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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Resposta à declaração de Bradley Manning em 14/8/2013

14/8/2013, WikiLeaks
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Os jornais informam que Bradley Manning fez hoje uma declaração de arrependimento, em audiência para sentença, em Fort Meade, Maryland. A declaração de Manning surge no fim de uma corte marcial, na qual os procuradores atuaram com fúria sem precedentes.

Desde que foi preso, o Sr. Manning tem sido exemplo de resistência e coragem ante a adversidade. Resistiu sempre a pressões extraordinárias. Sobreviveu à prisão em cela solitária, nu e submetido a tratamento cruel, desumano e degradante, pelo governo dos EUA. Ignorou-se o seu direito constitucional a julgamento rápido. Está preso há três anos, sob condições ilegais de prisão, enquanto o governo arrebanhava 141 testemunhas e ocultava os milhares de documentos aos quais os advogados da defesa não tiveram acesso.

O governo negou-lhe o direito de construir defesa básica de whistleblower [alertador]. Foi indevidamente acusado, até que se viu ante a iminência de ser condenado a um século de cadeia, tendo tido impedidas praticamente todas as suas testemunhas, exceto umas poucas. Negaram-lhe o direito de declarar em sua defesa, no julgamento, que os atos de que era acusado não provocaram dano algum. Seus advogados foram preventivamente impedidos de falar das intenções do acusado e de provar que suas ações não prejudicaram ninguém.

Bradley Manning
Apesar de todos esses obstáculos, o Sr. Manning e sua equipe de defesa lutaram passo a passo a luta que lhes foi imposta. Mês passado, foi condenado a penas que chegavam a 90 anos de prisão. O governo dos EUA admitiu que suas ações não feriram fisicamente ninguém; e foi absolvido da acusação de “ajudar o inimigo”. Suas condenações só têm a ver com a suposta decisão de informar a opinião pública sobre crimes de guerra e a prática sistemática de atos injustos.

Mas, afinal, se esgotaram as opções para o Sr. Manning. A única moeda que essa corte militar aceitaria seria a humilhação. À luz disso, a decisão forçada do Sr. Manning, de pedir desculpas ao governo dos EUA, na esperança de reduzir uma década ou mais em sua sentença, tem de ser vista com compaixão e compreensão.

As desculpas foram declaração arrancada dele, depois de longo massacre a que foi submetido sob o peso do sistema militar judicial dos EUA. Foram necessários três anos e milhões de dólares, para extrair dois minutos de remorso tático desse homem valente.

As desculpas foram extraídas à força de Bradley Manning. Em corte justa, o governo dos EUA pediria desculpas a Bradley Manning. Como o atesta a sua indicação ao Prêmio Nobel da Paz, já com mais de 100 mil assinaturas, Bradley Manning mudou o mundo para melhor. E ele permanece, como símbolo de coragem e de resistência humanitária.

As desculpas do Sr. Manning mostram que, no que tenha a ver com sua sentença, ainda há décadas pelas quais lutar.

Nesses dias finais, é preciso intensificar a pressão pública contra a corte militar que julga Bradley Manning, antes de que se consuma a decisão sobre a sentença que terá de cumprir.

WikiLeaks continua a apoiar Bradley Manning e manterá a campanha, até que seja posto em liberdade, sem condições.

LIBERTEM BRADLEY MANNING



sábado, 13 de julho de 2013

Declaração de Snowden em Sheremetyevo em 12/7/2013

12/7/2013, 17h, Aeroporto de Moscou - WikiLeaks
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Edward Joseph Snowden fez uma declaração a organizações de direitos humanos e indivíduos que se reuniram com ele no aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, às 17h de hoje, 12/7/2013, 6ª-feira.

A reunião durou 45 minutos. Dentre outras organizações de Direitos Humanos estavam presentes Amnesty International e Human Rights Watch, que, depois da declaração, puderam fazer perguntas ao Sr. Snowden.

A representante da organização Human Rights Watch disse, nessa oportunidade, que quando vinha para o aeroporto, recebera telefonema do embaixador dos EUA na Rússia, que lhe pediu que dissesse ao Sr. Snowden que o governo dos EUA não classifica o Sr. Snowden como “whistleblower” e que ele infringiu a lei dos EUA.

Assim se comprova mais uma vez a perseguição que os EUA movem contra o Sr. Snowden e que ele, portanto, tem integral direito de pedir e aceitar asilo.

À esquerda do Sr. Snowden vê-se Sarah Harrison, conselheira jurídica enviada por WikiLeaks; à direita do Sr. Snowden, uma tradutora. 
A seguir, a declaração:

Declaração de Snowden em Sheremetyevo

Boa-tarde. Meu nome é Ed Snowden. Há pouco mais de um mês, eu tinha família, um lar no paraíso, e vivia com grande conforto. Tinha também meios para, sem qualquer ordem judicial, procurar, avaliar e ler as comunicações de vocês todos. Comunicações de qualquer pessoa, a qualquer momento. É o poder para mudar o destino das pessoas.

E também é grave violação da lei. As 4ª e 5ª Emendas da Constituição do meu país, artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e inúmeros estatutos e tratados proíbem tais sistemas de vigilância pervasiva massiva. Enquanto a Constituição dos EUA define esses programas como ilegais, o meu governo argumenta que decisões tomadas por tribunais secretos, que o mundo não tem permissão para ver, legitimam, de algum modo aquele procedimento ilegal. Essas decisões de tribunais secretos corrompem, simplesmente, as noções mais básicas da Justiça – que a Justiça, para ser feita, tem de trabalhar às claras. O imoral não pode ser transformado em moral por força de lei secreta.

Acredito no princípio declarado em Nuremberg em 1945:

Os indivíduos têm deveres internacionais que transcendem as obrigações nacionais de obediência. Portanto, cidadãos, indivíduos, têm o dever de violar leis domésticas para impedir que se cometam crimes contra a paz e a humanidade.

Assim, fiz o que acreditei ser certo e comecei uma campanha para corrigir esses malfeitos. Não procurei riqueza para mim. Não procurei vender segredos dos EUA. Não colaborei com qualquer governo estrangeiro para garantir minha segurança. Em vez disso, levei o que eu sabia para a opinião pública, para que o que nos afeta todos nós possa ser discutido por todos nós à luz do dia e pedi justiça ao mundo.

Essa decisão moral de contar à opinião pública sobre a espionagem que nos afeta todos foi difícil e custosa, mas foi a coisa certa a fazer, e não carrego nenhum arrependimento.

Desde aquele momento, o governo e os serviços de inteligência dos EUA vêm tentando converter-me em exemplo, um alerta a todos os outros que possam decidir falar, como eu decidi. Já me converteram em apátrida e estou sendo caçado por meu ato de expressão política. O governo dos EUA pôs meu nome em listas de pessoas proibidas de voar no mundo. Exigiu que Hong Kong me entregasse, em ato contrário às próprias leis, em violação direta do princípio da não devolução – a Lei das Nações. Ameaçou com sanções os países que decidiram defender meus direitos humanos e o sistema de asilo da ONU. O governo dos EUA tomou até a medida, sem precedentes, de ordenar a exércitos aliados que forçassem o pouso de um avião presidencial no qual viajava o presidente de um país latino-americano, para revistá-lo à procura de um refugiado político. Essa perigosa escalada representa uma ameaça não só à dignidade da América Latina, mais aos direitos básicos de todos os seres humanos, de todas as nações, de viver livres de perseguição e de buscar asilo e de asilar-se.

Contudo, mesmo ante essa agressão historicamente desproporcional, países em todo o mundo ofereceram-se apoio e asilo. Essas nações, entre as quais Rússia, Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador, têm minha gratidão e meu respeito, por terem sido as primeiras a erguer-se contra as violações de direitos humanos cometidas pelos poderosos, mais do que pelos sem poder. Ao se recusar a ceder os próprios princípios ante a violência da intimidação, todos esses países se fazem credores do respeito do mundo. Tenho intenção de viajar a cada um desses países, para apresentar meus agradecimentos, pessoalmente, aos governos e aos cidadãos.

Anuncio hoje que formalmente aceito todas as ofertas de apoio ou de asilo que recebi e todas as que venham a ser-me oferecidas no futuro. Com, por exemplo, a garantia de asilo que me deu o presidente Maduro da Venezuela, meu estatuto de asilado é hoje formal – e nenhum estado tem base legal para limitar ou interferir no meu direito de gozar o direito daquele asilo.

Mas, como vimos, alguns governos da Europa Ocidental e estados da América do Norte demonstraram já sua disposição para agir à margem da lei. E essa ameaça persiste ainda hoje. Essa ameaça ilegal torna impossível minha viagem para a América Latina e me impede de usufruir os meus direitos de asilo, direito garantido para todos os homens e mulheres do mundo.

A intenção manifesta de estados poderosos para agirem contra a lei é ameaça que pesa contra todos nós e não se pode deixar que se concretize.

Assim sendo, peço que me ajudem a obter o direito de livre passagem pelo espaço aéreo de nações necessárias para que se complete em segurança a minha viagem para a América Latina. Peço também asilo à Rússia, até que aqueles estados aceitem obedecer à lei e permitam que eu viaje em segurança. Hoje apresentarei à Rússia o meu pedido de asilo. Espero que seja aceito.


Se tiverem perguntas, responderei as que eu puder. Obrigado.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Declaração de Edward Snowden, em Moscou

1/7/2013, WiliLeaks
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Edward Snowden
Deixei Hong Kong há uma semana, depois que ficou claro que minha liberdade e minha segurança estavam ameaçadas, por eu ter revelado a verdade.

Permaneço em liberdade graças a esforços de antigos e novos amigos, de minha família e de outros que sequer conheço e provavelmente nunca conhecerei. Confiei a eles a minha própria vida, e eles retribuíram essa confiança, com fé em mim, pela qual serei sempre agradecido.

Na 5ª-feira (27/6/2013), o presidente Obama declarou, perante o mundo, que não permitiria “manobras e negociações” [orig. "wheeling and dealing"] com o meu caso. Mas agora já há notícias de que, apesar de ter prometido o que prometeu, o presidente ordenou ao vice-presidente que pressione os líderes das nações às quais pedi proteção, para que rejeitem meus pedidos de asilo.

Esse tipo de falsidade, num líder mundial, não é justiça, nem é justiça a pena extralegal do exílio. São as mesmas velhas ferramentas da violência política. O objetivo delas é assustar, não eu, mas os que tentarem me ajudar.

Durante décadas, os EUA foram dos mais fortes defensores do direito humano de buscar asilo. Infelizmente, esse direito, declarado e aprovado pelos EUA no artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos do Humanos, é agora negado pelo atual governo do meu país. O governo Obama adotou agora a estratégia de usar cidadãos, como armas. Apesar de eu não ser condenado por nenhum crime, os EUA revogaram unilateralmente meu passaporte, fazendo de mim apátrida. Sem qualquer ordem judicial, o governo dos EUA quer agora me impedir de exercer um direito básico. Um direito que é de todos: o direito de buscar asilo.

No fim, o governo Obama não tem medo de vigilantes como eu, Bradley Manning ou Thomas Drake. Somos homens sem pátria, prisioneiros ou impotentes. Não. O governo Obama tem medo de você. Tem medo de qualquer público bem informado e indignado, que exija que o governo Obama nos dê o governo constitucional que prometeu. Faz bem em temer todos os que ele teme.

Continuo firme nas minhas convicções e impressionado pelos esforços de tanta gente.

Edward Joseph Snowden

2ª-feira, 1/7/2013

terça-feira, 11 de junho de 2013

DECLARAÇÃO do Centro Nacional dos Vazadores

11/6/2013, [*] Stephen M. Kohn, USA National Whistleblower Center- NWC
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Edward Snowden
“Edward Snowden não deve ser perseguido nem processado. Em vez disso, a Casa Branca deve cumprir a promessa que o presidente Barack Obama fez, na campanha eleitoral de 2008, quando prometeu apoiar a aprovação de leis que dessem total proteção a todos os funcionários do governo dos EUA que vazassem informação de alto interesse público, inclusive funcionários que ocupassem posições sensíveis na estrutura da segurança nacional”.

“Até que o Congresso aprove leis que definam procedimentos aceitáveis e justos, que protejam todos os que divulguem crimes de que tenham conhecimento, cometidos pelos órgãos de segurança nacional contra os cidadãos e o povo dos EUA, nenhum vazador pode ser perseguido ou processado. O Congresso e o presidente dos EUA têm de cumprir seu dever e fazer o trabalho que lhes compete. E que parem imediatamente de destruir a vida de funcionários públicos que cumpram o dever de relatar os crimes de que tenham conhecimento”.

Há importante precedente histórico de proteção a vazadores de informações relacionadas a crimes cometidos pelo Estado e pelo governo dos EUA – o que prova que essa proteção sempre esteve presente e ativa no projeto dos Pais Fundadores dos EUA.

[*] Stephen M. Khon, Diretor Executivo do NWC, já discutiu esse assunto em coluna publicada no New York Times, 12/6/2011, The Whistleblowers of 1777.  É autor do livro The Whistleblower's Handbook: A Step by Step Guide to Doing What's Right and Protecting Yourself   [Manual dos Vazadores: Guia passo a passo para fazer o que é certo e proteger-se] (Lyons Press, 2011).

Para mais informações, entre em contato: 
Mary Jane Wilmoth

sexta-feira, 22 de março de 2013

Partido Hezbollah: “Fala de Obama é prova de que a via da Resistência é a mais correta”


22/3/2013, Al-Manar TV (Editorial), Beirute, Líbano
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Al Manar TV
O Hezbollah, Partido da Resistência Libanesa condenou na 6ª-feira as posições anunciadas pelo presidente Barack Obama dos EUA durante visita que fez à entidade sionista. O Hezbollah destacou que aquelas posições comprovam que a via da Resistência é a via mais correta.

“A visita de Obama aos Territórios Ocupados da Palestina é prova de que persiste o total comprometimento dos EUA em apoio à entidade sionista e às suas políticas agressivas e criminosas, que agridem, sobretudo os direitos dos palestinos e do povo da região” – disse o Hezbollah em declaração distribuída pelo Centro de Relações com a Mídia.

“É claro, se se considera o que disse Obama, que o presidente dos EUA não respeita nenhum governo árabe ou islâmico e que optou por dar as costas até aos direitos mais básicos do povo palestino”.

“Obama declarou seu total comprometimento com o projeto sionista na Palestina. E até tentou impor aos árabes o “dever” de aceitar na região a entidade sionista que se autodefine como estado “judeu puro” – lê-se na declaração.

Bandeira do Partido Hezbollah
O presidente dos EUA fala como lacaio da entidade sionista, não como Chefe de Estado dos EUA, que é nação independente. A fala de Obama só fará algum sentido se os EUA atacarem a Resistência. Por isso tanto insistem em obter a declaração de que o Hezbollah seria organização terrorista.

Nada há de novidade ou surpresa no discurso de Obama, que não passou de repetição, para o público orquestrado, das mesmas posições e falas, sempre hostis, dos EUA” – prossegue a declaração do Hezbollah.

O Hezbollah também denunciou as posições dos EUA “que adotam os projetos sionistas, o que, em vários sentidos, faz de Washington cúmplice dos crimes cometidos pelo nosso inimigo israelense.

“Obama nada disse além de repetir que nenhuma negociação é possível, que nenhum acordo é possível e que ninguém espere, nem por negociações de paz, nem por acordo algum. Assim, mais uma vez, se comprova que a via da Resistência é a via mais correta” – a declaração conclui


domingo, 10 de março de 2013

Hezbollah sobre Chávez: “Perdemos um amigo e apoiador leal e amado”


6/3/2013, Al-Manar TV, Líbano
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


“O mundo livre, os oprimidos do mundo e nós, diretamente, perdemos amigo e apoiador leal e amado, que dedicou a vida à defesa dos povos oprimidos e perseguidos, firme defensor dos países do Terceiro Mundo e de nossos direitos a progredir e prosperar” – disse o Hezbollah em declaração oficial.

“O Hezbollah e todo o Líbano jamais esqueceremos o apoio que o falecido presidente Chávez ofereceu ao Líbano, quando enfrentamos o inimigo sionista na guerra de julho de 2006. Os povos árabes e islâmicos jamais esqueceremos a firme posição do falecido presidente Chávez na defesa dos direitos do povo palestino e dos direitos da República Islâmica do Irã ao uso pacífico de tecnologia nuclear”.

“O presidente Chávez foi uma fortaleza de defesa contra as políticas imperialistas, sem jamais ceder a sucessivos governos dos EUA ou se deixar submeter às suas pressões, provando que nossos países podem perseverar na trilha da independência e do progresso social, sem depender da custódia dos EUA” – diz a declaração do Hezbollah.

“O Partido da Resistência libanesa manifesta as mais sinceras condolências à família e aos camaradas do falecido grande comandante e a todo o valente povo venezuelano, e põe-se ao lado deles, nessa hora triste, de tão grande perda”.


“O Hezbollah espera que os camaradas e companheiros do presidente Chávez conseguirão completar o seu trabalho e o seu legado, na defesa da liberdade, da independência e do bem-estar do povo venezuelano. Que continuem a apoiar os povos oprimidos em todo o mundo. E que não desistam da luta à qual o presidente Chávez dedicou a vida, contra as conspirações dos sionistas e dos EUA” – conclui a declaração.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Aaron Swartz (1986-2013), ativista, combatente da liberdade, “hacker”


12/1/2013, Pastebin
Aaron Swartz Suicide (excerto)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Aaron Swartz – gênio, menino prodígio que, muito jovem ajudou a inventar muito do que o mundo hoje entende como “era online”: co-desenvolveu RSS e Reddit e adiante tornou-se ativista – suicidou-se, aos 26 anos. O corpo foi encontrado na 6ª-feira, 11/1/2013, no Brooklyn, informou Ellen Borakove, porta-voz do Instituto Médico Legal de New York (12/1/2013]


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Declaração da Família de Aaron Swartz

13/1/2013. Remember Aaron Swartz
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Nosso filho bem-amado, amigo, companheiro Aaron Swartz enforcou-se na 6ª-feira em seu apartamento no Brooklyn. Estamos em choque, sem ainda acreditar que já não o temos conosco.

A curiosidade insaciável de Aaron, a criatividade, o brilho; a empatia reflexiva, a capacidade de doar-se sem egoísmo, o amor ilimitado; a recusa a aceitar a injustiça como inevitável. Somos gratos pelo tempo que o tivemos entre nós. Agradecemos a todos que o amaram e o defenderam e a todos que continuam a fazer o trabalho que Aaron sempre fez, por um mundo melhor.

O comprometimento de Aaron com a justiça social foi profundo e definiu-lhe a vida. Aaron foi essencial para derrotar a legislação de censura à Internet; combateu por um sistema político mais democrático, aberto e transparente; e ajudou a criar, construir e preservar um quantidade quase inacreditável de projetos acadêmicos, que ampliaram o objetivo e a acessibilidade do conhecimento humanos para todos. Usou sua inteligência prodigiosa e suas vastíssimas capacidades como programador e tecnólogo, não para obter riqueza pessoal, mas para fazer da Internet e do mundo espaços de vida melhor e mais justa. Seus escritos alcançaram corações e mentes de mais de uma geração, em todos os continentes. Conquistou a amizade de milhares e o apoio de milhões de pessoas.

A morte de Aaron não é simples tragédia pessoal. É efeito de um sistema de justiça criminal contaminado pela intimidação e pela perseguição ilegal, descabida, inadmissível, sem limites.

Decisões tomadas pelos agentes do Gabinete do Procurador Geral dos EUA no Estado de Massachusetts e no MIT empurraram Aaron, de fato, ao suicídio.

O Gabinete do Procurador Geral dos EUA lançou contra Aaron uma carga excepcionalmente violenta de acusações, que implicariam, no caso de condenação, em 30 anos de cárcere, como castigo para um crime alegado, do qual não há vítimas.

No processo quase inimaginavelmente doloroso de esperar por esse julgamento descabido, ao contrário de JSTOR [sigla de Journal Storage] [1] que o apoiou e defendeu., a direção do Massachusetts Institute of Technology, MIT não defendeu Aaron nem os mais solenes princípios de sua própria comunidade acadêmica e científica.

Hoje, todos choramos a perda desse homem extraordinário.

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Nota dos tradutores
[1] JSTOR  é um sistema online de arquivamento de periódicos acadêmicos sediado nos Estados Unidos, fundado em 1995, que reúne bibliotecas de todo mundo. Leia também sobre JSTOR-USP.  

domingo, 13 de janeiro de 2013

Declaração de Bab Al Shams, Palestina, 2013


12/1/2013, Salem News - (Excerto do artigo do"link" abaixo)
Tradução e fotos de Baby Siqueira Abrão, de Bab Al Shams, Palestina

Baby Siqueira Abrão é brasileira, jornalista, correspondente no Oriente Médio. Vive atualmente em Ramallah, na Cisjordânia.
Skype ID: alo.baby


Bab Al Shams (Janeiro 2013)

“Então, recomeçamos do zero! Recomeçamos do zero!” [1]

Nós, filhas e filhos da Palestina, de todas as partes do país, anunciamos o estabelecimento da vila de Bab Al Shams. Nós, o povo, sem permissão da ocupação, sem permissão de ninguém, estamos aqui hoje porque este é nosso país e habitá-lo é um direito nosso.

Poucos meses atrás o governo israelense anunciou sua intenção de construir cerca de 4 mil unidades habitacionais na área que denomina E1. Trata-se de uma área de 13 km2 que fica no território palestino confiscado de Jerusalém oriental, entre a colônia de Ma’ale Adumin, construída na Cisjordânia ocupada, e Jerusalém. Não permaneceremos calados enquanto a expansão das colônias e o confisco de nosso país continua. Portanto, pela presente declaração, estabelecemos a vila de Bab Al Shams para proclamar nossa crença na ação direta e na resistência popular. Declaramos que a vila permanecerá em pé até que os donos destas terras tenham o direito de construir nelas.

O nome da vila foi retirado da novela Bab Alshams, do escritor libanês Elias Khoury [Porta do Sol, Rio de Janeiro: ed. Record, 2008]. O livro narra a história da Palestina por meio do amor entre um palestino, Younis, e sua esposa Nahila. Younis deixa a esposa para unir-se à resistência no Líbano enquanto Nahila permanece firme no que restou da vila de ambos, na Galileia. Durante os anos 1950 e 1960, Younis sai às escondidas do Líbano e volta à Galileia para encontrar a esposa na caverna de Bab Al Shams, onde ela dá à luz os três filhos do casal. Younis retorna à resistência e Nahila fica na caverna.

Bab Al Shams é a porta para nossa liberdade, é nossa firmeza.
Bab Al Shams é nossa porta para Jerusalém.
Bab Al Shams é a porta para o nosso retorno.

Durante décadas Israel tem criado fatos consumados enquanto a comunidade internacional permanece calada em resposta a essas violações. Chegou a hora de mudar as regras do jogo, de estabelecermos fatos consumados em nosso país.

Esta ação, envolvendo mulheres e homens de norte a sul [da Palestina] é uma forma de resistência popular.

Nos próximos dias criaremos vários grupos de discussão, faremos apresentações educacionais e artísticas, passaremos filmes nesta vila. Os moradores de Bab Al Shams convidam todas as filhas e todos os filhos de nosso povo para participar e juntar-se à vila, a fim de dar apoio a nossa resistência.

Bab Al Shams, Palestina, janeiro de 2013

Palestinos em Bab Al Shams (Janeiro 2013)



Nota do pessoal da Vila Vudu

[1] Do filme Bab el shams, de 2004, dir. Yousry Nasrallah, adaptação do mesmo romance. Assistimos na 5ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, 3-29/9/2010, no Instituto de Cultura Árabe, Icarabe, São Paulo, Brasil. Epígrafe acrescentada pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu. Trecho do filme a seguir:


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Índia [e Brasil] erguem-se a favor de Gaza


21/11/2012, MK Bhadrakumar*, Indian Punchline
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Um velho querido amigo envia-me, de New York, o texto da declaração distribuída pelo Grupo IBSA [Índia-Brasil-África do Sul] há poucos minutos, na sede da ONU, sobre a situação de Gaza.

Aí vai, o texto da declaração: 

Índia, Brasil e África do Sul expressam aqui a mais firme condenação da violência em curso entre Israel e Palestina, que a ameaça a paz e a segurança na região. Os países que constituem o Grupo IBSA lamentam profundamente a perda de vidas humanas e expressam sua preocupação quanto ao uso excessivo e desproporcional da força.

Conclamam as partes a cessarem imediatamente toda a violência, a exercitaram máxima contenção e a evitar empreender qualquer ação que venha a agravar e exacerbar a situação atual. Ressaltam a expectativa de que o Conselho de Segurança da ONU fará o máximo possível para atender ao que exige sua responsabilidade em relação a essa grave situação. 

Ressaltam também a urgente necessidade de levantar-se o bloqueio contra Gaza, que continua a piorar sempre a situação socioeconômica e humanitária já desesperadora em Gaza.  

Os países IBSA manifestam seu forte apoio aos esforços de mediação do Governo do Egito, dos estados da Liga Árabe e do Secretário-Geral da ONU que trabalham para alcançar um cessar-fogo negociado. 

Os países IBSA acreditam que só o diálogo e a diplomacia levará à resolução da crise em curso, o que torna ainda mais urgente que se retomem conversações diretas entre Israel e Palestina, que levem a solução ampla para a Questão Palestina, com a implantação de uma solução de dois estados. 

Com vistas à discussão, na próxima Assembleia Geral da ONU, da Questão Palestina, Índia, Brasil e África do Sul manifestam aqui seu apoio ao pedido, encaminhado pela Palestina, para que lhes seja conferido status de Observador dentro do sistema das Nações Unidas.

O que torna essa declaração particularmente notável, para mim, é que é fruto de iniciativa da Índia.
O anúncio de que a Índia apóia o pedido dos palestinos, que aspiram a ser aceitos como membros observadores no sistema da ONU é simplesmente FANTÁSTICO!

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MK Bhadrakumar* foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu,Asia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.