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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A política de DESINFORMAÇÃO da Imprensa- Empresa no Brasil


Nacionalização do petróleo na Venezuela: Exxon perde em tribunal internacional de arbitragem

6/1/2012, Chris Arsenault, Al-Jazeera, Qatar
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu e redecastorphoto (título da postagem)

O presidente venezuelano, Hugo Chávez adotou linha dura com as companhias petrolíferas multinacionais e está rindo à-tôa!

Chris Arsenault
A notícia não é nova: é de janeiro desse ano. Nós a usamos, só, para um exercício de demonstração, a comprovar o que já se sabe: o ‘'jornalismo'’ no Brasil não vale naaaaaaaaaada, e comprado e pago para ser lido, é puuuuuuro prejuízo para qualquer leitor-consumidor à procura de informação.

No ponto em que paramos de copiar notícias, porque era tuuuudo igual, um veículo do Grupo GAFE (Globo-Abril-Folha de S.Paulo-Estadinho – e a BBC!) copiando o que o outro publicara e todos copiando as agências internacionais de repetição de noticiário gerado nos EUA, a situação, no “jornalismo” (só rindo!) no Brasil-2012 era a seguinte:


Nos dispensamos de traduzir a matéria da Al-Jazeera – que não faz nenhum jornalismo excepcionalmente excelente, mas é infinitamente melhor que o “jornalismo” do Grupo GAFE (Globo-Abril-FSP-Estadinho - e da BBC!), que é o pior do mundo – porque o que há a dizer até que quase-aparece, sim, no jornalismo desinformativo brasileiro, desde que devidamente despido das camadas e camadas de manipulação e encobrimento dos fatos.

O fato que, dessa vez, o “jornalismo” do Grupo GAFE desinforma é simples:

O governo do presidente Chávez estatizou em 2007 as instalações e a operação da petroleira norte-americana Exxon, na Venezuela. A Exxon recorreu à Câmara Internacional de Comércio [orig. International Chamber of Commerce (ICC)], que tem sede em Paris, “exigindo” mundos e fundos a título de “reparação de danos”. Em janeiro de 2012, afinal, o recurso foi julgado.

Resultado desse julgamento, a ICC decidiu que a Exxon não tem direito a praticamente nenhuma das reparações que pediu.

“Dispensam-se comentários” – disse o presidente Chávez rindo de orelha a orelha. – O tribunal internacional decidiu que a Exxon só tem direito a 10% do que pediu. Vamos indenizar apenas o investimento inicial da empresa. Não chega a 10% do que a Exxon pedira. E pagaremos com dinheiro nosso congelado no exterior e dinheiro que a Exxon nos deve. Não desembolsaremos mais de $255 milhões”.

A única notícia, afinal, verdadeira, é a única que NÃO apareceu no “jornalismo” do Grupo GAFE e, pelo menos, apareceu em Al-Jazeera:

“Hugo Chávez está feliz. A Exxon pedira indenização de mais de $12 bilhões de dólares. A Venezuela pagará, no máximo, 5% do que a Exxon demandou, em processo que, de fato, a petroleira norte-americana perdeu – como admitiram vários especialistas consultados.

Eva Golinger, advogada, resumiu:

O governo da Venezuela oferecera $1 bilhão no início do processo de nacionalização. A Exxon recusou a oferta e processou a Venezuela exigindo $10 bilhões. Agora, depois de quatro anos de processo, com a sentença final do tribunal internacional, a Exxon receberá apenas $255 milhões.

“Tradicionalmente, a Exxon sempre procura o litígio, jamais o acordo” – disse a Al-Jazeera Steve LeVine, professor de segurança energética na Georgetown University. “Todo esse caso foi tentativa de a Exxon mandar “um recado” ao mundo, a todos que tentem discordar dos planos da empresa”.

Depois de recusar-se a obedecer às novas leis venezuelanas para o petróleo, em 2007, segundo as quais as empresas estrangeiras teriam de se tornar parceiras minoritárias da estatal venezuelana PDVSA, a Exxon e a ConocoPhillips, outra empresa norte-americana, retiraram todas as suas operações da Venezuela.

Há muitos boatos de que outras empresas estrangeiras estariam cancelando os projetos de petróleo na Venezuela. Mas além da Exxon e da ConocoPhillips, todas as demais multinacionais ocidentais ficaram, provavelmente porque os custos de saírem seriam altos demais – noticia a Al-Jazeera.

“A ChevronTexaco continua lá. Empresas europeias, francesas e italianas, continuam na Venezuela; os russos, chineses, indianos e brasileiros continuam onde sempre estiveram” – disse Golinger à Al-Jazeera. “Nenhuma empresa estrangeira deveria arriscar-se a usar o próprio poder político e econômico para tentar burlar legislação dos países onde operam. Foi o que a Exxon tentou fazer. E perdeu”.

A notícia de que a Exxon perdeu, em processo judicial contra a Venezuela, é, precisamente, o fato ativamente sonegado a quem busque informação no “jornalismo” brasileiro do grupo GAFE (Globo-Abril-FSP-Estadinho - e a BBC!). Até quando?!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Fernando Siqueira (Petrobras) acusa Chevron de mentir sobre vazamentos



O vice-presidente da AEPET , Fernando Siqueira, afirmou em entrevista à imprensa que a Chevron mentiu o tempo todo e não informou aos órgãos públicos que perfurou outro reservatório, localizado mais abaixo em relação ao que vinha sendo explorado antes. “Ela fez isso sem saber qual era a pressão máxima que poderia encontrar. Esse fato acabou causando os dois vazamentos da bacia de Campos”. Fernando Siqueira disse acreditar que o recente afloramento de óleo registrado próximo ao Campo de Roncador, operado pela Petrobrás, tem ligação com os incidentes ocorridos em novembro e março no Campo de Frade, operado pela petroleira americana Chevron.

De acordo com Siqueira, “o vazamento atribuído ao campo de Roncador é ainda consequência do acidente de Frade. O reservatório de Frade foi danificado pela Chevron e continua vazando. O óleo migra pelos veios do terreno e pode atingir grandes distâncias. Neste caso, o vazamento é próximo de Frade cerca de 500m, segundo os jornais”, afirmou.

Siqueira afirma que Chevron foi negligente na segurança e explica perfuração

“A Chevron negligenciou a segurança por motivo de economia. Ela estava furando um poço. Havia um outro reservatório nas proximidades de onde ela já produzia. A Chevron conhecia a pressão deste reservatório vizinho. Então, ela furou esse reservatório. Só que havia um outro reservatório mais embaixo. Quando ela furou o primeiro,  fez um teste mecânico de resistência do reservatório e chegou a uma pressão em torno de 11 libras por galão. Então, ela dimensionou uma lama tal que compensasse a pressão desse reservatório, que era 10,5 libras por galão, ou seja, uma pressão abaixo do limite de resistência do reservatório. E aí então, ela resolveu furar o reservatório mais embaixo. Mas, para furar esse reservatório mais embaixo, o correto teria sido revestir o poço nesse trecho, isolar o primeiro reservatório, que ela furou antes, e prosseguir a perfuração com toda a segurança, ou seja, a pressão que existisse no reservatório mais embaixo não iria repercutir no reservatório do primeiro nível, do nível mais acima. Isso seria o correto”, explica Siqueira, acrescentando que a Chevron correu o risco de continuar a perfuração e esperava encontrar, no segundo reservatório, a pressão do primeiro, porque, no outro, onde ela já produzia, a pressão era mais ou menos nesse nível. Isso é uma achologia. Um risco que não se pode correr na área do petróleo, principalmente no mar e a grandes profundidades. A Chevron prosseguiu na perfuração sem ter revestido o primeiro reservatório. Quando ela atingiu o segundo reservatório a pressão era mais alta do que ela esperava. Então houve um “quick” de pressão, uma ameaça de o poço jogar tudo para fora”.

A pressão do reservatório inferior mais a da lama mais pesada causou o dano no reservatório superior

Para economizar tempo de sonda, ela furou o segundo reservatório a poço aberto. Quando atingiu o segundo, em face da pressão ser bem maior e exigir uma lama bem mais pesada, ela acabou causando trinca no reservatório superior. E também não fez os procedimentos para corrigir esse erro. Assim ocorreu o segundo vazamento. 

O original foi extraído do Boletim 389 da AEPET

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Líbia e Colômbia: farsas da mídia

Leonardo Severo

Qua, 28 de Setembro de 2011 14:12
Por Leonardo Severo

No mesmo domingo, 25 de setembro, em que os aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se aproximavam das 24 mil “operações de patrulha aérea” contra a Líbia, incluídas 8.941 missões de ataque para “proteger civis”, as agências internacionais reforçavam o bombardeio midiático.

Despejando desinformações, o jornalismo teleguiado buscava inocular o vírus da apatia e da alienação em massa enquanto tratava de transformar a vítima em culpada, a ação genocida em caridade, o invasor em libertador.

Com o propósito de atender aos monopólios do dinheiro, das armas e da palavra, a “notícia” tinha de ser bombástica para se impor: “Corpos de 1270 são achados em fossa comum na Líbia”. “A descoberta somente foi possível porque um simpatizante do regime de Muammar Kadafi detido horas antes apontou o local exato. A fossa comum fica perto da prisão de Abu Saleen. Os corpos encontrados na fossa poderiam pertencer aos presos massacrados pelo regime de Kadafi em 1996”, dizia a nota da agência espanhola EFE, rapidamente mimetizada sem o mínimo de critério e o máximo de estardalhaço.

A mesma imprensa que nada vê, ouve ou fala sobre o bombardeio a hospitais e o assassinato em massa de mulheres e crianças pelos EUA/OTAN ou procura encobrir o acordo de sangue por petróleo, por meio do qual os fantoches se comprometeram a conceder 35% do ouro negro da Líbia aos franceses em troca do reconhecimento do “governo” do auto-denominado Conselho Nacional de Transição (CNT). A mesma mídia que estende um manto de silêncio sobre o cerco criminoso a Sirte e à crise humanitária provocada pelos bombardeios “cirúrgicos” que estão arrasando com a infraestrutura da cidade natal do líder líbio, que continua resistindo sem água potável, energia elétrica, alimentos ou remédios.

Mentiras e mais mentiras

A orquestração da “fossa” fez do boato um “fato”, repetido mil e uma vezes como verdade absoluta e inconteste pelos grandes conglomerados privados e suas emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas. Horas depois, médicos líbios que foram até a prisão em Trípoli, acompanhados de vários meios de comunicação, incluindo uma desiludida e cabisbaixa CNN, tiveram de desmentir a notícia. A suposta fossa, “com mais de mil cadáveres”, era falsa, mais uma invenção publicitária das marionetes da OTAN. Os fragmentos ósseos não eram de humanos, mas de animais. Desconsertados, os propagandistas do império optaram pelo silêncio, confessando através da omissão o medo pânico que sentem diante da verdade.

Na Colômbia, o terrorismo de Estado está institucionalizado e os números falam por si: nos últimos 10 anos foram assassinados mais de 2.778 sindicalistas, sendo cometidos mais de 11 mil atos de violência. Nada menos do que 60% dos assassinatos de sindicalistas do mundo ocorreram no país, que tem um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA e onde bases militares ianques – e suas empresas - avançam a ritmo de câncer terminal pelo território.

Ali, a cerca de 200 quilômetros ao sul de Bogotá, foi descoberta no ano passado uma vala comum na pequena cidade de La Macarena com centenas de cadáveres produzidos pelo exército colombiano. “O comandante do Exército nos disse que eram guerrilheiros mortos em combate, mas o povo da região nos falou de muitos líderes sociais, camponeses e comunitários que desapareceram sem deixar rastro”, declarou o jurista Jairo Ramírez, secretário do Comitê Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos na Colômbia, que acompanhou uma delegação de parlamentares espanhóis ao local. “O que vimos foi arrepiante, de causar calafrios. Uma infinidade de corpos e na superfície centenas de placas de madeira de cor branca com a inscrição NN (sem identificação) e com datas de 2005 até hoje”, acrescentou.

A mídia que propagandeia os feitos humanitários da luta dos paramilitares de direita contra os “terroristas” – como são chamados os patriotas colombianos – é a mesma que incentiva o genocídio dos patriotas líbios pelos “rebeldes” – como qualifica os mercenários dos EUA e da OTAN.

Cadáveres e mais cadáveres

Registrem ou não os grandes conglomerados midiáticos, até recentemente haviam sido descobertos cerca de 2.500 cadáveres em fossas espalhadas pela Colômbia, dos quais foram reconhecidos tão somente 600, identificados e entregues aos seus familiares. Todos os demais eram NN.

Diferente do país norte - africano onde as agências noticiosas diziam ter chegado ao local por intermédio de “um simpatizante do governo de Kadafi” – a fim de enlamear e incriminar o líder da revolução verde - a localização destes cemitérios clandestinos na Colômbia somente foi possível devido a relatos de membros dos esquadrões da morte, fascistas com nome e sobrenome, beneficiados pela Lei de (In) Justiça e Paz que trocou confissões de psicopatas por microscópicas penas.

Um dos assassinos que decidiu destampar o bueiro cavado e cevado por bilhões de dólares made in USA do “Plano Colômbia”, John Jairo Rentería admitiu ter enterrado pelo menos 800 pessoas. “Todos tínhamos que aprender a desmembrar, a esquartejar aquela gente. Muitas vezes isso era feito com as pessoas ainda vivas”, relatou.

Em agosto de 2010, pouco depois de uma audiência pública em La Macarena, foi informada “a suposta detenção, desaparição e execução extrajudicial da senhora Norma Irene Perez, identificada com o CC 40.206.080, de quem não se voltou a ter conhecimento desde o dia 7 de agosto de 2010, entre 7h e 8h da manhã, quando dirigia-se a sua casa depois de sair de uma assembleia com a junta de ação comunal da referida localidade. Posteriormente seu corpo foi encontrado nas estranhas circunstâncias no dia 13 de agosto de 2010 na jurisdição de La Unión, do município de La Macarena, do departamento de Meta. A comunidade afirma que o exército encontra-se na aldeia dos oásis, local próximo de onde ocorreu o fato”.

Agricultora, mãe de quatro crianças, Norma era presidenta do Comitê de Direitos Humanos de La Unión e membro do comitê regional de direitos humanos da região de Guayabero do departamento do Meta, onde há uma base militar dos EUA, mas nenhum órgão de imprensa.

Conforme relataram Felipe Cantera e Laura Bouza, que participaram da audiência pública, os testemunhos de vizinhos e familiares das vítimas, deixaram “em evidência as ameaças de morte, torturas, assassinatos, execuções extrajudiciais e desaparições forçadas – conhecidas e mal chamadas de falsos positivos pelo exército”. Esta era a senha para que os civis fossem identificados como “guerrilheiros mortos em combate” e levados por helicópteros do exército até o cemitério de La Macarena. “O óbvio é que não se pode negar o que salta aos olhos. Na atualidade, os meios de comunicação oficiais colombianos têm a digital da família Santos, que hoje em dia é o presidente da Colômbia e anteriormente era seu ministro da Defesa”.

Cifrões e mais cifrões

Da mesma forma que na Líbia as transnacionais buscam tomar de assalto o petróleo, na Colômbia diferentes empresas estrangeiras buscam explorar 200 mil hectares da região de La Macarena e convertê-la em área para o monocultivo de agrocombustível, como a palma africana. Além disso, conforme denuncia o movimento sindical e social, o departamento de Meta é a porta da Amazônia e de todo o controle genético da zona, abrindo caminho para o transporte de minérios e de petróleo até a capital.

De acordo com documentos “desclassificados” pelo governo dos EUA (jargão técnico que indica a liberação oficial de informações secretas), mais da metade dos recursos do Plano Colômbia em 2009 foram direcionados a multinacionais norte-americanas para desenvolver, promover e impulsionar a guerra irregular no país sul-americano. Conforme a advogada americano-venezuelana Eva Golinger, os documentos comprovam que houve uma “privatização total da guerra na Colômbia”. “Essas transnacionais mercenárias não têm a obrigação de responder legalmente a nenhum sistema judicial do mundo. Em outras palavras, gozam de total imunidade”, acrescentou.

Na lista foram encontradas 31 multinacionais estadunidenses ligadas ao Departamento de Estado, mas que, apesar de serem empresas americanas contratadas pelo Pentágono, não estão sujeitas a nenhuma lei pública dos EUA. “Como parte do acordo binacional, na Colômbia têm imunidade total, ou seja, não respondem a ninguém por seus crimes, ações e operações”.

Entre as empresas de maior relevância destacam-se a Lockheed-Martin, gigante do complexo industrial-militar que tem 95% de seu orçamento anual vinculado ao Departamento de Defesa dos EUA, a Dyn Corp International – que tem no currículo a participação na Guerra do Vietnã, contra a insurgência de El Salvador e no Golfo Pérsico - a Oackley Network (que entrega softwares de monitoração de internet), a tristemente célebre ITT - transnacional de telecomunicações comprometida até a medula no golpe de estado contra Salvador Allende no Chile - e o Grupo Rendón, que elabora campanhas que mexem com “operações psicológicas” na mídia.

Seu proprietário, John Rendón, é um dos propagandistas preferidos de Washington por seus métodos de mentira, difamação e calúnia. É dele a invenção da história da soldada Jessica Lynch, de 19 anos, que teria sido resgatada das garras de Saddam em um hospital de Bagdá durante a segunda guerra do Golfo, em 2003. Empenhado em satanizar o presidente iraquiano, o “guerreiro da informação” e “dirigente de percepções” inventou que Jessica havia sido capturada durante uma “batalha sangrenta”, mas por ter resistido como uma leoa foi “torturada e estuprada” por sádicos médicos iraquianos. Na verdade, foram os médicos que doaram seu próprio sangue para salvar a vida da soldada invasora, tendo sido levada ao hospital pelas tropas especiais iraquianas.

Na Colômbia, entre as multinacionais que apostaram suas fichas nos grupos de extermínio para limpar o terreno e facilitar sua entrada no território de La Macarena está a petroleira BP, iniciais da British Petroleum. Muito conhecida na Líbia, ao lado da francesa Total, da espanhola Repsol YPF e da italiana ENI.

Todas, igualmente, bastante parceiras de certa mídia. E de seus crimes.

Extraído do Blog do Miro