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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Marine Le Pen “legitimada”

20/1/2015, Joseph Kishore e Alex LantierWorld Socialist Website
Traduzido por mberublue


A lição básica das experiências dos anos 1930s, é que a luta contra o fascismo deve ser travada e sempre será travada como guerra contra o sistema capitalista e suas representações políticas.


Marine Le Pen - The New York Times
A campanha internacional para “legitimar” os políticos fascistóides da Frente Nacional (FN) francesa alcançou um novo estágio nesta segunda-feira (19/1/2015) com a publicação no jornal The New York Times de um artigo assinado pela líder do partido, Marine Le Pen, sobre o tiroteio na sede do jornal satírico Charlie Hebdo. [1]

Ao franquear suas portas para Le Pen, o jornal, degradado pilar do liberalismo americano, sinaliza que significativas partes da classe dominante americana consideram que as ideias da líder fascista são parte fundamental do debate público sobre assunto. O The Times ainda tomou a medida de incluir uma tradução simultânea em francês, assegurando-se de que a coluna receba a maior divulgação possível também na França.

Le Pen está sendo promovida, como parte de um esforço comum empreendido pela elite da classe dominante, no desenvolvimento de uma corrida anti-islâmica para confrontar ao mesmo tempo a oposição anti-imperialista no Oriente Médio e os distúrbios sociais em casa. As charges anti-islâmicas do Charlie Hebdo foram proclamadas pomposamente como símbolos da democracia, e neste instante Le Pen representa nada menos que alguém para “salvar a pátria”.

Os argumentos chauvinistas de Le Pen no The Times (sob a manchete “Chamar essa ameaça de ameaça”) foram claramente inspirados no arsenal ideológico dos EUA em sua “Guerra ao Terror”. A França, “terra dos direitos humanos e da liberdade, foi atacada em seu próprio solo por uma ideologia totalitária: o fundamentalismo islâmico” – escreveu ela.

Não à Mesquita - Front National
Em seguida, Le Pen clama pelo desmantelamento efetivo das liberdades e dos direitos humanos na França, a fim de mover uma guerra contra os mais de cinco milhões de muçulmanos que fazem parte do povo francês, propondo nada menos que “uma política restritiva à imigração”, novas medidas para retirar deste povo a cidadania, e uma luta contra o “comunitarismo e estilos de vida que estariam em desacordo” com as tradições francesas.

Enquanto providencia uma plataforma política para Marine Le Pen, o The Times não se preocupa minimamente em informar a seus leitores o pedigree político da francesa. A Frente Nacional foi formada em 1972 por antigos apoiadores do regime colaboracionista de Vichy, que efetivamente apoiou os nazistas na Segunda Guerra Mundial, e por defensores do brutal domínio francês na Argélia.

A Frente Nacional é conhecida por seu ativo racismo antimuçulmano e antissemita, seu nacionalismo virulento e seus ataques, por capangas violentos, a oponentes políticos. Como justificativa para a decisão de publicar a coluna de Le Pen, os editores do The Timesargumentam que, gostando-se dela ou não, Le Pen não pode ser ignorada. Os defensores do jornal provavelmente argumentarão, que, dada a Le Pen uma plataforma, ela na realidade estará se expondo.

Não passa de rematado absurdo.

A verdade é que Le Pen está sendo deliberadamente “legitimada” pelo The Times, assim como foi “legitimada” também pelo presidente francês, François Hollande, que, ao convidar Le Pen para o palácio Eliseu, logo após o tiroteio fatídico no jornal satírico Charlie Hebdo, deu a ela e à Frente Nacional uma estatura política que, antes, nunca haviam tido.


A promoção de Le Pen faz parte de um notável crescimento, no plano internacional, de organizações de caráter fascista e de extrema direita. No último ano, os EUA e a Alemanha trabalharam em conjunto com os partidos [de fascistas ucranianos] Setor Direita (Pravy Sektor e Svoboda) – organizações que celebram como heróis os nazistas ucranianos que colaboraram com os nazistas alemães durante a Segunda Guerra Mundial – para derrubar o governo eleito e pró-Rússia de Viktor Yanukovich. A movimentação foi apresentada, em termos políticos, como se fossem esforços em direção à democracia.

Jörg Baberowski
Na Alemanha, a classe dominante está em movimentação para livrar o país de todas e quaisquer restrições impostas ao militarismo germânico logo após o final da Segunda Guerra Mundial, e trabalha ainda para minimizar e justificar os crimes cometidos no passado. Jorg Baberowski, um dos principais historiadores da Universidade Humboldt de Berlim recentemente argumentou que “Hitler não era cruel”; e que sairia ganhando, se se comparassem suas ações e as de Stalin ou outros líderes soviéticas.

A Chanceler Angela Merkel referiu-se em um discurso recente, à necessidade de que os cristãos “fortaleçam sua identidade” e “falem sempre com mais confiança sobre seus valores cristãos” – um indisfarçado encorajamento dos sentimentos antimuçulmanos, calculado para reforçar ainda mais e também para “legitimar” a agitação racista do movimento PEGIDA, de extrema direita, na Alemanha.

Parece que as vozes dos nazistas devam ser consideradas, ao mesmo tempo em que aumenta o prestígio e a influência da aristocracia corporativa financeira. Ao mesmo tempo em que veio à luz a coluna de Le Pen no New York Times, Le Pen destacou-se também em fulgurante entrevista ao Wall Street Journal. Coerente com os cálculos da classe dominante o jornal esclareceu que

(...) se há algum tempo a senhora Le Pen não passava de uma espécie de aberração política, hoje ganhou proeminência na medida em que os problemas da França – uma economia moribunda e uma população muçulmana não assimilável – tornaram-se mais e mais agudos e aparentemente sem solução possível nas mãos da classe política tradicional.

Neste ponto, o jornal se refere ao fato de que, devido à demorada crise econômica, o establishment político está profundamente desacreditado na França, tanto interna como internacionalmente. No esforço para criar apoio ao seu domínio, a elite financeira está buscando apoio na pequena burguesia, da qual busca mobilizar algumas porções dessa classe baseada em extremado nacionalismo.

Ao mesmo tempo, as forças de extrema direita estão explorando as condições de colapso da “esquerda” apresentando-se como a principal força de oposição.

Hitler é eleito Chanceler da Alemanha em 1933
A lógica dos desenvolvimentos segue caminho previamente traçado. As políticas contemporâneas parecem assumir cada vez mais as características dos anos 1930s, quando as elites dominantes na Europa se voltaram para os partidos fascistas, na tentativa de defender seu domínio. Hoje, a promoção e pseudo-legitimação de pessoas como Marine Le Pen fazem parte de um esforço mais amplo, que busca usar o racismo antimuçulmano como apoio para operações imperialistas no exterior e desculpa para o ataque aos direitos democráticos em casa. As classes dominantes na França, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e outros poderes imperialistas estão conspirando e iniciando novas guerras no Oriente Médio e no Norte da África.

Quem “salvará” as elites europeias?

Internamente, a classe dominante a cada dia mais se preocupa com o crescimento de oposição social na classe trabalhadora. Nesta semana, na reunião de bilionários no fórum econômico mundial de Davos, um relatório mostrou que em 2016 os 1% mais ricos da população mundial deterão mais riqueza que todos os demais 99% restantes. Os 80 indivíduos mais ricos terão mais riqueza que a metade mais pobre da população do planeta Terra (cerca de 3,5 bilhões de pessoas – 3.500.000.000 de pessoas). Estas condições são insustentáveis. A oposição das massas é inevitável.

Juntamente com uma campanha asquerosa contra a população imigrante, a classe dominante está apoiando e pseudo-legitimando movimentos fascistas e chauvinistas, para direcioná-los contra as classes trabalhadoras como um todo.

A lição básica das experiências dos anos 1930s, é que a luta contra o fascismo deve ser travada e será travada como guerra contra o sistema capitalista e suas representações políticas.


Nota dos revisores

[1] A Folha de S.Paulo, cujo jornalismo-de-fascistização-do-Brasil, hoje, é a vergonha de várias gerações de jornalistas em todo o mundo, publicou, uma “entrevista por e-mail” com Marine Le Pen, DEZ DIAS ANTES DE O NYT dar voz àquela pervertida, em que ela diz precisamente as mesmas barbaridades fascistas que, quase duas semanas depois, o NYT e o WST consagrariam para o mundo.
SANTO DEUS! Em matéria de fascismo ativo, a FSP dá de dez no NYT! [Nota dos revisores]

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Pepe Escobar: Brilham os hipócritas na passarela parisiense

12/1/2015, [*] Pepe EscobarSputnikNews
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O desfile da hipocrisia
PEQUIM – Que inigualável desfile de hipocrisia política. A visão do general Hollande, Conquistador do Mali; David “das Arábias” Cameron; Angela “Morram, ucranianos do leste!” Merkel; Ahmed “Assad tem de sair” Davutoglu; até o rei Sarkô Primeiro, Libertador da Líbia, para nem falar de Bibi “Solução Final contra o Islã” Netanyahu – todos em marcha pela “liberdade”, pelo “direito à livre expressão” e pela “civilização” contra “o barbarismo” pelas ruas de Paris, faria gemer de vergonha e de desgosto qualquer representante da tradição intelectual ocidental, de Diógenes a Voltaire e de Nietzsche a Karl Kraus.

Observado da Ásia, o “congresso” mundial de políticos pareceu ainda mais grotesco. E não surpreende que já circule viralizada, por todo o sudeste da Ásia, lar das redes sociais árabes, a imagem da “marcha pela unidade” em Paris, reunida, como numa colagem, com uma imagem de Hitler e seus nazistas desfilando também por lá, com a Torre Eiffel ao fundo. [1] Aí está, em resumo, todo o debate sobre a “liberdade de expressão”. Será que algum dia aquela imagem-colagem encontrará livre acesso à primeira página de algum noticioso da imprensa-empresa ocidental, satírico ou não satírico?

Um dos maiores truques que as elites governantes da civilização ocidental conseguiram urdir é o mito da “livre manifestação do pensamento” – só comparável ao mito do “livre” mercado. “Livres” são, mas só na medida em que o autorizem os Masters of the Universe. Qualquer manifestação de pensamento que ataque os objetivos atlanticistas – geopolíticos ou econômicos; que exponha seus padrões duplos, até triplos; ou que exponha detalhes realmente decisivos – de crimes financeiros, a crimes de guerra; e, crucial: que exponha detalhes do terrorismo patrocinado pelo ocidente – é cruel, impiedosamente silenciada.

Assim sendo, caluniar, demonizar todo o Islã, e 1,6 bilhão de muçulmanos, em massa, é aceitável ou, pelo menos, é tolerado. Mas denunciar o sionismo... é “antissemitismo”. Que “liberdade de imprensa”?! A rede Press TV do Irã é proibida em todos os domínios atlanticistas! RT é agredida rotineiramente, como porta-voz de uma ditadura-do-mal. Alguém algum dia verá os tais “líderes” desfilando no Donbass ou em Damasco, em defesa da “liberdade de imprensa”?! Esqueçam.

São os “nossos OTAN-felásdaputa”

É bem provável que a cereja no bolo letal tenha sido o “apoio” que a Casa de Saud ofereceu à França (Arábia Saudita que acaba de aplicar as primeiras 50 chibatadas públicas, das mil a que foi condenado o blogueiro - está preso - Raif Badawi). Seu crime? Badawi mantinha um blog liberal, no qual defendia a tal, ah, tão preciosa, “liberdade de manifestação do pensamento”... só que na Arábia Saudita.

Raif Badawi - PRESO por "insulto ao Islã através de canais eletrônicos"
Oh – choram em uníssono as hordas ilustradas – mas eles-lá são “reino conservador”! São, isso sim, um dos aliados estratégicos mais crucialmente importantes do ocidente – tanto por causa daquele petróleo todo, como porque são mercado fabuloso para “nossas” ferramentas-armas de guerra. São “nossos” felásdaputa. Ah, sim, sim, podem fazer o que bem entendam, tudo.

A diferença é que agora os Masters of the Universe já não conseguem engambelar tão facilmente a grande maioria do Sul Global, que já compreende que, bem examinadas as coisas, praticamente não há nenhuma diferença realmente significativa entre a Casa de Saud e a nuvem de declinações da sempre mesma al-Qaeda, e o Estado Islâmico/ ISIL/ ISIS/ Daesh – o falso Califado atualmente dono do “Siriaque”.

A raiz de todo o inferno jihadista é, fundamentalmente, o wahabbismo medieval – e aquela sua interpretação primitiva e intolerante do Islã. Mas esse fenômeno não pode nem começar a ser discutido pela grande imprensa-empresa ocidental. Nesse setor, nada de “liberdade de manifestação do pensamento”. A Casa de Saud e sortimento variado de plutocratas do Golfo Persa são os “nossos” felásdaputa. Pois se até estão ajudando a coalizão comandada pelo Império do Caos a combater o ISIL!

Até intelectuais franceses que já disseram coisa-com-coisa sobre o jihadismo, como Olivier Roy, estão aí, agora, a perguntar-se pela “conexão entre Islã e violência”. A pergunta está errada: não se trata de Islã; trata-se de proselitismo/ ideologia religioso/a exportado pelos sauditas.

Internamente, a sociedade francesa não está “ameaçada” por presença muçulmana, coisa nenhuma: está ameaçada, isso sim, pela sua própria islamofobia exacerbada.

Place de la Republique em 11/1/2015
O problema é que a França não sabe como integrar grande parte de sua população muçulmana, o que o sociólogo Farhad Khosrokhavar descreve como “terroristas à moda da casa” [orig. “terroristes maison”]. Esses terroristas made in France começam com pequenos furtos, são des-islamizados e, na sequência, re-islamizados por imãs de quarteirão e, sobretudo, pela devastação que a OTAN e o Império do Caos semearam em todas as terras do Islã.

A OTAN, de que a França faz parte, fez de tudo: de bombardear civis (na Líbia), até financiar/ armar “apoiando” os chamados “rebeldes moderados” na Síria. E não fez muito melhor, tampouco, no front da liberdade de manifestação do pensamento. Segundo o tribunal de Bruxelas, pelo menos 404 jornalistas foram assassinados desde a invasão-ocupação do Iraque, pelos EUA, em 2003; 374 deles eram iraquianos. Não se pode dizer que tenham sido exatamente homenageados pela gangue atlanticista amante da liberdade. Nem receberam qualquer homenagem, os mais de 1 milhão de civis iraquianos mortos, dizimados pelo Império do Caos, ao longo de 30 anos de fúria imperial assassina. E ainda sem falar dos mais de 200 mil sírios, vítimas da guerra “Assad tem de sair”.

Onde está nossa “Lei Patriótica” à Bush?

No front do contraterrorismo, o circo post-Charlie será como maná que nunca para de chover dos céus – total “guerra ao terô”, como dizia Bush. Todos os supostos terroristas estão convenientemente mortos – e há zero-chances de algum dia conhecermos a verdadeira história. Pode ter sido a Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA); pode ter sido divisão de funções entre AQAP e Estado Islâmico/ ISILISISDaesh; poder ter sido algum comando jihadista que atuou “com muito profissionalismo”, exceto quando, como o Ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve reconheceu, houve “um erro fatal” – que gentileza! – e deixaram um documento de identidade no Citroen preparado para a fuga.

Mapa luminoso da #charliehebdo em 9/1/2015
O Ministério do Medo já distribuiu alerta mundial sobre a “continuada ameaça de ações terroristas e violência contra cidadãos e interesses dos EUA em todo o mundo”. Haverá uma conferência “de segurança” na Casa Branca dia 18 /2/2015 – agora que o ministro do Interior da França já disse que a Europa precisa “trocar informações” sobre gente que está retornando do “Siriaque”.

Não ocorre a nenhum “especialista” que, para início de conversa, foi o “ocidente” quem criou o quintal para “essa gente” desenvolver seus talentos jihadistas.

Rei Sarkô Primeiro, claro, está em atividade frenética. Já inventou sua “guerra de civilizações” que, essencialmente, é a “guerra ao terô”, de Bush, com toque à francesa, pavimentando o caminho para uma “Lei Patriótica” francesa. Mas o verdadeiro jogo nada tem a ver com “democracia”, ou “liberdade de imprensa” ou “liberdade de manifestação do pensamento”, para nem falar de “guerra de civilizações”.

Como qualquer adivinharia, a única resposta ocidental é multiplicar os tentáculos da hidra orwelliana de vigilância/ segurança – que levará a beco absolutamente sem saída, porque o “ocidente” se recusa a enfrentar as verdadeiras causas do jihadismo. A seguir: uma Guantánamo made in France, sob o alto patrocínio de Dior. Graças a Deus, temos tantos políticos brilhantes, que nos protegerão.

Nota dos tradutores
[1] PARIS OCUPADA! – De Pepe Escobar, pelo Facebook, 3h20', 12/1/2015: Imagem que já é viral, no Oriente Médio a seguir: 



[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Sputinik, Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
Adquira seu novo livro, Empire of Chaos, que acaba de ser publicado pela Nimble Books. 

Império do Caos

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

EUA declararam guerra à democracia

Puro fascismo!

26/2/2014, [*] Kevin Barrett, Press TV, Irã
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Thomas Woodrow Wilson  (1856 - 1924) 
Desde os dias do presidente Woodrow Wilson – quer dizer, por quase 100 anos – os EUA têm estado empenhados numa cruzada à sua própria moda, para “tornar o mundo seguro para a democracia”.

Guerras colossais, quentes e frias, combatidas contra kaisers e fuhrers alemães, contra comunistas russos e contra nacionalistas no Terceiro Mundo. E em todos os casos o povo norte-americano ouviu que estariam “defendendo a democracia”.

Os norte-americanos massacraram 3,5 milhões de vietnamitas, e quase mais outro milhão de cambojanos, para “defender a democracia” no sudeste da Ásia.

Assassinaram milhões de iraquianos com guerras e sanções para “defender a democracia” no Oriente Médio.

André Vltchek
Segundo Andre Vltchek e Noam Chomsky em seu livro On Western Terrorism, [1] o governo dos EUA já assassinou algo entre 55 e 60 milhões de pessoas desde o fim da IIª Guerra Mundial, em guerras e intervenções por todo o mundo. Se se acredita no que dizem os propagandistas do império, esse holocausto promovido pelos norte-americanos teria sido grande defesa da democracia.

Mas o que se vê hoje, às vésperas da a Iª Guerra Mundial completar o 100º aniversário, é que os EUA já embarcaram em nova cruzada – dessa vez para tornar o mundo ainda mais INSEGURO para a democracia.

Na Ucrânia, na Venezuela e na Tailândia, os EUA estão gastando bilhões de dólares para derrubar – inconstitucionalissimamente – governos democraticamente eleitos. 

Na Palestina, os EUA estão tentando derrubar o governo democraticamente eleito do Hamás desde o dia em que chegou ao poder. 

No Egito, os EUA – por pressão dos sionistas – derrubou recentemente o único governo jamais eleito democraticamente no país, em 5 mil anos de história documentada. 

Noam Chomsky
Na Síria, os EUA insistem que o povo sírio não teve a oportunidade e os meios democráticos para reeleger democraticamente Assad, e não importa quantos observadores internacionais estejam presentes para comprovar que as eleições são livres e limpas. 

E na Turquia, os EUA só fazem minar o governo democraticamente eleito do primeiro-ministro Erdogan, favorecendo Fethullah Gulen – o fantoche que a CIA quer “eleger” lá.

Considerando o longo prazo, os EUA trabalham incansavelmente para destruir a democracia no Irã, na Rússia e na América Latina.

Por que, diabos, o governo dos EUA odeia a democracia?

Porque os banqueiros internacionais que são proprietários do governo dos EUA e comandam o império norte-americano nem sempre podem comprar votos em quantidade suficiente para impor o desejo deles a um país inteiro. Assim sendo, a democracia é ótima – desde que os eleitores elejam o candidato da Nova Ordem Mundial. Mas se acontece de os eleitores votarem em candidato que não convém aos oligarcas... Preparem-se, que aí vem golpe!

Os banqueiros derrubarão qualquer governo que se oponha a eles – mesmo nos EUA. O “término com detrimento extremo” [orig. termination with extreme prejudice] da presidência de John F. Kennedy foi mensagem clara enviada a todos os futuros presidentes dos EUA.  

Mayer Rothschild
Mayer Rothschild disse, em frase que ganhou fama, que “Deem-me o controle sobre o dinheiro do país e pouco me importa quem escreva as leis”. Exagero, é claro. Os banqueiros da Nova Ordem Mundial gastam muito dinheiro para derrubar governos democraticamente eleitos por todo o mundo, precisamente porque eles se importam, sim, E MUITO, com quem escreva e faça cumprir a lei.

Agora, os banqueiros da Nova Ordem Mundial estão destruindo a Ucrânia em movimento geoestratégico contra a Rússia, onde Putin impôs rédea curta aos oligarcas russo-sionistas e meteu uma pedra no caminho do projeto de governança mundial dos banqueiros. Sim, o presidente Yanukovich da Ucrânia venceu eleições livres e justas. Mas a democracia nada significa para os faraós psicóticos da grande finança e seus pistoleiros neoconservadores alugados.

Os banqueiros (e os governos ocidentais que eles controlam) estão também tentando derrubar o presidente Nicolas Maduro da Venezuela, que chegou ao poder, pelas urnas, depois que a CIA assassinou o presidente Hugo Chávez. O presidente Maduro superou todos os esforços que os banqueiros empreenderam para derrotá-lo nas eleições do ano passada; agora, é o presidente democraticamente eleito da Venezuela. Nada disso impediu os banqueiros de tentarem derrubá-lo com um golpe pseudo populista.

Hugo Chávez
Na Tailândia, os banqueiros e seus cleptocratas locais estão tentando derrubar o governo democraticamente eleito da primeira-ministra Shinawatra. Aparentemente, os esforços de Shinawatra para garantir educação e assistência à saúde públicas aos cidadãos, e infraestrutura, e um salário mínimo, ofendeu os oligarcas.

Na Ucrânia, na Venezuela, na Tailândia, como antes na Síria e no Egito, os banqueiros está acrescentando violência ao seu joguinho de “revoluções coloridas”, o plano que conceberam para destruir a democracia. Parece incoerente, porque o intelectual-pau-mandado da Nova Ordem Mundial, Gene Sharp, chamado “o Maquiavel da não violência”, pregava que as “revoluções coloridas” originais sempre seriam levantes pacíficos e democráticos.

George Soros
Mas as chamadas “revoluções coloridas” inventadas por Sharp, a começar pela Revolução Rosa, na Geórgia, em 2003 e pela Revolução Laranja, na Ucrânia, em 2004, jamais foram genuínas revoluções do povo. Foram tentativas de golpe, orquestradas pelos banqueiros, e desde o primeiro momento. George Soros cuidaria de encaminhar o dinheiro dos Rothschild para o bolso de apparatchiks sedentos de poder, que inundariam seus países-alvos com propaganda e alugariam paus-mandados para vestirem camisetas de uma ou outra cor, posarem para as imagens de jornais e televisões e fazerem-se, eles mesmos, de “o espetáculo”, na esperança de, assim, seduzir jovens tolos (ou arrogantes) ou ingênuos para que se unam à “revolução” – cujo objetivo real é sempre instalar no poder um fantoche da Nova Ordem Mundial.

Mas agora, até a falsidade da não violência já desapareceu. A máscara risonha de Mickey Mouse da Nova Ordem Mundial caiu, revelando a bocarra sedenta de sangue dos banqueiros satânicos, empenhados em impor ao mundo uma só grande ditadura orwelliana.

Na Síria, o “levante pacífico” de março de 2011 tornou-se pretexto para mandar para lá bandidos e terroristas pesadamente armados, com a missão de desestabilizar o país. No Egito, o “levante” gerado pelos banqueiros no verão passada virou desculpa fabricada para um violento golpe de Estado. Na Tailândia, Venezuela e Ucrânia, os banqueiros pagam torcidas organizadas para encenar protestos violentos, destruir propriedade pública, combater contra a polícia e incitar cada vez mais violência – na expectativa de, assim, conseguir derrubar governos democraticamente eleitos.

Isso é puro fascismo.

O fascismo é falsamente “das massas”. Sempre há fascistas fantasiados de “revolucionários”, pagos para usar uniformes de uma ou outra cor, marchar em passo-de-ganso pelas praças, derrubar governos democraticamente eleitos... e pôr no poder uma ditadura velada dos mais ricos, na qual se misturam o poder das empresas e o poder do estado/governo.

Mussolini e Hitler desfilam em Berlim (1937)
Foi o que fez Mussolini em 1922. Foi o que fez Hitler em 1933. E é o que os neoliberais neoconservadores e seus patrocinadores banqueiros estão fazendo hoje... por todo o mundo. O incêndio do Reichstag de 11/9, que pôs a única superpotência na direção do total fascismo, foi o tiro que desencadeou a avalanche.

Objetivo da jogatina: uma ditadura fascista global, que faria o IIIº Reich parecer piquenique no parque.

Só há um meio para derrotar esses monstros. Todas as grandes fortunas, a começar pelos tesouros de trilhões de dólares das hordas de Rothschilds e amigos, têm de ser confiscadas e devolvidas aos cofres públicos. Todos os grandes bancos têm de ser estatizados e suas operações terão de ser tornadas absoluta e completamente transparentes. Todas as maiores empresas, a começar pelas empresas proprietárias dos veículos da chamada “grande” imprensa têm de ser estatizadas, em seguida partidas em várias pequenas empresas regidas por legislação antitruste.

Essa revolução – para derrubar a oligarquia global – é a única revolução que realmente importa.



Nota dos Tradutores
[1] CHOMSKY, Noam; VLTCHEK, André. On Western Terrorism, Londres: Pluto Press, 2013, 208 p.
___________________________

[*] Dr. Kevin Barrett, é Ph.D., arabista-islamologista e um dos principais críticos norte-americanos da Guerra ao Terror. Comentou muitas vezes na FoxNews, CNN, PBS e outros canais de mídia eletrônica; publicou artigos de opinião no New York Times, no Christian Science Monitor, no Chicago Tribune e em outras publicações líderes. Lecionou em faculdades e universidades em San Francisco, Paris e Wisconsin, onde ele concorreu para o Congresso em 2008. É co-fundador da Muslim-Christian-Jewish Alliance, e autor dos livros Truth Jihad: My Epic Struggle Against the 9/11 Big Lie (2007) e Questioning the War on Terror: A Primer for Obama Voters (2009). Seu site é www.truthjihad.com

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A oligarquia internacional deseja a depressão e o caos político

[*] Adriano Benayon − 12.02.2014

Credores da Dívida Interna do Brasil - 11/2013 (não auditada)

É hora de abrir o olho. Estamos no Brasil e no Mundo em situação especialmente perigosa, de que há copiosas manifestações, cujas causas são sistematicamente ocultadas, pois os que estão por trás delas, querem operar despercebidos.


2. As potências hegemônicas, suas associadas e satélites seguem em depressão econômica, com aspectos mais perversos que os da iniciada em 1930 e que só terminou, em 1943, nos EUA - com a mobilização de dezenas de milhões de combatentes na Segunda Guerra Mundial, mais os vultosos investimentos para produzir armas. Na Europa e na Ásia, a depressão foi substituída pela devastação.

3. A terrível Guerra de 1939 a 1945 não foi desencadeada para acabar com a depressão, pois sempre os móveis são obter mais poder, arruinar potências vistas como rivais e desviar o foco dos reais problemas sociais e econômicos.

4. Agora, desde a contra-revolução liberal dos anos 80, a financeirização e a concentração do poder econômico e da renda deram grandes saltos, enquanto decai o patrimônio e a renda real, no caso da grande maioria dos que trabalham e no da crescente massa dos desempregados.

5. Essa iniquidade jamais poderia ser tolerada sob sistemas democráticos. Assim, quase nada resta do pouco de democracia, antes presente nos sistemas políticos representativos, hoje mera embalagem, com rótulo falso, de um sistema tirânico, que investe massivamente em contracultura, desinformação e alienação, há mais de século.

6. Assim, institucionalizou-se a mentira, e a verdade é reprimida através de instrumentos totalitários, radicalizados desde os ataques 11/09/2001.

7. O terrorismo de Estado dirige-se contra os cidadãos e é usado para marquetar, como justas, agressões militares genocidas contra países alvos da geopolítica da oligarquia angloamericana: Afeganistão, Iraque, Somália e Líbia.


8. Além disso, EUA, Reino Unido, Israel e satélites têm intervindo em numerosos países com golpes e pretensas revoluções suscitadas por serviços secretos, mercenários e organizações terroristas. Síria e Ucrânia são alvos preferenciais dessas agressões, sem falar nas permanentes pressões e falsas acusações contra o Irã.

9. O prelúdio da Segunda Guerra Mundial, nos anos 30, também apresentou invasões e conflitos localizados, e a ascensão de regimes fascistas (Itália, Alemanha e Japão), além de na Espanha, após sangrenta guerra civil, de 1936 a 1939, com participação de forças militares estrangeiras.

10. No presente, a depressão econômica prossegue, bem como suas trágicas consequências sociais. A oligarquia financeira está cada vez mais concentrada e tem cada vez mais poder sobre os governos – à exceção dos demonizados, por não se submeterem − pela mídia e pelas demais instituições formadoras de opinião.

11. A oligarquia não deseja acabar com a depressão − tarefa fácil, se fosse decidida – e visa concentrar mais poder e tornar irreversível o controle totalitário sobre o Planeta, seus recursos e habitantes. Isso envolve desumanizar os seres humanos, inclusive acabando com as sociedades nacionais.

12. As soluções para recuperar a economia podem ser entendidas por qualquer pessoa sensata, não bitolada por lugares comuns disseminados pelos economistas mais renomados (justamente por agradarem a oligarquia).

13. A depressão dos anos 30, explodiu com violência, notadamente na Alemanha, exaurida pelas reparações da Iª Guerra Mundial. Ali o desemprego atingiu 6 milhões em março de 1932.

14. Economistas competentes, como Lautenbach, alto funcionário do ministério da economia, mostraram o caminho correto, apoiado pela federação das indústrias, semelhante ao plano de Woytinski, sustentado por sindicatos de trabalhadores.

Wilhelm Lautenbach
15. Em 1931, Lautenbach apresentou o memorandum “Possibilidades para reviver a atividade econômica, através do investimento e da expansão do crédito”. Afirmou:

O curso para superar a emergência econômica e financeira não é limitar a atividade econômica, mas aumentá-la, porque o mercado não mais funciona nas condições de depressão e crise monetária mundial.

Neste momento, temos situação paradoxal, na qual, apesar dos cortes extraordinários na produção, a procura ainda está defasada em relação à oferta. Assim, temos excedentes crônicos da produção, com os quais não sabemos lidar. Encontrar algum modo de transformar esses excedentes em valor real é o problema real e o mais urgente da política econômica.

Excedentes de bens físicos, capacidade não-utilizada dos equipamentos produtivos e força de trabalho não-aproveitada podem ser aplicados para satisfazer uma nova necessidade, a qual, do ponto de vista econômico, representa investimento de capital.

Podemos conceber tarefas como obras públicas, ou obras realizadas com apoio público − que para a economia significariam aumento da riqueza nacional − e que teriam de ser feitas de qualquer modo, quando se voltasse a ter condições normais (construção de estradas, expansão do sistema ferroviário, melhoramentos na infra-estrutura, etc.).

Com tal política de crédito e investimentos, será remediado o desequilíbrio entre a oferta e a procura no mercado interno, e toda a produção terá ganhado direção e objetivo. Se, todavia, deixarmos de instituir tal política, estaremos encaminhados para inevitável e continuado colapso e para a completa destruição da economia nacional, levando-nos a uma situação que nos forçará, para evitar uma catástrofe, a assumir dívidas de curto prazo meramente para fins de consumo; enquanto que hoje, está ainda em nosso poder obter esse crédito para fins produtivos e, assim, recolocar em equilíbrio tanto a economia como as finanças públicas.

W. Woytinsky
16. Woytinski recomendou explorar oportunidades de complementar as iniciativas das empresas privadas com a criação de empregos, através de investimentos públicos. Propôs, ainda, a liberação de fundos, via políticas de expansão monetária para a reconstrução da Europa.

17. Em janeiro de 1932 foi apresentado o plano de criação de empregos WTB (Woytinski, Tarnow e Baade) para criar 1 milhão de novos empregos, com investimentos financiados por créditos de longo prazo, a juros baixos, pela Reichskredit AG, descontáveis no Reichsbank.

18. A Confederação Geral dos Trabalhadores Alemães aprovou esse plano, recusado, entretanto, conforme o parecer dos “peritos economistas” Hilferding, Naphtali e Bauer, pelo Partido Social-Democrata.

19. Schäffer, secretário de Estado do ministério das Finanças, apoiou o plano de Lautenbach. Moção similar partiu de Wagemann, chefe do Escritório Nacional de Estatísticas que, em janeiro de 1932, publicou seu plano que incluía emitir 3 bilhões de reichsmarks para criar empregos. 

20. Nada disso foi adiante, pois não interessava à oligarquia angloamericana. Esta armava a subida de Hitler ao poder, mesmo tendo os nazistas perdido 2 milhões de votos nas eleições de 6/11/1932.

21. Após essas eleições, o presidente, marechal Hindenburg, nomeou chanceler o chefe do Estado-Maior, general von Schleicher, que propunha pôr em execução as políticas recomendadas por Lautenbach, Woytinski e Schäffer, e apoiadas por entidades de classe patronais e dos trabalhadores.

22. A oligarquia financeira tratou de evitar que von Schleicher sequer as iniciasse, minando-lhe a sustentação política, enquanto conspirava na chantagem junto ao marechal-presidente para nomear Hitler, consumada em 30.01.1933.

23. O objetivo era a Segunda Guerra Mundial, pois Hitler anunciara no “Mein Kampf” seu desígnio de atacar a União Soviética. Finalidade: empregos e recuperação econômica só mediante a mobilização para a guerra, que destruiria mutuamente Alemanha e Rússia.

IIa. Guerra Mundial
24. Hoje, o Estado é enfraquecido como agente de desenvolvimento econômico e social. Ele serve, nos países-sede da oligarquia, para erguer enormes arsenais de armas destrutivas e hipertrofiar órgãos de repressão, serviços secretos e meios tecnológicos de desinformar.

25. Nos países periféricos, como o Brasil, o Estado, empobrecido pelo serviço da dívida e pelas privatizações, funciona para arrecadar recursos para a dívida e subsidiar empresas transnacionais.

26. Com a política econômica dominada pela oligarquia financeira, a concentração não cessa de crescer. No trabalho TheNetwork of Global Corporate Control, publicado em 2011, os matemáticos suíços, Vitali, Glattfelder e Battiston, demonstraram a interligação das corporações econômicas e financeiras por laços diretos e indiretos de propriedade.

27. Com dados sobre 43.000 transnacionais (ETNs), chegaram a 1.300 maiores companhias com fortes elos entre si, núcleo refinado para um de só 737 companhias, que controlam 80% das 43.000. Mais elaboração permitiu chegar a 147, detentoras da propriedade quase total sobre si mesmas, mais 40% das 43.000.

28. As 147 são basicamente controladas por somente 50, das quais 48 são financeiras. Apenas duas envolvem-se diretamente com a economia real (Walmart e China Petrochemical Group).

Susan George
29. Susan George, do Transnational Institute, Amsterdam, conclui:

Nossos problemas originam-se do 0,1%, na verdade do 0,001%.

Mas essa fração não retrata a dimensão infinitesimal, em relação à população da Terra, da minoria que concentra o poder econômico, financeiro e político.

30. De fato, existe hierarquia entre os donos das companhias mais poderosas, e, entre esses, muito poucos exercem comando sobre bancos centrais, instituições financeiras multilaterais e mercados financeiros.

31. George aponta as interligações entre a finança e as corporações de petróleo e gás, e seus vínculos com a indústria automotiva, gastadora de combustíveis fósseis.

32. O poder dos concentradores financeiros manifesta-se, inclusive, pelo fato de o 1% do topo pagar percentual de tributos inferior ao de qualquer época desde os anos 20, apesar da enorme elevação de seus ganhos e de seu patrimônio nos últimos 35 anos.

33. Mais: dezenas de trilhões de dólares/euros das emissões dos bancos centrais e das receitas tributárias foram usados para salvar da bancarrota instituições financeiras cujos controladores e executivos haviam lucrado dezenas de trilhões com jogadas financeiras, em operações alavancadas, sobre tudo com o quatrilhão de derivativos criados a impulsos de chips, antes do colapso de 2007/2008.

34. Pior: o dinheiro posto nos bancos é aplicado em novas especulações, criando novas bolhas, prestes a estourar. A conta fica para os cidadãos dos países endividados, inclusive dos EUA, e maior para os dos menos privilegiados que não podem emitir dólares.

35. No Brasil, recordista mundial de juros altos, só dois bancos, Itaú e Bradesco registraram R$ 28 bilhões de lucros em 2013.

[*]Adriano Benayon: Consultor em finanças e em biomassa. Doutor em Economia, pela Universidade de Hamburgo, Bacharel em Direito, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Diplomado no Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco, Itamaraty. Diplomata de carreira, postos na Holanda, Paraguai, Bulgária, Alemanha, Estados Unidos e México. Delegado do Brasil em reuniões multilaterais nas áreas econômica e tecnológica. Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal na área de economia. Professor da Universidade de Brasília (Empresas Multinacionais; Sistema Financeiro Internacional; Estado e Desenvolvimento no Brasil). Autor de Globalização versus Desenvolvimento, 2ª ed. Editora Escrituras, São Paulo.