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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

EUA: Wall Street matou os empreendedores

28/1/2015, [*] Yves Smith, Naked Capitalism
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


O número de novas empresas criadas nos EUA caiu a um ponto tão baixo que perde até para a Hungria. Mas, porque conflita com a imagem amplamente divulgada de autoconfiança dos norte-americanos, é fato ao qual a imprensa-empresa comercial oligopolista absolutamente não dá a atenção que o fato merece.


CAINDO FORA DOS NEGÓCIOS


Os EUA estão agora, não em 1º, não em 2º, não em 3º lugar, mas no 12º lugar entre as nações desenvolvidas em termos de novos empreendimentos por ano. Hungria, Dinamarca, Finlândia, Nova Zelândia, Suécia e Itália, dentre outros, têm número maior de novas empresas, em um ano, que os EUA.

Os EUA perdem em número de novas empresas per capita, e esse é hoje o problema econômico mais grave que os EUA enfrentam. Mas o “fenômeno” é tratado como segredo! Não se lê nenhuma referência na imprensa-empresa comercial, nem se ouvem políticos ou “especialistas” que digam que, pela primeira vez em 35 anos, morrem mais empresas nos EUA, do que nascem.

(...)

Até 2008, o número de novas empresas superava o número de falências comerciais em cerca de 100 mil/ano. Nos últimos seis anos, esse número repentinamente reverteu, e há hoje 70 mil empresas que fecham por ano, a mais do que o número de novas empresas.


Essa mudança é criticamente importante, porque pequenas e médias empresas são criadoras de novos empregos. Grandes corporações, tomadas em geral, estão em liquidação já há mais de uma década, economizando no número de empregados e “enxugando” sem parar por já bem mais de uma década. Pode-se ver esse comportamento na regularidade com que a imprensa de negócios publica sobre exercícios de redução de postos de trabalho como se fossem meros exercícios de redução de custos, não como o que são: sinal de o quanto profundamente as empresas e empresários não se interessam em investir nos seus trabalhadores e respectivos futuros.

Observaram que a variação nos números acompanha exatamente o andamento da crise? Não é por acaso. Embora a correlação não seja prova de causa e efeito, não é difícil perceber várias forças causais.

O artigo de Gallup insiste muito na mitologia do empreendedorismo dos norte-americanos, como se estivessem perdendo alguma espécie de valor ou de atributo louvável de caráter, como alguma velha virtude romana; insiste também na importância da “inovação”.

O problema é que essa ideia “cultural” baseia-se, ainda,. em empresas que nascem baseadas em capital abundante, muitas vezes venture-capital. Pior que isso: não só jornalistas, mas também especialistas acadêmicos fixaram-se em jovens empresas apoiadas por venture-capital – quando, na verdade, essas empresas não passaram de 1% do total de novas empresas em praticamente todos os anos, e só chegam a 25% das mais bem-sucedidas empresas de alto crescimento listadas por Inc. Magazine 500.

Assim sendo, dado que se sabe praticamente nada, o que, afinal, se sabe sob a tão mal estudada maioria das empresas iniciantes, que são o verdadeiro motor do emprego nos EUA? Como estão elas hoje?

Em seu The Origin and Evolution of New Businesses, estudo definitivo sobre o tema, Amar Bhide descobriu que o caminho mais comum seguido por empresários bem-sucedidos, foi que trabalharam para grandes indústrias e perceberam um nicho do mercado que não era bem atendido. Na ampla maioria de casos, esses novos negócios eram criados com poupança familiar, dinheiro emprestado de amigos, parentes e cartões de crédito.

A Origem e Evolução de Novos Negócios

Assim, se se pensa um pouco sobre o que está acontecendo nos EUA e no mundo empresarial em geral, vê-se facilmente o quanto o impacto da crise e seus desdobramentos estão obrigando todos que tenham cérebro capaz de operar a ter muita cautela no momento de abrir sua porta própria.

Primeiro, recessão clássica significa recuperação lenta e fraca, como todos vimos muito bem nos EUA.

O fato de que os EUA foram muito generosos e condescendentes com Wall Street cobrou altíssimo preço da Rua do Comércio, por todo o país – e de todos os pequenos negócios, principalmente. Só recentemente pequenos comerciantes exibiram algum ainda tímido sinal de otimismo quanto ao futuro e novas contratações. Mas ainda assim há áreas que ainda não dão nenhum sinal de melhoria, como a venda de varejo, um dos alvos mais populares para novas empresas.

Segundo, muita gente exauriu as próprias poupanças durante a crise, seja porque perdeu o emprego, seja porque sofreu redução nas horas de trabalho. E os idosos que ainda tenham alguma poupança têm pela frente ambiente de juros baixos e perspectiva de ganhos de capital pouco confiáveis. Embora haja quem reaja a isso com “ousadia”, muita gente responde dedicando-se a poupar ainda mais (no caso de não terem perdido o emprego), temerosos de qualquer risco. Em geral, quando as vacas andam gordas, muitos investidores são mais tolerantes em relação a assumir riscos do que em tempos incertos de vacas magras. O que implica dizer que a via de procurar amigos e família para obter financiamento para novo negócio já não é o que antigamente foi.

Terceiro, as empresas de cartões de crédito cortaram linhas de crédito durante a crise, atingindo muitos projetos de novos empreendimentos que dependiam de crédito sazonal. E duas importantes empresas de cartões de crédito que emprestavam para pequenos negócios saíram do mercado ou cortaram ofertas. Advanta faliu; e American Express, que costumava oferecer várias linhas de crédito para pequenos negócios, eliminou alguns de seus produtos e tornou-se mais seletiva com o crédito que oferece pelos cartões comerciais.


Há mais um desenvolvimento que é de mais longo prazo e foi exacerbado pela crise – os empregos temporários. É difícil ganhar insight sobre o comportamento dos consumidores, e o que teria boa chance como concorrente ou complementar de uma indústria, se você não fica tempo suficiente numa empresa, para compreender os processos e operações. Relacionado também a isso, muitas empresas obrigam os trabalhadores a assinar contratos muito restritos de não concorrência, como condição para ter o emprego, o que torna ainda mais difícil para o trabalhador não apenas encontrar empregos, mas também criar empreendimentos próprios.

Portanto, embora Wall Street não seja a única culpada pelo declínio do empreendedorismo nos EUA, é sem dúvida dos maiores culpados. E eis por que é importante não ceder no esforço para obrigar o hipertrofiado setor das finanças a diminuir de tamanho.


[*] Yves Smith passou mais de 25 anos na indústria de serviços financeiros e atualmente dirige Aurora Advisors, uma empresa de consultoria sediada em New York, especializada em consultoria de finanças corporativas e serviços financeiros. Sua experiência inclui trabalho na Goldman Sachs (em finanças corporativas), McKinsey & Co. e Sumitomo Bank (como chefe de fusões e aquisições). Yves já escreveu para várias publicações nos EUA e na Austrália, incluindo The New York Times, The Christian Science Monitor, Slate, The Review Conference Board, Institutional Investor, The Daily Deal e da Australian Financial Review. É graduada no Harvard College e Harvard Business School. Anima o blog Naked Capitalism desde 2006.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Washington: ambições de hegemonia e economia capenga?


7/1/2013, Paul Craig RobertsInstitute for Political Economy
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Paul Craig Roberts
Em novembro, a maior parte de novos empregos veio das vendas de atacado e varejo. Negócios que giram em torno no Natal criaram 65.700 empregos, ou 45% dos 146 mil empregos criados em novembro.

As vendas do Natal foram total fracasso, o que implica dizer que em janeiro os mesmos empregos serão “descriados”, o que só se saberá em fevereiro, quando aparecerem os números de janeiro. O presidente da rede Family Dollar Stores, Howard Levine, contou a analistas que os clientes tradicionais de suas lojas não tiveram dinheiro para comprar brinquedos para os filhos nesse Natal, porque todo o orçamento ficou comprometido com comprar comida e outras necessidades básicas. Levine disse que seus clientes “visivelmente estão sem meios para comprar o que sempre compraram”.

Quanto aos novos empregos de dezembro, voltamos a antigos padrões: assistência à saúde, assistência social e atendentes de bares. Essas três categorias responderam por 93 mil dos novos empregos de dezembro, 60% de 155 mil empregos.

Obviamente a economia não está andando para parte alguma, senão direto para o fundo do poço. Seria preciso criar aproximadamente 150 mil empregos por mês, só para acompanhar o crescimento populacional (empregar os jovens adultos que chegam ao mercado de trabalho). Poucos empregos dos que são “criados” pagam bem, e a constante, forte demanda por enfermeiros, garçons e garçonetes de bares e restaurantes é inacreditável: se os norte-americanos não têm dinheiro para comprar brinquedos para as crianças no Natal, de onde tirariam dinheiro para comer fora e beber em bares?

É que a imprensa-empresa faz o diabo para inventar alguma “recuperação”, noticiando o aumento das vendas de ar engarrafado. Mas os gráficos abaixo, elaborados por John Williams, de Shadow Government Statistics mostram a realidade:


Não esqueçam que 7,8% como taxa de desemprego (U.3) que a imprensa-empresa exibe nas manchetes não inclui os trabalhadores que desistiram de procurar emprego. A taxa oficial, U.6, inclui os que já desistiram de procurar emprego há mais de um ano. Essa taxa de desemprego é de 14,4%, quase três vezes a taxa U.3, que a imprensa-empresa prefere divulgar.

Em 1994, o governo dos EUA declarou inexistentes os norte-americanos desempregados que desesperaram de encontrar emprego há mais de um ano. John Williams calcula, por estimativa, o número desses trabalhadores deixados à deriva. Se se soma esse número ao valor de U.6, a taxa de desemprego nos EUA alcança 23%: três vezes maior que os números divulgados.

O número de desempregados é tão alto, porque milhões de empregos norte-americanos foram exportados, entregues a trabalhadores chineses, indianos e outros, e porque os empregos que restaram nos EUA estão concentrados em poucas mãos de poucos empresários os quais, todos eles, violam as leis antitrustes. (Quem quiser conhecer o mapa da concentração das empresas de mídia, veja em: MEDIA CONSOLIDATION: THE ILLUSION OF CHOICE (INFOGRAPHIC) 
Temos de ter muito cuidado com a mídia “econômica” e “economistas” profissionais que digam que haveria alguma recuperação em curso nos EUA, quando a taxa de desemprego é tão alta, e a renda média, tão baixa.

É verdadeiro mistério: como algum político de algum partido, qualquer partido, poderia algum dia ter acreditado que um país cuja economia sempre viveu movida pelo gasto dos consumidores poderia estar em crescimento, se os empregos que produzem o dinheiro para o consumo que faz girar a economia foram entregues a empresários estrangeiros em terras distantes.

Fato é que os americanos receberam, como se fosse noticiário econômico, um pacote de mentiras, construídas para convencer os eleitores a aceitar uma economia que só produz dinheiro para Wall Street, acionistas e diretores de grandes corporações, à custa de todos os demais habitantes dos EUA. Os empregos exportados rendem gordos lucros ao 1%. E as famílias que tradicionalmente faziam compras nas lojas Family Dollar não têm dinheiro nem para comprar presentes de Natal para os filhos.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Os muito ricos e o mito de que seriam “criadores de empregos”


31/5/2012, *Paul Buchheit, Commondreams
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Em 1889, em seu artigo O Evangelho da Riqueza [Gospel of Wealth], Andrew Carnegie ensinava que os norte-americanos deveriam considerar bem vinda a concentração da riqueza nas mãos de poucos, porque “a superior sabedoria, experiência e habilidade” dos ricos garantiria benefícios para todos.

Mais recentemente, Edward Conard, autor de Unintended Consequences: Why Everything You've Been Told About the Economy Is Wrong [Consequências indesejadas: por que tudo que lhe contaram sobre a economia está errado], disse: “Como sociedade, não estamos oferecendo aos nossos raros talentos recompensa suficiente. Estamos pagando pouco aos que correm riscos.  [1]

Será verdade? Será que, se dermos todo o dinheiro aos norte-americanos mais ricos, estará garantido que o empregarão sabiamente e que criarão empregos e estimularão os investimentos em pequenos negócios e, assim, beneficiarão toda a sociedade? Isso parece ser o que pensam os 18 altos executivos de grandes empresas que escreveram, em carta ao Secretário do Tesouro Timothy Geithner, que qualquer aumento nos impostos sobre ganhos de capital reduzirá o investimento, “quando precisamos formar capitais nos EUA para criar empregos e expandir nossa economia.”

Os 18 empresários e executivos que assinam a carta não listam qualquer prova a favor de suas ideias, porque não há o que prove esse tipo de delírio. Os fatos são outros:

Os muito ricos não gostam de investimentos de risco

Analistas de mercado de Marketwatch estimam que mais de 90% do patrimônio acumulado pelos milionários está aplicado numa combinação de investimentos de baixo risco (bonds e dinheiro), no mercado de ações e em propriedade imobiliária. Segundo o economista Richard Wolff cerca de metade do patrimônio do 1% mais rico está aplicado em fundos não incorporados (contas comerciais pessoais). O  Wall Street Journal  anota que cerca de mais de ¾ do patrimônio dos que valem individualmente mais de $20 milhões está investido em fundos hedge.

A parte do investimento aplicada em negócios iniciantes  em 2011 não chegou a 1% dos investimentos dos ricos nos EUA.

A pesquisa de Mendelsohn Affluent Survey confirmou que os muito ricos gastam menos de 2% do próprio dinheiro para estimular negócios iniciantes. A última coisa que querem, pelo que se pode ver, é investir no arriscadíssimo negócio de contratar gente para inovar.

Os muitos ricos não gostam de arriscar em empregos

Os profissionais da alta gerência e da administração financeira representavam, em 2005, cerca de 60% do 1% de norte-americanos mais ricos. Os empresários empreendedores não chegavam a 3%.  Estudo recente constatou que menos de 1% de todos os empresários empreendedores vinham de ambientes muito ricos ou muito pobres.

A grande massa dos investimentos dos norte-americanos mais ricos toma o rumo do exterior – para fora dos EUA, onde os mais ricos aplicam 57% do próprio dinheiro e enchem suas fábricas com trabalhadores mal remunerados e superexplorados. Números do Departamento de Comércio mostram que as empresas norte-americanas cortaram cerca de 2,9 milhões de empregos nos EUA entre 2000 e 2009. Ao mesmo tempo, criaram 2,4 milhões de subempregos fora dos EUA.


O mais provável é que os muito ricos absolutamente nunca pensem em criar empregos, sejam quais forem, nos EUA. Pesquisas mostram que 60% dos investidores com patrimônio de $25 milhões ou mais estão investindo no exterior até 1/3 de tudo que têm. Nos EUA, a riqueza extra que teria sido criada pelos cortes de impostos da era Bush evaram aos “piores números do trabalho, de toda a história”. O grande criador de empregos nos EUA, como diria Nick Hanauer, [2] é o consumidor de classe média.

As empresas norte-americanas muito ricas não gostam de investir nos EUA

Como as empresas gastam o próprio dinheiro? Em larga medida, não gastam. Segundo a agência Moody's, o caixa de empresas não financeiras norte-americanas subiu 3% entre 1980 e 2011 e chega hoje a $1,24 trilhões. A razão patrimônio/dinheiro  das empresas quase triplicou entre 1980 e 2010. Estima-se que o dinheiro paralisado  como reserva de caixa nas empresas norte-americanas bastaria para manter empregados 3,5 milhões de pessoas a mais, durante cinco anos, com salário anual de $40 mil dólares.

As empresas que mais preservam suas reservas de caixa, entre as quais Apple, Google, Intel, Coca Cola e Chevron, gastam seu dinheiro na recompra de ações (o que faz subir o preço das ações preferenciais), em dividendos para investidores e na compra de empresas subsidiárias. Segundo Bloomberg, a recompra de ações alcança hoje um dos mais altos picos dos últimos 25 anos.

A empresa Apple alega ter criado 500 mil empregos para a economia dos EUA, mas aí estão contados entusiastas da construção de aplicativos e os motoristas da Fedex que entregam iPhones a domicílio. A Apple emprega hoje nos EUA 47 mil pessoas: é 1/10 da força de trabalho da General Motors nos anos 1990s.

Os riquíssimos investem, isso sim, no exterior. Também investem mais em “drenar cérebrospara o exterior – empresários, cientistas, médicos – do que em apoiar a melhoria da educação nos EUA.

Há um campo no qual as grandes empresas gostam de gastar dinheiro: em bônus aos altos executivos. Bancos, sobretudo, cujos gastos extras são muitas vezes cobertos por empréstimos de juro zero que lhes garante o FED - Federal Reserve.

Os mais ricos – indivíduos e empresas – são muito bons em acumular fortunas. E são melhores ainda na arte de cultivar o mito de que seriam “criadores de empregos”.



Notas de rodapé
[1] New York Times, 1/5/2012, “The Purpose of Spectacular Wealth, According to a Spectacularly Wealthy Guy” [O objetivo da riqueza espetacular, segundo alguém espetacularmente rico], assinado por Adam Davidson, onde se lê:

“(...) recentemente, encontrei Edward Conard na 5ª. Avenida, entre a Av. Madison e a Rua 57, bem em frente de seu escritório [na empresa] Bain Capital, o Fundo de Investimento em Participações que ele ajudou a converter em negócio multibilionário, à custa de comprar empresas em frangalhos, consertá-las e revendê-las com gordos lucros. Conard, que se aposentou há três anos, quando completou 51 anos, não é membro só do 1%: é membro também do 0,1%. Sua fortuna está na casa das centenas de milhões: vive em uma casa no Upper East Side, perto da 5ª. Avenida; e é um dos principais doadores de campanha de seu antigo patrão, depois sócio, e amigo, Mitt Romney”.

Conard pode ser ouvido, em entrevista a Fareed Zakaria, da CNN, a seguir:

[2] Para saber quem é, ver em: “Raise Taxes on Rich to Reward True Job Creators: Nick Hanauer” (em inglês) E também em: “TED rejeita palestra de um capitalista contra o papel dos capitalistas(em português)

 
*Paul Buchheit é professor universitário, membro ativo dos US Uncut Chicago, fundador e desenvolvedor de sites educacionais e promotores de justiça social (UsAgainstGreed.org, PayUpNow.org, RappingHistory.org); e autor e editor principal do “American Wars: Illusions and Realities” (Clarity Press). e-mail: paul@UsAgainstGreed.org .