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| "Fraccking" - fraturação da rocha xistosa. Processo de extração |
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| Diagrama de prospecção de gás de xisto |
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| Movimentação do solo superficial causada por "fracking" |
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| Poluição dos aquíferos causada pela extração de gá de xisto por "fracking" |
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| "Fraccking" - fraturação da rocha xistosa. Processo de extração |
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| Diagrama de prospecção de gás de xisto |
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| Movimentação do solo superficial causada por "fracking" |
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| Poluição dos aquíferos causada pela extração de gá de xisto por "fracking" |
A fuga de petróleo no Golfo do México?
Podem ficar descansados, a fuga continua na boa.
A BP afirma que esta semana irá "sufocar" o poço com cimento e puf!, a fuga já não existirá. Naturalmente se o cimento funcionar.
E se não funcionasse? Não há crise: a BP pode sempre inventar algo de novo. Ou, no limite, é só esperar: cedo ou tarde o petróleo irá acabar. Poucas décadas ou centenas de anos e a BP poderá finalmente afirmar de ter a situação controlada.
Lembrem: depressa e bem não faz ninguém.
Uma vez acabada a fuga no Golfo do México, a British Petroleum, com as outras nobres companhias, poderão dedicar-se a poluir com toda a tranquilidade outras zonas do globo.
Porque entre as consequências do acidente da Deepwater Horizon há também uma maior atenção acerca das atividades sujas (no sentido literal) das companhias petrolíferas em outros Países.
O que, admitimos, é bastante aborrecido. Experimentem poluir, destruir o ambiente, provocar doenças enquanto todos apontam o dedo e gritam "assassino". Não é fácil, certos trabalhos requerem calma em um mínimo de privacy.
A Nigéria, por exemplo.
Ninguém ligava e agora, de repente, todos a ver o que se passa com os poços e as pipelines do País africano. Não é assim que se faz.
Vamos ler o que diz Aldo Piombino no seu óptimo blog Scienzeedintorni:
Além do desastre no Golfo do México: a situação alarmante da Nigéria
Há meses que o mundo inteiro está a observar o Golfo do México por causa do acidente da Deepwater Horizon. Eu também queria escrever alguns posts sobre isso, mas ainda não o fiz e agora prefiro escrever uma notícia um pouco "alternativa" a esta, embora muito relacionada.
Não nego as dramáticas consequências ambientais do acidente, mas tal como aconteceu com o furacão Katrina (que é discutido desde 2005), estas catástrofes que têm ocorrido nos Estados Unidos obscurecem outras situações semelhantes: a propósito de furacões, desde 2005 as Caraíbas foram atingidas por tempestades que causaram destruição e milhares de mortes.
E a propósito de petróleo, provavelmente só uns poucos conhecem a trágica situação atualmente vivida pelo Delta do Níger.
Da Nigéria ouvimos muitas vezes falar sobre os sequestros de profissionais que trabalham na extração de petróleo e as duras lutas entre muçulmanos e cristãos. Às vezes, nas páginas dos jornais, aparece a notícia duma explosão de pipeline (devido principalmente às pessoas que tentam roubar o petróleo, como em Egba Abul, um bairro de Lagos, onde pelo menos 269 pessoas morreram em 2006). O alarme acerca do qual quero falar é mesmo acerca o preocupante nível dos derrames de petróleo no Delta do Níger a cada ano.
Além de ser presidente da secção nigeriana da organização "Friends of the Earth International", a única ONG ambientalista com a qual basicamente concordo, Nnimmo Bassey é um dos 30 "heróis do ambiente" da revista Time, em 2009.
Há dezenas de anos que os Nigerianos vivem com os mesmos problemas que hoje afligem a costa da Louisiana: o petróleo flui através dos campos, matas e lagoas do Delta do Níger, onde as empresas ocidentais obtêm o petróleo, provavelmente sem usar as atenções que iriam usar em casa deles.
Em 2006 Friends of the Earth International e o governo nigeriano produziram um relatório no qual estima-se que, desde 1958, quando começaram as primeiras extrações, a cada ano no delta é despejada uma quantidade igual ao derramamento de petróleo da Exxon Valdez, cerca de 275 mil barris, mais ou menos o volume mensal que sai da perfuração da Deepwater Horizon. Somente entre 1970 e 2000, houve 7.000 (!) acidentes com um total de 9 milhões de barris de petróleo. Notamos também como a área é habitada por milhões de pessoas
Assim, enquanto a opinião pública ocidental é cada dia (com razão!) bombardeada com notícias sobre a situação no Golfo do México, ninguém conhece os problemas que a extração de petróleo provoca na Nigéria, um dos 10 maiores produtores de petróleo do mundo .
Nnimmo Bassey afirma nas páginas do jornal Inglês The Observer, quena Nigéria, as companhias de petróleo ignoram completamente as próprias fugas, destruindo o meio ambiente e causando sérios danos à saúde da população. O incidente do Golfo é uma metáfora do que acontece diariamente nos campos de petróleo da Nigéria e de outras partes da África.
Todos estes crimes são causados por empresas conhecidas, como BP, Shell e Exxon Mobile, acusadas de operar com equipamentos antigos e inseguros. As organizações ambientalistas falam pelo menos de dois mil locais para serem recuperados (para não mencionar a situação da água) numa área onde vivem mais de 20 milhões de pessoas que, apesar dos lucros obtidos ao longo dos anos por várias empresas e vários governos, no meio de toda esta riqueza vivem em média com menos de um Dólar por dia.
A defesa das empresas petrolíferas fornecer uma realidade completamente diferente, atribuindo os derrames aos atos de vandalismo ou de terrorismo e afirma que são tratados de forma tempestiva.
Por exemplo, a Shell declara, mais uma vez ao The Observer, que só em 2009 substituiu mais de 300 km de gasodutos e que têm uma equipe especializada que atua de forma eficaz, "usando todos os sistemas conhecidos para a limpeza, inclusive os de bactérias" e sem perguntar acerca da causa do derrame.
Mas nesta altura, por causa da situação no Golfo do México, a imagem das companhias petrolíferas em geral é um pouco "desfocada" e muitos não acreditam nessas palavras, especialmente quando se referem aos Países pobres e aos governos geralmente servos das multinacional .
A propósito, eis o que declara ao mesmo jornal Judith Kimerling, professora de ciência política da City University of New Yorkderramamentos, vazamentos e fugas ocorrem nos campos de petróleo de todo o mundo e parece que ninguém se importa. O incidente no Golfo do México mostra que as empresas petrolíferas estão fora de controle e, de facto, influenciam a política dos EUA e de outros Países também, bloqueando qualquer instrumento no assunto. Na Nigéria, sempre viveram acima da lei e são agora claramente um perigo para o planeta.
É claro que aqui há duas versões muito diferentes sobre o mesmo problema. Relatei os dois, e todos podem tirar as próprias conclusões.
Fonte: Scienzeedintorni
Traduzido, comentado e editado por: Informação Incorrecta
Raul Longo
Em breve ninguém precisará ir ao Golfo do México para assistir e experimentar um bom e gigantesco desastre ecológico. Está sendo preparado com bastante dedicação e será servido aqui mesmo, em Floripa.
Não na Florida, Flo-ri-pa! Ou, como carinhosamente chamavam os turistas argentinos: Flório.
Chamavam. Não chamarão mais. Afinal, não haverá mais qualquer razão de carinhos. Como Santos, a cidade do litoral paulista que muitos se orgulham por ser o maior e mais movimentado porto do Brasil, onde entram e saem as grandes riquezas da nação.
Mas quem consegue ter carinho por um horizonte de cargueiros e praias de areias tingidas de fuligens e dejetos náuticos?
Não confunda Floripa com Florida, nem esportes ou passeios náuticos com o que estamos falando, pois não falamos de windsurf, barcos a vela, veleiros, escunas e saveiros. Tampouco falamos de iates ou elegantes transatlânticos.
Estamos nos referindo a petroleiros, cargas gigantescas de óleo. Óleo igual aquele do Golfo do México.
Calma! Nada de pensar em catástrofes. Aquilo lá foi uma falha técnica na plataforma a quilômetros da costa. Não foi nenhum erro de prospecção da empresa contratada para análise das condições ambientais do local a ser implantada a extração.
Alarmistas já cogitam a possibilidade de ter sido a mesma empresa norte-americana contrata pela OMX para os estudos das condições ambientais do estreito e tranquilo canal marítimo que separa a Ilha de Santa Catarina do continente. Mas afora a idêntica nacionalidade, na verdade ainda não há nada que confirme tal cogitação.
Certo é que, segundo a OMX, os experientes técnicos da tal empresa passaram cerca de 10 meses ou exatamente um ano monitorando todos os movimentos de marés, ventos, correnteza e demais variáveis entre as quatro estações climáticas. E concluíram que o local é propício.
Propício a quê? Para mim, quando conheci essa baía norte, achei propício para viver, como tantos outros que também escolheram viver às margens desse canal. Garanto que, como eu, não imaginavam a possibilidade de acontecer o furacão Catarina.
Quem iria imaginar, mesmo com um ou dez anos do mais rigoroso monitoramento, que um dia ocorreria um furacão em qualquer parte do Brasil? Se fosse possível imaginar o vazamento do Golfo do México, a população e o governo da Florida não se arriscariam ao desastre que hoje quase supera a arrecadação de toda a história daquele estado.
Só louco se aventuraria à possibilidade da rabeira do Catarina, como tive de enfrentá-lo aqui! Felizmente não havia nenhuma British Petroleum por perto, mas o amanhã ninguém sabe e já que aqui estou, e na natureza ninguém manda nem prevê, apenas me resta rezar a Zéfiro e Euro, os deuses dos ventos de Homero, para que não soprem minha Tróia do mapa.
Mas saindo da linha das imprevisibilidades catastróficas e quiméricas, vamos ao concreto, real, sólido, firme como o ferro das plataformas petrolíferas a serem construídas pelo estaleiro da OMX nas tranquilas águas do canal da Ilha de Santa Catarina, frigida em fogo alto pelo gourmet Eike Batista.
O aroma exalado promete e já reuniu os primeiros convivas à mesa, lá em Brasília, todos com aquela fome típica de vésperas de eleições.
Apreciem a experiência e destreza do maître! Vejam como conhece os paladares de seus comensais! A ponto de reunir, em perfeita harmonia e numa mesma mesa, aqueles que daqui a pouco estarão acusando o que for eleito, pela indigestão que previsivelmente provocará o acepipe.
Não! Não voltamos às previsões catastróficas, pois se sabe perfeitamente que os que estão à mesa não correrão esse risco. A congestão ficará por conta dos que aguardam ansiosos e não vêem a hora de raspar o fundo da panela dos 3.500 empregos para instalação e 4.000 para operação, prometidos pelo empreendimento.
E o bom anfitrião também promete que aguardará pacienciosamente, com todo o “se tirer d’affaire”, a especialização da população local através de cursos gratuitos oferecidos pela própria OMX.
Não é uma maravilha? Da rede de pesca, das lanternas de maricultura, dos serviços de hotelaria, e outras atividades tradicionais da região; ao cartão de ponto para à solda, o andaime, a aplicação de anticorrosivos, tintas, solventes, aditivos e outros fluídos. Simples assim: aditivos e outros fluídos aqui nas tranquilas correntezas onde se espraiam as águas do Oceano Atlântico, junto a manguezais e estuários, berçário de fauna e flora que faz desta região um paraíso.
O Ministério do Meio Ambiente ainda não decidiu, mas pelo tamanho da fome e voracidade dos nobres e ansiosos comensais, podemos considerar que paraíso já era. Praticamente já não é mais. Pois paraíso é como dizia meu amigo Polé: “enquanto não pensarem o ambiente por inteiro, não haverá meio algum”.
Da sopa ao mel, faz lembrar os mesmíssimos argumentos
De onde virão os técnicos, engenheiros, administradores, especialistas da área que aqui nunca existiu? Os fornecedores, serviços correlatos, terceirizados e demais de instantânea demanda?
São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre. Até da Florida ou qualquer outra parte deste vasto mundo globalizado. Todos convidados ao grande banquete!
Alojamento e hospedagem não é problema. É só desengavetar o projeto do prefeito de Florianópolis e vamos lá aos prédios de oito andares em cada praia, à beira-mar. 8? Será pouco. Que tal 12? Ou 40 como em Santos?
E o escoamento do tráfego da população duplicada? O saneamento básico? O tratamento de águas e esgotos?
Duplica-se a estrada, as avenidas, a Beira Mar. Duplica-se a Ilha! E tome mais aterros, túneis, pontes e viadutos! Afinal, há que se pensar nos desabrigados que chegarão depois dos morros tomados, das novas favelas montadas. E estes retardatários de todos os grandes e abruptos movimentos e concentrações populacionais, precisarão ir pra debaixo de algum lugar.
Em compensação, aumentam as riquezas, as compras, ofertas e procura. Arrecadação e especulação. Novos templos do comércio: lojas, magazines e mega shoppings igualzinho São Paulo, igual Nova Iorque até! Seremos uma Manhattan!
O Floripa Shopping, junto com o Shopping Iguatemi e outros empreendimentos igualmente previdentes como o Estaleiro da OMX, deram na Operação Moeda Verde, com Polícia Federal e tudo. Mas no repasto oferecido pelo Eike Batista, embora todos da mesma quadrilha estejam envolvidos, há novos convidados que garantem a lisura do processo. Se não exatamente isso, ao menos a segurança contra futuros incômodos, pois sabem como são os empreendedores e seus interesses: detestam ser incomodados.
No final da festa, haja detergente para lavar a louça suja! Mas façam a digestão sossegadamente porque a natureza levará alguns séculos ou milênios para limpar tamanha sujeira com a qual teremos de aprender a conviver.
E ainda há quem, em defesa do meio ambiente, reclame de uma latinha de cerveja boiando na praia!

Ana Echevenguá
“Turistas revoltados, crianças e adultos com ânsia de vômito e diarréia, comerciantes e prestadores de serviços desesperados. Tudo isso acontece por causa do esgotos que são lançados no rio do Braz, que desemboca na praia de Canasvieiras, junto ao trapiche das escunas de passeio. A situação se agravou na terça-feira da semana passada, quando as fortes chuvas romperam a barra assoreada naturalmente pela areia da praia, assustando os banhistas que costumavam freqüentar o local”(1).
Conversávamos sobre a praia de Canasvieiras (Florianópolis-SC). Contei que fiz várias fotos do “rio do trapiche”, uma das maiores belezas locais... com sua ponte bucólica, seu mangue.... Aí, a Sandrinha me perguntou: “Qual? O rio do Braz? Aquele que, quando enche, polui o mar?”
Esse mesmo! Coitado do Braz; está mais morto do que vivo! Mas a força das suas águas (escuras e mornas), às vezes, invade a areia da praia e chegam ao mar.
Grande parte de sua poluição vem da estação de depósito de esgoto da CASAN, que fica às suas margens. Depósito sim - esta é a palavra certa -, porque a CASAN não trata esgoto. É tudo conversa pra rio morrer! Coleta o esgoto, junta-o na estação de depósito e joga no curso d’água mais próximo. Situação corriqueira; de conhecimento dos órgãos públicos; que gera risco e dano à saúde de muita gente e bicho.
E está matando o rio do Braz aos poucos.
Em 2006, alguns moradores descobriram, ao lado dessa estação, um cano que joga esgoto nas águas. E ameaçaram entrar na Justiça contra a CASAN (2). Além disso, disseram que as 3 bombas elevatórias instaladas na beira do Braz são ineficientes e também jogam os dejetos no rio (3).
Mas não sei se algo foi feito! Porque estamos em 2010, e tudo continua igual.
Claro que o rio recebe, ainda, o esgoto sem tratamento lançado por ligações clandestinas. Afinal, aqui, é a terra da fiscalização zero!
O Ministério Público Federal foi informado de situação parecida na praia de Ponta das Canas e judicializou a questão por entender que crimes como estes poluem as águas e praias, “gerando prejuízos para a população e para o meio ambiente, e riscos para os pescadores, para a comunidade local e para os milhares de turistas que visitam Florianópolis”(4).
Por essas e outras, todo o litoral catarinense está prestes a morrer graças à falta de tratamento de esgoto. Pagamos por este serviço, não o recebemos e ficamos de braços cruzados.
E a desculpa da CASAN para não cumprir sua obrigação é sempre a mesma: não trata o esgoto, porque falta dinheiro.
Peraí! Falta dinheiro somente para cumprir os contratos de prestação de serviço que ela assina. Vejam os números que Cacau Menezes, elogiado formador de opinião local, apresentou em sua coluna do DC:
“No exercício de
Referências:
1 – http://www1.an.com.br/ancapital/2000/fev/08/index.htm
2 - http://floripamanha.org/2006/12/casan-e-acusada-de-poluir-rio-do-bras/
3 – http://www.an.com.br/ancapital/2008/jan/11/1ger.jsp
4 - http://floripamanha.org/2006/12/poluicao-em-balneario-rende-acao-judicial/
5 - http://floripamanha.org/2010/04/lucros-na-casan/
Ana Echevenguá, advogada ambientalista, presidente do Instituto Eco&Ação e
Ana Echevenguá - ana@ecoeacao.com.br
Instituto Eco&Ação - www.ecoeacao.com.br
(48) 91343713 - Florianópolis - SC.
