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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Gaza: Hamás rejeita golpe do “cessar-fogo”, de Tony Blair

15/7/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O GENOCÍDIO nazissionista é contra civis
A guerra que Netanyahu lançou contra a população de Gaza já matou até agora mais de 192 pessoas, 80% das quais, civis; feriu 1.400 pessoas, destruiu completamente 990 casas, danificou outras 1.700 casas e provocou bilhões de dólares em danos à infraestrutura em Gaza, inclusive do já frágil sistema de distribuição de água. Para quê?

No total, a força aérea de Israel e mísseis israelenses atingiram mais de 2.000 “alvos”, enquanto cerca de 1.00o rojões de fabricação doméstica foram lançados de Gaza. Nenhum israelense foi morto pelos rojões que o Hamás e outros grupos da resistência antissionista lançou da Faixa.

Esta manhã (15/7/2014), havia conversa de um cessar-fogo, resultante, pelo que se dizia de um acordo negociado pelo ditador egípcio, general Sisi. O gabinete de segurança de Israel aceitou tudo imediatamente.

Pouco depois se soube que, na verdade, o tal “acordo do cessar-fogo” foi redigido, de fato, pelo criminoso de guerra e sionista Tony Blair.

Nenhum palestino jamais vira ou discutira ou esteve envolvido na criação do tal “acordo”. Os palestinos só souberam do “acordo” pela imprensa-empresa. Nada havia no dito “acordo”, senão que a luta parava, e alguma vaga promessa de futuras conversações. Por que, afinal, Israel assassinou tanta gente?!

O Hamás e outros grupos rejeitaram a encenação e mantiveram o fogo inefetivo de seus foguetes. O Hamás, que tem de manter o consenso com outros grupos mais radicais em Gaza, apresentou seu conjunto de condições para suspender os combates:

● – Fim de todos os ataques israelenses contra Gaza;
● – Abertura das passagens de fronteira para Israel e Egito;
● – Libertação dos membros do Hamás que Israel, sem razão alguma, prendeu na Cisjordânia, durante as últimas três semanas;
● – Pagamento, pela Autoridade Palestina, dos funcionários públicos em Gaza.

Os foguetes lançados de Gaza continuaram durante o dia e, no fim do dia, Israel recomeçou a bombardear tudo que restava ainda não destruído em Gaza. Políticos israelenses têm falado de um vago “objetivo” nesse ataque aos palestinos, que seria “desmantelar o Hamás”. Mas o Hamás tem apoio da população e, a menos que os israelenses matem toda a população palestina, o Hamás continuará a existir; conflito renovado e mais longo só tornará o Hamás cada vez mais forte.


[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como  “Whisky Bar”  ou  “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça  Hauspostille  (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ouvir versão em performance de Tim van Broekhuizen.


sábado, 24 de novembro de 2012

Hamás sempre quis acordo baseado nas fronteiras de 1967


24/11/2012, Gareth Porter , The Real News Network, TRNN
Vídeo-entrevista traduzida pelo pessoal da Vila Vudu


PAUL JAY, editor-chefe, TRNN: Sou Paul Jay, em Baltimore. Apresentamos a edição semanal do Porter Report, com o jornalista Gareth Porter. Gareth é historiador e jornalista investigativo. Trabalha regularmente para a rede Inter Press Service sobre políticas dos EUA para Irã, Iraque, Afeganistão e Paquistão. Em 2012 recebeu o Prêmio Gellhorn de Jornalismo. É colaborador regular de The Real News. Obrigado, Gareth, por nos receber.

GARETH PORTER: Obrigado, Paul. Ótimo estar aqui outra vez.

JAY: Gareth fala de nosso estúdio em Washington. Claro, a matéria dessa semana é Gaza. Você escreveu várias vezes sobre isso.

PORTER: É, escrevi algumas vezes. E, claro, a crise em curso em Gaza, a guerra que Israel fez contra Gaza, semana passada, lembra-me a Operação Chumbo Derretido, de janeiro de 2009. As semelhanças entre as duas operações, são realmente muito visíveis. Para começar, os israelenses sentiram-se perfeitamente livres para lançar vastíssimo ataque aéreo contra Gaza, sabendo, obviamente, que haveria centenas e centenas de mortos, sobretudo civis, porque sempre sabem que podem alegar, que podem argumentar que fazem o que fazem porque estão sendo atacados por foguetes disparados de dentro da Faixa de Gaza.

Na matéria que escrevi há quatro anos, precisamente há quatro anos, em janeiro, noticiei que, de fato, Israel rejeitara uma proposta de cessar-fogo, feita pelo Hamás. E aquele acordo, não na essência, mas precisamente aquele acordo proposto pelo Hamás, já havia sido acertado antes, entre Israel e o Hamás. Tudo isso está demonstrado no que escrevi naquela época. Mas os israelenses decidiram não fazer acordo algum, porque já haviam decidido, estavam decididos, determinados, a usar a força.

Aquela mesma história, me parece, repete-se, praticamente a mesma história, mais uma vez, no caso atual, porque já se sabe que os israelenses assassinaram o mediador, o homem que recebera uma proposta de cessar-fogo, assassinaram um mediador que trabalhava também com Israel, que já trabalhara na negociação da volta de Gilad Shalit, o soldado israelense que o Hamás capturara alguns anos antes. E o mesmo mediador estava também trabalhando com egípcios e com o Hamás, numa proposta de cessar-fogo, que o general Jaabari já recebera. O general Jaabari era o comandante encarregado da questão dos foguetes e das negociações de cessar-fogo com Israel, até poucas horas antes de ser assassinado. Por isso acho que aqui, essencialmente, aconteceu uma daquelas repetições da história. Não são situações exatamente iguais, mas muito, muito parecidas.

JAY: A posição dos israelenses sobre Gaza sempre foi de querer que Gaza fosse problema do Egito. Nunca quiseram Gaza como parte de uma possível solução de dois estados. Pelo menos, com certeza, não querem Gaza sob liderança do Hamás e como parte de um cenário de dois estados. O que aconteceu parece ser desdobramento do mesmo plano. E agora, com a Fraternidade Muçulmana no poder no Egito, e com o Qatar cada dia mais envolvido na situação, talvez tenham pensado em mandar a bola mais fundo, para dentro do campo, quero dizer, fazer de Gaza um local inabitável, a menos que Gaza deixe de ser parte de algum estado palestino, não sob controle do Hamás, mas, sabe-se lá, como alguma espécie de estado dependente do Egito, de algum modo.

PORTER: De garantido, é que os israelenses entendem que os egípcios devem ajudar Israel a impedir que o Hamás ganhe condições de, basicamente, defender-se contra Israel, ou que tenham meios para conter ataques israelenses. O serviço dos egípcios e a ideia dos israelenses – e, claro, também dos EUA – é, há muito tempo, impedir que o Hamás consiga ter economia interna em Gaza que lhe permita sustentar a população que ali vive. Por isso Israel sempre quis controlar tudo o que entra e tudo o que sai de Gaza, manter esse fluxo num nível mínimo, e, assim, claro, impedir também que o Hamás acumule qualquer tipo de capacidade militar.

Tudo isso, penso eu, esteve em discussão nas conversas sobre um cessar-fogo, porque os EUA e Israel, é claro, estão pressionando os egípcios, os EUA à frente, dizendo, basicamente, que, se o Egito quer manter acesso continuado ao sistema de ajuda do mundo capitalista, então terá de desempenhar o papel que EUA e Israel desejam que desempenhe ali.

Por tudo isso, a guerra em curso em Gaza deixa à luz, muito claramente, a desigualdade fundamental que há na estrutura do sistema global. Na essência, o destino de Gaza está, em vasta medida, nas mãos dos egípcios, e os egípcios dependem, pelo menos por enquanto, dos EUA e de seus aliados capitalistas em todo o mundo, para conseguir impedir uma grave deterioração da economia egípcia.

Por essa razão, é caso de todos nos preocuparmos com os desenvolvimentos daquela crise, quero dizer, com a possibilidade de o status quo não se alterar, continuar o que sempre se viu ali, no passado. É possível que, como resultado desse cessar-fogo, não se veja nenhuma abertura das passagens, nenhum alívio no bloqueio e que aumentem as restrições de Israel contra o governo do Hamás, depois do cessar-fogo.

JAY: Obrigado por falar conosco, Gareth.

PORTER: Obrigado a você, Paul.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Paz, de uma vez por todas!


24/11/2012, Uri Avnery, Gush Shalom [Bloco da Paz], Israel
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Uri Avnery
O mantra dessa vez foi “de uma vez por todas”.

“Temos de por fim nisso (nos foguetes, no Hamás, nos palestinos, nos árabes?), de uma vez por todas!” – eis o grito que se ouvia, dúzia de vezes por dia nas televisões, dos moradores das cidades e vilas duramente atingidas do sul de Israel.

A ponto de o novo mantra ter deslocado o slogan que dominou durante várias décadas: “Atirar e acabar com aquilo!” 

Absolutamente não funcionou. O Hamás venceu.

O grande vencedor que emergiu da nuvem é o Hamás.

Antes desse round, o Hamás era presença importante na Faixa de Gaza, mas praticamente não era visto como organização com estatura internacional. A face internacional do povo palestino era a Autoridade Nacional Palestina de Mahmoud Abbas.

Era. Não é mais.

A Operação Pilar de Nuvem deu amplo reconhecimento internacional ao miniestado do Hamás em Gaza. (“Pilar de Nuvem” é o nome oficial em hebraico, embora o porta-voz do exército tenha decretado que o nome em inglês, para consumo de estrangeiros, deveria ser “Pilar da Defesa”).

Chefes de vários estados e muitos ministros e dignitários estrangeiros já fizeram a necessária peregrinação à Faixa.

Primeiro, chegou o poderoso e imensamente rico emir do Qatar, proprietário da rede Al- Jazeera. Foi o primeiro chefe de Estado a pôr os pés na Faixa de Gaza. Depois, chegaram o primeiro-ministro egípcio, o ministro de Relações Exteriores da Tunísia, o secretário da Liga Árabe e vários ministros de Relações Exteriores de países árabes (exceto o de Ramallah).

Em todas as deliberações diplomáticas, Gaza foi tratada como Estado de facto, com governo de facto (o Hamás). Nem a mídia israelense escapou. Os israelenses rapidamente perceberam que qualquer acordo, para ser efetivo, teria de ser construído com o Hamás.

Entre o povo palestino, o prestígio e a estatura do Hamás alcançaram as alturas. Só a Faixa de Gaza, menor que qualquer condado médio dos EUA, sobrepôs-se a toda a gigante máquina de guerra dos israelenses, das maiores e mais eficientes do mundo. O exército de Israel não sucumbiu apenas. O resultado militar só pode ser apresentado (e com boa vontade a favor de Israel), como empate.

E empate entre a minúscula Gaza e a poderosa Israel significa vitória de Gaza.

Ehud Barak
Quem lembra hoje a orgulhosa fala de Ehud Barak, no meio da guerra: “Não devemos parar até que o Hamás seja posto de joelhos e suplique por um cessar-fogo”?

E em que ponto disso tudo fica Mahmoud Abbas? De fato, não fica em ponto algum. Abbas sumiu.

Para qualquer palestino comum, esteja em Nablus, Gaza ou Beirute, o contraste é flagrante: o Hamás tem orgulho, coragem, decisão; e o Fatah é frágil, vulnerável, submisso e ignorado. Na cultura árabe, honra e orgulho têm papel central.

Depois de mais de meio século de humilhação, qualquer palestino que tenha lutado contra a ocupação é herói das massas árabes, dentro e fora do país. Abbas está identificado só com a íntima colaboração entre suas forças de segurança e o odiado exército israelense ocupante. E, fato decisivo: Abbas nada tem para mostrar, como resultado de tão dedicada colaboração com a potência ocupante.

Mahmoud Abbas
Se Abbas pudesse exibir, pelo menos, uma grande realização política em troca do muito que padeceu, a situação talvez fosse outra. Os palestinos são gente sensível. Se Abbas tivesse dado pelo menos um passo que o aproximasse de ter conseguido qualquer coisa que se assemelhasse a algum estado palestino, a maioria dos palestinos provavelmente diriam: “não tem lá muito glamour, mas, pelo menos, cumpre o que promete”.

Pois está acontecendo exatamente o contrário. O Hamás armado consegue resultados; Abbas e a não-violência nada conseguem. Como disse-me um palestino: “Ele (Abbas) deu a tudo eles (aos israelenses), calma e segurança. E o que obteve [ou continua a obter] em troca? Os israelenses cospem na cara dele!”.  

Essa mais recente rodada de violência reforçará uma convicção de todos os palestinos: “Os israelenses só entendem a linguagem da violência!” (Israelenses, claro, dizem o mesmo, dos palestinos).

Se, pelo menos, os EUA permitissem a Abbas obter o reconhecimento da Palestina como estado não-membro, como observador, por resolução da ONU, Abbas ainda teria algo a apresentar para se promover frente ao Hamás. Mas o governo de Israel está decidido a impedir, custe o que custar, que esse reconhecimento aconteça.

Barack Obama
E Barack Obama, que já depois de re-eleito decidiu bloquear todos os esforços dos palestinos na ONU, está, de fato, assegurando seu apoio ao Hamás... o que implica que esbofeteia os “moderados”. A superficial, rápida, descuidosa visita de Hillary Clinton a Ramallah essa semana foi interpretada nesse contexto.

Examinada de fora, vê-se essa atitude de Israel e dos EUA como o que é: completa loucura. Por que minar a influência dos “moderados” que querem e são capazes de fazer a paz? Por que promover os “extremistas” que se opõem à paz?

A resposta veio, plenamente declarada, da boca de Avigdor Lieberman, hoje o No. 2 de Netanyahu no campo político: Lieberman quer destruir Abbas, anexar a Cisjordânia e abrir o caminho para os colonos.

Depois do Hamás, o maior vencedor é Mohamed Mursi.

Aí está outro resultado quase inacreditável. Quando Mursi foi eleito presidente do Egito, a Israel oficial entrou em estado de histeria. Que horror! Os extremistas islâmicos tomaram o poder no mais importante país árabe! Nosso tratado de paz com nosso maior vizinho, foi-se pelo ralo! Nos EUA, a reação foi praticamente idêntica a essa.

E hoje – quase quatro meses depois – aí está Israel, a ouvir com máxima atenção e reverência cada fala de Mursi. Mursi, ele, o homem que conseguiu pôr fim à destruição e à matança mútuas! Mursi, o grande pacificador! Mursi, o único homem capaz de fazer a mediação entre Israel e o Hamás! Mursi, o avalista do acordo de cessar-fogo!

É possível tal coisa? Será que falamos do mesmo homem? Do mesmo Mursi? Da mesma Fraternidade Muçulmana?

Mohamed Mursi
Mursi, 61 anos – cujo nome completo é Mohamed Mursi Isa al-Ayyad (Isa é a palavra, em árabe, para “Jesus”, que é um dos profetas do Islã) – é figura absolutamente desconhecida no cenário mundial. Apesar disso, hoje, todos os principais líderes políticos do mundo confiam integralmente nele.

Quando eu festejei, de todo o coração, a Primavera Árabe, tinha em mente gente como esse homem. Agora, praticamente todos os jornalistas, analistas, comentaristas, ex-generais e políticos israelenses, que, antes, diziam os maiores disparates e “alertavam” contra os novos políticos árabes, não se cansam de elogiar o sucesso do acordo de cessar-fogo.

Durante a operação Pilar de Nuvem, fiz o que sempre faço nessas situações: assisto, alternadamente, aos canais israelenses de televisão e à rede Al-Jazeera. Volta e meia, quando me distraio e volto repentinamente a prestar atenção à televisão, fico sem saber onde estou, se lá, se cá.

Mulheres em prantos, feridos carregados, casas em ruínas, sapatinhos de crianças espalhados entre os escombros, famílias com malas às costas, tentando escapar. Cá, como lá, as cenas se assemelham. Mas, sim: morreram 30 vezes mais palestinos que israelenses – em parte por efeito do Domo de Ferro dos israelenses, de interceptação de mísseis, enquanto os palestinos estavam absolutamente sem defesa alguma.

Na 4ª-feira fui convidado para um programa a ser exibido pelo Channel 2, o mais popular (e o mais patriótico-nacionalista) em Israel. O convite, como já aconteceu várias vezes, foi cancelado no último momento. Se tivesse ido ao tal programa, só teria uma pergunta a propor aos israelenses: “Valeu a pena?”.

Valeu a pena? 

Todo o sofrimento, os mortos, feridos, a destruição, as horas e dias de terror, as crianças traumatizadas?

Gilad Sharon
E, deve-se acrescentar, a cobertura infindável, 24 horas por dia, pelas televisões, com generais aposentados sempre a repetir os press-releases do gabinete do primeiro-ministro. E as mais horrendas, as mais escandalosas ameaças, na boca de políticos e outras variantes de doidos, entre os quais o filho de Ariel Sharon, Gilad Sharon, que propôs a destruição total, de toda a cidade de Gaza e arredores, ou, melhor ainda, logo, de toda a Faixa de Gaza.

OK. Tudo isso é passado. Estamos quase exatamente onde estávamos antes. A operação, chamada, em Israel, quase sempre, de “mais uma rodada”, não passou, de fato, de rodada – não levou a lugar algum; tudo ficou onde estava antes de a “rodada” começar. 

O Hamás assumirá firmemente o controle da Faixa de Gaza, talvez mais firmemente do que antes. Os palestinos odeiam Israel hoje, mais do que já odiavam antes. Muitos dos habitantes da Cisjordânia, os quais, durante a guerra saíram à rua aos milhares em demonstrações de apoio ao Hamás, votarão em ainda maior número, a favor do Hamás, nas próximas eleições. Dentro de dois meses, os israelenses votarão, depois da guerra, exatamente como votariam antes da guerra.

Os dois lados celebram vitória impressionante. Se se unissem e fizessem só uma festa, economizariam muito dinheiro.

QUAIS SÃO, POIS, as conclusões políticas?

A mais óbvia é: FALEM COM O HAMÁS. Diretamente. Cara a cara.

Yitzhak Rabin
1922-1995
Yitzhak Rabin disse-me, certa vez, como acabara por concluir que tinha de falar com a OLP, e diretamente com ela: depois de anos de oposição, acabara por entender que a OLP era a única força que contava. “Assim sendo, era ridículo só falar com eles através de intermediários”.  

Vale exatamente o mesmo, no caso do Hamás. O Hamás está ali. Não desaparecerá, nem partirá dali. É ridículo, para os negociadores israelenses, sentarem-se lá, numa sala do quartel-general da inteligência egípcia, nos arredores do Cairo, enquanto os negociadores do Hamás permanecem na sala ao lado, a apenas poucos metros de distância, com os egípcios, corteses, andando de um lado para o outro.

Ao mesmo tempo, que Israel trate de ativar esforços na direção da paz. A sério.

No momento, é preciso salvar Abbas, que não tem substituto à vista. Israel bem poderia garantir uma vitória imediata para Abbas, para contrabalançar a grande vitória do Hamás contra a Operação Pilar de Nuvem: Israel bem pode votar a favor de garantir-se aos palestinos o direito de membro-observador – portanto, de estado reconhecido – na Assembleia Geral da ONU.

Só assim Israel mostrará ao mundo que, sim, tem interesse em fazer a paz com todo o povo palestinos, incluindo Fatah e Hamas. Só assim Israel mostrará ao mundo que tem interesse em pôr fim à violência, DE UMA VEZ POR TODAS!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ismail Haniyeh, do Hamás: “Os EUA começam a ter de ouvir uma nova linguagem”


22/11/2012, Al-Jazeera, Qatar
Hamas leader Ismail Haniyeh has thanked Egypt's leader Mohamed Morsi for his ceasefire efforts
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ismail Haniyeh
A vitória em Gaza é clara. É chegada a hora do Egito e da região.

Os EUA começam a ter de ouvir uma nova linguagem.

Nos congratulamos com nosso povo palestino por essa vitória.

Agradecemos ao Egito e ao seu presidente fiel, Mohamed Mursi.

Agradecemos aos que nos forneceram armas para essa guerra – especialmente o Irã.

Netanyahu errou ao analisar as circunstâncias estratégicas. A ocupação tentou agressão contra região já em transformação, que se vai livrando dos governos pró-Israel.

Agradecemos ao Egito e à inteligência egípcia, pelos esforços incansáveis até o cessar-fogo.

Esse cessar-fogo é bom acordo, como base para pôr fim às agressões contra Gaza. O núcleo de todos os problemas é a ocupação.

Conclamo todos a respeitarem o acordo de cessar-fogo e a implementá-lo. Nós nos manteremos integralmente comprometidos com o acordo de cessar-fogo, enquanto o inimigo também se mantiver comprometido com o mesmo acordo, e acompanharemos, com o Egito, o cumprimento dos termos do cessar-fogo.

Índia [e Brasil] erguem-se a favor de Gaza


21/11/2012, MK Bhadrakumar*, Indian Punchline
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Um velho querido amigo envia-me, de New York, o texto da declaração distribuída pelo Grupo IBSA [Índia-Brasil-África do Sul] há poucos minutos, na sede da ONU, sobre a situação de Gaza.

Aí vai, o texto da declaração: 

Índia, Brasil e África do Sul expressam aqui a mais firme condenação da violência em curso entre Israel e Palestina, que a ameaça a paz e a segurança na região. Os países que constituem o Grupo IBSA lamentam profundamente a perda de vidas humanas e expressam sua preocupação quanto ao uso excessivo e desproporcional da força.

Conclamam as partes a cessarem imediatamente toda a violência, a exercitaram máxima contenção e a evitar empreender qualquer ação que venha a agravar e exacerbar a situação atual. Ressaltam a expectativa de que o Conselho de Segurança da ONU fará o máximo possível para atender ao que exige sua responsabilidade em relação a essa grave situação. 

Ressaltam também a urgente necessidade de levantar-se o bloqueio contra Gaza, que continua a piorar sempre a situação socioeconômica e humanitária já desesperadora em Gaza.  

Os países IBSA manifestam seu forte apoio aos esforços de mediação do Governo do Egito, dos estados da Liga Árabe e do Secretário-Geral da ONU que trabalham para alcançar um cessar-fogo negociado. 

Os países IBSA acreditam que só o diálogo e a diplomacia levará à resolução da crise em curso, o que torna ainda mais urgente que se retomem conversações diretas entre Israel e Palestina, que levem a solução ampla para a Questão Palestina, com a implantação de uma solução de dois estados. 

Com vistas à discussão, na próxima Assembleia Geral da ONU, da Questão Palestina, Índia, Brasil e África do Sul manifestam aqui seu apoio ao pedido, encaminhado pela Palestina, para que lhes seja conferido status de Observador dentro do sistema das Nações Unidas.

O que torna essa declaração particularmente notável, para mim, é que é fruto de iniciativa da Índia.
O anúncio de que a Índia apóia o pedido dos palestinos, que aspiram a ser aceitos como membros observadores no sistema da ONU é simplesmente FANTÁSTICO!

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MK Bhadrakumar* foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu,Asia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.

Cessar-fogo põe fim aos ataques de Israel a Gaza




Baby Siqueira Abrão
Brazilian journalist - Middle East correspondent
Jornalista brasileira – correspondente no Oriente Médio
Skype ID: alo.baby
P. O. Box 1028, Ramallah, West Bank


São pouco mais de sete da manhã na Palestina. As comemorações nas ruas de Gaza, pelo cessar-fogo intermediado pelo Egito e assinado ontem no Cairo, terminaram há algumas horas. Não se veem mais adultos e crianças – um público predominantemente masculino – comemorando pulando, dançando, com as bandeiras da Palestina e do Hamás nas mãos. Todos foram para casa. Mas ninguém conseguiu dormir.

Caças F16, helicópteros Apache e drones sobrevoaram Gaza durante toda a noite e a madrugada. É a versão sionista do conceito “cessar-fogo”: eles suspendem os bombardeios, mas mantêm a tortura física e psicológica. O barulho das aeronaves lembra aos moradores da faixa costeira palestina a tragédia (mais uma) da perda de 162 vidas em oito dias de ataques contínuos e simultâneos, vindos do ar e do mar. Mísseis, bombas e balas eram atirados ao mesmo tempo no norte, no centro e no sul de Gaza, matando civis – a maior parte deles composta de crianças, mulheres e jovens –, arrasando moradias, prédios públicos, sedes dos meios de comunicação local e internacional, destruindo a já carente infraestrutura de serviços gazense, ainda não recuperada do assalto militar israelense de 2008-2009, a operação Cast Lead.

Além dos bombardeios e das mortes que eles provocaram, a população de Gaza teve de suportar longos cortes de energia elétrica, de água, de telefonia fixa e móvel. Nos hospitais, faltam medicamentos para atender aos milhares de feridos. Muitos foram levados para o Egito porque não havia como tratar deles em Gaza. Poucos carros nas ruas, durante os oito dias de massacres, permitiram que o combustível enchesse os tanques de ambulâncias e carros de bombeiros, que não tiveram parada em momento algum. Jornalistas, cinegrafistas e funcionários de hospitais, enrolados em cobertores, dormiam em seus locais de trabalho, incapazes de dar conta da demanda de atendimento médico e de notícias.

Mesmo assim, hoje Gaza tenta voltar à normalidade. Conversas, barulho de carros nas ruas, buzinas, ruídos típicos de consertos e de trabalho, vozes infantis enchem o ar, tirando um pouco da crueza do forte zumbido dos aviões. Mas crianças agora órfãs, viúvas e viúvos recentes, pais sem filhos e filhos sem pais permanecem silenciosos em seu luto, em dor profunda talvez pelo resto da vida.

Os motivos da guerra

O que levou Israel a mais uma ofensiva militar a Gaza? A proximidade das eleições e a necessidade de Benjamin Netanyahu garantir a vitória, dizem alguns. Argumento fraco, uma vez que as pesquisas indicam que o atual primeiro-ministro tem ampla maioria das intenções de voto. Mesmo assim, pesquisa do jornal israelense Haaretz indicou que praticamente toda a nação israelense – entre 84% e 90% – aprovou a ofensiva contra Gaza. Ofensiva que teve por objetivo testar novas misturas químicas na população de Gaza, alegam outros, e estes têm, sim, parte da razão: as queimaduras e os ferimentos das vítimas sugerem o uso de novas fórmulas, experimentadas em campo. Como já demonstrei antes, baseada em documento idôneo, os habitantes de Gaza são cobaias de Israel para testes de armamentos e armas químicas.

Schlomo Sand
Há outros motivos, porém. A ampla maioria de palestinos que hoje vive na Palestina e em Israel é motivo de preocupação[1] para os sionistas. Israel quer a Palestina inteira para constituir seu “Estado judeu”, e não poderá tê-lo com maioria palestina, muçulmana e cristã. Lembremos que o judaísmo é uma religião, não a designação de um povo. Como o historiador israelense Schlomo Sand já demonstrou, em A invenção do povo judeu, não apenas a noção de “povo” é recente, e ainda indefinida, na historiografia, como a ideia de “povo judeu” surgiu com o sionismo, no século XIX, como necessidade política, para justificar a tomada da Palestina. Uma justificação insensata, pois não se tira um povo de seu país, muito menos à base da força e das armas – o método usado pelos grupos paramilitares sionistas para massacrar e expulsar os palestinos de suas casas e terras, em especial depois de 1947, quando a Assembleia Geral da ONU, pressionada pelo sionismo, recomendou a partilha da Palestina. Partilha, lembremos, que não se consumou na ONU e sim em campo, uma vez que os sionistas já haviam eliminado, com matanças e expulsão, a maioria dos palestinos, confiscando a Palestina para abrigar Israel.

Ilan Pappé
Os sucessivos ataques a Gaza fazem parte desse amplo contexto, que o historiador israelense (hoje apátrida) Ilan Pappé denominou “limpeza étnica”, usando um termo menos agressivo do que “genocídio”. Mas é de genocídio que se trata. Basta procurar a definição de genocídio na legislação internacional e ver-se-á que é exatamente isso que os vários governos israelenses vêm fazendo com os palestinos há mais de 60 anos: a eliminação, ou a tentativa de eliminação, de um grupo étnico.

Iniciada em 14 de novembro, com o assassinato de Ahmed al-Jaabari, comandante militar do Hamás com quem Israel negociara, com a mediação do Egito, mais uma das incontáveis tréguas quebradas pelos israelenses, a operação Coluna de Nuvens [2] matou sobretudo mulheres, crianças e jovens. Mulheres mortas não dão à luz; crianças e jovens assassinados não se tornam adultos, não podem ter filhos nem renovar seu grupo social à medida que os mais velhos vão perdendo as forças e perecendo.

Já a poluição ambiental causada pelas substâncias tóxicas atiradas com bombas e mísseis executam o genocídio a longo prazo, envenenando a natureza e os animais, incluindo os humanos. Não à toa, Gaza hoje tem um número elevado de crianças e mulheres com câncer e poucas possibilidades, em consequência do bloqueio israelense, de proporcionar-lhes tratamento eficaz. Isso significa ainda mais vidas humanas perdidas – ou eliminadas – não só pelos ataques massivos, mas também por assaltos feitos em base quase diária por Israel a Gaza.

Condenação internacional

A notícia de mais uma ofensiva militar israelense a Gaza levou milhões de pessoas às ruas, no mundo todo. Convocadas às pressas pelas redes sociais, as manifestações reuniram ativistas que entoavam palavras de ordem e levavam cartazes com dizeres que devem ter deixado o governo israelense irado. “Israel, Estado terrorista”, “Do rio [Jordão] ao mar [Mediterrâneo], a Palestina será livre”, “Saiam da Palestina, sionistas” foram os mais leves e publicáveis. Essa pressão da sociedade civil internacional, que não descansou um só instante para deter a matança em Gaza, foi fundamental para o cessar-fogo, garantem seus patrocinadores, Egito e Estados Unidos. Passeatas (em São Paulo, foram iniciativa da Frente de Defesa do Povo Palestino, que reúne dezenas de entidades pró-Palestina, de mulheres, sindicatos e associações profissionais), e-mails e telefonemas a congressistas, ministros e governos, cartas abertas, postagens nas redes sociais, em blogues e na mídia alternativa formaram uma corrente de solidariedade planetária a Gaza.

Incapazes de deter a avalanche de apoios aos palestinos, os sionistas insistiram na justificativa que vinham dando desde antes de a Pilar de Nuvens ser iniciada: “autodefesa” contra os “terroristas do Hamás”. Há cerca de 16 brigadas em Gaza, mas Israel não as cita porque associar as palavras “terrorismo” e “Hamás” faz parte da estratégia de propaganda destinada a satanizar o grupo islâmico de resistência palestina.

Os sionistas usam os foguetes Qassan atirados no sul de Israel pelas brigadas de Gaza, em geral em locais desabitados, como desculpa para a prática da guerra. Calam-se, porém, sobre os mísseis, as bombas e as balas que atiram praticamente todos os dias na população palestina, e que provocam a reação das brigadas. No caso da Coluna de Nuvens, a responsabilidade é de Israel, que em 5 de novembro matou um garoto com deficiência mental que sem querer se aproximou da zona-tampão de Gaza. Depois foi a vez de garotos de 12, 13 anos que jogavam futebol num campinho improvisado na rua onde moravam. É impossível que esses meninos representassem algum risco para Israel, mas mesmo assim seus soldados os abateram a tiros.

O ataque de uma potência ocupante a uma população ocupada é expressamente proibido pela IV Convenção de Genebra. Além disso, como lembrou o Tribunal Russell em carta que exige o embargo militar a Israel, “a tentativa de justificar esse uso ilegal de força militar beligerante e desproporcional como “autodefesa” não passa por escrutínio legal ou moral, pois Estados não podem invocar a autodefesa por atos que servem para defender uma situação ilegal que eles mesmos criaram [3].

Além disso, ao classificar o Hamás como “terrorista” e ao pressionar para que outros países, como Estados Unidos e membros da União Europeia, também o considerem assim, Israel viola outro princípio da legislação internacional: o do direito que os povos ocupados têm à resistência armada. Há uma resolução da ONU, a 3070, que se refere expressamente ao povo palestino (os destaques são meus):

A Assembleia Geral

[...]

Ciente da importância do reconhecimento do direito dos povos à autodeterminação e da rápida concessão de independência a países e povos coloniais [...]

Perturbada com a contínua repressão e com o tratamento inumano infligido aos povos ainda sob dominação colonial e de outras nações e subjugação estrangeira, incluindo o tratamento inumano de pessoas aprisionadas em consequência de sua luta pela autodeterminação,

Reconhecendo a necessidade imperativa de colocar logo um fim ao controle colonial, à dominação e à subjugação estrangeira,

1. Reafirma o direito inalienável à autodeterminação, à liberdade e à independência de todos os povos sob dominação colonial e de outras nações e sob subjugação estrangeira [...]

2. Também reafirma a legitimidade da luta dos povos por libertação da dominação colonial de outras nações e da subjugação estrangeira por todos os meios à disposição, incluindo a luta armada

[...]

6. Condena todos os governos que não reconhecem o direito dos povos à autodeterminação e à independência, em particular os povos da África [...] e o povo da Palestina; [...]

Repare-se que o texto fala em “reafirmar a legitimidade da luta dos povos [...] por todos os meios à disposição, inclusive a luta armada”, o que significa que em outros documentos e resoluções a legitimidade da luta armada já havia sido afirmada. Assim, tanto o Hamás como as demais brigadas de Gaza estão dentro da lei. Fora da lei, como se acabou de demonstrar aqui, e por violar convenções, leis internacionais e centenas de resoluções da ONU, está Israel.

Fim do bloqueio?

Mohammed Kamel-Amr
O cessar-fogo foi negociado entre Israel e o Hamás – ou, mais precisamente, entre o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o primeiro-ministro do governo de Gaza, Ismail Hanyeh – com a intermediação do presidente do Egito, Mohamed Mursi, e de seu ministro das Relações Exteriores, Mohammed Kamel-Amr. O documento final foi assinado no Cairo, para onde acorreram o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon e a secretária de Estado estadunidense, Hillary Clinton, representando os interesses de Israel.

A euforia pelo cessar-fogo foi tamanha que poucos se lembraram de dar destaque à alínea C do artigo 1o do acordo:

Devem-se abrir todas as passagens e facilitar o movimento de pessoas e o trânsito de bens e produtos e devem ter fim todas as restrições à livre movimentação dos residentes em áreas de fronteira. Os procedimentos para implementar essas medidas devem começar a ser analisados e definidos 24 horas depois do início do cessar-fogo.

Caso os governos de Israel fossem sérios, o bloqueio desumano e ilegal imposto a Gaza começaria a cair hoje, 22 de novembro, à meia-noite. Alguém duvida de que Netanyhau vai encontrar um modo de se safar dessa determinação, assinada por seu governo?




Notas de rodapé

[1] De acordo com os registros oficiais de Israel, há atualmente, em toda a Palestina, incluindo Israel, 12 milhões de habitantes, dos quais 6,1 milhões são palestinos e 5,9 milhões são israelenses. O governo de Israel não faz propaganda do fato, descoberto por acaso por um jornalista israelense ao ler uma reportagem do caderno de economia do jornal Haaretz. Juntem-se a esses 6,1 milhões oficiais os mais de 7 milhões de refugiados e chegar-se-á a 13,1 milhões de palestinos com direito, reconhecido internacionalmente, a viver em seu país. Isso significaria o fim de Israel como “Estado judeu” e o estabelecimento de uma nação multiétnica, para todos os que nela vivem, onde hoje existem a Palestina ocupada e Israel.

[2] Coluna de Nuvens é nome retirado de Êxodo 13:21-22, livro da Torá ou Antigo Testamento que narra a saída dos judeus do Egito, liderados por Moisés: “E Iahveh ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem, para lhes mostrar o caminho, e de noite numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite. Nunca se retirou de diante do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo, durante a noite” (A Bíblia de Jerusalém. 6 reimp. São Paulo: Paulinas, 1983. p. 125.)

[3] Trata-se do princípio ex injuria non oritut ius, consagrado pelo direito internacional. Segundo esse princípio, um direito legal não pode nascer de um ato ilegal.