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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Paul Craig Roberts: Já é tempo do Irã dizer “adeus” ao ocidente

26/1/2015, [*] Paul Craig Roberts  Institute for Political Economy
Traduzido por Mberublue


Em lugar de ficar cortejando o ocidente, o Irã precisa mesmo é rejeitá-lo. O tempo histórico do ocidente já passou.


Aiatolá Ali Khamenei
Pelo visto, as negociações do regime de Obama com o Irã e com supervisão da Rússia, estavam próximas do fim de um assunto nuclear claramente forçado. Para o governo israelense, assim como para seus agentes neocons nos Estados Unidos um final para essa confrontação é inaceitável. O partido político republicano, totalmente dominado pelo lobby de Israel, convidou apressadamente Netanyahu, o líder insano dos dois países, Estados Unidos e Israel, para que rapidamente viesse dizer ao Congresso majoritariamente republicano que os indiferentes eleitores norte americanos instalaram no poder legislativo, que é estritamente proibida qualquer acomodação com o Irã.

Ao observar o Congresso Republicano, controlado por Israel, e que não passa de uma coleção de belicistas que se direcionam para impedir uma solução pacífica para um problema artificial, o líder do Irã, aiatolá Ali Khamenei, mandou uma carta para os jovens ocidentais, advertindo sobre a descaracterização do Islã pelos propagandistas ocidentais.

Respeito os esforços de Khamenei no sentido de tentar resgatar a consciência dos jovens ocidentais ensinando-os a diferenciar a realidade do Islã do retrato demonizado com que se apresenta o Islã pelos políticos e pela mídia ocidentais.

A questão é: Qual o impacto que pode ter Khamenei? Ainda que se leve em consideração que a voz de Khamenei é importante, ela se torna mínima em comparação com os mentirosos e propagandistas ocidentais. Mesmo a voz de um líder representativo como é Khamenei, dificilmente poderá ser ouvida para além do barulho ensurdecedor causado pela propaganda ocidental contra seu país e sua religião, ambos demonizados.

Ademais, as organizações secretas ocidentais podem desfechar operações terroristas em nome do Islã, como provavelmente já aconteceu com os eventos de 9/11, o atentado da Maratona de Boston e Charlie Hebdo [e agora com a morte de Alberto Nisman, na Argentina (Nrc)].



Apesar de se dizer ao mundo inteiro que o Islã está por trás destes acontecimentos, osexperts afirmam que jamais foi apresentada qualquer evidência válida. Apenas assertivas oficiais, como as que foram fornecidas incorretamente sobre as armas de destruição em massa no Iraque, o uso por Assad de armas químicas na Síria, as falsas acusações contra Kadafi na Líbia e as acusações falsas lançadas à Rússia na Ucrânia. Os propagandistas ocidentais têm muitas vozes e seus trompetes estridentes encobrem a voz do líder iraniano.

Em lugar de ficar cortejando o ocidente, o Irã precisa mesmo é rejeitá-lo. O tempo histórico do ocidente já passou.

O ocidente se transformou em um estado policial no qual os governos não mais se responsabilizam quer pelo povo, quer pela aplicação correta da lei. Não há emprego para os jovens nem segurança financeira para os idosos. O ocidente se encontra em processo de saque de si mesmo. Olhe para o que está acontecendo neste mesmo instante com a Grécia. Para garantir os lucros dos bancos privados fora da Grécia, o povo grego viu suas pensões diminuídas, os empregos sumirem, o corte de serviços sociais e acabaram por forçosamente vender suas propriedades para investidores privados estrangeiros a preço vil. O mesmo tipo de rapinagem está acontecendo agora na Ucrânia, enquanto a Itália, Espanha e Portugal esperam sua vez.

Mesmo nos Estados Unidos a política econômica está inteiramente voltada para ao benefício do “um por cento” obscenamente ricos.

Caso usemos o livro “O Senhor dos Anéis” de J.R.R. Tolkien como metáfora, o ocidente seria Mordor e os Estados Unidos, Sauron.

Sauron
Mordor
Não há sentido nas negociações levadas a efeito pelo Irã no anelo de ganhar aceitação pelo ocidente. O Irã faz parte da mesma lista fatídica onde estão Saddam, Kadafi e Assad. Só há um meio de ser o Irã aceito pelo ocidente: basta concordar em abdicar de sua soberania para se tornar apenas mais um estado títere de Washington. A desconfiança em relação ao programa de energia nuclear do Irã é totalmente artificial. Caso não fosse isso, seria qualquer outro “problema” tão artificial quanto, como armas de destruição em massa, uso de armas químicas, terrorismo e assim por diante. Os líderes iranianos precisam entender que o problema real é a independência do Irã em relação à política externa de Washington e de suas políticas econômicas. Como Washington não pode declarar abertamente que deseja a mudança de regime no Irã para que este se torne apenas mais um estado fantoche de Washington, então simplesmente finge que o Irã é uma ameaça a ser eliminada.

Caso o Irã realmente admire tanto assim o decadente e corrupto ocidente a ponto de admitir ser um servo obediente para provocar a aceitação do ocidente, tudo o que tem a fazer é capitular de sua soberania e alinhar-se com as políticas hegemônicas de Washington.

Mas se o Irã, uma das mais antigas culturas e civilizações do planeta, deseja continuar sua existência sem estar debaixo da dominação dos “excepcionais” norte americanos, deve então virar as costas ao ocidente e aliar-se à Rússia, China, Índia e aos outros países BRICS, afastando-se das políticas criminosas do ocidente. Está fora de qualquer explicação porque uma civilização antiga como a iraniana veria qualquer coisa no ocidente à qual considerasse digno associar-se.

BRICS
Acima de tudo, o Irã precisa parar de lutar contra outros muçulmanos, mesmo aqueles extremistas que traem o profeta Maomé e o solo do Islã. O Irã não deve aceitar o papel que Washington lhe reservou, de mercenário na luta contra o Estado Islâmico. Jamais deve o Irã ajudar Washington a assassinar muçulmanos, mesmo aqueles desorientados que traem o profeta. Em vez disso, o Irã deveria entender que o Estado Islâmico, mesmo sendo originalmente uma criação de Washington, está no momento desfrutando de seu sucesso apenas porque o povo muçulmano está cansado de ser dirigido pelo ocidente, que usa o antagonismo entre sunitas e xiitas para governá-los.

Mesmo sendo verdade que o Estado Islâmico é criação de Washington, os muçulmanos que o apoiam não são. O Estado Islâmico é apoiado pelos muçulmanos porque eles estão cansados de ser governados e arruinados ao mesmo tempo pelos Estados Unidos, Grã Bretanha e a França.

O melhor que Khamenei tem a fazer é esquecer os Estados Unidos, onde o mal já tomou conta, e quanto a isso, Khamenei nada pode fazer. Khamenei deve tentar unir os povos muçulmanos na tentativa de uma nova direção.

O Islã só é fraco porque é desunido. Por séculos, os muçulmanos, divididos por questões políticas antigas, tem permitido que suas diferenças religiosas os tornem meros peões de outros poderes. Eles necessitam de uma liderança que flexibilize essas divisões sectárias, e o Irã pode prover essa liderança. Mas a liderança iraniana não pode surgir a partir de uma imposição de seus pontos de vista. É preciso um compromisso entre muçulmanos que tenha o condão de uni-los. Lutar ao lado dos americanos contra o Estado Islâmico perpetua essa divisão e ratifica o fato de que os muçulmanos não passam de colônias do ocidente.

São grandes os problemas a serem enfrentados pelas lideranças muçulmanas para retificar o que está errado. Não apenas são castigados por suas divisões internas como as populações muçulmanas no ocidente estão em posição tão delicada que seus líderes se veem compelidos a apoiar a guerra contra o Estado Islâmico a fim de proteger a população ocidental de muçulmanos de pogroms. Pode a propaganda e a história fazer dos muçulmanos um povo para sempre colonizado?


[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da ReaganomicsEx-editor e colunista do Wall Street JournalBusiness Week e Scripps Howard News ServiceTestemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia,  Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

“Falsa-bandeira” e como começar uma “revolução colorida” na Argentina

23/1/2015, Mario, The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

The Saker

Como começa:

1987-88: Irã assinou três acordos com a Comissão Nacional de Energia Atômica da Argentina. O primeiro acordo Irã-Argentina envolvia ajuda para converter o reator do Tehran Nuclear Research Centre (TNRC) que os EUA haviam fornecido a Teerã, de reator para combustível alto-enriquecido, para reator de combustível (urânio) baixo-enriquecido a 19,75%, e fornecer ao Irã o urânio baixo-enriquecido.

Dezembro, 1992: A embaixada em Buenos Aires informa ao governo argentino que Washington não aceita a continuação do acordo de cooperação nuclear Irã-Argentina.

Em março de 1992, a embaixada de Israel, e em julho de 1994 o prédio da Asociación Mutual Israelita Argentina, AMIA, foram explodidas, supostamente por carros-bombas.

Investigações independentes na Argentina e o relatório inicial de Charles Hunter (FBI) mostram que as duas explosões, considerados os danos nos prédios em volta, são inconsistentes com a teoria dos carros-bombas.

Ao contrário de todas as provas materiais, o governo israelense e, depois, Washington, pressionam o presidente argentino Carlos Saul Menem a insistir na ideia de que os iranianos teriam plantado os carros-bomba, em cooperação com o Hezbollah.

O processo judicial dá em nada, até que o presidente Nestor Kirchner indica o juiz Nisman em 2005 para iniciar nova investigação. Nisman tem contatos próximos na embaixada dos EUA, com advogados norte-americanos especialistas em investigações antiterrorismo e com alguns membros da SIDE (inteligência argentina).

Explosão na Embaixada de Israel na Argentina (17/3/1992)

Em 2013, Nisman instrui a Interpol a emitir ordens de prisão contra uma lista de iranianos e libaneses importantes:

●- Hashemi Rafsanjani, então presidente do Irã
●- Ali Akbar Velayati, então ministro de Relações Exteriores
●- Ali Fallahijan, então chefe da inteligência
●- Mohsen Rezai, então comandante da Guarda Revolucionária
●- Imad Mougnieh, chefe da segurança exterior do Hezbollah
●- Ahmed Vahidi, então comandante das forças “Al Quds” [Jerusalém]
●- Mohsen Rabbani, ex-representante diplomático na Argentina
●- Ahmad Ashagri, ex-representante diplomático na Argentina
●- Hadi Soleimanpour, ex-embaixador do Irã na Argentina.

A Presidenta Cristina de Kirchner várias vezes disse que não acredita na existência de alguma “conexão Irã” (vários funcionários dos EUA questionaram publicamente se haveria prova de envolvimento iraniano [James Cheek]) e usou a recente abertura para consultas entre Washington e Teerã, como uma oportunidade para negociar uma “comissão da verdade” Irã-Argentina, a ser constituída de cinco juízes independentes, nenhum deles iraniano ou argentino.

A oposição e o lobby pró-Israel contestaram a ideia e qualquer possível acordo.

Explosão da AMIA (Centro judeu na Argentina) em jul/1994

O toque final:

Haverá em breve eleições na Argentina, e Cristina de Kirchner não pode ser reeleita, e há forte polarização de candidatos, mas as pesquisas mostram que Scioli, candidato apoiado por Cristina pode vencer no segundo turno.

É onde entra o juiz Nisman: Ele apresenta uma denúncia, de que a Presidenta Cristina de Kirchner teria conduzido negociações secretas com o Irã, por canais não diplomáticos, oferecendo-se para encobrir o envolvimento de oficiais iranianos, de modo que a Argentina pudesse começar a trocar grãos pelo muito desejado petróleo iraniano. Ordena que todos os bens da Presidenta Cristina de Kirchner sejam bloqueados.

A denúncia baseia-se em “suposta prova” apresentada por Stiuso (recentemente demitido da presidência da contrainteligência da SIDE argentina, e agente que teria bons contatos com o Mossad) e outros agentes menos importantes.

A imprensa-empresa argentina, toda ela de oposição, faz circular amplamente o conteúdo da denúncia, ignorando a declaração oficial feita pela Interpol, de que o governo argentino jamais requerera a suspensão das ordens de prisão contra os iranianos.

Alberto Nisman

A denúncia, de que teria havido “intenção de encobrir fatos” não tem base legal. A lei argentina penaliza o ato, não a intenção – “detalhe” que a imprensa-empresa de propaganda da oposição apagou completamente da discussão social.

No dia em que o juiz Nisman estava convidado pela oposição para falar ao Congresso, ele é encontrado morto no seu apartamento.

A “denúncia” de Nisman não sobreviveria por mais muito tempo, mas a morte dele (por suicídio ou não) o elevará à condição de vítima de uma conspiração – o que a imprensa-empresa se encarregará de repetir sem descanso.

As redes sociais rapidamente converteram o “Je suis Charlie” para “Yo soy Nisman” e organizam-se manifestações públicas diárias, com número já crescente de participantes.

Só falta, até agora, aparecer lá alguém da embaixada dos EUA [Victoria “F*** EU” Nuland? (Nrc)], para distribuir sanduíches entre os “manifestantes”.

NOTA DO SAKER:

Ver também: 22/1/2008, The Vineyard of the Saker em: Hezbollah Didn't Do Argentine Bombing (updated)” (em inglês)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

CHARLIE HEBDO

18/1/2015, [*] Luis Britto García – luisbrittogarcia blog
Texto enviado pelo autor
Ilustrações: luisbrittogarcia blog



1

¿Quiénes masacraron a los humoristas de Charlie Hebdo? Los medios del fundamentalismo eurocentrista culpan de manera instantánea al fundamentalismo musulmán.

En un automóvil abandonado cerca de la escena del crimen aparece convenientemente olvidado el documento de identidad de uno de los hermanos sospechosos del delito de islamismo.

En forma todavía más oportuna, el identificado y su fraterno cómplice son exterminados a las pocas horas, de modo que no puedan confesar ni defenderse, no sin que se sepa que eran colaboradores de los servicios de seguridad francesa. Y para colmo de la conveniencia, poco después se suicida el encargado de la investigación, Helric Fredou.

El viernes 9 de enero 2015 um anónimo clérigo de la milicia terrorista Estado Islámico (EI) aseguraría que el grupo está detrás del atentado y anuncia que seguirán otros.

El 16/1/2015 la rama yemenita de Al Qaeda reivindica la responsabilidad por la masacre a través de su dirigente sunita, Nasr al-Ansidiciendo que el asalto se produjo en venganza por la publicación de caricaturas del profeta Mahoma, consideradas un insulto al Islam, y promete más ataques contra Occidente.

Son demasiados autores. Uno  o ambos mienten.

Las dos organizaciones fueron creadas y financiadas por Estados Unidos; Al Qaeda ha sido sindicada de culpable de otro célebre ataque sospechoso, el de las Torres Gemelas.

Todo es posible, pero demasiado usual se han hecho los atentados de falsa bandera como para que creamos de buenas a primeras en la versión de las autoridades.

2

Pocas ventajas podía reportar al Islam el asesinato de una decena de infieles más o menos irreverentes y de los policías que los cuidaban.

Quien insulta mi inteligencia no puede esperar que yo respete su ignorancia.

Décadas lleva en suspenso una amenaza contra Salman Rushdie, nunca ejecutada a pesar de que éste hace apariciones públicas más o menos anunciadas. En cambio, la masacre de los humoristas reporta ventajas a la derecha francesa, que al mismo tiempo que ve desaparecer la flor y nata de sus más encarnizados críticos, aprovecha el crimen para atizar el fuego de la islamofobia, promover leyes de control de la población y la inmigración musulmana y quizá desatar nuevas guerras de saqueo.

Para demostrar su tolerancia, el presidente Hollande ordena destacar un portaaviones a Medio Oriente para reforzar su la coalición con Estados Unidos en el bombardeo de sitios de Irak supuestamente ocupados por el Estado Islámico (EI).


3

A su vez, Marine le Pen, líder del derechista partido Frente Nacional, apoya reinstaurar la pena de muerte.

El ministro del Interior Bernard Cazeneuve convoca una reunión de sus homólogos de la UE y EEUU, y el presidente de la Comisión Europea, Jean Claude Juncker, propone en Riga un nuevo programa de “lucha contra el terrorismo”.

No contra el terrorismo de la UE que desencadenó 20.000 misiones de bombardeo contra Libia o permitió el genocidio de Gaza o la agresión contra Siria, no. Se trata de colecta e intercambio de informaciones en toda la UE, prevista en inocentes reuniones con el fiscal general estadounidense, Eric Holder.

No sería improbable una Ley Patriota Europea que permitiera la pena de muerte, la tortura y la detención indefinida sin acusación ni juicio de sospechosos, o sea, de musulmanes. Por lo pronto, el gobierno francés ha ordenado a sus fiscales aplicar “mano dura” contra todo lo que consideren antisemitismo, discursos de odio o apología del terrorismo.

Ya van 54 personas encarceladas por esos delitos de opinión.

4

Se rasgan las vestiduras en público quienes seguramente descorcharon champaña en privado al enterarse de la hecatombe, como los conservadores diários Le Monde, Süddeutsche Zeitung, La Stampa, Gazeta Wyborcza y El País, los políticos Obama, Sarkozy, el Consejo de Seguridad de la ONU, la directora gerente del FMI, Christine Lagarde, o Michel Houellebecq, quien había merecido varias viñetas de los humoristas por su novela Soumission, que alerta contra una supuesta toma del poder en Francia por los musulmanes en 2022.

5

Una manifestación de dos millones de personas y cuarenta estadistas cubre París con la consigna “Je suis Charlie”. Se pretende deslindar campos entre un Islam supuestamente fanático y un Occidente autoproclamado como tolerante.

Si Charlie hubiera tenido dos millones de lectores y cuatro decenas de estadistas amigos, no hubiera sido prohibido cuatro veces por las autoridades francesas en 1961, 1966, 1970 y 1992 cuando circulaba con el nombre de Harakiri, ni hubiera tenido que cambiar su nombre al deCharlie para burlar esa prohibición, ni hubiera sido demandado en 2007 por ejercer la libertad de pensamiento.


6

Quizá la mas lúcida opinión  sobre esta tragedia sea la del caricaturista sobreviviente Bernardo Holtrop (Willem) quien expresa que:

(...) los nuevos amigos de Charlie Hebdo me hacen vomitar. Nos hacen vomitar todas esas personas que de repente dicen que son nuestros amigos y encabezan la manifestación en París.


CONSULTE TAMBIÉN:


DESCARGUE LOS LIBROS DE LUIS BRITTO EN INTERNET:

  1. Rajatabla  
  2. Dictadura Mediática en Venezuela  
  3. La invasión paramilitar: Operación Daktari
  4. Socialismo del Tercer Milênio
  5. La Ciencia: Fundamentos y Método  
  6. El Imperio Contracultural: del Rock a la Postmodernidad
  7. El pensamiento del Libertador: Economía y Sociedad

[*] Luis Britto García. Caracas, 1940. Narrador, ensayista, dramaturgo, dibujante, explorador submarino, autor de más de 60 títulos. En narrativa destacan Rajatabla (Premio Casa de las Américas 1970) Abrapalabra, (Premio Casa de las Américas 1969) Los fugitivos, Vela de armas, La orgía imaginaria, Pirata, Andanada y Arca. En teatro, La misa del Esclavo (Premio Latinoamericano de Dramaturgia Andrés Bello 1980) El Tirano Aguirre (Premio Municipal de Teatro1975) Venezuela Tuya (Premio de Teatro Juana Sujo en 1971) y La Opera Salsa, con música de Cheo Reyes. Con Me río del mundo obtuvo el Premio de Literatura Humorística Pedro León Zapata. Como ensayista publica La máscara del poder en 1989 y El Imperio contracultural: del Rock a la postmodernidad, en 1990, Elogio del panfleto y de los géneros malditos en el 2000; Investigación de unos medios por encima de toda sospecha (Premio Ezequiel Martínez Estrada 2005), Demonios del Mar: Corsarios y piratas en Venezuela 1528-1727, ganadora del Premio Municipal mención Ensayo 1999. En 2002 recibe el Premio Nacional de Literatura, y en 2010 el Premio Alba Cultural en la mención Letras .