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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

(a) ISIS/EI promove seu multinacionalismo sangrento e (b) Obama se rende: Assad comandará a transição na Síria

17/11/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

(a) ISIS/EI promove seu multinacionalismo sangrento

Estado Islâmico (ISIS/EI) atual, em preto
Com bem planejada campanha de mídia, em três atos, o Estado Islâmico (EI) anunciou que se está convertendo em entidade multinacional presente em muitos países. E o presidente dos EUA afinal aceitou que o presidente da Síria deve, pelo menos durante a tal “transição”, permanecer onde está [e de onde, por falar nisso, ninguém conseguiu tirá-lo, por mais que tantos tenham tentado (NTs)].

Há uma semana, grupos jihadistas em cinco países árabes publicaram vídeos nos quais juram fidelidade ao Estado Islâmico e ao seu Califa. Os grupos aparecem na Argélia, no Egito (Sinai), na Líbia, no Iêmen e na Arábia Saudita. Os vídeos parecem ter sido editados pelos mesmos profissionais que editam todos os vídeos oficiais do Estado Islâmico, mas incluem tomadas locais de cada país.

Na 5ª-feira (13/11/2014) passada apareceu o segundo ato, quando foi publicada nova fita de áudio, com uma fala do Califa:

O discurso de Baghdadi foi dividido em duas partes principais. A primeira cobria aproximadamente dois terços do tempo da gravação e durava 17 minutos. Baghdadi falou do fracasso das operações da aliança internacional, que ele chama de “campanha dos Cruzados”, e zombou dos árabes que participam daquelas operações. Na segunda parte, que foi a mais perigosa, ele anunciou que o EI está em processo de expansão e surgem novas províncias em vários estados árabes. Essas duas partes foram divulgadas sob a principal manchete de Baghdadi: sua jihad continuará e alcançará todos os povos e todas as terras em todos os tempos.

Um terceiro ato, um vídeo muito bem produzido, foi distribuído, com mais de 16 minutos de duração, que mostrava uma fila de 18 homens do Estado Islâmico, cada um deles degolando um oficial ou piloto sírio capturado. 

Degoladores do ISIS/EI e degolados 
Na cena anterior ao momento dessa foto, vê-se uma cesta com facas bowie e cada degolador pega uma faca. Todos, na cena, usam o mesmo uniforme novo em folha, que não é o uniforme ocidental padrão, mas mostram mangas do tipo das que se veem nos uniformes usados no Afeganistão. (O padrão digital da estampa de camuflagem parece vir dos Emirados Árabes Unidos.) Todos têm mochilas iguais e gorros iguais. Todos os prisioneiros vestem o mesmo tipo de roupa. O único degolador que não aparece uniformizado e o único que tem o rosto coberto é britânico (apelido “Jihadi John”) e já fora visto em outro vídeo de decapitações. Este tem papel especial no final do clip. Todos os degoladores são de diferentes nacionalidades e representam a internacionalização do Estado Islâmico. Há um francês, um saudita, um iemenita, um paquistanês, um afegão, e outros.

A degola é mostrada do começo ao fim, em detalhes, parcialmente em câmera lenta. As decapitações são feitas devagar e sem hesitação. Quando a cabeça está separada do pescoço, é posta sobre o tronco, no chão. Não há gritos nem qualquer tipo de luta. A julgar pelos olhos e pela calma, todos, degoladores e degolados, parecem ter sido drogados, pelo menos superficialmente.

ISIS/EI em ordem unida
O vídeo exibe uma marca que mostra que foi filmado em Dabiq na Síria, o que tem muitos significados simbólicos. Dabiq é um vale no norte de Aleppo, onde o sultão otomano Salim I derrotou os mamelucos egípcios no século XVI. Dabiq é também o local onde, segundo alguns textos islamistas, travar-se-á a batalha do Armageddon, no confronto histórico final entre o bem (muçulmanos) e o mal (cristãos).

A degola dos oficiais sírios toma cerca de 12 minutos e só depois dela é mostrada outra decapitação, a qual, parece, aconteceu antes. O decapitado é Abdul-Rahman Kassig, “ex” soldado Ranger da força especial dos EUA que combateu no Iraque e apareceu depois como “trabalhador humanitário” na Síria, a serviço da oposição. Foi capturado pelo Estado Islâmico em 2013. A degola não é mostrada, mas vê-se a cabeça separada do corpo. O degolador é “Jihadi John” e ele ameaça os EUA e o Reino Unido: “Massacraremos vocês, nas suas ruas”. Nada sugere que seja piada. Parece, isso sim, anúncio de operações já planejadas.

O vídeo e a produção são de excelente qualidade. Com certeza a edição ficou a cargo de alguém que conhece muito bem o “estilo” da narrativa dramática ocidental e, também, da produção ocidental.

ISIS/EI ativo na Argelia, Líbia, Egito, Arábia Saudita, Síria e Iraque
Os valores simbólicos do vídeo não estão tanto propriamente na degola, embora os detalhes pornográficos possam ter sido incluídos para recrutar doentes psicóticos de um determinado tipo. Os pontos simbólicos estão na locação (e no que Dabiq representa) e no próprio grupo multinacional de degoladores, todos, hoje, já alistados como soldados uniformizados do Estado Islâmico.

É esse detalhe, afinal, que faz o vídeo aparecer como terceira parte de uma campanha de mídia muito bem planejada para anunciar e demonstrar o caráter multinacional do Estado Islâmico.

Por mais que tenham aparecido várias colunas escritas nas últimas semanas, sobre derrotas que o Estado Islâmico estaria sofrendo em algumas batalhas pequenas e sem importância no Iraque, a campanha de mídia lançada pelo EI aponta na direção oposta. O Estado Islâmico está crescendo e já é entidade multinacional com ampla distribuição geográfica. E vai-se tornando cada dia mais duro, mais difícil, combater contra ele. Mas significa também que o EI passará a precisar de mais recursos financeiros, que serão difíceis de obter. Significa também mais comunicação entre seus “ramos” – e comunicação é coisa rastreável, detectável e interrompível.

O vídeo acima discutido inclui também uma passagem na qual se explica que o Estado Islâmico e o fato de manter-se embasado em “Tawheed e Jihad” é consequência DIRETA das hostilidades e da ocupação, pelos “cruzados”, do Iraque. É explicação suficiente para pôr fim, de uma vez por todas, à conversa de tantos “especialistas”, que só fazem culpar Malik ou Assad pela ameaça que o EI traz para todos.

(b) Obama se rende: Assad comandará a transição na Síria

Barack Obama discursa na Austrália
Já havia previsto aqui que, para dar combate ao Estado Islâmico, o presidente Obama teria de deixar de lado a obsessão por derrubar o presidente Assad da Síria. Na 6ª-feira (14/11/2014), o primeiro-ministro Davutoğlu  da Turquia disse que recebera fortes sinais de que os EUA mudariam sua política para a Síria e que teriam desistido de derrubar o presidente Assad. Agora, numa conferência de imprensa em Brisbane durante a reunião do G-20, o próprio Obama disse que:

PRESIDENTE OBAMA: [...] Agora, estamos procurando uma solução política, eventualmente dentro da Síria, que inclua todos os grupos que vivem lá – os alawitas, os sunitas, cristãos. E, a certa altura, o povo sírio e os vários atores envolvidos, além de atores regionais – Turquia, Irã, apoiadores de Assad, como a Rússia – terão de se engajar numa conversa política.

E essa é a natureza da diplomacia sempre, com certeza nesse caso, onde você acaba tendo conversas diplomáticas potencialmente com gente de quem você não gosta e de governos dos quais você não gosta. Mas ainda não estamos nem próximos desse estágio.

PERGUNTA: Ok, mas, só para pôr um ponto final nesse assunto: o senhor continua a trabalhar ativamente para encontrar meios para tirar Assad de lá, como parte dessa transição política?

PRESIDENTE OBAMA: Não.

Até agora, os EUA sempre repetiram que Assad não poderia permanecer no governo como parte da tal “transição” (Rússia e Irã sempre insistiram, exatamente, em que Assad ficasse no governo, durante a transição). Assim sendo, aí está uma mudança na política dos EUA para a Síria. E, considerando-se a expansão do Estado Islâmico, é, afinal, mudança importante e sensível.


[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ver/ouvir versão em performance de David Johansen com legendas em português.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Pepe Escobar ‒ G20 na Austrália: Bufões x Sul Global


Façam negócios, não Tomahawks!

17/11/2014, [*] Pepe Escobar, Russia Today
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Putin "isolado"? (só rindo!)

Eis o G20 na Austrália numa única linha: um pequeno bando de bufões políticos anglo-saxões, que tentam derrubar o Sul Global.

Países que representam mais de 85% da economia mundial reúnem-se para (em teoria) discutir algumas questões econômico/financeiras realmente pesadas, e virtualmente a única coisa sobre a qual a lastimável imprensa-empresa ocidental gagueja é o “isolamento” ao qual teria sido relegado o presidente russo Vladimir Putin. [1]

Bem que Washington e sua coorte de fantoches tentaram converter o G20 em total farsa. Por sorte, os adultos presentes tinham negócios a tratar.

Os cinco países BRICS – apesar de haver problemas, esse é o G5 que realmente conta no mundo – reuniram-se depois do encontro, incluído tal presidente “isolado”. Em termos econômicos, esse G5 já ultrapassa, de longe, o velho e decrépito G7.

A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, encorajou fortemente todo o G5 a turbo-acionar a cooperação mútua – além da cooperação Sul-Sul. Aí se inclui, claro, o Banco de Desenvolvimento dos BRICS. Os BRICS, reforçando sua “grave preocupação”, mais uma vez desmascararam o blefe de Washington – os EUA recusam-se a apoiar a reforma estrutural, perpetuamente adiada, do Fundo Monetário Internacional, FMI.

O pacote de reformas das quotas e na governança do FMI já está aprovado na direção do FMI desde 2010. Uma das resoluções chaves foi aumentar o poder de voto dos mercados emergentes, com os BRICS na vanguarda. Para os Republicanos em Washington, é pior que o comunismo.

O presidente chinês, Xi Jinping acrescentou que a cooperação dos BRICS não apenas estimulará fortemente a economia global, como também garantirá a paz mundial. Façam negócios, não Tomahawks. As mais de 120 nações do Movimento dos Não Alinhados – mendigos no banquete do G20 – ouviam com extrema atenção

“Agressões” e mais “agressões”

Comparem agora os BRICS trabalhando, e os chefes de estado da União Europeia, que só fizeram andar atrás do presidente Obama dos EUA para definir a “estratégia” deles – não para promover a economia global, mas... para demonizar mais e mais a Rússia.

E, isso, depois que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse a Putin, numa reunião “robusta”, que Putin estaria preso numa encruzilhada e às vésperas de ser atingido por mais sanções; o primeiro-ministro do Canadá Stephen Harper reclamou de ter sido obrigado a apertar a mão de Putin; e o primeiro-ministro australiano Tony Abbott obrigou todo mundo a posar com coalas ao colo – crime de maus tratos a animais –, depois de, ao que parece, ter recomendado um ataque de shirtfronting [2] ao presidente russo.

E não foi só “agressão russa”. Obama, Abbott e o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, também se reuniram separadamente para aumentar a “cooperação militar” e “fortalecer a segurança marítima” na região do Pacífico Asiático. Contra (o que mais seria?!) a “agressão chinesa”.

Obama e seus "bufões" (ou poodles!)
Arrogância imperial e bufonaria à parte, Putin, sim, reuniu-se com a chanceler alemã Angela Merkel por mais de três horas. Essencialmente, discutiram a Ucrânia. Nada, nada vazou. Quer dizer: Putin reuniu-se e trabalhou com todos os adultos cuja ação-opinião interessa: os BRICS e Merkel. Em matéria de boa cabeça para negócios, era o melhor que havia a fazer por ali.

Como disse o presidente Putin, ao deixar a Austrália:

São nove horas de voo até Vladivostok e mais oito horas até Moscou. Preciso dormir quatro horas, antes de voltar ao trabalho na 2ª-feira (17/11/2014). Já fizemos o que viemos fazer aqui.

Santo Deus! Foi a deixa para que a imprensa-empresa ocidental enlouquecesse totalmente e se pusesse a repetir sem parar a “notícia” segundo a qual a tal “figura isolada” fugira, coberta de vergonha, do G20. [3]

Na dúvida, imprima dinheiro

Apesar dos incansáveis esforços da gangue política anglo-saxônica para desqualificar a reunião, até que algum trabalho– minimalista – foi completado. Até Putin elogiou a “atmosfera construtiva”. Mas a coisa esteva mais, mesmo, para atmosfera de pensamento-discurso desejante.

No comunicado final, apareceu a promessa de aumentar o PIB global em estonteantes US$ 2 trilhões, até 2018. O xis da questão desse plano mágico é facilitar o investimento em infraestrutura, que cria empregos e melhora o comércio global.

Aliás... é exatamente o que a China está fazendo – em massa. China e Rússia assinaram dois negócios gigantescos de gás, esse ano, no valor total de US$ 725 bilhões. O Fundo de Investimento Rota da Seda, de US$ 40 bilhões, financiará projetos de desenvolvimento em sete nações da Ásia Central. Putin-“figura isolada” confirmou que o comércio entre Rússia e China e o resto da Ásia aumentará, de 25% para 40% do PIB russo.

Ainda mais importante, Rússia, China, Irã – e em breve outras nações asiáticas – trabalham ativamente na direção de implantar seus próprios sistemas de câmbio de moeda, independentes do sistema SWIFT e do dólar norte-americano. O comércio e os investimentos Rússia-China fazem-se cada vez mais em rublos e yuan, cada vez menos em dólares norte-americanos. Para os bufões, é pior que o Apocalipse.

O comunicado do G20 fala também de uma ofensiva neoliberal de facto, renovada – da “desregulação” nos mercados de bens e serviços, à “flexibilização” no mercado de trabalho. Uma nebulosa central de investimento global será montada em Sydney, mas ninguém sabe ao certo como funcionará.

O G20 também insistiu na necessidade de combater o chamado shadow banking. [4] Puro conversê desejante – e atores/ especuladores/ megagânsteres das finanças impedirão que aconteça. Ninguém aí está pensando em enfrentar, mesmo, os fundos-esgoto do tipo Turks & Caicos “reze pelo EUA-dólar, ajoelhe-se aos pés da rainha”, não é, rapazes?

Não surpreendentemente, sumiram do comunicado final todas e quaisquer referências a maior transparência nas indústrias extrativas. Sobre mudança climática, mais conversê desejante sobre “ação efetiva” antes da conferência de Paris, em dezembro de 2015. Podem-se apostar cassinos inteiros de dinheiro lavado em que nada de substancial acontecerá, nem antes nem depois da tal conferência.

Vladimir Puttin no G20 de Brisbane -15/11/2014
Os wahhabistas do neoliberalismo obviamente detonaram a tentativa, apresentada por uma Argentina “exaurida”, de desenvolver um regime supranacional à prova de falência. Claro. Afinal, os fundos abutres do tipo Paul Singer devem conservar o direito pleno de agir como abutres.

No final, o tal Putin “isolado” lá estava pronto para trabalhar, no horário certo, hora de Moscou. A União Europeia com certeza perderá pelo menos 15% do comércio de US$ 330 bilhões com a Rússia em 2015 – e o comércio entre os BRICS dobrará. A débâcle absoluta da União Europeia continuará a ser causada, em ampla medida, pelo neoliberalismo. E pelodiktat pelas elites de Washington/ Wall Street, de que todas as instâncias de economia mista na União Europeia devem ser desmontadas.

Enquanto o Fed põe fim ao seu “alívio quantitativo” [orig. quantitative easing (QE)], o Banco Central Europeu sonha com se pôr a imprimir dinheiro feito doido, e o Banco Central do Japão já imprime dinheiro feito doido, Rússia e China compram oceanos de ouro físico. Por trás de uma cortina de fumaça de dinheiro impresso, a economia global continuará a padecer.

Mesmo assim, a economia russa continuará na trilha da integração cada vez mais íntima com China, Irã e Cazaquistão. O centro do investimento global e coração da ação continuará a ser – e onde mais seria? – o Pacífico Asiático. Não por acaso, a reunião do G20, em 2016, acontecerá na China.

Noutros noticiários, a notícia foi que Pepe Mujica, não apareceu na reunião do G20. É homem que merece ter, ele mesmo, a palavra definitiva. Não é preciso muito trabalho para comparar e ver a diferença que separa a dignidade pessoal, a honestidade, a humildade, a inteligência, a coragem, o altruísmo e a solidez das políticas que Mujica promoveu no Uruguai, com a bufonaria imprudente, negligente, descuidada, temerária dos Cameron-Harper-e-Abbotts.

Há políticos e “políticos”. Felizmente, a vasta maioria da opinião pública global é capaz de ver a diferença.
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Notas dos tradutores

[1] Sobre isso, ver também 17/11/2014, redecastorphoto: Conversa de “Putin está isolado” é idiota e perigosa, Moon of Alabama, traduzido.

[2] A expressão shirt fronting é muito frequente no inglês australiano, nascida na gíria do futebol e do rugby. Significa, literalmente, “bater de cabeça, de frente, no plexo solar do adversário”. É golpe que, pela violência, já está proibido pelas regras do esporte. Sobre isso ver: What is shirtfronting? A guide to understanding the G20  (ing.).

[3] Essa, precisamente, é a des-notícia que se leu em português do Brasil em O Globo, Yahoo, Exame e mais zilhões de veículos de repetição. Não há “jornalismo” mais chatíssimo que o “jornalismo” que continua a ser vendido no Brasil-2014 a consumidores já totalmente otarizados.

[4] Uma série de instituições que atuam como sistema financeiro paralelo, que escapa à supervisão pelas autoridades bancárias e monetárias, como, dentre outras, os chamados hedge funds e os investment trusts.
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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Tom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia TodayThe Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
− Seu novo livro, Empire of Chaos, acaba de ser publicado pela Nimble Books.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Conversa de “Putin está isolado” é idiota e perigosa

16/11/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Putin "isolado" com Dilma Roussef...
Algumas manchetes pelo mundo, iguaizinhas e igualmente idiotas:

·  LA Times – Putin enfrenta isolamento no G-20
·  NY Times – Putin recebido com frieza no G-20

Shinzo Abe "isolado"... Tenta abrir garrafa
Ainda mais idiota que essas manchetes foi o Tagesschau alemão, que usou uma foto em que Putin aparece como se estivesse almoçando sozinho, para assim provar seu “isolamento”. Basta examinar as imagens distribuídas pelas agências, para ver que Putin está sentado à mesa com a presidenta Dilma Rousseff do Brasil, à espera de outros comensais que chegam em seguida. Há imagens semelhantes, que poderiam ser usadas para mostrar o “isolamento” do primeiro- ministro do Japão e – sim, senhores! – até de Obama. A foto de Putin foi “escolhida” para ilustrar uma matéria já preparada, sobre o isolamento de Putin. O restante da imprensa-empresa universal reproduziu o mesmo movimento de desinformação seletiva por imagens.

E será que esses “jornalistas” que ganham a vida a inventar manchetes, correspondentes de redes de televisão e políticos sabem o que significa G-20? A turminha que agrediu e ofendeu publicamente o presidente russo em Brisbane são os de sempre: Obama, Cameron, Harper, Abbott e Abe. Não passam de 5, em 20.

Obama "isolado"... Com o garção
Importantes são os líderes que não agrediram e ofenderam Putin frente às câmeras de televisão: Argentina, Brasil, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, México, Arábia Saudita, África do Sul, República da Coreia e Turquia. Praticamente todos esses governantes tiveram reuniões exclusivas com Putin. Só Merkel, da Alemanha, solicitou e obteve reunião de mais de três horas com Putin. Será que passou três horas com Putin, só para mostrar ao mundo o quanto a Rússia estaria “isolada”?

Fato é que Putin vive “isolado” como o Papa.

Fato é, também, que os tais “líderes mundiais” que disseram frente às câmeras que estariam “isolando” Putin, não passam de poderes já minoritários no mundo, em população, militarmente e economicamente. Como o próprio presidente Putin disse, corretamente, em entrevista à televisão alemã, antes de embarcar para a reunião do G-20:

Na verdade, se se somam os PIBs dos países BRICS, calculados pela paridade do poder de compra, vê-se que já superamos o grupo dos chamados países G-7. Se me lembro corretamente, os países BRICS já têm PIB de US$ 37 trilhões, pela paridade do poder de compra. O G7 está ainda nos US$ 34,5 trilhões. E a tendência daqui em diante favorece os BRICS, não o G-7.

Putin "isolado"... Com os demais BRICS
Assim afinal se vê claramente que toda essa conversa fiada de “Putin isolado” seria até engraçada, se os “poderosos” do dia reconhecessem que só fazem repetir bobagens. 

Infelizmente, muitos “líderes”, políticos, “jornalistas”, colunistas e “especialistas” em Washington DC acreditam, com a fé mais cega, nas mentiras que eles mesmos inventam e põem-se a repetir. Por causa dessa fé cega, esse pessoal erra muito, nas “análises” que fazem das políticas mundiais. É perigoso errar tanto. Nesse campo, os erros de avaliação quase sempre geram consequências sangrentas.


[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera  A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ver/ouvir versão em performance de David Johansen com legendas em português.

domingo, 8 de setembro de 2013

Síria e a “Máquina do Apocalipse” de Obama

6/9/2013, [*] Robert Parry, Consortium News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido no Bar da Cobra d'Água na Vila Vudu: O que aí se lê pode ser só delírio e excesso de “análise”. E pode não passar de “obamismo” tresloucado. Mas o que aí se lê é a hipótese que mais bem explica os movimentos erráticos de Obama, cansativamente “analisados” por “analistas” fascistas burros e incompetentes como os demetriosmanholis e williamsuaacks & canalha adjunta. A imprensa-empresa, por sua vez, aparece, mais uma vez, como TOTAL INUTILIDADE, na melhor das hipóteses; ou como ativa máquina de guerra, na pior.

Barack Obama
Mesmo com o presidente Barack Obama fazendo lobby no Congresso para obter autorização para guerra “limitada” contra a Síria, há membros de sua equipe de segurança que contam com que a crise internacional possa ser usada para romper o impasse diplomático que pôs fim às conversações de paz para a Síria. Para tanto, contam com encurralar a Arábia Saudita.

Segundo esses assessores de Obama, a Arábia Saudita e, especialmente, o chefe da inteligência saudita, príncipe Bandar bin Sultan, revelaram-se como principais obstáculos a um cessar-fogo e às conversas de paz. Bandar, ex-embaixador saudita nos EUA e personagem muito bem relacionado, é visto como principal financiador dos islamistas jihadistas mais radicais que lutam para derrubar o governo sírio e rejeitam qualquer tipo de negociação. (Bandar admitiu ter-se encontrado com Osama bin Laden, líder da al-Qaeda, antes dos ataques de 11/9; e, depois do 11/9, foi ele quem coordenou os detalhes da rápida partida de membros da família de bin Laden, para fora dos EUA).

Bandar bin Sultan
Assim, o desafio seria hoje pressionar Bandar e os extraordinariamente ricos sauditas, para que sejam forçados a cooperar numa estratégia para cortar o fornecimento de armas e dinheiro para os jihadistas extremistas, o que forçará os “rebeldes” a aceitar as negociações de Genebra-2 e criará possibilidades para um arranjo de partilha do poder entre o governo Assad e a oposição moderada.

Você não leu na imprensa-empresa norte-americana, mas o presidente Bashar al-Assad da Síria repetiu inúmeras vezes que aceitava participar de conversações de paz e analisar propostas para uma nova estrutura de governo. A oposição apoiada pelos EUA é que sempre se recusou a conversar e, para impedir as negociações, impôs várias e várias precondições.

Mesmo assim, a narrativa preferida da imprensa-empresa norte-americana sempre foi que o governo Obama deveria apertar a pressão militar sobre Assad, o que o “forçaria” a aceitar as negociações – manchetes que combinam bem com a bem-amada fantasia de que os EUA seriam eternos pacificadores, contra ditadores sanguinários.

Nicholas D. Kristof
Por exemplo, o colunista Nicholas D. Kristof, do New York Times, é o mais recente “falcão liberal pró-guerra” a exigir que Obama bombardeie o governo sírio e assim contenha imediatamente as perdas que os “rebeldes” estão sofrendo. Na 5ª-feira, Kristof escreveu que o regime Assad “tem obtido alguns sucessos na luta, e ataques aéreos o farão mais interessado em negociar alguma paz”.

Kristof e outros jornalistas que insistem em promover essa fantasia só fazem desinformar os norte-americanos, como tantos outros jornalistas fizeram há uma década, para forçar a invasão ao Iraque. Na Síria, a verdade é que os EUA não conseguiram convencer a oposição a negociar, depois que os russos persuadiram Assad.

Os líderes “rebeldes” inventaram as mais diferentes desculpas para impedir o início de conversações de paz: antes, queriam que o governo dos EUA lhes fornecessem armamento sofisticado; depois “exigiram” que os combatentes do Hezbollah se retirassem da Síria; depois, só aceitariam negociar quando estivessem em posição vitoriosa nos combates; depois, impuseram como precondição para negociar a paz, que Assad renunciasse.

Em outras palavras, os vários grupos “rebeldes”, dos quais os combatentes mais efetivos são aliados da al-Qaeda, não querem conversações nem paz; preferem esperar que os EUA ou outro exército de fora seja arrastado para a guerra síria e force a deposição de Assad.

Vladimir Putin
Mas essa via faria da Síria a nova fortaleza do terrorismo no Oriente Médio e abriria a via para o genocídio da minoria síria alawita, ramo do Islã xiita que inclui a família Assad. Cristãos sírios, aliados de Assad, também temem ataques violentos, no caso de os “rebeldes” predominantemente sunitas prevalecerem, sobretudo os armênios, cujas famílias fugiram do genocídio na Turquia, há um século.

A possibilidade real de que haverá atrocidades se os “rebeldes” depuserem Assad ressurgiu na 5ª-feira, com a distribuição de mais um vídeo que mostrava “rebeldes” executando soldados sírios capturados, ao som de ameaças de que os alawitas seriam também eliminados. O presidente russo Vladimir Putin também citou vídeo que mostra um comandante “rebelde” comendo vísceras de um soldado sírio assassinado.

Não “desperdiçar crises”

Embora muitos dos senhores/senhoras “durões” do governo Obama ainda insistam em lançar mísseis contra a Síria, para punir Assad por um ataque com armas químicas que lhe foi atribuído, acontecido dia 21/8, ainda há alguns poucos conselheiros que esperam conseguir impedir esse ataque, e que a urgência internacional possa ser dirigida, afinal, na direção de acordo pacífico para o conflito.

Seria uma versão geopolítica do adágio do ex-chefe de gabinete de Obama, Rahm Emanuel: “não se deve desperdiçar uma crise séria”. Assista vídeo a seguir:


Tenho informação de que Obama procurou recolher informação e opiniões também fora de seu círculo, sobre se a nova manobra teria chances de sucesso, depois que se viu preso nas cordas, onde ele mesmo meteu-se, com a conversa claudicante sobre “linha vermelha”, e por não ter dado a atenção devida ao agravamento da crise síria no início do ano.

Apesar do contato aparentemente gelado entre Obama e Putin no G-20 em São Petersburgo, o que se diz é que ambos estão trabalhando em perfeita harmonia sobre a questão síria – o que a imprensa-empresa dos EUA recusa-se a informar, ou talvez, mesmo, também a ver. Essa cooperação EUA-Rússia é considerada crucial para superar os muitos obstáculos que ainda há contra solução negociada para a guerra na Síria.

Vladimir Putin e Barack Obama no telão da imprensa durante o G20 em 6/9/2013
A principal e maior dificuldade que ainda impede as conversações de paz são as obstruções criadas por Arábia Saudita e Israel. Sauditas e israelenses, que operam uma aliança de fato em inúmeras questões regionais, do Egito ao Irã, veem ainda muitas vantagens na prorrogação da guerra na Síria.

Se a Arábia Saudita sonha com vitória arrasadora dos “rebeldes” e com estado sírio governado por sunitas – o que romperia o atual “crescente xiita”, do Irã, por Iraque e Síria, até o Hezbollah libanês – os israelenses preferem que a Síria continue a sangrar, sem que nenhum dos lados se possa declarar vencedor.

Como disse o New York Times na 6ª-feira, “o ataque limitado do Sr. Obama só tem um aliado estrangeiro crucial: Israel”. Na visão dos israelenses, se os EUA enviarem força militar para combater contra Assad, também o Irã ficará na defensiva, o que talvez apresse o dia em que os EUA atacarão também o Irã.

Além disso, além de uma Síria enfraquecida obrigar o Irã a aplicar mais recursos para salvar Assad, também o Hezbollah libanês pró-Assad teria mais trabalho e deixaria o Hamás mais isolado na Palestina. O Hamás aliou-se aos “rebeldes” sunitas contra Assad, o que também pressiona seus antigos aliados: Síria, Irã e o Hezbollah.

Estranha aliamça... Rei Abdullah (Arábia Saudita) e Benyamin Netanyahu (Israel)
A estranha aliança assim formada entre Israel e Arábia Saudita também se mantém no apoio ao golpe militar no Egito contra governo eleito da Fraternidade Muçulmana, com Mohamed Mursi. Os sauditas já jogaram bilhões de dólares para salvar a economia egípcia, e os israelenses usam seu lobby em Washington para impedir que os EUA cortem a ajuda militar à junta militar no Egito.

A Fraternidade Muçulmana é movimento de sunitas, mas populista demais para o gosto dos monarquistas sauditas. Os príncipes sauditas temem que a democracia avance na região e preferem, muito, ter regime autoritário no Egito. Simultaneamente, Israel beneficia-se com governo militar no Egito que voltou a fechar a fronteira com Gaza, governada pelo Hamás. A Israel muito interessa poder ditar os termos de qualquer eventual paz a um movimento palestino enfraquecido.

Ameaçar com o Apocalipse

Nesse quadro, Obama parece estar vendo que são mínimas as chances de que um ataque militar dos EUA, que desestabilizará ainda mais a Síria, consiga romper esse paredão geopolítico contra a paz na região. A estratégia não conquistou a maioria das opiniões, apesar de Obama ter-se exposto como defensor.

Mas, para desmontar esse quadro, Obama tem de encontrar meio para forçar Bandar e os sauditas a desistir do apoio financeiro e militar que dão aos sunitas jihadistas na Síria, ao mesmo tempo em que convence os israelenses a “domar” o poder que têm em Washington. Uma das vias consideradas foi convocar o ex-presidente George W. Bush, amigo íntimo de Bandar, para que agisse como intermediário.

Bashar al-Assad
Mas, por razões da política doméstica, Obama entende que tem de manter a imagem pública de que seu principal problema seria o governo Assad, para poder manter a pressão contra os sauditas. Essa hipótese explica, pelo menos, por que Obama ainda insiste em culpar Assad pelo ataque com armas químicas, enquanto as dúvidas sobre a qualidade da inteligência dos EUA só aumentam dia a dia.

O incidente em Ghouta, subúrbio de Damasco ocorreu há mais de duas semanas, e até agora não há qualquer prova consistente que prove alguma culpa de Assad e suas forças. Todos os detalhes são considerados sigilosos, só comunicados a membros dos Congressos, conhecidos e reconhecidos pela incapacidade para avaliar adequadamente esse tipo de acusação.

E, ao mesmo tempo em que o governo dos EUA é rápido ao inculpar Assar, não dá qualquer sinal de considerar outras provas – que apontam na direção oposta, e parecem já ter comprovado suficientemente que os ‘rebeldes’ usaram o gás sarin no ataque do dia 21/8. (...)

Falta, em todos os casos, que o governo Obama enfrente a questão de esclarecer como os “rebeldes” obtiveram aquele gás sarin. Até os documentos oficiais do governo Obama fogem dessa questão: “Avaliamos que o cenário no qual a oposição teria executado o ataque de 21/8 é altamente improvável” – diz um dos documentos oficiais. “Nossas fontes de inteligência na área de Damasco não detectaram nenhum sinal antes do ataque de que grupos de oposição planejassem usar armas químicas”.

Ora! Por que as agências de inteligência dos EUA empregariam esse fraseado, investindo na “baixa probabilidade” de um ataque dos “rebeldes”, se pudessem afirmar, com razoável certeza, que os “rebeldes” não tinham acesso a armas químicas, e ponto final? O profundo envolvimento da inteligência saudita na Síria, isso sim, torna altíssima a probabilidade de que os “rebeldes”, sim, tivessem acesso àquelas armas ilegais.

Mas, ao mesmo tempo, esse profundo envolvimento dos sauditas torna também ainda mais difícil desmontar a operação de Bandar. A verdade é que Obama praticamente não tem elementos que possa usar contra Bandar, além de repetir que uma intervenção militar dos EUA na Síria pode facilmente escapar a qualquer controle, levando à interrupção no fornecimento de petróleo e a uma crise financeira global. Mas, dados os vastos portfólios dos reis sauditas, sabe-se que podem suportar pesadas perdas, como já se viu acontecer no colapso de Wall Street em 2008.

Colapso de Wall Street em 2008 - Crise Financeira Internacional
Nesse sentido, tudo sugere que o que Obama criou, no seu “cronograma” para bombardear a Síria, foi uma espécie de “máquina do Apocalipse”, algo que pode gerar grave instabilidade econômica e geopolítica no mundo, se não for desarmada a tempo. E, se o Congresso autorizar o ataque e ligar a “máquina”, o momento “apocalipse” pode acontecer já nas próximas semanas.

Ou, alternativamente, o temor desse “apocalipse” conseguirá persuadir os sauditas e Bandar de que seus interesses econômicos mais amplos superam o furor sectário e a ânsia de causar sempre maior sofrimento ao Irã e seus aliados na Síria.




Robert Parry é um jornalista investigativo americano. Recebeu Prêmio George Polk de Reportagem Nacional em 1984 por seu trabalho na Associated Press sobre o caso Irã-Contras quando descobriu envolvimento de Oliver North. Trabalhou como correspondente em Washington para a Newsweek. Em 1995 fundou o ConsorctiumNews, um espaço de noticiário liberal online dedicado ao jornalismo investigativo. De 2000 a 2004, trabalhou para agência Bloomberg. Parry escreveu vários livros, incluindo Lost History: Contras, Cocaine, the Press & “Project Truth” (1999) e Secrecy & Privilege: Rise of the Bush Dynasty from Watergate to Iraq (2004).