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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Eliane Cantanhêde – Mentirosa e Fofoqueira


Comentário da redecastorphoto: 
Essa jornalista mequetrefe deve ter feito curso com algumas das miriansleitões ou danuzasleões da vida. Ou mesmo com alguma especialista em “jornalismo de fofoca” como a Leilane Neubarth. Ela é a mais provável herdeira da coluna “Mexericos da Candinha” contracapa da antiga Revista do Rádio, especializada em fofocas & mentiras sobre os artistas da época (anos ’50). Vai ser idiota assim lá com seus 3 ou 4 leitores!
Nem posso imaginar o porquê do Max perder tempo com uma besteirenta dessas.

Os segredinhos encomendados da colunista da Folha

Enviado por Max Altman – 09 julho 2012

A colunista Eliane Cantanhêde revela segredinhos da presidenta Dilma Rousseff em sua coluna “Sem paixão” de domingo, 8 de julho. Ninguém sabia, até esta altura, que ela era a confidente de Dilma. Revelar segredos tão importantes, que só se desvelam entre quatro paredes, sem filmagens secretas nem grampos dissimulados, só para os muito íntimos. Não consta que Eliane seja carne e unha da presidenta...

Mas não é nenhum segredo fechado o que “desvenda” Cantanhêde quando diz que “Dilma trabalha seriamente com a possibilidade de derrota de Hugo Chávez na Venezuela, neste ano”. E argumenta: “Com Chávez, há duas questões para além da economia. Ao cercar o câncer de mistério, sua imagem tão forte passa a refletir fragilidade”.

Ora, nem tão cercada de mistério está a enfermidade de Chávez, que ele mesmo tornou pública com bastante detalhe, nem sua imagem está enfraquecida.

Fisicamente; o sociólogo argentino Atílio Borón, presente no Foro de São Paulo há pouco levado a cabo em Caracas, num amplo relato afirmou que Chávez demonstrou em seu discurso e manifestações pessoais que carrega suficiente energia para enfrentar os ossos do ofício de presidente e a carga da disputa eleitoral, apesar de o âncora da televisão norte-americana, Dan Rather ter lhe dado há pouco, com base em fontes altamente fidedignas, não mais que dois meses terminais. Já se passaram quatro.

Politicamente; nada mostra que a doença o tenha enfraquecido. Georges Pompidou e François Mitterrand passaram os mandatos escondendo seus cânceres, apenas filtrados por segredinhos da imprensa, e não consta que tenham perdido relevância.

A malícia do segredinho revelado de Cantanhêde se completa na frase “E, pela primeira vez desde 1999, a oposição cerrou fileiras com uma candidatura, a de Henrique Capriles. Chávez passou a conviver com uma novidade: um opositor para valer”.

O grande objetivo da oligarquia, das forças reacionárias, da direita de nosso continente, apoiadas nos grandes meios de comunicação, para os próximos 90 dias, é a derrota de Chávez.



Ao crescimento das forças democráticas, populares, progressistas e de esquerda na América Latina e Caribe, a direita e o imperialismo respondem de diversas formas, dentre outras com a agressão sistemática pelo governo de Estados Unidos, a manipulação e criminalização das demandas sociais, para gerar enfrentamentos violentos e uma contra-ofensiva golpista.

O objetivo do império, a longo prazo, é controlar os recursos naturais. Não há outro continente que não a América do Sul a ostentar tantos e tão diversos recursos naturais - petróleo, água, biodiversidade,etc. - fundamentais para o desenvolvimento energético, industrial e agroalimentar. A contra-ofensiva estratégica de Washington é liquidar com Chávez porque ele é a grande liderança hoje das forças democráticas, progressistas, populares e de esquerda na defesa da soberania, independência e integração das nações latino-americanas e do Caribe.

Ante a iminente possibilidade de derrota eleitoral, a oposição venezuelana, respaldada pelos grandes meios de comunicação locais e internacionais, passaram a desatar uma intensa campanha, apelando a todo tipo de recursos, que incluem atos de violência e de desestabilização, mas também circunlóquios sibilinos não para defender um resultado altamente improvável – a vitória de Capriles – e sim para contar na hora da verdade com o argumento da denúncia de fraude.

O governo brasileiro, levando em conta os interesses legítimos do Brasil, sua política em favor da integração das nações latino-americanas, na defesa das recentes conquistas das massas de trabalhadores de nossa região, da nossa soberania e independência, está sim interessado – e muito – no resultado eleitoral de 7 de outubro na Venezuela. Para Dilma não “tanto faz como tanto fez”.

Felizmente, a consciência política da grande maioria do povo venezuelano permite prever uma nova, crucial e histórica vitória para as forças progressistas.


Texto de Max Altman – 09 julho 2012
Gráfico publicado pelo Instituto Venezolano de Análisis de Datos (IVAD) em 08 de julho
Título da postagem e ilustração: Castor Filho - redecastorphoto

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Eliane Cantanhêde versus Caco Barcelos (trecho censurado)


Eliane Cantanhêde

No dia 20/09/2011 foi ao ar o programa “Em Pauta” em que o entrevistado era o excelente jornalista Caco Barcelos. 

Lá pelas tantas, a jornalista Eliane Cantanhêde (Folha) resolveu abordar o “bom momento” (sic) do jornalismo brasileiro. Caco, surpreso, logo retruca: “Você acha?”. Pois sabe bem ele que o jornalismo (?) no Brasil passa por uma das mais graves crises de credibilidade. Você vai perceber que Caco usa a expressão “jornalismo declaratório” como eufemismo ao péssimo jornalismo praticado inclusive pela Folha de São Paulo e seus colunistas amestrados. 

Caco Barcelos
O que se segue no vídeo é uma verdadeira lição de jornalismo de Caco que Cantanhêde talvez nunca tenha escutado.

Vergonhosamente, a Globo News cortou sumariamente este trecho da entrevista. 

Durante a campanha eleitoral de 2010, a Folha (juntamente com Veja, Estadão, Globo etc.) praticou o mais abjeto jornalismo em favor do PSDB, mostrando apenas denúncias contra o PT e ocultando todas as denúncias contra o PSDB.

E até hoje tem sido assim. 

Assista sem censura:



Enviado por Raul Longo e Rosângela Calado da Costa

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Documentos secretos exibem fúria de Thatcher, na crise dos anos 1980

30/12/2010, Cahal Milmo [repórter-chefe], The Independent, UK
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu


Essa tradução é dedicada a D. Eliane Cantanhêde, da FSP, sósia perfeita de Margaret Thatcher, e não só nas madeixas louras: o fundo da alma neoliberal-fascista-sincera, autoritária e de maus bofes, de ambas, é idêntico.

Eliane Tiririca
Em matéria de D. Eliane e verbas publicitárias, somos a favor de o nosso governo Dilma COBRAR, em vez de pagar.

Por exemplo: D. Eliane precisa falar mal do nosso governo Dilma, porque fez da futrica profissão e encontrou emprego no oligo-futriquismo da Folha de S.Paulo? É simples.

É só D. Eliane pagar a uma caixinha que reverterá para cursos de ensinar os pobres a NÃO ACREDITAR em jornalões paulistas... E D. Eliane poderá escrever o que bem entender. É como faz a LADY GAGA.
Tudo é grana. Thatcher entenderia.

O que de modo algum se admite é o nosso governo Dilma entregar o nosso suado dinheiro para a D. Eliane, e a D. Eliane, depois, só obrar em causa própria, a favor da bactéria da febre amarela, a favor do cáosaéreo que ela inventou, a favor do fabricante da vacina, a favor do fabricante do avião, a favor dos pilotos pirados (hoje, já condenados), a favor do governador Serra-erra-erra (Serra... Who? [risos, risos]), obrando pra ver se põe fogo no palheiro “militar” (que D. Eliane inventou também)...

Queremos saber o seguinte: Por dinheiro nosso no jornal e no jornalismo da D. Eliane implica que NÓS estaríamos pagando para receber exatamente O QUÊ, em troca do nosso dinheirinho amado?!

(Viram? Com a D. Eliane pagando para falar sobre o nosso governo (fale bem, fale mal, tanto faz!), em vez de nós pagarmos, a NOSSA sensação melhora!
Mas nós pagarmos e, depois, D. Eliane escrever aquiiiiilo*, aí, francamente, não e não.

Não pague meeeesmo, presidente Dilma! Dinheiro nosso, no jornal da D. Eliane, façavôr, é núncaras!)

[Assina] COLETIVO DE TRADUTORES VILA VUDU.


Em 1980, Margaret Thatcher enfrentava pressão intensa, ante praticamente nenhum sinal de que suas políticas econômicas, de violentos cortes nos gastos públicos, estivessem dando qualquer resultado desejável.

Desemprego em alta, o programa de Thatcher, de cortes brutais nos gastos públicos fere milhões de cidadãos, e grandes industriais alertam para o colapso iminente. Quase parece 2010 [na colunagem ridícula da Folha de S.Paulo, O Estadão, O Globo, da revista Veja, Jornal da Globo, GloboNews etc.], mas foi em 1980, na Inglaterra. E Margaret Thatcher respondeu aos alertas de que seu remédio econômico não estava dando certo, com teimosia e fúria.

Documentos sigilosos só agora publicados mostram hoje que, à medida que o mal-estar invadia Whitehall há trinta anos, ante a severidade das medidas de austeridade implantadas pelo novo governo conservador, Mrs. Thatcher esbravejava cada vez mais furiosamente nas coxias, ainda muito mais do que se a via esbravejar na imagem pública da “Dama de Ferro”; que houve briga feia entre ela, seu próprio Chanceler e o presidente do Banco da Inglaterra; e fúria inaudita, por causa das cotas de pescado e dos burocratas de Bruxelas.

Os documentos estão sendo agora publicados pelos Arquivos Nacionais em Kew, oeste de Londres, e revelam que Thatcher acusou Gordon Richardson (do Banco da Inglaterra) de estar boicotando sua estratégia econômica, ao “fazer chover” dinheiro para as empresas britânicas. E criticou o chanceler Geoffrey Howe, por jamais apresentar contas corretas nos empréstimos públicos.
Margaret Thatcher

Em lugar de procurar meios para atenuar o impacto dos cortes no orçamento, em momento em que o desemprego atingia 2,8 milhões de ingleses e a inflação chegava a 22%, o Gabinete de Thatcher, sem alarde, propôs medidas para aumentar a arrecadação, entre as quais cobrança por consultas no serviço público de saúde e cortes nas pensões para idosos. Essas propostas foram deixadas de lado, depois de os ministros concluírem que havia alto risco de manifestações populares e tumultos.

Os documentos, publicados depois de completarem 30 anos de arquivamento (“Lei dos 30 anos”), revelam o quanto Thatcher estava sendo pressionada no verão de 1980, quando já havia sinais claros de que sua política econômica de cortes drásticos não estava dando resultados desejáveis. O pior aconteceu quando, em rápido encontro em Lake Zug, na Suíça, banqueiros suíços garantiram-lhe que suas políticas eram sólidas. O problema, disseram os banqueiros, estaria no modo de implementá-las.

Thatcher voltou do feriado suíço e disparou memorandos para Howe e Richardson, nos quais declarava que o dinheiro britânico estaria “fora de controle”; e acrescentava que “não me interessam explicações, mas planos para ação imediata”. Quando o presidente do Banco da Inglaterra respondeu que Thatcher “não entendeu corretamente em que ponto os números explodiram”, explodiu, isso sim, de vez, a fúria da Dama de Ferro. Declarou que “a peça central da estratégia do governo está sendo boicotada pelos nossos próprios aliados”.

A extensão das dificuldades que havia no coração do mais importante triunvirato da política econômica inglesa aparece bem clara em nota de um dos secretários particulares da própria Thatcher, Mike Pattison: “As relações com o chanceler não são boas no momento. E com o presidente do Banco da Inglaterra, são péssimas – pelo menos, aos olhos da primeira-ministra.”

A teimosia e a impenetrabilidade a qualquer tipo de bom-senso, que foi marca registrada de Thatcher, aparece ainda mais claramente nos contatos com seu inimigo preferido – Bruxelas. Os documentos mostram que Thatcher rejeitou, praticamente sem considerá-las, todas as sugestões de que os britânicos fizessem algumas concessões nas negociações da Common Fisheries Policy (CFP) [aproximadamente “Política Comum de Pesca”], de manejo dos estoques pesqueiros na União Europeia.

A tentativa, pelo ministro da Agricultura Peter Walker, de explicar, num memorando, por que interessava ao Reino Unido que o acordo fosse rapidamente assinado, recebeu cinco grandes “Não”, anotados em cinco diferentes parágrafos, antes de que Thatcher parasse de ler, e escrevesse, como resposta: “A água é nossa. O peixe é nosso. Não entregue coisa alguma.”

Preocupações da diplomacia, por causa de Reagan

Ronald Reagan
O relacionamento entre Margaret Thatcher e Ronald Reagan foi dos maiores romances políticos do século passado. Mas, para os diplomatas britânicos, não foi amor à primeira vista.

Depois de o ex-astro de Hollywood ser eleito, aos 69 anos, presidente dos EUA, em 1980, o embaixador da Grã-Bretanha em Washington mostrou-se preocupado, porque lhe parecia que faltava “vitalidade mental” ao Reagan presidente.

Sir Nicholas Henderson escreveu:

“[Reagan] É dos que acredita que haja respostas simples (não confundir com fáceis) para problemas complexos. O que mais preocupa no novo presidente não é a idade, mas saber se terá a vitalidade mental e a visão política necessárias para enfrentar os problemas graves e sempre mutáveis (...) de governar esse vasto país.”

Thatcher jamais deu qualquer sinal de preocupação.





*Hoje, 30/12/2010, na Folha de S.Paulo, p. 2, na coluna “Questão de segurança” (para assinantes), por exemplo, D. Eliane Cantanhêde pergunta, enviesando, como sempre: “Quantos dos 8.094 veículos de comunicação que recebem verbas de publicidade do governo publicaram a história da Erenice como ela é? Quais são os 2.512 sites e blogs agraciados?”.

Durante as décadas e décadas em que só a Folha de S.Paulo e mais um ou dois jornalecos foram os únicos “agraciados” pelas verbas de publicidade dos governos da tucanaria, D. Eliane não só JAMAIS publicou “a história de Erenice” como ela é, como publicou “a história de Erenice” como a história NÃO É, pretendendo que seria. E, pra piorar, D. Eliane JAMAIS reclamou de só um ou dois jornalecos viverem de mamar nas tetas da publicidade oficial. Agora, que as verbas publicitárias foram pulverizadas... D. Eliane dá chiliques à Thatcher?! Conta outra, D. Eliane!

Quem precisa dos Tatcherismos “neoliberais” metidos a “jornalísticos” de D. Eliane Cantanhêde, em pleno século 21, no Brasil de Lula & Dilma?!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

[Vila Vudu] Pseudo jornalismo, mais uma vez, no colunismo da Folha de S.Paulo

“He,he,he,he... Como diz o Beto, é muito engraçado...” em Dói o fígado de O Globo
[Em homenagem aos blogueiros independentes e ao presidente Lula]

D. Eliane,

a gente aqui da Vila Vudu não gosta de polícia, nem de jornalistas, nem de americanos, mais ou menos em geral. Os pobres somos cheios de saberes de sobreviventes, ótimos saberes. E nossos muitos saberes de sobreviventes nos ensinaram que polícia, jornalista e americano raramente valem e prestam nem a décima parte do que dizem que valham e prestem.

Mas a gente acha que pode acontecer de polícia, jornalistas e americanos causarem pequeno dano, por pior que seja o indigitado, caso a caso e pessoalmente analisado, se há controle social democrático sobre o que qualquer um deles faça. O importante é que a gente SEMPRE avalia caso a caso, do ponto de vista do interesse da democracia e do NOSSO interesse. E, sempre, cuidando muito para que os nossos saberes de sobreviventes, só de experiência feito, não virem preconceito. Tá cheio de policiais, jornalistas e americanos que nós respeitamos muito.

Mas nunca, jamais, jamais, never, not ever, jamais, alguém aqui da Vila Vudu ouvira falar dessa (1) jornalista e (2) americana de que a senhora fala hoje como se ela fosse um Paul McCartney da luta pela felicidade dos pobres e dos democratas. Contudo, foi só googglearmos a moça, pra descobrir que: 

Roxana Saberi, jornalista free-lancer e ex-Miss Dakota 1997, natural de Fargo, North Dakota (a cidade daquele filme, lindo, Fargo, remember?) foi presa no Irã (onde vivia há seis anos, fazendo pesquisas para um livro sobre o “o povo e a cultura do país” e mandando matérias para o Canal Fox News), no início de 2009, segundo disse à imprensa o pai dela -- depois de falar com a filha já presa, por telefone -- “por ter comprado uma garrafa de vinho”. Foi condenada por espionagem a oito anos de prisão. A sentença foi depois anulada e ela foi solta dia 11/5/2010. 

Dia 19/4/2010, o presidente Mahmoud Ahmadinejad – provavelmente convencido de que jornalista americana que faz pesquisa sobre o povo e a cultura do Irã durante seis anos, no Irã, e, depois de seis anos de pesquisa no Irã ainda achava que poderia entrar no botequim e comprar uma garrafa de vinho, boa pesquisadora não era – escreveu pessoalmente aos juízes que cuidavam do caso da moça, muito civilizada e democraticamente, e ordenou: 

“Encareço a importância de que se observem rigorosamente todos os trâmites legais no processo dessa tal de Roxana Saberi, porque tudo, nesse caso, me cheira a armação, e, depois, vai sobrar é pra mim”. 

Melhor dizendo: isso foi o que o presidente Ahmadinejad PENSOU, aliás, muito sabiamente. O que ele de fato escreveu foi: 

“Encareço a importância de que se observem todos os trâmites legais no processo da jornalista norte-americana Roxana Saberi, de modo a que lhe sejam assegurados todos os direitos legais e humanos e civis de ampla defesa, direitos que devem ser respeitados integralmente e não devem ser nem levemente arranhados”.  

Depois de solta, Saberi publicou um livro (aqueeeele, o das pesquiiiiisas que, depois de seeeete anos, ainda não haviam ensinado à pesquisadora que comprar vinho no Irã é tão proibido quanto comprar heroína em Alegrete, RS): Between Two Worlds: My Life and Captivity in Iran, lançado pela editora Harper Collins dia 30/3/2010. 

Desde então, a moça de Fargo, North Dakota, anda pelo mundo promovendo seu livro. Como Sarah Palin, que também foi miss, também trabalha para o canal Fox News e também sabe cavar seus espaços (“Drill, dude, drill!”) a moça passou a viver, simultaneamente, de seus dotes físicos e intelectuais-oratórios pressupostos muito jornalísticos & só conversa fiada.

E assim, nesse périplo, ontem, Saberi deu côs costados em Brasília, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, tradicionalmente comandada pelo PT – mas, infelizmente para os negócios de Saberi, em momento em que até o PT tinha mais o que fazer e não quis perder tempo com conversê de jornalista americana em campanha para divulgação de propaganda anti-Irã, impingida como jornalismo aos tolos (e também, pelo visto, a jornalistas tolos da Folha de S.Paulo). 

Então, a moça só encontrou, para recebê-la, o Chico Alencar do PSOL (partido especialista em ouvir e dizer tolices a tolos) e a D. Eliane Cantanhede da Folha de S.Paulo (jornal que ouvir, nunca ouve, mas também é especialista em repetir tolices a leitores tolos). Não deu sorte, a moça. ISSO é indiscutível.

Enquanto isso, o presidente Lula estava reunido com blogueiros, lindos, belos jornalistas, jornalistas inteligentes, progressistas, democráticos, os quais, na opinião de D. Eliane seriam “engajados” – palavrinha safadinha, que D. Eliane deve ter recolhido de algum manual de propaganda da CIA para a Guerra Fria dos anos 50 [risos, risos] e requentou hoje, pra assustar as senhoras-de-santana e donas danuzas e maitês de sempre.

De omitir e mascarar esses fatos – todos cuidadosamente omitidos e mascarados em grandissonâncias ditas “constitucionais” e pretensamente morais e NUNCA jornalísticas, nem éticas, nem morais, nem sequer decentes –, a senhora, D. Eliane, produziu a sua coluna de hoje, idêntica – senão pelo detalhe de aí incluir aquela Sarah Palin de Dakota do Norte – à ridícula coluna, de ontem, do Jânio de Freitas. 

Até quando?! Quem precisa do colunismo da Folha de S.Paulo?!

Até no Sudão há jornalismo e jornalistas mais democráticos que os jornalistas paulistas empregados dos jornalões paulistas e da Rede Globo. O Irã, aliás, tem pelo menos uma rede de televisão muuuuito melhor que a Rede Globo. Os blogueiros, por exemplo, já sabem disso!  

_____________________

SOBRE: ELIANE CANTANHÊDE (elianec@uol.com.br), 25/11/2010, “Ouvidos de mercador”, Folha de S.Paulo, p.2 (assinantes) 
 
BRASÍLIA - Enquanto Lula dava entrevista a blogueiros engajados e o Rio registrava ontem 33 veículos incendiados e 21 mortos só nesta semana, a jornalista americana Roxana Saberi contava a um punhado de pessoas na Câmara como foi presa e humilhada por cem dias no Irã, reclamando a força emergente do Brasil para cobrar liberdade e os direitos civis no país.

"Quando você não tem voz, como é importante que falem por você!", implorou, emocionada.

Pela Constituição, artigo 4º, as relações internacionais são regidas por dez princípios. O segundo é a "prevalência dos direitos humanos". Com o Irã, porém, a política "ativa e altiva" passa longe disso. 

Lula arranha a bela imagem internacional do Brasil ao comparar as manifestações contra o regime Ahmadinejad a "chororô de time derrotado" e ao permitir que o Brasil continue teimosamente se abstendo nos foros de direitos humanos, inclusive no caso iraniano.

Roxana queria ser recebida por Lula, que estava com os seus blogueiros, ou, quem sabe, pelo Itamaraty, ocupado com o ministro de Negócios Estrangeiros de uma outra ditadura, a do Sudão. Contentou-se com o Congresso e com o assessor internacional, Marco Aurélio Garcia. Ela insiste em que o Brasil reveja seu voto covarde quando o Irã voltar ao banco dos réus em dezembro. Parece perda de tempo.

A palestra de Roxana foi na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, tradicionalmente comandada pelo PT. Mas nenhum parlamentar do partido foi ouvi-la, e o próprio presidente, o petista Luiz Couto, só chegou no final. O único deputado era Chico Alencar (PSOL).

OK. Todos tinham mais o que fazer, mas, se o governo não está nem aí para as vítimas do Irã, o Congresso tem de se unir à opinião pública brasileira no grito internacional pelas liberdades e pela segurança individual e coletiva no Irã. Como no Sudão e em todos os demais regimes de força. Sem esquecer a guerra no Rio, evidentemente.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Celso Amorim: “Sempre digo que Pelé só teve um; igual a Lula não vai ter”

15/11/2010 - 07h00, entrevista a Eliane Cantanhêde - Folha Online (aqui, a íntegra; na edição impressa, só trechos)

"Não lamento nada." Com essa frase, dita em francês e emprestada de Edith Piaf, o ministro Celso Amorim, 68, termina oito anos à frente do Itamaraty defendendo de forma enfática sua política, que batizou de "altiva e ativa".

Mantém as críticas aos EUA, carrega nas tintas ao pintar o protagonismo do Brasil no comércio e na política externos e defende a posição que o país teve em casos polêmicos, como mediar o acordo nuclear do Irã.

Ele diz que cumpriu sua missão e que seria "incapaz" de se candidatar a permanecer no governo Dilma Rousseff. Compara o presidente a Pelé e vaticina: "Igual a Lula não vai ter, mas não quer dizer que Dilma não vá fazer um governo extraordinário".

Segue a íntegra a entrevista, cujos principais trechos são publicados na Folha de hoje.

*

FOLHA - O sr. é candidato a continuar no cargo?
CELSO AMORIM - Fiquei muito contente com a vitória da ministra Dilma, com quem sempre tive relações da melhor qualidade. Isso não significa que eu vá, ou possa, criar algum tipo de constrangimento. Eu seria incapaz de me colocar como candidato a alguma coisa, ou cobrando alguma coisa. Isso não existe.
E, se você olhar sob o ponto de vista da vaidade pessoal, eu passei o Barão do Rio Branco em número de dias no ministério. Sou o ministro mais longo da história do Itamaraty e o segundo mais longevo de todos. Só o Gustavo Capanema ficou mais tempo do que eu.
A "Foreign Affairs" me colocou como o melhor chanceler do mundo. Honestamente, o que mais eu posso querer? É melhor sair no ápice do que esperar acontecer alguma coisa.

O que é o ápice?
Você lê qualquer jornal internacional, mesmo os que são contra a algum aspecto da política externa brasileira, e todos dizem que a importância do Brasil no mundo cresceu.
Claro que atribuem ao crescimento econômico, aos avanços sociais, mas também à ousadia da política externa. Que é do presidente, diga-se, mas eu ajudei.

Se o sr. fosse convidado, ficaria?
Qualquer coisa que eu diga soará mal. Não tenho como responder. Eu me sinto bem, considero minha missão cumprida.
Agora, se alguém me pedir um conselho, estou disposto a dar.

Por exemplo...
Acho que o próximo ministro deva ser um profissional e a gente deve continuar trabalhando na linha da renovação. Precisamos de gente mais nova.
Eu já estou velho, tenho 68 anos, vivi muito.

O sr. apoia o embaixador Antônio Patriota?
Acho que ele tem plenas condições, mas não é o único. Mas não quero discutir nome a nome.

Mas, quando fala em solução profissional, exclui o ministro Nelson Jobim?
Isso não cabe a mim. Mas acho que o Itamaraty se engrandeceu por ter profissionais não apenas na chefia da Casa, mas em todos os cargos diplomáticos, e isso é a primeira vez que acontece na história deste país. As pessoas trabalham com vontade redobrada.
Mas San Thiago Dantas, por exemplo, não era diplomata de carreira e foi um grande ministro, que marcou a história. Nada é absoluto.

Por que o sr. participou tão assiduamente na campanha de Lula em 2006, mas sumiu na de Dilma?
Eu fui três vezes, mas a situação é um pouco diferente, porque eu era ministro do Lula. Minha participação mais direta era mais natural.
E, em 2010, coincidiu que tive uma agenda de viagens mais carregada.

Por que a política externa, diferentemente das expectativas, não foi tema de campanha?
Ora, porque a oposição não tinha nada a ganhar com isso, porque o povo brasileiro, em sua esmagadora maioria, só tem palavras de apreço à política externa. Eu vejo isso claramente na rua.

Se é assim, por que o governo não se aproveitou disso na campanha?
Porque não precisava, era um ponto pacífico.
E falava-se, sim, no prestígio internacional do Brasil, ao lado do Bolsa Família, crescimento, salário mínimo.

A que se deve esse prestígio internacional? À força de Lula, ao crescimento econômico ou a uma estratégia de política externa?
A personalidade do Lula foi um fator indispensável, obviamente, mas isso foi acompanhado desde o primeiro momento de uma visão de política externa inovadora. E houve uma sucessão de acertos que deu no que deu.
Até a "The Economist", que criticou várias vezes a política externa, agora chama o Brasil de "gigante diplomático". A "Foreign Affairs", o "Le Monde", a "Foreign Policy", "El Pais", todos elogiam.

Mas o Lula e os assessores dele dizem que essas avaliações estrangeiras sobre o Brasil não têm a menor importância. Afinal, têm ou não têm? Ou só têm quando é a favor?
Infelizmente, só sai notícia mais positiva quando a imprensa lá fora publica. É o que a gente chama de "complexo de vira-lata" que o presidente tanto critica. Tem de se trabalhar com ele para vencê-lo, como na psicanálise.

Como o sr. virou chanceler?
Eu nunca soube porque o Lula optou por mim, nunca perguntei a ele. Ele costumava dizer que eu tinha um pouquinho de caspa, então, devia ser um pouco mais popular.
Adivinha qual a primeira pessoa para quem eu liguei quando o Lula foi eleito em 2002? Dá um palpite. Eu nem conhecia o Lula. Foi para o Fernando Henrique Cardoso, com quem eu me dava muito bem. Eu disse que a chegada de Lula ao poder, depois dele, era a consolidação da democracia. E foi, de fato. A estabilidade foi mantida, a inclusão social aprofundada, avançamos na área de clima.
Com o governo acabando, posso falar tranquilamente que o Lula é uma figura excepcional, você vai contar três ou quatro líderes políticos como ele no século. É quase da dimensão do Nelson Mandela, e só não é igual porque a situação lá era mais dramática.

E como vai ser agora, sem Lula?
Sempre me perguntam isso, e eu respondo: Olha, Pelé só teve um, mas o Brasil foi cinco vezes campeão do mundo, algumas vezes sem Pelé. Igual a Lula não vai ter, ele é uma personalidade única na história recente do Brasil.
Mas não quer dizer que a Dilma não vá fazer um governo extraordinário e uma política externa muito boa. É uma mulher presidente do Brasil, e uma mulher que sabe o que quer e sabe comandar. Há quem compare a Dilma com a Margareth Tatcher, mas eu discordo.
A Dilma tem uma sensibilidade social, uma capacidade de ver as necessidades do povo que me dá confiança de que será muito bom para o país.

Qual foi o grande acerto da política externa no governo Lula?
Quando o presidente Lula me indicou publicamente, eu tinha de dizer umas palavras rápidas ali. Eu tinha falado umas duas vezes com Lula, não tinha combinado nada, não tinha estudado o programa do PT, e, aí, eu disse que a política externa seria altiva e ativa.
E essas palavras, que eu disse quase por acaso, acabaram entrando para o programa do PT e da presidente [Dilma]. Era uma questão de atitude. Hoje, eu até trocaria por política externa desassombrada e solidária, sobretudo porque não tem medo da própria sombra.

A política externa antes não era altiva e ativa?
Tenho 50 anos de Itamaraty e vi muita gente muito boa, muito competente, mas com aquela atitude que um secretário-geral de muito tempo atrás traduzia assim: "Política externa dá bolo".
Então, é melhor cuidar da burocracia, fazer uma coisinha ou outra e evitar bolo.

Exemplo do que poderia dar bolo?
Quando nós fizemos o G-20 comercial em Cancún, quando começamos a brigar contra a ALCA e todos os vizinhos pareciam muito atraídos pela ALCA, inclusive a Argentina.
Mas, veja bem, eu não decidi brigar com a ALCA, eu disse: vamos ver, vamos conversar, vamos discutir. E ela morreu em Miami, sabe por quê? Porque foi quando conseguimos chegar a uma ALCA que serviria ao Brasil, que não cerceasse a nossa capacidade de escolha de um modelo de desenvolvimento, e aí não interessava mais para os outros.
Era uma ALCA que não nos sujeitava a um modelo neoliberal em compras governamentais, em investimento, em proteção à propriedade intelectual, e em agricultura. Os fundamentalistas de lá não quiseram. Então, matamos a ALCA sem dar um tiro.

Isso tudo não foi um pouco de teatro? A intenção não era matar a ALCA desde o início, por uma questão ideológica?
Olhando em retrospectiva, foi melhor talvez mesmo não ter tido a ALCA. A crise nos EUA demonstrou isso. Nós ficamos mais protegidos, tivemos mais liberdade. E pudemos investir numa política Sul-Sul. E nada foi mais importante do que o processo de integração da América do Sul. Os presidentes se falam o tempo todo. Isso é muito importante.

Mas o Brasil ficou sem a ALCA, não concluiu a Rodada Doha de comércio e se recusou a fazer acordos bilaterais. O país tirou a ALCA e não botou nada no lugar?
Tenho certeza de que a Rodada Doha da OMC será concluída, mais cedo ou mais tarde. E, quando for, as pessoas vão olhar que o germe da conclusão correta foi a criação do G-20 comercial em Cancún, e aí foi o Brasil.
O nosso comércio cresceu com o mundo inteiro. Vão dizer que foi por causa disso, por causa daquilo outro, mas a verdade é que cresceu e o Brasil já é a oitava economia do mundo e já está entre os dez maiores cotistas do FMI.
Não há nenhuma, nenhuma mesmo, negociação comercial para a qual o Brasil não seja chamado. Como a China, a Índia, e isso é tudo resultado de Cancún, em agosto de 2003. Tinha um acordo todo prontinho entre EUA e União Europeia, para nos enganar de novo, como sempre. Só sobravam umas migalhinhas para os outros. Quem disse "não" foi o G-20, e não há quem não reconheça que quem liderou o G-20 foi o Brasil.

Ou Celso Amorim?
Quem liderou foi o presidente Lula, mas quem estava lá na linha de frente fui eu. Eu não escrevi livros, nunca formulei uma filosofia própria, mas o que, sim, eu fiz uma boa parte da minha vida foi ser negociador.
Até por isso é um bom momento para trocar de ministro, porque não tem nenhuma grande negociação em andamento.

E a contaminação ideológica, as picuinhas contra os EUA?
Falar em política externa independente é quase pleonasmo. Eu diria que tivemos uma política externa que não teve medo de tomar as atitudes internacionalmente.
Logo no início, o presidente Lula condenou claramente a invasão do Iraque, mas sem confrontacionismos inúteis, tanto que ele teve uma boa relação com o presidente [George W. Bush].

Como foi aquele início em que o sr. mandava de um jeito, o Marco Aurélio Garcia, de outro, e o Samuel Pinheiro Guimarães, de um terceiro? Como foi afinal definido o rumo?
Foi uma conversa contínua. Foi tudo empírico, intuitivo. O presidente Lula muitas vezes tinha uma intuição do que devia fazer, mas foi preciso formular aquilo em termos diplomáticos, e isso exige alguma experiência. É como fazer uma casa.
Você tem a ideia do que quer, mas precisa de um técnico que desenvolva essa ideia. E o presidente Lula já disse que a gente se comunica até por telepatia.

Falando assim, não houve um risco grande de improvisação, de risco?
As coisas centrais foram objeto de discussões amplas com ministros de outras áreas, como no caso da ALCA e da OMC. Eu definia a tática, mas o presidente Lula é que aprovava. Às vezes, dizia: "Não, isso aqui eu prefiro não fazer". Quando nós estávamos voltando da segunda viagem presidencial, a Davos, ele disse: "Celso, nós agora fazer uma nova geografia econômica e comercial do mundo". Foi inspiração dele. Não fui eu quem inventou, foi ideia dele.
E, aos poucos, fomos fazendo a aproximação com os países árabes, com a África. Veja a África hoje: se você considera como um país só, é o quarto parceiro comercial nosso, maior do que Alemanha e do que Japão. Fizemos muito com a África, mas eu acho que ainda é pouco, teríamos que fazer ainda mais. Corremos o risco de perder terreno para a China ou para a Índia.
Hoje, vou a Moçambique e vejo nossos empresários de peso sentados lá. Antes, ia para lá o representante do representante do representante, quando ia. Só do presidente foram 12 viagens à África.

A sensação de sucesso não gerou uma certa megalomania? O Brasil não começou a se meter onde não devia?
A função de um diplomata, quando está tudo escuro, é vislumbrar aquela réstia de luz ali na porta e ir lá, tentar aumentar. É isso que a gente tem de fazer e a política externa do presidente Lula fez.
Já que não é possível ter uma democracia perfeita no mundo, você tem de ter um pouco mais de equilíbrio, para que ninguém possa impor apenas sua vontade, para que várias visões de mundo estejam presentes em relação ao comércio, às finanças, ao clima, à paz e à segurança internacionais. A multipolaridade é um instrumento que a gente tem obrigação de usar.
A aproximação com a África, com os países árabes, com a Ásia, entra nisso. É assim que a gente alarga aquela réstia. Não posso dizer: Ah. Isso é muito difícil para mim, vou deixar só os EUA cuidarem disso, ou só a Rússia, ou só a China. Eu tenho obrigação de cuidar disso também.
Quando o presidente visitou a Síria e a Líbia, por exemplo, houve uma avalanche de críticas. Quando pouco depois o Blair e o Aznar foram lá, aí todo mundo achou bacana. Então, nós apenas estávamos à frente.
Hoje, está claro que não é possível falar em paz no Oriente Médio sem Síria participando. Não é questão de achar que é boa ou ruim, é de reconhecer que é um ator indispensável.

E a questão de princípios, de democracia, de direitos humanos?
A repercussão que pode ter tido aqui um ou outro fato, uma coincidência infeliz...
O sr. considera uma coincidência infeliz o presidente e seus ministros às gargalhadas com os irmãos Castro justamente no dia em que morre de fome um dissidente que esperava ajuda do Brasil?
O fato de ele ter morrido quando o presidente Lula estava lá era imprevisível, você chame como quiser chamar.

Não é equivalente a Lula comparar a resistência iraniana a chororô de time derrotado, quando se sabe que lá os dissidentes são mortos?
Não me cabe comentar declarações do presidente Lula. Mas digo que não é correta a percepção de que o Brasil procurou fazer certas coisas porque é amigo do Irã e quer fazer certas coisas porque é amigo. O Brasil procura ter relações de amizades com todos os povos.

O que o Brasil ganha em se meter a intermediar o acordo nuclear do Irã?
Na questão nuclear, o que o Brasil fez foi o que os países ocidentais queriam. Nós viabilizamos a aceitação pelo Irã de uma proposta feita, na verdade, pelo ocidente. E por que não devíamos tentar? É como a gente se trancar dentro de casa e dizer: "nós somos pequenininhos, não podemos sair na rua..."
Tem uma hora que a gente precisa olhar para fora e ver se todo mundo está achando que você é pequenininho mesmo. E vai ver que não. Agora mesmo, quando o Obama fala na inclusão da Índia no Conselho de Segurança [da ONU] todos captaram que não é possível fazer uma reforma do conselho sem o Brasil.
Quando se discute clima, você chama o Brasil. Quando se fala de finança, você chama o Brasil. Quando se fala de comércio, você chama o Brasil, como a Índia e a China. O único terreno em que havia ainda uma certa reserva de mercado, digamos assim, era a questão da paz e da segurança. E foi por isso que a ação do Brasil e da Turquia incomodou.

Os dois ficaram isolados.
A verdade é que os países ocidentais diziam: "Vai lá, vai lá". Nós fomos em boa fé, mas a verdade é que ninguém acreditava que o Irã aceitasse três pontos da carta do Obama, e o Irã aceitou, a verdade é essa.

Os EUA então puxaram o tapete do Brasil?
Quem disse foi o El Baradey, da Agência de Energia Atômica. Ele disse claramente que os proponentes não podiam aceitar "sim" como resposta. Acho que eles se desentenderam internamente. Não esperavam obter, obtiveram e não souberam o que fazer com isso.
A história, você não pode contar em seis ou oito meses. Eu não sei o que vai acontecer, mas certamente tudo isso diz respeito à paz mundial, porque se houver uma guerra no Irã não vai afetar só o Irã, vai ter efeitos muitos graves para todo o Oriente Médio.
Nós vimos na proposta, veja bem, elaborada pelo próprio Ocidente, era uma possibilidade de solução. E contemplava uma hipótese da qual o Irã não vai abrir mão: a de ter energia nuclear, inclusive enriquecimento, para fins pacíficos. E isso é permitido pelo TNT [Tratado de Não Proliferação Nuclear].

Por que o Brasil se omite na condenação de países que desrespeitam os direitos humanos?
Eu lidei 8 anos com a ONU e já participei diretamente disso, sei o quanto essas coisas são manipuladas. No ano em que os EUA estavam fazendo acordos comerciais com a China, a China desaparecia das resoluções de direitos humanos. No ano seguinte, não tinha mais acordo comercial com a China, e a China voltava para as resoluções. E agora não entra mais. Isso é sabidíssimo.
E você pode reparar que há sete países que convivem com situações crudelíssimas, inclusive contra mulheres, e que jamais são mencionados. Por quê? Porque têm bases americanas ou têm outros interesses.
Nosso objetivo não é fazer diploma, é promover mudanças reais nas condições. Mas, no caso da Coreia do Norte, por exemplo, que fez ouvidos moucos a todas as recomendações, aí sim, nós votamos a favor da resolução que condenava.
Nem acho que ela vá funcionar, porque é tão hostil que cria uma barreira, quando o objetivo deve ser o diálogo. Condenar só não adianta nada.

O Brasil está exercitando o "soft power" ao gastar rios de dinheiro em países de todos os continentes, alguns muito distantes de nossa realidade? Trata-se de compra de votos?
Em geral, está financiando empresas brasileiras. Então, você dá por um lado e recebe pelo outro. E o que o Brasil gasta, na verdade, é ínfimo.
Nossa cooperação técnica é comparável talvez à de um pequeno país europeu, tipo Áustria. Você não pode estar entre as dez maiores economias do mundo, querer uma política ativa na OMC e querer que esses países te apoiem sem nada em troca.
É também querer que esses países assumam um risco na hora de você brigar com os Estados Unidos, brigar com a União Europeia. Você cria vínculos, cria alianças.

A diferença é que a Áustria não tem os milhões de miseráveis que o Brasil ainda tem.
Mas uma coisa não pode eliminar a outra. Você vai resolver o problema dos mais pobres com um bom mercado interno, mas também com uma boa inserção internacional, com apoio internacional.
É muito mais complexo do que ser bonzinho daqui, interesseiro dali. Diz respeito à própria imagem brasileira. Eu não vi, por exemplo, nenhuma crítica à ajuda que o Brasil dá ao Haiti.

Abrir tantas embaixadas, até em países minúsculos, está dentro desse contexto?
Vai ver quantas embaixadas tem a Rússia, tem a Índia, tem a China... Influir na realidade internacional é do interesse do Brasil. Uma das maneiras é ter contato direto com os países, ter um embaixador lá para falar com um ministro, até com o presidente. As próprias empresas nos procuram, pedindo, estimulando.

E quando, afinal, o Brasil vai nomear um embaixador para Honduras?
Há um passo a ser dado que nós consideramos muito simples, que é permitir ao menos a volta do [ex-presidente deposto Manuel] Zelaya ao país. Ele foi expulso por um golpe militar com uma arma na cabeça.

Com a consolidação da Unasul, qual o futuro da OEA?
Cada uma vai ter o seu papel. A OEA inclui países muito heterogêneos. São dois países muito desenvolvidos e um bando enorme de países em desenvolvimento.
Então, até para que haja um diálogo produtivo, é importante que os países em desenvolvimento na região se integrem. Integrados, nós teremos mais força, não só para brigar, não, mas para dialogar mesmo com os EUA e o Canadá.
A OEA tem sobrevida, mas muita coisa pode ser resolvida ou bem encaminhada no âmbito da Unasul antes de chegar lá.

O mundo está centrado em duas incógnitas, EUA e China. É uma nova bipolaridade?
Não acho que nós saímos de uma bipolaridade para cair em outra, porque o mundo hoje é muito mais complexo. Por mais que a China seja importante, precisa do Brasil para discutir clima.
Por mais que os EUA sejam importantes, precisam do Brasil para discutir comércio e finanças. Do Brasil e de vários outros.
Eles têm de ouvir os outros, porque não há mais como haver políticas impositivas, nem um mundo dividido em dois campos, com cada um dominando o seu campo a seu modo. Isso, com certeza, não há nem haverá.

A China é aliado do Brasil nos Bric, mas não é ao mesmo tempo competidor comercial direto?
Nosso saldo comercial com a China deve chegar a US$ 7 bilhões neste ano, enquanto temos um deficit de US$ 5 bilhões com os EUA, que é o maior superavit dos EUA no mundo. Então, vamos convir que a China não é o nosso grande problema.

Se o sr. pudesse voltar atrás, o que faria diferente?
Vou falar como a Edith Piaf: "Je ne regrete rien".

enviado pela Vila Vudu
Entrevista concedida à Folha de SP