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domingo, 9 de dezembro de 2012

Khaled Meshaal, outra vez em casa


9/12/2012, Khaled Amayreh, Ezzedden Al-Qassan Brigades
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Khaled Amayreh
O retorno à Palestina do líder do Hamás, Khaled Meshaal é sem dúvida um grande dia, que enche de alegria todos os palestinos e os que apoiam os palestinos.

De fato, toda a luta dos palestinos visa a trazer de volta para casa os milhões de nossos que foram arrancados de casa e da própria terra pela selvageria dos sionistas.

Dezenas de milhares de palestinos e não palestinos deram a vida em nome de reconquistar o direito de voltar para casa.

E ninguém duvida que, até que o direito de voltar esteja ao alcance de todos os palestinos, mais e mais palestinos e muçulmanos terão de sacrificar a vida, em luta para reconquistar a liberdade e a libertação da Palestina.

Não conheço Khaled Meshaal pessoalmente, mas sei, como jornalista e como professor, que suas credenciais são impecáveis. Poderia ter enriquecido, como outros ‘líderes’ palestinos que usaram a luta nacional dos palestinos contra o sionismo para engordar a própria conta bancária e viver cercados de luxo à custa de nosso povo e de nossa justa causa.

A evidência de que as garras da corrupção sequer arranharam a integridade de Khaled Mashaal honra o homem e o movimento que ele representa e coordena.

Não há dúvida de que um homem que cumpre seu dever do modo mais digno, exemplar, sempre merece todas as honras. Mas, em tempos de corrupção rampante, sobretudo no contexto palestino, a integridade do Hamás destaca-se e é, todos os dias, motivo de admiração e orgulho para os palestinos islâmicos e para todos os palestinos.

Desnecessário dizer, a mídia israelense e ocidental, subalterna e rendida, e que tantas vezes apenas papagueia a narrativa israelense, evita sempre qualquer destaque a esse traço tão característico da vida do Hamás e do modo como administra seus recursos financeiros. O motivo é autoevidente. A mídia israelense e ocidental, com seus numerosos apologistas, porta-vozes, paus-mandados e cães adestrados no Ocidente, jamais noticia qualquer valor positivo associado ao Hamás. Todos esses braços da propaganda sionista existem para mostrar o Hamás como partido de uma resistência a ser odiada, não, como merece, como Resistência admirada, amada e motivo de orgulho para todos os palestinos e para todo o mundo.

Claro que há divergências legítimas. Mas todos os homens e mulheres honestos do mundo reconhecem que o Hamás é movimento legítimo de resistência, que luta para libertar o povo palestino das garras da ocupação israelense nazistóide, que vem, há décadas, tentando a ‘limpeza’ étnica, mediante o extermínio dos habitantes originais da Palestina.

O Hamás é movimento armado. Desnecessário negar. Mas é indispensável reconhecer que sejam quais tenham sido as ações armadas do Hamás, ao longo da luta dificílima que travam, foram sempre ações no campo da Resistência e da resposta a ações incomparavelmente mais violentas perpetradas por Israel – que, sempre, conta com a mais avançada tecnologia de guerra que lhes chega dos EUA.

Khaled Meshaal
É sempre terrível que inocentes sejam mortos, em qualquer conflito. Mas quando um país e seu povo são atacados, e o invasor vem disposto a matar todos os habitantes originários, com projeto de genocídio étnico, as vítimas da opressão têm direito legítimo – direito moral, nacional e também direito religioso – à Resistência e à resposta.

Verdade é que o Hamás não invadiu a terra nativa dos judeus na Polônia, em Cazaria e na Rússia. Judeus europeus invadiram a Palestina, massacraram os povos originários que ali encontraram, destruíram casas, mataram, e expulsaram de sua terra os milhões de palestinos que hoje se espalham em diáspora pelo planeta. O Hamás luta, precisamente, na Resistência contra esses invasores e ocupantes.

O Hamás – diferente nisso, também, da violência dos invasores e ocupantes – jamais teve qualquer política oficial que visasse a assassinar deliberadamente cidadãos israelenses tomados como ‘alvos preferenciais’. Quem tornou inevitáveis os ataques que vitimam colonos israelenses que vivem em terras dos palestinos não foi o Hamás, mas os israelenses e as políticas israelenses de ocupação, em que se mobilizam legiões de agentes e soldados de Israel para deliberadamente assassinar palestinos, também civis e também crianças.

Ao final de um dia de massacre dos seus, o Hamás e outros grupos da Resistência palestina não podem sentar-se à sombra e assistir aos nazistas israelenses que continuam a massacrar palestinos, homens, mulheres, velhos e crianças como lhes apraza, não raras vezes, com jatos e helicópteros que fazem chover bombas sobre tendas de campos de refugiados em Gaza, mísseis e bombas de fósforo branco. Impossível assistir a isso e manter a passividade. Nenhum estado, nenhum exército, nenhum grupo de Resistência que o mundo jamais tenha conhecido manteve-se jamais passivo, vivendo como os palestinos têm de viver, sob a ocupação israelense.

O Hamás e os palestinos não são ‘terroristas’. São as vítimas do terror israelense.

O retorno com honra

Diferente dos agentes e operadores da OLP, que voltaram à Palestina ocupada protegidos pelos rifles sionistas, o Hamás não pediu autorização a Israel para a volta de Mashaal à Faixa de Gaza. Aí está aspecto importante, em comparação a outros arranjos que se fazem na Cisjordânia, onde nenhum palestino pode entrar no território ocupado, sem pedir autorização aos ocupantes israelenses.

O movimento da Resistência islâmica pode se orgulhar: o irmão Meshaal entrou em Gaza sem passar por nenhum bloqueio ou posto de controle israelense em nenhuma fronteira.

É hora de o estado sionista render-se, desistir da típica insolência e da arrogância do poder e começar a ver os palestinos como seres humanos que respeitam a vida e merecem plenamente ser tratados em pés de igualdade entre todos os seres humanos, judeus e não judeus.

Esse é o primeiro requisito para qualquer possível desescalada no confronto, que parece existencial, entre o Islã e o sionismo no Oriente Médio. Sem isso, enquanto o sionismo se mantiver agarrado a crenças suprematistas e megalomaníacas, segundo as quais os judeus seriam superiores aos não judeus e, nessa condição, merecedores de tratamento preferencial, a luta continua, sem descanso.

Mártir vivo

Em 1997, Israel tentou assassinar Khaled Meshaal. Mas a vida dos homens está nas mãos de Deus, e Deus quis que Meshaal sobrevivesse, para voltar à terra onde nasceu.

Como disse Meshaal, ele nasceu três vezes: quando veio ao mundo, em 1956; quando sobreviveu à tentativa de assassinato por agentes do Mossad israelense, em Amã, Jordânia [1]; e ontem, quando pôs os pés outra vez em terra palestina.

Rezamos a Deus para que Meshaal e todos os demais refugiados palestinos renasçam afinal para a vida eterna depois de retornados à sua terra ancestral, a Palestina, e depois de terem podido agradecer, no chão, à frente da mesquita Aqsa em Jerusalém. Amém.

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Nota dos tradutores

[1] Essa tentativa de assassinato é tema de um livro (documento – e leitura – absolutamente sensacionais, que não se entende por que nunca foi traduzido para o português do Brasil), do jornalista australliano Paul McGeough (KILL KHALID. The Failed Mossad Assassination of Khalid Mishal and the Rise of Hamas, New Press. 477 pp., 1999). Nesse livro, narram-se detalhadamente todos os passos dos agentes israelenses e os primeiros movimentos do Hamás, que então se organizava como partido político). Os criminosos israelenses foram perseguidos pela segurança de Meshall pelas ruas de Amã e tiveram de refugiar-se na embaixada de Israel. Informado, o rei da Jordânia enfureceu-se por Israel tentar usar o território jordaniano para ações criminosas e cercou, com forças do Exército, a embaixada de Israel, ameaçando explodir o prédio se Israel não fornecesse o antídoto para o veneno usado na tentativa de assassinato. Israel tentou resistir. Mas, sob pressão do presidente Bill Clinton dos EUA, acionado por telefone pelo rei da Jordânia, Israel teve de ceder; e o antídoto chegou a Amã a tempo de salvar a vida de Meshall.
Em resenha do livro, o Washington Post escreveu: “Binyamin Netanyahu era primeiro-ministro e foi quem autorizou a operação para assassinar Meshall. No final, e embora o Hamás não fosse parte das conversações, essa ação [criminosa] do Mossad israelense foi um dos mil cortes pelo qual se drenou a energia vital do processo de paz que se iniciara, cercado de esperanças, nos Acordos de Oslo de 1993” (8/3/2009, Washington Post, Paul McGeough em: “The Martyr Who Did Not Die”. 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Obituário: Ahmed Khalil Al-Jaabari, herói do Hamás


26/11/2012, Khaled Amayreh, Al-Qassam, Ezzedin Al-Qassam Brigades
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Khaled Amayreh
Ahmed Khalil Al-Jaabari foi Comandante-Geral, de-facto, do braço da Resistência do Hamás, as Brigadas Ezzeddin Al-Qassam. O exército israelense de ocupação e a agência Shin Bet da segurança israelense há muito tempo tentavam assassiná-lo. Para a entidade sionista, qualquer homem ou mulher que se oponha à ocupação militar da Palestina, seja a oposição passiva ou ativa, é terrorista e tem de ser liquidado. 

Em 2004, o exército de Israel já tentara assassinar Al-Jaabari, por seu papel na Resistência. Naquele ano, o filho mais velho, Mohamed, um irmão e três primos do comandante Al-Jaabari foram brutalmente assassinados em ataque israelense à casa da família.

Em inúmeros casos, Israel liquida toda a família próxima dos ativistas da Resistência, mesmo que os familiares pouco saibam das atividades da Resistência e não possam ser acusadas de absolutamente qualquer pressuposto crime.

Exemplo dessa atividade dos israelenses, que usam o assassinato como modus operandi, foi o assassinato de Nezar Rayan, ativista do Hamás, assassinado com toda a família, em casa, no ataque israelense à Faixa de Gaza em 2008-09; na mesma ação, Israel assassinou 1.400 pessoas e feriu vários milhares, a maioria dos quais civis.

Ahmed Khalil Al-Jaabari
Al-Jaabari, nascido em Hebron, teve papel destacado na tomada da Faixa de Gaza pelo Hamás, no verão de 2007. Os que trabalharam com ele falam “excepcional capacidade organizacional, meticuloso nas precauções de segurança e homem abnegado”. Como comandante do braço armado do Hamás, Al-Jaabari soube desenvolver essas competências, qualitativamente e quantitativamente.

Além do papel destacado que lhe coube na Resistência contra a ocupação israelense, Al-Jaabari também desempenhou papel importante junto aos altos escalões políticos do Hamás. É hoje amplamente reconhecido como exemplo de uma nova geração de líderes islâmicos surgidos depois que Israel assassinou líderes icônicos no campo político e da Resistência, como Sheikh Ahmed Yassin, Abdel-Aziz Rantisi, Ibrahim Makadma e Yehia Ayash.

Abu Mohamed (seu nome de guerra) começou seu ativismo político e de resistência filiado ao Fatah, principal grupo da Organização para Libertação da Palestina (OLP) comandado pelo falecido líder palestino, Yasser Arafat. Foi preso em 1982 e passou 13 anos em cárceres de Israel.

Depois de libertado, Al-Jaabari uniu-se ao Hamás, porque o Fatah já lhe parecia partido secular demais e excessivamente conivente com a ocupação (foi libertado depois de assinados os Acordos de Oslo). Em 2009, disse que “a Palestina só pode ser libertada por muçulmanos sinceros. A questão palestina é, sobretudo, questão islâmica. Só a Jihad universal contra o estado criminoso de Israel conseguirá libertar a Palestina das garras dos invasores”. Referia-se a Israel também como “fenômeno transitório, uma tentativa, condenado a se extinguir mais cedo ou mais tarde. Temos portanto de ver Israel como Salaheddin Al-Ayoubi (Saladino, grande comandante curdo muçulmano) viu os Cruzados”.

Veículo bombardeado onde estava Al-Jaabari
Em 1998, Al-Jaabari foi novamente preso e torturado pelo aparato de Segurança Preventiva de Arafat, sob a suspeita de que teria coordenado o ataque a um ônibus que transportava colonos judeus. Foi libertado um ano mais tarde. Há quem diga que os maus tratos e a tortura a que foi submetido o levaram a decidir engajar-se definitivamente no trabalho de preparar o Hamás para tomar a Faixa de Gaza e expulsar do enclave as  milícias da OLP.

Em 2002, substituiu Mohamed Dheif como comandante efetivo das Brigadas Ezzeddin Al-Qassam, do Hamás. Dheif sofrera um atentado, perpetrado pelo exército israelense, do qual resultara gravemente ferido. Segundo outros comandantes do Hamás, foi graças ao trabalho de Al-Jaabari que o braço armado da Resistência do Hamás foi convertido em força mais disciplinada, mais bem treinada e mais poderosa.

O CASO SHALIT: Al-Jaabari será lembrado, especialmente, pelo papel chave que desempenhou na coordenação da captura e nas negociações para a troca de um soldado israelense, Gilad Shalit, que foi capturado por combatentes da Resistência palestina em 2006 numa emboscada na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel. Na mesma ação, morreram dois outros soldados israelenses.

A partir daquele momento, Israel mobilizou todas as capacidades de seus serviços de inteligência para localizar e resgatar Shalit, sem sucesso. Al-Jaabari é considerado o principal agente responsável pelo trabalho de abortar todos os esforços dos israelenses; pouquíssimas pessoas algum dia estiveram próximas de Shalit, durante o tempo em que permaneceu sob a guarda do Hamás. Há quem diga que o massacre que Israel promoveu em Gaza, em 2008, visava também a encontrar e resgatar o soldado prisioneiro do Hamás – e resultou em mais um fracasso dos israelenses.

Al-Jaabari tomou todas as providências para que Shalit fosse bem tratado, embora, simultaneamente, Israel tenha várias vezes assassinar o próprio Al-Jaabari e sua família. No ataque de Israel contra Gaza, em 2008-09, a casa da família Al-Jaabari foi destruída por um míssil israelense.

Em 2011, depois de acertada uma troca de prisioneiros com Israel, Al-Jaabari acompanhou pessoalmente Shalit até a passagem de Rafah, fronteira com o Egito – e foi uma das raras vezes em que foi visto em público. Sempre foi extremamente cauteloso com sua segurança pessoal. Não se mostrava em público e jamais usou telefones celulares.

Apesar disso, afinal, a segurança interna de Israel, Shin Bet, acabou por identificar um dos carros que Al-Jaabari usava, graças a um informante local, que foi identificado e executado.

Al-Jaabari sendo atendido logo após o atentado faz sinal de vitória.
Al-Jaabari foi assassinado dia 14/11/2012, num carro, na rua Omar Al-Mokhtar, uma das principais da cidade de Gaza. Várias vezes dissera que seu maior desejo era morrer como mártir e como tal ser recebido no reino de Deus. O Corão ensina que quem caia em luta contra a opressão e a injustiça não morre e ganha a vida eterna.

Não pense nos caídos na estrada até Alá, como mortos. Não estão mortos. Eles vivem com seu Deus e para sempre estão e estarão protegidos. Rejubilam-se nas bênçãos que Alá, o Misericordioso, derrama sobre eles, em nome dos que ainda não se reuniram a Ele [ainda não foram martirizados], para que não sofram nenhum medo nem nenhuma dor. (S.3-v 169-170).

Ahmed Al-Jaabari foi sepultado dia 15/11/2012, em funeral acompanhado por milhares de pessoas. Seu corpo repousa no Cemitério Sheikh Radwan, onde estão enterrados tantos mártires palestinos.

domingo, 24 de junho de 2012

Hamás festeja "possível" vitória de Mursi, no Egito


21-27/6/2012, Khaled Amayreh (de Ramallah), Al-Ahram Weekly, n. 1103, Cairo
Traduzido pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu

ATUALIZAÇÃO às 11h30 de 24/6/2012: Mohamed Mursi, da Fraternidade Muçulmana, é declarado vencedor das eleições no Egito [CNN, pela televisão]

Khaled Amayreh
Os palestinos islâmicos, que acompanharam de perto durante a semana o desenrolar das eleições no Egito, reagiram com grande entusiasmo à possível vitória do candidato da Fraternidade Muçulmana Mohamed Mursi, sobre seu adversário secular, Ahmed Shafik, último primeiro-ministro do governo deposto de Hosni Mubarak.

Antes das eleições, dirigentes do Hamás limitaram-se a comentários apenas “diplomáticos” sobre os acontecimentos políticos no Egito, dizendo que se mantinham igualmente distanciados de todos os atores políticos na arena egípcia. Mas já era evidente, nas entrelinhas das declarações oficiais, o partido e o candidato preferidos do Hamás e de outros grupos islâmicos na região.

O Hamás é “filho” político da Fraternidade Muçulmana, com a qual sempre manteve laços estreitos e vitais. Alguns dos principais nomes do Hamás têm cidadania egípcia, como Mahmoud Al-Zahhar, cuja mãe é egípcia.

A mãe do presidente do Parlamento Palestino, Aziz Duweik, atualmente preso em Israel, sem acusação ou julgamento, também é egípcia, o que o qualifica para obter a cidadania egípcia, segundo leis recentemente aprovadas.

Muitos líderes políticos palestinos islâmicos também estudaram, graduação e pós-graduação, no Egito.

Em Gaza, palestinos distribuem doces, sob uma bandeira do Egito, 
frente a um cartaz com foto do candidato da Fraternidade 
Muçulmana no Egito, Mohamed Mursi.
Na Faixa de Gaza, centenas de jovens palestinos tomaram as ruas para celebrar a esperada vitória de Mursi, depois que o candidato da Fraternidade Muçulmana foi à televisão e declarou vitória nas eleições presidenciais. Outros distribuíram doces e trocaram abraços de congratulações.

É vitória da Palestina, tanto quanto vitória do Egito. Esperamos que, com presidente islâmico na chefe do maior e mais poderoso estado árabe, Israel terá de ser menos arrogante” – disse Mohamed Amr, ativista do Hamás em Hebron, no sul da Cisjordânia.

Estamos vivendo um terremoto político de proporções históricas. É a primeira vez que temos presidente islâmico em país árabe. Os efeitos psicológicos e a repercussão psicológica e política desse envento serão imensas, de longo alcance” – disse Amr.

Ismail Haniyeh
Ismail Haniyeh e Moussa Abu Marzouk foram os primeiros dirigentes do Hamás a congratular-se com a Fraternidade Muçulmana pela vitória. Ambos manifestaram esperanças de que o Egito, sob a presidência de Mursi, saberá assumir posição mais firme em relação a Israel.
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Haniyeh, primeiro-ministro do governo do Hamás em Gaza, saudou as eleições como “verdadeiro casamento democrático”; disse que espera que o Egito alcance logo a estabilidade política e a prosperidade econômica. Acrescentou que o povo palestino deposita grandes esperanças no triunfo da revolução egípcia.

O Hamás tem, de fato, boas razões para otimismo, com a ascensão da Fraternidade Muçulmana à presidência do mais importante estado árabe.

Para começar, o Hamás tem certeza de que o Egito, no governo de Mursi, não chantageará o grupo islâmico e os palestinos em geral, a aceitar acordos com Israel que não interessam aos palestinos, como tantas vezes aconteceu durante o reinado de Mubarak, quando o governo egípcio era usado – pelos EUA – como garrote, para obrigar a Autoridade Palestina a fazer concessões a Israel. De fato, a grande maioria dos palestinos sempre consideraram o governo de Mubarak mais como ameaça, do que como aliado da causa palestina. Os que acalentavam alguma esperança foram afinal desiludidas na campanha genocida de Israel contra Gaza, há mais de três anos (“Operação Chumbo Derretido”/ing.: Operation Cast Lead).

Em segundo lugar, o Hamás, que sofreu terrivelmente por causa dos esforços do governo de Mubarak para sufocar economicamente a Faixa de Gaza e, dentre outras medidas violentas, construiu um muro (profundo o suficiente para tentar bloquear a rede de túneis que atravessam a fronteira e é vital para o abastecimento da população da Faixa de Gaza) na fronteira Gaza-Sinai, espera que, com Mursi na presidência, estará acabada a “política” de cerramento das fronteiras e bloqueio a Gaza.

Em terceiro lugar, o Hamás espera que o Egito, doravante, passe a conectar seu compromisso com o Acordo de Paz de Camp David ao modo como Israel se relacione com os palestinos. Vários dirigentes da Fraternidade Muçulmana já se manifestaram favoráveis a essa conexão.

Em quarto lugar, o Hamás espera – e provavelmente já trabalha com essa possibilidade real, no planejamento estratégico dos próximos passos – que o Egito se mostrará mais atento e compreensivo em relação à posição do Hamás vis-à-vis seu adversário local, o Fatah.

Mohamed Mursi, vencedor - Fraternidade Muçulmana
No passado, o regime de Mubarak  sempre foi visto como tendencioso a favor do Fatah, nas conversações de reconciliação e de constituição da frente de unidade nacional palestina, patrocinadas pelo Egito.

O Fatah ainda não comentou oficialmente os resultados das eleições no Egito, à espera do anúncio oficial no Cairo. Porta-vozes do Fatah têm dito que o presidente Mahmoud Abbas não tem preferências em relação às eleições no Egito. Mas, entre os quadros intermediários e inferiores do Fatah, o sentimento era de consternação e, mesmo, de indignação, ante a possível vitória de Mursi. E comentário publicado na página internet do Departamento de Cultura e informação do Fatah dizia que “agora a Fraternidade Muçulmana será desmascarada”. (...)

O autor do comentário, Yehia Rabah, obviamente ignorava que a Fraternidade Muçulmana foi eleita e não usurpou qualquer direito que não lhe caiba por decisão dos eleitores. Rabah continua: “O exército é o único partido qualificado no qual os egípcios podem confiar para garantir a paz e a segurança”.

Secularista anti-islâmico, Rabah escreveu que o Egito sempre esteve “em melhores mãos” enquanto foi comandado com mão de ferro pelo exército, sem considerar as forças políticas populares. (...)

Quanto a Israel, a reação à eleição de Mursi foi sombria. Um deputado do Parlamento de Israel disse que “a chegada dos islamistas ao centro de poder no Egito é ameaça existencial mais grave a Israel, que as bombas atômicas do Irã”.

Alex Fishman, conhecido analista da política de Israel escreveu no jornal Yedith Aharonot, de grande circulação, que Israel terá de aprender a conviver com a perturbadora realidade de um governo hostil, no Egito, governado por islâmicos.

“Nenhum governo egípcio comandado por islâmicos eleitos conseguirá admitir que Israel continue a bombardear Gaza. O dia em que, com Mursi no governo do Egito, os aviões do Exército de Israel atacarem a Faixa de Gaza, destruindo propriedades de palestinos e matando palestinos inocentes será, muito provavelmente, o último dia em que haverá relações diplomáticas formais entre Israel e o Egito” 

domingo, 9 de outubro de 2011

Colonos terroristas judeus juram vingança

Khaled Amayreh

29/9-6/10/2011, Khaled Amayreh, Al-Ahram Weekly, n. 1.066, Cairo
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

Ramallah. - Colonos judeus, doutrinados pela teologia talmúdica extremista, ameaçam transformar a Cisjordânia em vasto campo de matança.

Reagindo contra o até agora bem-sucedido movimento palestino para obter apoio internacional para um estado palestino nos territórios que Israel ocupou em 1967, alguns líderes de colonos em Israel ameaçaram transformar os centros de população palestina em outra Srebrenica.

Em 1995, soldados sérvios foram responsáveis por um genocídio, naquela cidade bósnia, onde cerca de 8.000 homens e meninos foram massacrados, mortos a sangue frio.

Líderes de colonos, nas colônias israelenses em terras palestinas, que são efetivamente apoiados pelo governo e pelo exército de Israel, têm feito repetidas declarações, sempre ameaçando massacrar palestinos, no caso de a ONU reconhecer o estado palestino, ou garantir à Autoridade Palestina o status de representante de estado membro.

Os colonos não fazem ameaças à toa. Terroristas judeus, reunidos numa organização paramilitar conhecida como “Hilltop Youth” [Juventude da Colina], estão ativos numa campanha de assassinato e terror em vários pontos da Cisjordânia, incendiando plantações de oliveiras e mesquitas e matando palestinos inocentes.

O rabi assassino
O rabino Kiryat Arba Rabbi Dov Lior, mestre talmúdico extremista, segundo os jornais, estaria pregando “castigo coletivo” para os palestinos. Relançou um antigo édito talmúdico incendiário, segundo o qual até as crianças não judias devem ser mortas, “porque não há inocentes, na guerra”.

O mesmo rabino endossou um livro editado recentemente, em hebraico, que ordena o assassinato “das crianças do inimigo”, especialmente em tempos de guerra.

Outro judeu assassino
Em 1994, esse velho rabino abraçou apaixonadamente o massacre executado por um terrorista judeu norte-americano, Baruch Goldstein, de centenas de palestinos que rezavam na Mesquita Ibrahimi, no centro de Hebron, do qual resultaram centenas de mortos e feridos. O rabino declarou santo e grande herói, o assassino. 

Esse rabino tem dezenas de milhares de apoiadores e seguidores fanáticos e sabe-se que é temido pelo establishment político em Israel.

Dia 24 de setembro, colonos e soldados israelenses atirara contra um homem palestino desarmado, pai de cinco filhos na vila de Qusra, perto de Nablus, e o mataram. Testemunhas descreveram o assassinato de Isam Badran, 37, como assassinato a sangue frio.

Segundo o presidente do conselho da vila de Qusra, Abdel-Azim Wadieh, bandos de colonos judeus, pesadamente armados, invadiram a vila, para incendiar os olivais. “Quando os locais tentaram defender suas árvores, os soldados israelenses que assistiam à invasão sem intervir puseram-se a atirar massivamente contra os palestinos donos dos olivais.”

Wadieh disse que dúzias de soldados israelenses invadiram a vila, tarde da noite, atirando para todos os lados, aparentemente para aterrorizar a população. No final do assalto, havia um palestino morto, sete feridos à bala, ferimentos de muito graves a superficiais, e várias pessoas foram presas.

Há duas semanas, a principal mesquita da vila foi seriamente danificada, quando terroristas judeus incendiaram o prédio central. Os incêndios de mesquitas na Cisjordânia, por colonos judeus, já atingem grandes proporções, sem que o exército ou o governo do estado judeu tenham investigado ou prendido um único terrorista.

Observadores na Cisjordânia estão convencidos de que as gangues de judeus terroristas têm ‘mulas’ ou agentes infiltrados no exército do estado judeu nos territórios ocupados, o que permite que os terroristas executem atos de terror e vandalismo contra os palestinos, sem jamais serem presos.

Em Hebron, no sul da Cisjordânia, um colono israelense atropelou um palestino, que ficou gravemente ferido. Dia 23 de setembro, uma 6ª-feira, colonos judeus mobilizaram-se, exigindo que o exército de Israel atirasse e matasse palestinos que, naquele momento, paravam para ver um acidente de trânsito, no qual dois colonos haviam sido atropelados.

Os colonos dizem que o acidente aconteceu porque palestinos atiraram pedras contra o carro. O exército israelense distribuiu duas versões diferentes do incidente. Fontes palestinas citam testemunhas, que viram o carro aproximar-se em alta velocidade e capotar; e que não havia palestinos na área, quando ocorreu o acidente.

Antes disso, um colono atropelara uma criança palestina próximo do local onde ocorreu o acidente. A criança, Farid Jaber, de oito anos, morreu na 2ª-feira, por causa dos ferimentos no atropelamento. Fontes palestinas noticiaram que a opinião generalizada na área é que os colonos atropelam deliberadamente pedestres palestinos naquele ponto e, sempre, notificam os atropelamentos deliberados como acidentes de trânsito.

Os colonos, se não todos, com certeza a maioria, são defensores e pregadores de uma violenta ideologia religiosa que prega a aniquilação de todos os não judeus que vivem no estado judeu. Segundo essa ideologia, ainda que sejam pacificados e ‘passem a respeitar a lei’, os não judeus devem ser escravizados para “carregar água e cortar lenha”, a serviço dos senhores da raça superior.

Em anos recentes, vários colonos têm divulgado essa ideologia fascista, contra os palestinos. Citam “éditos” de antigos textos talmúdicos que – se aplicados – obrigariam milhões de palestinos a escolher entre viver como escravos dos judeus, ser expulsos por meios violentos ou o extermínio físico.

Os colonos israelenses, que seguem a ideologia do sionismo religioso, creem que a vida de um não judeu não é vida santificada e que um judeu pode, mesmo, matar um não judeu sem que se admita qualquer impedimento legal e sem remorso. Algumas autoridades rabínicas em Israel admitem até o assassinato de não judeus para extrair órgãos vitais, no caso de haver judeu que deles necessite.

A ideologia do Gush Emunim, também conhecido como Bloco do Sionismo Messiânico existe há várias décadas, mas sempre foi marginal na população de judeus israelenses. Hoje, porém, essa ideologia parece estar-se tornando dominante, ao tempo em que toda a sociedade judeu-israelense continua a caminhar, a passos largos, para o fascismo declarado.

Há alguns meses, o líder espiritual do partido Shas, poderoso partido político, de forte influência no atual governo, que representa judeus de estados árabes e muçulmanos, declarou, numa homilia do Sabbath, que o estatuto de não-judeus em geral é equivalente ao de bestas de carga, e que Deus criou os não-judeus, inclusive os que apóiam os cristãos, ainda que apóiem Israel, exclusivamente para que sirvam os judeus.

A Autoridade Palestina, que tem a seu serviço dezenas de milhares de soldados de segurança, não tem conseguido proteger os palestinos, sobretudo em vilas e vilarejos localizados em áreas próximas das colônias exclusivas para judeus. Além disso, “acordos” e “entendimentos” entre Israel e a Autoridade Palestina proíbem que as forças de segurança da Autoridade Palestina entrem em zonas definidas como Áreas C, nas quais se localizam a maioria das vilas e vilarejos palestinos atacados.

Um oficial da Autoridade Palestina disse recentemente que a Autoridade Palestina perde a própria razão de ser, se não consegue proteger os cidadãos palestinos contra o terrorismo judeu, sobretudo se o exército israelense de ocupação nada faz para deter os colonos terroristas judeus israelenses.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Para o Hamás, a primavera começou mais cedo

 Khaled Amayreh

7-13/4/2011, Khaled Amayreh [da Cisjordânia], Al-Ahram, Cairo, n, 1.042 
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu
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NOTA DOS TRADUTORES: O artigo abaixo não tem novidades. Mas é interessante, porque aí se ouvem vozes que estão totalmente varridas da ridícula imprensa brasileira. A ridícula imprensa brasileira tenta fazer-crer que o destino do mundo se jogaria exclusivamente em Washington ou no Pentágono (os quais, se se acredita no que se lê/vê na ridícula imprensa brasileira, dariam alto crédito às opiniões dos ridículos O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo e Rede Globo). Como se só importasse ao Brasil o que pensam que pensam as tristes Donas Danuzas, Doras, Elianes, saias-justas, papos-calcinha, Jabores, ou os hiperridículos Mervais Pereiras, Datenas, Waacks, BBBs, Magnollis, pânico-na-TV, Lampreias e que-tais). 
O artigo abaixo, hoje publicado no Cairo, mostra, pelo menos, com clareza de algum bom jornalismo, que o mundo se vai rearranjando, apesar do que “declarem” as Clintons, os Obamas, as OTANs e coisa-e-tal, divulgados pelas grandes agências de notícias, religiosamente papagaiadas aqui pelos “noticiários” e “analistas” (só rindo!) ainda tucanos (mas... tucanos?! Como assim?! Que tucanos?! Cadê os tucanos?! O DEM?! Mas... mas... Cadê o DEM?! Que DEM, sô?! [risos, risos]).
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Apesar das muitas afirmativas na direção contrária, os mais recentes esforços para restaurar a unidade nacional dos palestinos, entre Fatah e Hamas, parecem não estar trazendo resultados estimulantes. Fatah e Hamas têm trocado acusações sobre as respectivas sinceridades no trabalho de por fim aos três anos de disputas.

O Hamás ainda não anunciou data definitiva para a hoje já duvidosa visita que consta que  Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, estaria planejando fazer à Faixa de Gaza. Alguns dos líderes do Hamás acusaram Abbas e a liderança do [partido] Fatah na Cisjordânia de planejar “visita de relações públicas”, para deixar a sempre referida ‘bola do jogo’ no ‘campo’ do Hamás.

O Hamás, que não tem posição unânime sobre essa visita, exigiu que a visita não seja anunciada antes de que se possam tomar medidas necessárias para que a visita tenha sucesso. Entre essas medidas, é preciso algum acordo sobre pontos políticos controversos, o fim das prisões políticas, a libertação dos presos políticos e fim à atmosfera ditatorial, de estado policial, na Cisjordânia.

Para o Hamas, a recusa do Fatah, que não aceita negociar seriamente essas exigências, implica que o Fatah não tem intenção séria de reconciliar-se com o Hamas.

“Já várias vezes solicitamos que Abbas envie delegação precursora a Gaza, ou a outro lugar que escolham, para que se possa planejar a visita. Parte desse planejamento implica acertar posições sobre pontos não consensuais, de modo que a visita possa ser, de fato, o coroamento de um acordo entre as duas partes [Fatah e Hamas]. Mas Abbas parece desejar fazer mera visita protocolar e formal, sem associá-la à reconciliação. A posição do Hamás é: primeiro o acordo, depois a reconciliação oficial.” 

Como seria de prever, o Fatah reagiu em fúria. Disse que o Hamás opõe-se à reconciliação, porque teme o resultado de eleições livres e democráticas na Palestina, quando o eleitor dirá a última palavra. “As objeções do Hamás implicam rejeição tácita do gesto de generosidade do presidente Abbas, que quer ir a Gaza e firmar o acordo, para virar definitivamente essa página de nossa história”, disse o deputado Azzam Al-Ahmed.

Mahmoud Al-Zahar, do Hamas desqualificou os comentários do Fatah; disse que “não estão alinhados nem com a verdade nem com a realidade”. “Podemos facilmente firmar um acordo, desde que não se discutam as questões importantes. E o acordo não durará cinco minutos. O Hamás está decidido a não repetir os velhos erros.” 

De fato, parece que os dois lados estão à espera de que o Egito reinicie as conversações de reconciliação, que chegaram a ser iniciadas há algum tempo, coordenadas pelo ex-chefe de segurança do Egito general Omar Suleiman. O Alto Conselho das Forças Armadas [ing. Higher Council of the Armed Forces (HCAF)] que governa atualmente o Egito, recebeu recentemente líderes do Fatah e do Hamas, entre os quais Al-Ahmed e Al-Zahar.

Al-Zahar, que esteve no Cairo essa semana, disse que o Egito não parece inclinado a participar do diálogo entre Fatah e Hamas. “Os irmãos egípcios preferem a posição de observadores. Querem que os palestinos construam o acordo eles mesmos, sem qualquer interferência ou pressa externa. Pedem apenas que a declaração final e a cerimônia de reconciliação sejam feitas no Cairo.”

O Hamas já convidou o Fatah e outros grupos palestinos para “um importante encontro” em Gaza, para discutir os esforços de reconcliliação. Durante esse encontro, que aconteceu na 3ª.-feira, 5/4, Ismail Radwan, do Hamás, disse que o governo egípcio prometeu levantar o sítio de Gaza e permitir o trânsito de bens e pessoas pela passagem de Rafah.

Outro líder islâmico, Ismail Al-Ashkar, revelou que teve dois outros encontros, dois dias antes, no Cairo: um foi coordenado pelo presidente da Liga Árabe Amr Moussa; o outro, com vários líderes do atual governo egípcio. O governo do Egito também convidou  Abbas a visitar o Cairo, provavelmente dia 6/4, 4ª-feira, para revisão dos esforços de reconciliação.

Segundo fontes palestinas, os esforços em curso visam a reestruturar a OLP (Organização de Libertação da Palestina), de modo a garantir representação justa para todos os grupos palestinos, incluindo o Hamás e a Jihad Islâmica.

O Hamas sempre relutou em assinar qualquer documento preparado pelo regime deposto de Hosni Mubarak. Mas o Hamas tem poucas ou nenhuma reserva em relação ao novo governo do Egito, considerado isento de qualquer ranço anti-islâmico, característico do governo deposto de Mubarak.

Quanto ao governo do Egito, tem dito que não favorece nenhuma das organizações palestinas e visa, exclusivamente, a restaurar a unidade dos palestinos.

Os palestinos, de modo geral, investem grandes esperanças nas mudanças revolucionárias em curso no mundo árabe, sobretudo no Egito, que veem como benéficas à causa palestina e militam contra a hegemonia militarista de Israel, na região. Israel sempre considerou o governo de Mubarak como aliado estratégico crucialmente importante do estado judeu.