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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Você pode ser aniquilado pela política externa desenvolvida por Alice e sua Gangue dos Chapeleiros Loucos


3 /6/2015, [*] Joe Clifford – ICH – Information Clearing House
Traduzido por mberublue


Política externa dos EUA
A menos que os norte americanos comecem a prestar atenção à própria política externa e às decisões insanas que estão sendo tomadas, serão todos aniquilados. Em primeiro lugar, um pequeno estudo da situação totalmente irracional à qual as decisões dos chefões acabaram por nos levar e depois uma visão de como nossa vida está sendo colocada em risco por idiotas e dementes.

Uma pequena síntese das atuais posições dos Estados Unidos no Oriente Médio é muito simples de entender e seguir, facilmente compreensível. Tente. Estamos aliados com nosso inimigo declarado, o Irã, contra o Estado Islâmico, o qual cresceu através do caos que nós mesmos criamos com a invasão anterior do Iraque, que, todos sabem, foi baseada em mentiras. Estamos também tentando derrubar o Presidente Assad na Síria, onde lutamos ombro a ombro com grupos de jihadistas financiados pela Arábia Saudita, à qual apoiamos contra os Houtis no Iêmen. A comunidade Houti é a mais ferrenha inimiga da Al Qaeda – que preparou e executou o incidente de 9/11 – enquanto isso, nosso melhor amigo, Israel, está aos beijos e abraços com a Al Qaeda na Síria, e nosso outro melhor amigo, a Turquia, está ajudando o Estado Islâmico. Está seguindo? Não parece o “samba do crioulo doido”?

Nos dias atuais podemos ver que o Iraque se tornou um desastre perfeito, por causa de vinte e cinco anos da política brutal de sanções absurdas impostas pelos Estados Unidos. A guerra seguiu as sanções através de uma invasão do território do Iraque e bombardeio contínuo até hoje. O país desceu até os portões do inferno só porque os Estados Unidos decidiram que o que o Iraque necessitava era de mais armas. Estamos, portanto, mandando mais armas para o Iraque, as quais serão usadas contra as armas que já tínhamos enviado para lá. Bem inteligente, é ou não é?

Pensa que está ruim? Então comece a pensar nos nossos “inimigos nº 1” adicionais e nos povos que colocamos hodiernamente em nossas listas de extermínio. Para complementar a luta que travamos contra a Al Qaeda e o Estado Islâmico enquanto tentamos derrubar Assad na Síria, ao mesmo tempo estamos de olho no Hamas e no Hezbollah, ambos inimigos de Israel, mas que representam mais um parzinho de guerras para nós. Ah! Não podemos esquecer dos 13 (treze!) anos da Guerra ainda em andamento no Afeganistão que começou supostamente para capturar os apoiadores de Bin Laden, e se tornou uma espécie de cruzada para derrotar o Talibã, grande grupo que por sua vez tenta destronar o governo fantoche instalado pelos Estados Unidos no Afeganistão.

Política dos EUA para o Iraque
Nesse meio tempo, enquanto continuamos a bombardear o Iraque, o Estado Islâmico está presente em virtualmente todo o Oriente Médio, Assad ainda está governando a Síria e o Talibã está resistindo muito bem no Afeganistão. Mas os idiotas que decidem dizem que temos que lutar também contra o Boko Haram na Nigéria e contra os Houtis no Iêmen, sob ataque de mais um de nossos melhores amigos, a Arábia Saudita, mesmo sabendo que os Houtis são inimigos figadais da Al Qaeda. Assim, ao ajudar a Arábia Saudita contra os Houtis, estamos na verdade ajudando a Al Qaeda no Iêmen. Está entendendo até aqui??

Para acompanhar tudo isso, fizemos um acordo na última semana, através do qual daremos a Israel dois bilhões de dólares adicionais em armas, que serão usadas, penso eu, ou contra palestinos em uma guerra qualquer no futuro ou contra o Irã. Aliás, Israel não faz outra coisa a não ser pedir aos EUA que ataquem o Irã.

Atualmente, estamos apoiando o mais novo ditador sangrento do Egito com 1,3 bilhões (ou mais) de dólares em armamento. Ora, antes, apoiamos o ditador Mubarak por 30 anos... Ele finalmente caiu, na sequência de uma eleição democrática na qual o Sr. Morsi foi eleito. Mas não ficou assim. Em seguida, Morsi foi também derrubado por outro ditador, ao qual agora estamos apoiando. O atual ditador acaba de sentenciar o antigo líder democraticamente eleito, Sr. Morsi, à morte. Mas esse ditador é gente nossa, então fornecemos a ele armas e suprimentos militares para que se mantenha no poder, e olhamos para o lado quando um líder democraticamente eleito é sentenciado à morte. Entendeu?

Toda essa morte e destruição foi desencadeada após o incidente de 9/11. Os noecons nos MENTIRAM friamente e o público foi fisgado pelas MENTIRAS e pelo apoio que a IMPRENSA deu à malversação dos fatos como um peixe pelo anzol. A IMPRENSA, como sempre, nada mais fez que papaguear as MENTIRAS inventadas por Washington sobre armas de destruição em massa que nunca existiram no Iraque. O Iraque também foi falsamente acusado em relação aos fatos de 9/11. Essas MENTIRAS causaram a morte de milhões de pessoas. Sim, MILHÕES DE PESSOAS, mortas pelos ataques dos Estados Unidos desde 9/11.

Política dos EUA para a Síria
Muito bem, as coisas estão meio confusas até agora, então vou fornecer uma informação crucial que ajudará a esclarecer a situação. Quantas nações os Estados Unidos bombardearam desde 9/11? Vou dar uma pista, já que é muito fácil perder a conta... Catorze (14)!

Bem. Todas essas podem ser consideradas guerras menores, relativamente falando, mas no atual estágio, Alice e sua gangue dos chapeleiros loucos estão arquitetando duas guerras gigantescas.

As decisões dos loucos estão colocando tanto China quanto Rússia em uma camisa de onze varas da qual não existe escapatória. Tanto Rússia quanto China estão sendo provocadas pelos Estados Unidos dentro de seu próprio quintal.

A OTAN acaba de completar recentemente seus “jogos de guerra” ao lado da fronteira russa. Que tal isso como provocação? Ou estupidez? Pois a provocação contra a Rússia segue, porque nós a estamos acusando de “interferência” em relação a seu vizinho do lado, a Ucrânia; mas fomos nós, através da membro da Gangue, Victoria Nuland, que orquestramos a derrubada de um líder democraticamente eleito na Ucrânia só porque era pró Rússia. Foi quando a “senhora” Nuland disse com todas as letras: “foda-se a União Europeia”, quando esta não agiu tão rápido quanto ela queria no apoio rasteiro ao golpe de estado.

Enquanto isso, estamos mandando tropas para todos os Estados Balcânicos, mesmo ao lado da Rússia, e estamos também forçando para colocar bases de mísseis no entorno da Rússia, mas são os russos, temos dito, que estão insanamente provocando e totalmente em pecado por sua “interferência” no seu vizinho do lado. Você consegue entender?

Temos tropas a 8000 quilômetros de casa, no quintal da Rússia e a estamos cercando de mísseis. Você deve lembrar ou pelo menos deve ter lido sobre a Crise dos Mísseis de Cuba, um evento que quase levou a uma guerra nuclear total, quando a Rússia tentou instalar mísseis a 160 quilômetros da Florida. Sei...

MANUAL DO USUÁRIO
Passo 1: Tirar o pé direito da guerra falhada #1
Passo2: Transferir o pé para a guerra falhada #2
Passo 3: Pular com ambos os pés no Paquistão...
Agora, Alice e sua Gangue dos Chapeleiros Loucos dizem que a China está “interferindo” e incomodando a gente, assim estamos provocando a China. Você pode perguntar: e como eles estão “interferindo”? No “Mar do Sul da China”! Veja só, no “Mar do Sul DA CHINA”! Pois então, na última semana mandamos aviões de espionagem para um lugar que a China considera como seu território, ilhas no Mar do Sul da China. Ali, tais aviões foram repetidamente instados pela China a sair, ou então... Quase se foi às vias de fato.

A China classificou a invasão dos Estados Unidos como “provocativa” e chamou Washington às falas para que se torne um pouco mais “racional”. Infelizmente, os tomadores de decisões nos Estados Unidos não são racionais. São doidos, e enquanto promovem guerras ao redor do mundo inteiro, estão agora colocando a Rússia e a China em um beco sem saída. Todos sabemos o que acontece quando se encurrala alguém.

Milhões podem perecer a menos que você se interesse pelo que estão fazendo esses imbecis, esses dementes safados. Trata-se da sua própria vida. Preste atenção. A coisa está saindo totalmente do controle.

Não é por menos que uma pesquisa levada a efeito em 65 países apontou os Estados Unidos como a maior ameaça atual à paz mundial.

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[*] Joe Clifford, vive na histórica Jamestown, Rhode Island, e contribui durante anos com artigos relacionados com a política externa dos EUA em jornais na área de Rhode Island. Atualmente é articulista do sítio Salem-News. Seus artigos colocam em xeque, e de forma provocativa, o senso de realidade dos leitores.
Formou-se no Providence College, onde obteve uma licenciatura e pós-graduação. Depois de longa carreira como professor de História em escola secundária por 32 anos, voltou-se para o estudo de Política Externa dos EUA e, em seguida à escrita, como meio de expressar uma perspectiva alternativa do mundo. Suas leituras e pesquisas sobre Política Externa são amplas e extensas, especialmente no que diz respeito às políticas para o Oriente Médio. Esse interesse foi inspirado pela desventura americana no Vietnã.
Recebe e-mails em: jc21131@gmail.com

segunda-feira, 27 de abril de 2015

No mesmo dia, dois casos mostram a completa podridão dos EUA

25 de abril/2015 – [*] Ted Rall – Information Clearing House
Tradução mberublue

Obama brinda o sofrimento causado pelos drones

Por acaso você ainda pensa que os Estados Unidos é governado por gente decente? Que o sistema não é totalmente corrupto e injusto?

Pois duas histórias acontecidas em 23 de abril deste ano deveriam pelo menos servir para acordar você.

Matar crianças com drones é POLÍTICA EXTERNA dos EUA

Primeiro caso: o Presidente Obama admitiu que um de seus drones “Predator” matou dois trabalhadores em ajuda humanitária, um deles norte americano e outro, italiano, que foram feitos reféns pela Al Qaeda no Paquistão. De acordo com reportagem do jornal The Guardiana falha na especificidade (sobre os alvos) sugerem que, a despeito da altamente propagada e suposta mudança de política promovida por Obama, que restringiria os assassinatos via drones, entre outras coisas, passando a requerer a certeza antecipada de que os “alvos terroristas” estariam realmente presentes, os Estados Unidos continuam lançando suas operações de ataques assassinos sem o necessário conhecimento sobre quem se procura matar, uma prática que veio a ser conhecida como “ataque assinado” (original “signature strike” no sentido de ser baseado em dados de inteligência - padrões de comportamento obtidos por interceptações, fontes humanas e vigilância aérea analisados pela agências norte americanas - que decidiriam então, se esses padrões de comportamento significariam a "assinatura" de uma pessoa ou grupo de pessoas como terroristas. Uma loucura total – NT).

“Falha de especificidade” não passa de um eufemismo desavergonhado. Conforme reportagem do grupo Retrieve (organização inglesa em defesa de direitos humanos fundada em 1999 pelo advogado Clive Stafford Smith - NT) os Estados Unidos marcaram 41 pessoas para morrer, assinalados como “terroristas” – mas na realidade inimigos dos regimes corruptos do Iêmen e do Paquistão – através de ataques de drones durante o ano de 2014. Graças às tais “falhas de especificidade” um total de 1.150 pessoas foram mortas. O que nem por isso incluiu todos os 41 “marcados”, muitos dos quais escaparam ilesos.

A grande maioria dos mortos por drones são civis

A expressão falsa de Obama fingindo estar pesaroso foi digna de um canastrão. Apertando os lábios em uma expressão sinto/não sinto à maneira de Bill Clinton, o Presidente parecia na realidade estar fingindo tristeza por uma coisa que acontecera em janeiro. Tenha dó, cara... pensa mesmo que vamos acreditar que você passou os últimos três meses todo tristeza e lágrimas – claro, excluindo todos os discursos e aparições públicas onde estava às gargalhadas e fazendo piadas? Exatamente no mesmo dia em que fingiu tristeza, o presidente também riu por causa da comparação do caso com o campeão do Super Bowl, o time do New England Patriots. “Esta história toda já passou um pouco dos limites”, assentiu ele (relacionando o caso dos drones com o escândalo DeflateGate – “escândalo” criado pelo time de futebol americano, ao desinflar bolas de futebol durante o jogo – NT). Muito triste, ele. Mas rindo.

Bem confuso.

Juro que os racistas da extrema direita estão certos em odiar o presidente. Mas eles o odeiam por razões totalmente erradas.

De qualquer maneira, qual o motivo que levou a Casa Branca a demorar tanto tempo para finalmente admitir que matou um de nossos melhores cidadãos? “Levamos semanas para relacionar as mortes relatadas (dos reféns) com os ataques por drones”, relatou o jornal The New York Times citando funcionários da Casa Branca. Mas em suas notas preparadas acintosamente, Obama afirma que “não é possível capturar estes terroristas” – então, os ataques por drones.

Milhares de civis foram assassinados pelo drones dos EUA

A Administração Obama acha que somos assim tão estúpidos?

O fato de que se pode descobrir quem morreu em um ataque de drones (mesmo que apenas bem depois do ataque) indica que há fonte de Inteligência confiável originada das áreas marcadas como alvo, provavelmente proporcionada por aliados locais, talvez polícia ou exército. Ora, se há policiais ou tropas que são confiáveis a ponto de fornecer informações, então, obviamente, é possível solicitar a estes aliados que capturem os alvos individuais.

Resumo da ópera: o governo dos Estados Unidos está bombardeando pessoas a torto e a direito pelo mundo afora, sem a menor ideia de quem está sendo bombardeado. Além do mais, estes assassinatos de cunho político são ilegais. Mentiram, dizendo que tais fatos não mais estavam acontecendo. Agora, tem a ousadia desavergonhada de fingir tristeza pelos próprios feitos, que poderiam ser perfeitamente evitáveis. São repugnantes e brutais, e deveriam ser fechados em uma prisão pelo resto da vida.

David Petraeus e a “amante-biógrafa”, Paula Broadwell

Segundo caso: David Petraeus, antigo bam-bam-bam da mídia, queridinho das redações, general sob Bush e no início dos anos Obama, recebeu um puxão de orelhas – claro, com liberdade condicional e multa de US$ 100.000 – por passar informações e documentos confidenciais de forma ilegal para pessoas não autorizadas, e depois mentir a respeito do fato, quando inquirido por agentes federais que o questionaram.

Lá vamos nós outra vez: mais provas de que, no sistema jurídico americano, algumas pessoas voam na primeira classe, enquanto o resto de nós se aperta na classe turística, mesmo.

Neste mundo às avessas, gente como Petraeus, que deveria já estar preso, porque sua posição superior lhe fez ser incrustado na administração com imenso poder e responsabilidade, caminha livre, enquanto os patetas menos ranqueados como nós, se cometermos o mesmo crime, seremos tratados como se fôssemos Al Capone.

O cabo Chelsea Manning, que revelou os documentos oficiais dos crimes de guerra dos Estados Unidos no Iraque, através do WikiLeaks, deu com os costados na prisão por 35 anos. Edward Snowden, administrador de sistemas de 31 anos que trabalhava para uma firma terceirizada que prestava serviços para a NSA e que revelou que o governo dos Estados Unidos está lendo todos os nossos e-mails e ouvindo o que dizemos ao telefone, encara a possibilidade de passar a vida na prisão.

Dois anos de liberdade condicional. Enquanto isso, professores que ajudaram seus alunos a enganar os testes padronizados receberam pena de sete anos na prisão. Para Petraeus, que passou a trabalhar para um fundo de investimentos, US$ 100.000 é apenas uma boa gorjeta para o caddy (carregador de tacos para os jogadores de golfe – NT).

Há algo que adiciona loucura ao insulto: o fato de que o motivo pelo qual Petraeus colocou em perigo a segurança nacional é venal: ele deu os documentos para a sua amante, que escreveu sua biografia autorizada.

Edward Snowden e Chelsea Manning
De a eles o PRÊMIO NOBEL DA PAZ!

Manning e Snowden, são heróis que deveriam ser objeto de desfiles honrosos e receber medalhas presidenciais da Liberdade, mas não foram glorificados. Eles apenas queriam informar ao povo norte americano sobre as atrocidades que se cometiam em seu nome, e sobre as violações de seus direitos mais básicos, incluindo-se o direito à privacidade.

Antes de ser apanhado com a boca na botija e enquanto compartilhava informações confidenciais com sua amante, Petraeus teve o descaramento indizível de pontificar hipocritamente sobre um funcionário da CIA que disponibilizou informações sensíveis. Diferentemente de Petraeus, porém, o sujeito da CIA recebeu a justiça reservada aos patetas: 30 meses na prisão.

Fechando o assunto, Petraeus pontificou bombasticamente em 2012: na realidade, há consequências sérias para aqueles que se acreditam acima das leis que protegem nossos verdadeiros colegas e permite que as agências norte americanas possam trabalhar com o grau adequado de sigilo.

Bem. Se você é viajante de primeira classe, as consequências são mínimas.

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[*] Ted Rall – Frederick Theodore “Ted” Rall é escritor e cartunista vinculado ao jornal The Los Angeles Times. Seus cartoons são distribuídos para cerca de 100 jornais norte-americanos. Já foi correspondente de guerra e escreve artigos sobre a Ásia Central, sua especialidade.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Aiatolá Ali Khamenei: “EUA inventaram o mito das armas nucleares, para converter o Irã em ameaça”

19/4/2015, Information Clearing House, da AP
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Aiatolá Ali Khamenei em 19/4/2015
O Supremo Líder do Irã, Aiatolá Ali Khamenei disse que “a ideia de armas nucleares iranianas foi invenção e que a real ameaça são os EUA” – endurecendo o discurso oficial iraniano antes do reinício das negociações nucleares, semana que vem.

Inventaram o mito das armas nucleares, para poder dizer que a República Islâmica seria alguma ameaça. Nada disso. A fonte de todas as ameaças é a América, os EUA, eles próprios – disse o Aiatolá Khamenei em comentários citados pela agência Fars de notícias, no domingo (19/4/2015).

O outro lado vem metodicamente, desavergonhadamente, nos ameaçando militarmente. Mesmo que não façam ameaças declaradas, temos de estar preparados – disse ele, em discurso aos comandantes militares.

No mesmo domingo, um alto comandante da Guarda Revolucionária do Irã disse que:

(...) nenhum inspetor entrará em instalações militares do Irã, não importa o que diga qualquer acordo nuclear que venha a ser assinado com as potências mundiais.

O general Hossein Salami, vice-comandante da Guarda Revolucionária, disse, pela televisão estatal, que:

(...) permitir inspeção estrangeira em instalações militares é equivalente a “entregar tudo”.

Responderemos com chumbo quente contra quem falar disso. O Irã não se deixará converter em paraíso para espiões. Não desenrolaremos o tapete vermelho para o inimigo – disse Salami.

General de Brigada Hossein Salami em 19/4/2015
O Irã e seis potências mundiais – EUA, Reino Unido, França, Alemanha, China e Rússia – já chegaram a um primeiro esboço de acordo para limitar o programa nuclear de Teerã, em troca do fim das sanções, e esperam alcançar um acordo final até 30/6/2015.

Uma relação de “tópicos para a mídia” divulgada pelo Departamento de Estado dos EUA dizia que o Irã teria de garantir acesso a inspetores da agência nuclear da ONU a todos os “lugares suspeitos”. O Irã protestou contra esse item e contra outra expressão que se lê nos tais “tópicos para a mídia”: que as sanções só seriam levantadas depois de a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ter “comprovado” que Teerã estaria cumprindo sua parte no acordo. Líderes iranianos disseram que as sanções têm de ser levantadas no primeiro dia de vigência do acordo.

Aqueles “tópicos para a mídia” diziam que o Irã teria concordado com implementar o Protocolo Adicional do Tratado de Não Proliferação Nuclear, que garantiria à AIEA acesso mais amplo a instalações nucleares declaradas e não declaradas.

Mas Salami disse que:

(...) permitir acesso a inspetores estrangeiros, para visita a bases militares, equivaleria a permitir “uma ocupação” e exporia “segredos militares e de defesa”.

Seria humilhar a nação. Não serão autorizados a inspecionar nem em sonhos qualquer instalação militar do Irã, por normal que seja -  disse Salami pela TV estatal iraniana.
 
Acordo Nuclear Irã e P5+1 e a Imprensa

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Operando na ponta dos dedos Varoufakis mantém a Grécia na Eurozona

23/2/2015, [*] Mike WhitneyInformation Clearing House
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Embora contra um país já abalado e na periferia da Europa, as escolhas oferecidas à Grécia foram bem compreendidas em toda a Europa: obedeçam ou caiam fora  Paul Mason, Channel 4 News Blog


Grécia: cortes no orçamento ou sair da Eurozona

Não é fácil negociar com uma pistola apontada contra sua nuca. Mesmo assim, essa foi situação em que se viu o Ministro das Finanças gregas Yanis Varoufakis na 6ª-feira (20/2/2015) antes de reunião crucial com o Eurogrupo. Segundo um relato, o objetivo da última reunião “foi preparar um texto de consenso que seria a base para a discussão” com os ministros das finanças de outros países da União Europeia. Talvez soe suficientemente inocente, mas não chega nem perto de explicar o real objetivo da reunião, muitíssimo mais sinistro. Vejam o que escreveu Costas Efimeros, em Press Project:

Segundo um funcionário grego que não quis ser identificado, a delegação grega estava ontem submetida à chantagem mais feroz. Nossos ‘‘parceiros’’ nos informaram que se o Eurogrupo não resultar em acordo, na 3ª-feira (24/2/2015) o governo grego será forçado a implementar controles de capitais. Parece que eles tomaram a decisão de enforcar a economia grega, cortando o financiamento dos bancos pelo sistema de emergência ELA. Além do mais, parece que os grandes bancos gregos já sabiam disso. Vazamentos do Banco Central Europeu, de fato, já sugeriam que eles estavam-se preparando para GREXIT [Grécia sai (exit) da zona do euro]. (Europe trashed democracy [Democracia europeia reduzida a lixo], Costas Efimeros, The Press Project).

Ótimo saber que os líderes europeus fazem política pelo mesmo código moral básico de Don Corleone, não é mesmo?

Eurogrupo
Fato é que uma corrida aos bancos em câmera lenta já estava em andamento na Grécia há mais de um mês, drenando cerca de 40 bilhões de euros para fora do sistema bancário grego. Se não houvesse algum acordo na 6ª-feira (20/2/2015), o Banco Central Europeu desligaria seu programa de assistência à liquidez e mandaria para o inferno todo o sistema bancário. Assim os eurocratas planejavam dizer adeus ao seu membro renitente há tanto tempo, a Grécia, com um pontapé nos colhões, antes de matar a economia grega. E assim você já fica sabendo tudo que precisa saber sobre o Eurogrupo.

Se a Grécia levasse o fora na 6ª-feira (20/2/2015), a crise humanitária se aprofundaria da noite para o dia, e o ataque aos mercados de capitais teria aberto o caminho para mais uma crise financeira. Felizmente, a catástrofe foi evitada, sobretudo porque Varoufakis conseguiu armar um plano viável para atender às exigências básicas do Eurogrupo, ao mesmo tempo em que criou oportunidades significativas para aliviar as condições na Grécia. Não me entendam mal. Não é, de modo algum, um acordo perfeito, mas é o melhor acordo que se poderia alcançar dadas as circunstâncias e a declarada hostilidade do ministro alemão, Wolfgang Schaeuble, que estava pronto para detonar todo o projeto e jogar a Grécia aos lobos.

Yanis Varoufakis
Varoufakis conseguiu segurar o irascível Schaeuble e obter um pouco do que desejava, mas só conseguiu isso com firmeza de rocha e significativas concessões. Resultado, a Grécia ainda é membro da Eurozona, mas por um fio. A rejeição do pacote de reformas (na 2ª-feira, 23/2/2015) pode empurrar o depauperado país para fora da União de 11 países, num piparote.

Não se pode esquecer que o Eurogrupo, desde o início deixou perfeitamente claro que não faria qualquer tipo de restruturação da dívida grega nem poria fim ao programa de arrocho [“austeridade”]. Esses itens sequer estavam sobre a mesa. Implica dizer que os que suponham que Varoufakis “deveria” ter dado um ultimatum ao Eurogrupo (“Reduzam nossas dívidas ou saímos”) simplesmente não compreenderam a natureza das negociações. Varoufakis teve de operar sob parâmetros apertadíssimos. Dadas as reais limitações, o ministro grego, sim, arrancou acordo bastante respeitável.

Apesar disso, é natural que as pessoal sintam-se “traídas”, sobretudo porque a coligação Syriza prometeu muito mais do que de fato poderia entregar. Mas não significa que Varoufakis tenha traído alguém ou alguma coisa, ou que tenha “entregado” a Grécia. Absolutamente não, de modo algum. Significa apenas que a crença, dentro da coligação Syriza, de que conseguiria pôr fim ao arrocho [“austeridade”], mas manter a Grécia na Eurozona, provou-se infundada. [1] Na verdade, a oposição alemã tornou a coisa quase impossível. O ponto é o seguinte: a coligação Syriza não tem mandado para comandar uma Grexit.

Os eleitores não votaram a favor de Grexit e não é o que querem. Varoufakis foi encarregado de missão totalmente impossível, fazer a quadratura do círculo. Nesse sentido, falhou. Mas, repito, o acordo que construiu deve mitigar as dificuldades, pelo menos em parte, embora ninguém deva esperar recuperação econômica florescente, não sem saudável dose de estímulo fiscal – que absolutamente não aparece à vista.


Varoufakis conseguiu mudar os termos do acordo, que agora está sendo chamado de “acordo existente”, não mais de “programa”. Segundo Norbert Haring, esse novo “arranjo” (...) não é mais extensão “técnica” do “programa”, mas uma extensão do acordo de financiamento, plus condicionalidade vaga. (“Was it worth it? Concessions to Grécia relative to the rejected draft of 16 February, Norbert Haring).

Wolfgang Schäuble e Yanis Varoufakis
Soa tedioso e legalista, mas a mudança é significativa. Fato é que a luta real entre Varoufakis e o Eurogrupo foi sobre essa exata questão, quer dizer, mudar o inflexível, travado “programa” de arrocho [“austeridade”] e obter um “arranjo” mais solto, no qual as políticas possam ser alteradas, mediante o que Varoufakis chamou de “ambiguidade construtiva”. O objetivo de Varoufakis é criar suficiente área cinzenta para que a Grécia reobtenha o controle soberano sobre suas próprias políticas econômicas. A ambiguidade construtiva ajudará a chegar até aí, desde que as reformas satisfaçam os objetivos fiscais do Eurogrupo.

Mais um trecho do postado de Haring:

Não há mais, no novo texto, menção à “conclusão satisfatória da programa”, nem ao “programa”. Em vez disso, a nova condição é uma conclusão bem-sucedida da revisão das “condições no atual arranjo”. Isso permite ao governo grego continuar a dizer que o velho programa não pode obter sucesso. Também permite mudanças no programa, dado que “condições do arranjo” é formulação deliberadamente mais vaga (“Was it worth it?Concessions to Grécia relative to the rejected draft of 16 February, Norbert Haring).

Não é só conversa legalista. É uma modificação crítica no modo como a política é implementada. Mais uma vez, Varoufakis conseguiu afrouxar a camisa de força na qual a Grécia viu-se presa. Não há dúvidas de que esse afrouxamento tem de ser visto como avanço.

Tragicomédia grega
O novo acordo também permite à Grécia decidir o seu próprio pacote de reformas, em vez de ter a troika a decidir que despesas o governo teria de cortar, ou que bem do patrimônio público teria de vender. Mais um trecho do postado de Haring:

A mudança mais importante de todo o documento: acrescentou-se “As instituições considerarão, para a meta do superávit primário de 2015, as circunstâncias econômicas em 2015”. Está fora todo o arrocho [“austeridade”] excessivo, de autoderrota. Só a meta para 2015 é mencionada, porque tudo fora dela seria parte de um novo arranjo, ainda a ser negociado. Significa que Varoufakis conseguiu seu objetivo de reduzir o arrocho [“austeridade”]. Não apenas há agora operacionalmente maior flexibilidade, mas, também, a Grécia controlará as manivelas da tomada de decisões no “campo da política tributária, das privatizações, de reformas no mercado de trabalho, setor financeiro e aposentadorias”. Naturalmente, quanto mais baixo o superávit primário, mais estímulo fiscal fica disponível para o crescimento econômico. (Acumular superávit durante uma depressão é loucura absoluta, mas foi a péssima mão de cartas com que Varoufakis teve de jogar).

O comentário final de Haring é bom resumo das conquistas de Varoufakis:

Valeu a pena o desgaste de rejeitar a versão do dia 16/2/2015, só para aceitar o documento quatro dias mais tarde? Para Atenas, com absoluta certeza, sim, valeu. Atenas conseguiu a promessa de que nenhum excessivo arrocho [“austeridade”] voltaria a ser exigido; a garantia de que pode traçar suas próprias políticas econômicas e sociais, desde que elas não impactem negativamente os interesses de seus parceiros, em vez de ter de executar e manter medidas aceitas pelo governo anterior e fortemente rejeitadas pela população. São imensas melhorias para a situação de Atenas, sem redução compensatória, se se compara com o que havia dia 16/2/2015. (“Was it worth it? Concessions to Grécia relative to the rejected draft of 16 February”, Norbert Haring).

GRÉCIA                   RESGATE
Claro: é bom negócio para a Grécia, mas não significa que a situação básica tenha melhorado, principalmente porque o Eurogrupo pune e dá lições de moral e de modo algum ajuda membro recalcitrante. Se a Eurozona tivesse evoluído para uma união política viável, que distribuísse transferências fiscais para os estados periféricos mais fracos, a Grécia já teria emergido há anos da sua recessão. Em vez disso, o fiasco só prossegue, pontuado por frequentes rompantes dos líderes da União Europeia que veementemente defendem medidas para apertar cada vez mais os cintos, que só fazem tornar as coisas cada vez piores. Se servir para alguma coisa, a atual experiência deve ajudar o povo grego a decidir se há futuro para eles e seus filhos na Eurozona, ou não. Enfrentar os carecas autoritários europeus (O Eurogrupo) pode vir a se comprovar fonte de mais incômodos do que de vantagens possíveis. (A cada dia que passa, a ideia de a Grécia deixar a Eurozona vai-se tornando mais e mais sedutora!).

Quanto a Varoufakis, ah, sim, ele passou com todas as honras pelo teste de fogo como Ministro das Finanças. Mostrou-se muito competente negociante de cavalos e ainda arrancou mais concessões dos maníacos, obcecados por mais e mais arrocho [“austeridade”] representantes da União Europeia do que alguém poderia imaginar que fosse possível. Provou que não é nem “traidor” nem “entreguista” (como houve quem dissesse). Bem diferente disso, o ministro manteve a palavra e fez exatamente o que o povo grego o autorizou a fazer.

Merece, no mínimo, o crédito pelo esforço valoroso.
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Nota dos tradutores
[1] Ver também 21/2/2015, Cavalo (fúnebre) de Troia: Syriza e a fantasia do euro sem arrocho, Greg Palast, Dialogós, Atenas, tradução em redecastorphoto.
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[*] Mike Whitney é um escritor e jornalista norte-americano que dirige sua própria empresa de paisagismo em Snohomish (área de Seattle), WA, EUA. Trabalha regulamente como articulista freelancenos últimos 7 anos. Em 2006 recebeu o premio Project Censored por uma reportagem investigativa sobre a Operation FALCON, um massiva, silenciosa e criminosa operação articulada pela administração Bush (filho) que visava concentrar mais poder na presidência dos EUA. Escreve regularmente emCounterpunchInformation Clearing House e vários outros sites. É co-autor do livro Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion (AK Press) o qual também está disponível em Kindle edition.
Recebe e-mails por: fergiewhitney@msn.com