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domingo, 30 de novembro de 2014

Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP): guerra de preços contra produtores norte-americanos

29/11/2014, [*] MK Bhadrakumar, Indian Punchline
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Países membros da OPEP
A reunião da OPEP em Viena na 5ª-feira (27/11/2014) foi como divisor de águas, no ir e vir da maré da política de energia. A Arábia Saudita expôs ali, sem meias palavras, a decisão de que não haverá qualquer corte na produção para deter a acentuada queda nos preços do petróleo. Ouviram-se vozes discordantes, mas na OPEP os sauditas mandam e desmandam.

Será o raiar de uma “nova ordem do petróleo”? Os sauditas distribuíram notícias de que a OPEP está realmente em guerra aberta contra os produtores norte-americanos de petróleo de xisto, e de que é guerra necessária, para que se preservem as fatias de mercado dos países reunidos na OPEP.

Mas, privadamente, os sauditas já informam que todos tratem de aprender a viver com menor renda por um ano ou dois, e que se agarrem com unhas e dentes à própria fatia de mercado. Mas nem todos estão convencidos de que a posição dos sauditas seja autêntica.

Reunião da OPEP em Viena, Áustria - 27/11/2014
Há mérito na posição dos sauditas, na medida que já se constatou grande mudança no mercado global de petróleo nos anos recentes. Se o forte aumento nos preços do petróleo em meados dos anos 2000 (graças a forte aumento na demanda global) galvanizou a busca por novas fontes, e eventualmente levou ao uso das revolucionárias tecnologias do fracking e da perfuração horizontal, para extrair petróleo de “formações de xisto” nos EUA, o salto na produção gera a ameaça de crise de excesso de oferta.

Somada ao enfraquecimento da demanda por petróleo na Europa (Alemanha) e Ásia (China e Japão), só a produção adicional dos EUA (4 milhões de barris/dia) significa aumento substancial na oferta (antes baseada em 75 milhões de barris/dia). Além disso, houve aumento na produção de petróleo também no Canadá e na Rússia, e a Líbia está de volta aos negócios, depois da caótica “mudança de regime” pela qual o país passou.


Essencialmente, a OPEP (saudita) decidiu deixar o preço cair a um preço tal que os projetos de perfuração de altíssimo custo em curso nos EUA sintam que a nova produção é antieconômica e sejam forçados a desistir.
Abdalla Salem El-Badri, Secretário Geral da OPEP

É gambito de alto risco, porque ninguém sabe, com certeza, qual o ponto a partir do qual a extração de petróleo de xisto tornar-se-á “não lucrativa”.

Na verdade, a combinação de demanda mais fraca e oferta crescente fez o preço cair de US$ 115/barril em meados de junho, para US$ 80/barril em meados de novembro. Depois da reunião da OPEP na 5ª-feira (27/11/2014), os preços literalmente desabaram. O Brent cru está agora em torno de US$ 70/barril.

Claramente, a influência da OPEP sobre o mercado mundial de petróleo já não é hoje a mesma de antes, historicamente. Até o presente, a OPEP (que produz hoje 40% do petróleo do mundo) podia “controlar” efetivamente o preço mundial do petróleo pelo método simples de coordenar cortes (ou picos positivos) na produção. Já não é o caso.

Produziremos 30 milhões de barris/dia nos próximos seis meses, e veremos como se comportam os mercados.

Assim o secretário-geral da OPEP, Abdalla El-Badri comentou o resultado da reunião de 5ª-feira (27/11/2014) em Viena. Em resumo, há à vista uma nova era no mecanismo de fazer preço para o petróleo, na qual o próprio mercado administrará a oferta, não mais a OPEP.

Preços de petróleo até 2040, previsão (EIA -EUA) 
(Clique na imagem para aumentar)
Enquanto isso, para todos os efeitos práticos, a OPEP declarou guerra aos perfuradores norte-americanos de xisto, com os EUA como novo “produtor duvidoso” [orig. swing producer]. O impacto de tudo isso na política mundial não pode ser mais profundo. Se o mundo estava dividido entre países produtores e países consumidores de petróleo, os países consumidores serão os grandes ganhadores.

A queda nos preços do petróleo para US$ 70 ou abaixo disso por barril é como ganhar a sorte grande para aquelas economias e entre elas estão a União Europeia, China, Japão e Índia. A conta a pagar por petróleo importado da Índia, ano passado, chegou a US$135 bilhões. A economia é muito substancial.

Moscou deu-se por parte prejudicada, com EUA e Irã, os principais perdedores ante a queda nos preços do petróleo. Mas a história não acaba aí. Moscou parece ter interesses comuns com a Arábia Saudita, como país produtor interessado em desalojar do mercado o petróleo de xisto dos norte-americanos.

Interessante: o Ministro de Relações Exteriores da Arábia Saudita, Faisal Al-Saud, visitou Moscou apenas uma semana antes da reunião da OPEP, e os dois países concordaram amplamente com a abordagem saudita a ser divulgada, como foi, na reunião da OPEP.

Sergey Lavrov em 22/11/2014
Como o Ministro de Relações Exteriores da Rússia Sergey Lavrov disse depois das conversações com o ministro saudita,

(...) quando países exportadores de petróleo veem desequilíbrio entre oferta e demanda, quando veem que a oferta ou a demanda está sendo artificialmente manipulada por atores particulares no mercado, é claro que têm o direito de tomar medidas que visem a corrigir aqueles fatores não objetivos, para devolver o mercado à sua posição natural.

Mais uma vez, a queda nos preços do petróleo teria variados impactos também na China. O ponto é que se sabe que a China tem as maiores reservas do mundo de gás de xisto. Atualmente está às voltas com a extração – o que pode mudar, se a tecnologia norte-americana for acessível.

A assinatura do recente acordo entre China e os EUA pode dar o ímpeto de que os dois lados carecem para cooperar na extração do petróleo de xisto.

Extraindo petróleo de xisto em West Virginia, EUA
Mas, feitas todas as contas, a atitude dos sauditas, de desafio, é jogada arriscada. Com certeza é mais barato bombear petróleo na Arábia Saudita, que extrair petróleo de solos de xisto no Texas ou Dakota do Norte. Em princípio, claro, se o preço do petróleo continuar a cair, pode acontecer de os produtores norte-americanos fugirem do negócio – com o que os preços do petróleo se estabilizarão e a OPEP manterá sua fatia de 40% do mercado.

O caso é que ninguém sabe qual terá de ser o preço do petróleo no mercado mundial, para que o boom do xisto realmente fracasse. A Agência Internacional de Energia só sabe que cerca de 4% dos projetos de xisto dos EUA podem ruir, se o preço do petróleo cair abaixo de US$ 80/barril. Por outro lado, muitos projetos na formação Bakken em Dakota do Norte permanecerão nos negócios, a menos que os preços do petróleo caiam abaixo de US$ 42/barril (o que é impensável).


Será longa jornada noite adentro até junho/2015, quando deve acontecer a próxima reunião da OPEP.
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[*] MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Oriente Médio, Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de geopolítica, de energia e de segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu e Ásia Times Online, Al Jazeera, Counterpunch, Information Clearing House, e muita outras. Anima o blog Indian Punchline no sítio Rediff BLOGS. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala, Índia.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Sauditas “torram” petróleo, para ter mais influência sobre políticas dos EUA para o Oriente Médio

13/10/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Barack Obama em 28/1/2014
Durante os últimos anos, o presidente Obama dos EUA falou muito sobre independência no campo da energia:

Em seu quinto discurso “Estado da União” na 3ª-feira (28/1/2014), o presidente Obama celebrou os esforços que seu governo empreendeu para cortar as emissões de gases de efeito estufa, ao mesmo tempo em que festejou recentes aumentos na produção doméstica de petróleo e gás.

Obama disse logo no início de sua fala que há agora “mais petróleo produzido em casa do que comprado do resto do mundo” pela primeira vez em duas décadas.

Obama não disse que o aumento na produção de combustível fóssil nos EUA só foi possível porque os preços internacionais de petróleo e gás aumentaram acima dos mágicos US$ 100 por barril. Abaixo desse preço, a extração de gás de xisto e de petróleo, bem como a produção das terras betuminosas [orig. tar sands], passam a ser apenas marginalmente lucrativas, ou não dão lucro algum.

Mas a conversa da “independência energética” permitiu que vários  especialistas  se pusessem a dizer  que agora os EUA já pode(ria)m  ignorar   o Oriente Médio:

Claramente, o boom nos negócios norte-americanos de petróleo e gás não está livre de todos os problemas, mas os benefícios – econômicos geopolíticos e ambientais – dessa independência energética em pouco tempo ultrapassam largamente as dificuldades.

Aqueles dias, quando as ditaduras produtoras de petróleo no Oriente Médio e seus amigos na OPEP podiam impor sem dificuldades o poder delas contra um ocidente trêmulo, sedento de petróleo, estão já bem perto de se converterem em relíquias do passado.

Obama no campo de Maljamar  (março/2012)
Com uma nova recessão mundial que se aproxima, o consumo de combustíveis fósseis caiu. Esse declínio, numa situação típica, seria seguido por um declínio na produção dos grandes produtores, para manter estáveis, de algum modo, os preços e os lucros deles. Mas não é o que está acontecendo.

Os sauditas e outros governantes de estados do Golfo detestam a conversa sobre a tal independência energética dos EUA. Precisam muito manter o poder que sempre tiveram para alavancar a política norte-americana. E agora eles decidiram pôr fim àquela conversa sobre a “independência energética” dos EUA e empurrar os EUA de volta ao velho cabresto. 

O método que estão usando, muito simples, é manter alta a produção de petróleo por tempo suficiente, em período de consumo declinante, para fazer baixar os preços (dumping) e, desse modo, fazer da produção doméstica dos EUA negócio no qual só se perde dinheiro:

O Reino Saudita, maior produtor dentre os países produtores de petróleo (OPEP), está preparado para aceitar preços abaixo de US$ 90 por barril, e talvez até US$ 80, por um ou dois anos, segundo dizem pessoas informadas sobre conversações recentes.

As discussões, algumas das quais ocorreram em New York durante a semana passada, são sinal claro de que o Reino está descartando a sua estratégia vigente, de facto, por vários anos, de manter os preços em torno de US$ 100 o barril de Brent cru, com vistas, agora, a preservar para o futuro sua atual fatia do mercado.

O objetivo é claro. Tirar do mercado produtores cujos custos de produção sejam mais altos que os da OPEP e, assim, preservar a fatia atual de mercado, além da capacidade para alavancar os objetivos políticos dos próprios países do Golfo:

O Ministro do Petróleo do Kuwait, Ali al-Omair, foi citado, dizendo à agência estatal de notícias KUNA, no domingo, que a OPEP não cogita cortar a produção de petróleo, como esforço para fazer subir os preços, porque nada assegura que esse movimento venha a surtir efeito.

Omair disse que o barril a US$ 76-US$ 77 pode vir a ser o ponto final da descida do preço do petróleo, dado que esse era o custo da produção de petróleo nos EUA e na Rússia.

Os sauditas e outros produtores de petróleo do Golfo todos têm hoje contas correntes positivas  (.pdf, Fig. 3). Podem facilmente suportar preços mais baixos no petróleo.

Custos comparativos de extração de petróleo

Os custos de produção a partir do xisto, dos EUA, são mais altos que os custos sauditas ou russos de produção. São os primeiros a morrer, quando os preços são mantidos baixos:

Deixar o Brent cair abaixo de US$ 85 pode atrasar o boom do xisto nos EUA, porque alguns produtores perderão dinheiro para bombear, com esses preços – disse Francisco Blanch, presidente das pesquisas em commodities do Bank of America, em matéria publicada dia 9 de setembro.
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Deter o boom do xisto garantirá que se mantenha a dependência, dos EUA, da energia do Oriente Médio, disse Blanch, do Bank of America.
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“Quanto à Arábia Saudita, vejo por que interferirão, a menos que os preços caiam abaixo de US$ 90” – disse Torbjoern Kjus, analista do DNB em Oslo, por telefone, dia 10 de setembro. “Interessa aos sauditas, para testarem qual é o limite para o xisto dos EUA”.

Líderes de facto da OPEP, os sauditas têm “poder fiscal de fogo” para suportar preços de até US$ 70 por dois anos, sem qualquer dificuldade econômica, segundo Energy Aspects Ltd., consultores em Londres. O reino tinha reservas estimadas em US$ 741,6 bilhões em julho/2014, quase dobraram o nível de há cinco anos, segundo a Agência Monetária da Arábia Saudita.

Essa estratégia não permitirá que os ditadores do Golfo mantenham sua fatia de mercado, mas os sauditas e outros usarão essa estratégia para tornar mais lentas as aberturas dos EUA para o Irã, se não para pará-las completamente; e também, para forçar os EUA a viabilizarem a “mudança de regime” na Síria.


[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar”ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ver/ouvir versão em performance de David Johansen com legendas em português.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Moon of Alabama: “Temas sobre os quais eu já deveria ter blogado há mais tempo”

Quando um blogueiro sério vale (muito!) mais que milhares de jornalistas do jornalismo-que-há

1/12/2013, [*] Moon of Alabama  
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

(Eliane Cantanhede, FSP, 1/12/2013, MENTINDO que “não acha nada”, quando não faz outra coisa além de plantar propaganda tucanófila antecipada e ilegal e achando e “se achando”, como sempre, muito).

1. Ucrânia

O russo como língua dominante na Ucrânia
(clique na imagem para aumenter)
O sul e o leste da Ucrânia são etnicamente russos. Aí é onde estão as indústrias da Ucrânia. Essas indústrias não são (ainda) capazes de competir com indústrias da Europa Ocidental e dependem de negócios com a Rússia. Diferente do leste do país, o oeste é predominantemente agrícola e alguns ali provavelmente lucrariam com associação mais profunda com a União Europeia. Mas, sobretudo, a recente tentativa de firmar um pacto comercial entre Ucrânia e União Europeia é absoluto nonsense. Muitos países da União Europeia (França, Espanha) são contrários ao pacto comercial com a Ucrânia e essa oposição reduziu o patamar de suborno ao qual a União Europeia poderia ter chegado para comprar a Ucrânia. E a União Europeia foi forçada a oferecer “valores”, onde a Rússia pode fornecer gás barato e um mercado viável para os bens e serviços ucranianos. Considerando-se a Grécia e a Espanha, os “valores” europeus não parecem, atualmente, assim lá muito valiosos. Era direito, portanto, do presidente da Ucrânia rejeitar a proposta da União Europeia. Uma claque bem paga pela União Europeia e o refugo de uma “Revolução Laranja” estão fazendo comícios a favor do negócio com a União Europeia. Ignorem.

2. Irã

Acordo nuclear provisório entre Irã e P5+1
A atividade da política exterior do Irã é excepcional, de tirar o fôlego. Recentemente, o ministro de Relações Exteriores da Turquia visitou Teerã. Em seguida, chegou o ministro de Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos. O ministro de Relações Exteriores do Irã está atualmente no Kuwait e na sequência viajará a Omã. A proposta de visitar também a Arábia Saudita foi rejeitada por Riad. Considerada com o recente nuclear acordo temporário firmado com o P5+1, essa parece ser estratégia para isolar a Arábia Saudita e assim construir unidade contra um ataque saudita-israelense contra a Síria. Isso, quando o presidente Assad (finalmente) declarou guerra contra a Arábia Saudita, e diplomatas europeus já retornam a Damasco. Confio mais do que nunca que a Síria, apesar dos altos custos, pode vencer e acabará vencendo essa guerra.

3. EUA

Têm havido conversas sobre uma “América Saudita”, porque a exportação de gás e de petróleo de xisto permite agora que os EUA produzam internamente mais de 50% dos hidrocarbonetos que os EUA estão usando. Na minha opinião, é delírio. O preço pelo qual os produtos de xisto pagam o que custa produzi-los [orig. break even price] é quase sempre acima de $50 dólares (em alguns casos, muito acima) por barril.


O preço para produzir hidrocarbonetos no Oriente Médio fica em $1-$5 por barril. Com a volta de Iraque e Irã à produção, os preços cairão e a produção doméstica de xisto nos EUA deixará de ser competitiva. Como a produção a partir do xisto é de curto prazo (as fontes perfuradas esgotam-se rapidamente) qualquer pequena queda nos preços bastará para torná-la comercialmente inviável.

4. China

Muitos anos depois que os japoneses e outros países asiáticos declararam suas respectivas Zonas Aéreas de Identificação de Defesa (ZAIDs), nas quais se exige que os aviões que ali circulem informem sobre o voo ao país que seja sobrevoado, a China declarou sua ZAID. Nada de excepcional. O mapa abaixo mostra que a ZAID chinesa é menor que a ZAID japonesa. 

ZAIDs da China (fucsia) e do Japão (azul)
(clique na imagem para aumentar)
Alguns jornais-empresa dos EUA dizem que a China teria declarado uma “Zona de Defesa Aérea” e estaria disposta a ir a guerra por causa dela. Tudo errado. Só mais da sempre estúpida propaganda jornalística pró-guerra. Uma zona de identificação (também chamada “de informação”) é sempre muito maior que uma zona de defesa e visa a servir-se da identificação para não desperdiçar poder aéreo de defesa em voos inocentes. Aliás, a ZAID dos EUA (mapa abaixo) impõe regras muito mais ferozes que as chinesas.

Mapa da ZAID do Canadá e dos EUA (cinza)
(clique na imagem para aumentar)

 
ZAID do Estado do Alaska (quadriculado)
(clique na imagem para aumentar)



[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como“Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). No Brasil, produzimos versão SENSACIONAL, na voz de Cida Moreira, gravada em “Cida Moreira canta Brecht”, que incorporamos às nossas traduções desse blog Moon of Alabama, à guisa de homenagem. Pode ser ouvida a seguir: