Mostrando postagens com marcador Discurso de junho de 2009. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Discurso de junho de 2009. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Respeitem o arquiteto: Malcolm X, eleições e a política do império


Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Nosso problema é problema também de vocês. Não importa quanta independência os africanos conquistem na África. A menos que nunca dispam seus trajes africanos quando andarem pelos EUA, vocês correm lá o risco de ser confundidos com um de nós. E serão espancados como nós, em qualquer rua. Essa é a rotina de todos os negros, nos EUA.

Obama foi ao Cairo como “enviado do império” buscando universalizar o poder norte-americano. Malcolm X lá esteve para “internacionalizar as lutas pela liberdade dos negros e aproximá-las das lutas no Terceiro Mundo, onde vivem as vítimas do império”.  [GALLO/GETTY]

Com Guantánamo ainda em operação, os drones matando como sempre, e o sentimento antimuçulmano soando nas claves mais baixas e marcando as passadas do avanço imperial, as próximas eleições presidenciais nos EUA fazem surgir, mais uma vez, o espectro do Terceiro Mundo islâmico e muçulmano apresentado como ameaça à segurança nacional e aos interesses dos EUA. E com Obama concorrendo à reeleição como um, dentre dois candidatos, a questão da Negritude volta a ser o elefante na sala de visitas.

Enquanto muitos ainda querem estigmatizar Obama, cada vez mais, como “cripto-muçulmano” e “candidato árabe” do século 21, outros veem a evidência de que Obama é negro como meio para “reposicionar” a imagem dos EUA e ajudar a promover os interesses dos EUA no Terceiro Mundo muçulmano, acrescentando a eles um verniz ‘pós-racial’ e benevolente.

Mas, como detalho em meu livro mais recente [2], esses relacionamentos e histórias entre a Negritude, o Islã e o Terceiro Mundo muçulmano nada têm de novidade nos EUA.

De fato, foi Malcolm X quem definiu essas histórias convergentes. E é esse legado dele que, em vários sentidos, provoca tanta ansiedade em EUA pós-11/9, com um negro na presidência, cujo segundo prenome é Hussein.

Porque ser negro nos EUA basta, para ser excluído como não-norte-americano; mas ser negro e muçulmano é ser anti-norte-americano. A “desqualificação” de Obama como muçulmano no clima do pós-11/9 veio ocultada pela ameaça representada por aquela coisa chamada “al-Qaeda”; mas a negritude de Obama e sua “proximidade” do Islã provoca, de fato, uma espécie de reirrupção de uma ansiedade nacional muito mais profunda nos EUA, que vai até Malcolm X.

Malcolm X desafiou a autoridade do Estado norte-americano, não só no que tivesse a ver com o passado dos negros, mas também com um futuro para os negros; e exigiu que os negros norte-americanos aprendessem a ver-se não como uma minoria nacional, mas como parte de uma maioria global.

Para Malcolm X, “o Islã foi a maior força de unificação do Mundo Negro” [orig. Dark World], e o Terceiro Mundo muçulmano teve impacto definitório na vida e na visão política de Malcolm X – fosse Meca, como centro espiritual; ou as lutas anticoloniais no Egito, Argélia, Palestina, Iraque e por toda a parte. Mas, para Malcolm, ninguém teria de ser muçulmano. O que importava era reconhecer a realidade do racismo no sofrimento secular dos negros; assim se veria, afinal, o suprematismo branco como fenômeno global e laço necessário que liga as lutas dos negros com as lutas no Terceiro Mundo. Mas sempre houve atenção persistente, nos EUA, para conter e mesmo para erradicar qualquer possibilidade de internacionalismo negro.

Como uma espécie de realização da tradição dos Direitos Civis, a presidência de Obama sugeriu, no plano simbólico, que não apenas os negros têm a própria existência investida nos EUA, mas, também, que a recíproca é verdadeira; o status de Obama como “líder do mundo livre” casaria a identificação dos negros com os EUA, e com o poder e o destino dos EUA.

Barack Obama durante o Discurso do Cairo de 4/6/2009
Obama tentou capturar a euforia em torno de sua eleição no muito divulgado “Discurso do Cairo”, em 2009, intitulado “Um Novo Começo” [orig. "A New Beginning"], que visava a marcar uma mudança, depois do militarismo polarizado do 2º governo Bush.

Mas Malcolm X também falou no Cairo: em 1964, falou numa reunião de chefes de Estado da Organização da Unidade Africana [orig. Organisation of African Unity].

Obama foi ao Cairo como enviado do império que buscava universalizar o poder dos EUA; Malcolm lá esteve para internacionalizar as lutas pela liberdade dos negros no Terceiro Mundo e que eram as vítimas do império.

No Cairo, Malcolm conclamou os chefes de Estado a não se deixarem enganar pelo “lobo imperialista” dos EUA ou pelas tentativas do Departamento de Estado de usar propaganda para convencer as nações africanas de que os EUA estariam avançando no rumo da igualdade racial depois do julgamento do caso Brown vs Board e de a legislação dos Direitos Civis ter sido aprovada.

Como Malcolm disse lá, aquelas medidas eram “manobras de propaganda” e “não passam de truques da potência neocolonial que domina o século”. Malcolm pediu que ouvissem o que fora dizer: “Não fujam do colonialismo europeu, só para se deixar escravizar ainda mais profundamente pelo dolarismo norte-americano, falsamente solidário”.

Ao chamar a atenção para o uso da propaganda e para o gerenciamento da imagem dos EUA no exterior, Malcolm anteviu não só o que aconteceria depois do 11/9, quando o Departamento de Estado daria postos destacados na arte e na política a muçulmanos, para influenciar a opinião pública em outros países, mas, também, como e o quanto a eleição de Obama e a retórica da “diversidade” seriam usadas para reposicionar a imagem dos EUA, promovendo uma imagem renovada de inclusão progressista e “pós-racial”, exclusivamente para mascarar o enraizamento do suprematismo branco, não só nacionalmente, nos EUA, mas também no plano global.

E ao ligar as políticas racistas domésticas nos EUA ao papel da “potência neocolonial” e a emergência do “dolarismo norte-americano”, Malcolm mostrou também o quanto o racismo operava como elo que unia todo o colonialismo europeu aos EUA que emergiam como superpotência global.

Obama foi ao Egito para cooptar aquela cidade sagrada e apresentar uma face benevolente do poder dos EUA. Malcolm lá esteve para rasgar a máscara de benevolência e revelar a verdade nua sobre o nexo que liga a injustiça racial nos EUA e a ambição imperial. Por isso o legado de Malcolm X é tão importante: porque lança luz sobre a dinâmica racista que modela hoje toda a paisagem global sob o poder dos EUA.

Cicatrizes vermelhas, negras e verdes

Logo depois da 2ª Guerra Mundial, quando os EUA substituíram a Europa como ator dominante no cenário global, o presidente Truman declarou o “comunismo” inimigo público n.1; o comunismo seria, disse ele, ameaça maior que o colonialismo, para o Terceiro Mundo em luta para descolonizar-se. Resultado disso, os EUA e seus aliados europeus convenceram-se de que um Terceiro Mundo independente seria a maior ameaça contra a ordem do pós-guerra que os EUA desejavam dominar, porque um Terceiro Mundo independente geraria um vácuo de poder que poderia ser facilmente preenchido pelo comunismo.

O medo real, como Malcolm e outros como Lumumba, Fanon e Nkrumah compreenderam, era medo da libertação e da independência da maioria do mundo, que ganharia força potencial para redistribuir radicalmente o poder e a riqueza globais – e sem considerar qualquer prioridade para o mundo branco.

Então, os EUA expandiram o seu tacão imperial para o Terceiro Mundo e, com ele, estenderam a lógica do racismo colonialista, servindo-se do “anticomunismo” como meio que justificaria a intervenção, o apoio a ditaduras, a deposição de governos democraticamente eleitos, os assassinatos e a desestabilização em todo o Terceiro Mundo (como o comprovam Mossadegh, Arbenz, Lumumba e tantos outros). A política exterior dos EUA usou o “anticomunismo” como simulacro, como máscara, para esconder o racismo; e, assim, conseguiu minar o processo de descolonização do Terceiro Mundo.

Malcolm emergiu desse cadinho da Guerra Fria, onde ativistas dos Direitos Civis abraçaram uma identidade norte-americana e passaram a argumentar que a violência de Jim Crow seria um calcanhar de Aquiles que minaria as ambições globais dos EUA num Terceiro Mundo já hostil ao suprematismo branco. Malcolm criticou duramente o establishment dos Direitos Civis por ter domesticado a luta dos negros, limitando-a ao cenário dos EUA e usando-a como suporte da lógica do “anticomunismo”.

Para Malcolm e outros, o establishment dos Direitos Civis – por não entender a natureza global do suprematismo branco – não obteria qualquer ganho efetivo na luta contra o racismo. Em vez de tentar a sorte ao lado das lutas pela descolonização do Terceiro Mundo, a luta pelos Direitos Civis apenas mascarou o poder branco, com postura reformista para exclusivo uso interno; ao mesmo tempo em que facilitou o processo pelo qual o poder branco entrincheirou-se em todo o mundo, sob a lógica sobreposta, e falhada, do “anticomunismo”.

Em 1964, Malcolm X fez o conhecido e tantas vezes criticado discurso “À urna ou à bala” [orig. The Ballot or the Bullet] [3], em que confrontou o establishment dos Direitos Civis, e disse que o voto sempre seria inútil, para os negros, como meio para alcançar direitos iguais nos EUA.

Em vez de votar, disse ele, os negros deveriam internacionalizar suas lutas e aproximar-se das lutas em curso no Terceiro Mundo, na África, na Ásia e na América Latina. Como disse, “ninguém leva o próprio caso para ser julgado pelo criminoso: leva-se para ser julgado por tribunal”.

Para Malcolm X, a deriva, de “direitos civis” para “direitos humanos”, implicava apresentar a causa dos negros norte-americanos ante um fórum ampliado, o que forçaria os EUA a submeter-se ao escrutínio e desafio do Terceiro Mundo; e isso, sim, poderia fazer pender a balança do poder a favor das nações negras, tanto quanto revelaria as hipocrisias dos EUA, tornaria menos exequíveis os objetivos da política externa dos EUA no Terceiro Mundo e exporia a extensão brutal do mesmo racismo colonial europeu.

Todos esses compromissos e apoios são signos de seu internacionalismo radical e da profunda divergência que o afastava do establishment dos Direitos Civis. Malcolm apoiou a luta dos palestinos contra os sionistas; aproximou os guetos do Harlem sob leis de segregação racista à Casbah de Argel sob leis colonialistas francesas; elogiou a posição de Nasser contra Inglaterra, França e Israel; comemorou a Conferência de Bandung [4], que viu como um modelo para unificar a cultura política negra durante a Guerra Fria; apoiou a revolta dos Mau Mau contra o colonialismo britânico, e do Vietnã contra o colonialismo francês; reuniu-se com Fidel Castro, elogiou Lumumba como “o maior negro que jamais andou pelo continente africano” e, como Fanon, afirmou o valor ético da luta armada; fundamentalmente, desafiou todo o consenso da Guerra Fria.

O presente pós 11/9

Com o hipernacionalismo da era pós 11/9 a soprar as chamas do incêndio da guerra dos EUA contra o Terceiro Mundo muçulmano, o legado de resistência de Malcolm – no qual se combinam o internacionalismo negro e as políticas do Terceiro Mundo muçulmano – é como roteiro pronto para quem se empenhe em desafiar o consenso imperial que caracteriza a era pós-11/9.

O racismo está crescendo nos EUA

Assim como o “anticomunismo” foi usado para encobrir o racismo durante a Guerra Fria, o “antiterrorismo” é a nova máscara que, hoje, esconde o mesmo racismo e o re-entrincheiramento do suprematismo branco. Serve para justificar a intervenção pelos EUA em vários pontos do mundo, ao mesmo tempo em que contém a insatisfação popular interna, com a lógica do “terrorismo” usada até para determinar quem é cidadão e que é inimigo; quem é humano e quem não é; quem é marcado para morrer e quem ganha alvará para continuar vivo.

Forjado nas lutas da Guerra Fria, o legado de Malcolm tem potência para impedir que comunidades minoritárias (inclusive muçulmanas) sejam manipuladas pela retórica do “terrorismo”. O legado de Malcolm ajuda a reconhecer as raízes racistas dessa nova retórica. Ajuda a ver o modo como o “antiterrorismo” é usado, não só para conter qualquer oposição interna, mas, também, para promover a violenta expansão de ambição imperial, dos EUA. Porque a lógica do “antiterrorismo” opera a favor da lógica racista que divide os muçulmanos entre “moderados” e “radicais”, ela rouba também qualquer dignidade aos que se ergam em oposição ao poder imperialista dos EUA em todo o mundo.

Hoje, quando já muitos ativistas, artistas, acadêmicos e organizações voltam-se outra vez para o pensamento de Malcolm e servem-se dele em seu trabalho, é importante que as comunidades negras e outras não brancas, e as comunidades muçulmanas, continuem a traçar e recompor as profundas conexões internacionalistas às quais Malcolm deu tanta atenção.

Essa conexão de todas essas lutas nada tem a ver com qualquer ideia romântica de solidariedade. É conexão que brota da compreensão mais firmemente enraizada de o quanto são profundamente conectadas, de fato, todas essas forças da violência. É o reconhecimento de que a persistência do racismo nos EUA acontece como efeito de o suprematismo branco ser muito fundamente entretecido no próprio tecido do poder político nos EUA; por isso, o suprematismo branco recebe novo fôlego mediante a simples operação do Estado norte-americano, do modo como os EUA conduzem seus negócios, interna ou externamente.

Implica reconhecer que a lógica do encarceramento em massa nos EUA destruiu qualquer possibilidade de vida política para os negros norte-americanos. Conter internamente as forças de oposição popular, usando as polícias locais e a contraguerrilha, é motivação que também inspira os militares norte-americanos em suas prisões imperiais em Abu Ghraib, Guantánamo, Bagram e outras.

Implica reconhecer também que o suplício dos migrantes através da fronteira pesadamente militarizada entre EUA e México é em tudo muito assemelhado ao processo pelo qual os palestinos são simultaneamente contidos e destruídos, os palestinos e a terra deles.

Implica reconhecer que as políticas econômicas neoliberais que destruíram o salário social e fizeram emergir o estado de guerra nos EUA são muito profundamente enraizadas na exploração do Terceiro Mundo – exploração para a qual operam o capital financeiro e a guerra.

Falar só sobre o antirracismo doméstico e não ver o suprematismo branco como problema global, ou só tecer críticas mornas às políticas externas dos EUA, sobre táticas e estratégias, nunca sobre sua postura nacional fundamentalmente racista, é ter perdido completamente o rumo. Porque essa fala e essa crítica mostram que não veem – ou impedem que todos vejam – que o suprematismo branco enraíza-se na própria estrutura das relações globais que os EUA tanto têm trabalhado para inventar; um conjunto de relações nas quais a diplomacia, o comércio, a manobra política, a guerra e questões de soberania são disputadas em terreno absolutamente desnivelado, sobre o qual os EUA e a Europa têm poder de arbitragem, poder político e brutal força militar.

Ignorar tudo isso nos leva às piores formas do internacionalismo liberal, que presume que os EUA sejam potência benéfica para o mundo, e reproduz o problema contra o qual Malcolm X lutou tão heroicamente, até ser morto. [5]

Malcolm deixou uma marca indelével para gerações de artistas e ativistas. Mas seu legado está hoje sob ataque, como se o projeto fosse apagá-lo, desta vez para sempre, em tempos em que o governo Obama e a narrativa triunfante dos Direitos Civis ainda insistem em dar à ação internacionalista dos movimentos de negros ares de impulso antiquado e irrelevante.

Sohail Daulatzai
Frente aos que dizem que votar em Obama seria “mais pragmático”, e que votar em candidato independente ou não votar seria “não pragmático”, Malcolm viraria a mesa. Para ele, jamais houve coisa alguma de “pragmático” em votar em Democratas ou em Republicanos, se as forças que comandam esses atores permanecem resistentes a qualquer mudança (para já nem falar em transformação). Para Malcolm, nada jamais houve de ‘pragmático’ em continuar a investir e a envolver-se nesse processo em que nada muda, sempre sonhando com mudanças. Para Malcolm, isso é pragmatismo-zero. E caminho direto para a irrelevância.

______________________

Notas dos tradutores

[1]  Epígrafe acrescentada pelos tradutores.

[2]  Black Star, Crescent Moon: The Muslim International and Black Freedom beyond America [Estrela Negra, Lua Crescente: A internacional muçulmana e Liberdade Negra, além dos EUA], 2012 (sumário em inglês).

[3]3/4/1964, em Detroit, EUA. Pode ser lido (em inglês) em: “The Ballot or the Bullet”: Malcolm X

[4] 18-24/4/1955, realizada em Bandung, Indonésia: primeira conferência em grande escala (29 países, representando ¼ da superfície terrestre e população total de 1,5 bilhão de pessoas) de países africanos e asiáticos, a maioria dos quais acabavam de tornar-se independentes. A Conferência de Bandung está na origem da constituição do Movimento dos Não Alinhados.

[5] Malcolm X foi assassinado num atentado, dia 21/2/1965, em New York, aos 39 anos.  

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Obama e o “arco de instabilidade” cada dia mais instável

19/9/2011, Nick Turse, Tom Dispatch
Reproduzido no Asia Times Online Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

Ver também:
Legados gêmeos do 11/9”, Mahan Abedin, 12/9/2011
O que querem os EUA no Iraque?”, Pepe Escobar, 16/9/2011

O assunto é de dar calafrios: a desestabilização do que, nos tempos de George W Bush, se conhecia como “o arco de instabilidade”. São pelo menos 97 países, no sul global, quase todos coincidentes com os campos de petróleo do planeta. Grande número dessas nações estão hoje em tumulto e torvelinho e, em todas – do Afeganistão e Argélia ao Iêmen e Zâmbia –, Washington está militarmente envolvida, abertamente ou clandestinamente, em guerra ou no que ainda passa por paz. 

Cercar militarmente o planeta é parte do processo. O Pentágono e os serviços de inteligência dos EUA também comandam operações clandestinas de forças especiais e ações de espionagem, lançam ataques com aviões-robôs pilotados à distância (drones), constroem bases e prisões secretas, treinam, armam e financiam forças de segurança locais e estão envolvidos em muitas outras atividades militares que equivalem plenamente a guerra em escala total. Mas, enquanto se lê isso, não se deve esquecer que já praticamente não há nenhuma nação, no arco de instabilidade, na qual os EUA não estejam militarmente envolvidos.

A conversa do arco

“A liberdade está em marcha no grande Oriente Médio. A esperança de liberdade alcança hoje de Kabul a Bagdá, a Beirute e além. Lenta, mas firmemente, estamos ajudando a transformar o grande Oriente Médio, de arco de instabilidade, em arco de liberdade”. 

Todos estão antecipadamente perdoados se pensaram que o trecho acima tenha sido extraído do discurso do presidente Obama sobre a primavera árabe, no qual disse que “Será política dos EUA (...) apoiar transições para a democracia” [1]. Mas, não. As palavras acima são palavras de George W Bush [2]. O que aproxima os dois discursos é a expressão “arco de instabilidade”, conceito retórico central da visão global do ex-presidente e de seus apoiadores neoconservadores. 

O sonho dos anos Bush era dominar militarmente aquele arco, que coincide, quase todo, com a região do Norte da África até a fronteira da China, também conhecido como Grande Oriente Médio, o qual, para muitos, estende-se da América Latina ao sul da Ásia. Embora a expressão “arco de instabilidade” tenha praticamente caído em desuso nos anos Obama, quando se trata de projetar o poder militar o presidente Obama já, praticamente, passou à frente do antecessor. 

Além de já estar em guerra em mais nações “do arco”, Obama ordenou o deslocamento de número muito superior de forças das operações especiais para aquela região, transferiu ou intermediou a venda de quantidades mais substanciais de armas para lá, ao mesmo tempo em que continua a construir e ampliar bases militares, em ritmo frenético, além de treinar e equipar forças locais em todas aquelas nações. 

Documentos do Pentágono e informações de fonte aberta indicam que não resta um único país naquele arco, no qual não haja, ativas, forças militares e agências de inteligência dos EUA. É necessário, pois, indagar sobre o papel crucial que os EUA desempenham ali, como agentes de desestabilização e fazendo aumentar a volatilidade.  

O arco invadido, inundado

Dada a centralidade do arco de instabilidade para o pensamento do governo Bush, nem chega a surpreender que tenha declarado guerras no Afeganistão e no Iraque, e atacado, inúmeras vezes em três outros estados do arco – Iêmen, Paquistão e Somália. Nem poderia alguém ficar chocado por os EUA também terem usados forças militares especiais e operações especiais da CIA, também noutros pontos do arco. 

Em seu livro The One Percent Doctrine, o jornalista Ron Suskind comenta planos da CIA, revelados em setembro de 2001 e conhecidos como “Worldwide Attack Matrix” em que se leem “operações detalhadas contra terroristas em 80 países”. Mais ou menos ao mesmo tempo, o então secretário da Defesa Donald Rumsfeld proclamou que os EUA haviam embarcado “em grande esforço de muitas cabeças que, provavelmente, alcançará 60 países”. Ao final dos anos Bush, o Pentágono já teria forças de operações especiais em 60 países em todo o mundo. 

Mas foi o governo Obama que, contudo, abraçou muito mais plenamente o conceito e ‘engajou’ toda a região em termos ainda mais amplos. Ano passado, o Washington Post noticiou que os EUA já tinham operações de forças especiais ativas em 75 países, da América do Sul à Ásia Central. [3]

Mais recentemente, o coronel Tim Nye, porta-voz do Comando de Operações Especiais dos EUA disse-me que, em qualquer dia que se considere, há tropas de elite dos EUA trabalhando em cerca de 70 países; e que, até o final do ano, serão 120 países. Essas forças estão envolvidas em várias diferentes missões, de Rangers do Exército, que fazem combate convencional no Afeganistão, aos SEALs da Marinha que assassinaram Osama bin Laden no Paquistão, além de instrutores do Exército, Marinha e Força Aérea, e Marines do Comando de Operações Especiais dos EUA que trabalham em todo o planeta, da República Dominicana ao Iêmen. 

Os EUA estão hoje ativos em guerras em seis nações do arco de instabilidade: Afeganistão, Iraque, Líbia, Paquistão, Somália e Iêmen. E há pessoal militar ativo em outros estados do mesmo arco, dentre os quais Argélia, Bahrain, Djibuti, Egito, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Marrocos, Omã, Paquistão, Qatar, Arábia Saudita, Tunísia e nos Emirados Árabes Unidos. 

Desses países, Afeganistão, Bahrain, Djibuti, Iraque, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos abrigam bases militares dos EUA, e há notícias de que a CIA estaria construindo uma base secreta em algum ponto da região, a ser usada para expandir a guerra com aviões-robôs tripulados à distância para o Iêmen e a Somália. Também já há em operação instalações semelhantes, para a mesma finalidade, no Djibuti, Etiópia e nos Emirados Árabes Unidos, e uma base clandestina, já operante, na Somália, que dirige agentes locais e oferece treinamento de contraterrorismo para parceiros locais. 

Além dos próprios esforços militares, o governo Obama também tem sido ativo intermediador de venda de armas para regimes no arco, em todo o Oriente Médio, inclusive no Bahrain, Egito, Iraque, Jordânia, Kuwait, Marrocos, Arábia Saudita, Tunísia, Emirados Árabes Unidos e Iêmen. E tem adestrado, em doutrina e formação militar, parceiros do Departamento do Estado e do programa de Treinamento e Educação Militar Internacional do Pentágono. 

Ano passado, aquele programa atendeu mais de 7.000 alunos de 130 países. “Esse programa dá atenção especial ao Oriente Médio e África, porque sabemos que o terrorismo crescerá, e sabemos que países vulneráveis são mais visados”, disse ao American Forces Press Service a gerente do programa, Kay Judkins. 

Segundo Documentos do Pentágono liberados no início desse ano, os EUA têm pessoal – em alguns casos em número só simbólico, em outros casos, grandes contingentes – alocado em 76 outras nações que às vezes aparecem incluídas no arco de instabilidade: África do Sul, Albânia, Angola, Antigua, Bahamas, Bangladesh, Barbados, Belize, Bolívia, Bósnia e Herzegovina, Botsuana, Burundi, Camarões, Camboja, Cazaquistão, Chade, Cingapura, Colômbia, Congo, Costa do Marfim, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Etiópia, Filipinas, Gabão, Gana, Guatemala, Guiné, Guiana, Haiti, Honduras, Indonésia, Jamaica, Laos, Libéria, Macedônia, Madagascar, Malásia, Mali, Mauritânia, México, Moçambique, Mianmar, Nicarágua, Níger, Nigéria, Panamá, Paraguai, Peru, Quênia, Quirguistão, República Dominicana, Romênia, Ruanda, Senegal, Sérvia, Sierra Leone, Síria, Sri Lanka, Sudão, Suriname, Tadjiquistão, Tailândia, Tanzânia, Togo, Trinidad e Tobago, Turcomenistão, Uganda, Uruguai, Uzbequistão, Venezuela, Vietnã, Zâmbia e Zimbábue.

Ainda que a prisão de cerca de 30 membros de uma célula de espiões da CIA no Irã, no início do ano, como outras prisões de supostos “espiões” norte-americanos possam não passar de encenação para o público interno ou como fator de barganha internacional, não há dúvidas de que os EUA mantêm operações clandestinas também no Irã. 

Ano passado, divulgaram-se notícias de que equipes de agentes clandestinos dos EUA teriam sido autorizados para missões no Irã, e agentes norte-americanos e grupos aliados locais quase com certeza trabalham lá. Recentemente, o Wall Street Journal revelou uma série de “operações secretas na fronteira Irã-Iraque”, por militares dos EUA e CIA, com o objetivo de impedir o contrabando de armas, do Irã para o Iraque. 

Tudo isso sugere que é possível que não haja sequer um único país, no arco de instabilidade, seja qual for a definição, no qual os EUA não tenham ou base, ou soldados ou pessoal de inteligência, no qual não comandem agentes, ou para o qual não mandem armas, ou no qual não haja operações clandestinas, ou contra o qual os EUA não estejam em guerra. 

O arco da história 

Imediatamente depois de Obama assumir a presidência em 2009, o então Diretor da Inteligência Nacional Dennis Blair, falou ao Comitê Especial do Senado para Assuntos de Segurança. Dando atenção especial ao arco de instabilidade, assim resumiu a situação global: “A grande região, do Oriente Médio ao sul da Ásia, é locus de muitos dos desafios que os EUA enfrentam no século 21.” 

Desde então, como no caso da expressão que se costuma associar a Bush, “guerra global ao terror”, o governo Obama e os militares dos EUA têm procurado não falar de “arco de instabilidade”, recorrendo sempre a formulações bem mais vagas. 

Em discurso na reunião anual da Associação da Indústria Nacional de Defesa, em simpósio sobre Operações Especiais e Conflitos de Baixa Intensidade, no início de 2011, o almirante da Marinha, Eric Olson, então chefe do Comando das Operações Especiais dos EUA, apontou para uma imagem de satélite projetada num telão, em que se via um mapa do mundo, à noite, com vários pontos luminosos.

Antes do 11/9/2011, disse Olson, a parte do planeta que e via iluminada – as nações industrializadas do norte global – eram consideradas áreas chaves. Depois, disse o almirante, a prioridade estendeu-se para 51 países, quase todos no arco de instabilidade. “Nosso foco estratégico”, disse ele, “moveu-se em boa parte para o sul (...). Na comunidade de operações especiais, lidamos com ameaças que surjam em pontos onde não se veem luzes acesas nesse mapa”. [4]

Mais recentemente, em observações que fez na Escola Paul H Nitze de Estudos Internacionais Avançados, em Washington, DC, John O’Brennan, assessor do presidente para segurança nacional e contraterrorismo, delineou a nova Estratégia Nacional para segurança interna e contraterrorismo, em que têm destaque missões “na região do Paquistão-Afeganistão” e “um foco em regiões específicas, incluindo o que definimos como periferia – locais como Iêmen, Somália, Iraque e o Maghreb [norte da África]”. 

“Isso”, disse Brennan, “não exige guerra global” – e de fato, apesar da terminologia da era Bush, nunca foi, antes, guerra global. Os terroristas que, na Alemanha, planejavam os ataques do 11/9, e o terrorista que levava explosivos no sapato, Richard Reid, e que embarcou no Reino Unido, nunca estiveram em qualquer lista de procurados, porque viviam em países ocidentais de maioria branca. O “arco” jamais estendeu-se para além de países vistos como fundamentalmente instáveis, instáveis por natureza, com problemas definidos como insolucionáveis senão por intervenção militar. 

Construir a instabilidade 

Uma década de evidências basta para comprovar que as operações dos EUA no arco de instabilidade são desestabilizadoras. Durante anos, para tomar um exemplo, Washington manteve assistência militar e conduziu ações militares e diplomáticas que visavam, todas, a minar o governo do Paquistão e a promover a cisão entre militares e setores da inteligência paquistanesa – o que elevou o sentimento de antiamericanismo a índices muito altos entre a população do país. (Segundo pesquisa recente, apenas 12% dos paquistaneses têm opinião favorável aos EUA.) 

Uma guerra semissecreta, de aviões-robôs tripulados à distância, contra áreas tribais na fronteira entre Paquistão e Afeganistão, com centenas de ataques e número significativo, embora nunca corretamente divulgados, de mortes entre a população civil,  é apenas a face mais visível e mais controversa dos esforços de Washington. No que tenha a ver com esforços da CIA, pesquisa recente do Instituto Pew, com respondentes paquistaneses, revelou que 97% dos entrevistados tinham opinião negativa do papel da CIA no país – índice praticamente jamais visto em qualquer tipo de pesquisa. 

No Iêmen, o apoio que os EUA garantiram por décadas ao ditador Ali Abdullah Saleh – sob a forma de auxílio em dinheiro, treinamento militar e armas, além de ataques aéreos, com aviões convencionais ou com aviões-robôs – geraram um tipo especial de relacionamento entre os EUA e os comandantes do exército do Iêmen, parentes ou aliados pessoais próximos de Saleh. Em 2011, essas unidades militares tiveram papel destacado na repressão contra os manifestantes pró-democracia no Iêmen, com inúmeras mortes entre os populares e prisão de oficiais militares dissidentes que se recusaram a atirar contra civis. 

Não surpreende que, mesmo antes de o Iêmen ter mergulhado num vácuo de liderança política (depois que Saleh foi ferido num atentado), pesquisa feita no país tenha apresentado outro índice, ainda mais raro: 99% dos iemenitas entrevistados já tinham opinião desfavorável das relações entre o governo dos EUA e o mundo islâmico; apenas 4% aprovavam “de certo modo” e “fortemente” a colaboração entre a Saleh e Washington. 

Mas, em vez de afastarem-se das operações no Iêmen e apesar dos resultados daquela pesquisa, os EUA aprofundaram a “parceria”. A CIA, apoiada pelos serviços de inteligência da Arábia Saudita, passou a comandar agentes locais e deflagrou campanha mortal, com aviões-robôs, contra militantes islâmicos. Os militares norte-americanos também aumentaram o número de ataques aéreos e enviaram mais instrutores para trabalhar com as forças locais, em missões letais, muitas vezes com aliados iemenitas. 

Esses esforços fixaram o contexto para ainda mais má vontade, mais instabilidade política e possíveis retaliações contra os EUA. Ano passado, um avião-robô norte-americano matou acidentalmente Jabr al-Shabwani, filho e um homem forte, Sheikh Ali al-Shabwani. Em ato de vingança, Ali atacou repetidas vezes um dos principais oleodutos do Iêmen, o que causou bilhões de dólares em prejuízos diretos para o governo do Iêmen, e exigiu o fim da cooperação entre Saleh e os EUA. 

No início desse ano, no Egito e na Tunísia, esforços prolongados dos EUA para promover o os EUA gostam de chamar de “estabilidade regional” – ao custo de alianças militares, ajuda, treinamento e armamentos – entrou em colapso total, com manifestações populares contra os governos ditatoriais apoiados pelos EUA naqueles países. 

Também no Bahrain, Iraque, Jordânia, Kuwait, Marrocos, Omã, Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, irromperam manifestações populares contra regimes autoritários em parceria com e armados por militares dos EUA. 

Não surpreende, tampouco, que, perguntados em recente pesquisa se Obama satisfizera as expectativas criadas pelo “Discurso do Cairo, em português, de junho/2009, no qual falou de “um recomeço nas relações entre os EUA e os muçulmanos em todo o mundo”, apenas 4% dos egípcios responderam “sim”. (Pela mesma pesquisa, apenas 6% dos jordanianos e 1% dos libaneses entendem que Obama fez o que disse, no Cairo, que se deveria fazer.) 

Recente pesquisa Zogby, que entrevistou cidadãos em seis países árabes – Egito, Jordânia, Líbano, Marrocos, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos – mostrou que, sucessor de um presidente que elevou o antiamericanismo no mundo muçulmano a patamares aos quais jamais chegara, Obama conseguiu piorar ainda mais as coisas. Maiorias substanciais de árabes em todos os países entendem, hoje, que os EUA absolutamente não têm contribuído para “a paz e a estabilidade no mundo árabe”. 

A instabilidade cresce em todo o planeta 

A interferência dos EUA no arco de instabilidade nada tem de nova. À parte as guerras de hoje, ao longo de todo o século20 os EUA estiveram ativos em intervenções militares em todo o sul global, no Camboja, Congo, Cuba, República Dominicana, El Salvador, Egito, Granada, Guatemala, Haiti, Honduras, Iraque, Kuwait, Laos, Líbano, Líbia, Panamá, Filipinas, México, Nicarágua, Panamá, Somália, Tailândia e Vietnã, dentre outros pontos. A CIA manteve operações clandestinas em vários desses países e, também, no Afeganistão, Argélia, Chile, Equador, Indonésia, Irã e Síria, para listar apenas alguns. 

Como George W Bush antes dele, Barack Obama também olha para o “mundo não iluminado” e vê fonte de volatilidade global e perigos para os EUA. Sua resposta tem sido mobilizar cada vez maior poder bélico, contando com, assim, conter a instabilidade, apoiar aliados e proteger vidas norte-americanas. 

Apesar da clara lição do 11/9 – intervenções militares em terra distante geram retaliações dentro de casa –, nem por um momento Obama deixou de atacar, em guerras de resposta à resposta por ataques anteriores contra o mundo muçulmano. Pesquisa recente do Instituto Rasmussen indicam que muitos norte-americanos discordam do presidente, em sua ideia de como os EUA devem atuar fora do país. 

75% dos entrevistados, por exemplo, em pesquisa recente, nos EUA, concordam com a seguinte frase: “Os EUA não devem envolver-se em ações militares fora do país, a menos que a causa seja vital para nossos interesses nacionais”. Além disso, claras maiorias de norte-americanos são contrários a qualquer ação para defender Afeganistão, Iraque, Paquistão, Arábia Saudita, e vasta lista de outros países incluídos no arco de instabilidade, nem no caso de serem atacados por outras potências. 

Depois de décadas de intervenções abertas e ocultas em nações do arco, incluindo os últimos dez anos de guerras ininterruptas, praticamente todos aqueles países continuam pobres, subdesenvolvidos e mais instáveis, a cada dia. Em 2011, em sua lista anual de estados fracassados – a relação dos países mais voláteis do planeta – a revista Foreign Policy e o Fund for Peace incluíram as duas nações do arco que receberam as maiores intervenções militares por soldados dos EUA – o Iraque e o Afeganistão – entre os dez primeiros estados “mais fracassados”. Paquistão e Iêmen aparecem, respectivamente, em 12º e 13º lugares; e a Somália, alvo de intervenções dos EUA nos governos Clinton nos anos 1990s; outra vez durante a presidência de Bush em 2000; e mais uma vez, no governo Obama – mereceu a duvidosa honra de ser considerado o estado mais completamente fracassado do planeta, no 1º lugar da lista. 

Por tudo que se discutiu aqui sobre “esforços para a construção de nações” (esforços que jamais dispensam ataques militares, invasões e intervenções) na região, o que se vê, de fato, é uma década de desconstrução de nações, que só parou depois que os próprios povos das nações desconstruídas tomaram o próprio destino nas mãos e saíram às ruas, corações e mentes, para defenderem-se. 

Como o comprovam pesquisas recentes nas nações do arco, os povos do sul global veem os EUA como agente que promove ou sustenta, e que jamais evita ou impede, a instabilidade – com muitas evidências para embasar essa avaliação; e prova dela são os levantes populares contra ditadores autoritários apoiados pelos EUA, que se alastram pelo mundo neste 2011. 

Com os EUA ainda insistindo em defender as nações do “arco de instabilidade”, apesar das indicações claras de que intervenções militares não promovem estabilidade, e enfrentando crise de orçamento de proporções épicas em casa, não se sabe a que pretextos o governo Obama recorrerá para manter sua política intervencionista fracassada – política que está tornando o mundo cada vez mais volátil e expondo os cidadãos dos EUA a riscos cada dia maiores.


Notas dos tradutores
[1] Presidente Barack Obama, “Discurso sobre o Oriente Médio e o Norte da África”, 19/5/2011  em inglês.
[2] Ver CNN, 2005, em: Bush: Freedom on the march, em inglês.