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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Discurso do Aiatolá Sayed Ali Khamenei, Guia Supremo da República Islâmica do Irã: SOBRE GAZA

Aiatolá Ali Khamenei - SOBRE GAZA


29/7/2014, Solenidade de Aïd-el-Fitr − Fim do Ramadã (excerto sobre Gaza)
Íntegra do discurso em inglês em: Supreme Leader's Sermons at Eid ul-Fitr Prayers
Transcrição, tradução e legendas para francês por Sayed Hasan
Traduzido para português pelo pessoal da Vila Vudu



Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.

Glória a Deus, Senhor dos Mundos, e que a paz paire sobre nosso Mestre e Profeta, Abu-al Qasem al-Mostafa (pai de Qasim e o Eleito) Maomé, e sobre sua imaculada família, pura e escolhida, e sobre o que está presente sobre a Terra (o Imã Al-Mahdi). E saudamos também o Comandante dos Crentes (Imã Ali b. Abi Talib), a Verdadeira e Pura (Fatima al-Zahra) – senhora das Senhoras dos Mundos –, e que a paz paire sobre Hassan e Hussein – filhos da Misericórdia – e sobre os Imãs da Orientação e Guia –Ali b. Hussein, Muhammad b. Ali, Ja'far b. Muhammad, Musa b. Ja'far, Ali b. Musa, Muhammad b. Ali, Ali b. Muhammad, Hasan b. Ali e o Argumento de Deus sobre a Terra (o Imã ocultado, Al-Mahdi Al-Montadhar – o Esperado).

Recomendo aos amados irmãos e irmãs, a todo o povo do Irã e também a mim mesmo, a piedade e o temor a Deus. Essa piedade é fonte de influência benéfica em todos os domínios, inclusive nos julgamentos, tomadas de decisão e ações em todas as grandes questões sociais e internacionais, assim como nas questões relacionadas ao Islã e à humanidade.

Hoje, a principal questão do mundo islâmico é a questão de Gaza. E talvez se possa dizer que Gaza é a principal questão hoje do mundo e da humanidade.

Um cão hidrófobo, um lobo selvagem atracou-se à carne de seres humanos inocentes e oprimidos. Quem seria mais inocente e mais oprimido que essas crianças que morrem nos ataques a Gaza? Quem seria mais inocente e mais oprimido que aquelas mães que têm os filhos nos braços num instante e, no outro, os veem morrer, sentem seus últimos estertores no colo delas, sob os olhos delas?

Hoje, o regime sionista usurpador e incréu comete tais crimes, crimes odiosos, ante os olhos do mundo e de toda a humanidade. Por isso a humanidade tem de reagir.

Há três pontos a destacar sobre a questão de Gaza:

O primeiro é que o que hoje fazem os dirigentes sionistas é genocídio. Uma imensa tragédia histórica. Os que perpetram esses crimes e os que os apoiam têm de ser julgados no plano internacional e têm de ser punidos.

O castigo deles deve ser o que decidirem e exigirem os representantes dos povos, os justos e os que têm consciência, em todo o mundo.

Nem todo o correr do tempo lhes permitirá escapar ao castigo. É indispensável que sejam punidos. E isso enquanto ainda estão no poder e depois de já estarem descartados e derrubados do poder. Ao mesmo tempo também devem ser castigados os responsáveis por esse massacre e os que os apoiam abertamente – os mesmos que vocês veem e ouvem na ‘mídia’ – todos esses têm de ser punidos. Esse é o primeiro ponto.

O segundo ponto é que é preciso ver o quanto é grande a resistência e a capacidade para resistir de um povo que defende o próprio direito. É um povo cercado por todos os lados, que vive num pequeno território limitado e isolado. O mar os cerca, a terra os cerca, todas as fronteiras lhes estão fechadas. Nada garante que terão água para matar a sede, que terão eletricidade, meios de sobrevivência. Todos esses desastres lhes foram infligidos como efeito de ações hostis e ataques que lhes move o inimigo. E ninguém no mundo move-se para vir ao socorro deles.

E esse povo tem de fazer frente a inimigo super armado, vicioso, pervertido e sem piedade como são o regime sionista e seus dirigentes, de baixeza impossível de qualificar, demoníacos, impuros, que batem e destroem sem parar, dia e noite, sem alívio, sem nenhuma contenção. Mas apesar de todos esses crimes, aquele povo resiste. Mantém-se em pé e resiste! Essa é a grande lição! Prestem muita atenção, porque aí está a grande lição.

Aquele povo nos mostra a capacidade de resistir do ser humano – a força e a tenacidade de uma mãe que vê seus filhos mortos diante dela; a força e a tenacidade de uma mãe que vê o marido, o irmão, o pai serem oprimidos. Essa força é muito maior do que podíamos concebê-la.

Deveríamos conhecer, todos nós, nossa força interior. Os seres humanos podem ser fortes e fazem prova de resistência gigante. Esse povo – uma população de cerca de 1,8 milhão de indivíduos – resiste e mantém-se de pé, apesar de viverem numa terra isolada e atacada por todos os lados, numa superfície de 400, 500 quilômetros quadrados. Resistem, apesar de suas casas, suas lojas, seus locais de trabalho terem sido convertidos em alvos do inimigo. Mais que isso, tampouco podem negociar com outros países. E nessa situação, nem por isso os ataques diminuem. Mas eles resistem.

Assim se vê o nível e a capacidade de resistência de um povo. E lhes digo: no final, se Deus quiser e pela graça de Deus, esse povo vencerá o inimigo!

Já hoje o inimigo agressor lamenta a ação que empreendeu, como um cachorro que também é capaz de ver o que fez mal feito. Então endurece, sem saber o que fazer: se retrocede, passa vergonha; se continua, a matança vai-se tornando mais difícil, para ele, dia a dia. 

Por isso vocês veem hoje os EUA, a Europa, todos os criminosos do mundo, que se dão as mãos para impor à força um cessar fogo à população de Gaza, para salvar aquele regime. Mas até hoje nem isso funcionou, nem jamais funcionará. Esse é o segundo ponto.

Em terceiro lugar, os dirigentes políticos da arrogância mundial dizem que têm de desarmar o Hamás e a Jihad islâmica. Mas o que significa desarmar esses grupos? É verdade que têm certa quantidade de foguetes, que lhes permitem, de algum modo, defenderem-se, um mínimo que seja, dos ataques incessantes do inimigo. E dizem que ainda seria o caso de tirar deles esses poucos foguetes?!

Para o inimigo, o ideal seria que a Palestina e Gaza, especialmente, fossem postas em situação tal que, quando os sionistas decidam atacar, não importa onde ou quando, a qualquer momento, os sionistas possam fazer como bem entendam, e os palestinos não tenham nenhum meio para se defenderem! O que desejam é isso!

O presidente dos EUA lançou uma fatwa: “É preciso desarmar a Resistência”. É?! É mesmo?! Claro! Vocês querem a Resistência desarmada para que a Resistência não tenha instrumento algum para fazê-los responder pelos muitos crimes que vocês cometem contra os palestinos.

Pois nossa proposta é exatamente contrária à deles. Nossa proposta é que todo o mundo, e sobretudo, mais que todos os demais, o mundo islâmico, temos o dever de fazer  tudo que esteja ao nosso alcance para fornecer à Palestina a maior quantidade possível de armas.

Oh, meu Deus, vem em ajuda ao Islã e aos muçulmanos, assiste os exércitos dos muçulmanos, humilha os incréus, os opressores e os hipócritas. Que Deus me ilumine e ilumine todos nós.

(O Aiatolá Sayed Khamenei recita a surata do Corão O Culto Puro (n. 112). Que a Paz de Deus esteja sobre vocês, e Sua Misericórdia e Sua Graça.


(Na sequência, o Aiatolá Khamenei dirige a prece do Aïd.).

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Primeira aparição pública e sermão de Abu Bakr al-Baghdadi como Califa (ISIL/ISIS/DAASH)


Data escolhida a dedo: dia de Ramadã e de 4 de  Julho!

5/7/2014, TwitLonger de François Gatete (Traduzido para o inglês)
Traduzido da transcrição pelo pessoal da Vila Vudu


“Em nome de Alá, o Mais Misericordioso, o Especialmente Misericordioso. Misericordioso, al-Furqan [1] apresenta sermão e pregação coletiva na grande mesquita na cidade de Mosul, no 6º [dia do mês] de Ramadã, [ano de] 1.435 [da Hégira]”.

....

Baghdadi: “Que a paz e as bênçãos de Alá desçam sobre vocês” [O cantor recita a oração; Baghdadi usa um siwak (instrumento para limpar os dentes)].

Abertura do sermão [Khutbah, inna alhamdullilahi (...)], com os trechos do Corão associados. Fim da abertura, “Oh vocês que creram, foi-lhes ordenado que jejuassem e foi-lhes ordenado antes disso que todos se tornassem dignos”.

Alá, o Altíssimo, disse “O mês do Ramadã [é o mês no qual] foi revelado o Corão, guia para o povo e provas claras de orientação e critério. Por isso, todos que vejam surgir o [a lua nova do] mês, que jejuem”.

Oh, muçulmanos! Quem cresceu até ver o Ramadã recebeu grande bênção. E grande missão que lhe deu Alá, o Altíssimo.

É mês cujo começo é doação. Cujo meio é perdão. Cujo fim é proteger-se contra o fogo do inferno. Um mês no qual, se o crente jejua com convicção e espera perdão, ele será perdoado. Com a autoridade que é sua, Abu Hurayrah, que Alá esteja satisfeito com ele, o mensageiro de Alá, que Sua paz e Suas bênçãos desçam sobre ele, disse: “A quem jejua o Ramadã com convicção e esperança de ser perdoado, seus pecados lhe são perdoados. E a quem guarda o Ramadã com esperança e convicção do perdão, seus pecados lhe são perdoados”.

Um mês que traz a abertura das portas do paraíso eterno e fecha as portas do fogo do inferno. E encarcera os demônios. Um mês portanto que é uma noite que vale mais que mil noites. Quem não o tenha deixado descer sobre si, tornou impossível que todo o bem [khair] desça sobre si.

(Corão) “A Noite do Decreto é melhor que mil meses. Os anjos e o Espírito descem portanto por permissão de Seu Senhor para todos os casos. É a Paz que fará raiar o dia”.  

Um mês em que há divórcio: divórcio e separação do fogo do inferno. E é verdade para cada uma e todas as noites desse mês. Um mês que se põe como obstáculo na perseguição contra a jihad. [2] E o mensageiro de Alá – que a paz e todas as bênçãos desçam sobre ele –, disse [Segue a narrativa profética sobre a jihad].

Assim sendo, colham as vantagens desse mês santo, Oh, cultuadores de Alá! Lutem, portanto, Oh, muçulmanos! Alá, o Abençoado e Altíssimo criou-nos para amá-Lo e só Ele no monoteísmo, e para estabelecê-Lo em Seu modo completo de viver [o Islã]. Ele, o Altíssimo, disse:

(Corão) “Não criei o jinn [3] e a humanidade senão para que Me cultuem”. E Alá ama que matemos os inimigos de Alá e que façamos jihad em Seu nome.

Ele, o Altíssimo, disse:

(Corão 2:216) “A guerra foi imposta a vocês, embora vocês odeiem a guerra”.

E Ele, o Altíssimo, disse:

(Corão, Surat Al-‘Anfal [verso 39]) “E lhes deem combate até que não haja fitnah [ateísmo e politeísmo], e até que toda a religião, toda, seja de Alá. E, se pararem, mesmo ainda assim, Alá Vê o que fazem”.

Oh, povo na religião de Alá, sejam justos Nele, levantem-se por Ele e afirmem a verdade d’Ele, e não se dispersem e não se afastem do que Alá nos deu. E mantenham-se firmes com a Xaria de Alá, e a referência a ela, e apliquem e aceitem o hudud (castigos islâmicos).

(Corão) “Nós já mandamos Nossos mensageiros com provas claras e mandamos com eles a Escritura e o equilíbrio [para que] o povo possa manter [seus negócios] em justiça. E mandamos o ferro, pelo seu grande poder militar e benefícios para o povo [de tal modo que] Alá possa tornar visíveis os que O apoiam e os Seus mensageiros invisíveis. Em verdade a verdade vos digo, que Alá é Potente e Elevado em Força”.

E essa é a aplicação da religião de Alá. E esse é o Livro que dá orientação, e a espada que garante rápidas vitórias [refere-se ao Surat al-Fath (49 Sura do Corão, “A vitória”, “A Conquista”)].

E aos seus irmãos, os mujahidin (pl. de mujahid [4]) (“combatente(s) na jihad”), Alá, o Abençoado, o Altíssimo, deu-lhes vitórias e conquistas que vieram depois de muitos anos de privações e paciência. E mantiveram-se firmes contra os inimigos de Alá, e Ele os tornou poderosos na terra, até a declaração do Califado e a escolha de um Imã. E esse é assunto obrigatório para todos os muçulmanos. É Waajib! [5] E tem de ser aplicado inteiramente a toda a terra. Mas a maioria do povo é ignorante.

(Elogio aos que restabeleceram o Califado): E eles restabeleceram o Califado, e glória e graças a Alá! E vocês desperdiçarão essa bênção imensa, se recusarem a missão, a tarefa pesada, se derem as costas a ela, nesse caso estarão rejeitando a bênção que cairia sobre vocês. Eu fui submetido a uma prova por Alá, na minha eleição ao Califado. É carga imensa. Não sou melhor que vocês. Aconselhem-me quando erro e sigam-me se acertar. E me socorram contra os tawagheet [6].

E lhes trago a boa nova do que Alá prometeu aos crentes que O venerem:

(Corão) “Alá prometeu aos que, dentre vós, creem e praticam boas ações, que Ele lhes garantirá a sucessão no poder sobre a terra, assim como Ele garantiu o poder àqueles de antes dele, e Ele com certeza implantará para eles a religião que Ele preferiu para eles e que Ele substituirá: depois do medo, a segurança,  para que ME cultuem, nada associando a MIM. Mas quem não creia nisso – esses são os desafiantemente desobedientes”.

A Sua promessa:

(Corão) “Não enfraqueçam e não lamentem, e vocês prevalecerão, se creem verdadeiramente” (mais ayat corânicos sobre vitórias).

E Ele disse: (Corão) “Toda a Honra pertence a Alá e ao Seu Mensageiro, e aos crentes, mas os hipócritas não sabem”.

Essas são as promessas de Alá. E se as promessas de Alá alegram vocês, temam-No e vivam retamente em boa consciência [orig. taqwa [7]].

Temam Alá em todas as bênçãos e em todas as situações. E disseminem a verdade. E sejam firmes, pela verdade. E a disseminem para todos os que vocês amam e todos que vocês odeiam.

Se a promessa de Alá lhes agrada, então dediquem-se a ela com fervor de jihad! E conclamem os crentes para que façam o mesmo. E tenham paciência nesses tempos de dúvida. Se vocês soubessem o que há na jihad, desde a recompensa [ajr], as bênçãos generosas [karama], a ascensão na vida, a honraria, nessa vida e na outra, nenhum de vocês jamais se desviaria do caminho da jihad!

(Corão) “Creiam em Alá e Seu Mensageiro e lute pela causa de Alá com suas riquezas e a própria vida.” É o melhor para vocês, e vocês sabem ou deveriam saber que é. Alá perdoará vocês e os acolherá em jardins onde riachos correm, onde poderão viver para sempre. Nenhum feito ou realização da vida assemelha-se a chegar lá.

E isso que vocês amam, a vitória vinda de Alá e a conquista, estão próximas!

(Fim do sermão [Khutbah]. Daí até o final, o xeique recita o Corão).



Notas dos tradutores

[1] O critério.
[2] Sobre o conceito islâmico de Jihad (“empenho”, “dedicação” em busca da perfeição).
[3] jinn”.
[4] Mujahidin”.
[5] “Waajib”: obrigação máxima, absoluta, para o muçulmano: “Wajib (o mesmo que fiqh): obrigação que o muçulmano tem de cumprir, tão obrigatória como as cindo orações diárias”.
[6] Tawagheet. Entendemos que significa os que creem e seguem comandos que não lhes sejam dados por Alá. Todas as correções e comentários são bem-vindos. 
[7] Taqwa”. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mulá Mohammad Omar, dos Talibã: “Mensagem do fim do Ramadã, 2011” [1]


28/8/2011, Mullah Omar’s Eid ul-Fitr Message, Uruknet.info
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

Mulá Mohammad Omar Mujahid

Alá é o Maior. Alá é o único Deus e o Maior. Todas as preces são por Alá, o Generoso, o Magnânimo.

Minhas preces vão para Alá que ajudou Seu Servo, o Santo Profeta; que honrou Seu Exército e derrotou a Confederação. Que a paz esteja com o Profeta, depois do qual não houve outro Profeta. Isso dito, eis minha mensagem.

Estendo minhas felicitações, de coração, ao povo afegão mujahid  [2] e à Ummah  [3] Islâmica por ocasião do Eid-ul-Fitr  [4] e congratulo-me com todos pelas repetidas vitórias no Afeganistão. Que Alá, o Generoso, aceite sob seu abraço o jejum de vocês, a Jihad  [5] e seus sofrimentos na luta pela causa da verdade.

Aproveitando a oportunidade, quero partilhar com vocês meus pensamentos sobre algumas questões vitais, como segue:

Sobre a atual situação da Jihad:

Os inimigos do Islã e do Afeganistão pensaram que esse ano seria crucial para derrotar os Mujahideen e para alcançar os objetivos perversos do inimigo. Fizeram crescer as esperanças entre o povo deles e em todo o mundo, de que haveria mudança fundamental no status quo.

Graças a Alá, o Misericordioso, todos os planos deles levaram a resultado contrário ao que previam suas avaliações e cálculos.

O inimigo sofreu mais baixas em almas e em equipamento, em comparação com anos passados. A cada dia que passa, mais os Mujahideen familiarizam-se com as táticas do inimigo. Estão tendo acesso a máquinas, instrumentos pelos quais causam mais baixas entre os inimigos.

Todos vêem hoje o imenso número de baixas no contingente inimigo, e seus aviões abatidos. Além disso, a cooperação cada vez maior do povo; a infiltração de Mujahideen nas fileiras do inimigo; a expansão da área da Jihad a todos os cantos do país; a escalada constante das operações diárias e a disponibilidade de táticas acumuladas; o extermínio de oficiais de alta patente no norte e no sul do país, todas essas são boas novas e fazem pensar em vitória iminente e brilhante futuro.

Se se comparam as realizações das operações do ano em curso, batizadas “Badre” e as de anos anteriores; se se consideram as repetidas derrotas e a posição moribunda do inimigo, como jamais antes, temos quadro claro que explica a elevada moral dos Mujahideen e a queda, sob todos os aspectos, do inimigo.

No plano mundial, o status quo já não favorece os EUA, como no passado. A economia dos EUA enfrenta problemas terríveis, mais do que jamais antes. A cada dia que passa os povos dos países membros da OTAN mais informações recebem sobre a realidade da guerra do Afeganistão. Começa a lançar raízes profundas em suas mentes, na opinião pública daqueles países, uma atitude de oposição a essa guerra sem sentido. Os países que participam da coalizão invasora retiram suas tropas [do Afeganistão], um após o outro.

Os povos e governos regionais estão fartos de viver sob a mira das armas da política armada dos EUA. Em resumo, tudo isso indica a vitória de nossa Jihad sagrada.

Sobre a retirada parcial das forças dos EUA, do Afeganistão:

Primeiro, quero dizer que nenhuma retirada parcial das forças invasoras poderá, de modo algum, resolver a questão do Afeganistão. A Jihad prosseguirá, porque medidas superficiais só tornarão ainda mais difícil resolver a questão do Afeganistão e podem gerar consequências desastrosas. As forças invasoras devem buscar solução duradoura e convincente. Para tanto, devem retirar imediatamente todos os seus exércitos.

Sobre bases militares permanentes dos EUA no Afeganistão:

A nação afegã não está disposta a aceitar aqui bases militares permanentes dos EUA. Os afegãos entendem que a presença militar de invasores, seja maior seja menor, continua a ser ocupação estrangeira.

Se os EUA insistem em agir com arrogância nessa questão, sem dar atenção ao que exigem a resistência jihadista e o povo do Afeganistão, enfrentarão as mesmas consequências que enfrentam hoje, passada já uma década de ocupação, sem poder consolar-se e sentir-se em segurança nem em Kabul, apesar dos bilhões de dólares e da vida de milhares de soldados que a aventura já lhes custou.

Todos, principalmente os intelectuais, os professores, figuras políticas influentes no país, devem procurar construir posição nacional, em acordo com o Emirado Islâmico [os Talibã], contra o estabelecimento no país de bases militares dos invasores. Assim mostrariam aos EUA que toda a nação, em uníssono, é contrária à instalação de bases militares estrangeiras permanentes em nosso país. Qualquer outra opinião, apresente-se sob a égide da Jirga ou do Parlamento, só fará identificar os traidores e os realmente comprometidos com a terra e a religião.

Sobre o futuro do Afeganistão:

Nosso manifesto diz que o Afeganistão deve ter um real governo islâmico que seja aceitável para todos os povos do país. Todas as etnias terão participação nesse governo e os cargos serão distribuídos por mérito.

Esse governo manterá boas relações com todos os países da região e do mundo, à base do respeito mútuo e de interesses islâmicos e nacionais.

Esse governo focar-se-á inteiramente em condutas e práticas que visem a recuperar as perdas espirituais e materiais que o Afeganistão sofre, causadas por guerras que já duram 30 anos.

Há no Afeganistão muita terra agricultável, minas ricas e muitos recursos naturais de energia. Podemos, portanto, investir nesses setores em condições de paz e estabilidade – para arrancar-nos, nós mesmos, dos tentáculos da miséria, do desemprego, da ignorância e do atraso, de onde nascem outros problemas sociais e econômicos.

Ao contrário do que diz a propaganda dos inimigos, o Emirado Islâmico não tem qualquer interesse em monopolizar o poder. Uma vez que o Afeganistão é lar comum de todos os afegãos, os afegãos têm direito de assumir plena responsabilidade sobre o próprio destino, no campo da proteção e da administração do país.

As transformações e desenvolvimentos futuros não serão semelhantes aos que se viram depois do colapso do comunismo, quando tudo no país foi saqueado, e o aparelho do Estado, inteiramente destruído.

Tomaremos medidas estritas para preservar todas as instalações nacionais, departamentos do governo e progressos que tenham sido obtidos no setor privado. Profissionais, técnicos, empresários serão encorajados, sem qualquer discriminação, a servir sua religião e o país.

Sobre negociações:

O Emirado Islâmico considera a presença de tropas invasoras no país; os bombardeios indiscriminados; os ataques noturnos de bombardeiros-robôs; as brutalidades; as torturas; e a tirania, como causa principal do imbróglio em que o Afeganistão está envolvido.

As dificuldades acabarão, quando acabarem as brutalidades. Do mesmo modo, o Emirado Islâmico do Afeganistão considera que o estabelecimento de um regime islâmico independente é meio que pode garantir a sustentabilidade de interesses religiosos e mundanos para o país e seus cidadãos. Para esse objetivo, devem-se considerar todas as alternativas legítimas.

Contatos feitos para a libertação de prisioneiros não podem ser definidos como negociação ampla com vistas a resolver o atual imbróglio em que vive o país. Mas o Emirado Islâmico, como entidade política e militar ativa, tem agenda específica e independente relacionada àquela questão, que tem sido repetidamente divulgada e explicada.

Sobre a próxima Conferência em Bonn:

Essa conferência não será diferente da que houve há dez anos, porque nenhum dos verdadeiros representantes do povo afegão participa dela, nem se dará qualquer atenção à procura por solução efetiva e ampla para os problemas do Afeganistão.

Como em outras conferências e Jirgas, essa conferência é superficial e orientada por mentiras e boatos. Querem distrair por algum tempo a atenção do público mundial e afastá-la de qualquer solução verdadeira para o Afeganistão. Só aparecerão lá discursos e declarações já previamente aprovadas pela Casa Branca e pelo Pentágono.

Aconselhamos todos os atores globais envolvidos na questão do Afeganistão a buscar solução real e pragmaticamente orientada para a questão afegã, em vez de focarem-se em ideias fictícias e superficiais. Devem perceber a realidade em campo, no Afeganistão.

Os afegãos têm magnífica tradição, suficiente para compreender, eles mesmos, os problemas e as soluções. Mas, isso, em condição na qual não exista a intervenção estrangeira. Considerando seu direito legítimo, o Emirado Islâmico move guerra legal em defesa de sua religião, sua terra e seu território.

A única razão para essa guerra é a presença dos invasores estrangeiros no Afeganistão. Se a coalizão global invasora puser fim à ocupação de nossa terra, o Emirado Islâmico, como regime amante da paz e responsável, manterá relações positivas com países da região e do mundo.

Alertamos todos os países, inclusive os vizinhos, para que não se tornem parte do jogo colonialista, no que tenha a ver com o futuro do Afeganistão, porque isso não interessa a ninguém.

O Emirado Islâmico do Afeganistão, herdeiro de dois milhões de mártires afegãos, está decidido a tomar decisões independentes sobre o futuro do Afeganistão, sem considerar o que deseje ou ambicione a intervenção estrangeira. Essas decisões serão corporificação das aspirações dos mártires e de nossos interesses nacionais e islâmicos, da dignidade e da honra dos afegãos.

Gostaríamos de deixar claro para todos que nem os afegãos aceitam governos impostos, nem esses governos conseguirão permanecer aqui.

Sobre os administradores do governo de Kabul:

Mais uma vez conclamamos os afegãos que trabalham para o governo de Kabul, a que desistam do apoio dos invasores.

Que se alinhem ao lado dos Mujahideen, ombro a ombro, contra os inimigos do Islã e do Afeganistão.

Se vocês se unirem aos Mujahideen, as forças de ocupação terão de deixar o Afeganistão. Assim, os sacrifícios de nosso pobre povo afegão chegarão ao fim, e nosso país será embelezado com os ornamentos da independência, da prosperidade e do regime islâmico, e florescerá. Esse é o interesse de todos.

Às vanguardas da Fortaleza da Verdade:

  1. Dado que as condições hoje dominantes são sensíveis, é essencial que vocês se concentrem nas suas obrigações da Jihad, ainda mais que antes. Muitas partes do país estão livres da presença do inimigo infiel, graças à luta de vocês. Dediquem-se a limpar da presença do inimigo também as outras partes do país. Jamais descuidem dos assuntos da Jihad. Mostrem firme determinação e planejem eficiente e meticulosamente. Façam do prazer de Alá (que a paz esteja com Ele) a meta de vocês.

  1. Considerem a Jihad o seu princípio fundamental. Obedeçam ao Amir e respeitem os códigos de conduta dos Mujahideen que lhes foram ensinados. Os chefes Jihadistas nomeados por nós em todo o país são seus comandantes; essa relação baseia-se na Xaria. Obedeçam seus comandantes.

  1. Todos devem observar estritamente as medidas de segurança que lhes sejam comandadas. Se forem negligentes quanto a isso e não tomarem cuidados que estão preparados para tomar, serão feridos pelo inimigo nesse mundo e serão responsáveis por isso aos olhos de Alá (que a paz esteja com Ele).

  1. É indispensável ser extremamente cuidadoso nos contatos com as pessoas comuns. Conquistem o coração do povo pela boa conduta e pelo comportamento adequado. Nossa nação é nação muçulmana e Mujahid. Os afegãos fizeram sacrifícios colossais na defesa do Islã, mais que qualquer outro povo, e sofreram dificuldades e dores. É absolutamente necessário respeitar todos os cidadãos comuns, seja velho, jovem, criança ou mulher. Se receberem informes sobre alguém, antes de qualquer movimento investiguem meticulosamente. Em nenhum caso perturbem alguém por efeito de relatórios viciados ou falsos. Ouçam atentamente os bons conselhos e saberes das pessoas comuns. Ante qualquer homem comum, ponham-se no lugar dele. Imaginem-se desarmados. Ajam com as pessoas comuns como desejam que elas ajam com vocês (desarmados), como se fosse seu pai, seu irmão, qualquer parente próximo. Como você agiria com essas pessoas? Os Mujahideen devem conduzir-se com gentileza e cordialidade em todos os contatos com as pessoas comuns. Em nenhum caso devem considerar-se superiores às pessoas comuns.Em nenhum caso imponham ordens ou comandos que não tenham sido instruídos a impor por seus comandantes e sem que tenham sido autorizados especificamente para a tarefa.  

  1. Qualquer outro tipo de atitude difamará os Mujahideen e a Jihad. E dará razão para que o inimigo insista em sua propaganda negativa, para criar um fosso entre o povo e os Mujahideen. Do mesmo modo, trabalhem conforme as instruções que recebam ou de acordo com os moradores da região e os professores religiosos.

  1. É expressamente proibido, para todos os afiliados do movimento do Emirado Islâmico extorquir dinheiro por chantagem ou pela força. Mujahid ou qualquer outro que seja apanhado extorquindo dinheiro de empresário ou comerciante, de donos de terra ou de qualquer rico, à força de arma, ou que se deixe envolver em sequestros e cobrança de resgate, deve ser impedido de prosseguir nessa ação proibida. Se o Mujahid conseguir prendê-lo, que ele seja castigado pela lei da Xaria. Não esqueçam que a preservação da vida e da propriedade das pessoas é uma das principais metas da Jihad.

  1. Para terminar, quero dizer que todos devem reservar tempo para ler e aprender e aumentar seus conhecimentos. Todos devem estar sempre empenhados em aprender alguma coisa; participem de atividades para atrair as pessoas para a religião; repitam sempre as orações e os cânticos Mathura. Não descuidem do esporte, do exercício físico e do treinamento Jihádico. Cuidem do corpo e do espírito, como ensinam as regras da sagrada Xaria e, na sociedade, vivam vida de homem religioso e temente a Deus, bom e caridoso.

  1. Há livros com o código de conduta dos Mujahideen em todas as bases em todas as províncias. Todos os comandantes provinciais devem cuidar para que todos os Mujahideen sob seu comando conheçam os conteúdos daqueles códigos de conduta e para que vivam conforme aqueles códigos.

Aos professores, acadêmicos, universitários, estudantes e escritores, no Afeganistão e em todo o mundo:

Cavalheiros! Nosso futuro depende de nossa completa independência. Se não tivermos país independente, teremos futuro de escravos. Nenhum senhor dá ao escravo o que prefere para si. Os senhores usam o escravo como ferramenta e moeda de troca.

Por isso, na última década, os agressores não completaram nenhum dos grandes projetos estratégicos que prometem ao nosso país: nenhuma grande barragem, nenhuma rede nacional de eletricidade, nenhuma instalação de indústria pesada. Esses projetos são vitais para nossa economia. Nada fizeram, no Afeganistão, além de aberta e clandestinamente estimular e aprofundar os conflitos geográficos e raciais, e ensinaram os jovens a envolver-se em disputas por questões geográficas ou de idiomas. Assim, tentam destruir o futuro do Afeganistão.

É nosso dever islâmico e nacional salvar os mais jovens do efeito da propaganda do inimigo, orientada para nos dividir.

Nosso povo Mujahid optou pela resistência, graças à sagrada Jihad, contra a ocupação política e militar do Afeganistão pelos ocidentais.

Assim também, é indispensável impedir a propagação, pela via da propaganda, da cultura ocidental depravada, com seus impactos ideológicos daninhos nesse país muçulmano e orgulhoso.

Temos de lutar devotadamente, honestamente e com a firme determinação que á característica dos afegãos, para garantir que as futuras gerações vivam sob o abraço protetor da sagrada cultura do Islã.

Deus não permita, mas, se negligenciarmos essa tarefa, nosso povo afastar-se-á do luminoso passado do Islã, por efeito do impacto nocivo da propaganda ocidental.

Professores, alunos, escritores, e toda a inteligência que há entre nós devem insistir individualmente e coletivamente, na prática de uma luta que nos leve à completa independência; para proteger os valores nacionais e os valores islâmicos e pela solidariedade dos afegãos.

Temos de permanecer unidos em nome de nosso objetivo comum e escapar de todas as divisões inventadas e superficiais.

Só os valores islâmicos podem nos levar a superar todas as divisões de geografia e de idiomas no Afeganistão. Mas fazer isso exige sacrifícios.

Ao povo afegão e ao mundo:

Em primeiro lugar, agradeço os muitos, em todas as classes da sociedade afegã, que consideram a Jihad islâmica em curso como obrigação religiosa e têm sofrido fadigas e privações no caminho da Jihad ao longo dos últimos dez anos.

Estenderam sua cooperação ampla e incansável aos Mujahideen e assim cumpriram sua obrigação Jihádica. Mas, para que não se percam os sacrifícios feitos nos últimos dez anos, é preciso continuar a cooperar. Quem se possa empenhar fisicamente na Jihad e saiba usar armas, essa é sua obrigação.

Os homens de letras devem pôr sua pena a serviço da defesa de sua religião. Os ricos devem usar a riqueza para prover as necessidades dos combatentes da Jihad.

Todos os muçulmanos do mundo devem apoiar os Mujahideen com apoio material ou espiritual. 

Assim também convocamos todos os povos e personalidades independentes do mundo a apoiar a legítima luta defensiva e de resistência dos afegãos; a não permitir que os tiranos arrogantes humilhem e oprimam povos do mundo; e a impedir que os povos do mundo sejam expostos à razão pervertida e tirânica dos arrogantes, apenas porque, além de perversos e arrogantes, são violentos e armados.

Para terminar, mais uma vez congratulo-me com todos os muçulmanos do mundo na ocasião desse Eid, com todos os afegãos pobres e sofridos, com todos os combatentes que combatem nesse momento, com todos os Mujahideen prisioneiros, com todas as famílias dos mártires, com todos os órfãos da causa da Jihad, com todas as mães e todas as viúvas.

Conclamo os ricos do mundo a não esquecer os indigentes e mais necessitados.

E peço que Alá, o Misericordioso, nos conceda comemorarmos juntos outros Eids – em melhores tempos, sob a proteção de regime islâmico pacífico, independente, à luz da Xaria. Amén. Que a paz esteja com todos vocês. 

Servo do Islã, Amir-ul-Momineen [6]
Mulá Mohammad Omar Mujahid



Notas dos tradutores

[1] Há matéria sobre essa mensagem em 29/8/2011, “O que querem os Talibã”, Ahmed Rashid, New York Review of Books (Blog), vol. 58, n.13 (em inglês).
[2] Mujahid, “combatente da Jihad”. Plural: mujahideen, mujahidin.
[3] Ummah, “comunidade muçulmana universal”.
[4] Eid-ul-Fitr, cerimônia religiosa que marca o fim do mês do jejum santificado, Ramadan.
[5] Jihad, “é um conceito essencial da religião islâmica. Pode ser entendida como uma luta, mediante vontade pessoal, de se buscar e conquistar a fé perfeita. Ao contrário do que muitos pensam, jihad não significa "Guerra Santa", nome dado pelos Europeus às lutas religiosas na Idade Média (por exemplo: Cruzadas). A explicação quanto as duas formas de Jihad não está presente no Alcorão, mas nos ditos do Profeta Muhammad: Uma, a “Jihad Maior”, é descrita como uma luta do indivíduo consigo mesmo, pelo domínio da alma; e a outra: a “Jihad Menor”, é descrita como um esforço que os muçulmanos fazem para levar a mensagem do Islã aos que não a conhecem a religião da paz”.  
[6]  Amir-ul-Momineen, “Comandante dos Fiéis”.