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sábado, 10 de maio de 2014

Hiper-hipocrisia de Kerry alcança a estratosfera

8/5/2014, [*] Finian CUNNINGHAM, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

John "MENTIROSO PATOLÓGICO" Kerry
Putin : "Ele [Kerry] mente abertamente. E ele sabe que mente"!
Como o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry consegue? Quando você começa a achar que a hipocrisia desse homem, a capacidade para mentir e enganar alcançaram os limites máximos, o principal diplomata norte-americano dá jeito de fazer mais um salto quântico, para re-engambelar o público. O pensamento irracional do homem já ultrapassou o ponto de não retorno: ninguém mais conseguirá resgatá-lo, de volta a órbita de diálogo humano inteligente.

O mais recente surto de Kerry aconteceu quando, tensíssimo, ele tentava desqualificar os referendos planejados para as regiões leste da Ucrânia, nesse fim de semana. As votações foram organizadas pelos residentes de Donetsk, Lugansk e Slavyansk, dentre outros locais, para determinar um novo arranjo constitucional para aqueles mesmos cidadãos. Pode acontecer de o referendo concluir a favor de uma Ucrânia federalizada, na qual cidades do leste como Carcóvia e Donetsk tornem-se autônomas em relação à capital, Kiev. Ou pode acontecer de o referendo concluir pela secessão, como o povo da Crimeia já decidiu fazer e já fez.

Qualquer observador razoável poderia ver, nos referendos, um momento admirável da democracia local em ação, quando as próprias pessoas determinam o sistema político de governo que desejam e as políticas sociais e econômicas associadas. Claro que um experiente diplomata dos EUA, que, aparentemente, só faz proclamar as virtudes da democracia, teria motivos para elogiar esse exercício popular de liberdade.

Nem tão claro assim.

Nada claro, no caso de John Kerry, nada claro no caso de todo o governo dos EUA. Kerry estava lívido, essa semana, ao falar dos referendos planejados para toda a Ucrânia. Falando ao lado de Lady Catherine Ashton, burocrata nomeada, nunca eleita, encarregada da política exterior da União Europeia, Kerry disse:

Rejeitamos completamente essa tentativa ilegal para rachar a Ucrânia (...) É o manual da Crimeia, outra vez.

A referência pejorativa à Crimeia foi golpe baixo; Kerry falava do referendo legal e perfeito realizado na península do sul, dia 16/3/2014, quando vasta maioria dos votantes crimeanos decidiu separar-se da Ucrânia e requerer sua reincorporação à Rússia.

Catherine Ashton (E), Secretária de Relações Exteruores da UE e John Kerry, Secretário de Estado dos EUA abraçados na MESMA MENTIRA (6/5/2014)
Os norte-americanos são absolutamente incapazes de conviver com essa realidade legal e democrática; então, se põem a tentar denegrir a própria prática democrática; por isso falaram do “manual da Crimeia”, como se fosse algum perigoso “golpe” cerebrado pelos russos para “roubar terra” e territórios ucranianos. O golpe é sempre o mesmo, onde se veja a mão de Kerry: se você não tem razão nem argumentos a seu favor, então, ofenda quem estiver por perto.

Kerry referiu-se ao exercício democrático de autodeterminação no leste da Ucrânia como “ridículo”; e ameaçou que, se o referendo prosseguir, Washington castigará a Rússia com sanções econômicas mais duras. ATENÇÃO: Observem aí a falsa premissa, que Kerry apresenta como se fosse fato verdadeiro: a Rússia seria culpada por o povo da Ucrânia estar exercendo o direito universal à autodeterminação...

Em mais uma escandalosa pirueta mental, o Ministro de Relações Exteriores de Washington insiste em que as eleições presidenciais marcadas para 25/5/2014, pela junta neonazista/neofascista apoiada pelo governo de Obama em Kiev são eleições legítimas e invioláveis. A junta de Kiev, presidida pelo autoproclamado primeiro-ministro e “amigo” de Washington, Arseniy Yatsenyuk [“Yats” – como o chama Victoria Nuland], tomou o poder dia 22/2/2014, depois de invadir o gabinete do presidente eleito, Viktor Yanukovich. ATENÇÃO, Sr. Kerry: isso, sim, são fatos! Aqui não há uma linha de opinião subjetiva.

Victoria "Foda-se a UE" (C) ladeada por elementos da "Junta de Kiev; à direita dela o "inefável" chefe do Partido Nazista Svoboda, Oleh Tyahnybok; atrás vemos o ex-boxeur Vitaly Klitschko; e à esquerda dela o não menos "inefável" Yats! 'Taí o Banderastão! 
Assim sendo, na cabeça de Kerry, a eleição presidencial é válida, apesar de convocada por uma gangue de golpistas, cuja “autoridade” é, para dizer o mínimo, muito precária. Mas os referendos que a população exige e quer realizar no leste e no sul da Ucrânia, e a serem realizados com autoridade inerentemente democrática indiscutível, seriam “ridículos”, “uma farsa”... Que tipo de raciocínio é esse?! É como se Kerry e os norte-americanos já tivessem perdido completamente a vergonha, qualquer vergonha, e, agora, só fizessem repetir que “sim, porque sim, porque sim, porque queremos que assim seja, e acabou a conversa”...

Kerry ameaçou que, se Moscou não apoiar a realização de eleições presidenciais como Kiev deseja, no final de maio, será a ‘'linha vermelha'’ para mais sanções econômicas contra a Rússia.

Por sua vez, o Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que realizarem-se eleições em pleno surto de agitação e violência em toda a Ucrânia [e antes de ter sido feita a reforma da Constituição] é “absurdo”. Muita gente concorda com esse argumento racional e claro.

Só na semana passada, morreram cerca de 90 pessoas em batalhas de rua entre forças armadas pró-Junta-de-Kiev apoiadas pelo ocidente, e brigadas de autodefesa popular, que continuam a ser formadas em dúzias de cidades e vilas. Essas milícias refletem a oposição das comunidades locais contra o regime dos golpistas de Kiev apoiados pelo governo Obama/União Europeia. A pior violência aconteceu no porto de Odessa, no Mar Negro, na 6ª-feira passada (2/5/2014), onde mais de 40 manifestantes anti-Kiev foram mortos, quando o prédio onde estavam foi invadido e incendiado por apoiadores da junta neonazista de Kiev. Tragicamente, as vítimas haviam participado de manifestação pacífica a favor de um referendo para decidir sobre a federalização, como na região do leste do país.

Nazistas do Partido Svoboda e o Pravy Sektor não abandonam a Praça Maidan
Quase a metade – talvez muito mais que a metade – da população total de 45 milhões de ucranianos veem a junta-em-Kiev como governo de impostores, sem mandato democrático. O regime de Kiev pode ter apoiadores na Praça Maidan e na região oeste do país, em torno de cidades como Lviv. Mas esse apoio absolutamente não implica autoridade legal para governar o país. Aos olhos de muitos ucranianos, sobretudo russos étnicos do leste e do sul, o único mandato que a junta de Kiev tem para governar lhes chegou de fora para dentro – de Washington, Berlin e outros aliados europeus.

Para os manifestantes anti-Kiev, federalistas ou pró-Rússia, o que está acontecendo no país deles é um processo de golpe para “mudança de regime” apoiado pelo ocidente, que pôs no poder um regime neonazista – um governo que acolhe a colaboração de fascistas ucranianos, que tiveram participação ativa no extermínio em massa de milhões de ucranianos eslavos, durante a IIª Guerra Mundial.

Essa mudança de regime fomentada e facilitada foi a culminação de três meses de violentos movimentos de rua provavelmente provocados e sustentados pela CIA, com ocupação de prédios públicos. O massacre de mais de 100 manifestantes e policiais da política antitumultos (os “Berkut” ucranianos) dia 20 de fevereiro, por atiradores espalhados pelos prédios em torno da Praça Maidan e a serviço dos golpistas, foi a gota d’água, que forçou o presidente a abandonar o governo; na sequência, a junta neonazista apoiada pelo ocidente assumiu o poder. A junta é constituída de membros do partido fascista “Partido da Pátria” e de neonazistas do partido Svoboda, cujos paramilitares organizados no chamado “Setor Direita” (Pravy Sektor) constituem hoje a “guarda nacional” e “forças policiais especiais” empregadas na repressão a manifestações que continuam a surgir em todo o país.

John Kerry sempre foi homem de duas caras e duplipensar
Sinal claro da ilegalidade que o ocidente gerou para a Ucrânia, a junta em Kiev está pagando “prêmios” em dinheiro para policiais e informantes que ajudem a reprimir a oposição política. Já se vê bem claramente que a mudança-de-regime à moda EUA nada tem a ver com democracia ou favorecer a associação do país com a União Europeia: o projeto é, todo, do começo ao fim, movimento geopolítico mais amplo de agressão contra a Rússia.

A hiper hipocrisia e o duplipensar de Kerry exemplificam o problema geopolítico mais amplo de por que os EUA tanto precisam escalar o conflito com a Rússia. Os EUA não podem deixar espaço aberto à vigência e à aplicação de leis internacionais, sequer pode haver espaço para diálogo, por simples que seja, porque os EUA agem sempre, integralmente, à margem da lei, um estado-criminoso, que não teria qualquer dever de agir legalmente.

Vladimir Putin
Isso, precisamente, foi o que escreveu o presidente Vladimir Putin da Rússia, em coluna no New York Times, ano passado (11/9/2013):

Analisei atentamente o pronunciamento do presidente Obama à nação, na terça-feira. E gostaria de discordar do que ele disse sobre o excepcionalismo dos Estados Unidos. É extremamente perigoso encorajar as pessoas a considerarem-se elas mesmas excepcionais, seja qual for a intenção. Conclusão inescapável desse tipo de ideia é “somos a raça eleita”.

Por que, então, a surpresa? Sempre foi perfeitamente esperável que Washington, mais dia menos dia, se pusesse a colaborar com neonazistas em Kiev. O governo dos EUA trabalhar aliado a fascistas totalitários não é nem novidade nem contradição: é “avançada” natural...
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[*] Finian Cunningham nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1963. Especialista em política internacional. Autor de artigos para várias publicações e comentarista de mídia. Recentemente foi expulso do Bahrain (em 6/2011) por seu jornalismo crítico no qual destacou as violações dos direitos humanos por parte do regime barahini apoiado pelo Ocidente. É pós-graduado com mestrado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico da Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira no jornalismo. Também é músico e compositor. Por muitos anos, trabalhou como editor e articulista nos meios de comunicação tradicionais, incluindo os jornais Irish Times e The Independent. Atualmente está baseado na África Oriental, onde escreve um livro sobre o Bahrain e a Primavera Árabe.


terça-feira, 22 de abril de 2014

Conflicts Fórum: Comentário semanal de 4 a 11/4/2014

18/4/2014, Conflicts Forum’s
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Negociações P5+1 em Genebra (ONU)
Na linha de que o resultado das negociações do grupo P5+1 com o Irã marcará inflexão chave para o Oriente Médio – de um modo ou de outro – esses “Comentários semanais” são dedicados a examinar as discussões sobre o “processo” P5+1 que estão sendo ventiladas na imprensa em farsi. Nada aqui visa a ser muito abrangente ou definitivo; nosso objetivo é apenas dar informação geral aos leitores sobre as questões que estão empurrando o pêndulo da opinião pública em geral e também da opinião bem informada para uma posição de cada vez mais ceticismo no Irã. Claro que, por mais que o presidente Rowhani ainda tenha “autorização” para prosseguir as negociações, e conte com a massa crítica de apoio no nível superior do governo, essa “autorização” não é nem ilimitada no tempo nem absolutamente sem restrições. De fato, se se passa os olhos pelo espectro da opinião no Irã, o humor no Parlamento e nas ruas vai-se tornando cético, no melhor dos casos; e azedo, no pior. 

E preservar o apoio popular será, certamente, crucial para a longevidade da habilidade do presidente Rouhani na preservação da “autorização” para as conversações. Também é claro que essa deriva na opinião em geral não é toda ela relacionada à natureza do processo em andamento nas conversações nucleares, mas foi adversamente afetada tanto pela visita de Lady Ashton como pela recente Resolução, do Parlamento da União Europeia sobre direitos humanos. Há uma sensação de que muitos iranianos esperavam que terem entrado em negociações resultaria, pelo menos, em alguma mitigação nas críticas contra o Irã: em resumo, que a iniciativa de Rouhani teria, como contrapartida, talvez, algum decoro e mais respeito ao direito dos iranianos de escolherem o próprio “modo de vida”. Nessa esfera, as expectativas foram gravemente frustradas – e alguns interpretam essa mal-vinda tendência como anúncio de que novas pressões virão.

Catherine Ashton
Chanceler da União Europeia
Na linha mais positiva, o Dr. Nader Sa’ed, que escreve em Javed, observa que as conversações têm dois eixos principais: o primeiro, diz ele, é (do ponto de vista do P5) fundamentalmente alterar o objetivo – e mesmo a qualidade – das atividades iranianas de enriquecimento, para o menor nível possível; e redefinir a atividade prevista para o reator de Arak. Mas o Dr. Sa’ed mostra que, aqui, há um a dificuldade grave: se se espera que o Irã defina com realismo as suas necessidades estratégicas de energia nuclear, tanto para hoje como – e mais importante – para amanhã, o que garante que as exigências estratégicas do Irã para as próximas décadas, se analisadas desse modo, não serão consideradas muito superiores àquele nível de enriquecimento abaixo do qual o P5 está decidido a manter o Irã? Em resumo: qual o nível de restrição ao enriquecimento em termos do qual pode ser possível alcançar algum acordo com o P5 – e que ainda atenda às legítimas necessidades de longo prazo do Irã? Há qualquer possibilidade real de que a linha da definição de enriquecimento “aceitável”pelo P5 fique pelo menos próxima do que o Irã avalia como suas necessidades de longo prazo? Essa questão é complicada, escreveu o Dr. Sa’ed, razão pela qual não se deve esperar acordo algum, para breve.

Hoseyn Shari’atmadani, que escreve em Keyhan  (veículo do qual é editor) trata do seguinte ponto: dado que a ciência nuclear é elo chave na cadeia da ciência e da tecnologia, da qual ninguém pode desistir facilmente, sem causar grave dano à ciência iraniana como um todo (porque todos os aspectos são intimamente interligados), ele observa que :

Hassan Rouhani
Presidente do Irã
(...) a necessidade anual de energia elétrica em nosso país está próxima de 8.000 megawatts. Para produzir essa quantidade de energia elétrica, consomem-se 220 milhões de barris de petróleo. I

Isso, diz ele, é o que o P5 exige do Irã: queimem combustível fóssil para atender suas necessidades de eletricidade. Mas, se o Irã seguisse esse “conselho”, não apenas geraria mais de mil toneladas de dióxido de carbono tóxico, lançaria quase 170 toneladas de partículas no ar, e dispersaria mais de 140 toneladas de enxofre e 55 toneladas de nitrato no meio ambiente; além de tudo isso, queimar petróleo para produzir eletricidade custaria anualmente quase US$ 6 bilhões a mais, do que custaria produzir eletricidade em usinas nucleares. Shari’atmadani conclui que as reservas iranianas de petróleo e gás estão sendo rapidamente exauridas, e que exigir que o Irã use combustível fóssil desse modo não responde à questão de o que o Irã fará, digamos, dentro de 20 anos. Portanto, e dada a experiência do Irã com sanções, não deve haver pressa alguma em pôr as futuras gerações à mercê dos mercados internacionais e de risco de novos boicotes.

Mais fundamentalmente, Mehdi Mohammedi questiona todo modo como o P5 aborda as negociações – e como os negociadores iranianos lidam com isso. Os ocidentais dizem, observa ele, que há um ponto no programa iraniano que, se o Irã trabalhar para alcançá-lo,

(...) tecnicamente, decida ou não fazê-lo, poderia rapidamente e em pouco tempo produzir os materiais necessários para produzir uma arma nuclear, em outras palavras, 25 kg de urânio enriquecido a 90%, sem que nem a AIEA ou os espiões do ocidente jamais soubessem. Esse ponto, o Ocidente chama de ponto não identificável de ruptura, de quebra nuclear.

Mohammad Javad Zarif
MRE do Irã
Esse conceito está por trás da insistência com que o P5+1 quer limitar ao mínimo o enriquecimento, escreve ele. Mas, em vez de aceitar complicadas restrições às centrífugas, e às reservas enriquecidas a 5% e 20%, para vedar a possibilidade da “ruptura”, ele entende que a equipe iraniana em Genebra jamais deveria ter aceitado a própria lógica da “ruptura”:

Não podemos aceitar jamais tais conceitos. Norte-americanos e israelenses fabricaram esse conceito para usá-lo como pretexto para desmantelar a infraestrutura do enriquecimento industrial no Irã – entende ele. Minha pergunta é: Por que os cavalheiros aceitaram tal coisa? Se o ocidente está preocupado com “ruptura” nuclear, a solução é aumentar a transparência. Por que nossos amigos aceitaram limitar o programa sob tal pretexto?

Voltando aos “eixos gêmeos” do Dr. Sa’ed, depois de limitar o objetivo e a qualidade do enriquecimento ao mínimo nível possível, o segundo eixo do P5+1, o eixo das sanções,

(...) continuam vigentes, com o benefício da cooperação informal que os EUA arrancam dos aliados, e estão sendo sempre renovadas e reforçadas de várias formas, sob diferentes formatos. As sanções do Conselho de Segurança da ONU continuam mais ou menos vigentes e, até aqui, não há possibilidade de revisar o método para removê-las.

Além disso, a interpretação legal do 2º parágrafo do artigo 4º do Tratado de Não Proliferação [que exige que todos os signatários do TNP ofereçam assistência a países que aspirem a desenvolver programa nuclear pacífico] é que é de adesão voluntária e não obriga ninguém, a menos que nossa diplomacia consiga recriar esse parágrafo como “exigência” a ser obrigatoriamente cumprida pelo Ocidente.

Suzanne Maloney
Há de fato evidências de que esse segundo “eixo”, já muito reduzido no alívio que oferece ao Irã ($4,2 bilhões em oito itens, de mais de estimados $100 bilhões de fundos iranianos congelados no Ocidente), está bem perto do pouco que o P5+1 prometera inicialmente: Suzanne Maloney, especialista em Irã do Brookings Institute, disse a Al-Monitor que

(...) os iranianos sabiam que estavam obtendo “bem pouco” em termos de alívio nas sanções, com o acordo provisório.

Mas ela alerta que:

(...) as dificuldades que o Irã enfrenta para arrancar esses recursos “liberados” farão os iranianos aprender a esperar menos do alívio de sanções que dependam de autoridade concedente” da Casa Branca. O presidente Obama tem autoridade para levantar várias das sanções contra o Irã por seis meses de cada vez – a exata duração do acordo provisório. Mas as grandes empresas multinacionais precisam de horizonte de mais longo prazo para fazer negócios significativos, disse Maloney.

Erich Ferrari, advogado especializado em sanções, que trabalha em Washington disse a Al-Monitor que:

O que estamos ouvindo dos iranianos é que ninguém sabe o que é esse canal financeiro [para negociar com o Irã].

Ferrari disse também que

(...) não se surpreendeu por bancos em países que continuam a importar petróleo iraniano estarem dificultando o acesso do Irã aos $4,2 bilhões prometidos ao país em oito parcelas separadas, nos termos do acordo provisório.

Paul Pillar
Paul Pilar, ex-analista da CIA comenta com ironia que

(...) a maravilhosa máquina de sanções é tão poderosa que continua a exalar poder e tem efeitos mesmo depois de o interruptor ter sido desligado. O Tesouro tem de fazer mais do que simplesmente dizer “vai”, e mais do que fez até aqui, que só preservou os bancos em sua zona de conforto, para que o acordo provisório com o Irã seja implementado como se deve esperar que seja.

Mas, além disso, Rouhani e Zarif estão enfrentando críticas muito mais sérias, de figuras consideráveis da oposição. Fundamentalmente, Mehdi Mohammadi, um ex-editor da revista Keyhan e ex-assessor do negociador nuclear Jallili, diz, numa entrevista:

(...) o Acordo de Genebra é documento no qual a equipe de negociadores já aceitou que o Irã seja uma exceção dentre todos os demais signatários do Acordo de Não Proliferação (...) [os quais, todos] têm direitos e deveres legais [definidos pelo TNP]. Além disso, a estrutura do Acordo de Genebra mostra que o Irã é tratado como uma exceção; e certas restrições impostas ao Irã nesse documento só o confirmam.

E continua:

(...) a estrutura do documento define um primeiro passo que tem cronograma-prazo de seis meses. Do ponto de vista dos ocidentais, esse primeiro passo lá está para construir confiança, e o propõem essencial que, para que se iniciem reais negociações com o Irã, o Irã teria de realizar uma série de ações iniciais para – no mínimo – oferecer o nível necessário de confiabilidade que justifique que o ocidente continue a negociar com o Irã. Eles mesmos [os ocidentais] dizem que essas ações converterão as “conversações” com o Irã, em “negociações”. Então, definiram-se outros passos, sem cronograma-prazo.

Em outras palavras, os ocidentais podem exigir imediatamente a implementação dessas medidas, que não estão fixadas em cronograma-prazo. Um desses passos adicionais ordena que o Irã cumpra as resoluções do Conselho de Segurança da ONU; e outro é a solução de todas as “questões relevantes”, incluindo as dimensões provavelmente militares, pelas quais a AIEA pode exigir acesso a instalações militares e a cientistas iranianos. E então virá o passo final, que tem cronograma-prazo, mas cuja linha de tempo ainda não está especificada. Só se sabe que os dois lados já acordaram que o prazo será longo. Nesse passo final, partes do programa de enriquecimento do Irã serão desmanteladas, e todo o programa será muito gravemente restringido.
Mehdi Mohammadi

O que Mohammadi diz é que o Irã terá de aceitar graves restrições na implementação de direitos que são do Irã, e por muitos anos; e que se exigirá muita cooperação do Irã, além da exigida pelo TNP, apenas para que o Irã se torne membro signatário como todos os demais. Assim sendo, até o dia em que os ocidentais se deem por satisfeitos, o Irã permanecerá como uma exceção.

Em outras palavras, nós mesmos estamos aceitando que os ocidentais teriam o direito de nos tratar como caso especial e de nos pressionar. A questão aqui, diz Mohammadi, é que a equipe iraniana de negociadores deu ao Ocidente o direito de “declarar” que o Irã é ameaça e é exceção, e por quanto tempo isso interesse ao ocidente. Essa atitude tem consequências muito perigosas para a segurança nacional do Irã”– diz ele. O ponto de partida para os ocidentais em todas as questões com o Irã sempre foi fazer o Irã aceitar que é uma exceção e que, por esse motivo, não deve esperar beneficiar-se dos mesmos direitos que os demais têm, nem ter só os deveres que os demais têm. O Irã jamais aceitou tal coisa.

(...) Sempre dissemos que não admitiremos que eles convertam o Irã em caso especial e em exceção. Mas a atual equipe de negociadores aceitou isso, sem discutir.

Além disso, Mohammadi rejeita a ideia dos negociadores iranianos de que, de certo modo, os EUA concederam o direito de enriquecimento [do urânio] ao Irã:

O Acordo de Genebra nada diz, absolutamente, sobre reconhecer o direito iraniano de enriquecer [urânio]. Os próprios norte-americanos, eles mesmos – em outras palavras, o lado que tem de reconhecer esse direito – diz abertamente que esse direito não foi reconhecido para o Irã. A razão é clara, e os norte-americanos já disseram, que se tivessem reconhecido ao Irã o direito de enriquecer urânio, não teriam meios para impor restrições ao Irã. Para ter ferramentas para restringir o programa nuclear iraniano, eles tomaram atentamente o cuidado de não reconhecer tal coisa, no Acordo de Genebra.

Ali Akbar Salehi - Chefe do
Programa Nuclear iraniano
Tampouco é verdade o que diz o Dr. Ali Akbar Salehi, Mohammedi, continua, para quem, porque o enriquecimento está hoje no primeiro passo, e algum enriquecimento limitado e restrito pode aparecer como resultado do passo final, isso implicaria que o P5+1 reconheceu ao Irã o direito de enriquecer: o Dr. Salehi está errado, diz Mohammedi, porque – nos passos adicionais [sem prazo] – a equipe iraniana aceitou respeitar as resoluções do Conselho de Segurança (que exigem que o Irã suspenda o enriquecimento).

Além do mais, no passo final, quando o Irã aceitou limitar a capacidade de porcentagem de enriquecimento, e suas locações e reservas, o objetivo é que grandes partes do atual programa iraniano de enriquecimento têm de ser desmanteladas. Esse ponto é muito importante. A retórica do desmantelamento foi precisamente fixada no Acordo de Genebra. Todos devem observar muito atentamente que as partes a desmantelar do programa de enriquecimento são deveres do Irã, segundo o Acordo de Genebra. A equipe de negociadores aceitou isso e assinou isso. De fato, essa é a razão pela qual os norte-americanos dizem que não permitirão que o acordo provisório se torne definitivo, e é também a razão pela qual dizem que negociações futuras serão negociações sobre desmantelamento e desmonte. Infelizmente, se se analisa o texto do acordo, eles estão certos. A equipe de negociadores aceitou o desmonte, e se alguma negociação algum dia acontecer, será sobre as dimensões e o tamanho desse desmonte. E jamais alguém discutirá o princípio [o direito de enriquecer].

O ponto que Mohammedi está destacando é que

(...) quando os negociadores iranianos dizem que o Acordo teria institucionalizado as atividades de enriquecimento do Irã, e que esse resultado marcaria importante conquista iraniana, todos temos de perguntar: “nesse caso, então, o que, precisamente, nós estamos entendendo por “enriquecimento”? Se “enriquecimento” significa para nós um pequeno programa simbólico que apenas protegeria nossa reputação e que não tem muito valor nem técnico nem industrial, nem gera poder estratégico” então, sim, o que a equipe de negociadores diz é verdade.

Mas se o objetivo do programa de enriquecimento é um programa industrial, cujo objetivo é, simultaneamente, criar competências industriais e produzir combustível para as usinas de energia, além de produzir combustível nuclear para exportar para mercados mundiais, para melhorar a posição do Irã no mercado de energia, o Acordo de Genebra concede precisamente tudo isso, e perde tudo isso.

E quais serão as consequências desse Acordo? Mehdi Mohammedi diz claramente que:

(...) entende que a indústria nuclear será gravemente atingida; em segundo lugar, que os ocidentais concluíram que a estratégia deles para provocar mudanças calculadas pode ser alcançada no Irã, mediante sanções continuadas.

Estou convencido, e os sinais são já evidentes, de que eles aplicarão o mesmo método também em outros casos. Já agora, em relação à região e aos direitos humanos, estão dizendo que o Irã tem de adotar medidas para construir confiança.  

E mais e mais pressões virão. Até o Dr Sa’ed, mais otimista, conclui que esperar qualquer acordo rápido “é irracional”; e ainda serão necessárias outras rodadas de diálogo. Acrescenta que desenvolvimentos internacionais recentes, particularmente a crise na Ucrânia, e as reações domésticas adversas às ações de Lady Ashton em Teerã, ambos esses fatores, também pesaram diretamente sobre a política externa do Irã, e tornarão ainda mais inconclusivas as conversas “nucleares”.

Hassan Rouhani cumprimenta Mohammad Javad Zarif, Presidente e MRE do Irã
Lembramos aos leitores que o objetivo dessa compilação não é analisar argumentos, nem oferecer pontos de vistas divergentes, mas, exclusivamente, oferecer um panorama geral das questões que estão sendo discutidas pela mídia iraniana; são questões que o presidente Rouhani e seu Ministro de Relações Exteriores têm de enfrentar – e questões de que têm alto potencial para desgastar o mandato para negociar, que ambos receberam dos eleitores. 

Às vésperas das eleições presidenciais, o campo dos “Principistas” dividiu-se. Os segmentos moderados dos Principistas, que já pagaram preço alto por ter apoiado Ahmadinejad e linhas-duras dentro do próprio partido, estão hoje mais cautelosos. Não apoiarão ataques dos linhas-duras contra a diplomacia nuclear – pelo menos, por enquanto. O presidente Rouhani ainda tem apoio parlamentar e da alta Liderança, mas, como se começa a ver pelas linhas acima, tudo isso pode mudar, se não surgirem resultados tangíveis – na esfera à qual não chega o peso de sanções ainda restritas.
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[*] Conflicts Fórum visa mudar a opinião ocidental em direção a uma compreensão mais profunda, menos rígida, linear e compartimentada do Islã e do Oriente Médio. Faz isso por olhar para as causas por trás narrativas contrastantes: observando como as estruturas de linguagem e interpretações que são projetadas para eventos de um modelo de expectativas anteriores discretamente determinam a forma como pensamos - atravessando as pré-suposições, premissas ocultas e até mesmo metafísicas enterradas que se escondem por trás de certas narrativas, desafiando interpretações ocidentais de “extremismo” e as políticas resultantes; e por trabalhar com grupos políticos, movimentos e estados para abrir um novo pensamento sobre os potenciais políticos no mundo.

quinta-feira, 6 de março de 2014

A propaganda domina as notícias

5/3/2014, [*] Paul Craig RobertsInstitute for Political Economy
Traduzido por João Aroldo


Gerald Celente chama a mídia ocidental de presstitutes, um termo sagaz que eu uso frequentemente. Presstitutes vendem-se a Washington para acesso e fontes do governo e para manter seus empregos.

Desde que o regime corrupto Clinton permitiu a concentração dos meios de comunicação dos EUA, não há independência jornalística nos Estados Unidos, exceto para alguns sites da Internet.

Glenn Greenwald
Glenn Greenwald ressalta a independência que a RT (Russia Today), uma organização de mídia russa, permite a Abby Martin, que denunciou uma suposta invasão da Ucrânia pela Rússia, em comparação com os destinos de Phil Donahue (MSNBC) e Peter Arnett (NBC), ambos os quais foram demitidos por expressar oposição ao ataque ilegal do regime Bush ao Iraque.

O fato de que Donahue tinha o programa com a maior audiência da NBC não lhe deu independência jornalística. Qualquer pessoa que fale a verdade na imprensa americana ou em rede de TV ou na NPR (National Public Radio) é imediatamente demitida.

A RT da Rússia parece realmente acreditar e observar os valores que os americanos professam mas não honram.


Greenwald é totalmente admirável. Ele tem inteligência, integridade e coragem. Ele é um dos bravos, a quem meu livro recém-publicado, How America Was Lost, é dedicado. Quanto a Abby Martin da RT, eu a admiro e tenho sido um convidado em seu programa várias vezes.

Minha crítica de Greenwald e Martin não tem nada a ver com a sua integridade ou seu caráter. Eu duvido das alegações de que Abby Martin fez exibicionismo quanto à “invasão da Ucrânia pela Rússia”, a fim de aumentar suas chances de passar para a “grande mídia” mais lucrativa. Meu ponto é bem diferente. Mesmo Abby Martin e Greenwald, que nos trazem tanta luz, não conseguem escapar totalmente da propaganda ocidental.

Por exemplo, a denúncia de Martin de que a Rússia “invadiu” a Ucrânia é baseada em propaganda ocidental de que a Rússia enviou 16.000 soldados para ocupar a Crimeia. O fato é que esses 16 mil soldados russos estão na Crimeia desde os anos 1990. Sob o acordo russo-ucraniano, a Rússia tem o direito de basear 25.000 soldados na Crimeia.

Abby Martin
Aparentemente, nem Abby Martin nem Glenn Greenwald, duas pessoas inteligentes e conscientes, sabiam desse fato. A propaganda dos EUA é tão penetrante que dois dos nossos melhores repórteres foram vitimados por ela.

Como já escrevi várias vezes em minhas colunas, os EUA organizaram o golpe de estado na Ucrânia a fim de promover sua hegemonia mundial, capturando a Ucrânia para a OTAN e colocando bases de mísseis na fronteira da Rússia, a fim de degradar a dissuasão nuclear da Rússia e forçar a Rússia a aceitar a hegemonia de Washington.

A Rússia não tem feito nada além de responder de uma forma muito discreta a uma grande ameaça estratégica orquestrada pelos EUA.

Não é só Martin e Greenwald que caíram pela propaganda de Washington. A eles junta-se Patrick J. Buchanan. A coluna de Pat convidando os leitores a Resistir ao partido da guerrana Crimeia abre com a afirmação propagandística de Washington: “Com o envio de Vladimir Putin de tropas russas na Crimeia...”.

Tal envio não ocorreu. Putin teve permissão da Duma russa de enviar tropas para a Ucrânia, mas Putin já declarou publicamente que o envio de tropas seria um último recurso para proteger os russos da Crimeia de invasões pelos ultranacionalistas neonazis que roubaram o golpe de Washington e se estabeleceram no poder em Kiev e na Ucrânia ocidental.

Então, temos aqui três dos jornalistas mais inteligentes e independentes do nosso tempo, e todos os três estão sob a impressão criada pela propaganda ocidental de que a Rússia invadiu a Ucrânia.

Parece que o poder da propaganda dos EUA é tão grande que nem mesmo os melhores e mais independentes jornalistas podem escapar de sua influência.

Que chance a verdade tem quando Abby Martin recebe elogios de Glenn Greenwald por denunciar a Rússia por uma suposta "invasão" que não ocorreu, e quando o independente Pat Buchanan abre sua coluna que discorda da turma que acusa a Rússia aceitando que houve uma invasão?

Toda a história que os presstitutes têm contado sobre a Ucrânia é uma produção de propaganda.

Urmas Paet
Os presstitutes disseram que o presidente deposto, Viktor Yanukovich, ordenou que os atiradores disparassem contra os manifestantes. Com base nestes relatórios falsos, os fantoches de Washington, que compõem o não-governo existente em Kiev, emitiram ordens de prisão para Yanukovich e querem que ele seja julgado em um tribunal internacional. Em uma ligação telefônica interceptada entre a ministra das Relações Exteriores da UE, Catherine Ashton e o Ministro das Relações Exteriores da Estônia, Urmas Paet, que tinha acabado de voltar de Kiev, Paet relata:

Agora há compreensão mais forte de que por trás dos snipers (franco-atiradores), não estava Yanukovich, mas alguém da nova coalizão.

Paet passa a relatar que:

(...) todas as evidências mostram que pessoas de ambos os lados foram mortas por franco-atiradores, tanto policiais como as pessoas das ruas, que eram os mesmos atiradores matando as pessoas de ambos os lados... e é realmente preocupante que agora a nova coalizão não queira investigar o que aconteceu exatamente.

Ashton, absorvida com planos da UE para orientar as reformas na Ucrânia e preparar o caminho do FMI para obter o controle sobre a política econômica, não ficou particularmente satisfeita ao ouvir o relatório de Paet de que as mortes foram uma provocação orquestrada. Você pode ouvir a conversa entre Paet e Ashton em: Kiev snipers hired by Maidan leaders - leaked EU's Ashton phone tape e a seguir a confirmação de Paet da veracidade do vazamento:


O que aconteceu na Ucrânia é que os EUA conspiraram contra e derrubaram um governo legítimo eleito e, em seguida, perderam o controle dos neonazis que estão ameaçando a grande população russa no sul e leste da Ucrânia, províncias que anteriormente faziam parte da Rússia. Estes russos ameaçados apelaram pela ajuda da Rússia e, assim como os russos na Ossétia do Sul, eles vão receber ajuda da Rússia.

O governo de Obama dos EUA e seus presstitutes vão continuar a mentir sobre tudo.
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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.