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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Pepe Escobar: “Casa de Saud-Likudniks: o Eixo do Terror”

Bandar, o Faz-Tudo...  

20/11/2013, [*] Pepe Escobar, Asia Times Online – The Roving Eye
Traduzido pelo pessoal,da Vila Vudu

Atentado terrorista contra a Embaixada do Irã em Beirute em 19/11/2013
O duplo ataque de suicidas-bomba contra a embaixada do Irã em Beirute – com pelo menos 23 mortos e 170 feridos – foi ataque terrorista de facto, bem no dia 19/11. Numerologicamente considerados os eventos, o 9/11 vem logo à cabeça; e sinais de uma metástase da guerra-ao-terror declarada por Washington – e promovida em larga medida por modalidades as mais infectas da “inteligência” saudita.

Ninguém conta com que o “ocidente” condenará esse terror como terror. Basta ler as manchetes: tudo já foi normalizado e só se ouviram “estouros” – como se crianças estivessem brincando com busca-pés.

Bandar bin Sultan
Tenha sido obra de alguma obscura brigada ligada à al-Qaeda, ou dos asseclas do espião-chefe saudita príncipe Bandar bin Sultan (codinome: Bandar Bush), o ataque do terror em Beirute está configurado como provocação tamanho gigante, viabilizada pelos sauditas. A maior agenda saudita na Síria implica detonar o Hezbollah e o Irã também dentro do Líbano. Se acontecer, Israel também vence. Mais uma vez, eis perfeita ilustração, em cores, do que é a Casa de Saud – Likudnik em ação.

Mas há nuances. A estratégia de Bandar Bush, coordenada com jihadistas, sempre teve a ver com tentar arrastar o Hezbollah para combater dentro da Síria. Quando o Hezbollah foi para a Síria, mas com apenas algumas poucas centenas de combatentes, os jihadistas escafederam-se para longe do campo de batalha, para implementar um plano B: explodir e fazer voar crianças e mulheres inocentes, aos pedaços, pelas ruas do Líbano.

O Hezbollah não é de fugir da luta e seja onde for; mas a posição de Teerã é mais cautelosa. Teerã não quer guerra declarada contra os sauditas – não, pelo menos, por enquanto, com a negociação nuclear, crucial, posta sobre a mesa em Genebra, e quando (ainda) há a possibilidade de uma reunião Genebra-2 sobre a Síria. Mas a Casa de Saud não quer saber de Genebra-2, nem agora nem nunca, porque a única coisa que a Casa de Saud tem a propor é “mudança de regime”.

Quanto à Síria, o principal pilar da estratégia de Bandar Bush é converter o antes Exército Sírio “Livre” num “exército nacional” de cerca de 30 mil combatentes calejados e pesadamente armados – a maioria dos quais saídos das fileiras do “Exército do Islã”, que não passa de denominação-fachada para a al-Qaedesca Frente al-Nusra. O reizinho de Playstation da Jordânia, também conhecido como rei Abdullah, colabora para a operação e fornece campos de treinamento em áreas próximas à fronteira síria. Aconteça o que acontecer, só há um desdobramento garantido: os asseclas de Bandar Bush atacarão novamente, com mais suicidas-bomba, no Líbano e na Síria.

O eixo sionista/wahhabista/salafista

As escabrosas Brigadas Abdullah Azzam ligadas à al-Qaeda existem em teoria desde 2005, distribuindo bombas cá e acolá. Um xeique, Sijareddin Zreikat, assumiu, pelo Twitter, a responsabilidade pelo ataque terrorista em Beirute. Estranho, muito estranho, estranhíssimo: a declaração foi “descoberta” e traduzida ao inglês pela página de desinformação de Israel na internet. [1]


Também outra página de desinformação mantida pela inteligência israelense na internet, DEBKAfile, publicou que o ataque terrorista teria sido complô de Irã/Hezbollah, segundo num “alerta saudita” que chegou a agências de inteligência ocidental, inclusive a Israel”. [2] A ideia, segundo a “inteligência saudita”, seria convencer “os combatentes do Hezbollah, alistados contra sua vontade, a irem lutar na guerra síria”.

Dizer que é argumento patético, seria esquecer que é ridículo. O Hezbollah está empenhado, basicamente, em defender a fronteira libanesa-síria, e tem apenas umas poucas centenas de combatentes em território sírio. E mais: nem um colar de suicidas-bomba conseguirá jamais impedir o Hezbollah e Teerã de voltarem a controlar o que realmente interessa no contexto estratégico sírio: a área de Qalamon.

Mapa da região de Qalamon na fronteira Líbano-Síria
(clique no mapa para aumentar)
Qalamon, cercado por montanhas, é um pedaço de terra de 50 quilômetros à beira do vale do [rio] Bekaa no Líbano, entre Damasco e al-Nabk, exatamente no corredor absolutamente crítico que vai de Damasco a Homs, da rodovia M5. O exército sírio está em plena ofensiva em Qalamon. É simples questão de tempo; e o exército sírio terá novamente controle sobre a área. Significa controlar a via para chegar a Damasco pelo norte. O Hezbollah está ajudando na ofensiva a partir do vale do Bekaa. Absolutamente não significa que, depois, permanecerá na Síria.

Agora, quanto à acusação de “autoataque” e “complô”. No que tenha a ver com ataques autoinfligidos, basta reexaminar três atentados internacionais que teriam, supostamente, vitimado Israel. Na Índia, a bomba não tinha projéteis; apenas arranhou um ataché israelense. No Azerbaijão, a bomba foi miraculosamente “descoberta” antes de explodir. E na Tailândia explodiu antes da hora e só feriu um iraniano.

A escandalosa campanha israelense de desinformação acaba desmascarada, mesmo, é na conclusão:

(...) se Teerã é capaz de tais atrocidades só como tática diversionista, então talvez seja hora de os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin examinarem com severa atenção o interlocutor deles naquela mesa de negociações, antes de assinarem qualquer grande acordo na 4ª-feira, 20/11, que deixe intacto o programa nuclear do Irã.

Assim se vê que a coisa está diretamente ligada à histeria israelense de hoje sobre as negociações de Genebra, que também inclui a milésima matéria em jornal do grupo News Corporation, o London’s Sunday Times, que repete que a Arábia Saudita ajudará Israel a atacar o Irã. [3]

Liga-se também à repetição padrão, incansável, eterna, pela mídia norte-americana de que, “em termos estratégicos, essa aliança de-facto entre israelenses e sauditas é oportunidade extraordinária para Israel”. [4]

Até esses veículos têm de admitir que a Casa de Saud está “bloqueando a formação de qualquer governo no Líbano, por exemplo, para obstruir o Hezbollah, aliado do Irã”. Mas a palavra “bloqueando” aparece aí como eufemismo para “[os sauditas] estão usando homens-bomba como instrumento de bloqueio eleitoral”.

Na sequência, vem o cúmulo de pensamento desejante-delirante fantasiado de “análise”: o primeiro-ministro de Israel Bibi Netanyahu “trabalha para substituir os EUA como protetor militar do status quo”. Traduzindo: os Likudniks deliram que conseguirão ser os novos patrões militares dos wahhabistas dos petrodólares.

Os faz-tudo

A estratégia de Bandar Bush – armar e dar cobertura a salafistas, jihadistas e a todo e qualquer tipo de mercenário ou doido que haja entre uma coisa e a outra – prosseguirá impávida. Depois que Bandar Bush convenceu Washington a livrar-se dos qataris amigos da Fraternidade Muçulmana, os sauditas são o canal, no que tenha a ver com guerra total. A máquina de Bandar Bush tem contatos com virtualmente todos os grupos e subgrupos de jihadistas no Levante.

George H. Bush reunido na Casa Branca com o príncipe Bandar Bush Bin Sultan, então embaixador saudita nos EUA ,  em 1/3/1991 em Washington. (Ron Edmonds)
Ajuda muito que Bandar tenha a cobertura perfeita a protegê-lo: ele conhece e conversa com todos os atores significativos em Washington. Nos EUA, Bandar Bush continua a ser herói imbatível; já foi comparado até ao Grande Gatsby. [5]

OK. Então, me chamem de Daisy.

Verdade é que, mesmo depois de sua embaixada ter sido atacada no Líbano, o Irã mantém atitude muito bem calibrada. A prioridade são as negociações nucleares em Genebra, com o parceiro que realmente interessa, os EUA. Isso explica que o Irã esteja atribuindo o ataque terrorista em Beirute, aos proverbiais “sionistas”, não aos jihadistas aparelhados pelos sauditas, que fazem pose de “rebeldes” e são parte da nuvem que cerca Bandar Bush.

Mas, pelo menos aqui, basta de duplifalar orwelliano. O que houve em Beirute foi um ataque terrorista, que Israel elogiou e que foi viabilizado, do começo ao fim, pelos sauditas: ação em cores e ao vivo, do eixo Likudniks & Casa de Saud.



Notas de Rodapé
[1] 19/11/2013, “Al-Qaida-linked group claims responsibility for deadly Beirut attack [Grupo ligado à al-Qaeda assume responsabilidade por ataque mortal em Beirute], Ha’aretz.
[2] 19/11/2013, Incredible! Beirut bombings killing 25 people were self-inflicted by Iran and Hizballah as a diversionary tactic [Incrível! 25 mortes em Beirute autoinfligidas por Irã e Hezbollah, como tática para desviar a atenção], DEBKAfile.
[3] 17/11/2013, Russia Today, Israel, Saudi Arabia Unite For Attack On Iran.
[4] 15/11/2013, Washington Post, The stakes of an Iranian deal.
____________________

[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política do blog Tom Dispatch e correspondente/articulista das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Sayyed Nasrallah, do Hezbollah: “Síria não cairá em mãos infiéis de EUA ou Israel”


1/5/2013, Sara Taha Moughnieh, Al-Manar TV (parte 1)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O Secretário-Geral do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah fez ontem discurso televisionado, no qual tratou de questões relacionadas ao inimigo sionista, à crise na Síria e a combatentes e mártires do Hezbollah.

Sayyed Nasrallah avisa “Israel: não cometa nenhuma loucura no Líbano”
Sua Eminência repetiu que o Hezbollah nada teve a ver com um drone que teria sobrevoado a Palestina ocupada:

Dada a situação sensível na região, e porque não enviou nenhuma aeronave comandada à distância, o Hezbollah distribuiu imediatamente uma declaração bem precisa, em que nega ter enviado qualquer tipo de aeronave comandada à distância para sobrevoar a Palestina ocupada.

Sayyed Nasrallah continuou:

O Hezbollah sempre assume plena responsabilidade pelas próprias ações, sobretudo quando tenham a ver com o inimigo israelense.

Acrescentou que:

(...) o que foi dito sobre esse drone não foi mais importante ou mais perigoso que a responsabilidade do Hezbollah sobre o drone Ayyoub, que voou sobre a Palestina e chegou a Dimona.

Explicou que não nega que uma aeronave possa ter entrado nos territórios ocupados, mas

(...) não há provas disso. Até agora, os israelenses não divulgaram nenhuma imagem, nenhum vídeo que comprove que tenham realmente derrubado o veículo aéreo que dizem ter atacado.

Sayyed Nasrallah discutiu várias possíveis explicações sobre quem possa ser responsável por aquele drone. Excluiu a primeira, segundo a qual os Guardas Revolucionários do Irã teriam enviado o drone contra a entidade sionista; considerou-a:

(...) irrealista e fantasiosa.

A segunda explicação que circulou, segundo a qual algum grupo libanês ou palestino teria capacidade para enviar um pequeno drone para sobrevoar a Palestina, tampouco veio acompanhada de qualquer prova.

Uma terceira explicação, de que algum lado inimigo, que não seja a entidade sionista, tenha disparado o drone de território libanês ou não libanês, foi posta em circulação apenas para que “Israel” acusasse o Hezbollah e encontrasse pretexto para operação militar, caso em que o Hezbollah teria de defender-se, o que arrastaria o Líbano para uma situação de confronto, nesse caso, entre Israel e o Hezbollah.

A quarta explicação é que “Israel” tenha enviado o drone para sobrevoar o Líbano, fê-lo voar sobre os territórios ocupados e depois o derrubou. Essa é a explicação mais razoável e mais verossímil.

Sua Eminência disse que:

(...) estamos acompanhando de perto essa questão. Temos recebido informações preocupantes da região, e há massivo deslocamento de tropas para o norte da Palestina, mas acreditamos que estejam relacionados aos desenvolvimentos na Síria.

Sayyed Nasrallah avisa: “Israel: não cometa nenhuma loucura no Líbano”:

Erra quem suponha que a Resistência é fraca ou vaga. Aqui aviso o inimigo e os grupos e subgrupos que se alinham com ele: não cometam nenhuma loucura no Líbano, porque a Resistência está alerta, preparada e determinada a defender o Líbano. Com a ajuda de Deus, triunfaremos em qualquer batalha futura. Os libaneses dedicam-se atentamente e cuidadosamente à análise de todas essas possibilidades.

Erra quem acusar o Hezbollah, porque há muitas mãos trabalhando contra a causa palestina: norte-americanos, árabes e o Golfo trabalham aí e todos relacionam-se entre eles mesmos para impor novas condições aos palestinos. Tudo isso gera preocupação, porque nesses casos, as novas condições sempre vêm precedidas por agressão armada, para abalar a coragem e a firmeza dos palestinos.

Nos orgulhamos de nossos mártires e os sepultamos publicamente

Sua Eminência comentou também o que chamou de:

(...) “mentiras da mídia” sobre comboios e grande número de mártires. A imprensa inventou um leilão de mártires, disputando quem noticia o maior número de mortes; há notícias de que seriam 500. Ontem, a rede Al-Arabiya falava de 30 novos mártires e outra rede falava de covas clandestinas, enterros clandestinos e “em etapas”.

Sayyed Nasrallah lembrou que: “

(...) o Líbano é país de pequeno território. Onde alguém conseguiria esconder essas centenas de mártires? Nunca, em nossa história, o Hezbollah escondeu os cadáveres de nossos mártires ou os enterramos “em etapas”. Em todos os casos, informamos a família de todos os nossos combatentes mártires e os enterramos publicamente, no dia seguinte.

O enterro de nossos combatentes mártires é sempre público. Nós nos orgulhamos dos nossos mártires, especialmente dos que tombaram nos últimos dois dias.

As notícias sobre grande número de mortos são parte de uma guerra psicológica na qual a mentira deliberada é a principal arma: “minta, minta, minta, até que alguém acredite em você”.

Hoje, o objetivo do inimigo é destruir a Síria

Sobre a crise síria, Sayyed Nasrallah disse que:

(...) o objetivo do inimigo, em todos os eventos que se veem hoje na Síria, já não é excluir a Síria do Eixo da Resistência no confronto árabe-israelense. Já não se trata sequer de ganhar poder a qualquer preço. Pode-se dizer que o objetivo de todos que operam na guerra na Síria é destruir a Síria, impedir que se estabeleça ali um estado organizado e forte, e substituí-lo por estado fraco demais para tomar decisões autônomas sobre o petróleo, o mar, as fronteiras sírias.

Desde o início da crise síria, os militares já haviam decidido derrubar o governo. Para isso, massacraram civis, convocaram a intervenção estrangeira, usaram armas químicas. Houve clérigos que emitiram Fatwas bem claras, que autorizavam o assassinato de civis. De nosso lado, que é o lado da Resistência, sempre pregamos e continuamos a pregar que se construa um acordo político. [1]

Sua Eminência acrescentou:

Por causa do que está acontecendo na Síria, a causa palestina está esquecida e corre grave risco de ser apagada. A situação na Síria também afeta o Líbano, o Iraque, toda a região.

A Síria tem amigos verdadeiros na região e no mundo, que não permitirão que caia em mãos infiéis de EUA e Israel, disse o secretário-geral do Hezbollah, que revelou que: o regime sírio já informou aos negociadores russos os nomes que comporão a delegação síria que participará do diálogo com a oposição. Mas o outro lado continua a recusar qualquer tipo de diálogo.

O Hezbollah entende que todos que dizem lamentar o banho de sangue na Síria, os que não admitem que a causa palestina seja apagada e esquecida e os que se preocupam com o destino da Síria devem unir-se para buscar um acordo político, uma solução política para a situação síria.

O Hezbollah tomará todas as medidas necessárias para proteger os moradores dos arredores de Al-Qusayr [2]

Sayyed Nasrallah disse que :

(...) os ataques contra as vilas nos arredores de Al-Qusayr aumentaram nos últimos dias e circulam informações de que haveria libaneses envolvidos naqueles ataques, o que forçaria o exército sírio a confrontar os agressores e proteger as vilas. Mas... O que fez o governo libanês para proteger os libaneses que vivem em Al-Qusayr? O governo libanês pode mandar o exército proteger essas pessoas?

Nesse contexto, Sayyed Nasrallah disse que:

(...) o máximo que o governo libanês pode fazer é apresentar um protesto à Liga Árabe. De que vale apresentar protestos ao carrasco executor?

Já declaramos expressamente que não deixaremos os libaneses que vivem nos arredores de Al-Qusayr expostos a ataques de grupos armados e que tomaremos todas as medidas necessárias para preservar suas condições de vida.

Sua Eminência acrescentou que há grupos libaneses

(...) emitindo fatwas, falando e enviando dinheiro e militantes para a Síria através do Líbano e outros países. Que não digam que são inocentes nos eventos na Síria.

A destruição da mesquita de Sayyeda Zainab [3] terá graves repercussões

O Secretário-Geral do Hezbollah disse que:

(...) na região de Sayyeda Zainab, onde está o santuário de Sayyed Zainab, filha do Imã Ali, há grupos armados ativos. É questão extremamente sensível, sobretudo depois que grupos infiéis anunciaram que, se chegarem ao local, a mesquita será destruída. Há combates ali e muitos mártires da Resistência. Portanto, os grupos da Resistência que combatem ali estão, de fato, impedindo que a sedição se alastre, não incitando a agitação e o tumulto.

E acrescentou:

Não basta que a oposição e a chamada “Coalizão Síria” oponha-se à destruição daquele lugar santo. Todos os países que apoiam aqueles grupos agressores serão responsabilizados pelo crime, se chegar a acontecer.

E Sayyed Nasrallah avisou:

Se esse crime chegar a consumar-se, haverá repercussões graves.

Os sequestrados em Azaz nada têm a ver com o “conflito político”. Têm de ser imediatamente libertados

Sobre os libaneses sequestrados em Azaz, Sua Eminência disse que:

(...) o prolongamento desse caso é muito doloroso. Por isso os familiares dos sequestrados andam, de um lugar para outro, com seu protesto.

Sayyed Nastallah comentou que:

(...) o prolongamento desse caso, até hoje, obriga a pensar mais detidamente sobre as partes envolvidas e as causas do sequestro.

Se queriam fazer pressão política, fracassaram obviamente, desde o início. Houve boatos de que queriam resgate, e eu declarei que iria pessoalmente a Damasco para resolver o impasse. Mas depois negaram que desejassem resgate.

Sua Eminência disse que:

Negociações conduzidas por Qatar, Turquia e Arábia Saudita não produziram qualquer resultado.

E exigiu a imediata libertação dos sequestrados, que nada têm a ver com o “conflito político”.

Não queremos que o conflito sírio mude-se para o Líbano

Não queremos nenhum conflito no Líbano e não queremos que o conflito sírio mude-se para o Líbano. Sabemos de grupos libaneses que atacaram nos arredores de Al-Qusayr. Conhecemos todos, um a um, pelo nome. Mas nada faremos contra eles, porque nosso principal interesse é preservar o Líbano e não envolver o país em qualquer luta – disse Sayyed Nasrallah.

[Ao longo do dia, prosseguirá a publicação do discurso.]



Notas dos tradutores

[1] Sobre isso ver: 18/4/2012., redecastorphoto, The World Tomorrow em: “Hassan Nasrallah (Hezbollah), entrevistado por Julian Assange

[2] Al-Qusayr é cidade estrategicamente importante, porque está na estrada que liga Damasco à costa. Sobre a situação ali:

Dizem que a oposição controla metade da Síria... Mas não dão conta de um punhado, no máximo mil, combatentes do Hezbollah? Não passa de propaganda da oposição. O Hezbollah tem todo o direito de defender as áreas sob jurisdição no Líbano e ali a oposição está sendo obrigada à retirada. Eles têm de culpar alguém. Então culparam o Hezbollah (Kamel Wazne, diretor do Centre for American Strategic Studies em Beirute, na Al-Jazeera, 28/4/2013: “Al-Qusayr: On the road to Damascus”)
 
[3] Pode-se ler sobre a mesquita Sayyeda Zainab, importante santuário xiita.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Partido Hezbollah: “Fala de Obama é prova de que a via da Resistência é a mais correta”


22/3/2013, Al-Manar TV (Editorial), Beirute, Líbano
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Al Manar TV
O Hezbollah, Partido da Resistência Libanesa condenou na 6ª-feira as posições anunciadas pelo presidente Barack Obama dos EUA durante visita que fez à entidade sionista. O Hezbollah destacou que aquelas posições comprovam que a via da Resistência é a via mais correta.

“A visita de Obama aos Territórios Ocupados da Palestina é prova de que persiste o total comprometimento dos EUA em apoio à entidade sionista e às suas políticas agressivas e criminosas, que agridem, sobretudo os direitos dos palestinos e do povo da região” – disse o Hezbollah em declaração distribuída pelo Centro de Relações com a Mídia.

“É claro, se se considera o que disse Obama, que o presidente dos EUA não respeita nenhum governo árabe ou islâmico e que optou por dar as costas até aos direitos mais básicos do povo palestino”.

“Obama declarou seu total comprometimento com o projeto sionista na Palestina. E até tentou impor aos árabes o “dever” de aceitar na região a entidade sionista que se autodefine como estado “judeu puro” – lê-se na declaração.

Bandeira do Partido Hezbollah
O presidente dos EUA fala como lacaio da entidade sionista, não como Chefe de Estado dos EUA, que é nação independente. A fala de Obama só fará algum sentido se os EUA atacarem a Resistência. Por isso tanto insistem em obter a declaração de que o Hezbollah seria organização terrorista.

Nada há de novidade ou surpresa no discurso de Obama, que não passou de repetição, para o público orquestrado, das mesmas posições e falas, sempre hostis, dos EUA” – prossegue a declaração do Hezbollah.

O Hezbollah também denunciou as posições dos EUA “que adotam os projetos sionistas, o que, em vários sentidos, faz de Washington cúmplice dos crimes cometidos pelo nosso inimigo israelense.

“Obama nada disse além de repetir que nenhuma negociação é possível, que nenhum acordo é possível e que ninguém espere, nem por negociações de paz, nem por acordo algum. Assim, mais uma vez, se comprova que a via da Resistência é a via mais correta” – a declaração conclui


domingo, 10 de março de 2013

Hezbollah sobre Chávez: “Perdemos um amigo e apoiador leal e amado”


6/3/2013, Al-Manar TV, Líbano
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


“O mundo livre, os oprimidos do mundo e nós, diretamente, perdemos amigo e apoiador leal e amado, que dedicou a vida à defesa dos povos oprimidos e perseguidos, firme defensor dos países do Terceiro Mundo e de nossos direitos a progredir e prosperar” – disse o Hezbollah em declaração oficial.

“O Hezbollah e todo o Líbano jamais esqueceremos o apoio que o falecido presidente Chávez ofereceu ao Líbano, quando enfrentamos o inimigo sionista na guerra de julho de 2006. Os povos árabes e islâmicos jamais esqueceremos a firme posição do falecido presidente Chávez na defesa dos direitos do povo palestino e dos direitos da República Islâmica do Irã ao uso pacífico de tecnologia nuclear”.

“O presidente Chávez foi uma fortaleza de defesa contra as políticas imperialistas, sem jamais ceder a sucessivos governos dos EUA ou se deixar submeter às suas pressões, provando que nossos países podem perseverar na trilha da independência e do progresso social, sem depender da custódia dos EUA” – diz a declaração do Hezbollah.

“O Partido da Resistência libanesa manifesta as mais sinceras condolências à família e aos camaradas do falecido grande comandante e a todo o valente povo venezuelano, e põe-se ao lado deles, nessa hora triste, de tão grande perda”.


“O Hezbollah espera que os camaradas e companheiros do presidente Chávez conseguirão completar o seu trabalho e o seu legado, na defesa da liberdade, da independência e do bem-estar do povo venezuelano. Que continuem a apoiar os povos oprimidos em todo o mundo. E que não desistam da luta à qual o presidente Chávez dedicou a vida, contra as conspirações dos sionistas e dos EUA” – conclui a declaração.