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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Jim O’Neill (Goldman Sachs): “Só os BRICS emergentes estão crescendo”


2/1/2013, Jim O’Neill, Diretor de Investimentos do Banco Goldman Sachs
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu

Comentário entreouvido num beco da Vila Vudu: Alô, alô, D. Mirian Leitão: A senhora só sabe entrevistar economistas tucanos reacionários golpistas merrecas, de “consultorias” merrecas quebráveis?! Será o Benedito?!
A senhora NÃO SABE ENTREVISTAR economistas reacionários golpistas GRANDES DEMAIS PRA QUEBRAR?!
Não que os inquebráveis sejam mais lúcidos ou progressistas que os quebráveis – porque não são! Mas, pelo menos, os inquebráveis NÃO SÃO UDENISTAS GOLPISTAS OBCECADOS, quer dizer: os inquebráveis veem adequadamente, objetivamente, pelo menos, o mundo dos mercados, né-não?!
E o que, me digam, veem aqueles sempre os mesmos professores da FGV, da Economia-USP ou os “consultores” da Consultoria Tendências, ou o ex-Malan, sub-do-sub do ex-FHC e atual NADA... Ou outros udenistas golpistas ortodoxos, feito o professor Bolívar Lamounier?! [risos, porque essa foi booooooooooooa! O que, diabos, vê(ria) o Boli?!]

Jim O'Neill - Economista reacionário, mas GRANDE DEMAIS PRA QUEBRAR
Pergunta: Como ficará a paisagem da economia em 2013?

Economista reacionário, mas GRANDE DEMAIS PRA QUEBRAR: Agora que já se definiram as posições na liderança política de EUA e China, pode-se finalmente delinear o quadro da economia para 2013, já conhecendo quem estará no comando das duas maiores economias do mundo.

Pergunta: E o que farão – e, talvez mais importante, o que as forças econômicas farão a eles?

Economista reacionário, mas GRANDE DEMAIS PRA QUEBRAR: Para começar, os EUA continuarão a enfrentar repetidas dificuldades com o ‘'despenhadeiro fiscal'’, até que os mercados financeiros pressionem os políticos e obtenham cortes significativos nos gastos e redução radical no déficit. Mas, apesar disso, e associado a crescimentos frustrantes, 2013 será ano mais forte para a economia global do que muitos esperam.

Em 2011, a China acrescentou ao mundo $1,3 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). Equivale a criar outra Grécia a cada 12,5 semanas; quase uma Espanha por ano. Juntos os quatro países BRIC, (Brasil, Rússia, Índia e China acrescentaram à economia do planeta cerca de $2,2 trilhões em 2012. Equivale a criar uma Itália por ano. (Apesar dos problemas, a Itália ainda é a oitava maior economia do mundo e assim continuará nos próximos anos, até que Rússia e Índia superem, como se prevê, a Itália).

As oito economias de mercado em crescimento – os BRIC plus Coreia do Sul, Indonésia, México e Turquia – criaram cerca de $3 trilhões em 2011, mais do que o Reino Unido em um ano. Essas economias somadas têm já tamanho bem próximo da economia dos EUA, alcançando $15-16 trilhões, cerca de 25% do PIB global. A menos que essas taxas de crescimento caiam muito, a contribuição desses países para a riqueza global crescerá dramaticamente, e o crescimento global ultrapassará as previsões sinistras que, parece, analistas ocidentais assustadiços parecem prestigiar. Se as economias desse ‘'grupo C-8'’, “Crescimento Oito” crescerem em média 10% em dólares norte-americanos, acrescentarão $1,5 trilhão ao PIB global, ano que vem.

O crescimento chinês diminuiu em 2011-2012 por decisão dos (excelentes!) economistas do Partido Comunista da China.

Para a década iniciada em 2011, nós, da Diretoria de Investimentos do Banco Goldman Sachs, estimamos que a China, responsável por metade da riqueza produzida pelo grupo C-8 (prováveis $8,3 trilhões ao final de 2012), crescerá a taxas anuais de 7-8% em termos reais, com inflação em torno de 3%. A menos que o renminbi perca valor, corresponde a crescimento nominal médio de, pelo menos, 10-11% calculados em dólares.

A China crescerá em torno de 7-8%, em parte porque é o que os dirigentes do Partido Comunista Chinês que governa a China decidiram que é o crescimento desejável. No final de 2009, já com um ano de política chinesa de estímulos, como resposta à crise global de crédito, o Partido Comunista Chinês, a liderança chinesa, me parece, decidiu que já não havia serventia alguma em fazer o país crescer 10% ao ano (crescimento real). A desigualdade de renda crescia dramaticamente, o dano ambiental crescia perigosamente, e a inflação estava comendo, em vez de os mais pobres comerem, o crescimento real.

Verdade é que o crescimento chinês foi contido em 2011-2012, por decisão do Partido Comunista Chinês: fizeram o que decidiram fazer. Embora a taxa de crescimento real do PIB definida no 12º Plano Quinquenal não deva ser tomada como fato consumado, fato é que o crescimento real previsto no Plano foi encolhido para 7%: é sinal claro de orientação decidida pelo Partido Comunista Chinês.

Com vistas ao futuro, por mais importante que seja a troca de comando na liderança política, os líderes não decidem tão livremente quanto alguns supõem. Tornam-se líderes, em boa parte, porque se comprometem a fazer cumprir o plano que encontram já construído. Líder que se desvie muito, não permanece por muito tempo na liderança – o que vimos acontecer, no caso chinês, em 2012, com o expurgo de Bo Xilai.

O crescimento-alvo da China, definido em 7%, embora exposto a grandes desafios, visa a manter o crescimento do consumo privado em torno de 8% (também implica reconhecer que as exportações e o investimento não crescerão tão fortemente quanto antes); e admite-se aumento na participação do consumo, na formação do PIB.

Mais foco em inovação e criatividade será acompanhado de forte aumento real nos salários, mais direitos e garantias para migrantes urbanos e aumento nas pensões, aposentadorias e na assistência à saúde. Se a China crescer 7-8% outra vez em 2013, terá crescimento mais equilibrado que em 2012.

Além da China, os demais BRIC – Brasil, Rússia e Índia – todos enfrentam desafios que os governantes terão de enfrentar para promover crescimento mais forte. Mas por todos os lados observam-se desenvolvimentos interessantes, inclusive na Indonésia, nas Filipinas, Bangladesh, Nigéria e México; membros do que chamo de “os Próximos 11” [orig. “Next 11”], Coreia do Sul e Turquia, continuam a crescer razoavelmente bem, embora não com o momentum dos outros; são dois outros grandes membros desse grupo.

O mais provável é que, pelo menos antes das eleições na Alemanha, no outono de 2013, todas as decisões chaves sejam descartadas ou adiadas

Os quinze países BRICs e os “Próximos 11” têm, somados, mais de quatro bilhões de habitantes, mais de 2/3 da população do planeta. Continuando a crescer, a contribuição dessas economias para a economia mundial continuará a crescer, o que empurrará o crescimento global para bem além do que alcançaria, sem o crescimento deles.

Mas a economia global pode ficar mais fraca em 2013 do que em 2012, se o pior continuar a acontecer na Europa e nos EUA, especialmente se o novo Congresso nos EUA não conseguir trabalhar com o presidente Obama reeleito, para encontrar algum arranjo para o orçamento que melhore a credibilidade de médio prazo da posição fiscal dos EUA. É equilíbrio difícil de alcançar (...).

Quanto à Europa, muitos investidores ainda assumem que chegará um momento em que se poderá concluir definitivamente que a União Monetária Europeia está ou salva ou acabada, de vez. Mas o mais provável é que, pelo menos até depois das eleições na Alemanha, no outono de 2013, as decisões chaves sejam descartadas ou adiadas.

Significa que a Europa, muito provavelmente, enfrentará mais um ano difícil.

Mas, repito, o crescimento dos BRICs continuará a gerar, em termos de riqueza, uma Itália por ano. A menos que o ambiente europeu deteriore-se muito, muito rapidamente, a Europa não será assunto importante para a economia global em 2013.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Eliane Cantanhêde – Mentirosa e Fofoqueira


Comentário da redecastorphoto: 
Essa jornalista mequetrefe deve ter feito curso com algumas das miriansleitões ou danuzasleões da vida. Ou mesmo com alguma especialista em “jornalismo de fofoca” como a Leilane Neubarth. Ela é a mais provável herdeira da coluna “Mexericos da Candinha” contracapa da antiga Revista do Rádio, especializada em fofocas & mentiras sobre os artistas da época (anos ’50). Vai ser idiota assim lá com seus 3 ou 4 leitores!
Nem posso imaginar o porquê do Max perder tempo com uma besteirenta dessas.

Os segredinhos encomendados da colunista da Folha

Enviado por Max Altman – 09 julho 2012

A colunista Eliane Cantanhêde revela segredinhos da presidenta Dilma Rousseff em sua coluna “Sem paixão” de domingo, 8 de julho. Ninguém sabia, até esta altura, que ela era a confidente de Dilma. Revelar segredos tão importantes, que só se desvelam entre quatro paredes, sem filmagens secretas nem grampos dissimulados, só para os muito íntimos. Não consta que Eliane seja carne e unha da presidenta...

Mas não é nenhum segredo fechado o que “desvenda” Cantanhêde quando diz que “Dilma trabalha seriamente com a possibilidade de derrota de Hugo Chávez na Venezuela, neste ano”. E argumenta: “Com Chávez, há duas questões para além da economia. Ao cercar o câncer de mistério, sua imagem tão forte passa a refletir fragilidade”.

Ora, nem tão cercada de mistério está a enfermidade de Chávez, que ele mesmo tornou pública com bastante detalhe, nem sua imagem está enfraquecida.

Fisicamente; o sociólogo argentino Atílio Borón, presente no Foro de São Paulo há pouco levado a cabo em Caracas, num amplo relato afirmou que Chávez demonstrou em seu discurso e manifestações pessoais que carrega suficiente energia para enfrentar os ossos do ofício de presidente e a carga da disputa eleitoral, apesar de o âncora da televisão norte-americana, Dan Rather ter lhe dado há pouco, com base em fontes altamente fidedignas, não mais que dois meses terminais. Já se passaram quatro.

Politicamente; nada mostra que a doença o tenha enfraquecido. Georges Pompidou e François Mitterrand passaram os mandatos escondendo seus cânceres, apenas filtrados por segredinhos da imprensa, e não consta que tenham perdido relevância.

A malícia do segredinho revelado de Cantanhêde se completa na frase “E, pela primeira vez desde 1999, a oposição cerrou fileiras com uma candidatura, a de Henrique Capriles. Chávez passou a conviver com uma novidade: um opositor para valer”.

O grande objetivo da oligarquia, das forças reacionárias, da direita de nosso continente, apoiadas nos grandes meios de comunicação, para os próximos 90 dias, é a derrota de Chávez.



Ao crescimento das forças democráticas, populares, progressistas e de esquerda na América Latina e Caribe, a direita e o imperialismo respondem de diversas formas, dentre outras com a agressão sistemática pelo governo de Estados Unidos, a manipulação e criminalização das demandas sociais, para gerar enfrentamentos violentos e uma contra-ofensiva golpista.

O objetivo do império, a longo prazo, é controlar os recursos naturais. Não há outro continente que não a América do Sul a ostentar tantos e tão diversos recursos naturais - petróleo, água, biodiversidade,etc. - fundamentais para o desenvolvimento energético, industrial e agroalimentar. A contra-ofensiva estratégica de Washington é liquidar com Chávez porque ele é a grande liderança hoje das forças democráticas, progressistas, populares e de esquerda na defesa da soberania, independência e integração das nações latino-americanas e do Caribe.

Ante a iminente possibilidade de derrota eleitoral, a oposição venezuelana, respaldada pelos grandes meios de comunicação locais e internacionais, passaram a desatar uma intensa campanha, apelando a todo tipo de recursos, que incluem atos de violência e de desestabilização, mas também circunlóquios sibilinos não para defender um resultado altamente improvável – a vitória de Capriles – e sim para contar na hora da verdade com o argumento da denúncia de fraude.

O governo brasileiro, levando em conta os interesses legítimos do Brasil, sua política em favor da integração das nações latino-americanas, na defesa das recentes conquistas das massas de trabalhadores de nossa região, da nossa soberania e independência, está sim interessado – e muito – no resultado eleitoral de 7 de outubro na Venezuela. Para Dilma não “tanto faz como tanto fez”.

Felizmente, a consciência política da grande maioria do povo venezuelano permite prever uma nova, crucial e histórica vitória para as forças progressistas.


Texto de Max Altman – 09 julho 2012
Gráfico publicado pelo Instituto Venezolano de Análisis de Datos (IVAD) em 08 de julho
Título da postagem e ilustração: Castor Filho - redecastorphoto

domingo, 9 de outubro de 2011

Até tu, Miriam!


Morte às corporações gananciosas

Publicado em 09/10/2011 por *Mário Augusto Jakobskind

Há vários indicadores de que a crise econômica que assola a Europa e os Estados Unidos é mesmo grave e pode levar ao início de uma nova etapa no modo de produção capitalista. Este diagnóstico já foi admitido até pela insuspeita Miriam Leitão em sua coluna de O Globo.

Com o título “O fim ou tudo de novo”, a colunista, defensora ferrenha de políticas econômicas que na prática resultaram no impasse atual do sistema,  admite em um trecho da sua coluna de 6 de outubro que “depois de uma crise que se desdobra em ondas de aflições desde 2008 está na hora de as autoridades mundiais pensarem no fim do capitalismo como nós o conhecemos”.

Pois bem, em vez de ter intitulado como intitulou o artigo, Miriam Leitão poderia ter dito “Marx tinha razão” ou algo do gênero, mas aí seria demais para quem durante tanto tempo defendeu exatamente políticas econômicas com ênfase para o enfraquecimento do Estado e a hegemonia do Estado mínimo.

Em termos políticos, a crise estrutural do sistema tem levado, como de outras vezes, governos a socorrerem o setor financeiro e isso sempre em detrimento dos trabalhadores assalariados. Os gregos, mobilizados nas ruas em protesto contra a opção de arrocho posta em prática pelo governo socialista (epa!), que o digam.

Enquanto isso ocorria na Grécia, na Itália, país europeu que verdadeiramente está à deriva, o presidente do Conselho de Ministros, Silvio Berlusconi, além de não dar conta da situação levando os italianos ao desespero, é metido a fazer piadas, sempre de mau gosto, diga-se de passagem.

A última que relatam as agências internacionais assinala que ele sugeriu a mudança do nome do seu partido Força Itália para “Força Gnocca”, que no idioma italiano se refere tanto as mulheres bonitas e chamativas como ao órgão sexual feminino. Já imaginaram algum político brasileiro propondo a criação de um partido com o palavreado similar ao utilizado por Berlusconi? Se fosse parlamentar estaria no mínimo respondendo à Comissão de Ética. Mas com o “honorable” Berlusconi, que depõe contra a Itália, fica tudo por isso mesmo.

Na última sexta-feira na Itália, milhares de estudantes saíram as ruas para protestar contra os cortes orçamentários para o ensino decididos pelo governo Berlusconi. Para se ter uma ideia, nos últimos três anos,  Berlusconi, que não quer deixar o poder de jeito nenhum,   cortou 8 bilhões de euros do orçamento para a educação púbica. Pode-se imaginar as consequências disso.

Em Bruxelas, a polícia belga deteve neste sábado (8) 500 manifestantes de várias nacionalidades que preparavam um acampamento e já tendo em vista a realização de um grande ato no próximo sábado (15) por uma “mudança global”.

No mesmo dia, o FMI considerava que o governo grego está tímido na implementação da política econômica de arrocho aos trabalhadores e exigia mais. O organismo internacional não está nada satisfeito com a reação dos trabalhadores e quer uma linha de ação ainda mais dura.

Em outras partes do planeta, nos EUA, por exemplo, como relatou o Eliakim neste DR, os protestos se intensificam em Wall Street, agora com a participação de sindicalistas e veteranos de guerra, o que verdadeiramente seria inimaginável alguns anos atrás.

Na América Latina, e em outras partes do mundo, foram realizadas ações em 75 países em um movimento denominado Jornada Mundial de Trabalho Decente, em defesa dos trabalhadores que estão sendo ameaçados em função de políticas econômicas de favorecimento dos banqueiros, responsáveis pela crise atual.

É sempre salutar quando os trabalhadores em todo mundo se unem em defesa dos seus interesses, sobretudo nos momentos, como o de agora, que as conquistas obtidas depois de muita luta e mobilização estão mais do que ameaçadas. E fica cada vez mais claro que a única resposta de quem está ameaçado em perder conquistas adquiridas é a mobilização. E isso seja na Grécia, nos EUA, na França, no Brasil, no Chile etc.

A propósito do Chile, o presidente Sebastián Piñera, cuja rejeição aumenta a cada dia, quer enfrentar as mobilizações dos mais amplos setores com repressão, algo que os chilenos conheceram durante os anos de chumbo do general Augusto Pinochet. Piñera quer uma legislação mais rigorosa para impedir que os estudantes continuem lutando em favor do ensino público e a não continuidade da mercantilização do setor.

Ao contrário do que já existe em outros países, entre os quais a Venezuela, no Chile não há possibilidade de o povo abreviar o mandato do presidente ou de outros políticos através de um referendo convocado por um determinado percentual de eleitores pedindo a realização da consulta nesse sentido.

As previsões não são nada otimistas no país andino. Piñera não abre mão de aceitar o fortalecimento da escola pública com, pelo menos, a redução dos lucros do setor privado na área do ensino. Muito menos que o ensino volte a ser gratuito, como acontecia no governo de Salvador Allende. Uma das bases de apoio de Piñera são os empresários do setor de ensino, que tudo podem e muito mais.

Em suma: assim caminha a humanidade. Não é à toa que daqui para frente as reações ao arrocho e socorro aos bancos vão se intensificar. Quem viver verá.

*Mário Augusto Jakobskind é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

Enviado por Direto da Redação

domingo, 12 de junho de 2011

LEITÃO DE BANQUEIRO


Laerte Braga
A mediocridade na mídia privada é algo que assusta e causa engulhos. Alguns anos atrás os banqueiros tinham suas políticas justificadas pela inteligência do jornalista Paulo Francis. Inteligência, cinismo e uma devastadora forma de escrever ou falar, tanto quanto de cantar mais de duzentas marchas e sambas dos velhos carnavais no programa MANHATAN COLLECTION (hoje deve ter uns seis ou sete telespectadores mais ou menos, o forte era Francis. Morreu sobrou o resto, literalmente, o resto).

E Francis tinha uma característica. Era indomável e não prestava consultoria a ninguém. Sua conversão a Wall Street se deu, talvez, numa visão quando andava pela Quinta Avenida. Foi um período confuso, aonde chegou a afirmar que Pedro Bial e Hélio Costa (à época jornalistas da GLOBO nos EUA, eram inteligentes e faziam jornalismo de boa qualidade). J. P. Morgan deve ter aparecido a Francis e revelado algumas “verdades” sobre juros, extorsão, etc., com matizes de estátua da Liberdade

Desde a morte do jornalista a GLOBO tenta de todas as formas achar alguém que pelo menos se assemelhe a ele. Primeiro inventaram Arnaldo Jabor. Virou conselheiro sentimental, tucano de corpo e alma, sonha ser o Sartre latino-americano e acaba sendo um contorcionista confuso, lastimável, em sua busca de “hei de ser Paulo Francis”. Acaba subproduto de Paulo Coelho. A própria GLOBO já percebeu que nesse sentido é uma furada, daí ter transformado Jabor numa versão masculina de Ana Maria Braga e voltado para outras áreas.

Na impossibilidade de ter um Francis ou “coisa” próxima, juntou um elenco pós Jabor. Lúcia Hippólito, Miriam Leitão, William Waack, Ana Maria Beltrão e outros mais.

Dentre todos os protótipos fracassados de Paulo Francis que a rede tentou construir, Miriam Leitão é o mais trágico. Tem consigo a marca de ser furibunda e fortemente influenciada – só pode ser – por aqueles pastores que vivem prevendo o fim do mundo.

Vai acabar amanhã. Aí não acaba. Mas a senhora continua a acreditar que está acabando.

Desde o início do governo Lula que vem prevendo crises e catástrofes que não acontecem e isso é fácil de entender. É só ler o contrário.

A senhora em epígrafe manda recado dos banqueiros. A última preocupação de Miriam Leitão são seus ouvintes ou telespectadores naquilo que é essencial. Para esses é criar a sensação que o monstro subiu ao teto e a qualquer momento desce pela chaminé levando devastação. A primeira preocupação é fazer o governo saber o que vai, de fato, ser real se os banqueiros não forem atendidos em seus pleitos e reivindicações.

Banqueiro é uma espécie complicada, não há certeza que sejam humanos. Nem andróides e tampouco robôs. Uma experiência gerada desde os primórdios da civilização, no primeiro passo humano dado no Planeta e que foi sendo gradativamente aperfeiçoada até chegar aos porões de Wall Street, onde hoje são produzidos por máquinas especiais de tecnologia desconhecida.

O próprio Paulo Francis escreveu que se um banqueiro tiver um olho dito humano e outro de vidro, se algum chorar, vai ser o de vidro.

Aquele modelo de banqueiro inglês, por exemplo, de fraque, cartola, charuto, trancado dentro de um escritório cercado de livros caixa por todos os lados é coisa do passado. Hoje são capazes de andar pelas ruas e se misturarem como qualquer ser humano sem que despertar suspeitas. Há inclusive quem os olhe e imagine-os seres semelhantes a qualquer outro.

Miriam Leitão é a intérprete desse pessoal. Quando fala em crise que se avizinha está recomendando a alta dos juros para que o Banco Central (a jornalista tem acesso ao COPOM – CONSELHO DE POLÍTICA MONETÁRIA) na ilusão – criada propositadamente – venha com a história de inflação de demanda e permita lucros extraordinários aos bancos, naquela jogada de títulos da dívida pública com a rentabilidade que esses juros proporcionam, para enxugar o excesso de moeda.

Em cena o capital de curto prazo, que não produz nada, perambula pelo mundo inteiro no papel de abutre, chega, lucra lucros astronômicos e vai embora lépido, fagueiro e feliz.

Com isso quase a metade do orçamento do governo da União vai para pagamento dos juros, sobe a dívida interna de forma alucinante e o povo lambe com a testa na crença que há um desenvolvimento fantástico e que trezentos bilhões de dólares de reserva são uma fortuna que coloca o real no mesmo patamar do dólar. O ufanismo do sujeito que não viu que o gol é do outro time.

Saúde, educação, etc., dançam.

FHC em sua costumeira e voraz forma de mentir foi o grande responsável por esse processo; difícil de desmanchar, mas desmanchável se houve vontade política.

O custo dos chamados serviços públicos (luz, telefone, transportes, etc.) é que pressiona a inflação. Não é a chuva ou a geada que liquida a plantação de alface, de tomate, de batata de um pequeno produtor.

Pequeno claro, porque o grande, o latifundiário, no Brasil, é um dos mais importantes cotistas da instituição Estado (vide Código Florestal), com poder de vida e morte, seja na uso de pistoleiros, trabalho escravo, ou no tal agronegócio, os transgênicos.

Toda essa discussão passa pela reforma política, passa pela reforma de um Judiciário cheio de vícios e corrupção (... em sã consciência, tem quem ache que Gilmar Mendes seja sério?), mas que não se restringe a discussões fechadas entre os próprios integrantes do clube do qual Miriam Leitão é uma das porta-vozes. 

O caminho é a ampla participação popular. A revisão das estruturas monopolísticas que controlam a mídia brasileira – é parte da quadrilha das elites econômicas –, a criação de mecanismos que permitam ao brasileiro entender que essa arenga das elites de carga tributária alta é só arenga. Quem paga imposto no Brasil é a classe média, são os trabalhadores.


No duro mesmo o trabalhador brasileiro é servido à pururuca no cardápio desse esquema perverso.

As privatizações, que dona Miriam Leitão tanto defende, além dos péssimos serviços prestados (telefonia e eletricidade, por exemplo), não investem e cobram as tarifas mais altas do mundo. O lucro dos bancos no Brasil cresceu de tal ordem que espanta, em cima, principalmente, de juros altos e tarifas bancárias cobradas ao cliente.

Já o salário dos bancários...

Essa perversidade decorre do que chamam nova ordem econômica ditada pelo Consenso de Washington, evento que traçou o desenho do mundo pós União Soviética e segundo a verdade do deus mercado.

É única, é absoluta e quando falham os mecanismos políticos ou econômicos, existe guardadinho em vários lugares do mundo (inclusive na extinta Europa Ocidental, massa falida que os norte-americanos assumiram) o tal arsenal de milhares de ogivas nucleares, capazes de dissuadir qualquer tentativa de enfrentar essa canalha.

Tem sede em Wall Street, escritórios principais em Washington e Tel Aviv. Além de funcionários pelo mundo inteiro, caso da senhora Miriam Leitão e toda a troupe da GLOBO.

O sonho de William Bonner é apresentar o JORNAL NACIONAL em inglês, com comentários dos “especialistas” da REDE FOX ou CNN. E presença de Sarah Palin no espetáculo de suas pernas vendendo a ideologia da castidade.

Não é bem aquela que se possa imaginar à primeira vista. É outra, do contrário Miriam Leitão não passaria nem pela porta dos fundos.

Semana passada a Secretária de Estado, Hillary Clinton convocou seis ex-presidentes de países da América do Sul, dentre eles FHC, agentes desse esquema, para um jantar. O objetivo era discutir o que fazer para que a América do Sul caia de joelhos mais depressa a tempo de ajudar na reeleição de Barack Obama, o Bush em versão supostamente negra (é branco engraxado de negro, como se fazia em Hollywood nos velhos tempos do racismo explícito, hoje é implícito).

O desafio de Dilma é romper esse grilhão. Um ou outro passo, mas alguns importantes foram dados por Lula. Mas não será com essa festa de clube de amigos e inimigos cordiais, partidos sem cara e face, só interesses, que se vai chegar ao desejado.

Falta povo nessa história toda.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Carta do presidente da Petrobras ao blog de Miriam Leitão

Veja abaixo a carta enviada pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, à Miriam Leitão. Leia o post Gabrielli em carta que me mandou: “Afirmo e reafirmo”, publicado no blog da colunista.

15 de outubro de 2010 / 14:56

Miriam,

Respeito profundamente o direito de opinião, divergências e controvérsias. Justamente por isso, em relação à sua coluna de hoje, em que sou chamado de lunático e negligente com as funções de Presidente da Petrobras, acusando-me de atuar exclusivamente de forma política eleitoral, gostaria de convidá-la para um debate dos méritos de minhas afirmações, além dos adjetivos.

Vamos aos fatos:

Afirmei que a área exploratória da Petrobras estava sendo reduzida por limitações na ação da empresa na aquisição de novos blocos de exploração e que isso seria mortal para uma empresa que vive do crescimento orgânico de suas reservas, principalmente através de novas descobertas. Disse e reafirmo que isso mataria a Companhia por inanição se essa política não fosse revertida, como o CA e a Diretoria da empresa assim o fizeram a partir de 2003.

 

Afirmei e reafirmo que os investimentos em refino estavam limitados por decisões estratégicas à época do presidente FHC. Considerado negócio de baixa rentabilidade, o refino no governo FHC teve estímulo para parcerias para ser desmembrado para potencial venda de suas partes. Essa visão foi revertida com o presidente Lula. Consideramos que a integração da produção de petróleo e o refino é fundamental para o fortalecimento da Petrobras, que tem mais de 85% de suas receitas provenientes das vendas de derivados de petróleo ao mercado brasileiro. No sistema integrado, a maior parte do refino pertence à Petrobras e, portanto, o crescimento desse mercado é estratégico para o desenvolvimento e sustentabilidade da própria Companhia. Revertemos o ciclo de estagnação do investimento em refino e planejamos construir cinco novas refinarias nos próximo s anos.


Afirmei e reafirmo que a Engenharia e o sistema de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa (principalmente o Cenpes) estavam inibidos no seu crescimento por uma falsa ilusão de que o mercado poderia fornecer as soluções tecnológicas necessárias para enfrentar os desafios de uma atividade como a nossa, na qual o conhecimento é vital para a sustentabilidade do crescimento. Felizmente, essa política também foi revertida desde os tempos de José Eduardo Dutra na Presidência da Petrobras, com o reerguimento da importância da engenharia e da pesquisa desenvolvidos internamente, o que impediu a continuidade de mais um elemento da morte por inanição que a orientação da DE anterior levaria a empresa.


Afirmei e reafirmo que parte dos programas de termoelétricas era extremamente nocivo à Petrobras. Inquestionável que todos os ônus ficavam com a Petrobras e os benefícios eram repassados para os sócios privados. A Diretoria dos últimos oito anos reverteu esse processo e as termoelétricas hoje apresentam riscos e benefícios justos para a empresa que investiu na construção de um importante parque gerador no País.


Afirmei e reafirmo a ausência da Petrobras na área dos biocombustíveis. A Petrobras Biocombustível é a prova do sucesso da reversão dessa política.


Afirmei e reafirmo que a exacerbação do conceito de unidades de negócio, como forma básica de organização da empresa, levaria a uma perda de sinergia do sistema corporativo, fragmentando sua ação, criando condições para a repartição do sistema em unidades isoladas mais facilmente privatizáveis. A Diretoria da Petrobras nos últimos oito anos fortaleceu o sistema, em lugar das partes, enfatizou a atuação sistêmica e agora avança na separação das unidades de operação dos ativos em relação às unidades que são responsáveis pela implantação dos novos projetos, uma vez que a empresa aumentou exponencialmente seus investimentos.


Afirmei e reafirmo que o regime de concessões aplicado a áreas de baixo risco exploratório, como é o Pré-Sal brasileiro, implica maior parcela da renda petroleira às empresas que aí investirem. Defendo que o regime de partilha de produção para esses casos permite uma melhor repartição dessa renda futura com o Estado e, portanto, é socialmente mais justa. Nesse sentido, a defesa do regime atual para as áreas do Pré-Sal é, em certa medida, a defesa de sua privatização sim.


Esses foram meus argumentos. Poderia ter falado da preparação para a privatização das fábricas de fertilizantes (Fafens), da política ofensiva aos movimentos sindicais dos petroleiros, da internacionalização equivocada, das políticas de patrocínios sociais, culturais e ambientais sem critérios e sem transparência, e outras ações que indicavam a orientação do governo do presidente FHC para preparar a privatização da empresa.


Você pode discordar de cada ponto por mim tratado, mas não pode desqualificar apenas com adjetivos e contextualização exclusivamente eleitoral. O que discuti foram pontos relevantes para a gestão da maior empresa brasileira e uma das maiores do mundo, que tem desafios gigantescos para implementar um dos maiores programas de investimento do planeta.


Miriam, a defesa do fortalecimento da Petrobras não pode ser classificado como negligência em relação às tarefas do seu presidente. Ao contrário, defender esses princípios é parte inerente e importante da função que exerço.


Muito obrigado.


Jose Sergio Gabrielli de Azevedo