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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ELN/FARC-EP: Declaração Conjunta


Montanhas da Colômbia, 28/9/2012

“... não pode haver outro caminho para a unidade revolucionária e luta, ação de massas nas ruas, a revolta popular no campo e cidades”, diz um fragmento declaração conjunta FARC-ELN.


Na foto, o Pastor Alape (com boina), membro do Secretariado das FARC e do comandante Gallero, ELN, do Bloco Guerrilheiro de Bolívar do Sul logo após uma coluna combinada das duas organizações guerrilheiras abater dezenas de paramilitares e destruir cinco fortificações desses irregulares que são apoiados e operam helicópteros fornecidos pelo exército colombiano; FOTO: Dick Emanuelsson.
O Exército de Libertação Nacional [Ejercito de Liberación Nacional (ELN)] e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Exército do Povo [Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia, Ejército del Pueblo (FARC-EP)], inspirados nos mais profundos sentimentos de irmandade, solidariedade e companheirismo, com otimismo e alta moral de combate, unidos num forte abraço de esperança na mudança revolucionária, reuniram-se para analisar a situação política nacional e internacional, os problemas da guerra e da paz na Colômbia e avançar no processo de unidade que, desde 2009, vêm forjando passo a passo, com o propósito de fazer convergir ideias e ações que permitam enfrentar, ao lado do povo, a oligarquia e o imperialismo – elementos que impõem a exploração e a miséria.

Absoluto dever nosso, que não se rende, é continuar na busca de uma paz que, para a Colômbia e para o continente, signifiquem o estabelecimento da verdadeira democracia, da soberania popular, da justiça social e a liberdade.

Realizamos esta reunião, em momento em que se desenrola a mais profunda crise do sistema capitalista mundial, caracterizada por desavergonhada sequência de guerras de invasão, de saque e de sobre-exploração dos recursos da natureza, com precarização das condições de trabalho, que condenam à fome e à morte milhões de seres humanos num planeta governado pela voracidade do imperialismo, rumo ao caos e à destruição.

Em nossa pátria, as calamidades geradas por este sistema de super-exploração desumana e exclusão dos mais pobres aumentou a desigualdade e aprofundou a confrontação de classes, em dimensões jamais vistas antes, as quais derivam diretamente da aplicação ininterrupta e descontrolada de políticas neoliberais, que favorecem os grandes grupos financeiros e as grandes corporações transnacionais, em detrimento das maiorias nacionais.

No panorama internacional de crise sistêmica do capital, que mostra seus vários rostos, de debâcle financeiro, econômico, ambiental, urbanístico, energético, militar, político, institucional, moral e cultural, a Colômbia configura-se como país de economia reprimarizada e financeirizada.

A essa condição os detentores do poder arrastaram a Colômbia, para permitir o saque que se faz pela extração sem limites, o roubo de recursos naturais e a especulação financeira. Milhões de colombianos foram jogados na miséria e na guerra, imposta pelas elites para calar o inconformismo das maiorias ante essa iniquidade.

O governo de Juan Manuel Santos foi instaurado para garantir a continuidade dos planos de despossessão por roubo, que o imperialismo impõe ao povo colombiano. Uma nova espacialidade do capital, acompanhada de ordenamentos jurídicos e disposições militaristas de segurança e defesa, imersas ainda na velha Doutrina da Segurança Nacional e terrorismo de Estado, aplica-se em nosso país, para blindar os ‘direitos’ do capital, o bem-estar dos ricos, à custa dos trabalhadores e do povo mais humilde.

Sob essa perspectiva, define-se a nova etapa de saque de terras, hoje disfarçada sob o falso nome de “restitución”. Na prática, aos milhões de deslocados e vítimas de sucessivas etapas de expulsão violenta patrocinada pelo Estado, somam-se agora novas legiões de camponeses, indígenas e gente pobre em geral, aos se arrebatará ou se negará a terra, mediante procedimentos de falsa legalidade, o que engrossará os números da pobreza e da indigência que põem a Colômbia como o terceiro país mais desigual do mundo.

Esse é o sentido cruel da segurança para os investidores e de prosperidade, que o presidente Juan Manuel Santos propagandeia, ao mesmo tempo em que segue encarcerando, assassinando e reprimindo todos os opositores.

Frente a essa realidade, não pode haver outro caminho para os revolucionários que a unidade e a luta, a ação de massas nas ruas, o levante popular no campo e nas cidades, desafiando a criminalização dos protestos e exigindo do governo ações reais na direção da paz, que não podem ser senão a solução dos problemas sociais e políticos que as maiorias enfrentam, por causa do terrorismo de Estado da casta governante, cujas tendências mais belicistas conduziram os destinos do país na última década.

Não será com demagogia e ameaças de repressão e mais guerra que se porá término ao conflito. Não será com compra de mais material bélico, nem entregando a Colômbia ao Pentágono que se chegará à paz. Não será com planos militares e soluções de terra arrasada – como o “Plano Patriota” ou “Espada de Honra” – que se alcançará a reconciliação dos colombianos. Muito menos com ‘'ultimatos'’ à guerrilha, brotados da ideia vã de que a paz seria resultado de alguma quimérica vitória militar do regime, que teria conseguido por de joelhos a guerrilha, rendida ou desmobilizada, ante esse patético chamado ‘'marco jurídico'’ para a paz de que o governo cogita.

Nossa vontade de paz radica no convencimento de que o destino da Colômbia não pode depender dos interesses nefastos da oligarquia. As mudanças políticas e sociais, com participação e decisão plenos do povo são necessidade e exigência inafastáveis. Mas a unidade e a mobilização do povo a favor das mudanças estruturais, baseadas na justiça e para construir a paz são as únicas verdadeiras chaves para que alcancemos a paz.

A passos firmes, na unidade de pensamento e ação, assinam, fraternalmente,

COMANDO CENTRAL, ELN
SECRETARIADO DEL ESTADO MAYOR CENTRAL, FARC-EP
Montanhas da Colômbia, setembro de 2012

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

domingo, 4 de julho de 2010

46 años de lucha revolucionária del Ejercito de Liberación Nacional de Colombia

4 de julio de 1964 - 2010

Entrevista del comandante Pablo Beltrán, del Comando Central del ELN de Colombia, con Olga Abreu de la agencia PREALA, Prensa Alternativa Andina. Quito, Julio de 2.010.

PREALA: LOS PUEBLOS AMERICANOS EN LA ÚLTIMA DÉCADA HAN CONQUISTADO GRANDES REIVINDICACIONES, SIN RECURRIR A LA TOMA DEL PODER POR LA VÍA ARMADA, ¿ESTA, SIGUE SIENDO NECESARIA EN COLOMBIA?

CTE. PABLO BELTRAN: El plan de Estados Unidos y de las elites colombianas de guerra sucia contra las reclamaciones populares obligó al alzamiento armado de 1964, año en que nacimos, las FARC el 28 de mayo y el ELN el 4 de julio.

Dicha agresión persiste y en consecuencia nuestra respuesta insurgente, es una de las formas con que el pueblo colombiano sigue luchando para lograr paz, con justicia y soberanía.

PREALA: ¿CREE USTED QUE 0BAMA CAMBIARÁ SU PLAN DE GUERRA EN COLOMBIA?

CTE. PB: No da muestras de ello. Por el contrario, mientras allá em EEUU reconocen por primera vez de manera oficial el fracaso de cuatro décadas de “guerra anti drogas”, los funcionarios estadounidenses que a diario pasan por Bogotá siguen recitando los lemas de Bush, para justificar el terror de Estado hecho por esa oligarquía, encabezada ahora por Santos, el campeón de los asesinatos extrajudiciales y lãs desapariciones de oponentes y de miles de ciudadanos comunes y corrientes, que no tienen que ver nada con la disidencia o la rebeldía.

PREALA: ¿VALORA POSIBLE QUITAR EL PLAN DE EEUU PARA COLOMBIA?

CTE. PB: Si las demás naciones americanas están cambiando el plan trazado en Washington, por uno propio y consensuado con pueblos hermanos, es indudable que nosotros también seremos capaces.

PREALA: PERO, SANTOS TRIPLICÓ EN VOTOS AL CANDIDATO CENTRISTA, LO QUE ASEGURA POR CUATRO AÑOS MÁS, LA APLICACIÓN DE LA AGENDA DE EEUU PARA COLOMBIA.

CTE.PB: Si es así. Pero quienes votaron por la opción de centro,quieren un cambio y se niegan a que el lema “todo vale”, impuesto por el capital mafioso, siga rigiendo el destino de los colombianos.

PREALA: ESA FRANJA CENTRISTA TAMBIÉN LOS RECHAZA A USTEDES, LOS INSURGENTES.

CTE.PB: Rechaza a la insurgencia y sobre todo, cualquier camino de izquierda. Es el resultado de ocho años de gobierno de extrema derecha, de crudo terror de Estado, que silenció toda oposición y acalló a los revolucionarios al calificarlos de “terroristas”. Así… ¿quién iba a votar por la izquierda?

PREALA: ¿CÓMO ACERCARSE A LOS CENTRISTAS PARA ACORDAR UN ÚNICO PROGRAMA DE CAMBIOS, SI ELLOS NO SE CONSIDERAN INTERLOCUTORES DE LOS REVOLUCIONARIOS?

CTE.PB: Ningún candidato o movimiento es el dueño de los sueños de cambio de gran parte de los colombianos. El futuro para nuestro país, está en salir de la polarización actual, superando la agenda colonialista de Santos, para abrir una vía de democratización de la sociedad, sin que por ello se piense, que entonces se van a hacer transformaciones socialistas.

PREALA: EN ESA FUTURA DEMOCRATIZACIÓN, ¿DEJARÍA DE EXISTIR LA GUERRILLA?

CTE.PB: Sigamos con las suposiciones optimistas. Si un día cualquiera, esta oligarquía cesa en su voluntad genocida, dejarían de existir lãs condiciones para el alzamiento armado del pueblo colombiano. Pero para llegar a esa tierra prometida, hay que forzarlos a que cambien su adicción a la guerra, la imposición y la exclusión, y la reemplacen por una conducta de debate, acuerdos, cooperación e inclusión, que hagan posible los cambios estructurales que exige el pueblo colombiano. Y lo que muestra la vida, es que tanto Obama como Santos siguen muy hundidos en la primera y lejos de la segunda.

PREALA: SI LA SOCIEDAD COLOMBIANA IMPONE UN SALIDA DE PAZ PARA EL CONFLICTO INTERNO, ¿USTEDES LA ACATARÍAN?

CTE.PB: Nuestra guerrilla lleva más de dos décadas aportando a crear conciencia en el pueblo sobre la necesidad de una salida política para el conflicto social, político y armado que vive Colombia. Nunca nos la van a imponer, porque nosotros la promovemos.

PREALA: ME ESTA DICIENDO QUE HACEN CAMPAÑA POR LA PAZ, ¿ASÍ ELLA TRAIGA LA DESAPARICIÓN DE LA GUERRILLA?

CTE.PB: Así es. Las contradicciones mueven la vida. Con lo que me acuerdo de un pensamiento del gran Camilo Torres, el cura guerrillero, quien nos enseñó que el ELN sólo dejaría las armas, cuando el poder estuviera en manos del pueblo.

PREALA: ¿COINCIDEN ENTONCES CON SANTOS, QUIEN TAMBIÉN QUIERE QUE LA GUERRILLA DESAPAREZCA?

La oligarquía quiere desaparecer todo rastro de oposición y para ello, cuando hace propaganda diciendo que llama al diálogo, debe entenderse que te están diciendo, escoja entre rendirse o entregarse. Nosotros decimos otra cosa: cesen en su bicentenaria guerra en contra del pueblo y sólo entonces, acabaran las condiciones que reproducen el alzamiento armado popular. Porque este es un asunto histórico, que va más allá del último medio siglo de lucha armada revolucionaria.

CTE.PB: AL ENCONTRARSE CONTRAPUESTAS DOS VISIONES PARA CONSEGUIR LA PAZ, ¿EXISTE ALGÚN CAMINO VIABLE PARA COLOMBIA?

PREALA: A él le apostamos. Estamos comprometidos con la configuración de una propuesta de nuevo país, democrático y soberano, en el que sea posible llegar a una solución política del conflicto. Camino que debe imponer la sociedad colombiana y en cuya construcción venimos haciendo nuestro aporte, en contravía de una elite que se aferra a sus privilegios y de un imperio que quiere seguir saqueando y agrediendo, pero que ahora pide que lo llamen de otra forma.

PREALA: ENTONCES ¿HABRÁ GUERRILLA PARA LARGO RATO?

CTE.PB: Habrá guerrilla mientras haya colonialismo e imperialismo. Surgirán guerrillas en todo el continente, ante cada golpe militar oligárquico y para enfrentar cada invasión imperialista. El sabio Marx ya lo enseñó: el pueblo en armas reemplazará a la maquinaria burocrática militar estatal.

!De la Resistencia al Poder Popular!

Frente Internacional "Milton Hernández"

Sistema Informativo Patria Libre

ELN de Colombia

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pentágono, guerrilha Talibã & lápis-lazúli... Os motivos do New York Times

16/6/2010, Jim Lobe, Asia Times Online – Traduzido por Caia Fittipaldi


WASHINGTON. O timing da publicação de grande reportagem no New York Times sobre enormes jazidas de minerais preciosos ainda não exploradas no subsolo do Afeganistão está despertando curiosidade e muitas perguntas sobre as intenções do Pentágono, que distribuiu a informação.


Dadas as notícias cada dia mais negativas sobre a situação no Afeganistão – e sobre a estratégia dos EUA –, analistas creem que a matéria de primeira página visa a reverter o sentimento que cresce na opinião pública, de que a guerra não vale o que custa.


“Que melhor meio para lembrar todos de que o país tem brilhante futuro a esperar – e “todos”, aí, significa os chineses, os russos, os paquistaneses e os norte-americanos –, do que requentar e divulgar informação correta (mas não desconhecida) sobre a riqueza potencial do Afeganistão?” escreveu Marc AmBinder, editor político da revista The Atlantic, em seu blog.


“O modo como a história foi apresentada – com nada menos que citações de declarações oficiais já publicadas do comandante-em-chefe do CENTCOM [general David Petraeus] – e a suspeita promoção de um sub-do-sub assessor da secretaria de Defesa ao cargo de subsecretário de Defesa [Paul Brinkley] sugerem operação ampla e planejada de propaganda e informação com o objetivo de influenciar a opinião pública sobre o curso da guerra” – acrescentou AmBinder.


O artigo – cerca de 1.500 palavras[1], baseado quase completamente em fontes do Departamento de Estado e publicado como matéria principal da 2ª-feira de "Early Bird", compilação das matérias consideradas mais importantes para a segurança nacional que o Pentágono distribui diariamente – informava que o Afeganistão tem reservas não exploradas de minérios e pedras preciosas avaliadas em cerca de 1 trilhão de dólares. Aí incluídos “imensa s reservas de ferro, cobre, cobalto, ouro e metais industriais críticos, como o lítio” – nas palavras do jornal.


O produto interno bruto anual do Afeganistão é de cerca de 13 bilhões. O comércio ilegal de narcóticos exportados é estimado em cerca de 4 bilhões/ano.


“Memorando interno do Pentágono” entregue a James Risen, que escreve no Times, prevê que o Afeganistão poder-se-ia converter na “Arábia Saudita do lítio” – matéria prima essencial para a fabricação de baterias para laptops e telefones celulares [Blackberrys]”.


“Há aqui espantoso potencial”, Petraeus disse a Risen em entrevista, no sábado. “Há muitos ‘se’, é claro, mas penso que são potencialmente muito, muito significativas”, disse, sobre as conclusões de um estudo levado a cabo por “pequena equipe de oficiais do Pentágono e geólogos norte-americanos.”


O governo do presidente Hamid Karzai do Afeganistão, cujos recentes esforços para iniciar um processo de reconciliação com os guerrilheiros Talibãs foram criticados pelo Pentágono, pegou o pião na unha. Em conferência de imprensa arranjada às pressas na 2ª-feira, o porta-voz de Karzai, Waheed Omar, disse que a matéria de NYT trazia “as melhores notícias que recebemos, há muitos anos, no Afeganistão”.


Outros analistas, contudo, sugerem que as notícias sobre a riqueza do subsolo afegão nada têm de novidade. Karzai falou sobre o assunto em janeiro; disse que “os recursos minerais do Afeganistão chegam a 1 trilhão de dólares”, segundo a rede Bloomberg.


Como observou Blake Hounshell, editor-chefe da revista Foreign Policy, o Serviço de Geologia dos EUA também já publicou inventário detalhado dos recursos do subsolo afegão, sem considerar o petróleo, pela internet, em 2007; o mesmo fez também o BSG, British Geological Survey. Nos dois casos, os relatórios valem-se das pesquisas desenvolvidas pela URSS, durante a ocupação do Afeganistão nos anos 1980s.


Stan Coats, ex-geólogo-chefe da BGS, que pesquisou o subsolo afegão durante quatro anos, acrescentou uma nota de precaução. “É preciso ainda trabalhar muito, antes que se possa afirmar com segurança que um ou outro minério possa ser extraído em projeto comercialmente viável”, disse ele ao jornal The Independent. “Temos ainda de trabalhar muito, inclusive perfurar algumas áreas, para saber se esses depósitos têm condições de serem explorados e se nos interessa explorá-los”.


Mas, acrescentou ele, apesar de a situação de segurança degradar-se a olhos vistos, ainda há áreas relativamente seguras – “e, portanto, há perspectiva para muito trabalho, ainda, por lá”.


O valor de 1 trilhão de dólares, de que fala o New York Times, é simples atualização das estimativas já existentes do valor de cada minério, para as cotações de hoje, segundo Hounshell.


Por tudo isso, o principal problema, para muitos observadores, é por que o artigo – presente e dominante em praticamente todos os noticiários sobre política internacional, em todo o ciclo de notícias da 2ª-feira – apareceu publicado agora no NYT?


O memorando do Pentágono parece ser esforço para atrair o interesse internacional para o setor de mineração, antes do leilão, nas próximas semanas, da mina de ouro (1,8 bilhões/tonelada) em Hajigak, cujo valou pode chegar a 5-6 bilhões, segundo o Times britânico. O desenvolvimento do maior depósito conhecido de ferro foi interrompido pela guerra e fracassou, em mãos de instituições frágeis.


O memorando do Pentágono coincidiu também com uma visita à Índia, de Wahidullah Shahrani, o novo ministro afegão de Minas, para solicitar que se apresentem propostas ao leilão da mina de Hajigak, depois de a concorrência planejada ter sido cancelada ano passado por falta de interessados internacionais, conforme notícias do Times. Shahrani foi nomeado ano passado, com apoio dos EUA, em janeiro, depois de seu antecessor ser demitido sob acusações de ter recebido suborno de uma mineradora chinesa – acusação que o ex-ministro rejeitou.


Funcionários afegãos e ocidentais querem que haja várias propostas no leilão da mina de Hajigak, para evitar que os chineses consigam ganhar controle sobre os recursos naturais afegãos, mediante propostas pesadamente subsidiadas por Pequim, noticiou o Times. O jornal registra também que empresas europeias e norte-americanas teriam dito que Pequim usa métodos ilegais para conseguir contratos.

Em 2007, a mineradora estatal Metallurgical Corp of China obteve licença para explorar as minas de cobre de Aynak, a mais rica jazida desse metal no Afeganistão, cuja mineração estava interrompida pela guerra desde os anos 1980s, segundo a agência Bloomberg. Essa jazida guardaria um total estimado de 11 milhões de toneladas de cobre, segundo estimativa, em 2008, da Jiangxi Copper, parceira naquele projeto, citada pela mesma rede.


A existência dos minérios também levanta questões sobre motivos que outros países possam ter para envolvimento no conflito afegão. Os afegãos reclamaram que o ocidente está à caça de seus recursos naturais, exatamente como muitos iraquianos muitas vezes disseram que a invasão pelos EUA explicava-se pela ambição de controlar o petróleo (115 bilhões de barris, da reserva já conhecidas, terceira maior reserva nacional, depois só de Arábia Saudita e Irã).


Risen, escrevendo para o New York Times, sugeriu resposta à questão do interesse do Pentágono em requentar o tema nesse momento: “funcionários dos EUA e Afeganistão concordam com discutir as descobertas do subsolo, em momento difícil da guerra no Afeganistão”.


De fato, o número de baixas de soldados dos EUA e da OTAN aumentou muito nas últimas semanas; a ofensiva dos soldados antiguerrilhas que já dura quatro meses, para “limpar, chegar e ocupar” a região estratégica em torno de Marjah na província de Helmand dominada pelos Pashtuns, parece não estar dando os resultados esperados; e ataque planejado e anunciado à e em torno da cidade chave de Candahar já foi adiado por pelo menos mais dois meses.


As últimas pesquisas mostram considerável erosão dos apoios com que Washington contava, na direção de mais guerra, em relação a oito meses passados, quando o presidente Barack Obama acatou as recomendações do Pentágono para que enviasse mais 30 mil soldados ao Afeganistão, de modo a que, nesse verão, lá estejam cerca de 100 mil soldados.


Mais que isso, também o apoio da opinião pública nacional, nos países da OTAN aliados de Washington – que jamais se aproximou da opinião nos EUA em nenhum caso – diminui rapidamente. Países da OTAN e não incluídos na OTAN, excluídos os EUA, têm cerca de 34 mil soldados no Afeganistão.


Na véspera da conferência ministerial da OTAN em Bruxelas, semana passada, o secretário de Defesa Robert Gates lembrou que Washington e seus aliados da OTAN têm muito pouco tempo para convencer a opinião pública nacional em seus países de que a estratégia contra os Talibã estaria funcionando – mensagem que, imediatamente depois, foi logo repetida também pelo comandante da coalizão no Afeganistão, general Stanley McChrystal, e também por Petraeus.


De fato, o governo está empenhado em fazer ampla revisão de sua estratégia no Afeganistão no final desse ano, e Obama havia prometido começar a retirada em julho de 2011.


Obama está sob intensa pressão da mídia de direita e neoconservadora – em muitos casos orientada diretamente por Petraeus – e por políticos republicanos, para atrasar o início da retirada.

A mesma ideia reapareceu semana passada, pela voz de um ex-assessor de Petraeus, tenente-coronel John Nagl (aposentado), especialista em luta antiguerrilha, atualmente presidente do influente Center for a New American Security.


Nagl trabalhou em íntima associação com Petraeus, na elaboração do muito elogiado Manual de Campo da Antiguerrilha, EUA-2006, que dá grande destaque à importância de atuar sobre as percepções da mídia, em toda e qualquer campanha antiguerrilhas.


“A mídia influencia diretamente a atitude dos grupos chave de opinião em relação à contraguerrilha, seu modo de operar e em relação às operações dos guerrilheiros”, escreveram lá. “Essa situação cria uma guerra de percepções entre guerrilheiros e soldados contraguerrilha, que se trava continuamente, usando a imprensa de notícias.”


Nesse sentido, a publicação, no NYT, da história da 2ª-feira, foi considerada, por muitos especialistas, como parte do esforço do Pentágono para reforçar a ideia de dar mais tempo ao esforço dos soldados que combatem a guerrilha Talibã no Afeganistão.

Em entrevista a Laura Rozen, de Politico, ontem, o ex-ministro das Finanças do Afeganistão Ashraf Ghani disse que ele próprio encomendara estudo sobre o subsolo afegão e suas riquezas. “Mas não tenho nem a mínima ideia sobre por que o relatório foi publicado na 2ª-feira” – disse ele.


O artigo original, em inglês pode ser lido em: Pentagon strikes it rich


Nota de tradução:
[1] NYT, 13/6/2010, James Risen,
“U.S. Identifies Vast Mineral Riches in Afghanistan (comentado por Castor e Arnaldo)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Entrevista: Dilma Rousseff para a VEJA

Acabou o “Risco Brasil”

A candidata do PT diz que se foi o tempo de apreensão dos mercados com eleições presidenciais no Brasil e garante que se vencer o pleito vai manter a inflação sob controle

“Temos de continuar ajudando os mais pobres. Temos de garantir que os 190 milhões de brasileiros virem consumidores”

No começo, Dilma Rousseff estranhou o papel de candidata à Presidência da República. Em comparação com o cotidiano acelerado de ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula, as primeiras semanas de pré-campanha lhe pareceram umas férias sem muita graça. Na semana que precedeu sua indicação oficial pelo PT, ela tinha voltado ao ritmo de multitarefas e a mente estava ocupada com os mais diversos assuntos. “Estamos retomando o poder territorial dos bandidos no Rio de Janeiro. Droga se combate com inteligência, força e dando opções de trabalho e lazer aos jovens”, diz ela, animada com os resultados da parceria do governo federal com o governador Sérgio Cabral. Dilma criticou José Serra, o candidato do PSDB, por ter fustigado o governo da Bolívia e sua leniência no combate ao tráfico de drogas. “Lá também vamos precisar de parceria para destruir os centros de refino de coca, e brigar com o governo boliviano não é um bom caminho.” Dilma falou a VEJA sobre drogas, PMDB, juros, inflação, crescimento e sua vida na prisão por crimes políticos no regime militar.

A senhora tem uma vantagem clara sobre o candidato Lula na eleição de 2002. Ninguém fala agora de um “Risco Dilma”. Por quê?

Primeiro, porque não existe Risco Brasil. Nós nos destacamos no cenário mundial como uma nação que tem um rumo, e esse rumo é o correto, com crescimento econômico, estabilidade, instituições sólidas e democracia. O mundo vê isso e sente que não será uma eleição presidencial que vai colocar essas conquistas a perder. Não tem “Risco Dilma” e não tem “Risco Guerra” (referência ao senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, que em entrevista a VEJA em janeiro disse que se seu partido vencer as eleições vai “mexer na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação”). Ele falou tudo aquilo e o mercado nem se tocou. Não aconteceu nadinha de nada.

Estamos de acordo que os alicerces dessa robustez foram lançados durante os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso?

Discordo. Hoje nós temos estabilidade macroeconômica. Nós recebemos um governo sem estabilidade, com apenas 36 bilhões de dólares de reservas. O endividamento do Brasil crescendo, a inflação ameaçando sair de controle, uma fragilidade externa monumental que a gente não podia nem mexer, o dólar a 4 reais. Qual é o alicerce?

A autonomia operacional do Banco Central, as metas de inflação, o câmbio flutuante, a responsabilidade fiscal…

Não tem risco hoje porque nós do governo Lula construímos um país robusto. O que vocês chamavam de “Risco Lula” em 2002 se devia menos ao candidato do que às condições do país naquele momento. Nós recebemos do governo anterior um Brasil frágil. Tínhamos reservas de pouco mais de 36 bilhões de dólares. Hoje temos 250 bilhões de dólares em reservas. O presidente disse que a crise financeira mundial de 2008 era uma marola. Se você comparar com o tsunami que houve nos Estados Unidos e com as ondas que ainda atingem a Europa, nós não tivemos mesmo mais que uma marola. Tanto que a discussão agora é outra. É discutir os 9% de crescimento.

É ritmo de crescimento para chinês nenhum botar defeito. Mas é sustentável?

O prudente para o Brasil nas condições atuais é ter um crescimento de até 6% ao ano. Portanto, esses 9% tendem a baixar. O ritmo de crescimento tende a desacelerar-se progressivamente rumo ao patamar de 6%.

Esse valor de 6% de crescimento seria o tão falado quanto imponderável PIB potencial, acima do qual a inflação dispararia?

Não me sinto confortável com essa noção de PIB potencial, mas está mais do que provado que não podemos abrir mão do controle da inflação se quisermos crescimento com distribuição de renda. Temos de ter uma meta inflacionária e persegui-la. Com inflação, a renda das pessoas, em especial a das mais pobres, escoa. Controlar a inflação é distribuir renda.

Qual seria a política de juros de um eventual governo Dilma?

A taxa de juros real, descontada a inflação, baixou muito no governo Lula. Na verdade, ela nunca foi tão baixa quanto agora. Já foi de 20%, 15% e agora está em 5% a 6%. É um tremendo avanço. Mas dá para melhorar. A maneira de fazer isso é a redução disciplinada e sistemática da relação da dívida líquida sobre o PIB. Nós saímos de 60,6% em 2002 para 40,7% em 2010. A meta é chegar a 2014 com esse valor em 28%. A consequência inexorável disso é a queda dramática da taxa de juros.

A senhora pretende manter o Bolsa Família nos moldes atuais?

Temos de continuar ajudando os mais pobres. Temos de garantir que os 190 milhões de brasileiros virem consumidores. Isso não é possível sem programas sociais. Agora, vocês me digam: tem maior porta de saída do que o crescimento do emprego nos níveis atuais? Tem porta de saída melhor do que o investimento em ensino profissionalizante? Essas são as melhores portas de saída. O Brasil tem escassez de mão de obra em muitos setores. Cortador de cana no Nordeste está virando soldador, operário qualificado.

Por isso mesmo, será que não é hora, para o bem dos próprios beneficiados, de deixar que caminhem com as próprias pernas, que se independam do governo?

Ainda tem muita gente no Brasil com renda de um quarto do salário mínimo. São quase 19 milhões de pessoas nessa situação. Por isso não podemos cortar os programas de distribuição de renda.

Sob muitos pontos de vista, para um político é melhor suceder na Presidência a um antecessor fracassado do que a outro, como é o caso de Lula, que, além de bem-sucedido, é popular e carismático. Isso pesaria muito sobre seus ombros em caso de vitória nas eleições deste ano?

Acho ótima essa herança. O governo do presidente Lula pertence uma parte a mim. Eu não sou uma pessoa que está olhando para o governo com distanciamento. Eu não tenho distanciamento nenhum do governo do presidente Lula. Eu lutei para esse governo ser esse sucesso todo. Honra minha biografia ter participado desse governo e o Lula ter me honrado com a escolha como candidata. Tenho certeza de que o presidente Lula participará do sucesso do meu governo porque ele construiu as bases para eu concorrer. Ele deu condições para que eu faça uma coisa que é dificílima: superar a nós mesmos. O governo Dilma pode superar o governo Lula porque nós construímos um alicerce para isso acontecer. O meu projeto é o dele. E o dele é o meu.

Seu aliado, o PMDB, sempre impediu que a reforma política andasse. Por que com a senhora seria diferente?

Já foi diferente com o Lula, embora muita gente insista em negar essa realidade. O que caracteriza o governo Lula foi ter construído uma aliança em torno da governabilidade e de projetos. Os ministros do PMDB demonstraram a mesma dedicação aos projetos que os ministros do nosso partido.

Falando em aliados, como a senhora lidaria com Hugo Chávez, o venezuelano que ignora os princípios democráticos básicos?

Não é preciso concordar com as práticas dele, mas não podemos interferir diretamente no que ele está fazendo. O Brasil é um modelo de país que respeita a liberdade de imprensa, que respeita empresas, que respeita contratos, que defende e aprimora a democracia. Tenho certeza de que nosso modelo acabará influenciando positivamente nossos vizinhos e aliados. O Brasil pode dar o exemplo pelo diálogo e pelo respeito. O que não pode fazer é impor.

Como a senhora avalia o episódio recente do pedido de demissão do jornalista que, a serviço de seu partido, contratou arapongas para espionar adversários e até aliados?

É muito difícil essa conversa. É um assunto que girou em torno de documentos que ninguém viu nem sequer sabe se existem e de uma coisa que nunca chegou a se concretizar. Por isso prefiro concentrar minha resposta sobre a linha de conduta geral da campanha. Na minha campanha, não vou admitir nenhuma prática que não respeite o adversário, que não tenha princípios éticos claros e que não honre o fato de termos o governo com a maior aprovação da história recente deste país. A minha decisão é manter uma campanha de alto nível.

De tanto cumprir cadeia política durante a ditadura Vargas, o grande escritor Graciliano Ramos, um tipo depressivo, saiu-se com essa: “É-me indiferente estar preso ou solto”. A senhora chegou a ter um sentimento parecido?

Não. Nos cárceres da ditadura militar, sempre ansiei pela liberdade. Mas entendo bem a que o Graciliano se refere. Existe a figura do preso velho, conhecedor dos caminhos dentro da cadeia. Isso dá uma certa sensação de controle que, ao final da minha pena de três anos, tornava a prisão menos insuportável. Eu tinha um esconderijo de livros e, com a ajuda do dentista da penitenciária, trocava bilhetes com meu marido, preso na ala masculina. Contávamos com algumas boas almas entre os carcereiros, e o capelão militar deu-me uma Bíblia, que, para passar pela fresta da porta da cela, teve sua capa arrancada. Um sargento detonou, sem querer, uma bomba de gás lacrimogêneo perto das celas e abriram um inquérito para apurar responsabilidades. Nós, as presas, sabíamos quem era o culpado, mas decidimos não identificá-lo. Com isso caímos nas graças dos sargentos. Enfim, o preso velho começa a acomodar seus ossos naquele ambiente.

Em situações extremas as pessoas costumam ter reações inesperadas. Quem era forte revela-se um fraco. O frágil se transforma em valente. A senhora se viu na cadeia, sob tortura, tendo reações surpreendentes?

É um pouco mais complexo do que você imagina. Depende muito do seu momento. A mesma pessoa pode estar forte um dia e em outro desabar – ou estar entregue e, de repente, encontrar forças descomunais que não sabia possuir. É o momento que manda, e você não manda no seu momento.

A sua opção pela luta armada na juventude vai ser um assunto da campanha eleitoral. As pessoas querem saber se a senhora deu tiros, explodiu bombas ou sequestrou.

Estou pronta para esse debate. Pertenci a organizações políticas que praticaram esses atos. Mas eu jamais me envolvi pessoalmente em alguma ação violenta. Minha função era de retaguarda. Os processos militares que resultaram em minha condenação mostram isso com clareza. Nunca fui processada por ações armadas. Tenho muito orgulho de ter combatido a ditadura do primeiro ao último dia. A ditadura foi muito ruim. Cassaram os partidos políticos, fecharam órgãos de imprensa, criaram mecanismos de censura, torturaram… Mas o pior de tudo é que tiraram a esperança da minha geração. Quem tinha 15 ou 16 anos de idade quando foi dado o golpe de 64 não enxergava o fim do túnel. De um jovem cheio de energia e sem esperança podem-se esperar reações radicais.

É fácil falar vendo o filme de trás para a frente, mas hoje parece indiscutível que o pessoal da luta armada não queria a volta da democracia, mas apenas trocar uma ditadura de direita por outra de esquerda. A senhora tinha consciência disso?

Olha aqui, no meio da luta essas coisas nunca ficavam claras. O objetivo prioritário era nos livrar da ditadura, e lutamos embalados por um sentimento de justiça, de querer melhorar a vida dos brasileiros. Foi um período histórico marcante em todo o mundo. Os jovens franceses estavam nas barricadas de maio de 68. Jovens americanos morriam baleados pela polícia nos câmpus universitários em protesto contra a Guerra do Vietnã, a mais impopular das guerras dos Estados Unidos, um conflito que aos nossos olhos tinha uma potência tecnomilitar agressora sendo derrotada por um país pequenino, mas valente. Nossa simpatia com o lado mais fraco era óbvia. Depois daquela fase eu continuei lutando pela democracia no antigo MDB e no PDT. Nesse processo, eu mudei com o Brasil, mas jamais mudei de lado.