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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Plano Prawer: o rosto moderno da limpeza étnica na Palestina

[*] María Landi, animadora do blog Palestina en el corazón
Ver/ler mais sobre o Plano Prawer em: Prawer Plan to displace Bedouin
Traduzido e enviado por Baby Siqueira Abrão (6/12/2013)


O governo mais ultradireitista da história de Israel conseguiu o que os líderes palestinos não foram capazes de fazer nas últimas décadas: unir todo o povo palestino, hoje dividido entre o Estado israelense, a Faixa de Gaza, os territórios ocupados da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental (anexada ilegalmente em 1967), e a diáspora.

Crianças e jovens beduínos ativistas gritam slogans durante um protesto contra o Plano Prawer do governo israelense, na estrada 31 perto de Hura, Israel, no Day of Rage, em 30/11/2013. (clique na imagem para aumentar)
No sábado, dia 30/11/2013, os palestinos organizaram o Terceiro Dia de Fúria, jornada de protesto contra o Plano Prawer que se estendeu do mar Mediterrâneo ao rio Jordão. Levando o sobrenome do parlamentar israelense que o elaborou, o plano pretende destruir 36 aldeias beduínas “não reconhecidas” por Israel no deserto do Negev (Naqab, em árabe) para construir, em suas terras, colônias para a população judia. Para isso, cerca de 70 mil beduínos serão retirados à força de sua terra ancestral, e 800 mil dunams [1] dela serão confiscados por Israel.

Calcula-se que em Israel haja mais de 150 aldeias árabes “não reconhecidas” pelo Estado sionista nas regiões do Naqab e da Galileia. Essas aldeias são consideradas ilegais pelo governo, não figuram nos mapas e não contam com água corrente, eletricidade, telefone, arruamento, escolas e centros de saúde. As comunidades beduínas (cujos habitantes têm cidadania israelense) constituem cerca de 30% da população do Naqab, mas suas aldeias ocupam apenas 2,5% do território.

Antes da criação do Estado de Israel, os beduínos deslocavam-se livremente pelo deserto; agora, dois terços da região foram designados pelas autoridades israelenses como “campos de treinamento militar”, inacessíveis à população beduína. Mas a verdade, conhecida por todos, é que grupos de colonos judeus aguardam ansiosamente que os habitantes nativos sejam retirados daquelas terras, para instalar-se nos povoados modernos e cômodos que Israel construirá para eles em território beduíno.  

O governo israelense pretende apresentar o Plano Prawer [2] como uma ação “humanitária”, que oferecerá moradia adequada, serviços públicos e “um futuro melhor para as crianças” beduínas do Naqab/Negev, permitindo-lhes “integrar-se à estrutura de um Estado moderno ao mesmo tempo que conservam suas tradições”. A realidade, porém, é que nenhuma das comunidades afetadas foi consultada, nem está de acordo com o plano. E têm bons motivos para isso: além de perder suas terras, serão realocadas em sete assentamentos superpovoados e pobres, nos quais outros grupos beduínos foram concentrados há anos (por isso há quem trace um paralelo entre o plano e as reservas indígenas dos Estados Unidos).

Vivemos aqui desde muito antes da criação do Estado de Israel. Sentimos que a democracia e a justiça de Israel não se aplicam a nós - declarou Maqbul Saraya, 70 anos, à rede Al-Jazira

Rechaço local e internacional

Nos países árabes vizinhos e em várias nações da Europa, além de Turquia, Túnis, Coreia do Sul, Kuwait, Canadá e Estados Unidos também houve manifestações de solidariedade aos palestinos no dia 30, para denunciar o que se considera a operação sionista de limpeza étnica de maior envergadura desde a Nakba (catástrofe) de 1948. O Parlamento europeu, o Comitê contra a Discriminação Racial da ONU (CERD) e outros organismos intergovernamentais pediram a Israel que cancele o projeto, que se transformará em lei no final do ano. Organizações e redes internacionais como Anistia Internacional, Vozes Judias pela Paz, Avaaz, entidades palestinas e algumas israelenses também criticaram o plano e lançaram campanhas pedindo sua anulação. Mais de 50 intelectuais e artistas britânicos (entre eles Ken Loach, Mike Leigh e Peter Gabriel) publicaram uma carta no jornal The Guardian, qualificando o objetivo de Israel de desarraigar a população beduína como “deslocamento forçado de palestinos/as de seu lugar e de sua terra, discriminação e apartheid”.

Três jovens beduínos presos e algemados durante uma batida policial na estrada principal na cidade de Hura, durante o protesto contra o Plano Prawer no Day of Rage de 30/11/2013. (clique na imagem para aumentar)
Nos territórios ocupados, houve protestos em Gaza, Ramala, Jerusalém, Hebron, Nablus. Mas talvez as imagens mais eloquentes, e que tiveram maior difusão [3], tenham sido as das localidades que se encontram dentro das fronteiras de Israel – onde a repressão teve o mesmo excesso de violência imposto à Cisjordânia: gás lacrimogêneo, granadas de som, canhões de água química tóxica, surras com porretes e pontapés dos policiais, e dezenas de prisões.

Ao ver a profusão de bandeiras palestinas nas ruas, praças e postes públicos, e de rostos envoltos em kuffies, aqueles que não estão familiarizados com a geografia do país acham difícil entender que as fotos de Yaffa ou Haifa (cidades costeiras que eram joias da Palestina antes de 1948 e que ainda contam com uma grande população palestina) foram tiradas dentro de Israel.

Isso também vale para a manifestação na aldeia beduína de Hura, uma das afetadas pelo Plano Prawer: as imagens podiam ser do vale do rio Jordão ou das colinas do sul de Hebron, territórios palestinos ocupados e submetidos às mesmas políticas de deslocamento forçado da população nativa, obrigada a entregar suas terras a colonos judeus. A paisagem e o povo que a habita são os mesmos; o poder que os oprime, também.

Em resposta à jornada de protesto, o ministro israelense de Relações Exteriores, Avigdor Lieberman (um colono fanático e ultranacionalista – ironicamente emigrado da Moldávia – que defende abertamente a anexação da Cisjordânia e de Gaza, com a expulsão da população palestina e a aniquilação da que vive em Gaza) fez uma de suas habituais declarações de racismo explícito:

Estamos lutando pelo território nacional do povo judeu, e há aqueles que querem deliberadamente roubar essa terra e controlá-la à força. [4]

O sionismo como ele é

Talvez o maior “mérito” do Plano Prawer, além de unir a população palestina de todos os setores políticos e geográficos, tenha sido colocar em evidência, mais que todas as políticas israelenses, a natureza e o programa do projeto sionista: a expansão demográfica e territorial judaica, a contenção demográfica e o despejo da população palestina nativa. O objetivo último dessas políticas, perfeitamente articuladas em ambos os lados da Linha Verde, a fronteira internacional – não reconhecida por Israel – é consolidar um regime que muitos cientistas sociais (como o geógrafo israelense Oren Yiftachel [5]) qualificam de etnocracia. [6].

Manifestantes contra o Plano Prawer no Day of Rage fora da cidade de Hura, Negev em 30/11/2013 (clique na imagem para aumentar).
Ao mesmo tempo, essas políticas revelam a falácia de analisar o conflito sob o paradigma de “dois Estados” ou das “fronteiras de 1967”. A realidade é de um único Estado, que, ao se definir como judeu, exige, para preservar sua “pureza” étnico-religiosa, eliminar de todas as maneiras possíveis a ameaça demográfica que a população não judia constitui. Essas maneiras incluem não apenas o roubo de terras, a colonização, a limpeza étnica e o apartheid dos palestinos, mas também a expulsão em massa dos imigrantes africanos. [7].

Esse Estado não reconhece outras fronteiras senão a totalidade da “terra de Israel” bíblica [8] e não está disposto a cedê-la a seus habitantes não judeus. Não estiveram dispostos os primeiros líderes sionistas, nem estão os atuais. Tudo o mais – incluída a indústria do processo de paz – é discurso para consumo da mídia ocidental.

Não menos importante, ou mais, é a questão da integridade do povo palestino. Realidades como o Plano Prawer mostram a omissão implicada na redução da questão palestina aos mais de 4 milhões que hoje vivem em Cisjordânia e Gaza – em menos de 20% de seu território original. Tão injusto como excluir de qualquer solução os 6 milhões de refugiados/as dispersos pelo mundo é esquecer o 1,5 milhão de palestinas/os que vivem dentro de Israel (20% da população), expostos a mais de 55 leis de apartheid e a políticas de exclusão e deslocamento em consequência do afã ilimitado da judaização. Enquanto não mudar a natureza do regime colonial e racista de Israel, não haverá paz justa nem duradoura – nem democracia – naquela terra desgarrada.


Notas de rodapé
[1] Um dunam equivale a 1 mil metros quadrados.
[2] Um vídeo de propaganda foi colocado nos sítios web das embaixadas israelenses no mundo: .
[3] Ver, por exemplo, o sítio do coletivo fotográfico Activestills.org:
[5] Etnocracia. Políticas de tierra e identidad en Israel/Palestina (Bósforo, Madrid. 2011).
[6] Há cientistas que discordam dessa abordagem, por considerar que os judeus não constituem uma etnia, nem um povo, e sim uma comunidade religiosa. A esse respeito, ver A invenção do povo judeu, de Schlomo Sand (São Paulo, Benvirá, 2011). (N. da T.)
[7] Os imigrantes africanos, em sua maioria, são judeus. Mas são negros, e os sionistas querem um país de população branca, como provaram as declarações de autoridades israelenses quando da expulsão de milhares de negros africanos em 2012, e como prova a lei aprovada no final de novembro de 2013, destinada a retirar de Israel uma população estimada em 60 mil africanos. (N. da T.)
[8] A Israel bíblica é contestada pela arqueologia, pela antropologia e pela história. Ver, a respeito, A Bíblia não tinha razão, dos arqueólogos israelenses Israel Finkelstein e Neil Ascher Silberman (São Paulo, Girafa, 2003); de Schlomo Sand, A invenção do povo judeu (cit.) e The Invention of the Land of Israel [A invenção da terra de Israel] (Londres, Verso, 2012); de Keith W. Whitelam, The Invention of Ancient Israel; the silencing of Palestinian history [A invenção da antiga Israel; o silenciar da história Palestina]. [N. da T.]
___________________

[*] María Landi é pseudônimo de uma ativista latino-americana de direitos humanos, solidária com a causa palestina.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Lawrence Davidson: “Algo de podre no estado de Israel”


25/3/2013, Lawrence Davidson, To the point analysis 
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Lawrence Davidson
Diz-se que o diabo arrasta com ele um fedor de fogo e enxofre. Os feitos do diabo são frequentemente descritos como “o mal mais alucinado” [1]. E quem pareça (seja ou não seja) inocente é sempre descrito como “cheirando a rosas”. Parece haver, pois, associação antiga entre feitos e fedores.

O exército israelense recentemente se empenhou em demonstrar essa associação. Dia 6 de março, o Middle East Monitor noticiou que:

...o exército de Israel atacou casas de palestinos na vila de Nabi Saleh com jatos de água podre de esgoto, como punição aos palestinos que organizavam protestos semanais contra o Muro do Apartheid construído em terra roubada. O grupo de defesa de direitos humanos B’Tselem publicou um vídeo (a seguir) no qual se veem caminhões-tanques blindados israelenses, armados com “canhões d’água”, lançando água podre de esgotos sobre casas de palestinos.


A água podre de esgoto é líquido tão mal-cheiroso que não há quem não se afaste para o mais longe que possa, de quem feda como fede aquela água podre. Não é a primeira vez que o exército de Israel usa esse tipo de tática imunda.

Os colonos sionistas orgulham-se muito da prática de lançar os esgotos bem longe das próprias colônias, quase sempre erguidas nas áreas mais altas, diretamente nos campos e cidades palestinas, nos vales abaixo. Ao que tudo indica, são práticas conhecidas e, muito provavelmente, aprovadas pelo estado de Israel.

Duvido que muitos dos israelenses envolvidos nessas manobras tenham algum dia lido O Inferno, de Dante. Naquele poema épico, o inferno é lugar afogado em esgoto e podridão: as ações dos israelenses parecem desejar reproduzir o mesmo cenário. Estarão os israelenses dedicados a converter em inferno a Terra Santa? Sim, pelo menos no que tenha a ver com os palestinos. Por isso os colonos e os soldados copiam os passos dos amaldiçoados de Dante.

David Ward
Até onde vai o fedor das ações dos israelenses? Com certeza chega até Londres. Recentemente, o deputado David Ward, do partido Democrático Liberal escreveu num livro de visitas do Memorial do Holocausto que:  

...tendo visitado Auschwitz duas vezes (...) muito me entristece ver que os judeus, vítimas de níveis inacreditáveis de perseguição durante o Holocausto, já estivessem, poucos anos depois de libertados daqueles campos de morte, a infligir tais atrocidades aos palestinos no novo Estado de Israel e que continuem a fazer o mesmo até hoje, diariamente, na Cisjordânia e em Gaza.

A referência que Ward fez a “os judeus” é qualificada, porque nem todos os judeus apoiam o sionismo, nem a ideia de que Israel tenha algum direito a ocupar “Judéia e Samaria”, muito menos a comandar pogroms  como se veem hoje, em ações de limpeza étnica em áreas que o estado israelense controla. A verdade é que cada dia mais e mais judeus norte-americanos manifestam-se contra o que Israel faz na Palestina.

Mas Ward acerta no que diz do comportamento do “estado judeu”. E é possível que a generalização errada, na frase de Ward, seja resultado da propaganda israelense, que nunca se cansa de repetir que Israel representa(ria) todos os judeus do mundo.

Mas nem todos dão sinais de desgostar do fedor que emana do estado de Israel: há os que gostam. O partido Liberal Democrático do deputado Ward chamou-o às falas, pelo crime de ter denunciado que os crimes do mal mais alucinado continua a ser praticados contra os palestinos, por autoproclamados representantes de todos os judeus.

Teria bastado uma advertência discreta, que lembrasse Ward de que, em todos os casos, devem-se evitar generalizações. Mas, usando processo semelhante ao que se vê nos regimes totalitários, o partido Liberal Democrático ordenou que o deputado

...procure a divisão do partido chamada Amigos de Israel, para informar-se sobre o correto linguajar que os deputados devem empregar sempre que falarem sobre o conflito Israel-palestinos.

O deputado obedeceu e distribuiu as exigidas desculpas públicas. Meu nariz fareja aí um horrível fedor de censura.

Mas uma coisa é punir alguém por chamar a atenção para o abjeto comportamento de Israel. Outra, diferente, é insistir no desatino de pretender que o que é insano e abjeto seria justo e bom. Haveria alguém suficientemente cínico, impiedoso, a ponto de impor a outros seres humanos esse tipo de castigo nauseabundo e em seguida elogiar o castigo e todo o fedor, ante as câmeras de televisão de todo mundo? Parece que há. Parece que vive em Washington, onde negar os fedores que emanam de Israel é prática quase unânime. Parece que é presidente dos EUA.

Dia 15/3, antes de partir para visitar Israel, o presidente Obama disse, em entrevista ao Canal 2 da televisão israelense (ver a seguir, em inglês e legendado em ídiche), que admira muito “os valores centrais” de Israel.


Em análise que publicou depois, o jornalista israelense Gideon Levy – que tem nariz honesto e fareja podridões onde as haja – perguntou:

Gideon Levy
...de que valores Obama falava? De desumanizar os palestinos? Da atitude contra migrantes africanos? Da arrogância? Do racismo? Do nacionalismo? Obama admira isso? Será que jamais, antes, ouviu falar de ônibus segregados (palestinos não entram)? Será que jamais antes ouviu falar de comunidades convivendo no mesmo território, uma com todos os direitos, a outra sem nenhum direito? Terá esquecido... tudo?!

Dizer que admira “os valores centrais” de um dos países mais racistas do mundo, onde há muro e políticas de apartheid, significa, isso sim, trair todos os valores centrais do movimento pelos direitos civis nos EUA – o movimento que tornou possível o milagre-Obama.

O caso é que, chegado a Israel, o presidente Obama disse que o apoio dos EUA àquela Israel que Levy descreve será “eterno”, forever. Deve-se acrescentar que, ao mesmo tempo, o presidente insistiu que os palestinos parem de querer o fim das construções nas colônias em território ocupado e das correspondentes políticas de esgoto podre... ou jamais terão qualquer conversação de “paz” com os israelenses.

No que tenha a ver com Israel, nem o presidente Obama, nem a maior parte dos políticos no Congresso dos EUA são capazes de ver a diferença entre o certo e o errado, entre o justo e o “mal mais alucinado”. Por isso vivem num mundo à parte, estanque, só deles, cujos parâmetros e “valores” são definidos e “ensinados” a eles por um lobby sionista ao qual se deram poderes orwellianos.

Nesse mundo excepcional, abunda o duplipensar. Racismo, apartheid, limpeza étnica e o uso tático de água podre de esgotos e Skunk desaparecem, substituídos por imaginários “valores centrais” que cheiram a rosas.

O presidente, se quiser, que se afogue o quanto queira, privadamente, nos fedores mais nauseabundos, e chame-os de cheiro de rosa o quanto queira. Mas quando tenta vender a nós todos a falcatrua, é a credibilidade de seus discursos que se vai pelo esgoto. Lembremos o que George Orwell ensinou sobre o mau uso do discurso político 

Usada para o mal mais desatinado, a fala política torna possível “defender o indefensável” e “foi construída para fazer mentiras soarem como verdades, para tornar respeitável o assassinato e para dar ao vento aparência de solidez”. A isso está reduzida a fala da maioria dos políticos, no que tenha a ver com Israel/Palestina.

Que isso continuará forever, como quer o presidente Obama, é puro exagero, hipérbole. Considere-se um recente relatório da CIA, que questiona a capacidade do estado sionista para conseguir sobreviver outros vinte anos.

A verdade é que o fedor que emana de Israel indica podridão sociopolítica intestina, tão podre quanto as táticas podres que Israel usa contra moradores não judeus. Mais cedo ou mais tarde, qualquer homem, qualquer mulher que ainda preserve boa consciência humana (e melhor se mantiverem também nariz honesto e em funcionamento) passarão a recusar a ter qualquer associação ou contato com esse estado, na prática, já estado de apartheid.



Nota dos tradutores

[1] Orig. most foul”. A expressão aparece em Hamlet, ato 1, cena 5, quando o espectro do rei assassinado conta a Hamlet sobre o crime de que foi vítima: Murder most foul, as in the best it is, but this most foul, strange and unnatural” [aprox. “Assassinato é sempre [o mal] mais alucinado, mas esse do qual falo é o mais alucinado de todos, estranho, contra a natureza”]. Foul sempre significa “mau”, em algum sentido. O espectro diz a Hamlet que, dentre os assassinatos, sempre o pior dos crimes, assassinar o próprio irmão é o crime pior.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Partido Hezbollah: “Fala de Obama é prova de que a via da Resistência é a mais correta”


22/3/2013, Al-Manar TV (Editorial), Beirute, Líbano
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Al Manar TV
O Hezbollah, Partido da Resistência Libanesa condenou na 6ª-feira as posições anunciadas pelo presidente Barack Obama dos EUA durante visita que fez à entidade sionista. O Hezbollah destacou que aquelas posições comprovam que a via da Resistência é a via mais correta.

“A visita de Obama aos Territórios Ocupados da Palestina é prova de que persiste o total comprometimento dos EUA em apoio à entidade sionista e às suas políticas agressivas e criminosas, que agridem, sobretudo os direitos dos palestinos e do povo da região” – disse o Hezbollah em declaração distribuída pelo Centro de Relações com a Mídia.

“É claro, se se considera o que disse Obama, que o presidente dos EUA não respeita nenhum governo árabe ou islâmico e que optou por dar as costas até aos direitos mais básicos do povo palestino”.

“Obama declarou seu total comprometimento com o projeto sionista na Palestina. E até tentou impor aos árabes o “dever” de aceitar na região a entidade sionista que se autodefine como estado “judeu puro” – lê-se na declaração.

Bandeira do Partido Hezbollah
O presidente dos EUA fala como lacaio da entidade sionista, não como Chefe de Estado dos EUA, que é nação independente. A fala de Obama só fará algum sentido se os EUA atacarem a Resistência. Por isso tanto insistem em obter a declaração de que o Hezbollah seria organização terrorista.

Nada há de novidade ou surpresa no discurso de Obama, que não passou de repetição, para o público orquestrado, das mesmas posições e falas, sempre hostis, dos EUA” – prossegue a declaração do Hezbollah.

O Hezbollah também denunciou as posições dos EUA “que adotam os projetos sionistas, o que, em vários sentidos, faz de Washington cúmplice dos crimes cometidos pelo nosso inimigo israelense.

“Obama nada disse além de repetir que nenhuma negociação é possível, que nenhum acordo é possível e que ninguém espere, nem por negociações de paz, nem por acordo algum. Assim, mais uma vez, se comprova que a via da Resistência é a via mais correta” – a declaração conclui


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Por que Israel atacou Gaza... outra vez?


29/11/2012, Hamid Dabashi, Al-Jazeera
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Hamid Dabashi é professor da cátedra Hagop Kevorkian de Estudos Iranianos e Literatura Comparada na Universidade Columbia, NY. Acaba de lançar seu novo livro – Arab Spring: The End of Postcolonialism – pela editora Zed.


Bombardeio de Israel sobre as áreas civis de Gaza
Falando numa conferência de imprensa depois do anúncio do cessar-fogo na 4ª-feira, 21/11, o ministro da Defesa Ehud Barak disse que: “Todos os nossos objetivos foram alcançados, acabar com os foguetes Fajr, plataformas de lançamento e escritórios do Hamás”. Mas em seguida, ele mesmo se autodesmentiu: “E mesmo agora, nesse momento, tarde da noite, continuam a cair foguetes em território israelense. As comunidades do sul de Israel continuarão a ser atacadas nos próximos dias”. E, no frigir dos ovos, concluindo, Barak “agradeceu ao Exército de Israel e seus comandantes, e ao governo Obama pela ajuda para financiar o “Domo de Ferro” [antimísseis]”. [1]

Pelo menos, não se vangloriou de ter assassinado 161 palestinos, no mínimo; entre os quais 71 civis. [2]

Por hora, à parte a evidência de que o ministro de Defesa de Israel não consegue engatar duas frases consecutivas sem se autodesmentir, o que, precisamente, os israelenses teriam conseguido nessa mais recente rodada de bombardeio assassino contra Gaza – e por que, para começo de conversa, lançaram esse novo ataque?

O ministro da Defesa diz que alcançaram “todos os seus objetivos”, a começar por “destruir os Fajr rockets”; em seguida, na linha adiante, admite que “os foguetes Fajr continuam a chover sobre Israel”. Quem produz essas história alucinadas? Quem acredita nessas conversas – por que se preocupar com isso? De fato, para quem tente entender o ataque israelense contra Gaza, o que digam os senhores-da-guerra de Israel não faz, mesmo, diferença alguma.

Assassinaram o agente que fazia o acordo de paz

“Acho que Israel cometeu erro estratégico grave e irresponsável ao assassinar o comandante Jaabari”. Não é avaliação feita por palestino, ou árabe, ou muçulmano, em artigo publicado por revista esquerdista, islamista ou anti-Israel. É a avaliação de Gershon Baskin, o negociador israelense que estava em contato com o Hamás; e essa avaliação foi publicada no New York Times  [3]. Baskin diz mais:

Gershon Baskin
Passando mensagens de um lado para o outro, constatei, pessoalmente, que o comandante Jaabari não estava interessado apenas em algum cessar-fogo de curto prazo; foi também o homem encarregado de implementar outras negociações anteriores negociadas com a agência de inteligência egípcia. O comandante Jaabari implantou e fez valer aqueles acordos de cessar-fogo só depois de confirmar que Israel, sim, concordara em suspender os ataques contra Gaza. Na manhã do dia em que foi assassinado, o comandante Jaabari recebera minuta de acordo para um cessar-fogo de longo prazo com Israel – que incluía mecanismos para fiscalizar os movimentos e ações dos dois lados e assegurar o cumprimento do que fosse acordado. Essa minuta de acordo fora negociada por mim e pelo vice-ministro de Relações Exteriores do Hamás, Sr. Hamad, na semana anterior, quando nos encontramos no Egito.

Assim, se Israel está de fato interessada em paz e em proteger seus próprios cidadãos, como Barack Obama e outros sionistas norte-americanos vivem a repetir que estaria, nesse caso por que assassinar a sangue frio a única pessoa capaz de construir paz efetiva e, imediatamente depois, lançar ataque massivo contra alvos civis, ataque que, sem possibilidade de dúvidas, desencadearia resposta de vingança feroz? Nada disso faz qualquer sentido.

Esse fato, agora corroborado por um alto funcionário israelense, expõe o contexto mais amplo no qual se vê que Israel se interessa por qualquer coisa, menos pela paz, conclusão inescapável e claramente evidente no assalto incansável contra terras palestinas, roubadas, de fato, dia a dia, todos os dias, sem que algum governo dos EUA ou a chamada “comunidade internacional” tenham jamais tido força para impedir a ação criminosa dos colonos israelenses, violentos, assassinos, verdadeiras gangues organizadas para roubar terras palestinas. Nada mais distante, portanto, dos planos de Israel que paz nem, sequer, algum arremedo de paz – o que se viu ainda recentemente na nova rodada de atrocidades contra Gaza.

Cada vez que há um ataque militar, contra o qual não se vê qualquer reação, é sinal de que, enquanto Israel bombardeia Gaza, em outros pontos da Palestina há israelenses roubando terras palestinas. As gangues de colonos vivem dia de ação intensa, sempre que há essas ‘'operações militares'’ israelenses: enquanto duram os ataques, o roubo de terras palestinas pode avançar sem qualquer tipo de obstáculo ou impedimento. Essa ação de roubo ininterrupto de terras – que se faz à luz da história – é absolutamente oposta a qualquer noção (ou desejo) de paz.

Obama gosta de repetir que os israelenses tem (teriam) o direito de se defenderem. É o mesmo que dizer que tem(teriam) pleno direito de roubar cada dia mais terra palestina, aterrorizar os palestinos e continuar a consolidar o estado de apartheid racista de Israel. É estado de apartheid tão racista que, enquanto Obama defende Israel, o próprio aparelho de propaganda e os próprios agentes de propaganda-em-chefe em Israel zombam, pelas redes sociais, do próprio Obama e fazem piada sobre a cor da pele do presidente dos EUA! [4]

Será que a África do Sul também tem (teria) direito de defender o seu próprio estado racista de apartheid? Ou o sul racista dos EUA tem (teria) direito de defender o seu próprio estado de apartheid escravista? E a Índia tem (teria) também direito de pregar o fundamentalismo hindu?

Grande parte das pessoas que hoje vivem em Gaza provêm, de fato, de áreas que os sionistas hoje chamam de “Israel”. Tiveram suas terras roubadas e foram empurrados para um grande campo de concentração, no qual, hoje, são bombardeados pelos jatos de Israel. Israel controla todas as entradas e saídas e todas as fronteiras desse campo de concentração e decide, até, a quantidade de calorias que os homens, mulheres e crianças palestinos podem comer.

A militarização radical

Segundo relatórios recentes [5], “cerca de 10% das crianças palestinas em Gaza, com menos de cinco anos de idade, já tiveram o crescimento comprometido pela desnutrição. Relatório recente de Save the Children e Medical Aid for Palestinians constatou que, além da desnutrição, a anemia alastra-se na população, afetando 2/3 dos bebês, 58,6% das crianças em idade escolar e mais de 1/3 das mulheres grávidas”. Será essa a “tática” dos israelenses para promover a paz?

Por tudo isso, pode-se dizer que desde o primeiro dia de existência, até hoje, Israel jamais, nem por um só dia, interessou-se por construir qualquer paz. O único interesse de Israel sempre foi expulsar e assassinar mais e mais palestinos, e roubar suas terras – e o presidente Obama, “Mr. Audácia da Esperança” aí está, hoje, dedicado ainda a promover o projeto sionista israelense, apesar de soldados israelenses racistas zombarem do presidente e de milhões de cidadãos norte-americanos por serem negros, nas mais repugnantes manifestações imagináveis de racismo.

E voltamos sempre à pergunta inicial: por que, afinal, Israel atacou Gaza... outra vez?! Há um traço bem evidente de ambição eleitoreira aí operante – como Marwan Bishara escreveu em Al-Jazeera, [6] imediatamente depois de Israel ter (re) começado a bombardear Gaza: 

Marwan Bishara
Netanyahu, como seus predecessores, está usando o assassinato do líder do Hamás, Ahmed al-Jaabari e a subsequente escalada militar para minar as lideranças políticas na Palestina (do Hamás e do Fatah) e aumentar suas chances de reeleição, incendiando as questões de segurança nacional de Israel, pondo-as em evidência acima das questões de segurança econômica, na mente dos eleitores israelenses.

Bishara lembra que: “Há seis anos, escrevi um artigo sob o título Oriente Médio: o ciclo das retaliações tem de acabar [7] (em inglês) que se aplica hoje, com pequenas correções de datas, alguns nomes etc. Dado que os fatos não mudam e repetem-se incansavelmente, repito também a análise”.

A vantagem de reler o artigo de Bishara é ver com perfeita clareza o ciclo vicioso de desculpas e mentiras que Israel continua a impingir ao mundo: Israel não tem nenhuma intenção de fazer ou tentar qualquer tipo de paz. A única intenção de Israel é assassinar o maior número possível de palestinos para roubar e confiscar suas terras.

Outra consequência óbvia desse ciclo de mentiras que sempre se repete é a militarização radical da Resistência palestina, que vê as crianças palestinas serem programática, sistematicamente assassinadas por esse inimigo pervertido – militarização radical a qual, por sua vez, é pretexto perfeito para justificar a massa de bilhões de dólares em ajuda militar que Obama oferece a Israel, armamento tão poderoso que, por sua vez, explica que a República Islâmica também continue a ter imenso poder em Gaza, como ajuda à Resistência.

E assim está criado o ciclo vicioso e/ou a profecia que se autorrealiza. A propaganda pró Israel intensifica-se em Washington, DC; e, em todo o mundo árabe cresce a fúria antissionista, a começar por Teerã – o que é exatamente o de que precisam Israel e a República Islâmica para se manterem relevantes nas questões da Região.

Muitos lembraram que com certeza haveria meios melhores para testar o novo sistema antimísseis de Israel, “Domo de Ferro” – sistema de defesa antiaérea considerado à prova de ataques –, presente que Obama deu a Israel, pensando em instalá-lo ali para ser usado, adiante, num possível futuro ataque dos EUA contra o Irã.

A explicação talvez seja essa. Cercado já por pesados muros de apartheid, Obama agora protegeu toda a empreitada colonial israelense com um “Domo de Ferro” de vários bilhões de dólares. Ah! E o quanto é simbólico o tal “domo”!

Agora, Israel está completamente, não só metaforicamente, convertida em máquina autista, autocentrada, encapsulada dentro de seus próprios muros inexpugnáveis e, ainda, com uma cúpula de ferro a proteger-lhes a cabeça, como uma nave militar espacial vinda de planeta estrangeiro e distante, com o objetivo de matar a maior quantidade de seres humanos, adultos e crianças, e, sempre, em total impunidade. Agora, com o tal Domo instalado, talvez Obama espere que, pelo menos, no caso de algum país da região jogar alguma bomba sobre Israel, os senhores-da-guerra israelenses tenham alguns minutos para pensar e, com sorte, talvez decidam não se pôr a bombardear Gaza.

Obama pescando
Tudo faz crer que a principal função da operação Gaza é mostrar a superioridade militar de Israel: conseguiram cercar 1,7 milhão de seres humanos no maior campo de concentração que o mundo jamais viu, para poder bombardeá-los sem qualquer “risco” de punição. Enquanto isso, Barack Obama, depois de dar luz verde a Israel, viajou para pescar em Myanmar.

A verdadeira ameaça existencial

Esses e talvez outros fatores estão todos no campo das possibilidades – mas nenhuma delas dá conta, nem singularmente nem coletivamente, dos motivos pelos quais Israel sempre, de tempos em tempos, põe-se a assassinar palestinos. Portanto, a pergunta continua: por quê?

Netanyahu jamais se teria atrevido a atacar Gaza quando a Primavera Árabe estava em plena floração. Nada disso. Naquele momento, dedicou-se a ameaçar invadir o Irã. Teria sido uma segunda linha de ataque de seu governo. – Mas não deu certo; Adelson e Murdoch não conseguiram comprar-lhe um presidente Republicano o qual, aí sim, teria presenteado Netanyahu com sua sonhada guerra ao Irã. E lá está Obama, outra vez, no Salão Oval. Então... Netanyahu atacou Gaza, como sempre, para mostrar que ele manda, que é o chefão, que imensa superioridade militar é a dele! Eis aí, afinal, porque as coisas sempre se repetem e Israel sempre volta e volta a atacar Gaza.

Mas, por baixo de todos esses fatores, há sempre o medo instintivo de Netanyahu, que treme de medo das revoluções árabes – dos levantes democráticos de ponta a ponta no mundo árabe.

Mahmoud Ahmadinejad
Porque esses levantes e essa democracia, sim, são A ameaça existencial que pesa contra Israel. Fantasiar que Mahmoud Ahmadinejad ou, mesmo, a República Islâmica seriam ameaça existencial contra Israel é piada perversa, doentia, que a máquina de propaganda israelense transformou em bicho-papão assustador, horrendo, apavorante.

As revoluções árabes, mesmo no estágio nascente, turbulento em que estão (ou principalmente nesse estágio) são, sim, ameaça existencial contra as colônias de apartheid exclusivas para judeus [orig. are the existential threat to the Jewish apartheid settler colony]. Para piorar, nem o partido Likud, nem os sionistas liberais parecem ter qualquer ideia sobre o que fazer ou propor para redesenhar o destino de mais de 6 milhões de judeus colhidos na armadilha do sionismo, essa ideologia falida, que tenta sobreviver cercada por trás de seus muros-armadilhas de apartheid e, agora, também coberta por um Domo-armadilha de Ferro.

Fazer chover bombas assassinas sobre palestinos inocentes em Gaza foi mais uma tentativa desesperada para fazer o relógio andar para trás, fazê-lo voltar a dezembro 2008/janeiro 2009, apenas um ano antes de as revoluções árabes eclodirem. Foi ato de nostalgia assassina pervertida, de sionistas alucinados, que se veem atropelados pela história.

É possível que Netanyahu também estivesse testando Mursi? Mas, nesse caso, não teria sido o único: egípcios e árabes em geral também estão testando Mursi (...).

Mas, de fato, o medo de Netanyahu e a causa de ter perdido o rumo e o prumo, não é Mursi. O que transtorna Netanyahu é, isso sim, a erupção vulcânica que, para começar, levou Mursi ao poder, em eleições livres. A Israel que Netanyahu governa, além da Arábia Saudita e outras petroditaduras retrógradas do Golfo Persa, e além dos EUA, por um lado, e, por outro, também o clericato que governa o Irã e a ditadura síria, todos esses temem um único e inegável fato: as revoluções árabes, que – mais dia menos dia, imediatamente ou dentro de algum tempo – porão abaixo todos esses regimes de opressão.

Nas excelentes palavras de of Haidar Eid [8], professor da Al-Aqsa University, em Gaza:

Haidar Eid
Agora é a hora da verdade, hora de mandar mensagem bem clara ao novo mundo árabe: a era Mubarak e Abu el-Gheit é passado. O poder de “contenção” que dependia do massivo desequilíbrio de poder entre Israel e os palestinos, já não está nas mãos de Israel e dos seus aliados ocidentais. Esse poder hoje está com os homens e mulheres comuns nas ruas de Túnis, Cairo, Rabat, Doha, Amã e Muscat. As manifestações, que irromperam em Londres, New York, Glasgow e outras cidades, todas elas, se traduzirão em nova realidade, concreta. Nesses novos tempos, palestinos e árabes, os egípcios em particular, devem ser parceiros da paz, não mediadores em negociações que os povos não controlam.




Notas de rodapé

[1]  21/11/2012, Jerusalem Post, em: Barak: We achieved all our goals against Hamas
[2]  21/11/2012, Associated Press, Josef Federman,em: Cease-fire begins between Israel and Hamas
[3]  16/11/2012, New York Times, Gershon Baskin em: Israel’s Shortsighted Assassination
[5]  17/11/2012, Informed Comment, Juan Cole: Top Ten Myths about Israeli Attack on Gaza
[6]  18/11/2012, redecastorphoto, Marwan Bishara, em: Oriente Médio redux: O Hamás é consequência, não causa, da violência da ocupação (português)
[7]  30/6/2006, New York Times, Marwan Bishara em: Mideast: End the cycle of retaliation - Editorials & Commentary - International Herald Tribune (em inglês).
[8]  19/11/2012, Al Jazeera, Haidar Eid, em: Gaza 2012!”