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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: — Com Aécio fora do jogo, EUA se inclinam para Marina

6/9/2014, [*] Darío Pignotti, Correio do Brasil
Enviado pelo pessoal da Vila Vudu

Samuel Pinheiro Guimarães

Até agora, a única vez que escutei Marina falar de independência, era independência do Banco Central. (risos).
Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, na entrevista


Os estrategistas dos Estados Unidos seguramente estão de acordo com as diretrizes da política externa defendida pela candidata Marina Silva. Se ela for eleita, será a vitória de um modelo diplomático similar ao que tivemos nos anos 90.

A declaração acima é do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário-geral do Itamaraty no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à agência brasileira de notícias Carta Maior, o diplomata questiona a ex-colega de governo. Junto do ex-chanceler Celso Amorim e do assessor Marco Aurélio Garcia, Pinheiro Guimarães integrou o grupo responsável por planejar a “diplomacia com sotaque” nas relações Sul-Sul aplicada entre 2003 e 2010.

Premissas que

(...) tiveram continuidade a partir de 2011 durante o mandato da presidenta Dilma Rousseff, que adotou medidas muito corretas sobre o MERCOSUL e contra a Inteligência norte-americana no escândalo da NSA, e resistiu às pressões para a compra de aviões de guerra norte-americanos, afirmou Pinheiro Guimarães.

No programa de governo apresentado uma semana atrás por Marina, foram formuladas propostas em alguns casos antagônicas às dos governos de Dilma e Lula, além de formular críticas enredadas ao que define como uma diplomacia “ideologizada” e “partidarizada” durante as três gestões petistas.

● Embaixador, estamos diante do risco de serem restaurados princípios diplomáticos que dominaram a segunda metade dos anos 90?

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Considero que a candidata Marina Silva encarne a anulação do progresso conquistado nestes 12 anos. Ela e os setores que representa buscam outro modelo de inserção internacional. Um pensamento que se traduz no propósito de enfraquecer o Mercosul com o pretexto de torná- lo aberto ao mundo.

● Será o fim de qualquer aspiração de uma diplomacia independente?

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: Até agora, a única vez que escutei Marina falar de independência foi para mencionar a independência do Banco Central (risos).

● Washington aposta em Marina ou Aécio?

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: Não estou em Washington para dizer o que pensam. Agora, há interesses dos Estados Unidos que foram prejudicados durante os governos de Lula e Dilma e, é claro, que o candidato de que mais gostavam era o Aécio.

A Embaixada norte-americana adotou um perfil muito discreto nas eleições, mas isso não deve se confundir com o fato de estarem alheios ao que acontece. Quando o Aécio fica fora do jogo, os Estados Unidos se inclinam para a Marina, por pragmatismo e porque ela representa o oposto ao PT. Além disso, é alguém sem quadros próprios e, segundo dizem, tem bons contatos nos Estados Unidos, e que demonstrou estar aberta para desmontar o Estado, reduzir sua capacidade e autonomia internacional. Interessa aos Estados Unidos que o MERCOSUL sejam desmontado e que projetos da era tucana sejam retomados, não nos enganemos: nestas eleições, está em jogo a retomada do processo privatizador, parcial ou total, da Petrobras, do Banco do Brasil e do BNDES.

● Como a Marina implementaria esse desmantelamento do MERCOSUL?

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: Avalio que possa começar com a eliminação da cláusula que obriga os países do MERCOSUL a negociar conjuntamente acordos de livre comércio com outros blocos. Este ponto, que até agora não conseguiram derrubar, é uma cláusula que vem desde o Tratado de Assunção (assinado em 1991, na formação do MERCOSUL).

● E depois de terminada esta limitação, o que aconteceria?

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: Uma vez eliminada essa cláusula, o caminho estará aberto para a assinatura de acordos do Brasil com a União Europeia, sem a participação dos outros quatro integrantes do MERCOSUL. Mas se a cláusula continuar em pé, seria igualmente perigoso um pacto entre todo o MERCOSUL e a União Europeia. E essa negociação, que já se iniciou mas avança lentamente, provavelmente será acelerada durante o governo de Marina.

 Quais consequências um acordo com a UE traria?

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: Muitas, uma delas é a redução considerável das tarifas (de importações) industriais europeias afetando nossas fábricas. Defendo faz tempo que esta aproximação, que agrada os economistas da Marina, é o passo inicial rumo ao fim do MERCOSUL.

Vou resumir assim: a assinatura de um acordo entre os dois blocos significará uma extraordinária vantagem para empresas europeias que poderão exportar para cá sem que cobremos taxas, enquanto não haverá grandes benefícios para os exportadores sul- americanos.

E acrescento que se este acordo acontecer, afetará outra instituição fundamental do MERCOSUL, que é a Tarifa Externa Comum, fixada para terceiros países. Se isto acontece, a união aduaneira é pulverizada, qualidade central do MERCOSUL. E uma vez que chegarmos à hipotética assinatura do pacto de livre comércio com os europeus, os Estados Unidos reaparecerão.

●De que maneira?

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: Os meios e os grupos de interesses brasileiros que se sentirem representados pela Marina só falam de um acordo com a União Europeia por oportunismo, pela boa imagem dos europeus, que seriam maravilhosos, educados, que nos abririam as portas do primeiro mundo. Uma retórica para ocultar que o acordo será prejudicial para nós. Quem quiser saber o que nos espera com esse acordo que pergunte aos gregos e aos espanhóis como a velha Europa é tratada.

● ENTREVISTADOR: Agora tudo isso nos leva ao começo desta conversa, que são os Estados Unidos. Por quê? Porque uma vez assinado o pacto UE-Mercosul, no outro dia, Washington vai querer igualdade de condições comerciais que europeus conquistaram, exigindo de nós um acordo de livre comércio. Os Estados Unidos nunca se esqueceram do espírito da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).

No começo da década passada, FHC puniu Pinheiro Guimarães por ter-se oposto publicamente à assinatura da ALCA, que seria enterrada durante a Cúpula das Américas, celebrada em novembro de 2005 no balneário argentino de Mar del Plata, graças a uma frente formada pelos presidentes Lula, Néstor Kirchner, Hugo Chávez e Evo Morales, apoiados por outros líderes sul-americanos diante de um atônito George Walker Bush e de seu aliado, o mexicano Vicente Fox, ex-gerente da Coca Cola, com um grande bigode.

● A tese da ALCA pode ser recriada com outro nome. É possível que Marina, FHC e a inteligência neoliberal reciclem o projeto?

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: Tudo me leva a pensar que o projeto norte-americano de integração hemisférica comercial, de eliminação de barreiras, de sanção de um sistema de leis que privilegiam suas multinacionais etc. continua em vigor. É preciso prestar atenção na Aliança do Pacífico (México, Colômbia, Peru e Chile).

Entendo que os Estados Unidos se preparem para retomar essa proposta em caso de a Marina ganhar. Porque suas posições sobre política externa refletem as aspirações se setores empresariais, de banqueiros e grandes meios de comunicação que demonstraram certa saudade da dependência colonial.

Com Marina voltaremos ao passado anterior ao encontro de Mar del Plata?

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: A candidata parece estar muito aberta a essas ideias. Mas o interessante é que ela não está sozinha.

No seu entorno, se expressa esse espírito anterior à reunião de Mar del Plata. Eu me refiro ao professor André Lara Resende, ao professor Eduardo Giannetti da Fonseca, à senhora Maria Alice Setúbal (Banco Itaú). Além disso, me parece natural que depois do primeiro turno (5 de outubro de 2014) se somem outras pessoas com pensamento similar e que hoje estão junto do candidato Aécio. Estou falando o professor Armínio Fraga, do professor Pedro Malán.

● O senhor acredita que, apesar da subida de Dilma, a Marina será a futura presidenta?

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: Não, pelo contrário, acredito que, apesar de toda esta comoção, a presidenta Dilma será reeleita. Acredito que, ao longo destes dois meses, as ideias da ex-senadora vão ficar em evidência.

● Neste caso, quais seriam os objetivos de sua política externa em um segundo mandato?

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: Em primeiro lugar, deve-se mencionar que sua política externa não teve diferenças com a de Lula, apesar de Dilma não ter o mesmo estilo de fazer política externa. Trabalhou para reforçar os BRICS, impulsionou o banco dos BRICS, foi firme a favor da entrada da Venezuela no MERCOSUL, apesar de os Estados Unidos terem manifestado abertamente seu interesse em substituir o governo venezuelano, postura que encontra eco na grande imprensa brasileira, no FHC e nos dirigentes tucanos.

No segundo mandato, a presidenta deveria ter como objetivo reduzir a vulnerabilidade externa do país, a dependência de capitais especulativos para o pagamento da dívida e tudo isto cria um círculo vicioso que aumenta as taxas de juros. É falso, é um mito que as taxas sobem para combater a inflação.

● Ou seja, as alianças diplomáticas devem continuar, mas são necessárias mudanças na estratégia econômica internacional?

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães: Sim, e está completo o comentário dizendo que em um segundo governo a presidenta Dilma terá que trabalhar para diversificar nosso comércio exterior, para reduzir nossa vulnerabilidade comercial devido ao crescimento das exportações de produtos primários cujos preços não somos nós quem decidimos. Quando digo diversificar penso em base para reforçar exportações industriais porque o Brasil corre o risco de seguir rumo a uma especialização regressiva na produção agropecuária e mineral, acompanhada de uma contração do setor industrial, aliada a uma atrofia de sua capacidade tecnológica. 
___________________

[*] Dario Pignotti é correspondente da Agência Carta Maior, doutor em Comunicação e mestre em Relações Internacionais Colabora com o Le Monde Diplomatique, o Jornal Pagina12 da Argentina e a Agencia Italiana Noticias ANSA. 
Twitter: @DarioPignotti 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

De cegos e de anões

24/7/2014, [*] Mauro SantayanaJornal do Brasil
Enviado por Xica Veira – Modelo de alta costura na Vila Vudu

Comentário da Xica Veira: Taí! Pura verdade! O Brasil hoje é um gigante. Mas o Brasil já foi, sim-senhor, país de sub-nanicos sub-morais, sim, no tempo de Oswaldo Aranha subornado para coordenar e oficializar, na Assembleia da ONU, a invenção da Israel dos sionistas – desgraça e vergonha para toda a humanidade. Graaaaaaaande Santayana!

Rua do anão Oswaldo Aranha na cega Israel
Se não me engano, creio que foi em uma aldeia da Galícia que escutei, na década de 70, de camponês de baixíssima estatura, a história do cego e do anão que foram lançados, por um rei, dentro de um labirinto escuro e pejado de monstros. Apavorado, o cego, que não podia avançar sem a ajuda do outro, prometia-lhe toda sua fortuna, caso ficasse com ele, e, desesperado, começou a cantar árias para distraí-lo.

O outro, ao ver que o barulho feito pelo cego iria atrair inevitavelmente os monstros, e que o cego, ao cantar cada vez mais alto, se negava a ouvi-lo, escalou, com ajuda das mãos pequenas e das fortes pernas, uma parede, e, caminhando por cima dos muros, chegou, com a ajuda da luz da Lua, ao limite do labirinto, de onde saltou para densa floresta, enquanto o cego, ao sentir que ele havia partido, o amaldiçoava em altos brados, sendo, por isso, rapidamente localizado e devorado pelos monstros que espreitavam do escuro.

Ao final do relato, na taberna galega, meu interlocutor virou-se para mim, tomou um gole de vinho e, depois de limpar a boca com o braço do casaco, pontificou, sorrindo, referindo-se à sua altura: como ve usted, compañero... com o perdão de Deus e dos cegos, ainda prefiro, mil vezes, ser anão...

Lembrei-me do episódio — e da história — ao ler sobre a convocação do embaixador brasileiro em Telavive para consultas, devido ao massacre em Gaza, e da resposta do governo israelense, qualificando o Brasil como irrelevante, do ponto de vista geopolítico, e acusando o nosso país de ser um “anão diplomático".

Sionismo = Nazismo
Chamar o Brasil de anão diplomático, no momento em que nosso país acaba de receber a imensa maioria dos chefes de Estado da América Latina, e os líderes de três das maiores potências espaciais e atômicas do planeta, além do presidente do país mais avançado da África, país com o qual Israel cooperava intimamente na época do apartheid, mostra o grau de cegueira e de ignorância a que chegou Telavive.

O governo israelense não consegue mais enxergar além do próprio umbigo, que confunde com o microcosmo geopolítico que o cerca, impelido e dirigido pelo papel executado, como obediente cão de caça dos EUA no Oriente Médio.

O que o impede de reconhecer a importância geopolítica brasileira, como fizeram milhões de pessoas, em todo o mundo, nos últimos dias, no contexto da criação do Banco do BRICS e do Fundo de Reserva do Grupo, como primeiras instituições a se colocarem como alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, é a mesma cegueira que não lhe permite ver o labirinto de morte e destruição em que se meteu Israel, no Oriente Médio, nas últimas décadas.

Se quisessem sair do labirinto, os sionistas aprenderiam com o Brasil, país que tem profundos laços com os países árabes e uma das maiores colônias hebraicas do mundo, como se constrói a paz na diversidade, e o valor da busca pacífica da prosperidade na superação dos desafios, e da adversidade.

O Brasil coordena, na América do Sul e na América Latina, numerosas instituições multilaterais. E coopera com os estados vizinhos — com os quais não tem conflitos políticos ou territoriais — em áreas como a infraestrutura, a saúde, o combate à pobreza.

Árabes e judeus no Brasil
No máximo, em nossa condição de “anões irrelevantes”, o que poderíamos aprender com o governo israelense, no campo da diplomacia, é como nos isolarmos de todos os povos da nossa região e engordar, cegos pela raiva e pelo preconceito, o ódio visceral de nossos vizinhos — destruindo e ocupando suas casas, bombardeando e ferindo seus pais e avós, matando e mutilando as suas mães e esposas, explodindo a cabeça de seus filhos.

Antes de criticar a diplomacia brasileira, o porta-voz da Chancelaria israelense, Yigal Palmir, deveria ler os livros de história para constatar que, se o Brasil fosse um país irrelevante, do ponto de vista diplomático, sua nação não existiria, já que o Brasil não apenas apoiou e coordenou como também presidiu, nas Nações Unidas, com Osvaldo Aranha, a criação do Estado de Israel.

Talvez, assim, ele também descobrisse por quais razões o país que disse ser irrelevante foi o único da América Latina a enviar milhares de soldados à Europa para combater os genocidas nazistas; comanda órgãos como a OMC e a FAO; abre, todos os anos, com o discurso de seu máximo representante, a Assembleia Geral da ONU; e porque — como lembrou o ministro Luiz Alberto Figueiredo, em sua réplica — somos uma das únicas 11 nações do mundo que possuem relações diplomáticas, sem exceção, com todos os membros da Organização das Nações Unidas.



[*] Mauro Santayana (Rio Grande do Sul, 1932) é um jornalista brasileiro. Embora tenha estudado apenas até o segundo ano do antigo primário, o equivalente ao atual terceiro ano do ensino fundamental, ocupou, como jornalista autodidata, cargos destacados nos principais órgãos da imprensa brasileira, especialmente na mídia impressa, como Folha de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Correio Brasiliense e Jornal do Brasil, no qual mantém uma coluna sobre Política. Também escreve regularmente para a Carta Maior, é comentarista de televisão e mantêm um blog, onde escreve artigos e crônicas sobre política,economia e relações internacionais, cujo endereço na internet é maurosantayana.com. Além de inúmeros artigos publicou os seguntes livros: A Tragédia Argentina- Poder e violência de Rosas ao Peronismo; Conciliação e transição: as armas de Tancredo; Mar Negro - Nação e Governo Em Nosso Tempo; Dossiê da guerra do Saara

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

É hora de reagir contra a arrogância violenta dos EUA


13/12/2013, [*] MK Bhadrakumar, Indian Punchline
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Qualquer pessoa que conheça o mundo da diplomacia sabe que o que acontece no front consular é quase sempre excelente barômetro para aferir a temperatura política das relações entre estados. O Irã exige certificados de que os empresários que compõem a delegação da Câmara de Comércio e Indústria da Índia [orig. FIICCI] que visitará o país não são portadores do vírus HIV; Cingapura trata trabalhadores migrantes indianos como se fossem cães vira-latas; um influente agente de um think-tank norte-americano sugere que Narendra Modi seja excluído da lista das pessoas que não podem pisar em território dos EUA — todos esses são sinais muito significativos.

Devyani Khobragade, Vice-Consulesa Geral da Índia em New York
Seguidamente, esses sinais exibem padrão comum. Foi o que se viu quando, semana passada, sem mais nem menos, os EUA apareceram com uma lista de graves acusações de fraude contra 11 diplomatas russos que trabalham em New York — e mais 38 que trabalharam na cidade em anos anteriores.

Por tudo isso, a detenção da vice-consulesa geral da Índia em New York (Devyani Khobragade), na 5ª-feira, merece atenção. É violação da Convenção de Vienna prender e deter diplomata estrangeiro durante horas em delegacia de polícia do país hospedeiro – mesmo que o hospedeiro seja a única superpotência. 

Pois foi o que os norte-americanos fizeram – e tampouco foi a primeira vez em tempos recentes.

Sujatha Singh
E, para cúmulo dos males, fizeram o que fizeram no momento em que a Ministra de Relações Exteriores da Índia, Sujatha Singh, concluía visita e consultas em Washington. Sem dúvida, é ação que deve ajudar a abrir os olhos de Singh, a qual, recentemente, “beliscou” o artigo 377 das leis indianas sobre homossexualidade e fez favor especialíssimo a um diplomata norte-americano homossexual, que lhe pediu um visto diplomático para seu companheiro – e a ministra até rebaixou a colega que não atendera imediatamente o pedido do diplomata dos EUA. (Mas a Suprema Corte já suspendeu o rebaixamento da colega da ministra Singh.) 

Mas a real questão é outra, e muito mais séria. Por que os EUA estão tomando como seus alvos seletivos os diplomatas indianos em New York? O xis da questão é que a embaixada da Índia em Washington e nossos consulados nos EUA, assim como nossa missão indiana na ONU, em New York, tornaram-se absolutamente “mal faladas”, por pesadas razões, ao longo dos últimos anos. 

Edward Snowden
O material trazido à luz pelo ex-analista da CIA e “vazador-alertador” Edward Snowden é, para dizer o mínimo, chocante.

O caso é que uma missão diplomática é como um castelo de cartas, erguido com cuidados extremos; e a gestão de pessoal é questão sempre muito sensível. A inteligência paquistanesa tinha o hábito de deter e interrogar nossos diplomatas durante horas, para arrancar-lhes informação sobre deveres e funções de vários dos nossos em Islamabad ou Karachi.

Depois que a segurança de uma embaixada é quebrada, todos ali ficam indefesos e a própria embaixada deixa de poder operar como deve, e pode demorar anos para que volte ao nível ótimo. O caso dos russos, referido acima, é exemplo clássico de desmonte de missão diplomática estrangeira. Com a simples expulsão de um diplomata, um país hospedeiro pode instalar confusão total no funcionamento de uma missão diplomática estrangeira. 

É o mesmo que dizer que os diplomatas indianos agora, nos EUA, estão funcionando como macacos nus, sem qualquer “cobertura”. A inteligência dos EUA sabe bem o que faz cada funcionário na estrutura daquela embaixada, conhece a vida privada de cada um, o quanto cada um é sensível a estímulos etc., etc..

Eles conhecem cada elo frágil na cadeia de comando indiano em New York ou Washington, quem está disposto a colaborar e quem não colaborará. O mais lógico para eles sempre é começar por assediar os “não cooperativos”; assim mandam um “recado” para todos os diplomatas indianos, de que os norte-americanos podem, sim, fazer da vida deles, um inferno.

Claro que o que torna nossos diplomatas particularmente vulneráveis é o desejo ardente que os consome de serem mandados trabalhar nos EUA, desejo profundamente ligado a outro – de conseguir lá uma boa escola ou faculdade para os filhos. Por causa da ruína do sistema indiano, os norte-americanos conseguem facilmente chantagear vastas fatias de nossas elites, oferecendo-lhes vistos ou cidadania norte-americanos.

Mas em última análise, tudo depende de como a Índia reaja a essas provocações. Moscou, por exemplo, decidiu chamar de volta à Rússia aqueles 11 diplomatas. E certo como o dia raiará depois da noite, Moscou retaliará.

David Headley
É claro que os diplomatas norte-americanos que servem na Índia – são centenas – não são seres de imaculada perfeição e pureza, que jamais cedem a nenhuma tentação. Com absoluta certeza é possível fotografar um ou outro deles ou delas em Goa ou Pondicherry, praticando turismo gay [na Índia, é ilegal]; levá-lo(a) para a delegacia mais próxima e mantê-lo(a) preso(a) por algumas horas. E nem precisa ser quando a ministra Wendy Sherman, contraparte de Singh, estiver em Delhi em sua próxima visita.

Vários jornais sugerem que Singh assinou a extradição de David Headley, paquistanês-norte-americano que fez todo o trabalho de reconhecimento para os ataques terroristas em Mumbai, dia 26/11. É possível que os norte-americanos tenham decidido demitir Singh – e seus superiores em Delhi. Seja como for, a coincidência entre a prisão dos diplomatas indianos e a presença da ministra em New York, na 5ª-feira, obriga pensar muito seriamente sobre tudo isso.




[*] MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Irã, Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu,Asia Times Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Moon of Alabama: “Temas sobre os quais eu já deveria ter blogado há mais tempo”

Quando um blogueiro sério vale (muito!) mais que milhares de jornalistas do jornalismo-que-há

1/12/2013, [*] Moon of Alabama  
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

(Eliane Cantanhede, FSP, 1/12/2013, MENTINDO que “não acha nada”, quando não faz outra coisa além de plantar propaganda tucanófila antecipada e ilegal e achando e “se achando”, como sempre, muito).

1. Ucrânia

O russo como língua dominante na Ucrânia
(clique na imagem para aumenter)
O sul e o leste da Ucrânia são etnicamente russos. Aí é onde estão as indústrias da Ucrânia. Essas indústrias não são (ainda) capazes de competir com indústrias da Europa Ocidental e dependem de negócios com a Rússia. Diferente do leste do país, o oeste é predominantemente agrícola e alguns ali provavelmente lucrariam com associação mais profunda com a União Europeia. Mas, sobretudo, a recente tentativa de firmar um pacto comercial entre Ucrânia e União Europeia é absoluto nonsense. Muitos países da União Europeia (França, Espanha) são contrários ao pacto comercial com a Ucrânia e essa oposição reduziu o patamar de suborno ao qual a União Europeia poderia ter chegado para comprar a Ucrânia. E a União Europeia foi forçada a oferecer “valores”, onde a Rússia pode fornecer gás barato e um mercado viável para os bens e serviços ucranianos. Considerando-se a Grécia e a Espanha, os “valores” europeus não parecem, atualmente, assim lá muito valiosos. Era direito, portanto, do presidente da Ucrânia rejeitar a proposta da União Europeia. Uma claque bem paga pela União Europeia e o refugo de uma “Revolução Laranja” estão fazendo comícios a favor do negócio com a União Europeia. Ignorem.

2. Irã

Acordo nuclear provisório entre Irã e P5+1
A atividade da política exterior do Irã é excepcional, de tirar o fôlego. Recentemente, o ministro de Relações Exteriores da Turquia visitou Teerã. Em seguida, chegou o ministro de Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos. O ministro de Relações Exteriores do Irã está atualmente no Kuwait e na sequência viajará a Omã. A proposta de visitar também a Arábia Saudita foi rejeitada por Riad. Considerada com o recente nuclear acordo temporário firmado com o P5+1, essa parece ser estratégia para isolar a Arábia Saudita e assim construir unidade contra um ataque saudita-israelense contra a Síria. Isso, quando o presidente Assad (finalmente) declarou guerra contra a Arábia Saudita, e diplomatas europeus já retornam a Damasco. Confio mais do que nunca que a Síria, apesar dos altos custos, pode vencer e acabará vencendo essa guerra.

3. EUA

Têm havido conversas sobre uma América Saudita, porque a exportação de gás e de petróleo de xisto permite agora que os EUA produzam internamente mais de 50% dos hidrocarbonetos que os EUA estão usando. Na minha opinião, é delírio. O preço pelo qual os produtos de xisto pagam o que custa produzi-los [orig. break even price] é quase sempre acima de $50 dólares (em alguns casos, muito acima) por barril.


O preço para produzir hidrocarbonetos no Oriente Médio fica em $1-$5 por barril. Com a volta de Iraque e Irã à produção, os preços cairão e a produção doméstica de xisto nos EUA deixará de ser competitiva. Como a produção a partir do xisto é de curto prazo (as fontes perfuradas esgotam-se rapidamente) qualquer pequena queda nos preços bastará para torná-la comercialmente inviável.

4. China

Muitos anos depois que os japoneses e outros países asiáticos declararam suas respectivas Zonas Aéreas de Identificação de Defesa (ZAIDs), nas quais se exige que os aviões que ali circulem informem sobre o voo ao país que seja sobrevoado, a China declarou sua ZAID. Nada de excepcional. O mapa abaixo mostra que a ZAID chinesa é menor que a ZAID japonesa. 

ZAIDs da China (fucsia) e do Japão (azul)
(clique na imagem para aumentar)
Alguns jornais-empresa dos EUA dizem que a China teria declarado uma “Zona de Defesa Aérea” e estaria disposta a ir a guerra por causa dela. Tudo errado. Só mais da sempre estúpida propaganda jornalística pró-guerra. Uma zona de identificação (também chamada “de informação”) é sempre muito maior que uma zona de defesa e visa a servir-se da identificação para não desperdiçar poder aéreo de defesa em voos inocentes. Aliás, a ZAID dos EUA (mapa abaixo) impõe regras muito mais ferozes que as chinesas.

Mapa da ZAID do Canadá e dos EUA (cinza)
(clique na imagem para aumentar)

 
ZAID do Estado do Alaska (quadriculado)
(clique na imagem para aumentar)



[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como“Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). No Brasil, produzimos versão SENSACIONAL, na voz de Cida Moreira, gravada em “Cida Moreira canta Brecht”, que incorporamos às nossas traduções desse blog Moon of Alabama, à guisa de homenagem. Pode ser ouvida a seguir:



quarta-feira, 27 de novembro de 2013

CHINA, Costa do Pacífico: avistada ponta de iceberg gigante batizado de “Estupidez da Diplomacia dos EUA”

27/11/2013, The Saker, The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Anotado pela Nêga Dafé lá na Vila Vudu:
Lido (e traduzido) de um dos comentários da postagem
De: The Saker
Para: @ G Mitchell
KKKKKK! Eu escrevi “profound strategic shit” [lit. “profunda merda estratégica”]?! Escrevi. Foram meus dedos, sem pensar, não eu! Lapso freudiano, sei lá! Nas versões seguintes já corrigi: melhor, coisa mais bem educada. Não shit [merda], mas shift [mudança]. Corrigi, sim, mas com alguma lástima... :-))))))

The Saker
Lembram de quando o presidente Bill Clinton enviou porta-aviões de combate para o Estreitode Taiwan em 1996, como “um recado” à China. Ora... parece que Barack Obama, pato manco, sem coluna vertebral, multi-humilhado e multi-derrotado presidente dos EUA, num surto de testosterona, decidiu provocar a China mais uma vez, e zombar da decisão dos chineses de estender sua zona de defesa aérea até as ilhas Senkaku/Diaoyu.

O modo que Tio Sam escolheu para enviar seu recado usual de desprezo imperial foi enviar dois bombardeiros B-52 para invadir a zona de defesa aérea chinesa. Não satisfeitos com esse gesto tão absolutamente estúpido e irresponsável, os norte-americanos cuidaram de acrescentar à estupidez uma declaração incendiária.

Localização das ilhas Senkaku/Diaioyu nas costas chinesas
Segundo a BBC, (negritos meus):

O Coronel dos EUA, Steve Warren no Pentágono disse que Washington conduziu operações na área das [ilhas] Senkakus. Continuamos a seguir nossos procedimentos normais, que inclui não preencher planos de voo, não informar sobre rota, e não registrar nossas frequências – disse ele. Ainda não há resposta da China, acrescentou o Coronel.

Brilhante, não é?

Os gênios no Pentágono enviaram dois bombardeiros estratégicos (com capacidade para ataques nucleares) diretamente para um espaço aéreo que os chineses acabavam de declarar “zona de identificação da defesa aérea” na qual qualquer descumprimento das regras chinesas desencadearia “medidas emergenciais de defesa”. E, para infligir o máximo de provocação à China, deram-se o trabalho de zombar dos chineses por não terem tomado nenhuma medida “bélica”.

São ações que qualifico de criminosamente levianas e fenomenalmente estúpidas.

Para começar, imagine só por um instante que os chineses tivessem derrubado os dois bombardeiros dos EUA. E daí? Aconteceria o quê? Os EUA, que não têm colhões sequer para bombardear o Irã ou a Síria, bombardeariam a China? Com certeza, os EUA não recorreriam ao apoio do Conselho de Segurança da ONU, porque ali só ouviriam gargalhadas da Rússia e da China e, provavelmente de muitos dos demais membros.

Os norte-americanos, então, contaram com que os chineses fariam a coisa certa? Nesse caso, a única mensagem enviada a Pequim é:

(...) seguinte: somos irresponsáveis e levianos, e contamos com a sanidade de vocês para salvar nossa pele.

Dificilmente essa mensagem impressionaria alguém na China.

Em segundo lugar, agora que os chineses agiram com inteligência e ignoraram a estupidez dos norte-americanos, o que o “movimento” obteve, além de afastar ainda mais a China?

É preciso ser absolutamente ignorante, não saber absolutamente coisa alguma sobre a Ásia, para supor que alguém tentaria pôr a China em papel ridículo, e conseguiria safar-se sem pagar muito caro pela tentativa. A grande diferença entre EUA e China é que os EUA agem como adolescente malcriado, capacidade de atenção e memória de, no máximo, 5-10 minutos:

Os chineses não atacaram nossos bombardeiros. Deve querer dizer que tomaram uma boa lição!

Errado.

Os chineses farão os norte-americanos pagar – caro – pela humilhação (e, sim, Deus sabe que houve muitas dessas humilhações nas últimas décadas; lembram o caso da embaixada chinesa em Belgrado?). Mas a cobrança virá na hora que os chineses escolherem. E, sim: pode demorar séculos, literalmente.

Vista aérea das ihas Senkaku/Diaioyu
Os políticos e diplomatas chineses têm 4.000 anos de experiência em contatos e negócios com bárbaros mal educados e não civilizados. Eles sabem da importância de não agir de afogadilho. Sabem que agir é agir com determinação rigorosamente focada. E relembrarão essa humilhação pelo tempo necessário; até que colham, dela, a vingança.

Em terceiro lugar, será que alguém no Pentágono, em Foggy Bottom ou na Casa Branca realmente supôs que os aliados/colônias dos EUA na região ficariam positivamente impressionadíssimos? Não. Claro que não! Diplomatas japoneses, sul-coreanos e de Taiwan ficarão horrorizados ante a ameaça de se verem associados a esse bando de cow-boys pirados montados em bombas atômicas, mas nada dirão, porque sabem que seus países não passam de estados vassalos, na província USPACOM [orig. United States Pacific Command/Comando dos EUA no Pacífico] do Império norte-americano.

E, por fim, o que os EUA provaram ao resto do mundo? Que são poderosos? Difícil. Derrotados nas guerras no Iraque e no Afeganistão; tendo perdido o controle da situação na Líbia; e já derrotados pelos diplomatas russos e iranianos na Síria e no Irã, os EUA são, no máximo, gigante obeso, flácido, detestável; gigante poderoso não são.

É leviano e temerário mandar aviões bombardeiros literalmente para o quintal da China (ou para o degrau de entrada da casa, escolham a metáfora), mas leviandade não é qualidade que impressione alguém na Ásia. Os norte-americanos estão muito iludidos se supõem que “assustaram” os chineses.

A única coisa que essa mais recente provocação norte-americana conseguiu foi provar ao mundo e, especialmente à Ásia, que os EUA absolutamente não entendem, nem a natureza, nem o propósito da diplomacia.

Pessoalmente, não tenho posição na disputa pelas ilhas Senkaku/Diaoyu. O que estou dizendo é que esse tipo de disputa só se resolve com negociações diplomáticas, que são demoradas, cansativas, e com medidas diplomáticas. E que, se o Japão realmente deseja que a China desista do direito que declarou sobre aquelas ilhas, o melhor a fazer é cuidar para que os EUA não metam os pés pelas mãos, nem se metam a tentar “ações” para “desmoralizar” a China.

Mas, para um país que desde os anos de George Bush (pai) não tem governo capaz de alguma (qualquer que fosse) diplomacia, o tipo de provocação que o mundo acaba de testemunhar é, só, mais do mesmo.

Georg W.F. Hegel
Para concluir, quero dizer aqui que os políticos erram gravemente sempre que ignoram a dialética de Hegel e suas regras. Mudanças quantitativas graduais (ao longo do tempo), eventualmente resultam em mudanças qualitativas – e isso se aplica muito claramente aos militares chineses, os quais, hoje, estão empenhados num vastíssimo programa de profunda modernização e reforma. Essa reforma, quando completada, resultará, sim, em profunda mudança estratégica em toda a região do Pacífico Asiático.

Diferente das velhas e absolutamente super desgastadas forças armadas dos EUA, as forças armadas da China estão em pleno crescimento e desabrochamento, e estão andando rápido.

É verdade que, nos anos 1980s, as forças armadas chinesas pareciam, mais, as forças soviéticas do final dos anos 1950s. Mas o boom econômico mudou muito profundamente esse quadro. Hoje, as forças armadas chinesas já começam a ter características do século 21. Em pouco tempo, com certeza, os chineses facilmente ultrapassarão as capacidades militares da Coreia do Sul e do Japão.

Chuck Hagel
por Paul Szep
Em seguida, e antes que o pessoal que habita a Casa Branca compreenda exatamente o que aconteceu, os EUA estarão diante de um exército chinês tecnologicamente equivalente e, em seguida superior ao seu, e mais eficaz. A China também age com inteligência, no movimento de criar uma aliança formal, mas realmente estratégica, com a Rússia. E, muito diferente dos EUA, dedica-se empenhadamente a manifestar respeito e apoio ao gigante seu vizinho.

Se algum dia houver um concurso de tiros entre EUA e China, não tenho dúvida alguma de que a Rússia apoiará a China, se não houver alternativa além de atacar alvos norte-americanos.

Por hora, o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, diz que a China ter ampliado sua zona de defesa aérea teria sido “tentativa desestabilizadora para alterar o status quo na região”. E a Casa Branca diz que a zona seria “desnecessariamente inflamatória”.

Sim. OK.

Mas... Será que esses cowboys arrogantes não se olham no espelho?