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| Michael T. Klare |
Esta tradução foi extraída de: Resistir
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Segundo Michael R. Kratke, Professor de Economia Política e Director do Instituto de Estudos Superiores da Universidade de Lancaster no Reino Unido, a BP é uma bomba de relógio no sistema financeiro mundial. A empresa refinancia-se com derivados creditícios e fundos de pensões que agora, e para infelicidade dos seus clientes, têm grandes perdas. Dois elementos tão centrais como obsoletos do actual capitalismo – uma economia baseada na emergia fóssil e na especulação financeira à escala planetária – levam-nos directamente à próxima catástrofe.
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O que começou como uma crise financeira em Setembro de 2008, com a irrevogável falência do banco Lehman-Brothers, pode agora entrar na próxima ronda com a previsível queda da BP. A transnacional britânica é uma bomba financeira de relógio, não só para a Grã-Bretanha mas para todo o Reino Unido. Os custos do desastre petrolífero no Golfo do México estimam-se em 70 mil milhões de dólares.
Para os britânicos, a BP é como instituição nacional, a maior sociedade anónima do país, a blue chip mais brilhante do mercado de valores londrino. Muitas pessoas julgam que a BP é uma empresa petrolífera. E é verdade. A BP fornece petróleo, tem oleodutos e refinarias um pouco espalhados por todo o mundo. Mas a BP é, simultaneamente, um banco com um raio de acção internacional que, tal como a Enron ou a General Motors, actua nos mercados financeiros internacionais.
De AA a BBB
Como, oficialmente, não é uma entidade financeira, a British Petroleum esta a meio caminho de ser um negócio OTC ou fora do mercado organizado de valores, isto é, que actua fora das bolsas, num negócio sem regulação nem controlo. O refinanciamento é através da titularização de derivados creditícios de alto risco, CSOs [obrigações colaterais sintéticas, na sua sigla inglesa], a que não corresponde qualquer valor patrimonial, mas apenas derivados creditícios. São um próspero comércio esses derivados financeiros. A BP é detentora ou tem participações em pelo menos 18% dos papéis deste tipo que circulam por todo o mundo. Recordamos que a crise financeira mundial foi desencadeada pela queda em cadeia de derivados titularizados: as CDOs [obrigações de dívida colateral, na sua sigla inglesa] e os CDS [derivados creditícios de dívida, na sua sigla inglesa]. Agora, os riscos nas CSOs são muito maiores e o alavancamento creditício de maior envergadura e as regulações são desconhecidas.
Por outras palavras: Quando a BP quebrar, a sua falência terá consequências globais. Como supostamente sucedeu no caso Lehman-Brothers, ninguém sabe até que ponto a BP está endividada, nem quem nem em que jogos de azar estão envolvidos os créditos da BP. Mas, como a transnacional é considerada a pérola da coroa da indústria financeira britânica, com fundamento se pode suspeitar que estão aqui metidos todos os que gozam de reputação e hierarquia no mundo financeiro internacional. Não há dúvidas: a próxima bolha está prestes a rebentar. É só uma questão de tempo. Mais provável dentro de semanas que de meses.
O valor patrimonial das instalações da British Petroleum atinge agora o montante de 240 mil milhões de dólares. Muitos dos seus campos petrolíferos e participações estão à venda por todo o mundo. Desde finais de Abril, perdeu metade do seu valor em bolsa. Deverá entrar um investidor estratégico, provavelmente um fundo estratégico árabe. Os líbios querem ser uma opção mas ninguém se abalança a tamanho risco. E os meros boatos de uma entrada de mil milionários árabes não convencem as agências de qualificação do risco.
A Fitch, a mais pequena das três grandes, baixou drasticamente no passado dia 15 de Junho a qualificação do gigante petrolífero, pela segunda vez em duas semanas: e desta vez nada menos do que seis escalões de uma vezada, de AA para BBB. Se as duas grandes – a Moody’s e a Standard & Poor’s – a seguirem, os empréstimos da BP baixarão à categoria de lixo, como os títulos da dívida pública grega. De qualquer modo, grandes investidores destas agências, como Warren Buffet, colocaram milhares de milhões em acções e obrigações da BP, o que explica a moderação da Moody’s e da Standard & Poor’s.
Nada de OPAs hostis
Entretanto, a BP teve que ceder à pressão do governo dos EUA e sujeitar-se a um fundo de garantias num montante de 20 mil milhões de dólares. Pelo menos até ao próximo ano a BP não poderá continuar a pagar dividendos, terá que seguir uma política de poupança férrea e eliminar milhares de postos de trabalho, os primeiros 5.000 já em 2010. Há fortes indícios que levam à suspeita que a explosão do passado dia 20 de Abril no Golfo do México assenta numa implacável política de redução de custos. A segurança e o cuidado, como é sobejamente sabido, custam tempo e dinheiro. Quem louva o capitalismo pela sua eficiência não sabe do que fala. Ou se sabe, dá a entender aquilo em que não acredita.
A questão é que Londres prepara-se para o pior. Debaixo de um clamoroso silêncio acompanhado de rotundos desmentidos, trabalha-se em planos de emergência. A queda descontrolada ou uma tomada de controlo da BP seria uma catástrofe para os britânicos. As acções da BP têm fama em todo o mundo de investimentos seguros e lucrativos. A BP pagava regularmente, trimestre a trimestre, chorudos dividendos.
Os fundos de pensões, os maiores investidores institucionais nos mercados financeiros internacionais, compravam e mantinha enormes quantidades de acções da BP. E no sistema britânico de reformas os fundos de pensões jogam um papel chave. Só que, precisamente os rendimentos de reforma cobertas por capital são tudo menos seguros. Quando rebentou a bolha imobiliária estadunidense em 2008, muitos fundos de pensões resultaram em prejuízos dos depositantes e pensionistas. Para os fundos de investimento britânicos que há alguns anos investiam em acções da BP, a catástrofe petrolífera é ao mesmo tempo um desastre financeiro. Cerca de um sexto de todos os dividendos que se pagam no Reino Unido vêm da BP! Assim, os fundos perderam de três formas: patrimonialmente pela queda livre das acções da BP, pelos dividendos evaporados, e pela diminuída capacidade de crédito.
Os fundos de pensões perderam já muito dinheiro com as acções dos bancos e, agora, cai-lhes em cima a situação da BP. Se se calcularem as possíveis perdas tendo por base uma pensão média entre 12 mil e 13 mil libras esterlinas anuais, falamos de 800 a 1.000 libras esterlinas por ano. Daí, o governo do primeiro-ministro Cameron não ter escolha. Se a BP ajoelha, terá que intervir com um novo pacote milionário de resgate. Se foi necessário para os grandes bancos, não será menos necessário para a BP. Isso significa mais dívida pública e ainda mais desproporcionados pacotes de poupança.
A BP não pode desaparecer, pois ela é, de longe, um dos maiores contribuintes fiscais da Ilha e controla uma boa parte das infra-estruturas vitais do reino insular, como a Forties Pipeline System que liga mais de 50 campos petrolíferos no Mar do Norte, ou o oleoduto Baku-Tiblisi-Ceihan, que possibilita o trânsito de petróleo do Cáucaso para a Europa ocidental. Por isso, David Cameron anuncia que o seu governo fará tudo o que estiver ao seu alcance para impedir o controlo da BP por empresas petrolíferas chinesas, árabes ou russas. Se a BP cai nas mãos das gigantes norte-americanas, acabaram-se as considerações para com os fundos de pensões ou para quaisquer outras necessidades britânicas. Dentro de poucos dias a BP tem que liquidar os pagamentos que se vencem no segundo trimestre de 2010. O seu montante é enorme.
Este caso ilustra com clareza como dois elementos tão centrais como obsoletos do capitalismo – uma economia baseada na energia fóssil e na especulação financeira planetária – nos aproximam do abismo da próxima catástrofe.
* Michael R. Krätke é Professor de Economia Política e Director do Instituto de Estudos Superiores da Universidade de Lancaster no Reino Unido.
Este texto foi publicado dia 26 de Julho de 2010 em www.sinpermiso.info
Tradução de José Paulo Gascão
extraído d'ODiario.info
A fuga de petróleo no Golfo do México?
Podem ficar descansados, a fuga continua na boa.
A BP afirma que esta semana irá "sufocar" o poço com cimento e puf!, a fuga já não existirá. Naturalmente se o cimento funcionar.
E se não funcionasse? Não há crise: a BP pode sempre inventar algo de novo. Ou, no limite, é só esperar: cedo ou tarde o petróleo irá acabar. Poucas décadas ou centenas de anos e a BP poderá finalmente afirmar de ter a situação controlada.
Lembrem: depressa e bem não faz ninguém.
Uma vez acabada a fuga no Golfo do México, a British Petroleum, com as outras nobres companhias, poderão dedicar-se a poluir com toda a tranquilidade outras zonas do globo.
Porque entre as consequências do acidente da Deepwater Horizon há também uma maior atenção acerca das atividades sujas (no sentido literal) das companhias petrolíferas em outros Países.
O que, admitimos, é bastante aborrecido. Experimentem poluir, destruir o ambiente, provocar doenças enquanto todos apontam o dedo e gritam "assassino". Não é fácil, certos trabalhos requerem calma em um mínimo de privacy.
A Nigéria, por exemplo.
Ninguém ligava e agora, de repente, todos a ver o que se passa com os poços e as pipelines do País africano. Não é assim que se faz.
Vamos ler o que diz Aldo Piombino no seu óptimo blog Scienzeedintorni:
Além do desastre no Golfo do México: a situação alarmante da Nigéria
Há meses que o mundo inteiro está a observar o Golfo do México por causa do acidente da Deepwater Horizon. Eu também queria escrever alguns posts sobre isso, mas ainda não o fiz e agora prefiro escrever uma notícia um pouco "alternativa" a esta, embora muito relacionada.
Não nego as dramáticas consequências ambientais do acidente, mas tal como aconteceu com o furacão Katrina (que é discutido desde 2005), estas catástrofes que têm ocorrido nos Estados Unidos obscurecem outras situações semelhantes: a propósito de furacões, desde 2005 as Caraíbas foram atingidas por tempestades que causaram destruição e milhares de mortes.
E a propósito de petróleo, provavelmente só uns poucos conhecem a trágica situação atualmente vivida pelo Delta do Níger.
Da Nigéria ouvimos muitas vezes falar sobre os sequestros de profissionais que trabalham na extração de petróleo e as duras lutas entre muçulmanos e cristãos. Às vezes, nas páginas dos jornais, aparece a notícia duma explosão de pipeline (devido principalmente às pessoas que tentam roubar o petróleo, como em Egba Abul, um bairro de Lagos, onde pelo menos 269 pessoas morreram em 2006). O alarme acerca do qual quero falar é mesmo acerca o preocupante nível dos derrames de petróleo no Delta do Níger a cada ano.
Além de ser presidente da secção nigeriana da organização "Friends of the Earth International", a única ONG ambientalista com a qual basicamente concordo, Nnimmo Bassey é um dos 30 "heróis do ambiente" da revista Time, em 2009.
Há dezenas de anos que os Nigerianos vivem com os mesmos problemas que hoje afligem a costa da Louisiana: o petróleo flui através dos campos, matas e lagoas do Delta do Níger, onde as empresas ocidentais obtêm o petróleo, provavelmente sem usar as atenções que iriam usar em casa deles.
Em 2006 Friends of the Earth International e o governo nigeriano produziram um relatório no qual estima-se que, desde 1958, quando começaram as primeiras extrações, a cada ano no delta é despejada uma quantidade igual ao derramamento de petróleo da Exxon Valdez, cerca de 275 mil barris, mais ou menos o volume mensal que sai da perfuração da Deepwater Horizon. Somente entre 1970 e 2000, houve 7.000 (!) acidentes com um total de 9 milhões de barris de petróleo. Notamos também como a área é habitada por milhões de pessoas
Assim, enquanto a opinião pública ocidental é cada dia (com razão!) bombardeada com notícias sobre a situação no Golfo do México, ninguém conhece os problemas que a extração de petróleo provoca na Nigéria, um dos 10 maiores produtores de petróleo do mundo .
Nnimmo Bassey afirma nas páginas do jornal Inglês The Observer, quena Nigéria, as companhias de petróleo ignoram completamente as próprias fugas, destruindo o meio ambiente e causando sérios danos à saúde da população. O incidente do Golfo é uma metáfora do que acontece diariamente nos campos de petróleo da Nigéria e de outras partes da África.
Todos estes crimes são causados por empresas conhecidas, como BP, Shell e Exxon Mobile, acusadas de operar com equipamentos antigos e inseguros. As organizações ambientalistas falam pelo menos de dois mil locais para serem recuperados (para não mencionar a situação da água) numa área onde vivem mais de 20 milhões de pessoas que, apesar dos lucros obtidos ao longo dos anos por várias empresas e vários governos, no meio de toda esta riqueza vivem em média com menos de um Dólar por dia.
A defesa das empresas petrolíferas fornecer uma realidade completamente diferente, atribuindo os derrames aos atos de vandalismo ou de terrorismo e afirma que são tratados de forma tempestiva.
Por exemplo, a Shell declara, mais uma vez ao The Observer, que só em 2009 substituiu mais de 300 km de gasodutos e que têm uma equipe especializada que atua de forma eficaz, "usando todos os sistemas conhecidos para a limpeza, inclusive os de bactérias" e sem perguntar acerca da causa do derrame.
Mas nesta altura, por causa da situação no Golfo do México, a imagem das companhias petrolíferas em geral é um pouco "desfocada" e muitos não acreditam nessas palavras, especialmente quando se referem aos Países pobres e aos governos geralmente servos das multinacional .
A propósito, eis o que declara ao mesmo jornal Judith Kimerling, professora de ciência política da City University of New Yorkderramamentos, vazamentos e fugas ocorrem nos campos de petróleo de todo o mundo e parece que ninguém se importa. O incidente no Golfo do México mostra que as empresas petrolíferas estão fora de controle e, de facto, influenciam a política dos EUA e de outros Países também, bloqueando qualquer instrumento no assunto. Na Nigéria, sempre viveram acima da lei e são agora claramente um perigo para o planeta.
É claro que aqui há duas versões muito diferentes sobre o mesmo problema. Relatei os dois, e todos podem tirar as próprias conclusões.
Fonte: Scienzeedintorni
Traduzido, comentado e editado por: Informação Incorrecta
Há semanas, se não desde o começo da história, suspeita-se que as coisas não estejam bem como foram contadas. Agora, torna-se cada vez mais difícil esconder a verdade por trás duma tampa [a tampa posicionada pela BP em cima do poço, NDT]. Ainda não sabemos se a nova falha de seja apenas uma fuga da nova tampa ou se for um temido vazamento do fundo do mar: o facto é que temos as provas de que Matthew Simmons [ver nota abaixo, NDT] não sucumbiu ao Alzheimer, como alegado pelos seus detractores, como também desta vez viu muito bem. Neste ponto, não faltará muito para a BP admitir a perda.Também porque o bluff da BP foi "desvendado" pelo Almirante Allen em pessoa (o chefe das operações no Golfo), através desta carta na qual pergunta acerca da existência dum buraco longe do poço. A carta foi uma bomba, o que obrigou a empresa, depois de algumas horas, a confessar a existência da perda, embora com informações ainda confusas. Na verdade, presume-se que o governo tenha sido plenamente ciente do segundo vazamento, mas por motivos que podemos imaginar preferiu partilhar o silêncio da BP. Mas agora a empresa tem exagerado: a comunicação urbi et orbi com a qual anunciava a selagem do poço foi bem sucedida na intenção de fazer subir o valor das ações.É claro que o governo dos EUA, que até agora apresentou um certo grau de cumplicidade com a empresa (para Obama esta catástrofe representou uma enorme perda de apoio popular) não pode continuar a ficar parado enquanto a BP destruir o Golfo do México na tentativa de salvar o poço. Porque vamos ser claros: é isso que estão a fazer. Macondo está agora reduzido a um coador e a única maneira de parar a catástrofe é fechar o poço para sempre com uma boa injecção de cimento. Mas isso significa dizer adeus a uma exploração que tem custado um rio de dinheiro e que prometia muito bem. Isso também significa abdicar e enviar ao público a mensagem de que o petróleo em águas profundas é perigoso e que não estamos tecnologicamente capazes de geri-lo.A BP tenta ganhar tempo já há meses. Mesmo muito antes do famoso 20 de Abril, data em que a notícia espalhou-se no mundo inteiro, e isso é demonstrado os negócios técnicos e financeiros que têm despertado muitas suspeitas e que ocorreram nas semanas anteriores. Continua a ganhar tempo ao pôr e ao tirar o cap, perfurando e enviando anúncios triunfantes de fechos nunca acontecidos para influenciar Wall Street. Ganha tempo e não se preocupa com a única coisa que daria jeito: parar a maldita fuga de petróleo.mas a perda mínima.
"Peço um procedimento escrito para abrir a válvula, logo que possível, se a perda de hidrocarbonetos viesse a ser confirmada"
"Temos de entender porque os valores de pressão são mais baixos do que o esperado tinha dito o almirante numa conferência de imprensa na qual sugeriu também duas hipóteses: ou o poço está a esvaziar-se, como alegado pela BP (!!!), ou não há uma perda ainda não identificada."

autor: Adriano Benayon*
Que fazem as ONGS ambientalistas diante do vazamento de petróleo no Golfo do México, causado pela British Petrol (BP) – o que já mostra ser o maior desastre ambiental de toda a história?
Simplesmente, nada. Mantém silêncio. Omitem-se por completo.
Por que? Porque são pagas pela oligarquia financeira mundial para ajudar a pôr grandes espaços territoriais, dotados dos mais valiosos minerais estratégicos, sob controle da família real britânica e outros expoentes dessa oligarquia, além de obstaculizar projetos necessários ao desenvolvimento do Brasil.
Entre os grandes acionistas da BP está exatamente a família real britânica, a qual lidera a intervenção no Brasil a pretexto de meio ambiente e de direitos indígenas;
Quem não conhece o espalhafato com que costumam agir, no Brasil e em outros países, as ONGs “ambientalistas”, Greenpeace e WWF (Fundo Mundial para a Natureza)?
Umas das principais finalidades dessas ONGs é tirar a atenção do público dos verdadeiros destruidores do meio-ambiente, e os maiores desses destruidores são as companhias de petróleo, notadamente as mega-transnacionais anglo-estadunidenses, a saber Exxon-Mobil e Chevron-Texaco (EUA); British Petrol (BP) e Shell (britânicas).
Estas financiam e sustentam aquelas ONGS do “meio-ambiente”. Aí está mais uma das infinitamente numerosas fraudes que pratica a oligarquia mundial.
Observações:
1.“Acredito que a investigação independente mostrará que esta tragédia poderia ter sido evitada”. Essa declaração é do diretor-executivo da Chevron, John Watson.
2. As TVs deram destaque em seus noticiários à reunião de Obama com executivos da BP (16.06.2010) e a uma anunciada ajuda desta, de US$ 20 bilhões, para vítimas (norte-americanas) da insólita calamidade.
Conclusão:
Especialistas estimam em 18 meses o tempo em que o vazamento terá comprometido boa parte dos oceanos, acabando com o plâncton, responsável por 70% da produção do oxigênio planetário. O que está em risco, portanto, é a sobrevivência da humanidade e de outras espécies. Cabe, portanto, perguntar:
1) A questão se limita a indenizar vítimas norte-americanas diretamente atingidas?
2) Por que o governo dos EUA não tratou nem trata o assunto como questão de Estado, intervindo diretamente nas causas da continuação do desastre e mobilizando os recursos técnicos e materiais de que dispõe para estancar a contaminação dos oceanos, em vez de deixar as coisas (e a propriedade) com a BP?
3) Por que os governos dos demais países ainda não exigiram essas medidas do governo norte-americano, nem fizeram questão de tomar parte nelas, uma vez que a catástrofe produz efeitos
Adriano Benayon* é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”, editora Escrituras.
e-mail abenayon@brturbo.com.br
NOVA ORLEANS, (IPS) – Na semana passada, a Guarda Costeira dos EUA, que está a agir em coordenação com a gigantesca empresa petrolífera BP, impôs novas restrições em toda a Costa do Golfo americano que impedem os media de se aproximarem a menos de 20 metros das barreiras de contenção (booms) ou dos barcos de limpeza, tanto na costa como no mar. Mas a astúcia destas restrições vai ainda mais longe.
“Não pode vir cá", disse Don, o guarda de segurança contratado pela BP no Centro para a Reabilitação da Fauna Contaminada pelo Petróleo, em Fort Jackson, Louisiana.
Lá dentro, o Centro Internacional para Investigação e Salvamento de Aves, uma das companhias contratadas pela BP para limpeza dos animais, encarrega-se de limpar o petróleo das aves antes de as devolver ao seu habitat natural. O Centro tem limitado o acesso aos media. Antes estava aberto às segundas, quartas e sextas durante duas horas por dia. A IPS chegou ao Centro numa quarta-feira, e foi informada que os dias para os media tinham sido reduzidos de três para dois dias, e já não abria às quartas-feiras.
Quando a IPS perguntou ao guarda de segurança privada para quem é que trabalhava, ele respondeu, “Trabalho para a HUB, uma companhia de segurança contratada pela BP”. A Hub Enterprises, de Broussard, Louisiana, tem um contrato com a BP para fornecer “funcionários de segurança” e “supervisores”. Don está a receber entre 13 a 14 dólares por hora para manter a imprensa afastada do maior desastre ambiental provocado por uma fuga de petróleo de toda a história dos EUA. Continuam a jorrar mais de 60 mil barris de petróleo por dia no Golfo, mais de dois meses depois da explosão de 20 de Abril na plataforma Deepwater Horizon operada pela BP.
MULTAS ATÉ 40 MIL DÓLARES
As restrições da semana passada que a Guarda Costeira impôs aos meios de comunicação sujeitam os jornalistas e os fotógrafos a uma multa até 40 mil dólares, e à pena de cadeia de um a cinco anos como um crime de classe D, se violarem a regra dos 20 metros, que o Comando Unificado designa por “zona de segurança”.
Tem havido muitos indícios de um amordaçamento maior e mais profundo dos meios de comunicação na região, de muitas outras formas. Na semana passada, a IPS tinha uma entrevista agendada com o Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual da Louisiana, em Nova Orleans. A entrevista devia ser com um especialista das estratégias de investigação da Universidade, sobre o possível impacto na região do desastre petrolífero da BP. Na manhã em que se devia realizar a entrevista, o entrevistado, que pretende manter-se anónimo, enviou um email à IPS declarando: “Disseram-me para cancelar a entrevista. Lamento quaisquer inconvenientes que vos possa ter causado”. Quando a IPS lhe perguntou se havia alguma razão especial para o cancelamento da entrevista, respondeu, “Não”. Uma fonte anónima revelou posteriormente à IPS que a decisão de cancelar a entrevista fora tomada pelo chanceler Larry Hollier, que chefia o Centro de Ciências da Saúde da Universidade.
A BP disponibiliza a maior parte do financiamento para estudar os efeitos do desastre petrolífero e prometeu 500 milhões de dólares para projectos de investigação e de reabilitação. Robert Gagosian é o presidente do Consórcio para a Direcção Oceânica, que representa instituições de investigação oceânica e aquários e administra um programa de investigação sobre perfuração marítima. Geoquímico marítimo, Gagosian está preocupado com a forma como vai ser utilizado o dinheiro, e espera que seja gerido através de doações aprovadas pelos pares. A sua preocupação, partilhada por outros cientistas e investigadores, tem origem no interesse da BP em preservar o seu negócio. Também têm dúvidas quanto aos critérios adequados para determinar que tipo de investigações é que devem ser feitas.
Jeff Short, um antigo cientista da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, que é actualmente membro do grupo de preservação Oceana, disse que, ao aceitar que a BP pague a investigação, o governo abre mão do controlo sobre que tipo de estudos devem vir a ser feitos. “Pergunto a mim próprio porque é que a BP quer dar dinheiro para projectos que demonstrarão claramente um prejuízo ambiental muito maior do que se viria a saber, se não fossem esses estudos?”, disse.
Os primeiros 25 milhões de dólares dos fundos da BP foram rapidamente distribuídos pela Universidade Estatal da Louisiana, pelo Instituto de Oceanografia da Florida na Universidade da Florida Sul e por um consórcio chefiado pela Universidade Estatal do Mississípi. Muitos cientistas e jornalistas independentes receiam que isto faça parte de uma tentativa para influenciar quais os estudos a fazer e a disponibilidade dessas instituições públicas para falar com os meios de comunicação sobre o desastre da BP.
Num outro incidente, a 2 de Julho, Lance Rosenfield, um repórter fotográfico da publicação de investigação sem fins lucrativos ProPublica, foi detido por breves instantes pela polícia quando tirava fotografias perto da refinaria da BP na cidade do Texas. Rosenfield declarou que foi confrontado por um funcionário da segurança da BP, pela polícia local, e por um homem que se identificou como agente do Departamento da Segurança Nacional. Rosenfield foi libertado depois de a polícia ter analisado as fotografias e registado a data do seu nascimento, o número da segurança social e outras informações pessoais. Depois o agente da polícia entregou essas informações ao guarda da segurança da BP, alegando, segundo disse Rosenfield, “procedimento normal de funcionamento”.
Também foram instituídas restrições no espaço aéreo sobre as zonas onde estão a decorrer operações de limpeza e de contenção. A Administração da Aviação Federal proibiu voos dos meios de comunicação a menos de 900 metros sobre as áreas afectadas pelos lençóis do petróleo.
