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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Que nenhum progressista deixe-se enrolar em falsas “polêmicas”: Chuck Hagel foi escolhido pelo Pentágono


8/1/2013, Allen Ruff, The Progressive
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Allen Ruff
Depois de semanas de discussões/balões de ensaio, o presidente Obama indicou formalmente Chuck Hagel, ex-senador por Nebraska e apresentado quase sempre como “Republicano moderado”, para substituir Leon Panetta como secretário da Defesa.

Críticos conservadores puseram-se imediatamente a repetir objeções, desde o primeiro instante em que o nome de Hagel apareceu como possibilidade em meados de novembro. A torcida organizada pró-neoliberais-conservadores de sempre o acusou de ser pouco beligerante contra o Irã e pouco beligerante a favor de Israel.

Seguindo sua linha cada vez mais neoliberal conservadora, o Washington Post escreveu em editorial dia 18 de novembro que Hagel “não é escolha certa para a secretaria de Defesa”.  Citando o ex-senador, disse o Post: “Em questões críticas, que vão do orçamento da Defesa, ao Irã, o sr. Hagel expôs posições, ainda mais à esquerda que as do sr. Obama em seu primeiro mandato”.  (Hagel, uma vez, cometeu a temeridade de sugerir que os gastos do Pentágono deveriam ser “rebaixados”. Imaginem só!).

Barack Obama e Chuck Hagel
Os detratores desenterraram um voto de Hagel contra sanções ao Irã, enquanto a mídia de direita repetia, como câmara de eco, a acusação de “antissemitismo”, porque o senador, há anos pronunciou a expressão “lobby judeu”. Mas, sim, Hagel enfureceu mais de um fundamentalista pró-Israel, quando disse, em 2006, que “Não sou senador de Israel. Sou senador dos EUA. Apoio Israel, mas meu primeiro pensamento é que, ao tomar posse como senador, jurei servir à Constituição dos EUA, não a um ou outro presidente, não a um ou outro partido, nem jurei servir a Israel. Se fosse eleito senador em Israel, sim, seria diferente”.

James Fallows
Parte da esquerda nos EUA imediatamente saltou em defesa de Hagel. James Fallows, do Atlantic, apresentou-o como “inteligente escolha no campo do bipartidarismo”, veterano condecorado na guerra do Vietnã e com currículo de “direita realista e cautelosa”; e denunciava as “falsas acusações assacadas contra Chuck Hagel.

Em agosto de 2005, Hagel ganhou as simpatias dos centristas, ao mostrar-se como o primeiro senador Republicano a criticar abertamente a guerra do Iraque e exigir a retirada dos EUA. Criticou o então presidente Bush, a ala mais conservadora dos Republicanos, o “Velho Grande Partido” [orig. Great Old Party, GOP] e a violência, contra as liberdades civis, implícita na lei Patriot Act aprovada em dezembro daquele ano. Na ocasião, Hagel disse que “jurei obedecer e servir à Constituição, não ao estatuto do meu partido ou ao presidente.”

Adiante, em 2007, criticou os planos para a “avançada” [orig. surge] na guerra do Iraque. Essas declarações – que a direita jamais esqueceu –, contribuíram para dar melhor imagem a Hagel aos olhos dos pacifistas e militantes antiguerra centristas moderados.

O problema é que nem os detratores nem os apoiadores expuseram ainda claramente quem é, de fato, o homem; nem por que os progressistas temos de nos opor firmemente à indicação de seu nome para o posto de Top Gun do Pentágono.

Mais uma vez, cabe à verdadeira esquerda entender e fazer ver com a máxima clareza possível, que nenhuma esquerda pode-se deixar enredar na arapuca de apoiar a mais recente escolha de Obama para a secretaria da guerra, apenas porque a direita opôs-se à indicação.

Atualmente membro do Conselho Diretor da Chevron (desde 2010), Hagel liderou os ataques, em 1997, que bloquearam a ratificação do Protocolo de Kioto, o acordo internacional que visava a obrigar os EUA e outras nações industrializadas a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. A Resolução Hagel-Byrd – que leva também o nome do Democrata de West Virginia e defensor de empresas norte-americanas poluidoras, Robert Byrd – pela qual ficou decidido que os EUA não ratificariam o Protocolo de Kioto argumentava que o protocolo deixava de fora os países emergentes e criava impedimentos à expansão econômica dos EUA.

Em suas idas e vindas pela porta giratória que liga os congressistas e a empresa privada nos EUA, e à caça de fama e fortuna sempre crescentes, Hagel anunciou em setembro de 2007 que não se candidataria para o que poderia ser seu terceiro mandato no Senado; ali iniciava outra carreira... na diretoria da Chevron. As biografias em circulação repetem, todas, que Hagel é professor na Georgetown University; e praticamente todas elas omitem que, para assumir a secretaria da Defesa, Hagel terá de afastar-se do emprego na diretoria da Chevron.

Provavelmente, também terá de deixar a posição de co-presidente do Corpo de Conselheiros Presidenciais para Inteligência – aquele grupo de “cidadãos de notório saber selecionados [nomeados] nos setores de segurança nacional, político, acadêmico e mercantil-privado (...) independentes da Comunidade de Inteligência oficial, dispensados de qualquer responsabilidade operacional e de administração do dia a dia, com pleno acesso, sem qualquer restrição, a toda e qualquer informação no campo da Inteligência”.

John Kerry
Hagel tem assento atualmente também no corpo de direção do American Security Project, um thinktank imperial, com sede em Washington, cuja missão é “compreender e articular as crenças e valores relacionados à política externa dos EUA”, e forjar, domesticamente, um “consenso bipartidário” sobre “uma nova estratégia nacional de segurança que restaurará a liderança americana”. Fundado em 2007, com Hagel e o já provável sucessor de Hillary Clinton no departamento de Estado, John Kerry, como membros fundadores, o American Security Project é agente profundamente envolvido na “pesquisa para a segurança no campo da energia” e “a necessidade dos biocombustíveis para a segurança nacional dos EUA (quer dizer: é o Pentágono virando “verde”!), além da tarefa de “construir respostas estratégicas para os desafios do século 21”.

Se sua indicação for confirmada, o emprego atual de Hagel, como diretor da organização privada, mas imensamente influente, o Conselho Atlântico [orig. Atlantic Council] será, muito provavelmente suspenso e preservado, pelo menos, até que retorne à “vida privada”.

Rick Rozoff
Raramente discutido, esse Conselho Atlântico, com sede em Washington, foi fundado há 50 anos, como organização não governamental da elite da política externa dos EUA, com a missão de promover o “interesse nacional” dos EUA e a supremacia norte-americana na Guerra Fria, dentro da “comunidade atlântica” e também fora dela, em outros espaços. Segundo Rick Rozoff, crítico da política externa dos EUA, o Conselho Atlântico foi organizado em 1961, por dois ex-secretários de Estado, Dean Acheson e Christian Herter, para impulsionar o apoio à Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN. Sob a liderança dos EUA, vários “conselhos atlânticos” foram implantados em países membros do conselho-mãe, todos com a mesma finalidade.

Lista recente de atuais associados do Conselho Atlântico corresponde praticamente à lista telefônica de todo o establishment de política externa de Washington. Discípulo de Henry Kissinger, Brent Scowcroft, ex-assessor do Conselho de Segurança Nacional, teve papel destacado na modelagem da organização como existe hoje. O principal conselheiro de Obama para Segurança Nacional, James L. Jones, e a embaixadora dos EUA à ONU, Susan Rice (cujo nome chegou a ser cogitado para substituir Panetta no Pentágono), já trabalharam, ambos, para o Conselho Atlântico.

James L. Jones
O antecessor de Hagel no cargo que ocupa no Conselho Atlântico, James L. Jones, foi general de quatro estrelas comandante do Marine Corps, comandante geral do Comando dos EUA na Europa e Comandante do Comando Supremo dos Aliados da OTAN na Europa, de 2003 a 2006. Foi também enviado especial da secretária de Estado, Condoleezza Rice para assuntos de segurança do Oriente Médio e, nessa posição, discutiu abertamente o deslocamento de tropas da OTAN na Cisjordânia, recomendação repetida e reforçada por Scowcroft, também colega de Hagel no Conselho Atlântico.

Scowcroft, general aposentado da Força Aérea e Conselheiro para Segurança Nacional nos governos dos presidentes Ford e George H. W. Bush, é hoje um dos presidentes do Corpo de Conselheiros Internacionais; Hagel é co-presidente desse corpo de conselheiros, no qual se reúnem cerca de 40 altos especialistas em questões de segurança transatlântica e no espaço da OTAN. Fundado em 2007 por Jones, então presidente do Conselho; por Scowcroft e outros, o Grupo de Conselheiros Estratégicos apresenta-se como “instituição destacada no campo do pensamento estratégico e análise de segurança euroatlântica”, graças à sua “liderança respeitada” em assuntos como Afeganistão/Paquistão e o Conceito Estratégico da OTAN [orig. NATO’s Strategic Concept]. O grupo produz relatórios e memorandos sobre temas relacionados a esses temas e organiza “Sessões Estratégicas” privadas, não divulgadas, para altos funcionários, civis e militares, dos EUA e Europa; além de também oferecer aconselhamento informal, pelos seus especialistas, a deputados e senadores”.

Obama e o Ditador do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev
Sob a direção de Chuck Hagel, as atenções do conselho concentraram-se cada dia mais na direção da Ásia, Sul e Central. Como parte dessa “virada” [movimento de “pivô”], e de olhos postos no Cazaquistão, rico em petróleo e urânio e com localização privilegiada do ponto de vista estratégico, em 2010 o Conselho abraçou um projeto que atende pelo título de “A Eurásia como parte da Segurança Transatlântica” [orig. Eurasia as Part of Transatlantic Security]. Também sob a direção de Hagel, o conselho trabalhou para “modelar o debate transatlântico sobre segurança na Eurásia (...)”.

A Força Tarefa Eurásia [orig. Eurasia Task Force] do Conselho foi criada a partir de uma doação financeira do governo do Cazaquistão, hoje sob a presidência “vitalícia” de Nursultan Nazarbayev; somaram-se a essa contribuições também do Strategic Advisory Group e da empresa EADS-North America,  subsidiária norte-americana de uma das maiores fabricantes europeias de aviões de combate, que atualmente fornece armamento a vários regimes repressores em toda a Ásia Central.

Cazaquistão e países fronteiriços (Cáucaso)
Ainda como senador, e bem antes de tornar-se empregado da Chevron (hoje, a maior dentre as empresas já posicionadas para explorar os campos de petróleo do Cazaquistão no Mar Cáspio) ou copresidente do Conselho Atlântico, Hagel já era o único senador dos EUA que visitara as cinco repúblicas da Ásia Central. Naquelas viagens, bem evidentemente, construiu laços e os seus interesses tomaram forma. De lá até hoje, os interesses de Hagel naquela região não mudaram.

Em maio de 2010, Michelle Kinman, vice-diretora da organização Crude Accountability [transparência e petróleo] organização de cidadãos e grupo de ação que opera nas questões ambientais geradas pela exploração do petróleo no Mas Cáspio, dirigiu-se a Hagel, na reunião anual da Diretoria da Chevron. Lembrou o quanto a empresa Chevron sempre esteve pesadamente envolvida em projetos de petróleo no Cazaquistão e noutras associações com regimes repressores, em muitas dos quais já se comprovaram violações de leis ambientais, falta de transparência e, em termos gerais, falcatruas, escândalos (...).

Kinman disse que “se a empresa Chevron envolve-se com regimes repressores como o do Turcomenistão, para garantir a exploração dos hidrocarbonetos, sem, antes, exigir atitude firme contra a violação de direitos humanos, transparência nos atos do governo e estado de direito, só fará reforçar as tendências antidemocráticas e impedir o desenvolvimento de uma sociedade civil que, até agora só foi duramente explorada e sacrificada, como já fez em Burma, na Nigéria, na Colômbia e em inúmeros outros países pelo mundo”.

Michelle Kinman questionando a Chevron
E continuou, dirigindo-se ao hoje futuro secretário de Defesa dos EUA: “Senador Hagel, como novo membro da direção da empresa Chevron, o senhor tem excepcional oportunidade, além da responsabilidade de exigir mais compromisso democrático da sua e de todas as empresas que operam no Mar Cáspio, para que se adaptem aos padrões legais da Chevron, para começar; mas, sobretudo, para que se adaptem à legislação e às melhores práticas internacionais”.

Para, afinal, perguntar: “Senador Hagel, o senhor está preparado para insistir no sentido de que sua empresa assuma a liderança na luta por respeito aos direitos humanos no Turcomenistão, hoje?”. Hagel não respondeu. O diretor executivo da Chevron aconselhou a organização Crude Accountability a escrever ao senador, noutra oportunidade.

Quem sabe, nas sabatinas a que Hagel será submetido no Senado, algum senador dos EUA lembre-se de perguntar sobre as preocupações do senador Hagel com a “segurança no campo da energia” misturada à visível disposição para não ver as agressões contra direitos civis que se compram e vendem-se nessas negociações? Pouco provável.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Fernando Siqueira (Petrobras) acusa Chevron de mentir sobre vazamentos



O vice-presidente da AEPET , Fernando Siqueira, afirmou em entrevista à imprensa que a Chevron mentiu o tempo todo e não informou aos órgãos públicos que perfurou outro reservatório, localizado mais abaixo em relação ao que vinha sendo explorado antes. “Ela fez isso sem saber qual era a pressão máxima que poderia encontrar. Esse fato acabou causando os dois vazamentos da bacia de Campos”. Fernando Siqueira disse acreditar que o recente afloramento de óleo registrado próximo ao Campo de Roncador, operado pela Petrobrás, tem ligação com os incidentes ocorridos em novembro e março no Campo de Frade, operado pela petroleira americana Chevron.

De acordo com Siqueira, “o vazamento atribuído ao campo de Roncador é ainda consequência do acidente de Frade. O reservatório de Frade foi danificado pela Chevron e continua vazando. O óleo migra pelos veios do terreno e pode atingir grandes distâncias. Neste caso, o vazamento é próximo de Frade cerca de 500m, segundo os jornais”, afirmou.

Siqueira afirma que Chevron foi negligente na segurança e explica perfuração

“A Chevron negligenciou a segurança por motivo de economia. Ela estava furando um poço. Havia um outro reservatório nas proximidades de onde ela já produzia. A Chevron conhecia a pressão deste reservatório vizinho. Então, ela furou esse reservatório. Só que havia um outro reservatório mais embaixo. Quando ela furou o primeiro,  fez um teste mecânico de resistência do reservatório e chegou a uma pressão em torno de 11 libras por galão. Então, ela dimensionou uma lama tal que compensasse a pressão desse reservatório, que era 10,5 libras por galão, ou seja, uma pressão abaixo do limite de resistência do reservatório. E aí então, ela resolveu furar o reservatório mais embaixo. Mas, para furar esse reservatório mais embaixo, o correto teria sido revestir o poço nesse trecho, isolar o primeiro reservatório, que ela furou antes, e prosseguir a perfuração com toda a segurança, ou seja, a pressão que existisse no reservatório mais embaixo não iria repercutir no reservatório do primeiro nível, do nível mais acima. Isso seria o correto”, explica Siqueira, acrescentando que a Chevron correu o risco de continuar a perfuração e esperava encontrar, no segundo reservatório, a pressão do primeiro, porque, no outro, onde ela já produzia, a pressão era mais ou menos nesse nível. Isso é uma achologia. Um risco que não se pode correr na área do petróleo, principalmente no mar e a grandes profundidades. A Chevron prosseguiu na perfuração sem ter revestido o primeiro reservatório. Quando ela atingiu o segundo reservatório a pressão era mais alta do que ela esperava. Então houve um “quick” de pressão, uma ameaça de o poço jogar tudo para fora”.

A pressão do reservatório inferior mais a da lama mais pesada causou o dano no reservatório superior

Para economizar tempo de sonda, ela furou o segundo reservatório a poço aberto. Quando atingiu o segundo, em face da pressão ser bem maior e exigir uma lama bem mais pesada, ela acabou causando trinca no reservatório superior. E também não fez os procedimentos para corrigir esse erro. Assim ocorreu o segundo vazamento. 

O original foi extraído do Boletim 389 da AEPET

quarta-feira, 14 de março de 2012

Um mundo de petróleo cada vez mais difícil



Michael T. Klare
Os preços do petróleo agora estão mais altos do que jamais estiveram – exceto em uns poucos momentos frenéticos antes do colapso econômico global de 2008. Muitos fatores imediatos estão contribuindo para esta alta, inclua-se ameaças do Irã de bloquear o trânsito de petróleo no Golfo Pérsico (Estreito de Ormuz), temores de uma nova guerra no Oriente Médio e perturbações na Nigéria, rica em petróleo.

Algumas destas pressões podem diminuir nos meses pela frente, proporcionando alívio temporário no preço da gasolina. Mas a causa principal dos preços mais elevados – uma mudança fundamental na estrutura da indústria petrolífera – não pode ser revertida e, assim, os preços do petróleo estão destinados a permaneceram altos por mais um longo tempo.

Em termos de energia, estamos agora entrando num mundo cuja natureza implacável ainda tem de ser plenamente apreendida. Esta mutação essencial foi provocada pelo desaparecimento do petróleo relativamente acessível e barato – o “petróleo fácil”, na linguagem dos analistas da indústria. Em outras palavras, a espécie de petróleo que impulsionou uma expansão vertiginosa da riqueza global ao longo dos últimos 65 anos, bem como a criação de infindáveis comunidades suburbanas orientadas para o carro. Este petróleo está agora quase acabado.

O mundo ainda dispõe de grandes reservas de petróleo, mas estas são difíceis de alcançar, difíceis de refinar, a variedade “petróleo árduo”. A partir de agora, todo barril que consumirmos será mais custoso para extrair, mais custoso para refinar – e, assim, mais caro na bomba de gasolina.

Aqueles que afirmam que o mundo permanece “inundado” de petróleo estão tecnicamente corretos: o planeta ainda dispõe de vastas reservas. Mas os propagandistas da indústria petrolífera geralmente deixam de enfatizar que nem todos os reservatórios de petróleo são semelhantes: alguns estão localizados próximos à superfície ou próximos à costa e estão contidos em rocha porosa; outros localizados em subsolo profundo, no off shore distante ou presos em formações rochosas impenetráveis. Os locais anteriores são relativamente fáceis de explorar e proporcionam um combustível líquido que pode ser prontamente refinado em novos líquidos utilizáveis; os locais atuais só podem ser explorados através de técnicas custosas, ambientalmente arriscadas e muitas vezes resultam num produto que deve ser fortemente processado antes que a refinação possa sequer começar.

A simples verdade sobre o assunto é esta: a maior parte das reservas fáceis do mundo já foram esgotadas – exceto aquelas em países espinhosos como o Iraque. Virtualmente todo o petróleo que resta está contido em reservas mais difíceis de serem atingidas. Isto inclui o petróleo do off shore profundo, o petróleo do Ártico e o petróleo de xisto, juntamente com as “areias betuminosas” do Canadá – as quais não são compostas de petróleo de modo algum, mas sim de lama, areia e alcatrão semelhante a betume. As chamadas “reservas não convencionais” destes tipos podem ser exploradas, mas muitas vezes a preço desconcertante, não apenas em dólares mas também em danos para o ambiente.

No negócio do petróleo, esta realidade foi reconhecida primeiramente pelo presidente e CEO da Chevron, David O'Reilly, numa carta de 2005 publicada em muitos jornais americanos. “Uma coisa é clara”, escreveu ele, “a era do petróleo fácil está acabada”. Não só muitos dos campos existentes estavam em declínio, observou ele, como “novas descobertas de energia estão a ocorrer principalmente em lugares onde os recursos são difíceis de extrair, fisicamente, economicamente e mesmo politicamente”.

Nova prova desta mutação foi proporcionada pela Agência Internacional de Energia (IEA) numa revisão de 2010 das perspectivas do petróleo mundial. Na preparação deste relatório a agência examinou os rendimentos históricos dos maiores campos produtores do mundo – o “petróleo fácil” sobre o qual o mundo ainda repousa para o grosso da sua energia de forma esmagadora. Os resultados foram espantosos: esperava-se que aqueles campos perdessem três quartos da sua capacidade produtiva ao longo dos 25 anos seguintes, eliminando 52 milhões de barris de petróleo por dia da oferta mundial, ou cerca de 75% a atual produção mundial. As implicações eram estarrecedoras: ou descobrir petróleo novo para substituir aqueles 52 milhões de barris/dia a Era do Petróleo chegará logo a um fim e a economia mundial entraria em colapso.

Naturalmente, como a IEA tornou claro em 2010, haverá novo petróleo, mas só da variedade difícil que exigirá um preço de todos nós – e do planeta, também. Para apreender as implicações da nossa crescente dependência do petróleo difícil, vale a pena dar uma olhadela a alguns dos mais apavorantes pontos sobre a Terra. Assim, apertem os vossos cintos de segurança: primeiro estamos a ir para o mar para examinar o “prometedor” novo mundo do petróleo do século XXI.

Petróleo de águas profundas

As companhias de petróleo têm pesquisado em áreas off shore há algum tempo, especialmente no Golfo do México e no Mar Cáspio. Até recentemente, contudo, tais esforços verificavam-se invariavelmente em águas relativamente rasas – umas poucas centenas de metros, na maior parte – o que permitia às companhias utilizar perfuradores convencionais montados sobre colunas extensas. A perfuração em águas profundas, em profundidades que ultrapassam os 300 metros, é um assunto inteiramente diferente. Ela requer plataformas de perfuração especializadas, refinadas e imensamente custosas que podem custar bilhões de dólares para produzir.
 

A Deepwater Horizon (foto), destruída no Golfo do México em Abril de 2010 devido a uma explosão catastrófica, é bastante típica deste fenômeno. A plataforma flutuante foi construída em 2001 por US$500 milhões e custa cerca de US$1 milhão por dia para conservar e manter. Parcialmente devido a estes altos custos, a BP estava com pressa de acabar o trabalho do seu malfadado furo Macondo e mover a Deepwater Horizon para outro local de perfuração. Tais considerações financeiras, acreditam muitos analistas, explicam a pressa com a qual a equipe de perfuração selou o furo – levando a uma fuga de gases explosivos dentro do poço e a explosão resultante. A BP agora terá de pagar algo para além de US$30 bilhões para atender as todas as reclamações pelo dano feito com a fuga maciça de petróleo resultante da desastre.

Seguindo-se ao referido desastre, a administração Obama impôs uma proibição temporária à perfuração no offshore profundo. Mal se passaram dois anos, a perfuração nas águas profundas do Golfo está outra vez em níveis de pré desastre. O presidente Obama também assinou um acordo com o México que permitia perfurar na parte mais profunda do Golfo, ao longo da fronteira marítima estadunidense-mexicana.

Enquanto isso, a perfuração em águas profundas está ganhando velocidade no mundo inteiro. O Brasil, por exemplo, movimenta-se para explorar seus campos “pré sal” (assim chamados porque jazem abaixo de uma camada de sal) nas águas do Oceano Atlântico muito longe da costa do Rio de Janeiro. Novos campos offshore estão analogamente a ser desenvolvidos nas águas profundas do Gana, Serra Leoa e Libéria.

Em 2020, diz o analista de energia John Westwood, estes campos de águas profundas fornecerão 10% do petróleo mundial, quando eram apenas 1% em 1995. Mas este acréscimo de produção não sairá barato: a maior parte destes novos campos custará dezenas ou centenas de bilhões de dólares para desenvolver e só se demonstrará lucrativo desde que o petróleo continue a ser vendido por US$90 ou mais por barril. 

Os campos offshore do Brasil, considerados por alguns peritos como as mais prometedoras novas descobertas deste século, demonstrar-se-ão especialmente caras porque jazem sob 2400 metros de água e 4000 metros de areia, rocha e sal. Serão necessários os mais avançados e custosos equipamentos de perfuração do mundo – alguns deles ainda a serem desenvolvidos. A Petrobrás, a empresa de energia controlada pelo estado, já comprometeu US$53 bilhões para o projeto em 2011-2015 e a maior parte do analistas acredita que isto será apenas um modesto pagamento inicial de um estarrecedor preço final.

Petróleo ártico

Espera-se que o Ártico proporcione uma fatia significativa da futura oferta mundial. Até recentemente, a produção no extremo Norte fora muito limitada. Exceto na área de Prudhoe Bay no Alasca e num certo número de campos na Sibéria, as grandes companhias tem geralmente evitado a região. Mas agora, ao verem poucas outras opções, elas estão se preparando para grandes investidas num Ártico em fusão.

De qualquer perspectiva, o Ártico é o último lugar para se querer ir a fim de perfurar por petróleo. As tempestades são frequentes e as temperaturas no Inverno mergulham muito abaixo do ponto de congelamento. A maior parte do equipamento comum não operará sob estas condições. São necessários substitutivos especializados (e custosos). As equipes de trabalho não podem viver na região por muito tempo. A maior parte dos abastecimentos – comida, combustível, materiais de construção – devem ser trazidos de milhares de quilômetros a um custo exorbitante.

Mas o Ártico tem os seus atrativos: bilhões de barris de petróleo inexplorado. Segundo o U.S. Geological Survey (USGS), a área Norte do Círculo Ártico, com apenas 6% da superfície do planeta, contém uma estimativa de 13% do seu petróleo remanescente (e ainda maior fatia do seu gás natural não desenvolvido) – números com que nenhuma outra região pode competir.

Sobrando poucos lugares para ir, as grandes empresas de energia agora estão a preparar-se para uma corrida a fim de explorar as riquezas do Ártico. Neste Verão, espera-se que a Royal Dutch Shell comece furos de teste em porções dos Mares Beauforte Chukchi, ao Norte do Alasca (a administração Obama se demorando na concessão das autorizações finais de operação para estas atividades, mas espera-se a aprovação). Ao mesmo tempo, a Statoil e outras firmas planeiam perfurar no Mar de Barents, ao Norte da Noruega.

Com estes cenários energéticos extremos, o aumento da produção no Ártico impulsionará significativamente os custos operacionais das companhias de petróleo. A Shell, por exemplo, já gastou US$4 bilhões só nos preparativos para furos de teste no offshore do Alasca, sem produzir um único barril de petróleo. O desenvolvimento em plena escala nesta região ecologicamente frágil, tenazmente contrariado por ambientalista e povos nativos locais, multiplicará este número muitas vezes mais.

Areias betuminosas e petróleo pesado

Espera-se que outra fatia significativa do futuro abastecimento mundial de petróleo venha das areias betuminosas do Canadá (também chamadas “areias petrolíferas”) e do petróleo super-pesado da Venezuela. Nada disto é petróleo tal como é normalmente entendido. Não sendo líquidos nos seu estado natural, eles não podem ser extraídos pelos materiais de furação tradicionais, mas existem em grande abundância. Segundo o USGS, as areias betuminosas do Canadá contêm o equivalente a 1,7 trilhões de barris de petróleo convencional (líquido), ao passo que os depósitos de petróleo pesado da Venezuela dizem abrigar outro trilhão de petróleo equivalente – embora nem tudo seja considerado “recuperável” com a tecnologia existente.

Aqueles que afirmam que a Era do Petróleo está longe de ultrapassada apontam estas reservas como prova de que o mundo ainda pode extrair imensas quantidades de combustíveis fósseis inexplorados. E certamente é concebível que, com a aplicação de tecnologias avançadas e uma indiferença total para com as consequências ambientais, estes recursos na verdade serão colhidos. Mas não é petróleo fácil.

Até agora, as areias betuminosas do Canadá foram obtidas através de um processo análogo à mineração a céu aberto, utilizando pás monstruosas para arrancar uma mistura de areia e betume do solo. Mas a maior parte do betume próximo à superfície nas areias betuminosas ricas da província de Alberta foi exaurida, o que significa que toda extração futura exigirá um processo muito mais complexo e custoso. Terá de ser injetado vapor nas concentrações mais profundas para fundir o betume e permitir a sua recuperação através de bombas maciças. Isto exige um investimento colossal em infraestrutura e energia, bem como a construção de instalações de tratamento para todos os resíduos tóxicos resultantes. Segundo o Canadian Energy Research Institute, o pleno desenvolvimento das areias petrolíferas de Alberta exigiria um investimento mínimo de US$218 bilhões ao longo dos próximos 25 anos, não incluindo o custo de construir oleodutos para os Estados Unidos (tal como o proposto Keystone XL) para processamento em refinarias estadunidenses.

O desenvolvimento do petróleo pesado da Venezuela exigirá investimento numa escala comparável. Acredita-se que o cinturão do Orenoco, uma concentração especialmente densa de petróleo pesado adjacente ao Rio Orenoco contenha reservas recuperáveis de 513 bilhões de barris de petróleo – talvez a maior fonte de petróleo inexplorado do planeta. Mas converter esta forma de betume semelhante a melaço num combustível líquido excede em muito a capacidade técnica ou os recursos financeiros da companhia estatal, Petróleos de Venezuela SA. Consequentemente, ela está agora à procura de parceiros estrangeiros dispostos a investir os US$10 a 20 bilhões necessários apenas para construir as instalações fundamentais.

Os custos ocultos

Reservas difíceis como esta proporcionarão a maior parte do novo petróleo do mundo nos próximos anos. Uma coisa é clara: mesmo se puderem substituir o petróleo fácil nas nossas vidas, o custo de tudo o que está relacionado com petróleo – seja a gasolina na bomba, produtos com base no petróleo, fertilizantes, tudo por toda a parte das nossas vidas – está em vias de encarecer. Habitue-se a isto. Se as coisas decorrerem como se planeja atualmente, estaremos pendurados no big oil nas próximas décadas.

E estes são apenas os custos mais óbvios numa situação em que abundam custos ocultos, especialmente para o ambiente. Tal como no desastre do Deepwater Horizon, a extração em áreas do offshore profundo e em outras localizações geográficas extremas garantirá riscos ambientais sempre maiores. Afinal de contas, aproximadamente 22 bilhões de litros de petróleo foram despejados no Golfo do México, graças à negligência da BP, provocando danos extensos a animais marinhos e ao habitat costeiro.

Recordar que, por mais catastrófico que fosse, ele ocorreu no Golfo do México, onde podiam ser mobilizadas forças amplas para a limpeza e a capacidade de recuperação do ecosistema era relativamente robusta. O Ártico e a Groenlândia representam um risco diferente, dado a sua distância das capacidades de recuperação estabelecidas e a extrema vulnerabilidade dos seus ecossistemas. Os esforços para restaurar tais áreas na sequência de fugas de petróleo maciças custariam muitas vezes os US$30 a 40 bilhões que a BP pretende pagar pelo danos do Deepwater Horizon e serão muito menos eficazes.

Além de tudo isto, muitos dos campos de petróleo difícil mais prometedores estão na Rússia, na bacia do Mar Cáspio, e em áreas conflituosas da África. Para operar nestas áreas, companhias de petróleo serão confrontadas não só com os custos previsivelmente altos da extração como também com custos adicionais envolvendo sistemas locais de suborno e extorsão, sabotagem por grupos de guerrilha e as consequências de conflitos civis.

E não esquecer o custo final: Se todos estes barris de petróleo e substâncias afins do petróleo forem realmente produzidos a partir dos menos convidativos lugares neste planeta, então nas próximas décadas continuaremos a queimar combustíveis fósseis maciçamente, criando sempre mais gases com efeito estufa [1] como se não houvesse amanhã. E aqui está a triste verdade: se prosseguirmos no caminho do petróleo difícil ao invés de investirmos maciçamente em energias alternativas, podemos excluir qualquer esperança de impedir as mais catastróficas consequências de um planeta mais quente e mais turbulento.

De modo que, sim, há petróleo não convencional. Mas não, ele não será mais barato, não importa quanto haja. E, sim, as companhias de petróleo podem obtê-lo, mas olhando realistamente quem o desejaria?


Nota dos tradutores
[1] Um falso problema. A situação energética mundial já é suficientemente má por si mesma, dispensando invencionices adicionais como o do mítico aquecimento global. Ver “Acerca da impostura global.

Notas dos Editores
[*] Autor de The Race for What's Left: The Global Scramble for the World's Last Resources” (Metropolitan Books).

O artigo original, em inglês, pode ser lido em: “A Tough-Oil World” 
Esta tradução foi extraída de: Resistir



Ver também (e mais no blog):

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11 Jul 2010
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26 Jun 2010
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27 Jun 2010
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sábado, 26 de novembro de 2011

WikiLeaks – “Serra e o PSDB, contra a Petrobras”


Wikileaks: OGX, FIESP, Chevron, Exxon e outras multinacionais fizeram lobby contra a Petrobrás para levar o pré-sal.

 

O site Wikileaks divulgou, na sexta-feira (18), novos telegramas que revelam como as petroleiras norte-americanas armaram um pesado lobby junto com a missão diplomática ianque, para atuar no Congresso Nacional na votação das leis que regulamentam a exploração do petróleo na camada pré-sal. Os documentos mostram que as empresas ficaram aborrecidas com o fato de a Petrobrás ter ficado como única operadora.

Um telegrama enviado a Washington pelo consulado americano no Rio de Janeiro, em 2 de dezembro de 2010, com o título “A indústria de petróleo vai conseguir combater a lei do pré-sal?”, detalha a estratégia adotada pelas petroleiras para interferir no Congresso.

“As empresas vão ter que ser cuidadosas”, observa um dos textos. “Diversos contatos no Congresso (brasileiro) avaliam que, ao falar mais abertamente sobre o assunto, as empresas de petróleo estrangeiras correm o risco de galvanizar o sentimento nacionalista sobre o tema e prejudicar a sua causa”.

Nos documentos, a diretora da americana Chevron no Brasil, Patrícia Padral, afirma que o tucano José Serra prometeu mudar as regras aprovadas se fosse eleito presidente da República. Ela também teria reclamado de uma suposta apatia da oposição: “O PSDB não apareceu neste debate”. Segundo a diretora, Serra se opunha à lei, mas não demonstrava “senso de urgência”.

“Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta”, disse o pré-candidato José Serra

Outro telegrama, de 27 de agosto de 2009, revela que as petroleiras ficaram enfurecidas com a definição da Petrobrás como operadora única. Para a diretora de relações internacionais da Exxon Mobile, Carla Lacerda, a estatal brasileira terá todo o controle sobre a compra de equipamentos, tecnologia e a contratação de pessoal, o que poderia prejudicar os fornecedores norte-americanos.

Os documentos confidenciais divulgados pelo site apontam ainda que, entre as preocupações dos americanos, o principal temor era que o modelo de partilha favorecesse a competição chinesa, já que a empresa estatal da China poderia oferecer mais lucros ao governo brasileiro.

“Com a indústria resignada com a aprovação da lei na Câmara dos Deputados, a estratégia agora é recrutar novos parceiros para trabalhar no Senado, buscando aprovar emendas essenciais na lei, assim como empurrar a decisão para depois das eleições de outubro”, diz. Como parceiros, o empresário Eike Batista (OGX), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

“Lacerda, da Exxon, disse que a indústria planeja fazer uma ‘marcação cerrada’ no Senado, mas, em todos os casos, a Exxon também iria trabalhar por conta própria para fazer lobby”. Já a Chevron pressionou o Congresso americano pela confirmação de Thomas Shannon com embaixador no Brasil, considerando que ele poderia ter grande influência nesse debate.

 Enviadopor Beatrice
Extraído da Hora do Povo

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Fora Chevron!


A mancha da incompetência   

Publicado em 24/11/2011 por Mair Pena Neto*

O governo deveria punir exemplarmente a Chevron pelo vazamento de óleo na Bacia de Campos, com a proibição de que a empresa explore petróleo em águas profundas no Brasil. A medida está sendo cogitada, e seria a mais apropriada diante do comportamento da empresa norte-americana ao longo do episódio que já despejou em águas brasileiras o equivalente a três mil barris de petróleo em oito dias.

Por enquanto, a Chevron foi condenada a pagar R$ 50 milhões e poderá ter que desembolsar mais R$ 100 milhões para a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Para a Chevron, como dizem os americanos, isso é “peanuts”. Até porque as multas seriam pagas com a venda do próprio petróleo extraído no Brasil, que só no primeiro semestre desse ano rendeu US$ 802 milhões á empresa norte-americana.

A punição teria que ser mais dura e não apenas pecuniária para mostrar ao mercado que isso aqui não é casa da mãe Joana, onde uma concessionária age da maneira que quer, omite informações, tenta enganar as autoridades do país e sai ilesa. O que aconteceu na Bacia de Campos foi muito mais do que um acidente. Foi uma tentativa de fraudar a dimensão do vazamento, com os recursos mais sórdidos e desonestos.

A Chevron editou imagens de vídeo do vazamento enviadas à ANP para fazer parecer que o acidente não era tão grave e que estava sob controle. Como observou a diretora da agência reguladora, Madga Chambriard, a empresa atuou em completa violação ao contrato de concessão e à própria legislação brasileira. Disse ainda a diretora da ANP que o tratamento que a empresa deu à agência reguladora e ao governo brasileiro foi “inaceitável”. “Nós tivemos que ir a bordo da plataforma para procurar as imagens originais”, contou.

Ora, a tentativa de ludibriar as autoridades brasileiras já seria mais do que suficiente para uma punição exemplar. Não bastasse isso, o acidente se revela a cada dia um ato de desleixo e ganância da Chevron. Os geólogos da empresa queriam perfurar mais poços para entender melhor a dinâmica do campo e dos reservatórios, mas o presidente da empresa para América Latina e África, Ali Moshiri, foi contrário à operação mais lenta e custosa, ordenando uma exploração mais rápida e econômica. Deu no que deu.

O mercado é pródigo em perdoar as faltas de seus próprios agentes, mas um governo soberano não pode agir da mesma maneira. Mesmo no capitalismo mais selvagem, as regras do jogo têm limites. Quando o norte-americano Bernard Madoff deu o cano em Wall Street, foi a julgamento e condenado a 150 anos de prisão por um tribunal de Nova York. A Chevron também tentou um trambique e foi flagrada a tempo. Depois que a Polícia Federal entrou na história, a empresa reconheceu que a culpa do vazamento era inteiramente sua, por ter “subestimado” a pressão do reservatório.

Não foi só a questão técnica que a Chevron subestimou. Sua atitude em relação às autoridades brasileiras foi típica de quem se considera acima do bem e do mal e despreza a capacidade dos países de regularem sua atuação. O Brasil tem razões suficientes para botá-la para fora, mostrando que aqui existem as tais regras que o mercado sempre diz defender.

Nota do editor. O artigo acima foi escrito antes da decisão da diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de suspender as atividades da Chevron na perfuração no Campo de Frade, na Bacia de Campos.

Mair Pena Neto* – carioca, jornalista; trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia.

Enviado por Direto da Redação

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A Chevron e suas declarações vazias


Fernando Siqueira

Data: 21/11/2011 
Fernando Siqueira- Presidente da *AEPET

No jornal Nacional do dia 18, o presidente da Chevron fez uma declaração vazia: "os engenheiros da Chevron subestimaram a pressão do reservatório". O que quer dizer isto? Nada. O que ele não disse, mas deveria, é que: mesmo já tendo alguns poços em produção, o que fornece a pressão no reservatório, os engenheiros erraram no dimensionamento da densidade da lama de perfuração quando chegaram à zona produtora do reservatório, após 60 dias de perfuração, eles perceberam um Kick de pressão (com perigo de perda de controle do poço), em função, provável, de lama mais leve do que o necessário.

Depois erraram na injeção de lama mais pesada, com pressão acima do suportável pelo reservatório e fraturaram o seu reservatório. Afobados, começaram a injetar uma lama mais densa para controlar o poço. Só que, ao injetar essa lama eles o fizeram com pressão mais elevada do que o invólucro selador do reservatório suportava e, assim, causaram a fissura do mesmo. Portanto, uma sucessão de erros operacionais cometidos e não confessados.

Segundo o Wall Street Journal, a plataforma que está perfurando, é uma plataforma improvisada. Era obsoleta e funcionava como flotel (hotel flutuante) no Mar do Norte; Foi “armengada” e foi alugada por U$ 315 mil por dia. Uma plataforma moderna e adequada para essa atividade custa cerca de U$ 700.000 por dia. No inicio, a Chevron tentou por a culpa na Petrobrás insinuando que o vazamento era do campo de Roncador. Foi preciso o CenPes (Centro de Pesquisas da Petrobras) analisar o óleo para verificar o DNA do mesmo e identificá-lo como do campo de Frade, desmentindo os irresponsáveis.

Essas são algumas evidências objetivas que mostram que é preciso acabar com os leilões para evitar que empresas aventureiras, predadoras e mentirosas venham fazer no Brasil a mesma devastação que tem feito nos outros países como Nigéria, Equador, Peru, Iraque, Afeganistão, Líbia e, até na Amazônia, pois durante os contratos de Risco, nas décadas de 70 e 80 eles perfuraram na Amazônia e deixaram um rastro de destruição.

A Petrobrás já perfurou dezenas de poços nessa e em maiores profundidades, sendo mais de 20 poços no pré-sal e não provocou acidentes, muito menos dessa gravidade, mesmo não contando com essa benevolência da grande mídia.