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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Exército Eletrônico Sírio (Syrian Electronic Army, SEA) expõe uma “mídia” ocidental depravada

10/12/2013, [*] Tony Cartalucci, Blog Land Destroyer (excertos)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Seymour Hersh
O jornalista e prêmio Pulitzer, Seymour Hersh, que em 2007 já denunciara planos de EUA-Israel-Sauditas para usar a al-Qaeda como “preposta” para derrubar o governo sírio, acaba de publicar outro artigo importantíssimo, “Sarin de quem?” No artigo, Hersh diz (negritos nossos):

Barack Obama não contou a história inteira esse outono, quando tentou argumentar que Bashar al-Assad seria responsável pelo ataque com armas química próximo de Damasco, dia 21 de agosto. Em alguns pontos omitiu inteligência importante, em outros apresentou pressuposições como se fossem fatos. Mais importante, não reconheceu algo que toda a comunidade de inteligência dos EUA já sabe: que o exército sírio não é o único envolvido na guerra civil síria que tem acesso ao gás sarin, o agente de ação neurológica que, conforme estudo da ONU – sem competência para fazer esse tipo de avaliação – teria sido usado no ataque com foguete. Nos meses anteriores ao ataque, as agências de inteligência norte-americanas produziram vários relatórios altamente secretos, que culminaram numa Operations Order formal – documento de planejamento que precede invasão por terra – que cita provas de que a Frente al-Nusra, grupo jihadista afiliado à al-Qaeda, já dominava a mecânica da produção de gás sarin e podia produzir em grandes quantidades. Quando o ataque aconteceu, a Frente al-Nusra tinha de estar na lista de suspeitos; mas o governo Obama selecionou a dedo a inteligência que lhe interessava para justificar um ataque contra Assad.

O longo artigo expõe detalhes, cobrindo o modo como líderes ocidentais intencionalmente manipularam – e até inventaram! – inteligência, para justificar a intervenção militar na Síria, delírio semelhante às mentiras criadas para justificar a invasão e a ocupação do Iraque e a escalada na guerra no Vietnã, depois do incidente no Golfo de Tonkin.

O Exército Árabe Sírio está em processo de vitória decisiva usando meios de guerra convencional. Só havia um método possível para tentar mudar isso: usar armas químicas. O bom-senso, até mentirosos conhecidos dos quais se podia esperar que discordassem, tudo aponta para terroristas apoiados pela OTAN, como responsáveis pelo uso de armas químicas no atual conflito sírio.
....

A matéria também revela que a Frente Al-Nusra, afiliada da Al-Qaeda na Síria, foi identificada por agências de inteligência dos EUA como o único grupo que possuía armas químicas.

São, aliás, os mesmos terroristas para cuja ação o mesmo Hersh já alertava em 2007, em artigo intitulado O redirecionamento: a nova política do governo [dos EUA] estará beneficiando os inimigos dos EUA, na guerra ao terror?, [1] no qual Hersch escreveu, profético (negritos nossos): 

Para minar o Irã, que é predominantemente xiita, o governo Bush já decidiu reconfigurar suas prioridades no Oriente Médio. No Líbano, o governo Bush cooperou com o governo da Arábia Saudita, que é sunita, em operações clandestinas que visavam a enfraquecer o Hezbollah, organização xiita apoiada pelo Irã. Os EUA também tomaram parte em operações clandestinas contra o Irã e sua aliada, a Síria. Efeito colateral dessas atividades foi o crescimento explosivo de grupos sunitas extremistas que têm uma visão militante do Islã e que são hostis aos EUA e simpáticos à Al-Qaeda.

Agora, em 2013, Hersh volta a alertar a opinião pública de que há uma conspiração, orquestrada pelo ocidente, para usar terroristas no golpe para derrubar o governo soberano da Síria (com eventos que são o exato desdobramento do que Hersh já previra há vários anos); e que aqueles terroristas podem usar e usaram armas químicas. Hersh também expôs o modo sistemático como o ocidente mentiu sobre o ataque em Damasco, dia 21/8/2013, em que se usaram armas químicas.

Em seu artigo dessa semana, Hersh propôs uma pergunta fundamental que, contudo, ainda não foi adequadamente respondida por nenhum dos que insistem que o governo Assad teria sido responsável pelo uso de armas químicas:

A distorção que o governo Obama criou em todos os fatos que cercam o gás sarin obriga a fazer uma pergunta inevitável: será que já conhecemos, mesmo, toda a história do quão rapidamente Obama afastou-se da “linha vermelha” que ele mesmo criara, sua ameaça de bombardear a Síria? (...) Parece razoável e possível que, em algum momento desse processo, Obama tenha recebido informação que andava na direção contrária de tudo que a inteligência dos EUA lhe dizia: provas suficientemente fortes para convencê-lo, muito rapidamente, a cancelar o plano de ataque e ver-se obrigado a encarar a crítica que, sem dúvida possível, receberia dos Republicanos.

O ocidente abandonou seus planos de intervenção militar na Síria, porque o mundo rejeitou essa narrativa e, apesar das garantias de que o ocidente tinha inteligência aérea forte e confiável, mesmo muitos meses depois ainda nada se ouviu: o “sigilo” permanece. É claro que o ocidente desejava intervenção militar plena; e que, se tivesse inteligência real que ligasse os ataques ao governo sírio, as provas com certeza teriam sido expostas.

É o que Hersh explica: para começar, jamais existiu prova alguma; e a “ação” dos EUA na Síria ficou na total dependência da capacidade dos norte-americanos para conseguir impingir à opinião pública mais um pacote de mentiras.  

Os “especialistas” e “jornalistas” de poltrona são convocados

Contudo, apesar da capitulação do ocidente na Síria, e de meses já transcorridos sem que sequer um fiapo de prova tenha sido exibida, jornalistas empregados da imprensa-empresa ocidental continuam a repetir e perpetuar a narrativa das mentiras.

Entre esses agentes de deformação da opinião pública estão muitos think-tanks mantidos por empresas e empresários, como a Brookings Institution, a revista Foreign Policy, a Foundation for the Defense of Democracies (FDD) e jornalões do establishment como o The Guardian. E no centro dessa “avançada” do atraso jornalístico está, dessa vez, um autoproclamado especialista de armas, Eliot Higgins, que se vê como manifestação encarnada da propaganda ocidental 2.0.  (...)

A imprensa-empresa ocidental, com seus agentes de propaganda expulsos da Síria, e com muitas de suas “fontes” na Síria já desmascaradas, depois de várias tentativas para implantar informes falsos e inventar provas, rapidamente convocou Higgins, que foi promovido, do cargo de autoproclamado blogueiro de poltrona, para o trono de “especialista e analista conhecido”. Nessa nova condição, Higgins uniu-se, como mais um agente individual, à já desacreditada ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos. Assim se constituiu a base a partir da qual são emitidas todas as invencionices e todos os boatos de que se alimenta a narrativa ocidental “jornalística” sobre a Síria. (...)

Exército Eletrônico Sírio (Syrian Electronic ArmySEA) expõe uma “mídia” ocidental depravada

Higgins & Cia. talvez ainda não tenham visto, mas matéria distribuída pela CNN acaba de revelar que Higgins (com certeza) e provavelmente vários outros jornalistas receberam informações de um empresário norte-americano que estava na Síria, de que militantes islamistas haviam tido acesso liberado às armas químicas e – mais importante – estavam planejando usá-las em ataque a ser atribuído ao Exército Árabe Sírio. Essa informação foi dada àqueles jornalistas meses antes do ataque de 21/8 em Damasco. 

Essa semana, o Exército Eletrônico Sírio (Syrian Electronic Army, SEA) distribuiu e-mails trocados entre o empresário norte-americano, Matthew Van Dyke e jornalistas da empresa-imprensa ocidental, dentre os quais o próprio Higgins. Os e-mails mostravam que os militantes já tinham armas químicas e que planejavam usá-los num ataque que seria atribuído ao governo sírio – e que abriria o caminho para intervenção estrangeira mais ampla. Os e-mails do SEA foram confirmados pelo próprio Higgins em uma série de tuítes autoincriminatórios, nos quais tenta responder, ponto a ponto, às revelações que o comprometem.


Os e-mails agora distribuídos são mensagens trocadas sobre armas químicas que teriam caído nas mãos de terroristas que planejavam usá-las numa operação a ser atribuída a outros, com o “benfeitor” de Higgins e Van Dyke, localizado em Virginia, “perto de DC” (Langley, Virginia?), e ofertas de emprego para Higgins, feitas por ONGs, e um empresário fornecedor do Departamento de Defesa e que envolviam “inteligência de fonte aberta” – a nova “palavra de trabalho” que Higgins e Whitaker usavam para falar da forma de propaganda em que estavam trabalhando.





Jornalistas-propagandistas podem ganhar MUITO dinheiro

Os e-mails comprovam que já havia quem soubesse que as armas químicas haviam caído em mãos de terroristas que planejavam usá-las em crime que seria atribuído a outros. Higgins e outros jornalistas sabiam disso – o que agora também aparece reafirmado no artigo de Seymour Hersh – embora continuem a repetir que os terroristas não teriam nem a capacidade nem os meios para realizar os ataques químicos. De fato, tudo leva a crer que os grandes jornais ocidentais e subalternos como Higgins operaram como o fizeram, especificamente para desacreditar a ideia, que então já estava circulando, de que [o ataque de 21/8 em] Damasco poderia ter sido “encenado” para ser atribuído ao governo Assad. Em outras palavras, todo o trabalho desses jornalistas e empresas pode ter sido, todo ele, preparado para dar cobertura ao ataque à Síria.

Os e-mails acima e outros naquele grande arquivo também revelam a possível motivação para todas aquelas mentiras.

Os ditos “jornalistas” e pesquisadores dedicados a repetir e repetir a narrativa ocidental parecem ter recebido várias ricas ofertas de dinheiro e de financiamento, para que continuassem a fazer o trabalho no qual já estavam envolvidos. Pagamentos que se manteriam, é claro, só enquanto a produção “jornalística” deles se mantivesse afinada com os desejos de instituições, empresas e indivíduos que assinam os cheques. (...)

Nota do autor: Os interessados encontram farto material para pesquisa nos arquivos de e-mails vazados pelo Exército Eletrônico Sírio (SEA). E podem seguir o SEA, pelo Twitter: @Official_SEA16.


Nota dos tradutores
[1] 5/3/2007 (orig.) The Redirection. Is the Administration’s new policy benefitting our enemies in the war on terrorism?, Seymour M. Hersh, New Yorker. (Atenção: Observar que, então, em 2007, o “[movimento de] pivô”, de Obama, para fora de lá, ainda era o “redirecionamento”, de Bush, para dentro: O “redirecionamento”, como alguém dentro da Casa Branca chamou a nova estratégia, empurrou os EUA para mais perto de um confronto com o Irã e, em algumas partes da região, inflou um conflito sectário entre muçulmanos xiitas e sunitas” (loc. cit., aqui traduzido)
____________________


[*] Tony Cartalucci é um pesquisador de geopolítica e escritor sediado em Bangkok, Tailândia. Seu trabalho visa cobrir os eventos mundiais a partir de uma perspectiva do Sudeste Asiático, bem como promover a auto-suficiência como uma das chaves para a verdadeira liberdade.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Eliane Cantanhêde – Mentirosa e Fofoqueira


Comentário da redecastorphoto: 
Essa jornalista mequetrefe deve ter feito curso com algumas das miriansleitões ou danuzasleões da vida. Ou mesmo com alguma especialista em “jornalismo de fofoca” como a Leilane Neubarth. Ela é a mais provável herdeira da coluna “Mexericos da Candinha” contracapa da antiga Revista do Rádio, especializada em fofocas & mentiras sobre os artistas da época (anos ’50). Vai ser idiota assim lá com seus 3 ou 4 leitores!
Nem posso imaginar o porquê do Max perder tempo com uma besteirenta dessas.

Os segredinhos encomendados da colunista da Folha

Enviado por Max Altman – 09 julho 2012

A colunista Eliane Cantanhêde revela segredinhos da presidenta Dilma Rousseff em sua coluna “Sem paixão” de domingo, 8 de julho. Ninguém sabia, até esta altura, que ela era a confidente de Dilma. Revelar segredos tão importantes, que só se desvelam entre quatro paredes, sem filmagens secretas nem grampos dissimulados, só para os muito íntimos. Não consta que Eliane seja carne e unha da presidenta...

Mas não é nenhum segredo fechado o que “desvenda” Cantanhêde quando diz que “Dilma trabalha seriamente com a possibilidade de derrota de Hugo Chávez na Venezuela, neste ano”. E argumenta: “Com Chávez, há duas questões para além da economia. Ao cercar o câncer de mistério, sua imagem tão forte passa a refletir fragilidade”.

Ora, nem tão cercada de mistério está a enfermidade de Chávez, que ele mesmo tornou pública com bastante detalhe, nem sua imagem está enfraquecida.

Fisicamente; o sociólogo argentino Atílio Borón, presente no Foro de São Paulo há pouco levado a cabo em Caracas, num amplo relato afirmou que Chávez demonstrou em seu discurso e manifestações pessoais que carrega suficiente energia para enfrentar os ossos do ofício de presidente e a carga da disputa eleitoral, apesar de o âncora da televisão norte-americana, Dan Rather ter lhe dado há pouco, com base em fontes altamente fidedignas, não mais que dois meses terminais. Já se passaram quatro.

Politicamente; nada mostra que a doença o tenha enfraquecido. Georges Pompidou e François Mitterrand passaram os mandatos escondendo seus cânceres, apenas filtrados por segredinhos da imprensa, e não consta que tenham perdido relevância.

A malícia do segredinho revelado de Cantanhêde se completa na frase “E, pela primeira vez desde 1999, a oposição cerrou fileiras com uma candidatura, a de Henrique Capriles. Chávez passou a conviver com uma novidade: um opositor para valer”.

O grande objetivo da oligarquia, das forças reacionárias, da direita de nosso continente, apoiadas nos grandes meios de comunicação, para os próximos 90 dias, é a derrota de Chávez.



Ao crescimento das forças democráticas, populares, progressistas e de esquerda na América Latina e Caribe, a direita e o imperialismo respondem de diversas formas, dentre outras com a agressão sistemática pelo governo de Estados Unidos, a manipulação e criminalização das demandas sociais, para gerar enfrentamentos violentos e uma contra-ofensiva golpista.

O objetivo do império, a longo prazo, é controlar os recursos naturais. Não há outro continente que não a América do Sul a ostentar tantos e tão diversos recursos naturais - petróleo, água, biodiversidade,etc. - fundamentais para o desenvolvimento energético, industrial e agroalimentar. A contra-ofensiva estratégica de Washington é liquidar com Chávez porque ele é a grande liderança hoje das forças democráticas, progressistas, populares e de esquerda na defesa da soberania, independência e integração das nações latino-americanas e do Caribe.

Ante a iminente possibilidade de derrota eleitoral, a oposição venezuelana, respaldada pelos grandes meios de comunicação locais e internacionais, passaram a desatar uma intensa campanha, apelando a todo tipo de recursos, que incluem atos de violência e de desestabilização, mas também circunlóquios sibilinos não para defender um resultado altamente improvável – a vitória de Capriles – e sim para contar na hora da verdade com o argumento da denúncia de fraude.

O governo brasileiro, levando em conta os interesses legítimos do Brasil, sua política em favor da integração das nações latino-americanas, na defesa das recentes conquistas das massas de trabalhadores de nossa região, da nossa soberania e independência, está sim interessado – e muito – no resultado eleitoral de 7 de outubro na Venezuela. Para Dilma não “tanto faz como tanto fez”.

Felizmente, a consciência política da grande maioria do povo venezuelano permite prever uma nova, crucial e histórica vitória para as forças progressistas.


Texto de Max Altman – 09 julho 2012
Gráfico publicado pelo Instituto Venezolano de Análisis de Datos (IVAD) em 08 de julho
Título da postagem e ilustração: Castor Filho - redecastorphoto

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Debate: “A Privataria Tucana e o Silêncio da Mídia” - Barão de Itararé

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, promoveu um debate sobre o livro “A Privataria Tucana” que contou com a participação do autor do livro, Amaury Ribeiro Jr., do jornalista Paulo Henrique Amorim e do Deputado Federal Protógenes Queiroz.

Realizado dia 21/12/2011


Enviado por Dani Tristão

sábado, 3 de dezembro de 2011

Enterrem o PDT!


“Descubram qualquer coisa, mas arranjem um jeito qualquer de pôr Lupi no olho da rua e enterrar o PDT” – IMPRENSA

“Esse filme eu já vi antes: não é diferente daquela saraivada que levou Getúlio Vargas ao suicídio” – Pedro Porfírio

“Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca” - Darci Ribeiro


Guardadas as proporções históricas e as naturezas dos cargos, vejo nessa enxurrada de balas disparadas para forçar a presidente Dilma a demitir o ministro Carlos Lupi o retrato sem retoque daquela insidiosa campanha patrocinada pela embaixada norte-americana que levou ao suicídio do presidente Getúlio Vargas.

Pedro Porfírio
Perdoe-me a comparação, mas o ritual é o mesmo: hoje já não se fala nem nos contratos com as ONGs, assinados geralmente através de governos locais. Essa não pegou. Aí passaram a vasculhar até se ele fazia xixi na cama já grandinho. De algum lugar, precisa sair qualquer coisa que leve à sua demissão.

Sua queda é a encomenda mais cara já feita pelas elites, porque ele, que nunca foi de confrontos, que deu mole em muitos conflitos trabalhistas aceitando que outros exercessem as faculdades de um Ministro do Trabalho, resolveu levar adiante a implantação do PONTO ELETRÔNICO, medida que exporia não apenas o desrespeito atávico aos direitos dos trabalhadores, mas revelaria igualmente o turbilhão de sonegações de um patronato que deita e rola, vive se queixando de altos impostos, mas contrata os melhores contadores e os mais caros escritórios de advocacia para sonegar suas contribuições obrigatórias, isso sem falar na velha prática de distribuir propinas através do “Caixa 2”.

Porque a sua demissão não é apenas uma questão de honra de uma mídia entre facciosa e vaidosa, que não se deixa por vencida quando quer reafirmar sua pretensa condição de PODER PARALELO.

Sobre isso, expressou-se com paixão ideológica um funcionário de carreira de Furnas, que, não obstante sua antiga militância no PDT (ao ponto de não acompanhar o irmão quando este, vereador, se viu na contingência de acompanhar seu grupo indo para outro partido) jamais foi chamado para um cargo de chefia por indicação partidária.

Escreveu-me Rudenilson Andrade, um cara muito íntegro, cujas atitudes desassombradas me faz seu admirador:

Eu tenho nojo de corrupção Pública e Privada assim com qualquer tipo de Ditadura, mas tenho acompanhado atentamente esse processo e só entram nessa os tolos ou falsos tolos.

O grande embate que se está travando neste momento é uma encarniçada Luta de Classes e como disse o velho Marx a Luta de Classes é multifacetada, então vamos aos fatos bem sintéticos que é a forma que eu mais gosto.

Quando Lupi deseja e não é de agora implantar o Ponto Eletrônico com a emissão de comprovante nas mãos do trabalhador e as empresas terem que enviar o movimento eletrônico através de dados para o Ministério do Trabalho a burguesia começou a se rebelar via as suas Confederações e Federações Industriais e Comerciais, porque por esse processo a Classe Operária via Ministério do Trabalho começaria a ter o controle da sua Mais Valia, seja ela Absoluta ou Relativa.

Descobriu-se, também que as empresas pagam as horas extras, porem não recolhem o pagamento do FGTS e INSS aos Cofres Públicos referente às essas mesmas horas extras. Hoje o cálculo de aposentadoria do trabalhador pelo INSS não é mais feito pela média dos seus últimos 36 meses de contribuição e sim se pega de 1994 até a presente data e separa 80% das maiores contribuições, deste período, para fazer a média e calcular o seu Salário de Benefício. Com toda certeza aquele trabalhador que durante o(s) ano(s) vem fazendo hora extra será roubado no valor do seu salário de aposentadoria do INSS, pois o não recolhimento para o INSS do valor sobre as horas extras dele não ficara registrado no banco de dados do INSS de onde é extraído, volto a dizer de 1994 até a presente data os valores para calcular a sua aposentadoria. Assim sendo, escolham os seus lados cavalheiros porque o meu eu já escolhi há muito tempo, não quero chegar a essa altura da minha vida como um Renegado Kaustsky.

Lembro-me quando do golpe militar de 1964, financiado pelos trusts internacionais o genial Darcy Ribeiro, que ainda tentava resistir, desabafou:

“O presidente João Goulart está caindo por suas qualidades e não pelos seus defeitos”.

A história está inflacionada de situações semelhantes, geralmente deturpadas. Porque ela é escrita pelos vencedores e pelos monopólios da informação. Mas todo mundo sabe, até um foca reles, que muita gente que se esconde à sombra nunca engoliu a nomeação de Lupi para o Ministério do Trabalho, que implicou na retirada dessa pasta do controle do Partido dos Trabalhadores, com o deslocamento de Luiz Marinho, ex-presidente da CUT para a Previdência Social, porque conselheiros de Lula temiam que o PDT não desse continuidade à punga que até hoje torna infernal a vida de aposentados e pensionistas.

Lupi errou, sim, ao aceitar o Ministério sem condições de imprimir as premissas do brizolismo em suas políticas, sentindo-se fraco para compor sua própria equipe, com o que desprezou contribuições de correligionários preparados e íntegros, inclusive alguns de marcante atuação sindical, levando-os a engrossar uma dissidência que hoje é alimentada por amarguras pessoais.

Mas, em compensação, com sua personalidade flexível, foi o principal responsável pela sobrevivência do seu partido depois da mor te de Brizola. E a visibilidade que ganhou com um cargo no primeiro escalão do governo foi dedicada à costura de alianças pragmáticas, sem as quais o partido teria sucumbido de vez, tal a sua composição heterogênea, hoje muito distante das bandeiras brizolistas por conta de erros cometidos inclusive pelo caudilho, diga-se com honestidade e coragem.

A presidente Dilma sabe de toda essa trama de cor e salteado. Sabe que está sendo minada e perdendo a autoridade na hora em que vai cedendo às pressões da direita, representada por políticos galhofeiros, como o herdeiro de ACM e o tucanato insaciavel, e de uma mídia cujo manual de redação principia no informe do seu  passivo financeiro.

A fritura de Lupi passa, principalmente, por esse insólito modelo de gestão do país, no qual a Praça dos Três Poderes poderia ser enxertada de mais um pilar - a mídia que hoje desempenha o mesmo papel das Forças Armadas no passado, desde quando um manifesto de coronéis, em 1953, levou à queda de João Goulart, o melhor ministro do Trabalho da história do Brasil, porque ele conseguiu convencer Getúlio a reajustar em 100%, o salário mínimo, que o general Dutra congelara por 4 anos.

O país, hoje, 3 de dezembro de 2011, espera o desenlace montado e urdido pelos mesmos entreguistas que se dedicaram à mais rendosa corrupção, com as privatizações-doações que o governo do PT também não teve peito de reverter, como aconteceu em muitos casos na Argentina, por conta de um acordo de governabilidade.

Se a trama tiver o epílogo funesto, com a queda de mais um ministro, como já disse antes, Dilma que se cuide: seu governo é o grande alvo dos derrotados nas urnas. Eles só não são mais frontais porque a crise bate à porta e eles esperam que a presidenta derrape, como refém das maltas mesquinhas que dão as cartas no Planalto.

Artigo escrito e enviado por Pedro Porfírio e publicado originalmente no Blog do Porfírio

domingo, 20 de novembro de 2011

A SEMANA NO ATACADO E NO VAREJO

Laerte Braga
É o tal negócio. Quando do advento do vídeo-cassete um diretor da antiga Rede Tupi de Emissoras Associadas – Assis Chateaubriand – disse que se estava assistindo a uma revolução no setor. A indústria, esperta como sempre, tanto produzia vídeos de alta qualidade e inúmeros recursos para consumidores das categorias A e B, como vídeos mais pobres para os consumidores de C para baixo.

É o termômetro Ermírio de Moraes para medir a ascensão social. O empresário compra dez calças Pierre Cardin a vista e o trabalhador uma calça em dez prestações mensais que vão diminuir a carne de cada dia.

Descem a rua vestidos iguais.

E ainda falam em democracia. Polícia senta o cassete aqui, nos EUA, na Grécia, no Egito, na Itália, na França e a “ajuda humanitária” vai para a Líbia. Destroem tudo e, lógico, se preparam para reconstruir.

O que eu quis dizer com tudo isso?

Você comprar um espaço maior ou menor no Jornal Nacional, desde que preencha determinados requisitos (não ser contra os EUA, ter o aval dos williams bonners & waacks, não oferecer riscos às elites brasileiras e seus jagunços, etc.).

A CHEVRON, por exemplo, arrumou uma lambança com um poço de petróleo na bacia de Campos (muito mal explicada, pois estava tentando avançar sobre áreas que não são dela) e vetou a presença de outras redes de tevê, ou empresas de mídia, mesmo sendo todas elas compráveis com facilidade.

Na Rede Globo notícia sai quentinha do forno do jeito que a CHEVRON quer.

Já que a moda é voar em avião de ONG (o tresloucado do Carlos Lupi) é também voar em avião de empresa. Isenta, íntegra, honesta, mandando notícias sempre verdadeiras (epa!) a Rede Globo fechou um negócio com a CHEVRON, colocou o seu repórter no avião da empresa com direito a mordomias, etc., etc. e noticiou o desastre ecológico com o perfil desejado pela empresa.

Custou caro, evidente. Um trem desses não sai barato. Afinal como a Rede Globo vai sustentar todo aquele esquema de mentiras e podridão de todos os dias?

O negócio foi tão escandaloso que até Ricardo Boechat da Rede Band reclamou. Queria o dele...

Já o desastre ecológico em toda a sua extensão, os danos causados a curto, médio e longo prazo... Bom, esse a GLOBO não está nem aí. Recebeu para dizer que tudo vai ser resolvido nos conformes.

Deve ser por isso e por outros issos que Bonner chama o telespectador do Jornal Nacional de idiota, ou melhor de Homer Simpson.

Na esteira da Rede Globo, para faturar uma beirada, a Folha de São Paulo insinua que o desastre é culpa do governo. Os “planos” não teriam saído do papel.

A culpa do governo é ter entregue parte do petróleo brasileiro e continuar entregando a quadrilhas como a CHEVRON.

***

Semana de NEM, o super traficante da Rocinha, preso com direito a espetáculo e a manchete de primeira página no The Globe em sua versão brasileira, O Globo. “A ROCINHA É NOSSA”.

Nossa de quem cara pálida? Dos especuladores imobiliários que já estão enchendo os bolsos da mídia e seus sicários de olho nos arranha-céus do futuro?

Bando de bandidos. Soa meio esquisito? Não tem importância, tem bando de pássaros, bando de urubus, bando de coiotes, bando de hienas, etc., etc..

Quem não tem como comprar horário no Jornal Nacional se vire com outros menores, Folha, Veja (está promovendo liquidação, mas tem pré requisitos também), RBS (nesse se você for filho ou parente de diretor pode estuprar a vontade que não acontece nada), Estado de Minas, a corja impressa, via rádio, ou tevê.

A máfia do lixo, conjunto de empresas que saqueia municípios brasileiros com a privatização do setor, achou uma alternativa para as dificuldades com o lixo hospitalar. Compra prefeitos e câmaras municipais de pequenos municípios, anuncia a geração de um número elevado de empregos, vende a idéia de progresso, passa a importar lixo de outros municípios, lixo industrial, lixo hospitalar, despeja tudo na conta da saúde e todos felizes com o emprego.

É o caso do município de Ewbank da Câmara, MG. Prefeito e vereadores no bolso e lá vai para lá o lixo hospitalar de várias cidades inclusive do Rio de Janeiro.

Em Juiz de Fora, MG, a empresa é a Queiroz Galvão, máfia das mais truculentas, recebe lixo de várias cidades, num aterro sanitário ilegal, isso depois de ter comprado prefeito anterior, prefeito atual, diretores da FEAM – Fundação Estadual do Meio Ambiente - e tudo o mais, inclusive governo do Estado no seu todo.

Isso implica em riscos para uma barragem, a de Chapéu D’vas, como para várias reservas naturais de água, mas segundo os caras é progresso, além da propina que propicia a prefeitos, vereadores, etc.

E a mídia, não podia deixar de ser, é parte indispensável do processo de compre no atacado ou no varejo, mas compre. Ou seja, comprado, depende da maneira de olhar.

O modelo político e econômico está falido. Não há saída dentro do institucional.

É hora de ir às ruas e buscar caminhos diversos, diferentes dos que nos tem sido oferecidos com o pomposo título de democracia, mas que na prática só beneficia as elites.

Nada de ir às ruas de maneira desorganizada, do contrário fica igual o Egito. O povo derruba Mubarak e Mubarak permanece através dos militares todos subordinados aos EUA (parece até que é por aqui).

Por aqui acabo de me lembrar da Comissão da Verdade. Os torturadores, peritos em barbárie, estupros, toda a sorte de crueldade vão se defrontar com a tal da verdade. Estão em pânico escorados no patriotismo (“último refúgio dos canalhas”, segundo Samuel Johnson) e escondidos atrás da saia da anistia que fizeram para garantir a covardia dos porões da ditadura militar.

Ir com direção e certeza que ou ocupamos os espaços em cada cidade, ou cada cidade, nossas realidades imediatas, irão virar propriedade privada de máfias do lixo, da água, do escambau.

Daí a chegar ao País é barbada. É onde a CHEVRON já está, senhora de parte do nosso petróleo.

Pode ser que no período natalino a Rede Globo faça um desconto, quem sabe? Essa conversa de barganha com bandidos é com ela mesmo.

Olhe, no futuro, não tão distante assim, vão exibir em jaula um trem chamado ser humano mais ou menos assim, deve ser no “Fantástico”, principal porta voz da imbecilidade televisiva em nosso país (porque resumo de fatos à feição dos donos).

Vamos lá, apresentação de Faustão e Luciano Huck.

“Eis aqui, nesta jaula por medida de segurança, o perigoso ser humano, espécie em extinção. Tem o hábito de pensar e isso é perigoso, pior ainda porque fala, transmite seus pensamentos e dessa forma pode contaminar nossa sociedade democrática, cristã, ocidental, limpa, que usa Harpic todo diz para o vaso sanitário e Omo para tirar manchas. Observem bem as características criminosas dessa figura felizmente sob controle”.

Viva os imbecis e a geração de empregos/doenças! Morra mais cedo, mas seja parte do progresso das elites.

Enviado por Nanda Tardin