de Obama.
Gary Sick, especialista em Irã que trabalhou no Conselho de Segurança Nacional nos governos Ford, Carter e Reagan, disse à agência InterPress Service que as recentes manifestação dos neoconservadores, de desafio e desespero, são
(...) a prova mais convincente que vi até hoje, de que os sabotadores mais empenhados de qualquer acordo entre EUA e Irã entraram em operação defensiva.
Marcos diplomáticos
Mohammad Javad Zarif
A apenas uma semana de o ministro iraniano de Relações Exteriores, Javad Zarif sentar-se para negociar com os seus interlocutores do P5+1 em Genebra, Netanyahu e seus apoiadores em Washington vivem ambiente diplomático e político profundamente diferente do que havia há apenas cinco semanas.
Esse ambiente é definido e modelado, sobretudo, pela opinião do eleitorado norte-americano, já farto de guerras, que aparece claramente no apoio da opinião pública à decisão de Obama a favor da diplomacia, não dos mísseis, para neutralizar o arsenal sírio de armas químicas.
O fato de que o processo de desarmamento até agora transcorre muito mais suavemente do que se havia previsto desacredita ainda mais os neoconservadores, que se opuseram furiosamente ao acordo EUA-Rússia que tornou possível aquele processo e que muito falaram a favor de ataque unilateral à Síria e do apoio aos “rebeldes”, hoje cada dia mais controlados por radicais islamistas.
A impressão muito favorável que Rouhani causou nos quatro dias de blitz diplomática em New York em setembro, que culminou com o telefonema absolutamente sem precedentes de Obama, [1] criou expectativas não só de um acordo sobre o programa nuclear do Irã, mas, também, de uma possível aproximação entre os dois países, depois de 34 anos de mútua demonização.
Elliott Abrams
Em seu artigo, Abrams concedeu que a exigência de Netanyahu, de que qualquer acordo nuclear deveria impor que o Irã abandonasse completamente seu programa nuclear, já não é realista; e que teria de ser abandonada, se passasse a depender da ação de sabotagem pelos linha-duras iranianos.
Netanyahu está impondo precondições a um acordo nuclear que são muito mais duras do que as condições que o governo Obama considera negociáveis e as quais, portanto, não estão sequer sendo consideradas – escreveu Abrams.
O líder israelense deve, pois, preparar-se para aceitar um programa com limite de 3,5% de enriquecimento do urânio e número limitado de centrífugas que o Irã poderia manter, além de limites também de estoque de urânio enriquecido. E deve-se prever que as sanções sejam suavizadas nos próximos meses, mas, diz Abrams, sob a condição inegociável de que o Irã cumpra o acordo.
Enquanto isso, argumenta Abrams, ecoando a poderosa Comissão EUA-Israel de Assuntos Públicos [orig. American Israel Public Affairs Committee, AIPAC], que o Congresso dos EUA, onde o lobby israelense exerce sua maior influência, deve garantir que as sanções sejam mantidas. Mas mesmo essa já é concessão que a elite da política exterior considera a mais provável, nas negociações.
Como já antecipado na coluna de domingo no Washington Post, por David Ignatius, os elementos básicos do acordo exigirão que o Irã “limite o nível de enriquecimento de urânio (a, digamos, 5%) e seus estoques de material enriquecido” a níveis suficientemente baixos, de modo que, se Teerã “entrar em surto de produzir a bomba”, EUA e Israel preservem meses de “alerta estratégico”.
Em troca, o ocidente levantaria as sanções e aceitaria “os direitos iranianos, em princípio, ao enriquecimento”, segundo Ignatius, cujas opiniões muito frequentemente reproduzem o pensamento do establishment político.
David Ignatius
Segundo Ignatius, o engajamento de Washington com a Rússia, na questão síria e na questão nuclear iraniana, oferece “grande oportunidade estratégica” que os críticos erram ao ver como “sinais de fraqueza dos EUA ou, até, de capitulação”.
Os EUA estarão mais fortes se puderem criar um quadro de segurança no Oriente Médio que envolva o Irã e dilua a ameaça do conflito sectário entre sunitas e xiitas que ameaça a região” e que “acomode as necessidades de segurança de iranianos, sauditas, israelenses, russos e norte-americanos”.
Mas precisamente essa é a acomodação considerada anátema por Netanyahu e seus apoiadores neoconservadores, que insistem em assegurar uma posição de privilégio para Israel no Oriente Médio e calculam a oposição ao Irã por uma equação de soma-zero, em relação à qual não admitem qualquer concessão.

Nota dos tradutores
[1] Ver, sobre isso, redecastorphoto, MK Bhadrakumar, 1/10/2013, Putin ganhou a Síria, Obama muda-se para o Irã, Asia Times Online, em português. 
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[*] Jim Lobe (nascido em 4 de janeiro de 1949, em Seattle, Washington) é um jornalista americano e o chefe do escritório de Washington da IPS -Inter Press Service. Trabalhou na Foreign Policy In Focus, na Oneworld.net, na Alternet, em TomPaine.com, no Asia Times e outras publicações de notícias de internet. Lobe é mais conhecido por sua crítica da política externa dos EUA, ao militarismo americano, crítico do anti-semitismo, com especial destaque na crítica aos neo-conservadores, sua visão de mundo, sua relação com outras tendências políticas e sua influência na administração Bush.

domingo, 1 de setembro de 2013

Que vida dura, dos trilhonários do AIPAC!


Os judeus dos EUA empurram Obama para a guerra

1/9/2013, Andrey Melekhov, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Barack Obama, estafeta do AIPAC
A vida é coisa esquisita! Sobretudo se você é trilhonário norte-americano do Comitê EUA-Israel de Assuntos Públicos, American Israel Public Affairs Committee (AIPAC). Por um lado, você quer ficar cada vez mais rico. Por isso os EUA usam tão freneticamente as campanhas militares de curto prazo, sempre vitoriosas: para lembrar a todos quem é o patrão do mundo. E nesse campo, o capital reunido no AIPAC não se dá jamais por satisfeito: a super produção é proibida; o que eles produzem tem de ser consumido, para ser rapidamente reposto, vale dizer, armas e munição. São rápidos, por isso nos planos para consumir armas e munição redundante, além de fazer seu show pelo mundo, em regiões ricas em petróleo, gás e outros itens.

Meio sempre útil e à mão para consumir bombas e até caríssimos Tomahawks e fazer baixar os estoques no mundo é despejá-los sobre a cabeça de aborígenes tolos o suficiente para não ver quais são os interesses dos EUA.

Por outro lado, se você é norte-americano trilionário membro do AIPAC, você é obcecado defensor de Israel. (...)

Há aí um paradoxo: os israelenses dependem dos EUA, façam o que fizerem, mas todos os dias, e cada vez mais, vão-se tornando vítimas da ganância e das ambições de seus patrícios co-norte-americanos do AIPAC que consideram os EUA exclusivamente como instrumento do gerenciamento financeiro global. É o que os eventos na Síria comprovam.

A guerra no país vizinho já tem dois anos, mas nunca, até agora, ameaçou diretamente a segurança de Israel. Porém, no instante em que Washington tornou pública sua intenção de usar força militar e fazê-lo a favor (imaginem só!) dos arqui-inimigos de Israel – os islamistas – imediatamente os cidadãos israelenses, que têm lastimável experiência de outras aventuras dos EUA, puseram-se a comprar máscaras antigás e preparar abrigos antibombas e calafetar janelas e verificar o funcionamento dos sistemas de alarme para o caso de ataque químico.

O AIPAC diz que: “O estado judeu é nosso único aliado e o único país do mundo cujos cidadãos estão recebendo máscaras antigás em massa”. Quer dizer, todos têm de defender Israel. É fácil ver que o AIPAC está preocupadíssimo. Mas nenhum judeu israelense jamais teria de cheirar o perfume das especiarias asiáticas através dos filtros de uma máscara antigás, se os trilionários do AIPAC não metessem o nariz em tudo, pelo mundo, e se não usassem seus Tomahawk para meter-se em assuntos de outros países, fingindo que administram conflitos que eles mesmos provocaram.

O paradoxo mais espantoso nessas circunstâncias é que os israelenses sempre estiveram expostos, como agora estão, ao risco de se tornarem vítimas de armas químicas, caso aliados dos EUA – os islamistas – decidissem usá-las, como as usaram agora, recentemente. (Ninguém concebe que governantes sírios se exporiam ao risco de ter de encarar um tribunal internacional, acusados de crimes contra a humanidade).

Amos Yadlin
A situação não poderia ser mais favorável para os radicais islamistas que acorrem à Síria, respondendo à convocação dos EUA para defenderem “a democracia”. Quando tiverem lançado um ou dois ataques com gás sarin contra Israel, então terão criado, para o ocidente, o contexto indispensável para derrubar o governo legal da Síria, por ação militar. Simultaneamente, os mesmos islamistas radicais muito apreciarão assistir pela televisão aos israelenses, que eles odeiam figadalmente, nas vascas da morte...

Israel compreende isso? Que ninguém duvide: compreende perfeitamente. Os mais importantes especialistas do Instituto para Estudos de Segurança Nacional de Israel, Amos Yadlin e Avner Golov explicaram claramente, em artigo do dia 29/8/2012, intitulado “Intervenção Militar dos EUA na Síria: o interesse estratégico maior, por trás da ação punitiva” [orig. “US Military Intervention in Syria: The Broad Strategic Purpose, Beyond Punitive Action”, INSS Insight, n. 459, 29/8/2013:

O principal temor é que a ação norte-americana na Síria venha a ter consequências não esperadas que expandam o objetivo e a duração de uma operação militar. Por exemplo, qualquer operação militar contra Assad pode fortalecer as organizações jihadistas.

Avner Golov
Mas... vejam só! Os militares norte-americanos não fazem outra coisa, há dois anos, que repetir exatamente isso! Os militares norte-americanos têm alertado seguidas vezes sobre, precisamente, esse risco. [1] Além dos muitos alertas que vieram de países considerados os principais opositores ao modo como os EUA tentam implementar sua política para o Oriente Médio, Rússia e China. E de nada adiantaram tantos alertas.

Paira no ar uma impressão de que os que governam “a única potência global” são arrastados pelos próprios planos e não há o que os detenha. Não, pelo menos, com armas convencionais. Só a bomba atômica consegue impedir as agressões dos abutres norte-americanos. Por isso, precisamente, o programa nuclear iraniano tanto irrita Washington. E os trilhonários do esquizofrênico AIPAC, apesar dos temores hoje em Israel, continuam a empurrar Washington na direção do conflito armado. (...)

Assim, afinal, se pode começar a compreender melhor as declarações do AIPAC: querem atacar imediatamente a Síria, antes que o Irã construa capacidade nuclear. Seria uma lição para os persas: a tentativa síria de deter os EUA terminou como tudo termina(ria), em intervenção armada. Como se os EUA cogitassem de deixar em paz o Irã, se não construir capacidade nuclear. Aí está o exemplo do Iraque, que conta outra história.

O mundo caminha para o caos. A razão é o vai-e-vem na cabeça da elite que governa os EUA, que já começam a bater cabeça entre elas mesmas, na sanha de dominar o mundo.

Um dia, armam islamistas para derrotar a União Soviética no Afeganistão. Em seguida, são vistas em prantos sobre as ruínas das torres gêmeas destruídas por jihadistas em New York. Um dia, põem a Fraternidade Muçulmana na presidência do Egito. Em seguida o depõem, com a ajuda de um golpe militar. Agora, Washington provoca islamistas para que ataquem a Síria, sem saber, as próprias elites governantes norte-americanas, o que fazer se os seus novos “aliados” usarem o gás sarin que lhes chegou tão facilmente, para envenenar israelenses, europeus e os próprios norte-americanos.


Washington não entende que é a política imperial dos EUA que empurra as nações a procurarem meios possíveis para se autodefender, inclusive armas de destruição em massa?
Washington não entende que foi a política norte-americana que fuzilou o “reset” com os russos? Ou que as contradições entre China e EUA são exacerbadas pelas tentativas norte-americanas para converter competição econômica em ação militar e confronto político?

Os EUA forçam outras nações a entrar na corrida armamentista e unir esforços para manter à distância os enlouquecidos trilhonários norte-americanos-israelenses do AIPAC. Por quanto tempo mais sobreviverá a loucura geral? O que acontecerá se mais dia,menos dia, Washington pisar “a linha vermelha” da paciência do mundo, depois de ter atropelado todas as oportunidades diplomáticas?

Ainda não aconteceu. Com isso em mente, difícil resistir à tentação de dizer ao povo dos EUA: acordem, contenham, pelo menos, esse “Prêmio Nobel [Bomba!] da Paz” aí, de vocês! Será que já não têm aí problemas que chegue? Será que o presidente eleito de vocês nada tem com que se preocupar, das dificuldades dos norte-americanos, a ponto de só pensar e falar sobre o destino da “democracia” no Oriente Médio?

E se tanto só pensa nisso, como é possível que a melhor solução que achou, até agora, seja aliar-se à Al-Qaeda, à Fraternidade Muçulmana e a outros jihadistas mantidos e armados com dinheiro dos cidadãos contribuintes norte-americanos? Se os EUA não estiverem tentando abocanhar as riquezas do Irã, que diferença fará se o Irã for nuclear ou não? E Israel, se parar de roubar terras palestinas e de matar palestinos, talvez até ainda consiga viver lá mesmo, e em paz. Se Israel sente-se ameaçada hoje, quem a ameaça são os mesmos islamistas que o presidente Obama continua a alimentar e armar à custa do minguado Tesouro dos EUA, com a incansável ajuda dos trilhonários do AIPAC.

Acordem, povos dos EUA! Ainda não é tarde demais!



Nota dos tradutores

[1] Hoje, o movimento dos Veteranos da Inteligência em Defesa da Sanidade (orig. Veteran Intelligence Professionals for Sanity) enviou carta aberta ao general Martin Dempsey, comandante do Estado-Maior das Forças Conjuntas dos EUA, em que pedem que, se os EUA atacarem a Síria, contra todos os alertas que o general encaminhou a Washington sobre os riscos dessa ação militar, o general Dempsey alegue “impedimento de consciência” para continuar naquele comando, e renuncie.