Mostrando postagens com marcador CEE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CEE. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de março de 2013

E a crise econômica não larga o nosso pé


19/3/2013, cmaukonen, Firedoglake
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

cmaukonen
Quer dizer... Como é possível que uma pequena ilha como Chipre e seus bancos estejam provocando tanta consternação e pressão alta em toda a Europa e por que todos se preocupam tanto? Richard Wolff oferece uma boa explicação. A entrevista foi ao ar pela rádio KPFA [1], da qual gravei um clip de áudio que subi para a minha página para quem quiser ouvir todo o programa [em inglês].

Ofereço aqui um resumão da entrevista.

A Eurozona é um desenvolvimento do Mercado Comum Europeu (MCE), também chamado Comunidade Econômica Europeia [Na Wikipedia há entradas que explicam o que são, em português. Procure e leia lá, se quiser saber mais (NTs)].

A Comunidade Econômica Europeia (CEE) foi organização internacional criada pelo Tratado de Roma em 1957. Tinha o objetivo de fazer a integração econômica, incluindo um mercado comum, entre os seis países fundadores: Bélgica, França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e Alemanha Ocidental. A CEE ficou também conhecida como Mercado Comum, no mundo de língua inglesa; às vezes também chamada de Comunidade Europeia, mesmo antes de receber esse segundo nome oficialmente, em 1993.

A CEE herdou um conjunto de instituições já existentes: a Comunidade Europeia de Carvão e Aço [orig. European Coal and Steel Community (ECSC)] e a Comunidade Europeia de Energia Atômica [orig. European Atomic Energy Community (EURATOM)] as duas primeiras comunidades europeias criadas, nos termos do Tratado de Bruxelas, de 1965.

Quando se aprovou e passou a viger o Tratado de Maastricht, em 1993, a Comunidade Econômica Europeia recebeu o novo nome de Comunidade Europeia, para evidenciar que cobria campo mais amplo de países e políticas. Foi quando as três comunidades europeias (as duas acima e a Comunidade Europeia) passaram a constituir o primeiro dos três pilares da União Europeia – fundada pelo Tratado de Maastricht. A Comunidade Europeia existiu nesse formato até ser abolida em 2009 pelo Tratado de Lisboa, que misturou os três pilares anteriormente existentes e declarou que a União Europeia “sucedia e substituía a Comunidade Europeia”.

O Monstro da Lagoa Negra da Eurozona
É. A coisa começou assim. Para permitir o livre comércio entre os vários países reunidos em comunidade, houve algumas novidades, entre as quais uma moeda comum. Em teoria, parecia tudo muito bem, mas havia várias falhas. Por exemplo, criou-se um banco central, mas não se criou governo central. A CE só tem poder, de fato, para imprimir dinheiro. Não tem meios para interferir na política dos estados membros. Sequer pode influir nos bancos dos estados membros. Os estados permaneceram autônomos. Quando a nova moeda entrou em circulação, tinha o objetivo – mais ou menos – de substituir as moedas nacionais, à base de 1:1, apesar de o câmbio, em vários momentos não seguir essa “ordem”.

Estavam reunidos todos os ingredientes de um inevitável desastre. Como hoje se sabe, o frenesi em que entraram os bancos, e os riscos que assumiram nos EUA e na Europa, geraram dívidas monstruosas. As dívidas venceram, como se deveria prever que venceriam, mas ninguém previu, e os devedores não tinham como pagar.

O que tudo isso tem a ver com os bancos de Chipre? Afinal, não podem ser bancos assim tão gigantescos a ponto de que, se eles quebrarem, quebram as finanças planetárias... Não poderiam ser, mas... como Richard Wolff explica na entrevista, eles são. Os bancos de Chipre são muito maiores que esse minúsculo país que vive de turismo e de uns poucos barcos os quais, é claro, jamais poderiam gerar tais bancos, nem tais dívidas.

Durante os anos de fantasia e delírio econômico dos anos 1990s, aqueles bancos trataram de atrair a maior quantidade de negócios e de dinheiro que pudessem. Queriam participar também daquela orgia. Para isso, atraíram grandes depositantes da Rússia e da Europa e também dos EUA. E passaram também a emprestar dinheiro a gente e a governos que, adiante, já não tiveram como pagar os empréstimos. Evidentemente, aqueles bancos também especularam contra os empréstimos que eles mesmos faziam – exatamente como fizeram também nos EUA.

Assim, lá, como nos EUA e na Europa, banqueiros e especuladores fizeram apostas tresloucadas, assumiram riscos grandes demais e, agora, estão à beira de quebrarem. E, dessa vez, ninguém – nenhum outro banco, nenhum outro governo, nenhum outro especulador – dá qualquer sinal de interesse em “resgatá-los”. Ao contrário, parecem interessados em fazer os bancos de Chipre pagarem por todos os pecados e falhas do capitalismo.

De fato, todos eles se autoencurralaram. Trancaram-se num contêiner furado, no qual está entrando água. Porque, se deixarem que os bancos quebrem, fatias cada vez maiores da economia ir-se-ão também por água abaixo, o que causará mais desemprego, mais agitação social e depositantes e acionistas carregados de ações e papeis desses bancos e desses países verão todos os seus papéis derreterem como papéis podres. E se continuarem a jogar mais e mais dinheiro nesse poço sem fundo devorador de moedas, o movimento pode facilmente levar a inflação massiva e desvalorização do euro, o que acabará por matar o comércio (livre, mas morto). O que, por sua vez, ferirá fundamente a Alemanha, cuja economia depende de exportações.

Mas se os banqueiros insistirem em apertar os devedores, o consumo continuará a cair, o que também não interessa ao comércio (livre, mas inexistente). Assim, como Richard Wolff explica, temos uma crise que está fugindo a qualquer controle e ninguém sabe o que fazer.

Agora, resolveram tentar uma “solução” recém inventada, e Chipre é a cobaia. Os bancos vão confiscar diretamente o dinheiro dos depositantes – cidadãos dos países e os grandes depositantes que têm dinheiro depositado naqueles bancos de Chipre – para tentar conter a maré. O risco, nesse caso, é gerar uma corrida aos bancos, com todos tentando arrancar dali o próprio dinheiro e transferi-lo para outro lugar onde esteja mais seguro. Nesse caso, os bancos quebram, não aos poucos, mas muito, muito, muito rapidamente.

Como isso nos afetará aqui nos EUA? Ora... Não estão percebendo?

Richard Wolff
Já cortaram os serviços públicos de assistência social, Medicare, Medicaid, Segurança Social. O que sobrou? E se os bancos de Chipre falirem, o que vocês acham que acontecerá aos bancos norte-americanos que ainda têm dinheiro depositado lá? Dinheiro da Grécia, da Itália, da Espanha, de Portugal, de... E têm dinheiro investido nas bolsas e têm dinheiro aplicado em papéis desses países?

É típica situação de Catch 22 (“se você se declarar louco, para escapar de ser mandado para a guerra, o Exército conclui que, nesse caso, você está perfeitamente lúcido... e o manda para a guerra”).

Ainda que consigam controlar a situação em Chipre, quem será o próximo? [2] Como Richard Wolff explica, o problema é o sistema capitalista. Não um ou outro “estado-membro”.



Notas dos tradutores

[1] KPFA (94.1 FM) é uma emissora de rádio mantida pelos ouvintes, de orientação progressista, operada de Berkeley, California, que transmite para a Área da Baía de San Francisco.

[2] “Deus é nosso pastor e nada nos faltará... mas, por via das dúvidas, os EUA temos a bomba atômica”; Vídeo de Tom Lehrer a seguir:

sexta-feira, 1 de junho de 2012

“Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come…”



Ponta Delgada  (Açores - Portugal)
Artur Rosa Teixeira
1 de junho de 2012 


Se ficar...
Os brasileiros têm destas coisas… Em poucas palavras são capazes de caracterizar uma situação complexa. A expressão que escolhemos para título deste artigo é exemplo disso e aplica-se que nem uma luva ao “beco sem saída” para o qual os portugueses estão a ser empurrados…

Os europeístas têm vindo a insistir na necessidade imperiosa de transformar a União Europeia num Estado Federado, com efetiva unidade politica e económica. Tal é apresentado como a única solução para atual crise financeira e económica que grassa na Europa. O abandono do Euro, segundo eles, será o caos… Será uma espécie de Tragédia Grega…

Na verdade, em boa parte os Estados membros da União Europeia já perderam uma parcela substancial da sua soberania. Ao aderirem a uma moeda única, o Euro, abdicaram do ato soberano de cunhar moeda própria e logo perderam a sua independência financeira e económica.

Se correr...
A retórica europeísta contudo chama-lhe de “soberania partilhada” que é para não espantar o Zé Povinho. É que assim até parece que vamos ter alguma voz na matéria… que podemos dizer aos nossos parceiros alemães e franceses, “alto lá parem o baile” que também mandamos…

Ledo engano!

Sem moeda, não existe Comércio e sem este, não existe Economia que proporcione Desenvolvimento, ou seja, que possa satisfazer as expectativas de Progresso Social de uma Sociedade.

Por sua vez, sem moeda própria, nenhuma Economia é verdadeiramente autónoma, nem mesmo as mais fortes, e logo, do ponto de vista político, um País, nessas circunstâncias, está condenado a desaparecer como entidade independente.

Tal facto contudo acentua-se nas economias mais débeis, como acontece com os países da Europa periférica, que têm Balanças Comerciais deficitárias.

Pelo contrário, aqueles que apresentam robustez económica, porque já a tinham antes da moeda única, a “Soberania Partilhada” não lhes faz mossa… Em grande parte até lhes trás vantagens, uma vez que a sua Balança Comercial é positiva, ou seja exportam mais do que importam. E é positiva, em grande parte, graças às exportações para os ditos “periféricos”. Eis porque vemos uma Alemanha e até uma França mandarem bitaites aos pequenos mal comportados da Zona Euro… como se já fossem os donos do pedaço…

... O bicho pega

Claro que a falta de Independência Financeira e Económica condiciona a vida política de um país. Embora se diga que o Centro do Poder resida no povo, a verdade é que só formalmente isso é verdade.

Nas grandes decisões o cidadão não somente não toma parte, como estas são-lhe apresentadas como facto consumado. São previamente tomadas pelos que comandam o Sistema Financeiro Internacional e ao eleitor apenas cabe escolher o que está já escolhido ou, quando não, escolher entre viver ou morrer…

Daí que estejamos entre dois males, continuar ou sair do Euro. Qual deles o menor? Falta saber…

Repare o leitor que a mudança da moeda não foi apenas um expediente meramente técnico, justificado pela existência de um mercado comum, exigindo a simplificação nas trocas comerciais.

Implicou e implica uma alteração política significativa que passou despercebida aos olhos da maioria da população.

Quem tem a faculdade exclusiva de produzir um bem universal como é a moeda, tão indispensável à Economia de um País, tem também o Poder Politico de ditar e condicionar a vida dos cidadãos. Daí a interferência cada vez maior de Organizações Extranacionais, às vezes em coisas tão irrisórias como as dimensões de uma gaiola para o transporte de galinhas… por exemplo.

O BCE não é apenas o banco emissor do Euro. Compete-lhe zelar pelos interesses de todo o Sistema Financeiro e Bancário da União Europeia, de modo a manter a sua integridade sistémica.

Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega...

Veja-se que, graças a tratados leoninos como o de Maastricht e o de Lisboa, subscritos nas costas do povo, os bancos compram dinheiro ao Banco Central pela bagatela de 1% a 1,5% e vendem-no aos Estados Membros por 5%, no mínimo, estando estes proibidos não só de emitir moeda, mas também de aceder diretamente àquele crédito.

Por outro lado, o BCE, que é na verdade um banco central privado, não tão independente com se julga, atua concertadamente com outros centros congéneres, a começar pelo BIS, o banco dos bancos centrais, o Fed e a City Londrina, etc. Tal significa que o Sistema funciona em rede, com as diferentes partes solidárias entre si, garantindo que o Crédito e a Produção de Moeda não ponham em causa a sobrevivência do Capital Financeiro Internacional. Daí o seu funcionamento praticamente em “cartel”.

O crédito bancário substituiu a moeda nacional com vantagem evidente para o Sistema Financeiro e Bancário Internacional.

Graças à Reserva Fracionária, os bancos podem emitir moeda fictícia, sem qualquer lastro, e emprestá-la aos Países a juros, por vezes, extrusivos. Em caso de rutura financeira, por excesso de ativos podres ou má gestão, os bancos podem sempre contar com o Banco Central ou o Estado para lhes injetar liquidez.

Na sequência do Crash do imobiliário norte-americano, em 2008, houve de imediato uma injeção de liquidez na banca internacional, garantida em primeiro lugar pelos Estados e em segundo, pelos bancos centrais dos USA e da Europa, algo que teve contornos de escândalo, mas poucos comentadores salientaram esse facto.

Veja-se o que se passou com a “nacionalização” do BPN, onde o Estado português gastou milhões, para depois o vender por tostões…

Veja-se que no acordo com a Troika está inscrita uma avultada verba, 12 mil milhões de Euros, para socorrer os bancos, obrigatoriamente garantida pelo Estado Português, tal como se fosse um fiador…

Mais, o Estado vai comprar “papéis” (ações) dos bancos em dificuldade financeira, mas não terá voto na matéria, mesmo que a sua participação seja superior a 50%... Ora toma, que é democrático!

Nenhuma outra atividade económica, como o sector bancário, é tão protegida, o que contradiz a essência do próprio Capitalismo, que pressupõe riscos e concorrência.

Dá que pensar, não dá? 

A criação do Euro teve contornos hegelianos, como aliás tudo que se relaciona com a integração europeia.

O facto das grandes decisões terem sido tomadas sem qualquer referendo, embora este tenha sido prometido, justifica a nossa opinião.

Noam Chomsky
É que nestas coisas que mexem com o destino dos povos, convém que não se abra o jogo e se adoce a pilula com um bom argumento ou engodo… para que os objetivos ocultos da Elite Global possam ser atingidos, se possível com a colaboração das próprias vítimas… Noam Chomsky, filósofo e escritor canadiano, nas suas "Visões Alternativas”, descreve com clareza a fórmula que leva os povos a aceitar o engano:

“Criam-se os problemas e depois oferecem-se as soluções. Este método também é chamado de problemareaçãosolução. Cria-se um problema, uma "situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este se torne "suplicante” das medidas que se deseja implantar”.

Não admira, pois, que muita gente entenda que o melhor mesmo é entregarmos Portugal…

Mesmo agora, com a Crise do Euro, insiste-se numa via enganosa, para que o cidadão comum aceite a Austeridade como absolutamente necessária, passageira, ainda que não se diga quando termina. Aceite-a como uma necessidade imperiosa para salvar a Pátria…

Vamos ter, de facto, que atravessar o deserto, mas não por essa razão, mas para salvar o Sistema Financeiro e Bancário dos papeis podres que gerou com a especulação financeira elevada à estratosfera.

Os nossos governantes quando insistem no pagamento da Dívida Soberana já… nada mais estão a fazer que ir ao encontro desses interesses. Os bancos têm pressa de repor o que perderam… e por isso precisam do dinheiro vivo dos impostos… retirados ao Trabalho.    

A trama contra a independência dos povos não seria possível se não contasse com apoios internos, uns atuando consciente e objetivamente, outros, como “idiotas felizes”, acreditando na “bondade” do processo de Desconstrução Nacional, todos porém, vivem na expectativa de vantagens pessoais.

Veja-se que os do primeiro tipo, quando completam o seu mandato, têm tido à sua espera bons cargos em entidades internacionais controladas pela Elite Global, enquanto os do segundo tipo, ficam a ver navios…

Pudera, estes são a sua massa de manobra, que, como “operárias” de um formigueiro, morrem após a conclusão da sua tarefa…

Ocorreu previamente em Portugal um trabalho de sapa pela mão de governantes apátridas, alguns ainda no Poder, e de gentinha sem escrúpulos, que levou à destruição de sectores económicos fundamentais, que a existirem permitiriam enfrentar a Crise em melhores condições.

Desde logo, tal facto aumentou o défice da nossa Balança Comercial, gerando uma maior dependência de importação de bens e produtos, o que apenas favoreceu e favorece as potências económicas da Zona Euro, já que é delas que vem muita coisa que comemos e bebemos, além de originar uma sistemática falta de dinheiro no mercado interno.

Houve, portanto, uma política “deliberada” de desmantelamento das bases da nossa Economia, feita em nome de uma pseudomodernização do Capital Fixo existente.

Muitas atividades foram abandonadas sob o influxo dos Fundos Estruturais da CEE que pressupunham o abate das estruturas e meios produtivos existentes que convinham destruir para dar lugar, como deu, à entrada maciça de bens, produtos e equipamentos, com vantagem óbvia para os fornecedores estrangeiros e distribuidores nacionais.   

Claro que para chegarmos aqui, houve internamente muito laxismo político. Dizemos até, muita corrupção de princípios e valores.

Os governos promotores da integração europeia escamotearem as consequências negativas da adesão à CEE e esconderam o lado comprometedor dos tratados que subscreveram.

Apenas viram o dinheiro a entrar a rodo…

Parte entrou diretamente nos bolsos de alguns…

Ninguém cuidou de informar do preço que haveríamos de pagar por tanta “bondade” europeia, que se traduziu pela perda de autonomia Financeira e Económica.

Como diz o outro, não há jantares de borla…

Por outro lado, os governantes, de um modo geral, foram incompetentes na gestão dos recursos financeiros colocados à sua disposição, esbanjando-os em investimentos que mais das vezes serviram interesses privados, invés de servir o bem geral do país.

Veja-se o caso das Parcerias Públicas Privadas (PPPs), com contratos leoninos a favor dos concessionários, sobrecarregando o erário público por várias décadas; e o financiamento de Fundações, cujo objeto social e cultural é, do ponto de vista do interesse público, duvidoso, sobretudo quando existem carências sociais que ficam de fora do Orçamento de Estado ou são insuficientemente financiadas.

Obviamente este estado de coisas, já de si representando a corrupção das verdadeiras preocupações de um Estado de Direito, indicia que muito dinheiro público tem sido abusivamente desviado para pagar comissões e bónus em troca da adjudicação de contractos públicos altamente vantajosos para os privados.

Ao mesmo tempo que se afirma que a austeridade é absolutamente necessária para sair da crise e que até pode ser necessário fazer mais sacrifícios, diz-se que se assim não fosse, seria pior…

Mas com o desemprego a atingir perigosamente um milhão de trabalhadores e a fome a rondar a mesa de milhares de famílias, temos dúvidas se a solução contrária não seria menos penosa, ou seja, o abandono do Euro e o regresso ao Escudo.

Sacrifício por sacrifício, preferíamos fazê-lo por uma causa maior, a recuperação da Soberania Nacional. Pelo menos sabíamos que no final da linha, os portugueses voltariam a ser “donos do seu nariz”.

Como as coisas estão, temos a certeza que chegaremos ao fim mais pobres e mais dependentes dos “mercados”, essa entidade abstrata e difusa através da qual a Elite Global manobra para alcançar o seu objetivo final da criação de um Estado Global e Totalitário à escala do Planeta, de que a União Europeia é uma espécie de ensaio.  


Ilustrações extraídas da internet por redecastorphoto

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Cómo me gustaría estar equivocado (Reflexiones de Fidel Castro)

Cuando estas líneas se publiquen en el periódico Granma mañana viernes, el 26 de Julio, fecha en la que siempre recordamos con orgullo el honor de haber resistido los embates del imperio, quedará distante, a pesar de que faltan sólo 32 días.

Los que determinan cada paso del peor enemigo de la humanidad - el imperialismo de Estados Unidos, una mezcla de mezquinos intereses materiales, desprecio y subestimación a las demás personas que habitan el planeta - lo han calculado todo con precisión matemática.


En la reflexión del día 16 de junio escribí: Entre juego y juego de la Copa Mundial de Fútbol, las diabólicas noticias se van deslizando poco a poco, de modo que nadie se ocupe de ellas.


El famoso evento deportivo ha entrado en sus momentos más emocionantes. Durante 14 días, los equipos integrados por los mejores futbolistas de 32 países han estado compitiendo para avanzar hacia la fase de octavos de final; después vendrán sucesivamente las fases de cuartos de final, semifinales y el final del evento.


El fanatismo deportivo crece incesantemente, cautivando a cientos y tal vez miles de millones de personas en todo el planeta.


Habría que preguntarse cuántos, en cambio, han conocido que desde el 20 de junio naves militares norteamericanas, incluido el portaaviones Harry S. Truman, escoltado por uno o más submarinos nucleares y otros buques de guerra con cohetes y cañones más potentes que los de los viejos acorazados utilizados en la última guerra mundial entre 1939 y 1945, navegaban hacia las costas iraníes a través del canal de Suez.


Junto a las fuerzas navales yankis avanzan buques militares israelitas, con armamento igualmente sofisticado, para inspeccionar cuanta embarcación parta para exportar e importar productos comerciales que el funcionamiento de la economía iraní requiere.


El Consejo de Seguridad de la ONU, a propuesta de Estados Unidos, con el apoyo de Gran Bretaña, Francia y Alemania, aprobó una dura resolución que no fue vetada por ninguno de los cinco países que ostentan ese derecho.


Otra resolución más dura fue aprobada por acuerdo del Senado de Estados Unidos.


Con posterioridad, una tercera, más dura todavía, fue aprobada por los países de la Comunidad Europea. Todo tuvo lugar antes del 20 de junio, lo que motivó un viaje urgente del Presidente francés Nicolás Sarkozy a Rusia, según noticias, para entrevistarse con el jefe de Estado de ese poderoso país, Dmitri Medvédev, con la esperanza de negociar con Irán y evitar lo peor.


Ahora se trata de calcular cuándo las fuerzas navales de Estados Unidos e Israel se desplegarán frente a las costas de Irán, y unirse allí a los portaaviones y demás buques militares norteamericanos que montan guardia en esa región.


Lo peor es que, igual que Estados Unidos, Israel, su gendarme en el Medio Oriente, posee modernísimos aviones de ataque y sofisticadas armas nucleares suministradas por Estados Unidos que lo convirtió en la sexta potencia nuclear del planeta por su poder de fuego, entre las ocho reconocidas como tales, que incluyen a la India y Paquistán.


El Sha de Irán había sido derrocado por el Ayatollah Ruhollah Jomeini en 1979 sin emplear un arma. Estados Unidos le impuso después la guerra a aquella nación con el empleo de armas químicas, cuyos componentes suministró a Irak junto a la información requerida por sus unidades de combate y que fueron empleadas por estas contra los Guardianes de la Revolución. Cuba lo conoce porque era entonces, como hemos explicado otras veces, Presidente del Movimiento de Países No Alineados. Sabemos bien los estragos que causó en su población.


Mahmud Ahmadineyad, hoy jefe de Estado en Irán, fue jefe del sexto ejército de los Guardianes de la Revolución y jefe de los Cuerpos de los Guardianes en las provincias occidentales del país, que llevaron el peso principal de aquella guerra.


Hoy, en el 2010, tanto Estados Unidos como Israel, después de 31 años, subestiman al millón de hombres de las Fuerzas Armadas de Irán y su capacidad de combate por tierra, y a las fuerzas de aire, mar, y tierra de los Guardianes de la Revolución.


A éstas se añaden los 20 millones de hombres y mujeres, entre 12 y 60 años, escogidos y entrenados sistemáticamente por sus diversas instituciones armadas entre los 70 millones de personas que habitan el país.


El gobierno de Estados Unidos elaboró un plan para llevar a cabo un movimiento político que, apoyándose en el consumismo capitalista, dividiera a los iraníes y derrocara el régimen.


Tal esperanza es ya inocua. Resulta risible pensar que con las naves de guerra estadounidenses, unidas a las israelitas, despierten las simpatías de un solo ciudadano iraní.


Creía por mi parte inicialmente, al analizar la actual situación, que la contienda comenzaría por la península de Corea, y allí estaría el detonante de la segunda guerra coreana que, a su vez, daría lugar de inmediato a la segunda guerra que Estados Unidos le impondría a Irán.


Ahora, la realidad cambia las cosas en sentido inverso: la de Irán desatará de inmediato a la de Corea.


La dirección de Corea del Norte, que fue acusada del hundimiento del Cheonan, y sabe de sobra que fue hundido por una mina que los servicios de inteligencia yanki lograron colocar en el casco de esa nave, no esperará un segundo en actuar tan pronto en Irán se inicie el ataque.


Es muy justo que los fanáticos del fútbol disfruten a su antojo de las competencias de la Copa del Mundo. Cumplo sólo el deber de exhortar a nuestro pueblo, pensando sobre todo en nuestra juventud, llena de vida y esperanzas, y especialmente en nuestros maravillosos niños, para que los hechos no nos sorprendan absolutamente desprevenidos.


Me duele pensar en tantos sueños concebidos por los seres humanos y las asombrosas creaciones de las que han sido capaces en sólo unos pocos miles de años.


Cuando los sueños más revolucionarios se están cumpliendo y la Patria se recupera firmemente, ¡cómo me gustaría estar equivocado!


Fidel Castro Ruz

Junio 24 de 2010

9 y 34 p.m.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Irã resiste ao isolamento

18/6/2010, Chris Zambelis, Asia Times Online
Traduzido por
Caia Fittipaldi

A decisão do Brasil, com a Turquia, os dois países membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU (CSONU), de votarem contra o último esforço liderado pelos EUA para impor sanções mais duras contra o Irã dia 9/6 e que visa a fazer abortar o programa nuclear da República Islâmica, reflete mudança importante no panorama geopolítico global, marcada por um declínio do poder dos EUA, com volta à política de multipolaridade.

A recusa do Brasil – que votou contra a Resolução n. 1.929 do CSONU –, aparece imediatamente depois de um bem-sucedido acordo mediado por Brasil e Turquia, firmado dia 17/5, para viabilizar uma troca de urânio baixo enriquecido por combustível nuclear, para esvaziar as preocupações sobre ambições nucleares de Teerã e para evitar uma escalada nas tensões regionais.

O consistente movimento do Brasil, para inserir-se no centro de uma das questões mais difíceis dos negócios internacionais, combinado ao movimento de unir-se à Turquia em evidente desafio ao paradigma da diplomacia comandada pelos EUA, no que tenha a ver com as relações com o Irã, é emblemático da aspiração dos brasileiros de alcançar status de mais poder, inspirada por nova definição do que seja uma legítima nova força diplomática, econômica e militar.

O movimento do Brasil, de envolver-se na diplomacia do Oriente Médio deve, pois, ser analisado no contexto de ascensão continuada desse país no contexto internacional. Ao mesmo tempo, a defesa diplomática do Irã, pela diplomacia brasileira, também chama a atenção para a significação dos laços que passam a aproximar Teerã e a matriz energética sul-americana.

Ao mesmo tempo em que muitos analistas continuam a maravilhar-se ante a estatura do Brasil como potência emergente e como ator protagonista na diplomacia do Oriente Médio, há também os que se dedicam a acompanhar outra tendência, ainda não bem compreendida, que tem grandes implicações geopolíticas; que acontece bem próxima dos EUA, no hemisfério ocidental; e cujos temas e ideias dominaram as manchetes nos últimos anos.

O Irã assumiu sua própria missão ambiciosa, de expandir sua influência na América Latina e Caribe, região onde o Irã, tradicionalmente e até há bem pouco tempo, manteve presença diplomática, econômica ou militar pouco expressiva ou absolutamente inexpressiva. A interface hoje em expansão Irã-Brasil e os crescentes e multifacetados contatos entre Irã e Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua, Cuba, Guiana, dentre várias outras nações latino-americanas, refletem a decisão, pelo Irã, de afirmar-se como ator protagonista, de pleno direito, no continente americano.

Nos círculos da imprensa e das relações internacionais, dominam, até agora, denúncias de laços entre Teerã e militantes islâmicos que operariam na América Latina e envolveriam simpatizantes nas comunidades muçulmanas locais e na diáspora; esse parece ser o discurso dominante para analisar as vias que o Irã escolheu para aproximar-se da América do Sul e Caribe.

Não surpreende, pois, que muitos dos analistas midiáticos e também analistas acadêmicos que acompanham os negócios entre Oriente Médio e América Latina ainda insistam em analisar os movimentos do Irã sob o prisma da segurança. O Irã, dizem vários analistas, teria uma tradição de exportar seu islamismo revolucionário para o Oriente Médio ampliado, já desde os anos 1980s e 1990s; essa exportação viria acompanhada do apoio iraniano aos militantes islâmicos que se opõem à situação vigente na Região e até agora modelada pela política dos EUA. Esses analistas jamais esquecem o apoio que o Irã dá ao Hizbollah do Líbano, e que levou a ações contra alvos israelenses e judeus na Argentina nos anos 1990s; para esses analistas, essas ações devem ser tomadas como casos exemplares, a partir dos quais avaliar as intenções de Teerã no movimento em direção à América do Sul e Caribe.

O fato de o Irã ter buscado os oponentes que mais falam contra os EUA na Região, a saber Venezuela e Cuba, dentre outros, além de tradicionais aliados próximos dos EUA, também fez soar sinais de alarme. Segundo esse ponto de vista, a crescente presença do Irã nas Américas constituiria ameaça direta aos EUA e à segurança regional – tema sempre recorrente nos círculos do governo dos EUA.

O secretário de Defesa dos EUA Robert Gates manifestou preocupação pelo que chamou de “atividade subversiva” do Irã na Região, em depoimento que prestou ao Comitê das Forças Armadas do Senado norte-americano dia 27/1/2009. Antes de embarcar em viagem pelas capitais regionais, dia 28/2/2010, a secretária de Estado Hillary Clinton disse ao Subcomitê de Operações no Estrangeiro que o Irã estaria “no topo” de sua agenda para aquela viagem.

Relatório de abril de 2010, do Departamento de Defesa dos EUA, também declara que há membros do grupo “Quds [Jerusalém] Force”, unidade de elite, para operações especiais, do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica [ing. Islamic Revolutionary Guards Corps (IRGC)] iraniano, presentes na América Latina, especialmente na Venezuela.

O argumento de que a crescente presença do Irã no continente americano seria ameaça à segurança da Região não vê – ou opera como se não visse – o pragmatismo que guia todas as atividades do Irã na América e Caribe, para não falar da evidência de que Teerã está sendo recebida de braços abertos.

A sequência de encontros bilaterais de alto nível entre os presidentes de Irã, Venezuela, Brasil, Cuba, Nicarágua, Equador e Bolívia, dentre outros, nos últimos anos, com visitas recíprocas de líderes regionais a Teerã, que já produziram inúmeros acordos políticos, econômicos, de energia, culturais, militares e científicos, são caso a considerar.

Além disso, trocas diplomáticas e contatos comerciais sempre crescentes entre o Irã e parceiros na Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Peru e México, combinadas com a criação de novas embaixadas iranianas, ilustram o rápido desenvolvimento das relações da República Islâmica com a Região.

Dados distribuídos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2009 e analisados pelo periódico Latin Business Chronicle informam que o volume de comércio entre o Irã e a Região ampliada (US$2,9 bi) é hoje quase o triplo do que foi entre 2007 e 2008; o comércio entre Brasil e Irã alcançou $1,3 bi no mesmo período, aumento dramático de 88% em relação a 2007. O Brasil é a maior fonte de exportações para o Irã, na América Latina.

A Sociedade Crescente Vermelho, iraniana, enviou toneladas de produtos de ajuda humanitária e uma equipe de médicos e profissionais de saúde imediatamente depois do terremoto que devastou o Haiti dia 12/2010. E o Irã prometeu centenas de milhões de ajuda econômica, em empréstimos com juros reduzidos, a Nicarágua, Bolívia, Saint Vincent e a Granada.

Fazer avançar uma diplomacia de defesa

A estratégia do Irã na América Latina é movida por muitos fatores. Como país ainda sujeito a campanha comandada pelos EUA para isolá-lo na arena internacional, o Irã definiu como prioridade estratégica construir e cultivar ampla rede de relações bilaterais, no esforço para escapar das tentativas de paralisar o país.

O Irã também trabalhou diligentemente para ampliar sua capacidade diplomática, para resistir às ameaças de ataque vindas dos EUA e especialmente de Israel, contra seu programa nuclear. Nesse contexto, a estratégia do Irã, de expandir laços na América Latina e Caribe visa a duas metas principais: primeiro, permite que o Irã proteja-se e proteja setores críticos da sociedade iraniana – a economia, principalmente –, ante as agressões de um regime de sanções cada vez mais violentas; assim, aumenta a capacidade iraniana para resistir às pressões norte-americanas para que mude seus comportamentos; em segundo lugar, ao cultivar rede variada de relacionamentos, inclusive relações baseadas em negócios lucrativos e delicada diplomacia com governos que Washington condenou ao ostracismo, o Irã trabalha para assegurar que o maior número possível de países tenham real interesse em manter negócios continuados com o Irã.

Esse aspecto da estratégia iraniana permite que o país conte com o apoio de países que, antes, não tinham qualquer interesse direto na questão das sanções contra o Irã. Essencialmente, a abordagem que o Irã está construindo em relação à América Latina e Caribe é política de diversificação diplomática.

A pesada presença dos exércitos norte-americanos no Oriente Médio ampliado também influenciou profundamente o cálculo estratégico de Teerã, no que tenha a ver com a estratégia para a América Latina e Caribe. A existência de uma aliança liderada pelos EUA, que reúne uma Israel nuclear e regimes árabes pró-EUA, deixara o Irã praticamente isolado e potencialmente vulnerável a ataques.

As fronteiras leste e oeste do Irã, por exemplo, são sitiadas por dezenas de milhares de soldados norte-americanos no Afeganistão e Iraque, respectivamente; e a presença dos EUA não para de aumentar também no vizinho Paquistão.

A paisagem regional também é toda marcada por bases militares dos EUA e há robusto deslocamento de forças navais no Golfo. A garantia de segurança que os EUA oferecem a países vizinhos do Irã são também motivo de alta ansiedade em Teerã. Os EUA trabalham declaradamente numa estratégia para minar toda a influência que o Irã possa ter na região, mediante uma política de cerco estratégico.

Com isso em mente, as entradas do Irã na América Latina e no Caribe são meio para implementar uma diplomacia de defesa, meio pelo qual, de fato, a República Islâmica pode resistir aos EUA. Assim sendo, vê-se que é o Irã quem mostra capacidade e competência no manejo do ‘soft power’, em região que Washington sempre viu como sua esfera exclusiva de influência.

A volta da revolução

A entrada do Irã na América Latina e Caribe jamais se teria materializado sem o encorajamento ativo de parceiros regionais interessados. Mas como, afinal, a República Islâmica conseguiu angariar tantas doses de boa-vontade empenhada, do Caribe ao Cone Sur?

Não se consegue entender o sucesso da diplomacia iraniana se não se considera a mudança tectônica à esquerda pela qual passou um eclético ‘mix’ de tendências populistas esquerdistas de várias linhagens que assumiram o poder em todo o hemisfério a partir do final dos anos 1990s. Essas tendências, unidas em torno de um mesmo ceticismo quanto aos objetivos da política externa dos EUA, e aspirando a seguir vias independentes que mais rapidamente levassem seus países para bem longe das ortodoxias econômicas neoliberais pregadas por Washington – o nascimento de uma nova política revolucionária determinada a não se submeter às estratégias dos EUA para a Região – ofereceram ao Irã a audiência receptiva de que carecia para fazer avançar suas iniciativas, e vasta cesta de amigos.

Uma nova modalidade de política revolucionária na América Latina, à qual não falta o discurso anti-imperialista dirigido contra os EUA, combinou-se perfeitamente à política externa iraniana. Apesar dos traços islâmicos xiitas do regime, Teerã adotou abordagem realista na diplomacia para as Américas, na qual enfatizou o anti-imperialismo, as lutas populares por justiça social e a preservação da independência e da soberania nacionais mediante a solidariedade Sul-Sul.

Irã também usou com eficácia instituições como o Movimento dos Não-alinhados, para procedimentos de aproximação com países-membros na América Latina. Há notável superposição de discursos assemelhados vindos de Teerã e de capitais regionais como Brasília, Caracas, La Paz, Havana, Manágua e Quito, por exemplo; nessa superposição, o Irã encontra importante cobertura diplomática para várias questões, sobretudo para o programa nuclear.

Irã tem usado suas competências como fonte de resistência no Oriente Médio, ao lado de Síria, do Hizbollah, do Hamás em Gaza (e ocasionalmente de Turquia e Qatar) numa frente de resistência contra aliados dos EUA, contra Israel e contra o bloco de regimes árabes pró-EUA liderado pela Arábia Saudita e Egito. O Irã está confortável nessa posição.

A superextensão das forças e dos recursos diplomáticos dos EUA para o Oriente Médio expandido e para o Leste da Ásia, e o destaque absoluto da luta contra o terrorismo em anos recentes também relegaram a América Latina a espaços marginais em termos de política externa dos EUA e das prioridades de segurança em Washington. Com isso, o Irã – além de outros atores como China e Rússia – foram beneficiados com espaço de manobra muito mais amplo. Essa confluência de circunstâncias com certeza encorajou as políticas de contatos mais estreitos entre o Irã e a América Latina nos anos recentes. Tudo faz crer que essa circunstância não se alterará no futuro próximo.

O artigo original, em inglês, pode ser lido em: Iran's new revolutionary politics