Mostrando postagens com marcador Míssil Iskander-M. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Míssil Iskander-M. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Pepe Escobar: Como Rússia e Alemanha podem salvar a Europa da guerra

28/11/2014, [*] Pepe EscobarRússia Today
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Sistema de mísseis Patriot dos EUA
foto de Bernd Wustneck
EUA, OTAN e Rússia estão mesmo numa espiral alucinada que levará a Europa à guerra? É inevitável? Não. Longe disso.

Petro Poroshenko, vassalo dos EUA, que atualmente é a estrela do bailado dos oligarcas na Ucrânia, promoveu essa semana a ideia de que os ucranianos, em futuro próximo, depois de suas “reformas”, votem se querem ou não querem unir-se à OTAN.

Falemos sério. Alguns de vocês podem já ter ouvido falar de shatter belt” [lit. ap. cinturão de esfacelamento], territórios e povos que foram historicamente esmagados entre a Águia Alemã e o Urso Russo.

No pé em que estamos, todo o cinturão de esfacelamento – exceto Ucrânia e Bielorrússia – é constituído de países que já são membros da OTAN. Se a Ucrânia vier a tornar-se membro da OTAN – embora pareça possibilidade remota – o cinturão de esfacelamento e respectiva “almofada de proteção” [orig. buffer zone] terão desaparecido. Significará a OTAN – essencialmente, os EUA – plantados exatamente junto à fronteira ocidental da Rússia.

Washington acaba de anunciar que pré-posicionará mais veículos militares na Europa, para que sejam usados em exercícios ou “potenciais operações militares”. É notícia perfeitamente afinada com a incansável boataria gerada na “think-tank-lândia” norte-americana, segundo a qual OTAN e EUA serão “obrigados” a equilibrar seu compromisso com a segurança na Europa Ocidental, contra potencial “agressão” russa.

Com a Ucrânia, os Estados do Báltico e a Polônia persistindo em orquestrada histeria sobre a tal “agressão”, a opção de uma guerra nuclear EUA-Rússia pós-MAD (Mutually Assured Destruction [Destruição Assegurada para os Dois Lados]) aparece, como que por acaso, sobre a mesa de discussões. Pelo menos, há corrente de oposição; muitos e muitos norte-americanos bem informados perguntam-se por que os EUA teriam de pagar pela defesa da Europa, quando o PIB europeu é maior que o PIB dos EUA.

Quer brincar de guerra, rapá?

Quanto à “ameaça” de guerra nuclear na Europa – é bobagem. Não faz sentido comparar as capacidades nucleares estratégicas de EUA e Rússia em termos de números, mas não na qualidade.

Míssil russo de alta precisão modelo Iskander
foto de Alexei Danishev
Tomem-se os PIBs somados de EUA, Alemanha, França e Inglaterra e comparem com o PIB da Rússia: é vitória por larga margem. Examinem então o cenário nuclear estratégico, e a história é completamente outra. O PIB sozinho não “ganha” coisa alguma.

A elites de Washington/Wall Street estão mergulhadas até o pescoço na paranoia da guerra nuclear. Apenas um ou outro estudo aponta, pelo menos, na direção do óbvio: a flagrante fraqueza estratégica dos EUA.

Considerem-se alguns elementos básicos:

●– Os Mísseis Balísticos Intercontinentais [ICBMs] russos, armados com MIRVs [1] viajam a cerca de 18 Mach; é mais rápido que qualquer coisa que haja no arsenal dos EUA. E são basicamente invencíveis.

●– Os S-400 e S-500 duplicam o problema: Moscou concordou em vender o sistema de mísseis terra-ar S-400 à China; o resumo é que, assim, Pequim se torna impermeável ao poder aéreo dos EUA, ICBMs e mísseis cruzadores. A Rússia, por sua vez, está focada no S-500, estado-da-arte dos mísseis, e que faz o sistema antimísseis Patriot parecer uma [bomba] V-2 da IIª Guerra Mundial.

●– Os mísseis russos Iskander voam à velocidade de Mach 7 – com autonomia de 400 km, carregando uma ogiva de 700kg de vários tipos, e com 5 metros de margem de probabilidade de erro em relação ao alvo. Tradução: última palavra em matéria de arma letal contra campos de pouso ou infraestrutura logística. O Iskander pode atingir alvos em territórios muito profundos no interior da Europa.

●– E há afinal o Sukhoi T-50 PAK FA.

Sukhoi T-50 PAK FA
Os palhaços da OTAN que sonham com guerras e com guerra contra a Rússia teriam de aparecer com sistema muito especial, para bater esses Iskanders. E não têm sistema especial algum. Além do mais, têm também de enfrentar os S-400s, que os russos podem distribuir por todo o espectro.

Imaginem um pesado enxame de S-400s posicionados no exclave russo de Kaliningrado: seria o suficiente para transformar em pesadelo absolutamente horrendo, as operações aéreas da OTAN no interior profundo da Europa. Além do mais, os bons velhos jatos de combate da OTAN custam fortunas. Imagine o efeito de centenas de jatos de combate destruídos, numa União Europeia financeiramente devastada, já atacada até a beira da morte pela “austeridade”.

Como se isso não bastasse, ninguém conhece a exata extensão das capacidades estratégicas da OTAN. Bruxelas não fala. Extraoficialmente, as tais capacidades não são nenhuma maravilha. A inteligência russa sabe disso.

Ainda que se assuma que aqueles palhaços da OTAN insistam em brincar de guerra, Moscou já disse bem claramente que usará seu aterrador arsenal de mais de 5 mil armas táticas nucleares – e tudo mais que seja preciso usar – para defender a nação contra ataque convencional pela OTAN. E bastam uns poucos milhares de sistemas S-400 e S-500 para bloquear um ataque nuclear norte-americano.

E esse cenário de Apocalypse Now, de arrepiar os cabelos, ainda não considera a aliança Rússia-China – o mais importante evento, desses que viram o jogo, na história da Eurásia nessa primeira década do século XXI.

Se por acaso a gangue do “pivô para a Ásia” começar a ter ideias sobre bombardear também o Império do Meio, a China está investindo massivamente em mísseis contra satélites (ing. bouncing lasers off satelites); submarinos silenciosos que podem emergir à frente de porta-aviões dos EUA sem terem sido detectados; e um míssil antimíssil made in China que pode atingir satélite que esteja reentrando, com velocidade superior à de qualquer Míssil Balístico Intercontinental (ICBM).

Sistema de mísseis terra-ar S400 "Triumph"
foto de Alexey Kudenko
Em resumo, Pequim sabe que a frota de superfície dos EUA é obsoleta – e que não há como defendê-la. Desnecessário dizer que todos os desenvolvimentos para modernização que os chineses estão fazendo andam muito, muito mais depressa que qualquer coisa que esteja em andamento nos EUA.

Proposta modesta

O matraquear dos especialistas “de mídia” nos EUA é incansável: a Rússia encaminha-se para ser um império do século XXI.

O ministro Sergey Lavrov, de Relações Exteriores da Rússia, explica, em detalhes, como toda aquela conversa é lixo puro, sem diluição. O que realmente aconteceu é que Moscou afinal gritou “é blefe”, ante o golpe na Ucrânia, de inspiração brzezinskiana – com todos seus excessos e sobretons. Não surpreende que o Império do Caos [orig. Empire of Chaos] esteja furioso.

E aí está uma solução para desarmar a atual corrida ensandecida para a lógica da guerra. Examinei em detalhe o jogo de “roleta russa” em que Washington insiste. Agora é hora de apresentar uma modesta proposta – já discutida por uns poucos analistas preocupados nos EUA, Europa e Ásia.

Essencialmente, é muito simples. Depende da Alemanha. E trata de desmontar o que Stálin fez.

Stálin, no final da IIª Guerra Mundial, tomou da Alemanha o Leste da Prússia e passou o leste da Polônia para a Ucrânia. Originalmente, o leste da Ucrânia fora parte da Rússia; é parte da Rússia e foi dado à Ucrânia por Lênin.

Ora! Devolvamos à Alemanha o leste da Prússia; devolvamos o leste da Polônia à Polônia; e o leste da Ucrânia, assim como a Crimeia – que Khrushchev deu de presente à Ucrânia – volta a ser parte da Rússia.

Cada um fica com o que lhe cabe. Nada de Stálin. Nada de fronteiras inventadas à força. É o que os chineses definiriam com situação de ganha-ganha-ganha, “triplo ganha-ganha”. Claro que o Império do Caos combaterá alucinada e freneticamente essa acomodação pacífica: acabará a possibilidade de inventar mais e mais caos manipulado para tentar justificar uma cruzada contra alguma “agressão” russa inventada.

A bola está na quadra da Alemanha. Cabe agora aos prussianos do leste apresentar os fatos a Angela Merkel. É esperar para ver se ela é capaz de captar a mensagem.


Nota dos tradutores
[1] MIRV em si significa simplesmente “Veículo com Múltiplas Entradas Independentes – disse Lennox. – “E isso significa que seis ogivas – ou o que quer que o míssil carregue – podem ir, cada um delas, para alvos diferentes no solo”.

ICBM SS-20 da Rússia equipado com MIRV

________________

[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Tom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia TodayThe Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
− Seu novo livro, Empire of Chaos, acaba de ser publicado pela Nimble Books.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Pepe Escobar: A OTAN anexará a Ucrânia?

24/2/2014, [*] Pepe Escobar, Russia Today
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Manifestantes oposicionistas carregam um homem ferido em uma maca na Praça Maidan,
em Kiev 20/2/2014 (Reuters / Vasili Fedosenko)
Quem acredite que Washington esteja profundamente apaixonada por “democracia” na Ucrânia deve fazer uma visitinha a eBay, único local onde se viram as armas de destruição em massa de Saddam Hussein, e onde elas continuam à venda, à espera da melhor proposta.

Ou prestar mais atenção às negativas-que-nada-negam do governo Obama, que jura todos os dias que não está guerreando “guerra à distância” nem Guerra Fria Redux na Ucrânia.

Em resumo: a política de Washington para a Ucrânia sempre foi anti-Moscou. Implica mudança de regime sempre que necessária. Dado que a União Europeia (UE), em termos geopolíticos, não passa de apêndice da OTAN, trata-se sempre, de fato, de a OTAN estender suas fronteiras até a Ucrânia. E anexar, pelo menos, a Ucrânia Ocidental – que já seria valioso prêmio de consolação.

É jogo puramente militar-cêntrico – a lógica de todo o mecanismo é, de fato, decidida em Washington, não em Bruxelas. Trata-se da expansão da OTAN, não de alguma “democracia”.

Quando Victoria Nuland, a funcionária neoconservadora do Departamento de Estado, vivia recentemente seus 15 segundos de fama, o que ela realmente disse foi “Nós somos a OTAN. Foda-se a União Europeia”. Não surpreende que tenha havido reunião urgente dos ministros de Defesa dos países da OTAN, em Bruxelas, na 5ª-feira (19/2/2014), exclusivamente sobre a Ucrânia.

Ninguém lerá jamais lerá sobre isso em nenhum veículo da imprensa-empresa nos EUA – e, aliás, tampouco na universidade dos EUA. O professor Francis Boyle, de Harvard, falando a Voice of Russia, ou Stephen Cohen, de Princeton, em artigo recente para The Nation, são luminosas exceções.

Zbigniew Brzezinski
Mas qualquer analista informado sabe que o “cérebro” por trás dessa “política”, desde os anos 1970s, é Zbigniew “Grande Tabuleiro de Xadrez” Brzezinski. Dr. Zbig foi orientador do presidente Barack Obama dos EUA na Universidade de Columbia e é o Talleyrand da máquina de política externa do governo Obama.

Pode talvez ter amolecido um nada, recentemente, argumentando que, embora os EUA devam permanecer como poder supremo em toda a Eurásia, Rússia e Turquia devem ser seduzidas pelo Ocidente. Mas não significa que a russofobia histórica de Zbig tenha algum dia diminuído.

A “santa” Yulia voltou!

Agora que estamos (outra vez) com o pé na estrada para mudança de regime na Ucrânia, nem parece tão mau negócio por módicos US $5 bilhões – quantia revelada pela própria Nuland, a neoliberal. Compare-se com outras aventuras externas do continuum Bush-Obama, do Afeganistão e Iraque à Síria. Mas há grandes turbulências à frente.

“Progressistas’”de “progressismo” muito discutível, além de gente obcecadamente da direita mais radical e a rapaziada da geração Google no oeste da Ucrânia e em Kiev parecem cultivar a noção de que o país, submetido a “mudança de regime”, será aceito como membro da União Europeia, com o que a rapaziada obterá passaportes europeus e bons empregos na Europa, como fizeram os encanadores poloneses e os gerentes de restaurantes romenos.

Bem, não é bem assim. Se pelo menos pudessem pegar um EasyJet e ver com seus próprios olhos o que está acontecendo no mercado de trabalho no sul da Europa ou em Londres, para falar só dela, hoje aterrorizado ante uma horda de leste-europeus que ocupam empregos ingleses.

Quanto aos ultranacionalistas e declarados neofascistas – absoluta e totalmente anti-União Europeia – a única coisa que têm na cabeça é livrar-se do abraço do urso russo. Mas... e daí em diante?

Quanto ao ardor “democrático” do Ocidente, é muito fácil esquecer que os fascistas do oeste da Ucrânia lutaram ao lado de Hitler contra a União Soviética. Os descendentes daqueles fascistas estiveram no comando da furiosa violência da semana passada. E o Setor Direita (Pravy Sektor) continua a insistir que manterá o “protesto”. Nesse sentido, talvez não sejam os fantoches preferidos de Washington; são, apenas momentaneamente, panacas úteis.

A líder da oposição ucraniana Yulia Timoshenko fala a manifestantes anti-governo
reunidos na Praça Maidan, em Kiev 22/2/2014 (Reuters / Yannis Behrakis)
Quanto à ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko – já elevada no Ocidente ao púlpito de neo Madre Teresa loura – ela chamou os manifestantes da Praça Maidan (Independência), de “libertadores”. O mais provável é que eles se libertem dela bem rapidamente – quando a altamente corrupta “Santa” Yulia concorrer à presidência, em maio próximo.

A Ucrânia que funciona – o leste e o sul – é constituída de províncias russas históricas (Carcóvia, Mar Negro, Crimeia). O PIB do país é de $157 bilhões. Equivale a 1/5 da Turquia (que pode converter-se no novo Paquistão). No pé em que estão as coisas, a Ucrânia não tem qualquer valor econômico que interesse ao Ocidente (e ainda menos, se se tornar uma nova Síria). De “positivo”, só o deformado avanço estratégico da OTAN.

Quem acredite que uma União Europeia afundada em crises conseguirá dinheiro para arrancar a Ucrânia do pântano econômico em que está, deve, sim, voltar a eBay e fazer mais um lance para ver se compra as armas de destruição em massa de Saddam. Ou, então, que espere o Congresso dos EUA entregar $15 bilhões para aliviar a dívida externa da Ucrânia. Ou que ofereça uma redução no preço do gás importado (como Moscou fez, em dezembro passado).

Dê bom-dia ao meu Iskander

A pergunta de multi-bilhões de dólares é o que fará o presidente Vladimir Putin da Rússia. Há quem diga que se ouvem gargalhadas a rugir pelos corredores do Kremlin.

Para começar, Putin decidirá se Moscou comprará ou não $2 bilhões em eurobonds ucranianos, depois que houver um novo governo em Kiev, como noticiou Gazeta.ru. Kiev não obterá coisa alguma, absolutamente nada, de Moscou, até que se saiba com certeza que o novo regime concorda com jogar o jogo, interessado em manter coeso o país.

“Santa” Yulia, aliás, foi metida no xilindró por causa de um negócio de gás que ela negociou pelos altos preços de Moscou. Voltando aos fatos: a Ucrânia não sobrevive sem o gás russo; e a indústria ucraniana não sobrevive sem o mercado russo.

Podem misturar todos os tons e cores de Revolução laranja, tangerina, campari ou Tequila Sunrise, e jogar dentro do “ajuste estrutural” do FMI: nem assim conseguirão alterar esses fatos. E quanto à União Europeia “comprar a Ucrânia”, podem esquecer.

A gangue da Laranjada Ocidental – dos patrões aos mais subalternos – continua apostando numa guerra civil ao estilo Síria. A anarquia cresce – provocada pelos neofascistas. Cabe aos ucranianos rejeitá-la. Boa solução seria um referendo. O povo que escolha ser uma confederação, fazer uma divisão (nesse caso, haverá sangue) ou manter o atual status quo.

Iskander - sistema móvel russo de mísseis balísticos de alta precisão

Ofereço aqui um cenário bastante possível. O leste e o sul da Ucrânia voltam a ser parte da Rússia; é bastante razoável pressupor que Moscou aceite. O oeste da Ucrânia é totalmente saqueado, ao estilo do capitalismo de desastre, pela máfia empresarial-financeira ocidental (e ninguém jamais verá sequer a cor de um único passaporte europeu). Quanto à OTAN, consegue as bases, “anexando” a Ucrânia. Mas consegue também miríades de hiper eficientes e acurados mísseis Iskander russos, mirados para as tais bases. A isso se resume o “avanço estratégico” que Washington “conquistou”.




[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política do blog Tom Dispatch e correspondente/ articulista das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
 Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Ucrânia, Crimeia e Caliningrado

16/12/2013, The Saker, Blog The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


The Saker
Umas coisinhas rápidas, que quero registrar.


Ucrânia: Sempre soube que Yanukovich é sujeito covarde e totalmente sem princípios. Além de perfeito idiota. Ora, ele acaba de comprovar novamente que, sim, é tudo isso.

Viktor Yanukovich
Primeiro, deixou aquele tolo senil, esclerosado, semimumificado, cara escarrada de político à moda do velho Politburo soviético que atende pelo nome de senador McCain entrar na Ucrânia para visitar a multidão de “Euromaidan” [sic].

Segundo, como se McCain fosse pouco, Yanukovich acedeu às demandas da chamada “oposição” (que já começam a ser chamados de “insurgentes” ou de “rebeldes”): protegeu os altos comandantes da segurança e culpou os policiais da tropa de choque pela violência. Assisti aos filmes da pancadaria e garanto que os policiais comportaram-se com elogiável sangue frio, ante o que – sem dúvida alguma – foi assalto bem organizado e cuidadosamente executado, com pedras pesadas, barras de ferro, correntes e granadas de gás lacrimogêneo. Em qualquer outro país, a tropa de choque teria atirado. Pois Yanukovich não teve a decência, sequer, de defender os que o protegem. Pior: mandou libertar o pessoal que estava preso por ter agredido policiais.

Não sou fã de nenhuma polícia de choque – vejo-os como cães treinados para atacar quem o dono-patrão mande atacar – mas, nesse caso, tenho de reconhecer que aqueles policiais mostraram-se excepcionalmente contidos. É examinar os filmes. Não há como não ver. Pois, mesmo assim, Yanukovich culpou os policiais por tudo que aconteceu. Se Yanukovich tivesse planejado mostrar-se fraco e ridículo e patético, não poderia ter feito melhor. Que grande, enorme lixo é esse Yanukovich!  

Euromaidan (clique na imagem para aumentar)
Crimeia: Tenho criticado muito os ucranianos pró-Rússia e russos na Ucrânia e tenho de admitir que deveria ter feito uma ressalva para a Península da Crimeia onde, sim, estão acontecendo coisas interessantes. Para resumir, as autoridades da Crimeia já declararam oficialmente, em tom de aviso, que não permitirão que vândalos pró-Europa tentem ditar o futuro da Península da Crimeia. E disseram à população da Crimeia que se prepare para defender o próprio status autônomo e o próprio futuro. 

Parece que, diferentes dos tolos e confusos “manifestantes” pro-Yanukovich do leste da Ucrânia que viajaram até Kiev, a população da Criméia é muito mais focada e mais determinada. 

Por um lado, é ótimo; mas por outro lado é muito assustador, porque, se se chegar a confronto violento entre o governo central (esteja quem estiver no poder em Kiev depois de Yanukovich) e a população da Península da Crimeia, há 100% de certeza de que as forças da Frota do Mar Negro se envolverão. Em termos exclusivamente militares, as forças da Frota do Mar Negro podem defender a Península. Mas significaria guerra, de-facto, entre Ucrânia e Rússia. 

Outra vez em termos puramente militares, a Rússia pode facilmente derrotar a Ucrânia, mas os custos humanos e políticos serão horrendos; e há risco de intervenção de grandes proporções, pela OTAN, especialmente se alguém perfeitamente doido, como Hillary, estiver na presidência em Washington, DC. Dessa matéria prima fazem-se os pesadelos, e Deus impeça que se chegue a isso.

Míssil Iskander-M
Relações Rússia-União Europeia: Vários jornais revelaram recentemente que a Rússia já deslocou seus mísseis Iskander-M para Caliningrado. Políticos poloneses e lituanos já manifestaram lástima e preocupação. Mas… e pensavam o quê, os idiotas? Que a Rússia estaria fazendo piada, quando alertou para resposta ao deslocamento, para a Europa Oriental, do sistema antimísseis dos EUA? Agora, todos ali vivem com um alvo pintado no topo de suas cabeças duras. Queriam assim? Agora aproveitem!

[assina] The Saker