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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Guerra da Ucrânia foi movida pelo eixo gás-dólar para defender o dólar-imperialismo

2/12/2014, [*] Mike Whitney, Counterpunch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


A “necessidade” do Fed, de assumir papel ainda mais ativo, com estrangeiros desacelerando cada dia mais as compras do dólar norte-americano, é meter o pé no breque da corrida de “des-dolarização” em curso no mundo desenvolvido – corrida que nos empurra, em velocidade crescente, na direção do fim do atual regime monetário.
– Stephanie Pomboy, MacroMavens


Não importa o que digam nossos contrapartes, todos vemos claramente o que está acontecendo. A OTAN está ostensivamente acumulando forças do Leste da Europa, inclusive nas áreas do Mar Negro e do Mar Báltico. Suas atividades operacionais e de combate estão aumentando em escala. – Vladimir Putin, Presidente da Rússia


Mas como os EUA beneficiam-se disso tudo, afinal, se os lucros do gás vão para o Qatar e para os países de trânsito, não para os EUA?

Sim, é verdade. Mas o gás será denominado em dólares, o que fará aumentar a demanda por dólares norte-americanos, e perpetuará o sistema de reciclagem que cria um vasto mercado para dívidas em dólares, o que ajuda a manter ações e papeis dos EUA suspensos em altitudes vertiginosas. E é disso que se trata: preservar a supremacia do dólar, obrigando as nações a manter reservas excessivas em dólares norte-americanos para pagar transações de energia e atender às respectivas dívidas denominadas em dólares.


Pivô para a Asia...
Se houvesse meio pelo qual os EUA pudessem atingir seus objetivos estratégicos de longo prazo e, ao mesmo tempo, evitar a guerra contra a Rússia, os EUA prefeririam. Infelizmente, não há tal alternativa, motivo pelo qual haverá confronto entre as duas potências nucleares, no futuro próximo.

Permitam-me explicar: o governo Obama está tentando reequilibrar a política norte-americana de tal modo que tire o foco do Oriente Médio e o mude para a Ásia, que ‘'ameaça'’ ser a região de mais rápido  crescimento no mundo no próximo século. Essa mudança de política tem sido chamada de “pivô para a Ásia”. Com vistas a beneficiar-se da avançada de crescimento da Ásia, os EUA planejam fatiar sua presença por todo o continente, expandir as bases militares, reforçar alianças bilaterais e os acordos comerciais, e assumir o papel de espinha dorsal da segurança regional. O objetivo nada-secreto da política é “conter” a China, quer dizer, Washington quer preservar sua posição de única superpotência mundial, controlando o crescimento explosivo da China. (Os EUA querem uma China fraca, dividida, que faça o que a mandem fazer).

Para alcançar suas metas na Ásia, os EUA têm de enfiar a OTAN mais para leste, apertar o cerco em torno da Rússia e controlar o fluxo de petróleo e gás do oriente para o ocidente. Essas são as precondições necessárias para impor a hegemonia dos EUA sobre o continente asiático. E por isso o governo Obama está tão investido no futuro da junta alucinada que ocupa o governo em Kiev: porque Washington precisa das tropas de choque neonazistas de Poroshenko, para arrastar a Rússia para uma conflagração na Ucrânia, que exaurirá os recursos dos russos, desacreditará Putin aos olhos dos parceiros comerciais da União Europeia e gerará o pretexto para meter a OTAN em cima da fronteira ocidental da Rússia.

A ideia de que o exército-fantoche de Obama na Ucrânia lá estará para defender a soberania do país é pura conversa fiada. Sob a superfície, o fato é que os EUA tentam conter o próprio irreversível declínio econômico e o encolhimento progressivo de sua parcela do PIB global, usando força militar.

Exército de Obama na Ucrânia
O que vemos na Ucrânia hoje é uma versão para o século XXI do Grande Jogo, implementado por políticos delirantes bebedores de Ki-Suco envenenado com cianureto que acreditam que possam fazer o relógio andar para trás para os primeiros dias pós IIª Guerra Mundial, quando o Império dos EUA florescia e o mundo era a casca que protegia os EUA, preciosa ostra. Felizmente, esse tempo acabou.

Não esqueçamos que os gloriosos militares dos EUA consumiram os últimos 13 anos combatendo contra pastores de cabras em cavernas no Afeganistão, num conflito que, no melhor dos casos, pode ser declarado ‘'empatado'’. E agora vem a Casa Branca, a querer tomar a Rússia?

Todos estão vendo bem a insanidade dessa política?

Por isso é que o Secretário de Defesa, Chuck Hagel, foi demitido semana passada, porque não é suficientemente doido para desejar avançar nessa política de malucos, de escalar guerras simultaneamente no Afeganistão, no Iraque, na Síria e na Ucrânia. Todos sabem que se trata exatamente disso, o governo nem tentou desmentir. O governo Obama prefere agarrar-se a figuras completamente ensandecidas, de espumar pela boca, como Susan Rice e Samantha Powers, a seguir um veterano condecorado, que tem mais inteligência e credibilidade no dedo mindinho que toda a “equipe” de Segurança Nacional de Obama somada.

Assim então Obama está hoje completamente cercado de doidos furiosos, consumados imbecis, todos enlouquecidamente agarrados ao mesmo delírio segundo o qual os EUA vão detonar a Rússia, derrubar Assad, redesenhar o mapa do Oriente Médio, controlar todo o fluxo de petróleo e gás do Oriente Médio para mercados na União Europeia e estabelecer milhares de cabeças de praia por toda a Ásia, de onde conseguirão manter o crescimento da China controlado com rédea curta.

Diga-me cá, prezado leitor: a coisa toda não lhe parece um pouco... improvável?

Desdolarização
Mas, claro, a gangue de Obama pensa que está tudo ao alcance das garras deles, porque bem... porque é o que foram treinados para pensar, e porque é o que os EUA tem a fazer, se quiserem manter a exaltada posição de única superpotência mundial, quando sua significação econômica só faz declinar sem parar, no mundo. Você sabe, o negócio é o seguinte: a nação excepcional só faz ir-se tornando cada vez mais des-excepcional, sem parar, e é isso que muito preocupa os políticos, porque já viram o que aparece no muro e a escrita diz:

Aproveite enquanto pode, mermão, que ocê  não dura muito, aí, como el numero uno... 

E os EUA têm aliados nessa cruzada pirada, especialmente Israel e a Arábia Saudita. Os sauditas foram bem úteis recentemente, inundando o mercado com muito petróleo, para baixar os preços e esmagar a economia russa. (Na 6ª-feira, 28/11/2014, os preços Benchmark do cru caíram ao valor mínimo dos últimos 4 anos, com o Brent cru despencando para US$ 69,11 o barril.) O governo Obama está usando o clássico saque & voleio: sanções econômicas e redução nos lucros do petróleo, para chantagear Moscou e tentar arrancar os russos da Crimeia, de modo que Washington possa instalar ali o seu arsenal nuclear, a distância de uma cuspida, de Moscou. Eis o que diz The Guardian, sobre o quadro geral:

Pense sobre como o governo Obama vê o estado do mundo. Quer que Teerã ajoelhe-se na questão do seu programa nuclear. Quer que Vladimir Putin retroceda no leste da Ucrânia. Mas, depois das recentes experiências no Iraque e no Afeganistão, a Casa Branca não quer saber de pôr coturnos norte-americanos em solo nenhum. Em vez disso, com a ajuda de seu aliado saudita, Washington tenta derrubar os preços do petróleo, mediante o afogamento, em cru, de um mercado já fraco. Como os russos e os iranianos dependem pesadamente das exportações de petróleo, a ideia é que, assim “amaciados”, será mais fácil lidar com eles.

John Kerry, Secretário de Estado dos EUA, parece, teria fechado um acordo com o Rei Abdullah em setembro/2014, pelo qual os sauditas passariam a vender seu cru a preços inferiores aos de mercado. Assim se pode começar a entender por que os preços só caem, num momento em que, dado os tumultos no Iraque e na Síria, causados pelo Estado Islâmico, seria de esperar que os preços subissem. (Stakes are high as US plays the oil card against Iran and Rússia, Larry Eliot, The Guardian).

-- Não machuquei?
E em Salon há mais, em coluna de Patrick L. Smith:

Há menos de uma semana depois de o Protocolo de Minsk ser assinado, Kerry fez viagenzinha discreta a Jeddah, para ver o Rei Abdullah em seu palácio de verão. Quando a visita afinal foi noticiada, foi apresentada como parte da campanha de Kerry para assegurar o apoio árabe na luta contra o Estado Islâmico.

Pode-se parar por aí. O que informam minhas fontes, altamente confiáveis, é bem diferente. A outra metade da visita teve a ver com o insopitável desejo de Washington, que só pensa em arruinar a economia da Rússia. Para conseguir isso, Kerry disse aos sauditas que (1) aumentassem a produção; e(2) baixassem o preço do cru deles. Mantenham em mente os seguintes importantes números: os sauditas produzem um barril de petróleo por menos de US$ 30, sem agredir o orçamento nacional; os russos não podem vender por menos de US$ 105.

Pouco depois da visita de Kerry, os sauditas começaram a aumentar a produção, sem dúvida alguma – para mais de 100 mil barris/dia durante o resto do mês de setembro, e ainda há mais por vir...

Pensem bem. O inverno está chegando, há graves cortes na produção hoje no Iraque, Nigéria, Venezuela e Líbia, e outros membros da OPEP suplicam por algum alívio, e os sauditas obram para fazer cair ainda mais os preços já muito baixos? Façam suas próprias contas, considerando o roteiro não noticiado dos passos de Kerry, e, para ajudar nas contas, aí vai mais uma informação, de fonte muito bem posicionada nos mercados de commodities: “Há mãos grandes fazendo jorrar petróleo na oferta global nesse momento” – escreveu minha fonte por e-mail, dia desses. (What Really Happened in Beijing: Putin, Obama, Xi And The Back Story The Media Won’t Tell You, Patrick L. Smith, Salon)

Oleogasoduto South Stream  (em azul)
A gangue de Obama conseguiu persuadir nossos bons companheiros sauditas a inundar o mercado de petróleo e a jogar abaixo os preços para pôr a economia russa em queda livre. Ao mesmo tempo, os EUA intensificaram suas sanções, econômicas, fizeram de tudo para sabotar o projeto do gasoduto Ramo Sul da Gazprom [orig. Gazprom’s South Stream pipeline] (que contornaria a Ucrânia, para entregar gás natural à Europa, por via pelo sul) e subornam o parlamento ucraniano para que corte 49% dos direitos de leasing e facilidades para armazenamento asseguradas a empresas privadas estrangeiras.

Que tal? Que lhes parece? Assim os EUA lançaram guerra econômica total contra a Rússia – guerra sobre a qual não se lê sequer uma palavra nos veículos da imprensa-empresa ocidental. Alguém se surpreendeu?

Washington está decidida a bloquear qualquer avanço na integração Rússia-União Europeia, para levar ao colapso a economia russa e pôr o capital externo no controle de toda a distribuição regional de energia. É o tal “pivô”. O pessoal do big Money decidiu que os EUA têm de pivotear-se para a Ásia para sobreviver como grande player no próximo século. Todos os ataques que Washington tem feito contra Moscou são decorrência dessa “estratégia” de doidos.

Mas o pessoal na União Europeia não ficará zangado quando não encontrar a energia de que precisam (aos preços que desejam) para tocar seus negócios e aquecer suas residências?

Washington acha que não. Washington entende que seus aliados no Oriente Médio podem facilmente suprir as necessidades de energia da União Europeia, sem dificuldade alguma. Vejam o que diz o analista F. William Engdahl:

(…) emergem detalhes de um novo acordo secreto e estúpido, entre EUA e sauditas e o chamado Estado Islâmico. Envolve o controle de petróleo e gás em toda a região, para enfraquecer Rússia e Irã, com os sauditas afogando o mercado mundial com petróleo barato. (...)

Dia 11 de setembro de 2014, o Secretário de Estado Kerry dos EUA reuniu-se com o rei saudita Abdullah em seu palácio no Mar Vermelho. O rei convocou para a reunião o ex-chefe da inteligência saudita, príncipe Bandar. E ali acertaram um negócio pelo qual o sauditas apoiariam os ataques aéreos sírios contra o ISIS, sob a condição de que Washington apoiaria os sauditas no golpe para derrubar Assad, firme aliado da Rússia e também, de facto, do Irã, e obstáculo aos planos sauditas e dos EAU para controlarem o emergente novo mercado de gás natural da União Europeia e destruírem o lucrativo comércio da Rússia com a União Europeia.

Matéria no Wall Street Journal observava que “foram meses de trabalho por trás das coxias entre líderes árabes e dos EUA – os quais concordaram sobre a necessidade de trabalharem juntos contra o Estado Islâmico, mas não sobre como ou quando.

O processo deu aos sauditas condições de alavancagem para arrancar dos EUA novo compromisso de que treinarão rebeldes para lutar contra o presidente Assad, cuja derrubada do poder ainda é tema de alta prioridade para os sauditas” (The Secret Stupid Saudi-US Deal on Syria, F. William Engdahl, BFP)

Tio Sam quer guerras e mais guerras...
Por tudo isso, as guerras na Ucrânia e na Síria não são, de modo algum, conflitos separados. As duas guerras são parte da mesma guerra global por recursos que os EUA perseguem sem parar ao longo da última década e meia. Os EUA têm planos de cortar o fluxo do gás russo e substituí-lo por gás do Qatar, que fluirá pela Síria e para o mercado da União Europeia, depois que Assad ser derrubado.

O que acontece é o seguinte: os problemas sírios começaram imediatamente depois de a Síria anunciar que passaria a integrar um “gasoduto islâmico”, que transferiria gás natural do campo de gás Pars Sul no Irã, pelo Iraque e Síria, eventualmente conectando também a Grécia e o lucrativo mercado da União Europeia. Segundo Dmitri Minin:

Um gasoduto do Irã, que seria altamente lucrativo para a Síria. A Europa também se beneficiaria, mas evidentemente alguém no ocidente não gostou da ideia. Os aliados fornecedores de gás ocidentais no Golfo Persa também não ficaram felizes, nem, tampouco, a Turquia, principal transportadora de gás, que ficaria fora do jogo. (The Geopolitics of Gas and the Syrian Crisis: Syrian “Opposition” Armed to Thwart Construction of Iran-Iraq-Syria Gas Pipeline, Dmitri Minin, Strategic Culture).

Dois meses depois de Assad ter assinado esse acordo com Iraque e Irã, eclodiu o movimento “democrático” na Síria. Coincidência, não é mesmo? Engraçada é a altíssima frequência com que ocorrem essas coisas, quando governos eleitos pelo mundo não marcham conforme o tambor de Washington.

Oleogasoduto Irã-Iraque-Síria
Mais um pouco, do mesmo Dmitri Minin:

Qatar está fazendo tudo que pode para impedir a construção do gasoduto, inclusive armando grupos da oposição na Síria, muitos dos quais vêm da Arábia Saudita, Paquistão e Líbia...

O jornal em árabe Al-Akhbar cita informação segundo a qual há um plano aprovado pelo governo dos EUA para criar um novo gasoduto para transporte de gás do Qatar para a Europa, envolvendo Turquia e Israel.

Esse novo gasoduto deve começar no Qatar, atravessar território saudita e entrar em território da Jordânia, contornando assim o Iraque xiita, e chegar à Síria. Perto de Homs, o gasoduto deve-se dividir em três braços: para Latakia, Trípoli, no norte do Líbano e Turquia. Em Homs, onde também há massivas reservas de hidrocarbonos, é o principal entroncamento do projeto; e não é surpresa (...) que aí se travem os combates mais ferozes. Ali se disputa o destino da Síria.

As partes do território sírio onde operam destacamentos de rebeldes com apoio de EUA, Qatar e Turquia, isso é, o norte, Homs e os arredores de Damasco, coincidem com o traçado que o gasoduto deve seguir até a Turquia e Trípoli, no Líbano. Se se comparam os mapas (i) das hostilidades armadas e (ii) do traçado do gasoduto do Qatar, vê-se claramente a conexão entre as atividades armadas e o desejo de controlar esses territórios sírios. Os aliados do Qatar tentam alcançar três objetivos: quebrar o monopólio do gás russo na Europa; livrar a Turquia da dependência do gás iraniano; e dar a Israel a chance de exportar seu gás para a Europa, por terra, por custo menor.

E que tal lhe parece mais essa coincidência?! “Os combates mais ferozes (na Síria) acontecem” onde “também há massivas reservas de hidrocarbonos” e ao longo do traçado planejado para o gasoduto.

Cadê meu ouro que 'tava aqui?
É o mesmo que dizer que o conflito na Síria nada, de fato, tem a ver com terrorismo. O único assunto ali é gás natural, competição entre gasodutos e acesso aos mercados na União Europeia. A questão ali é dinheiro e poder. Toda a conversa sobre o tal “Estado Islâmico”/ISIL é cortina de fumaça para esconder o que realmente se passa ali: guerra global por recursos, como sempre, os povos dão o sangue, e ‘'eles'’ ficam com o petróleo e o gás.

Mas como os EUA beneficiam-se disso tudo, afinal, se os lucros do gás vão para o Qatar e para os países de trânsito, não para os EUA?

Sim, é verdade. Mas o gás será denominado em dólares, o que fará aumentar a demanda por dólares norte-americanos, e perpetuará o sistema de reciclagem que cria um vasto mercado para dívidas em dólares, o que ajuda a manter ações e papeis dos EUA suspensos em altitudes vertiginosas. E é disso que se trata: preservar a supremacia do dólar, obrigando as nações a manter reservas excessivas em dólares norte-americanos para pagar transações de energia e atender às respectivas dívidas denominadas em dólares.

Enquanto Washington conseguir controlar a oferta de energia mundial e forçar o mundo a comerciar em dólares, pode gastar muito além do que de fato produz e ninguém lhe pedirá satisfações. É como ter um cartão de crédito que você nunca tem de quitar.

Esse é nicho que o Tio Sam defenderá com todas as forças, bombas atômicas inclusive.
_____________________

[*] Mike Whitney é um escritor e jornalista norte-americano que dirige sua própria empresa de paisagismo em Snohomish (área de Seattle), WA, EUA. Trabalha regulamente como articulista freelancenos últimos 7 anos. Em 2006 recebeu o prêmio Project Censored por reportagem investigativa sobre aOperation FALCON, um massiva, silenciosa e criminosa operação articulada pela administração Bush (filho) que visava concentrar mais poder na presidência dos EUA. Escreve regularmente emCounterpunch e vários outros sítios. É co-autor do livro Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion (AK Press) o qual também está disponível em Kindle edition.
Recebe e-mails por: fergiewhitney@msn.com. 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O galo americano prepara-se para cocoricar de cima do lixão asiático

23/2/2014, [*] Peter Lee, Blog China Matters
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Este artigo é variante encurtada de um artigo publicado em 25/2/2014, pelo mesmo autor,  no Asia Times Online sob o título: “Asia pivot comes back to bite the US”


Em outras palavras: é hora de os EUA cacarejarem a plenos pulmões, na celebração do pivô para a Ásia. Isso, acho eu, é o que farão no tour “Fodam-se vocês” que o presidente Obama realizará pelas democracias asiáticas em abril de 2014.

A viagem exige mais que apenas rápido trabalho preliminar, dada a complicada situação na Ásia.

Não é só que a República Popular da China e o Japão estejam engalfinhados em furioso arranca-rabo, e que as Filipinas tenham declarado que o Mar do Sul da China é o novo Sudetenland [1], e que a República Popular da China enfrentará confrontação, não negociação. O caso é que os EUA estão menos que perfeitamente felizes com os pontiagudos cotovelos do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe e as fraturas que causou na frente unida da pivotagem.

Houve fascinante eclosão de colunas publicadas nos veículos de prestígio dos EUA (Bloomberg, NY Times, Washington Post e Business Week), todas fortemente críticas contra Abe e a provocativa visita ao Santuário de Yasukuni...

Santuário Yasukuni
Mas a tal visita aconteceu em dezembro de 2013. E o soco no queixo, de “resposta”, só está aparecendo em fevereiro de 2014. Meio (muito) atrasado.

Ah! E deve-se considerar que o detalhe altamente insultante, de que o primeiro-ministro Abe ouviu as tolices de Joe Biden por uma hora, deu-lhe as costas e saiu para visitar o santuário, só vazou no final de janeiro.

Assim sendo, por que, sem mais nem menos, os EUA põem-se hoje a sapatear de fúria por causa da manifestação bem clara das inclinações históricas revisionistas de Abe... no ano passado?

Bem. Depois de examinar as vísceras divinatórias exclusivas para leitores (pagantes! Brincadeirinha!) de China Matters, acredito que aquele furor tem muito a ver com a anunciada viagem do presidente Obama à Ásia.

Até agora, a República Popular da China não está no itinerário. Mas Japão e Filipinas, sim. E também a Coreia do Sul (incluída, pelo que se sabe depois de muito lobbying).

A viagem está parecendo celebração da pivotagem para a Ásia – a tal estratégia para conter a China que não ousa dizer o próprio nome, mas tem o objetivo de garantir a posição de liderança dos EUA no Leste da Ásia, mediante o movimento de empurrar as relações da China com seus vizinhos para posição mais polarizada e confrontacional, o que combina melhor com a superioridade militar dos EUA.

Mais que isso, a viagem mascarará o terreno perdido no lamentável cancelamento de viagem anterior do presidente Obama à Ásia (por causa da farsa do teto da dívida dos EUA) e fará-crer, a um mundo em dúvida, que a verdade é o contrário do que parece: que os EUA estão no comando, plenos de decisão e coragem, senhores dos eventos, país-líder da coalizão das democracias asiáticas, de fato, sim, o universalmente saudado hegemon, amo e senhor, da Ásia.

Vejo a viagem do presidente Obama como uma daqueles tours imperiais que imperadores romanos e chineses empreendiam, para mostrar que o poder do império ainda era vigente até as regiões das fronteiras mais distantes.

O problema é, porém, que há uma democracia asiática que está visivelmente elevando as apostas, contra o dia em que os EUA mudem de ideia e decidam que seus reais interesses estão muito mais para o lado do temido eixo G2 (cooperação entre EUA e China para organizar os negócios, não necessariamente na direção que interesse a outras nações do Pacífico).

Shizo Abe
Essa nação, é claro, é o Japão.

O primeiro-ministro Abe, por sua linhagem e experiência pessoal, está em boa posição para recordar as muitas vezes que os EUA decidiram que interesses norte-americanos e japoneses não são necessariamente coincidentes.

Essas vezes vão desde o Tratado de Portsmouth (quando Teddy Roosevelt decidiu que o Japão era membro ainda não suficientemente maduro do clube imperial, para colher todos os frutos de sua vitória sobre a Rússia czarista); até a desagradável IIª Guerra Mundial (que o grupo revisionista de Abe considera ser culpa integral dos EUA), passando pelo inesperado reconhecimento da República Popular da China, o torpedeamento da economia japonesa pelo Acordo Plaza imposto pelos EUA e pela conversa enervante, sempre dissimulada, sobre o tal G2, que volta e meia reaparece na diplomacia dos EUA.

Num plano pessoal, o primeiro-ministro Abe com certeza recorda o quanto ele, pessoalmente, apoiou George W. Bush na sua política confrontacional contra a República Popular Democrática da Coreia (RPDC, “Coreia do Norte”) em 2005, para, na sequência, ver o Japão – e a questão da assinatura de Abe, dos sequestrados – apagados e deixados de lado, na pressa de Chris Hill & Condoleezza Rice para concluírem um acordo transitório com a RPDC.

Em clave mais feliz, o primeiro-ministro Abe provavelmente também recorda que a secretária Clinton sempre fez empenhada oposição ao G2 e sempre apoiou avidamente o “pivô para a Ásia”, com a estratégia subjacente de empregar a aliança com o Japão como principal pedra de toque de toda a política dos EUA na Ásia. Para contar toda essa história seria preciso escrever um livro inteiro, mas vale a pena recordar que se sabe que o presidente Obama estava pronto para declarar que as Senkakus não estão incluídas no tratado de segurança EUA-Japão – presumivelmente em resposta a algum gesto chinês de apaziguamento –, quando a secretária Clinton e o ministro Maehara passaram a explorar (ou, pela minha avaliação, inventaram tudo) o imbróglio das terras raras/capitão Zhan em 2010, o que levou a resultado diametralmente oposto: Obama declarou que as Senkakus estavam incluídas, sim, no tratado.

Ilhas  Diaoyu e Senkaku
Subsequentemente, se tornou claro que a secretária Clinton havia decidido impedir qualquer engajamento, e que tratava as questões marítimas com a República Popular da China como pretexto para fazer avançar uma política de confrontação contra a China, sempre se servindo da política como base para o pivô militarizado na direção da Ásia.

Mas a secretária Clinton foi-se, pelo menos por hora; e o decididamente muito menos confrontacional Kerry parece que tem tido capacidade para assumir as rédeas da diplomacia norte-americana.

O foco de Kerry dirigido para o Oriente Médio tem ocasionado resmungos nervosos/ressentidos de apoiadores do relacionamento com o Japão em Washington, pela razão declarada de que o foco de Kerry no Extremo Oriente é insuficiente, e o “pivô” estaria sendo deixando de lado. Uma razão não declarada talvez seja que a China, porque em vários sentidos seu papel é importante no Irã e na Síria, parece estar andando polegada a polegada na direção de um relacionamento quase-G2 com Kerry, o que pode ser resultado de alguns favores feitos à China, à custa das democracias do “pivô”.

Um desses favores, como especulei nesse blog, pode ter sido os EUA exigirem que o Japão fizesse prova de sua sinceridade contra a proliferação nuclear, devolvendo certa quantidade de plutônio baixo-enriquecido que recebeu dos EUA, há muito tempo.

John Kerry
Seja como for, sinto que era necessário para Kerry firmar as próprias credenciais de “durão contra a China”; e creio que foi o que ele fez, ao mandar Evan Madeiros fazer o maior barulho a respeito de os EUA absolutamente não admitirem uma ZAID (Zona Aérea de Identificação da Defesa) no Mar do Sul da China. E a China, a qual, creio, já desmentira que tivesse qualquer interesse em  ZAIDs no Mar do Sul da China, rapidamente respondeu que não estava considerando esse movimento; assim, permitiu que Kerry se mudasse, da desprezível casa-do-cachorro do apaziguamento à Chamberlain, para o prestigiado alto reino da força bruta à Churchill.

Agora, o presidente Obama pode ir à Ásia, amparado na ideia de que a credencial dos EUA, de ter metido “o dedo no olho da China”, seja relativamente segura.

Nesse contexto, afinal, o que concluir da campanha organizada para fazer chover sobre o primeiro-ministro Abe, justamente quando ele desfilava em Yasukuni?

Acho que é porque o presidente Obama deseja usar a viagem de abril para afirmar o pivô e, mais importante, para afirmar a indispensável liderança dos EUA no tal pivô.

Isso significa descer o chicote no Japão e demonstrar que os EUA não se deixarão prender nas esperanças e sonhos do governo Abe (de um governo que explora a aliança com os EUA como ferramenta dele para restaurar a soberania e o comando militar e diplomático do Japão em toda a Ásia).

Seria preciso uma modalidade especial de negação para ignorar o fato de que o primeiro-ministro Abe borbulha de planos para expandir a marca diplomática e de segurança do Japão em toda a Ásia, dos Kuriles a Myanmar e à Índia... Ou para não considerar o fato de que essas ambições absolutamente não se encaixam na estrutura hierárquica no topo da qual há o pivô dos EUA, com a aliança de segurança EUA-Japão na camada logo abaixo, e o relacionamento do Japão com outras democracias asiáticas guiadas pelo pivô, pela aliança de segurança, pelo poder e pela glória da visão estratégica... dos EUA!

Esse desagradável estado de coisas pode ser constatado no enigma que parece subjazer aos maus-tratos às canelas de Abe: a distância que não para de aumentar entre a Coreia do Sul e o Japão.

Um dos problemas mais renitentes do pivô sempre foi o rancor entre os governos de Abe e de Park; e, também a predileção marcadamente antipivotal da Coreia do Sul, sempre interessada em deslizar na direção do campo econômico e político da República Popular da China.

Abe, contrário à doutrina ostensiva da solidariedade pivotal, parece feliz por exacerbar sistematicamente e com determinação as rixas entre Japão e Coreia do Sul, não só com visitas ao santuário Yasukuni mas, também com comentários depreciativos, feitos por seus aliados, sobre as lições da IIª Guerra Mundial e as comfort women. E, contrário à ideia de que os EUA coordenem o pivô, Abe também não se cansa de falar em tom depreciativo contra os esforços dos EUA para se autoinserirem na disputa.

Segundo Peter Ennis do Japan Dispatch, os tumultos em torno da visita de Abe ao santuário Yasukuni tiveram um papel nos esforços dos EUA para mediar uma reaproximação entre Japão e Coreia do Sul.

Para Ennis, o vice-presidente Biden achava que Abe não visitaria Yasukuni; e comunicou esse seu palpite ao presidente Park. Quando transpirou que Abe, sim, visitaria Yasukuni, Biden fez aquele infeliz telefonema, para tentar persuadir Abe a não ir. Em termos essenciais, Abe mandou-o catar coquinhos.

Não satisfeito com mandar Biden catar coquinhos, Abe, ao que parece pessoalmente, “vazou” detalhes do telefonema para um de seus jornais favoritos, segundo Ennis:

Peter Ennis
Dia 12 de dezembro, Biden pessoalmente telefonou a Abe, e, em conversa tensa e demorada, pressionou o primeiro-ministro a não visitar Yasukuni. Sankei Shimbun do dia 30 de janeiro, citando “fontes não identificadas do governo”, publicou relato detalhado da conversa, relato que o gabinete do vice-presidente não desmentiu.

(Gente bem informada em Tóquio, citando os bem conhecidos laços que ligam o jornal Sankei e Abe, acredita que o relato da conversa partiu diretamente de Abe – avaliação com a qual concordam altos funcionários dos EUA).

Durante a conversa, Biden disse a Abe: “Eu disse ao presidente Park que ‘não creio que o presidente Abe visite o Santuário Yasukuni. Se o senhor der algum sinal de que não visitará o santuário, creio que o presidente Park concordará em reunir-se com o senhor.’”

Abe há muito tempo resiste contra o que considera arrogância e insolência dos norte-americanos que não respeitam suas convicções nacionalistas; e respondeu a Biden que tinha, sim, planos para visitar Yasukuni.

Imediatamente depois que Abe maliciosamente vazou a informação de que ignorara o apelo do vice-presidente Biden, o qual estaria dando satisfações ao presidente Park na questão do santuário, sobreveio uma onda de “colunistas” e “comentaristas” e “especialistas”, com o poder do fogo concentrado de Richard Armitage, Victor Cha e Michael Green no Washington Post, todos a exigir que o presidente Obama visitasse Seul...

... e pouco depois se anunciou que a Coreia do Sul fora acrescentada no roteiro da viagem, e que o Japão não seria o único anfitrião no norte da Ásia a ser honrado com uma visita de Obama.

Que coisa!

Agora, além do desejo de Abe se sapatear sobre os sentimentos de Biden e Park, para ostentar bem alta a bandeira do seu revisionismo nacionalista, creio que há também outras forças à vista.

Primeiro de tudo, como já escrevi noutro artigo, Abe não tem relação confortável com o governo Obama. Seu avatar sempre foi Dick Cheney, com quem Abe tentou coordenar uma política de contenção da China durante seu primeiro mandato; e seus aliados naturais são os Republicanos da direita norte-americana e falcões pró-Japão/contra-China nos establishments de segurança e defesa dos EUA.

Dick Cheney e Shinzo Abe na Casa Branca
Acho que a humilhação pública e direta de Biden foi sinal dado por Abe de que não está sob o tacão da Casa Branca, e que seus aliados nos EUA podem extrair vantagem do embaraço no governo Obama, para questionar a eficácia e a execução da política do governo para o Japão (e seus esforços para cavar uma rota intermediária entre a República Popular da China e o Japão); e para fazer lobby que empurre a política dos EUA na Ásia na direção da doutrina japão-cêntrica de contenção da, e confrontação contra, a República Popular da China.

Em segundo lugar, a República da Coreia (Coreia do Sul) e o Japão são concorrentes diretos na Ásia. Durante o governo do presidente Lee Myung-bak da Coreia do Sul, ele tentou abertamente roubar do Japão o trono da liderança na Ásia (e o lugar de aliado “n°1” dos EUA). Abe, com suas inclinações nacionalistas, é claramente hostil às pretensões da Coreia.

Se alguém quiser jogar o jogo profundo, é preciso saber que o Japão teme, tanto quanto a Coreia também as teme, a reunificação da Coreia e a emergência de uma democracia asiática que superará em muito o Japão no vigor nacional e econômico. Uma das histórias menos comentadas de Abe, é seu flerte com a Coreia do Norte, com encontros clandestinos entre diplomatas japoneses e da República Popular Democrática da Coreia e, além disso, o oferecimento que lhes fez a Suíça (e, desconfio, também a Índia), que pôs seus bons serviços de mediadora à disposição do Japão.

O contexto ostensivo desse ir-e-vir é ganhar blindagem na miserável questão dos reféns japoneses [orig. Japanese abductees]; mas suspeito que o real objetivo é obter algum tipo de aproximação direta com a Coreia do Norte, que dará ao Japão acesso direto ao país; passará a perna no regime das conversações dos Cinco Partidos lideradas pela China; desequilibrará EUA, China e Coreia do Sul no movimento em que estão empenhados para se aproximarem dos recursos humanos e minerais sempre subexplorados da Coreia do Norte; e ainda conseguirá manter viva a Coreia do Norte, e a península como está, confortavelmente dividida.

Em outras palavras, a Coreia do Sul é bem-vinda para testar suas opções como potência continental dentro da esfera de influência da República Popular da China, usando Shandong como fornecedor de trabalho barato, em vez da Coreia do Norte. O Japão muito apreciará comer o almoço sul-coreano numa Ásia marítima democrática, muito obrigado.

Joe Biden
Em terceiro, enquanto Abe trabalha para recuperar a plena soberania militar, de defesa e de segurança do Japão, ele não tem interesse algum em que os EUA se arroguem o privilégio de determinar a agenda diplomática regional do Japão. No mínimo, parece que Abe deseja engajamento extensivo com os EUA, mas no contexto de relações bilaterais entre pares, negociadas mediante mecanismos explícitos, como a aliança de segurança e o Tratado da Parceria Trans-Pacífico. Essa visão do relacionamento EUA-Japão com certeza não inclui ouvir, nem Joe Biden, nem os “especialistas” do governo Obama a pontificarem sobre a Ásia, sobretudo quando visem a demonstrar o credo dos EUA como parceiro confiável (enquanto tentam mostrar à Coreia do Sul que China e EUA podem, sim, muito significativamente, modelar o comportamento do Japão). (...)

Creio que, como previ no ano passado, as galinhas do movimento do “pivô na direção da Ásia” estão tendo inevitavelmente de voltar para os respectivos poleiros. A decisão de confrontar a ameaça marítima da República Popular da China encorajou as democracias asiáticas, especialmente o Japão, a tal ponto que a liderança norte-americana está a um passo de ser abertamente desafiada.

O Japão, a Coreia do Sul e a República Popular da China podem saber bem das intenções dos EUA, mas estão menos convencidos de que os EUA cumpram a promessa de uma estratégia de pivô modulada, unificada e cuidadosamente administrada que dê poder aos EUA mediante uma estratégia militarizada de contenção contra a República Popular da China, sem que os EUA comprometam a imagem de parceiro honesto e confiável... enquanto sufocam qualquer iniciativa independente de seus aliados da vanguarda do pivô.

Em vez disso, parece é que, especialmente o Japão, vai-se distanciando silenciosamente e fará o melhor para explorar o pivô para perseguir suas próprias agendas regionais, ao mesmo tempo em que recorre aos EUA em busca de apoio nos momentos difíceis, apoio o qual, como reza a teoria do pivô, os EUA são obrigados a dar.

Assim sendo, em vez de uma frente implacavelmente unida contra a República Popular da China – razão de ser do pivô! – tem-se agora uma aliança em fluxo, contenção equívoca e a ponto de ser testada pela China, e cada vez mais próxima de tensos encontros na zona marítima.

Aí está, em outras palavras, uma receita para...?  Não se vê muito bem o que seja, mas com certeza não é a paz, a estabilidade e a prosperidade partilhadas de que Hillary Clinton falava e que prometeu entregar graças ao “pivô”.

O Japão está suficientemente investido no relacionamento com os EUA e a aliança para suportar até o governo Obama, o qual em breve iniciará a longa mas inevitável decadência rumo ao status de pato manco.

Mas anúncios, iniciativas e viagens à Ásia podem obter tanto quanto o Japão; e os aliados asiáticos cada vez mais olham na direção do Japão como liderança regional, veem o que veem e descobrem a necessidade e a importância de continuar a andar cada um pela sua própria trilha.

Diz-se que o sol não nasce por que o galo cocorica. Mas nesse caso, sim, nasceu. Acho que o presidente Obama está aprendendo que o sol nasceu exatamente porque o galo cocoricou, vale dizer: a assertividade dos japoneses é consequência do empoderamento do establishment japonês mais linha dura, um dos efeitos da doutrina norte-americana do pivô.

Problema é que, agora que o sol nasceu e está subindo, parece que continuará subindo por conta própria. E quanto a isso não há o que o galo possa fazer.




Nota dos tradutores
[1] Sudetenland - Região histórica do norte da República Tcheca, ao longo da fronteira com a Polônia. Habitada por séculos por alemães étnicos, foi tomada pelos nazistas em setembro de 1938 e devolvida à Tchecoslováquia em 1945, depois de a população alemã ter sido expulsa. O nome faz referência às montanhas Sudetes
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[*] Peter Lee é jornalista norte americano de origem chinesa que escreve sobre assuntos dos países do sul e leste da Ásia e a intersecção de negócios entre essa região e os EUA. Além de articulista de várias publicações anima o blog China Matters.