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terça-feira, 3 de março de 2015

Tariq Ali: É tempo de a Revolução avançar sobre o Palácio


1/3/2015, [*] Chris Hedges e Tariq AliThruthdig
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Chantez, compagnons, dans la nuit la liberté nous écoute.
Cantem, camaradas! Dentro da noite, a liberdade nos ouve.
(Da Chanson du Partisan, 1943, cantada por Johnny Halliday)


Ver também: 2/3/2015, Eurobancos vs. trabalho grego, redecastorphoto, Michael Hudson em entrevista à rede TRNN.


O novo livro de Tariq Ali é “The Extreme Centre: A Warning”.
[O extremo centro: um alerta]

PRINCETON, N.J. – Tariq Ali é da alta nobreza da esquerda. Seus mais de 20 livros sobre política e história, seus seis romances, suas peças e roteiros e seu jornalismo no jornal Black Dwarf, na New Left Review e outras publicações, fizeram dele um dos mais afiados críticos do capitalismo empresarial-empreendedorista. Lança raios retóricos e críticas afiadíssimas contra os especuladores do petróleo e empresários oligarcas que manipulam a finança global e os imbecis úteis na empresa-imprensa, no sistema político e na academia que os apoiam. A história da parte final do século XX e da primeira parte do século XXI provou que Tariq Ali, intelectual formado em Oxford e ativista há muito tempo incômodo, que certa vez apresentou-se como candidato trotskista ao Parlamento britânico, sempre foi muito surpreendentemente profético.

Ali, nascido no Paquistão, portador de cidadania dupla, britânica e paquistanesa, já era ícone da esquerda durante as convulsões dos anos 1960s. Reza a história que Mick Jagger escreveuStreet Fighting Man (vídeo no fim do parágrafo) depois de assistir a um comício antiguerra em Grosvenor Square dia 17/3/1968, liderado por Ali, Vanessa Redgrave e outros à frente da Embaixada dos EUA em Londres. 8.000 manifestantes atiraram lama, pedras e bombas de fumaça contra a polícia de choque. A polícia montada atacou a multidão. Mais de 200 pessoas foram presas.


Semana passada, quando nos encontramos pouco antes de ele proferir a aula-homenagem a Edward W. Said na Princeton University, Ali elogiou as lutas de rua, e manifestações de protesto e o confronto aberto e sustentado contra o estado que irromperam durante a Guerra do Vietnam. Lamentou o fim do radicalismo que foi nutrido pela contracultura dos anos 1960s, dizendo que foi evento “sem precedentes na história do império” e produziu o “período mais cheio de esperança” nos EUA, “intelectualmente, culturalmente e politicamente”.
 Edward W. Said

Não consigo pensar em exemplo de nenhuma outra guerra imperial na história, e não só na história do império norte-americano, mas também na história dos impérios britânico e francês, durante a qual dezenas de milhares de veteranos de guerra e muitos GIs que ainda estavam no serviço militar ativo, marcharam à frente do Pentágono, dizendo que desejavam que os vietnamitas vencessem a guerra. Aquele foi evento único nos anais do império. E foi o que assustou, atemorizou, fez tremer de pavor todos eles [os que estavam no poder]. Se o coração de nosso apparatus já foi contaminado[pensaram eles], o que, diabos, vamos fazer?! − disse ele.

Esse desafio encontrou expressão até dentro dos muros do Establishment. Sessões e audiências pública da Comissão de Relações Exteriores do Senado abertamente desafiavam os que insistiam em orquestrar o banho de sangue da Guerra do Vietnã.

O modo como aquelas audiências públicas foram conduzidas educaram segmento enorme da população” – disse Ali falando das audiências públicas conduzidas por liberais como J. William Fulbright.

Mas Ali logo constatou com tristeza: audiências públicas como aquelas nunca mais voltarão acontecer.

Aquele espírito foi, exatamente, o que a elite governante teve de atacar e fazer retroceder, e conseguiram que retrocedesse, com considerável sucesso, ele disse; e o retrocesso foi completado pela implosão da União Soviética.

Então a elite sentou e disse:

Ótimo. Agora podemos fazer o que bem entendermos. Nada mais existe do outro lado do mundo, e o que temos em casa – crianças protestando contra a Nicarágua e os Contras – é coisa pouca. E gradualmente a oposição democrática retrocedeu.

Os EUA bombardeiam Bagdá  - março/2003
Já no início da Guerra do Iraque, as manifestações de cidadãos, embora grandes, já não passavam de “assunto de 24 horas”.

Antes, havia sido uma tentativa para parar uma guerra. Quando não conseguiram pará-la, a manifestação acabou – disse ele sobre as marchas de oposição à Guerra do Iraque.

Foi um espasmo. As autoridades conseguiram convencer o povo na rua de que eles nada poderiam fazer; que fizesse a rua o que fizesse, os do poder sempre fariam o que bem entendessem. Foi a primeira vez em que muitos se deram conta de que a própria democracia já fora enfraquecida e estava sendo ameaçada.

A volta do sistema político, já trazendo com ele em profusão o dinheiro privado, a reformatação das leis e regulações para remover todos e quaisquer controles democráticos sobre o poder dos empresários e das empresas, a ocupação de toda a empresa-imprensa por um punhado de empresas e empresários para silenciar qualquer oposição, e a ascensão da vigilância total vendida no atacado, e o estado de vigilância “levaram à morte do sistema de partidos” e à emergência do que Ali chamou de “um extremo centro”.

Os trabalhadores estão sendo cruelmente sacrificados no altar do lucro das empresas privadas – cenário que se vê em tonalidades dramáticas, hoje, na Grécia. E não há mecanismo ou instituição restante dentro das estruturas do sistema capitalista que seja capaz de pôr fim ou de mitigar a reconfiguração da economia global que a vai convertendo em neofeudalismo impiedoso, em mundo de patrões e servos.

Esse extremo centro – não importa o partido que o constitua – efetivamente entra em colusão com as empresas privadas gigantes, incorpora os mesmos interesses e põe-se pelo mundo a fazer guerras – disse Ali. – Esse extremo centro estende-se por todo o mundo ocidental. Por isso é que cada vez mais e mais jovens afastam-se, lavando as mãos feito Pilatos, do sistema democrático como existe hoje. Tudo isso é resultado direto de se haver ensinado ao povo, depois do colapso da União Soviética, que “não há alternativa”.

Vai-se tornando cada dia mais volátil a batalha entre desejo popular e as demandas dos empresários oligarcas – que cada dia saqueiam maior número de pessoas pelo mundo, jogando-as na miséria e no desespero. Ali observou que mesmo os líderes que têm compreensão clara da força destrutiva do capitalismo sem controles – como o Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras, que é homem de esquerda – deixam-se intimidar pelo poder econômico e militar que há à disposição das elites empresariais e grandes empreiteiras.

Yanis Varoufakis (E) e Alexis Tsipras
Por essa razão, principalmente, é que Tsipras e seu Ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, acederam às demandas dos bancos europeus, em troca de uma prorrogação de quatro meses no atual processo de resgate da Grécia, por US$ 272 bilhões emprestados. Os líderes gregos foram forçados a se comprometer com manter reformas econômicas punitivas e a retroceder de suas promessas de campanha eleitoral, quando o partido de Tsipras, a SYRIZA, falava de cancelar grande parte da dívida da Grécia. A dívida grega chega a 175% do PIB grego. Esse negócio agora acertado, por quatro meses, como disse Ali, é uma tática de adiamento – mas ameaça enfraquecer todo o amplo apoio que a SYRIZA angariou entre os gregos. A Grécia não conseguirá pagar o serviço dessa dívida. Mais dia menos dia, as autoridades gregas e europeias terão de entrar em choque; e o choque, afinal, disparará uma quebradeira terminal e o derretimento financeiro na Grécia. Assim a Grécia se libertará da Eurozona, e disparará levantes populares na Espanha, Portugal e Itália.

O desafio aberto, declarado, disse Ali, e o custo que com certeza custará, é nossa única linha de fuga para nos salvar da tirania das empreiteiras e empresas privadas monstro. Esse custo, de início, será doloroso. Nossos patrões empresários e empreiteiros monstros privados não têm intenção alguma de afrouxar a pegada de suas garras, e a luta será brutal.

Ali relembra o que lhe ensinava o seu valente, falecido e muito querido amigo, Hugo Chávez, presidente socialista da Venezuela, que tampouco conseguiu escapar sempre das forças de intimidação do Establishment:

(...) lembro-me das muitas conversas que tive com Chávez, e que eu dizia: “Mas meu Comandante, por que parar nesse ponto?” – e ele sempre me dizia que não era realista tentar ir adiante, naquele momento. Podemos regular o capital, podemos fazer a vida mais difícil para o capitalismo, podemos usar o dinheiro do petróleo a favor dos pobres, mas não podemos derrubar o sistema.

E, Ali acrescenta:

Os gregos e os espanhóis estão dizendo a mesma coisa.

Movimento dos Indignados (15M) - Espanha

Não sei o que a SYRIZA pensou – diz Ali. – Se pensou “podemos dividir a elite europeia, podemos fazer vasta campanha de propaganda na Europa e eles serão obrigados a fazer concessões”... Isso seria loucura. A elite europeia, chefiada pelos alemães é dura na queda, não rachará assim tão facilmente. A elite europeia já esmagou os gregos. Os líderes gregos deveriam ter dito ao próprio povo que “Vamos tentar arrancar as melhores condições possíveis – se não conseguirmos, o povo será informado sobre o que aconteceu e sobre o que os gregos teremos de fazer”. Não fizeram assim. Em vez disso, caíram na armadilha dos europeus. Os europeus praticamente não fizeram concessão alguma, que interessasse aos gregos.

O embate entre os gregos e as elites empresariais e bancárias que dominam a Europa, disse Ali, “não é econômico”. [epígrafe]

A União Europeia está pronta para “fazer chover bilhões contra os russos na Ucrânia” – Tariq Ali observa. – Não é absolutamente questão de dinheiro. Eles podem jogar fora quanta merda de dinheiro queiram, como estão preparados para fazer na Ucrânia. Com os gregos, a União Europeia finge que seria questão de dinheiro, mas não é: a questão é política. Temem que se os gregos conseguirem, a febre se dissemine. Em dezembro haverá eleições na Espanha. Se o partido Podemos [o partido da esquerda da Espanha]vencer, o segundo, depois de a SYRIZA ter sido eleita na Grécia e seguindo avante, mesmo que os avanços sejam tímidos, e por via diferente, os espanhóis dirão que os gregos conseguiram. E há também os irlandeses, esperando pacientemente com seus países progressistas e dizendo “Por que não poderíamos fazer o que a SYRIZA fez? Por que não podemos todos nos unir e agir diretamente contra nosso extremo centro?”.

Ali disse que sempre se sentiu:

(...) furioso e chocado por causa das muitas esperanças que a esquerda investiu em ObamaBarack Obama, disse ele, é presidente imperial e age como tal, não importa que tenha pele de mestiço.

Ali também já há muito desacreditou da política de gêneros que já está dando combustível para uma possível candidatura de Hilária Clinton à Casa Branca, para ser a primeira presidenta mulher nos EUA.  

Hilária Clinton
DonkeyHotey

Minha resposta é “e que merda de diferença faz que seja mulher ou homem?!”– disse ele. Se ela vai bombardear o mundo e distribuir drones por todos os continentes, que diferença faz o gênero, se a política é a mesma?

Aí está a chave: toda a política foi desvalorizada e rebaixada pelos “valores” do neoliberalismo. As pessoas degradaram as lutas, recolheram-se para lutas de identidade, lutas religiosas. Penso mesmo se será possível ainda criar alguma oposição a tudo isso coisa em escala nacional nos EUA.

Penso se o melhor não será concentrar-se nas grandes cidades e tratar de desenvolver alguns movimentos onde possam fazer diferença, em Los Angeles, New York ou em estados como Vermont. Pode ser mais inteligente concentrar-se em três ou quatro coisas e mostrar o que pode ser feito.

Não consigo ver a velha sistemática, de reproduzir partidos políticos de esquerda cujo modelo é o mesmo dos partidos Republicano e Democrata, nos dar algum resultado avançado. Gente de partido só trabalha com o dinheiro. Às vezes eles já nem veem gente do povo, há anos. É a democracia de cartão de crédito. A esquerda não pode copiar e nunca deveria ter copiado esse modelo.

Os EUA são o osso mais duro de roer, mas se não roermos esse osso, estamos destruídos.

Ali disse que teme que, se os norte-americanos algum dia se tornarem politicamente conscientes e decidirem resistir, o estado das empreiteiras e empresários imporá diretamente as formas mais declaradas de repressão militarizada. A reação do governo dos EUA no caso das bombas na Maratona de Boston em 2013, o impressionou:

(...) o estado norte-americano fechou completamente uma cidade inteira, com o apoio da população.

Bomba na Maratona de Boston - Investigação
Para Tariq Ali, a declaração virtual de lei marcial em Boston foi como “um ensaio geral”.

Se conseguem fazer em Boston, conseguem fazer em outras cidades – disse.Precisavam testar e testaram em Boston para ver se funcionaria. Essa ideia muito me assustou.

Para Tariq Ali,

(...) quem fabrica ameaça fabrica medo. Criam-se cidadãos sonâmbulos. As autoridades norte-americanas nunca tentaram o que se vê hoje, nessa escala, nem quando combatiam contra a União Soviética e o inimigo comunista, pressuposto o pior, o mais ameaçador, o mais perigoso de todos os tempos. Agora fazem exatamente o que se vê, em escala gigantesca, por causa de meia dúzia de terroristas doidos. 

Para ele, grupos como Black Lives Matter, [Vida de negro faz diferença], trazem alguma esperança. Vídeo a seguir:


Assim como os tradicionais partidos de esquerda foram esvaziados por todos os cantos do mundo, assim também os segmentos radicais da população afro-norte-americana – diz Ali. – Foram fisicamente eliminados. Martin Luther King e Malcolm X, alguns dos líderes mais bem dotados, foram assassinados. Os Black Panthers [Panteras Negras] foram destruídos. Áreas nas quais os negros viviam na Costa Oeste foram inundadas com drogas. Foi ataque bem planejado. Mas os jovens que saíram às ruas no movimento Black Lives Matter parecem ter aquele velho espírito. Quando Jesse Jackson foi a Ferguson e tentou lá a sua demagogia, foi rechaçado. Aconteceu o mesmo na Costa Leste, com [Al] Sharpton. Esses líderes negros que se venderam estão sendo vistos, afinal, pelo que são.

A principal preocupação de Ali é que essas organizações, como Black Lives Matter quase sempre só reagem aos eventos e

(...) não se dão conta perfeitamente de que reagir a eventos não é suficiente para agir contra a continuada violência do estado contra os cidadãos; que, para isso, é indispensável que os cidadãos contem com movimentos políticos.

Ele se preocupa com que os norte-americanos conheçam mal a própria história; pouquíssimos algum dia tiveram contato com a literatura da teoria revolucionária, de Karl Marx a Rosa Luxemburg.

Esse analfabetismo político, diz ele, significa que movimentos de oposição raramente são competentes para analisar efetivamente as estruturas e os mecanismo do poder capitalista; sem isso, não podem formular resposta política mais sofisticada.

Por que a classe trabalhadora nos EUA não produziu um Partido Trabalhista nem um Partido Comunista efetivo? – Ali pergunta. Repressão. Se se considera o que aconteceu nos EUA nas primeiras décadas do século XX e na última década do século XIX, vê-se que muitos mercenários privados foram contratados para pôr fim a qualquer organização política democrática. É uma parte da história que raramente é focada. Esse amaldiçoado neoliberalismo degradou também os estudos de história. A história do morticínio entre os trabalhadores norte-americanos que tentavam organizar-se é item que os historiadores norte-americanos realmente odeiam. Até se dedicam a alguns estudos de política, porque nesse campo podem usar seu anticomunismo: ensiná-lo e praticá-lo pelos jornais e televisões. Mas história é problema muito amplo.

Não se consegue entender a emergência da SYRIZA sem compreender a IIª Guerra Mundial, o papel dos partisans, o papel do Partido Comunista que organizou os partisans e como, em dado ponto, 75% da Grécia era controlada por esses partisans comunistas. Então veio o “ocidente” e fez nova guerra, foi obra de Churchill, com o apoio de Truman, para derrotar aquele povo.


Fui simpático ao movimento Occupy, mas àquela conversa de nada exigir, sem demandas, é inútil – diz ele. Deveriam ter pauta de exigências. Que exigissem serviço público de assistência à saúde; fim das empresas que fabricam remédios e do controle das seguradoras sobre os planos de saúde. Que exigissem educação gratuita universal para todos os norte-americanos. A ideia promovida por anarquistas como John Holloway, de que se pode mudar o mundo sem tomar o poder é ideia inútil. Tenho grande, enorme respeito pelos anarquistas que mobilizam e lutam pelos direitos dos imigrantes. Mas critico muito os que constroem teorias de uma política sem política. É indispensável ter um programa político. Os anarquistas espanhóis, verdadeiros anarquistas, tinham verdadeiro programa político. Esse novo anarquismo que temos visto não leva a coisa alguma. E o mais provável é que metade dos grupos hoje atuantes já estejam infiltrados. Hoje já sabemos quantos havia, de gente do FBI, no Partido Comunista e no grupo dissidente trotskista. Eram muitos, muitos. Nas votações, quem votava era gente do FBI.

Ali disse que:

(...) o fracasso dos cidadãos, que não conseguem construir movimentos de massa para desmontar o estado de total vigilância sobre os cidadãos logo depois de tudo que Edward Snowden revelou foi exemplo de o quanto estamos todos mergulhados num mesmo autoengano, numa mesma autoilusão; e de nossa cumplicidade na opressão que se aplica contra nós mesmos. O culto do indivíduo e da autoimagem – que já beira o autismo – produto da propaganda das empresas e do empreendedorismo neoliberal, infecta todos os aspectos da sociedade e da cultura, e leva à paralisia.

Edward Snowden
Hollywood deu um prêmio Óscar a Citizenfour, e aí é o mais longe que vai – diz Ali. Como se fosse importante. E aí está o mais assustador: não brotou nenhum movimento por direitos civis, que unisse os cidadãos contra a vigilância em massa. O neoliberalismo realmente destruiu completamente a solidariedade e a empatia, auxiliado por novas tecnologias. É a cultura do narcisismo mais autista.

Ali previu que a atual onda de especulação global resultará em mais um crash financeiro. Esse novo crash fará nascer movimentos, as pessoas dirão “Basta!” Se esses movimentos derem origem a programas políticos radicais, com visão diferente, socialista, da sociedade, nosso “capitalismo autoritário” poderá ser enfrentado. Mas se não houver essa visão socialista, se a revolta for simplesmente reativa, as coisas ainda piorarão. O epicentro dessa luta, disse ele, será nos EUA.

Se nada acontecer nos EUA, se nada de novo for criado para desafiar o império e seus excessos sistêmicos, será situação muito ruim para todos nós – diz ele. Será a danação para todos, se nada acontecer nos EUA.
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[*] Chris Hedges, repórter laureado com Prêmio Pulitzer, mantém coluna regular em Truthdig às 2as-feiras. Formou-se na Harvard Divinity School e foi durante quase duas décadas correspondente no exterior do The New York TimesHedges é autor de 12 livros, entre os quais War Is A Force That Gives Us Meaning, What Every Person Should Know About War, e American Fascists: The Christian Right and the War on America o best-seller (New York Times), Days of Destruction, Days of Revolt (2012), do qual é coautor, com o cartunista Joe Sacco. Seu livro mais recente é Empire of Illusion: The End of Literacy and the Triumph of Spectacle.


[*] Tariq Ali (nasceu em Lahore, hoje Paquistão, em 21/10/1943) é escritor e ativista. Escreve periodicamente para o jornal The Guardian e para a New Left Review e London Review of Books. Estudou na Universidade do Punjab. Devido aos seus contatos com movimentos estudantis e temendo por sua segurança, seus pais o enviaram à Inglaterra. Estudou Ciências Políticas e Filosofia em Oxford. Foi o primeiro paquistanês a ser eleito presidente do Diretório Central dos Estudantes daquela universidade inglesa.
Sua notoriedade teve início durante a Guerra do Vietnã, quando manteve debates com personagens centrais, tais como Henry Kissinger. Tornou-se um crítico ferrenho das políticas externas dos Estados Unidos e Israel. Ali é um crítico das políticas econômicas neoliberais e esteve presente nas edições de 2003 e 2005 do Fórum Social Mundial, tendo sido um dos dezenove signatários do Manifesto de Porto Alegre.
Publicou mais de uma dezena de livros sobre História e Política Internacional, além de várias novelas ficcionais. Seu livro mais recente é Bush na Babilônia: a Recolonização do Iraque, publicado no Brasil pela Editora Record, além de Confronto de fundamentalismo, Redenção e Mulher de Pedra.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Whiplash!

20/1/2015, [*] Dmitry Orlov, Club Orlov
Whiplash!” (foto abaixo)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


WhiplashPescoço quebrado por chicoteamento
da cabeça, por desaceleração repentina 
Ao longo de 2014, os preços que o mundo paga pelo cru caíram, de mais de US$ 125/barril, para, como hoje, cerca de US$ 45/barril, e ainda podem cair mais antes de subir para acima dos preços de antes, antes de novamente entrarem em colapso, antes de subir novamente. Vocês já entenderam. No final, o furioso vai-e-vem dos mercados financeiros, das moedas e a quebradeira de roldão de empresas de energia, depois das entidades que as financiavam, depois os calotes nacionais dos países que mantinham as tais entidades, tudo isso, ao seu tempo, levará ao colapso das economias industriais. E sem uma economia industrial em funcionamento, o petróleo cru será reclassificado e declarado lixo tóxico. Mas, para tanto, ainda faltam uns 20, 30 anos.

Enquanto isso, os preços muito inferiores do petróleo já escorraçaram para fora do mercado a maioria dos produtores de petróleo não convencional. Recordem que o petróleo convencional (do tipo barato-para-produzir, que sai jorrando de poços verticais cavados rasos em solo seco) alcançou preço máximo em 2005 e desde então só faz cair. A produção de petróleo não convencional, inclusive o extraído de águas profundas, de xisto betuminoso, do fraturamento hídrico de solo profundo e por outras técnicas caras, foi generosamente financiado, para que subisse bem, para poder ser derrubado. Mas, no momento, o petróleo menos convencional custa mais para ser produzido do que o preço pelo qual pode ser vendido.

Tem a ver com países inteiros, incluindo o petróleo pesado da Venezuela (que exigeupgrading, para fluir), a produção em águas profundas no Golfo do México (México e EUA), Noruega e Nigéria, as areias betuminosas do Canadá e, claro, o petróleo de xisto dos EUA. Todos esses produtores estão agora queimando dinheiro, além de boa parte do petróleo que produzem, e, se persistirem os preços baixos, serão forçados a fechar.

Queda do "brent" de junho a dezembro de 2014
Problema adicional é a alta taxa de esgotamento dos poços de petróleo de xisto “fracionado” [orig. “fracked”] nos EUA. Atualmente, os produtores de petróleo de xisto bombeiam sem parar e alcançam novos recordes de produção, mas a perfuração também chega rapidamente ao colapso. Poços de petróleo de xisto esgotam-se muito depressa: o fluxo cai à metade em apenas poucos meses, e já é desprezível ao final de uns poucos anos. Só se mantém a produção mediante perfuração incansável, e, agora, essa perfuração incansável parou.

Assim, temos só uns poucos meses de fartura pela frente. Depois, a revolução do petróleo de xisto, que alguns cabeças-ocas acreditaram que faria dos EUA uma nova Arábia Saudita, será saudade. Não haverá qualquer vantagem no fato de a maioria dos produtores de petróleo de xisto, que especularam alucinadamente com dinheiro emprestado para perfurações, estarem então falidos, como também assim estarão as empresas de exploração e produção e que prestem serviços nos campos de petróleo. Toda a economia que foi inflada em anos recentes em torno da área de petróleo de xisto nos EUA, e que foi responsável por quase todo o crescimento nos empregos de altos salários, entrará em colapso – o que fará subir a taxa de desemprego.

Deve-se ter conta que o inventário de fartura de petróleo que precipitou esse colapso dos preços não é especialmente grande. Tudo começou com esforço concertado de EUA e Arábia Saudita, para afogar em petróleo o mercado internacional, para derrubar o preço. Líderes nos EUA sabem perfeitamente que seus dias como maior produtor mundial de petróleos contam-se literalmente em dias e meses, não em anos. Sabem que uma gigantesca ressaca econômica resultará do colapso da produção do petróleo de xisto. Os canadenses, que sabem que se passa o mesmo com a aventura das tais terras betuminosas do Canadá, que já se aproximam do fim, querem brincar junto.

O jogo que estão jogando é, basicamente, um jogo da galinhaSe todos bombeiam todo o petróleo que possam, independente do preço, então, em algum momento, acontece uma de duas coisas: a produção de petróleo de xisto entra em colapso, ou outros produtores ficam sem dinheiro e a produção deles entra em colapso. A questão é: qual das duas coisas acontece primeiro?

Produção de gás de xisto por "fracking"
Os EUA estão apostando que os baixos preços do petróleo destruirão os regimes dos três maiores produtores de petróleo que há sob o controle político e/ou militar dos EUA. São: Venezuela, Irã e, claro, a Rússia. São tiros de longo alcance, mas, sem qualquer outra carta para jogar, os EUA estão desesperados.

Será que a Venezuela vale, como prêmio, o que custa? Tentativas anteriores para “mudar o regime” na Venezuela falharam; por que essa, agora, seria bem-sucedida? O Irã aprendeu a sobreviver apesar das sanções ocidentais e mantém laços comerciais com China, Rússia e com alguns outros países para trabalhar à volta deles. No caso da Rússia, ainda não se consegue ver com clareza que fruto, se houver algum, as políticas ocidentais almejam colher.

Por exemplo, se a Grécia optar por sair da União Europeia [1] para escapar às sanções retaliatórias impostas pelos russos contra a UE, nesse caso ficar-se-á absolutamente sem poder definir quem está(ria) castigando quem.

Claro, derrubar os governos de todos esses três petroestados, destruí-los economicamente, “privatizar” seus recursos de petróleo e bombeá-los gratuitamente, usando trabalho estrangeiro seria exatamente o tiro no ombro que os EUA estão procurando. Mas, se você está acompanhando as coisas, já viu que quase nada leva a crer que os EUA consigam sempre o que mais querem, e se se analisam eventos recentes, nada sugere que consigam seja lá o que for. Quais dos gambitos que a política externa dos EUA tentou nos tempos recentes recompensaram os EUA pelo muito que custaram aos EUA, como os EUA esperavam que recompensassem? Humm...

Assim, por enquanto, todos os produtores de petróleo estão continuando a bombear sem parar. Alguns produtores têm amparo financeiro para produzir com prejuízo, e o farão para proteger sua fatia de mercado. Outros produtores simplesmente enterraram o dinheiro na perfuração dos poços, mas pagaram empréstimos suficientes, enquanto o preço do petróleo ainda estava alto, para continuar produzindo com lucros, mesmo com os preços mais baixos. Por fim, vários produtores (a Rússia à frente deles) podem obter algum pequeno lucro mesmo com o barril vendido a US$ 25 − US$ 30 (não fossem as taxas e tarifas).

Cada produtor tem alguma razão minimamente diferente dos demais, para continuar bombeando petróleo. Muitos deles foram informados de que EUA e Arábia Saudita agiam para derrubar o preço do petróleo. Mas essa teoria da colusão pode ser cortada ao meio com uma Navalha de Occam, porque esses dois lados agiriam exatamente como estão agindo, mesmo sem “combinação” alguma.


Os EUA estão empenhados numa tentativa desesperada para derrubar um ou dois ou três petroestados, antes que o petróleo de xisto acabe completamente, com os canadenses e aquelas terras betuminosas já nada lucrativas, comichando de ansiedade à espera que dê certo, porque se essa tentativa não der certo, então será “quem-sair-por-último-apague-a-luz” para o Império. Mas nenhum dos recentes gambitos deles funcionou.

Estamos em pleno inverno da desesperança imperial, e o império está reduzido a movimentar alguns patéticos fantochezinhos, que seriam bem engraçados, não fossem também sinistros e tristes.

Considerem-se, por exemplo, as palavras pronunciadas pelo Primeiro-Ministro da Ucrânia, “Yats”, teleguiado pelo Departamento de Estado, em Berlim, recentemente: disse que foi a URSS quem invadiu a Alemanha Nazista, não o contrário!

Estamos já chegando ao 70º aniversário da vitória dos soviéticos sobre a Alemanha Nazista; e é excelente momento para... para fazer o quê, exatamente?! Os russos estão confusos. Mas os alemães tiveram de engolir essa e não abriram a boca, quer dizer: 1 a zero para o império!

Sobreviventes do Campo de Concentração de
Auschwitz libertados pela Rússia em 27/1/1945
Ou considere-se a operação de guerra psicológica em Charlie Hebdo em Paris, que, para qualquer um que preste atenção, trouxe recordações impressionantes da bomba contra a Maratona de Boston, há quase dois anos.

Boston ainda não se livrou dos adesivos idiotas de “Boston é forte” [orig. Boston strong] (não, Boston não foi destruída por alguns rojões e uns poucos atores amputados explodindo sacos de sangue falso para fingir que acabavam de perder uma perna). E agora é Paris, decorada com adesivos de “Sou Charlie”.

Matar uma dúzia de inocentes é, claro, procedimento padrão: algumas atrocidades reais ajudam a tornar inadmissível qualquer versão de alguma “teoria da conspiração” dos eventos, para quem esteja sob controle mental do império, porque, sacomé, “Eles são os bons” e “bons” não fazem essas coisas.

Explosão na Maratona de Boston em 15/4/2013
Mas até o controle mental já começa a fraquejar, e até alguns líderes nacionais – como Erdogan da Turquia – já disse publicamente que o evento foi encenado. E, pela mesma razão, os supostos “perpetradores” já foram sumariamente executados pela Polícia, antes de que alguém pudesse descobrir qualquer coisa sobre eles.

É já bem visível, agora, que todos esses eventos estão sendo cozinhados pela mesma gangue de bandidos não lá muito terrivelmente criativos. Parece que reciclaram o PowerPoints:delete Boston; insert Paris.

Mas os franceses defenderam o direito de eles insultarem muçulmanos (e cristãos) impunemente (são direitos que podem ser roubados dos outros, quando ninguém está olhando) – mas não, inexplicavelmente, insultar judeus nem gays importantes, vejam vocês, porque esse pessoal mete você na cadeia. 2 a zero para o império!

Ou observe-se o ataque que derrubou o voo MH17 da Malásia, sobre o leste da Ucrânia, no meio do ano passado. Todas as autoridades públicas e a imprensa-empresa ocidentais instantaneamente culparam “os rebeldes que Putin apoia”, pelos tiros que derrubaram o avião. Quando os resultados da investigação que se seguiu levou a conclusão diferente... a investigação passou a ser sigilosa!

Ataque de Su25 (falsa bandeira) da Ucrânia derrubou o 
voo MH17 da Malasya Airlines matando 298 pessoas
Mas agora os russos têm um desertor ucraniano, sob proteção especial a testemunha, que já identificou o piloto ucraniano [2] que atirou e derrubou o avião de passageiros, servindo-se de um míssil ar-ar disparado de um jato de combate. Ora, os rebeldes não têm Força Aérea; mísseis ar-ar não são objetos de consumo diário para os ucranianos; e aquele foi evidentemente carregado para ser usado naquele dia, contra aquele alvo. Assim, já sabemos quem, como e por quê; só falta saber quem mandou derrubar o avião. O maior número de apostadores pôs seu dinheiro em “Washington”, o ataque foi ordenado por Washington.

É a notícia do dia, em todos os veículos na Rússia. Mas a imprensa-empresa ocidental autocensurou toda a história, como se jamais tivesse acontecido, e continua a repetir o mantra “Foi Putin”, “Foi Putin”. Quer dizer... 3 a zero para o império!

Mas uma gangue que gente desiludida, todos falando sozinhos, só para eles mesmos, numa esquina escura, enquanto o resto do mundo aponta a esquina deles e ri, não faz um império. Com tão baixo nível de desempenho, atrevo-me a sugerir que nada, nada, nada que o império tente, daqui em diante, funcionará como o império gostaria que funcionasse.

A Arábia Saudita está, de modo geral, desgostosa com os EUA, porque os EUA não estão fazendo bem feito o serviço de policiar a vizinhança e manter as coisas sob controle. O Afeganistão está voltando a ser Talebanistão. O Iraque já cedeu território ao ISIS e agora só controla o território de dois reinos da Idade da Pedra, Akkad e Sumer. A Líbia está em estado de guerra civil. O Egito foi “democratizado”, só o suficiente para virar ditadura militar. A Turquia (estado-membro da OTAN e candidato a membro da União Europeia) negocia hoje, basicamente, com a Rússia; a “missão” que derrubaria o presidente Assad da Síria está em cacos. Os “parceiros” dos EUA no Iêmen acabam de ser derrubados por milícias xiitas, e agora há o  ISIS, inicialmente organizado e treinado pelos EUA... que ameaça destruir a Casa de Saud. Some-se a isso que a  joint-venture  EUA-sauditas para desestabilizar a Rússia, fomentando o terrorismo no Norte do Cáucaso, falhou completamente. Não conseguiram organizar nem uma única ação terrorista, que fosse, que destruísse os Jogos Olímpicos de Sochi. (Por causa desse fiasco, o príncipe Bandar bin Sultan, da Arábia Saudita, perdeu o emprego).

Plataforma de petróleo da Rússia no Ártico
E assim é que os sauditas estão bombeando petróleo feito doidos, nem tanto para ajudar os EUA, mas, mais, por outras razões, mais óbvias: para empurrar para fora do mercado outros produtores de petróleo caro (inclusive os EUA, mas não só eles) e para manter a fatia saudita do mercado. Estão também sentados sobre uma montanha de dólares norte-americanos, aos quais querem dar bom uso, enquanto ainda valem alguma coisa.

A Rússia continua bombeando a quantidade usual, dentre outros motivos porque não há de fato razão alguma para parar e muitas razões para continuar.

A Rússia é produtora de baixo preço, e pode esperar enquanto os EUA são tirados da estrada. Também está sentada sobre uma montanha de dólares, que também bem podem ser usados enquanto ainda valem alguma coisa.

O maior patrimônio da Rússia não é seu petróleo, mas a paciência de seu povo: os russos compreendem que passarão por tempos difíceis, enquanto lutam para substituir importações (principalmente o que importam do ocidente) com produção doméstica e outras fontes. Podem encarar uma perda; recuperarão tudo que perderem, tão logo o preço do petróleo se recupere.

Porque vai se recuperar. O remédio para curar preços baixos do petróleo é... preços baixos do petróleo. Passado um dado ponto, os produtores de petróleo caro pararão naturalmente de produzir, o estoque excessivo será queimado e o preço se recuperará.

Previsão de variação do preço do petróleo até 2025
Não apenas se recuperará, mas, muito provavelmente, saltará para um pico positivo, porque país atapetado com os cadáveres de empresas de petróleo falidas não é país que consiga saltar imediatamente para produção de muito petróleo; enquanto, por sua vez, além de alguns poucos usos para combustíveis fósseis, que são usos discricionários, a demanda é bem pouco elástica.

E um salto para cima no preço do petróleo causará outra rodada de destruição de demanda, porque os consumidores, devastados pelas falências e bancarrotas e perda de empregos por causa do colapso do petróleo, logo serão empurrados também para falência e bancarrota pelo preço mais alto. E isso será causa de novo colapso no preço do petróleo, outra vez.

E assim por diante, até que morra o último empreendedor industrialista. O laudo declarará, como causa da morte, “Whiplash − Pescoço quebrado por chicoteamento da cabeça, por desaceleração repentina”: ou “síndrome do empreendedor industrialista violentamente sacudido”, se vocês preferirem.

A rápida alternância de preços do petróleo, de muito altos para muito baixos e também o contrário, quebrará o pescoço deles. Uns raros artesãos recolherão um pouquinho de petróleo de poços antigos e lentos, refinarão em potes de argila aquecidos em fogo de madeira e usarão para mover um antigo carro funerário, que levará para o ossuário industrialista os ossos do último empreendedor industrialista do planeta.

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Nota dos tradutores


[2] Verdade ou mentira, está na boca do mundo: 19/1/2015, YourNewsWire.com: Ukraine Obama Phone Call Leak: Ukraine Shot Down B-777.


[*] Dmitry Orlov é um engenheiro russo-americano e escritor sobre temas relacionados ao declínio econômico, ecológico e político dos Estados Unidos. Orlov acredita que o colapso será o resultado dos orçamentos militares, enormes déficits do governo e um sistema político que não responde e declínio da produção de petróleo. Orlov nasceu em Leningrado (agora São Petersburgo) e se mudou para os Estados Unidos com 12 anos. Tem bacharelado em Engenharia de Computação e Mestrado em Lingüística Aplicada. Foi testemunha ocular do colapso da União Soviética durante os ano 1980-90. Entre 2005 e 2006 escreveu uma série de artigos sobre o colapso da União Soviética publicada em Peak Oil. Em 2006 publicou o Manifesto Orlov on-line, A Nova Era da Vela. Em 2007, ele e sua esposa venderam seu apartamento em Boston e compraram um veleiro, equipado com painéis solares e seis meses de fornecimento de gás propano e capaz de armazenar grande quantidade de produtos alimentícios. Chamou “cápsula de sobrevivência”. Continua a escrever regularmente no seu blog “Clube Orlov” e no EnergyBulletin.Net