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segunda-feira, 28 de maio de 2012

ATESTADO DE IDIOTA


Laerte Braga

Por Laerte Braga
Imagens extraídas da internet pela redecastorphoto
Enviado por Nanda Tardin e Silvio de Barros Pinheiro 

A revista VEJA e o grupo GLOBO (jornal, revista, rádio e tevê) imaginam que os brasileiros sejam todos idiotas e engolirão sem questionar as declarações de Gilmar Dantas afirmando que Lula pediu que o julgamento do “mensalão” fosse adiado em troca de não envolver Gilmar com a construtora Delta e os negócios de Carlos Cachoeira.

É simples entender isso. Basta voltar um pouco no passado, quando William Bonner, apresentador do Jornal Nacional da TV Globo, rotulou o telespectador daquela revista televisiva de “Homer Simpson”. Alusão a um personagem de uma série da tevê americana apresentado como idiota, mais precisamente como ingênuo.

Gilmar é useiro e vezeiro nesse tipo de expediente. Fez o mesmo quando concedeu dois habeas corpus a Daniel Mendes e se valeu de VEJA para tentar desmoralizar o delegado Protógenes Queiroz. O personagem escolhido para coadjuvar foi Demóstenes Torres e agora envolve outra figura suspeita, Nélson Jobim, em sua história, em sua mentira.

Jobim já desmentiu, lógico, é esperto para cair nessa, ou se deixar envolver por um bandido sem qualquer escrúpulo, que virou ministro do Supremo Tribunal Federal para garantir a impunidade de FHC e seus cúmplices. Como ele, Jobim, foi para o STF e se declarou, em sua posse, “líder do governo” naquela Corte. Começou ali a desmoralização da Casa.

É um erro imaginar que Lula – sem análise de mérito de seu governo, mas de sua capacidade como político – fosse agir dessa forma, ou se dirigir a uma figura repulsiva como Gilmar Dantas para pedir alguma coisa, qualquer coisa que fosse, ou seja. Mas é crível imaginar que a visita a Jobim foi marcada com antecedência e aí deu a cara a tapas, não é possível que não saiba quem é Jobim.

VEJA e os veículos GLOBO apostaram no fato, a revista ao inventá-los e os parceiros a replicá-lo insistentemente, naquela convicção que basta noticiar que a dúvida fica lançada e alguém, certamente, vai dar crédito.

Tal e qual a história da apresentadora Xuxa com os “abusos sexuais”. Foram muitos, não sabe quem abusou e ao perceber a reação negativa junto à opinião pública, a repercussão nas redes sociais, não quis mais tocar no assunto.

O que está em jogo é grande demais para que bandidos deixem barato.


Esquema Cachoeira - Núcleo Central (extraído do Portal do Nassif)
O esquema Cachoeira é apenas uma ponta de um iceberg que mais que políticos corruptos envolve empresas corruptoras e um mundo institucional falido. É evidente, políticos corruptos são substituíveis por outros, empresas, bancos, latifundiários não. São sempre os mesmos e seus herdeiros desde tempo imemoriais.

O modelo político e econômico arrombado pela porta da frente e a dos fundos.

Não interessa aos maiores partidos políticos brasileiros que os fatos sejam apurados na sua totalidade, nem PT, nem PSDB e nem PMDB, nem ao DEM nem aos menores, pois cria uma realidade impensável para esse clube de amigos e inimigos cordiais.

Bronco, acostumado a se cercar de capangas, de pistoleiros, principalmente em sua cidade Diamantino, Gilmar Dantas, entendeu de dar um empurrão no esquema, criar um fato político que se sobreponha a toda e qualquer contestação a esse esquema, gerando até uma frase interessante do ministro Marco Aurélio Melo – “estamos vivendo num mundo esquisito”.

O que fazem é passar atestado de idiota para o leitor, o ouvinte, o telespectador, no jornalismo de esgoto que é a rotina dessa gente.

Há uma charge perfeita que define o tipo de mídia que temos, a de mercado. O cidadão diz a Carlos Cachoeira que é sempre bom comprar uma revista numa banca, Cachoeira responde que sim e fala que compra no banco.


Compra VEJA, paga VEJA para mentir. A diferença entre VEJA e o grupo GLOBO é que os Marinhos pensam que têm sangue azul. É tão vermelho quanto qualquer outro e pior, as mãos estão sujas da participação na ditadura militar na omissão da tortura, dos assassinatos, de toda a sorte de barbáries cometidas àquela época.

O grupo na dimensão que tem hoje é produto da ditadura e dos interesses de bancos, empresas e latifúndio.

VEJA é rastaqüera, só isso.

Há um trem aí, no entanto, complicado. É perfeitamente possível que Nélson Jobim, intimamente ligado a FHC e publicamente eleitor de José Serra – atolado em negociatas com a Delta e suas ramificações – tenha armado toda essa farsa em conluio com Gilmar Dantas. Por que não?

Aí Lula foi ingênuo. Com esses caras – Gilmar e Jobim – só se conversa com pelo menos dez testemunhas idôneas e em local público.

De maneira diferente, dentro do escritório de Jobim é oferecer a cabeça à forca.

A dupla da farsa do "grampo" sem áudio
No duro mesmo Lula caiu numa armadilha. Consequência até dessa sabedoria política, a arte da sobrevivência, esse jogo de alianças com bandidos. Escorregou na sabedoria popular, esperto come esperto.

Muita coincidência Lula visitar Jobim e Gilmar Dantas estar lá.

Nessa arte de golpes de gabinete e jogadas como essa, nessa Lula não tem sido sábio, pelo contrário. Volta e meia se encrenca. Mas é óbvio que o ex-presidente jamais tocaria no assunto mensalão com alguém como Gilmar Dantas. Por mais amigo – azar dele – que seja do ex-ministro chefe do Gabinete Civil José Dirceu.

Lula tem o instinto da sobrevivência, falhou dessa vez, mas tem. Se viu presa de duas raposas e enrolado na mentira de VEJA e GLOBO.

O fato principal hoje é o esquema de Carlos Cachoeira, menos pelo bicheiro e mais pelo que ele arrasta consigo. A hipótese que a CPMI possa trabalhar sério é impensável para o governo, a oposição e os que corrompem.

Estão envolvidos governadores, José Serra, empreiteiros, banqueiros e mídia de mercado, VEJA então, de forma escancarada. Obras do PAC, todo o esquema do clube de amigos e inimigos cordiais.

São funcionários dos corruptores deputados e senadores, a maioria, dos principais partidos com assento no Congresso Nacional. O que o brasileiro vai assistir é jogo de cena. Cada um jogando pedra no outro e todos permanecendo impunes, corruptos e corruptores.

Já imaginaram nas obras de Belo Monte, onde há trabalho escravo e Belo Monte em si é um absurdo, envolver os grupos envolvidos na construção? Ou as casas do programa Minha Casa Minha Vida que o próprio Lula quando presidente questionou a qualidade? São só dois exemplos.


Atrás de Cachoeira estão Norberto Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, OAS e todas as grandes construtoras do País. Bancos, inclusive o BNDES. As revelações que empresários brasileiros participaram do golpe contra Salvador Allende mostram o caráter dessa gente. São amorais.

Para esquentar mais o assunto está o Código Florestal, Dilma vetou, mas não mudou nada, apenas retardou um processo que vai depender de muita luta para evitar que o Brasil se torne um enclave do agronegócio, do latifúndio.

Em jogo também a Comissão da Verdade e as apurações sobre tortura, assassinatos à época da ditadura militar, Operação Condor e outras barbaridades mais.

Nelson Jobim e Gilmar Dantas passaram atestado de idiota para Lula e VEJA e GLOBO passam atestado de idiota para os brasileiros. Só isso, nada mais.

O que Lula fez foi dar munição para os bandidos.  

É o que pensam. que somos idiotas.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Os complexos meandros do Direito



Marcio Thomaz Bastos

Publicado em 24/05/2012 por Mair Pena Neto*

Tão ou mais incômoda que a atitude do contraventor Carlinhos Cachoeira diante da CPMI que investiga suas atividades criminosas é a presença, a seu lado, do brilhante advogado e ex-ministro da Justiça do Brasil, Marcio Thomaz Bastos. Não deixa de causar estranheza ver ali, na defesa de um homem que corrompia as estruturas da sociedade, outro homem que, até bem pouco tempo, era responsável justamente por zelar pelo bem destas mesmas estruturas.

É ponto pacífico que todo cidadão tem direito à defesa jurídica, por pior que tenha sido o seu crime, mas não deixa de ser constrangedor ver o ex-ministro da Justiça orientando o contraventor a como proceder e empenhando toda a sua capacidade profissional para livrá-lo de acusações que custaram muito ao Estado para serem fundamentadas.

Carlinhos Cachoeira está preso em decorrência de duas operações da Polícia Federal, que constataram o alcance de sua ação criminosa entre os poderes constituídos. A organização do contraventor tomou de assalto um estado inteiro da federação, o de Goiás, numa microrrepresentação do que acontece atualmente no México, onde o crime se infiltrou de tal modo no aparelho de Estado, que se torna a cada dia mais difícil combatê-lo.

A influência de Cachoeira se via no Executivo goiano, a partir do próprio governador Marconi Perillo (PSDB); no Legislativo, não apenas local, mas entre os representantes do estado na Câmara Federal, com destaque para a figura do até então impoluto senador Demóstenes Torres (ex-DEM); e no Judiciário, a ponto de levar a ministra do Superior Tribunal de Justiça, Laurita Vaz, a se declarar impedida de julgar o habeas corpus do contraventor pelo fato de ser goiana e de ter tido contato social ou profissional com autoridades públicas supostamente envolvidas com Cachoeira.

Ou seja. Não há dúvida do papel pernicioso do contraventor e de sua contribuição decisiva para que a corrupção continue infiltrada na vida brasileira, dificultando o combate a uma das principais mazelas do país. Diante de tantas evidências, e, principalmente, das implicações políticas que envolvem a investigação das atividades criminosas de Cachoeira, o que leva um advogado como Marcio Thomaz Bastos a aceitar sua defesa?

Seria mesquinho acreditar se tratar dos honorários - fala-se em R$ 15 milhões - porque o escritório do ex-ministro é recheado de causas polpudas e não seria mais uma que faria a diferença. Por sinal, é pertinente questionar a origem de tanto dinheiro da parte do cliente, já que sua fortuna deriva primordialmente do crime. Segundo a Polícia Federal, Cachoeira já estava no nível 3 do crime organizado, o da lavagem de dinheiro em atividades lícitas.

Outra hipótese poderia ser a vaidade. Como advogado brilhante, Thomaz Bastos mostraria a todos, principalmente a seus pares, ser capaz de livrar das barras da Justiça um cliente tão enveredado em irregularidades e com exposição midiática tamanha que já o condena de antemão. Embora demasiadamente humano, seria difícil supor que um jurista com a idade, a experiência e o prestígio do ex-ministro ainda se encantasse com tal deslumbramento

Restaria o dever de ofício, mas parece pouco. Pela deontologia do Direito, o advogado pode recusar toda a questão que não considerar justa. O Código de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil estabelece no Art. 2º do capítulo 1, sobre as regras deontológicas fundamentais, que “o advogado, indispensável à administração da Justiça, é defensor do Estado democrático de direito, da cidadania, da moralidade pública, da Justiça e da paz social, subordinando a atividade do seu Ministério Privado à elevada função pública que exerce”.

É difícil contemplar estas questões na defesa que Thomaz Bastos faz de Carlinhos Cachoeira. Bons juristas certamente poderão contestar os argumentos aqui expostos e demonstrar a legalidade da atuação do ex-ministro. Mas é pouco provável que consigam convencer sobre a moralidade da mesma.

Mair Pena Neto*, jornalista carioca; trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia.

Enviado por Direto da Redação

quarta-feira, 16 de maio de 2012

PROCURA-SE O MENSALÃO


Quem achar, favor avisar à Revista Veja. Será regiamente recompensado.

Raul Longo

Por pura maldade o ex-prefeito da Anápolis, Ernani de Paula, deu um bico no Mensalão que o bichinho saiu ganindo e se entocou em algum canto. Agora só a CPMI do Carlinhos Cachoeira para desentocá-lo.

Uns dizem que está escondido debaixo da cama do Senador Demóstenes Torres, outros que se meteu atrás de um cofre do próprio Carlinhos Cachoeira, mas ninguém define se o das rendas do jogo do bicho, das máquinas caça-níqueis, do contrabando ou da corrupção em licitações com os mais variados níveis de governos de diversos estados. Há até quem aposte que no esconderijo de um cofre de tráfico de drogas. Vai se saber!

Fato é que a família Civita e seu corpo de colaboradores está desolada. Num desespero pungente, tal qual se lê no editorial da edição nº 2265 da revista Veja, principal boletim informativo dos Civita!

Informativo é modo de dizer, pois se o sabe mais para “alarmativo”. O que talvez justifique meu total desinteresse pelo que têm feito ou deixado de fazer os Civita, mas, obrigado a procurar uma clínica de exames gerais para ver se tudo anda em ordem com o corpo, já que o espírito continua bem aconchegado por Oxuns e Iemanjás, dou com o desespero daquela tradicional família máfio-judáica pendurado lá na revistaria para o passatempo dos consulentes da clínica.

Insensíveis, por sinal, pois de todas as outras publicações sobre diferentes frivolidades, só a desta capa mantinha-se ali, sem despertar o menor interesse:

Posso imaginar que as demais publicações escolhidas pelos que aguardavam, também seriam de edições antigas, mas aquela me intrigou pelo anacronismo do assunto de capa, já tão sobejamente desqualificado e ridicularizado pelas investigações dos crimes cometidos pela dupla Demóstenes-Cachoeira.

Claro que, como todo mundo, também sei que quem adotou o Mensalão foram as famílias da mídia brasileira em geral, coligadas ou cooperadas num esforço inaudito para dar corpo e vida à cria batizada pelo Roberto Jefferson. E que depois de desafinar aqui e ali nas tantas festinhas em comemoração à unção do prematuro (há quem diga que se parido uns 6 meses depois, Lula não se reelegeria), Jefferson o passou para as mãos de CPIs e da Mídia num claro “Segura que o filho é teu!” e, antes de ser mijado, escafedeu-se sem sequer se despedir do vigário.

Não é pra menos! Nem os pais da criança aguentavam mais o chato daquele padrinho metido a barítono! Mas a verdade é que até aí ninguém sabia quem eram os pais da criança (se é que assim se pode chamar o monstrinho prematuramente abortado) e acabou sendo alimentado e criado com muito carinho nas mesas de edição dos Marinho, dos Frias, dos Mesquitas. E dos Civita também, lógico!

Diariamente saia de uma casa ia pra outra a qualquer hora e sobretudo nas madrugadas de lançamento de circulação, crescendo a olhos vistos, engordando com todos aqueles mimos e atenções.

No entanto, apesar de tanto zelo o moleque não passou de ano em 2006. Um espanto! Depois de tanto biotônico, tantos cuidados e fermentos, tudo para se moldar em enorme rapagão, um gigante a papar qualquer eleição que viesse a frente... deu-se em raquítico!

O que poderia ter havido? - perguntaram-se os que o adotaram. Adotivos, mas tão corujas quanto biológicos fossem, chegaram até culpar todo o resto da nação por não marchar de acordo com o passo do pupilo.

Culpa do padrinho canastrão não foi, mas já não adiantava mais entoar a mesma ária e se foi produzindo outros cruzamentos, promovendo outros abortos, e até a Mônica Serra, experiente no assunto, entrou nesse parir de monstruosidades em origami, como a bolinha de papel que detonou com a careca do marido.

Nada deu certo e como com toda a ninhada que posteriormente veio de roldão, o Mensalão também foi abandonado.

Convenhamos que não foi pra menos! Afinal, embora tenha cumprido galhardamente com parte de seu papel ao promover bengaladas no José Dirceu, acabou provocando a ascensão e o reconhecimento nacional à Dilma Rousseff. Ou seja: trocou 6 por meia dúzia. Tirou o Palocci e pôs o Mantega! Mexeu com quase metade da equipe do governo Lula, mas o governo Lula provou-se ser mais do dobro de sua própria metade e acabou elegendo a sucessora que não precisou nem bater o pé pros vira-latas que latiam de longe, já receosos desde quando o Agripino Maia enfiou o rabo no meio das pernas, num tal aperto de um olho que os outros dois não paravam de piscar.

No entanto, a pergunta permanecia no ar: quem seriam os pais naturais do Mensalão? Os adotivos foram vários, entre os quais destacam-se as mais insignes famílias da mídia brasileira, mas até aí nenhum segredo. O assunto até andava meio morto, ainda que amornado pela previsão do julgamento do caso, há tantos anos requerido por seu principal acusado, o Dirceu.

Já se viu isso em algum lugar da história: um acusado implorar pelo próprio julgamento?

Pois quando a paternidade do Mensalão enfim se explicita, me espantou na esquecida edição pendurada ali na revistaria da clínica lotada de gente, hoje de manhã, o resgate do tema na capa do boletim dos Civita. Como havia muita gente que chegou na minha frente, não poderia deixar de tomá-lo às mãos, até para distrair o desconforto do jejum imposto, impondo outro ainda pior.

Pra minha sorte não foi assim nem com um nem com outro, pois a despeito de meu atraso na chegada fui chamado logo. Talvez em consideração ao duplo desconforto, o fato é que não tive de me expor à matéria e só deu para ler o apelo do editorial. Foi o que bastou para lembrar do conteúdo do link abaixo, que ainda nesta mesma semana distribui a todos meus correspondentes.

Copio novamente, aqui, o mesmo link da entrevista do Paulo Henrique Amorim com o Ernani de Paula, ex-correligionário e amigo do corrupto do DEM e do Contraventor, para que melhor se possa dimensionar o desespero dos Civita que, por enquanto, são os mais intimamente envolvidos com os pais biológicos da criança, embora se saiba não terem sido os únicos a se responsabilizar pela engorda do monstrengo.

Estes demais, antes do galo cantar já tentam negar o topete do Cachoeira ou a calvície do Demóstenes, mas o maternal sangue judaíco-siciliano clama por aquele a quem amamentou, implorando pelo filho pródigo!

Quem encontrar, favor avisar pelo amor do deus do Vaticano e das Sinagogas!
ASSISTA O VÍDEO:

terça-feira, 8 de maio de 2012

O ataque de O Globo à blogosfera



Em editorial publicado hoje (08/05/2012), O Globo, no afã de defender sua comparsa de denúncias e factóides, a revista Veja, sobe o tom dos ataques da mídia corporativa contra a blogosfera (leia reprodução comentada no blog da Maria Frô).

A peça, que vem com as digitais do “imortal” Merval Pereira, intitula-se “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”, e é nosso dever admitir que, ao menos no título, está certa. Com efeito, o megaempresário proprietário do jornal sensacionalista News of the World é acusado tão-somente de grampear meio mundo no Reino Unido, enquanto as acusações que pesam sobre a publicação de Civita são muito mais sérias, pois - como aponta Luis Nassif - “A parceria com Veja tornou Cachoeira o mais poderoso contraventor do Brasil moderno, com influência em todos os setores da vida pública”.

Quem te viu, quem te vê: O Globo, um jornal sempre tão sensível às denúncias de corrupção, agora que a casa cai descarta como insignificante o envolvimento de Veja com o maior contraventor de nossos dias...

Folha corrida

Em post histórico, Nassif, que tem o mérito indiscutível de ter revelado com grande antecedência o grau de perversidade das práticas de Veja - sofrendo retaliações judiciais e ataques a sua família - elenca nada menos do que nove suspeitas "que necessitam de um inquérito policial para... Continue lendo è

DE IDIOTAS E CANALHAS


Raul Longo no Sambaqui

Enviado por Raul Longo em 8/5/2011


Ninguém pode nem deve se considerar um idiota apenas por acreditar nas mentiras da mídia brasileira. Afinal, os veículos da mídia, em tese, deveriam ser meios de informação, como acontece em países onde esses meios são obrigados a respeitar marcos regulatórios. Se aqui no Brasil enganam e enganaram o público, aqueles que foram enganados não tem culpa disso. Não podem ser considerados idiotas por terem acreditado em canalhas que se apresentam como informantes de fatos e divulgam mentiras.

Quem, pela internet, divulgou sua indignação pelo “Mensalão”, não tem culpa de ter acreditado naquela armação da mídia.

Quem, pela internet, denegriu o José Dirceu, não tem culpa de ter condenado uma vítima da mídia. Quem usou de seu computador para ajudar a mídia a difamar o José Genoíno, também não.

Nem mesmo aqueles que distribuíram as mentiras que recebiam pela internet sobre a fazenda do filho do Lula. Os que acreditaram que o PT recebia dólares de Cuba e em todas as outras mentiras que a mídia divulgou sobre a equipe do governo Lula.

Apesar do absurdo, até ridículo, não dá para se considerar como idiotas nem aqueles que distribuíam pela internet um tal documento do FBI ou CIA ou Pentágono sobre projeto de golpe de Lula para instaurar-se como ditador.

Não... Esses não foram idiotas. Muito ingênuos, é verdade. Um tanto preguiçosos para raciocinar, talvez. Uma certa incapacidade de percepção, sim, mas considerá-los idiotas é exagero.

São mais é vítimas de grupos que pretendiam desestabilizar o governo Lula e continuam pretendendo desestabilizar o governo Dilma para voltar a explorar esses mesmos que acreditaram em todas as mentiras que lhes foram contadas. Tantas que em algum momento deveriam ter começado a desconfiar, a enxergar a realidade... Mas é aquela história, repete-se a mesma mentira tantas vezes que até se convence os menos atentos.

Aqueles que pela internet divulgavam ofensas à Dona Marisa e se referiam a Lula como “apedeuta”, pelo preconceito demonstrado chegavam bem próximo à idiotia, é verdade. Sim, preconceito é coisa de idiota mesmo, mas há de se considerar que foram induzidos a esses preconceitos, estimulados para isso. Muitos já tinham uma certa predisposição para assimilar o preconceito porque para alguns é mesmo duro ter de reconhecer que apesar de ter cursado anos e anos de estudo escolar e do privilégio de ter podido estudar, não conseguiu desenvolver nem um quarto da metade da inteligência de outro que não teve a mesma oportunidade. Difícil mesmo ter de reconhecer que apesar de nunca ter se diplomado em coisa alguma, aquele é o brasileiro que mais recebeu título de Doutor Honoris Causa das mais importantes universidades do mundo.

Então, convenhamos, esses que há tantos anos vêm distribuindo todos os preconceitos que lhes foram incutidos, que usaram a internet para promover mentiras, e que acreditaram nas tantas falsas informações inventadas e divulgadas pela mídia brasileira, não são propriamente idiotas.

Daqui pra frente, se continuarem acreditando na mídia, claro! Afinal, quem cai no golpe do bilhete premiado a primeira vez, é apenas um ingênuo. Já quem cai no mesmo golpe outra vez, sem dúvida é um rematado idiota.

E aquele que já caiu, mas ao ver outro entrando na mesma conversa não o avisa? Não alerta para evitar que se faça outra vítima? Esse é o quê?

Esse é tão canalha quanto o golpista. E como não está ganhando nada com isso, é ainda pior do que o golpista! Pois o golpista é apenas um canalha, mas o que não avisa, além de canalha é idiota, pois não ganha nada com isso, mas ajuda o canalha a explorar e a mentir para outros.

Daí que ofereço a oportunidade destes links para aqueles que espalharam pela internet as mentiras produzidas pelos golpistas da mídia. É a oportunidade que precisam para demonstrar aos mesmos correspondentes aos quais distribuíram as velhas mentiras que, apesar de ingênuos, não foram idiotas. E muito menos canalhas.  

Sem dúvida, entre os que receberem essa oportunidade que aqui ofereço, haverão os que não vão querer demonstrar que ajudaram a divulgar mentiras nem reconhecer que foram enganados. E não vão distribuir para ninguém.

Esses coitados são tão idiotas que sequer conseguem atinar para o fato de que os links aqui distribuídos são de notícias já amplamente divulgadas e na verdade não estarão informando novidade alguma. E perderão a oportunidade de provar para seus correspondentes que não são canalhas, sendo.

“Links” extraídos do sítio Anais Políticos:


Clique aqui para ouvir Demóstenes e Cachoeira  tramando pilantragens com a ajuda da Veja.
Clique aqui para ver a Globo cortando o discurso de Dilma quando ela falava de Vargas, Jango e Brizola.
Clique aqui para saber quem é o Judas curitibano.
Clique aqui para assistir Dilma chamando os bancos na chincha.

sábado, 5 de maio de 2012

CACHOEIRA, MUSAS, VEJA, O GLOBO E AS USINAS


Laerte Braga ao microfone

Laerte Braga

Carlos Cachoeira é um dos “cavalheiros” da Távola Redonda do capitalismo e daí? O resto? O próprio jornal O GLOBO – parte de qualquer esquema de corrupção que existir aqui e além mar – afirma que a Norberto Odebrecht deve “herdar” as obras da DELTA e isso seria um “alívio” para todo mundo.

Todo mundo quem? Como é que funciona esse trem de “herdar” obras, o que vai rolar por baixo dos panos na transação DELTA/Odebrecht? A DELTA vai entregar as obras assim sem mais nem menos? Vai ser vendida, como vem sendo dito, ou essa venda é aquela conversa de “sujou para você, finge que sai para acalmar a turba e depois a gente volta com tudo, fique tranqüilo garantimos o seu?”.

Será que tem quem acredite que a Odebrecht usa esquemas diferentes dos usados por Cachoeira? Não, claro que não usa. A diferença é de padrão de qualidade na bandidagem. Só isso. Eficiência no quesito corrupção.

O mesmo O GLOBO publica entrevista, edição de sábado, dia 5 de maio, com Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira, em que a dita afirma ter sido convidada pela revista PLAYBOY para posar nua e recusou. Todas as CPMIs de maior impacto na opinião pública tiveram esse esquema posto em prática para desviar o foco do principal, a escolha da tal musa da CPMI.

Foi assim com a secretária de Marcus Valério, que depois virou candidata a deputada e perdeu. Se CPMI ou não, mas com a mesma dimensão, aquela que rifou um presidente da Câmara – Severino (?) - figura tão ridícula que nem dá para lembrar o sobrenome. Exigia propina dos concessionários de restaurantes na tal “representação popular.” A revista à época andou atrás da mulher do dono do restaurante e antes que ela dissesse não o marido deu o aval. Medo de perder a concessão.

Putz! O GLOBO está impossível com medo de cachoeiras maiores. Na coluna PANORAMA POLÍTICO, sábado, cinco de maio, está lá que o presidente nacional do PSDB e o líder do partido na Câmara, respectivamente o senador Sérgio Guerra e o deputado Bruno Araújo, pediram ao deputado Carlos Leréia de Goiás, que se licenciasse do partido por conta de suas ligações com Carlos Cachoeira. Resposta do deputado:

“Peraí. Deixa eu ver. Vocês querem se livrar de mim porque sou amigo do Cachoeira há trinta anos. E o deputado Eduardo Azeredo que é réu na Justiça? E o (senador) Cicero Lucena que foi preso? E vocês querem expulsar a mim?”.

O deputado Leréia poderia ter citado o ex-governador José Serra, o senador Aécio Neves, todos dois com “ligações” com Cachoeira. Aécio se esqueceu que nasceu em Minas Gerais (alias, se solto na capital assim, no centro, só chega a um destino de táxi; do contrário não sabe onde está) e disse que nomeou a prima de Cachoeira para um determinado cargo em seu governo “pelas qualificações” da moça.

Essa história toda de Cachoeira tem conexão com a então governador de Brasília José Roberto Arruda, vem de lá também, um punhado de negócios de peso em Brasília, passa pelo Caixa 2 do PSDB e da campanha presidencial de José Serra (Cachoeira e os demais “cavalheiros” da Távola Redonda da corrupção do capitalismo), aporta na prefeitura de São Paulo, no governo do estado, em Minas nos desvarios de Aécio – o estado está falido e Anastásia foi festejar seu aniversário de 51 anos na Itália – se espraia pelo Rio de Janeiro de Sérgio Cabral e no fim de tudo o paladino da moral e dos bons costumes é Anthony Garotinho, bandido de quatro costados, isso em falar em Paulo Hartung, o dileto de Cachoeira no Espírito Santo.

VEJA fica fora a despeito das conversas gravadas – legalmente – que indicam as ligações da revista com Cachoeira através do seu diretor Policarpo Júnior. Matérias com denúncias inventadas para fortalecer o esquema do empresário. Pelo menos até agora os integrantes da CPMI não convocaram o dito cujo.

A capa da última edição começa a bombardear Cachoeira e Demóstenes. Ou um grande acordo por baixo dos panos, ou chumbo trocado não machuca, ou o poder de chantagem da revista sobre o empresário e o senador é maior do que um e outro supunham.

O que é mais provável, já que a mídia de mercado vem como um touro desembestado chifrando tudo que vê pela frente, na defesa da intocabilidade de determinados bandidos, os próprios.

Essa é uma parte da história da semana.

Há outra, tétrica. As denúncias sobre o uso de usinas de açúcar em Minas e no Rio para a queima de corpos de presos políticos durante o período da ditadura militar e a cândida declaração do coronel Brilhante “Pústula” que “nunca matei ninguém”, tentando desmentir a conversa que o delegado Sérgio Paranhos Fleury foi assassinado pelos próprios aliados, no interesse da segurança da repressão (complicado, mas é, segurança da repressão) e dos “negócios”, óbvio, já que a ditadura militar foi um movimento concebido em Washington e adjacências, com o fito – ainda existe essa palavra? – de manter intocados os “negócios”.

É difícil imaginar uma cachoeira sendo “queimada” numa usina de açúcar em Minas, ou no Rio de Janeiro. Os tempos são outros, a turma voltou para os porões e paira uma farsa democrática sobre o País. A despeito dos banqueiros, latifundiários, da FIESP/DASLU, das polícias militares, mas paira.

Os “negócios” não. Esses são os mesmos. A guerra entre os “negociantes” é canibalesca. Terminado o festim, os ossos aos cães.

Vamos a um exemplo.

No Estado do Espírito Santo o engenheiro Lauro Koehler desenvolveu o projeto CAMINHOS DO CAMPO destinado a permitir a construção de estradas vicinais a um custo reduzido, beneficiando ponderável parcela da população do estado. Projeto liso, limpo e pronto. Por volta de 2005 o governador era Paulo Hartung e o secretário da Agricultura o atual senador Ricardo Ferraço, PMDB, então PSDB (foi tesoureiro de campanha).

O projeto foi executado em algumas áreas do estado a partir da Secretaria da Agricultura e o custo era de 600 mil reais, então, para cada estrada se observado o projeto do engenheiro Koehler. Esse custo cobria cinco quilômetros. Segundo o senador e “tocador” do projeto a DELTA fez treze estradas ao custo de 33 milhões, logo dois milhões e trezentos mil por estrada. Quase quatro vezes mais o custo previsto no projeto CAMINHOS DO CAMPO. O golpe do material de segunda, custo mais baixo, propina mais larga, lucro maior. O engenheiro aqui citado não tem nada a ver com o secretario Ferraço, hoje senador, pelo menos “até prova em contrário”.

Várias outras foram executadas por empresas diversas e isso é realidade no País inteiro.

Com um detalhe, o senador Ferraço é integrante da CPMI do Cachoeira. Como é que fica? Bandido apurando fatos criminosos de outro bandido, de um parceiro?

No duro mesmo todo esse rolo tem um nome só, capitalismo. O modelo da “competitividade”, da “eficiência” e vai por aí afora.

Os telejornais das tevês brasileiras não mostraram uma única imagem dos imensos protestos de primeiro de maio dos trabalhadores nos Estados Unidos e a retomada do movimento Ocuppy Wall Street.

Não dão tiro no pé, como agora a mídia de mercado como um todo, no caso Carlos Cachoeira. O azar de Cachoeira é não ter sangue azul como Odebrecht, ou Andrade Gutierrez, ou Queiroz Galvão. Vai sair chamuscado, pegar um tempo de cadeia (se não aparecer nenhum Gilmar Mendes no meio do caminho), mas garantir uma aposentadoria tranquila e quem sabe uma volta aos “negócios” por baixo dos panos?

A usina em qualquer versão, cinemascope ou preto e branco, é sempre o capitalismo. O que varia é a forma da barbárie. Uns são animalescos, caso de Brilhante Pústula, outros se assentam civilizadamente à volta de u’a mesa redonda.

Não são nem cavaleiros e nem “cavalheiros”.

Enviado por Sílvio de Barros Pinheiro

sábado, 28 de abril de 2012

Caso Murdoch: Inquérito Levenson-2012, na Grã-Bretanha


Temos muito a aprender...

DEMÓSTENES - Fala professor.
CARLOS - Como é que foi a conversa aí ?
DEMÓSTENES - Ótima. Na semana que vem, já falei inclusive com o repórter, ele vem e o rapaz entrega tudo pra ele: relatórios, nome, fotografia, filmagem e... sob o compromisso de não aparecer.
CARLOS - Então foi bom demais. então, mas você chegou a ver se ficou bom?
DEMÓSTENES - Eu vi só o relatório, certo? É...mas...tá...tá tudo certo... me disse que tem a filmagem, tem as fotografias, tem tudo. Tá tudo ótimo. E ele disse que tem uns outros... outro relatório com nome, tudo mais.
CARLOS - Ah, aí ficou bom demais n’é. (..)
CARLOS - Ah, excelente então. Então tá bom. Vamos falar então. Obrigado doutor.

Fragmento de conversa entre “Senador Demóstenes Torres” (DEM) e “Carlinhos Cachoeira”, gravada dia 24/4/2009, às 17:05, incorporada ao Inquérito e incluída em “Documento Protocolado: supremo 1 nounai reaerai – Inq 0003430 - 27/03/2012 18:21 9941504-50.2012.0.01.0000”, vazado na página Brasil247, hoje na Internet (negritos nossos).

O Inquérito Levenson – aqui traduzido pelo pessoal da Vila Vudu, um trecho da apresentação e um questionário distribuído à sociedade, à guisa de orientação - é uma investigação, a ser conduzida em duas partes, ordenada pelo Primeiro-Ministro britânico dia 13/7/2011, para conhecer o papel da imprensa e da polícia no escândalo dos telefones ilegalmente “grampeados” na Inglaterra, e que gerou o que se conhece como “Caso Murdoch”. Para conduzir as investigações, foi nomeado o juiz Levenson.

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Na primeira parte dessa investigação, serão examinadas a cultura, as práticas e a ética da imprensa comercial. O presidente do inquérito examinará em detalhe o relacionamento entre a imprensa comercial, o público, a política e os políticos. O presidente do inquérito é auxiliado por seis assessores independentes, com experiência sobre as questões definidas como relevantes para a investigação. 

A investigação foi ordenada nos termos da Lei do Processo de Investigação de 2005, e tem poder para convocar testemunhas. Espera-se a convocação de grande número de testemunhas entre as quais repórteres, editores, gerentes, proprietários de jornais, oficiais de polícia e políticos de todos os partidos, convocados a prestar declarações ao juiz sob juramento e em audiência pública.

Na conclusão, o Inquérito Levenson deverá fazer recomendações para a regulação e a administração de veículos de imprensa comercial que sejam consistentes com a defesa da liberdade de manifestação e com os mais altos padrões éticos e profissionais do jornalismo comercial.

A investigação foi aberta pelo juiz Leveson, na primeira audiência pública, dia 14/11/2011, que disse: “A imprensa oferece meio essencial para fiscalizar todos os aspectos da vida pública. Essa é a razão pela qual qualquer fracasso da mídia nos afeta tão profundamente. No coração desse inquérito, portanto, pode-se ler uma única pergunta: “Quem guarda os guardiões da liberdade de manifestação?”

O Inquérito Levenson entra agora na investigação do “3º Módulo”, sobre relações entre políticos e a mídia.

Todos os cidadãos, profissionais e o público em geral, que tenham o que informar, devem enviar contribuições para o e-mail: 

Para encaminhar essa investigação, estão propostas as seguintes perguntas:

INQUÉRITO LEVENSON: PERGUNTAS PARA ORIENTAR A INVESTIGAÇÃO: “Módulo 3”

A partir de agora, o Inquérito Levenson examinará o relacionamento entre a imprensa comercial e os políticos. Queremos ouvir o que tenham a dizer os profissionais e o público que tenham informações e casos a narrar em resposta às específicas questões abaixo. As respostas que se obtenham serão consideradas como material de prova a ser investigado e podem ser publicadas em forma redigida e editada, como parte das provas recolhidas pelo Inquérito Levenson.

(1) O Inquérito tem interesse em conhecer o que o público conhece e compreende sobre o relacionamento entre a mídia comercial e os políticos. De onde vem o conhecimento que o público tem? Como esse conhecimento é testado? Que uso é feito da informação acessível ao público (por exemplo, sobre reuniões entre lideranças políticas e empresários, diretores, editores e jornalistas e outras figuras de destaque nas empresas de mídia comercial)? A mudança para o Código Ministerial, em julho de 2011 fez alguma diferença? (Atualmente, o Código determina: “o governo será aberto em tudo que tenha a ver com relações com as empresas da mídia comercial. Todas as reuniões entre proprietários de jornais e de outros veículos, editores e altos executivos, deverão ser divulgadas quinzenalmente, independente do objetivo da reunião”).

(2) O Inquérito tem interesse em ouvir ideias sobre os específicos benefícios e riscos em relação ao interesse público, que surgem do relacionamento entre políticos, no plano do governo nacional, e empresas de mídia comercial. O que o público tem a ganhar com esse relacionamento? O que pode perder? Como se poderiam maximizar os ganhos e minimizar os riscos? Há considerações específicas das quais o Inquérito tenha de ter conhecimentos, no quadro geral de eleições e de outras consultas nacionais à opinião pública?

(3) O Inquérito tem interesse em ouvir ideias sobre as condições que uma imprensa comercial livre deva necessariamente satisfazer numa democracia, para cumprir sua função de fiscalizar o poder político e os poderosos em geral. Qual é a natureza do papel da imprensa comercial? O que o público deve esperar que a imprensa comercial faça ou seja, para cumprir esse papel? Como o público pode ver diretamente que a imprensa comercial esteja levando a sério o seu papel e o cumpre com a necessária responsabilidade? Há bons exemplos a reproduzir?

(4) Há na opinião pública em geral a percepção de que o jornalismo comercial político afastou-se da reportagem e busca influenciar ativamente os eventos? Há provas de que assim seja? É questão sobre a qual a opinião pública deva preocupar-se ou não? A imprensa comercial tem alguma função legítima que a autorize a tomar o lugar da oposição política?

(5) O Inquérito tem interesse em conhecer a natureza da influência que a imprensa comercial tem sobre a opinião pública no campo das políticas públicas (por exemplo, em áreas como a Justiça Criminal, a política de imigração ou a política europeia). Você [os cidadãos em geral] tem alguma ideia ou conhece algum exemplo específico de como se exerce essa influência e com que efeito? Esse processo é transparente? Esse processo atende ao interesse público?

(6) O Inquérito está particularmente interessado na influência que a imprensa comercial exerça sobre o conteúdo e o timing das políticas dos partidos em relação às empresas da imprensa comercial, e sobre o processo de tomada de decisões do governo sobre as políticas ou questões operacionais que afetem diretamente as empresas da imprensa comercial. Você tem exemplos pessoais a oferecer, de como isso opera na prática? As empresas da imprensa comercial operam efetivamente como lobbystas de causas próprias? Que riscos se criam a partir do papel que o governo exerça na determinação de regras para compra, venda e fusões de empresas da imprensa comercial? É preciso criar novas salvaguardas ou impor novos limites a tal envolvimento?

(7) É necessário que haja pluralidade de vozes nos distribuidores de noticiário dentro das empresas da imprensa comercial e de outros provedores de noticiário ou na imprensa como um todo? Como o acesso ao noticiário através da Internet afeta a necessidade de pluralidade? Qual o nível de pluralidade que se deve exigir? A pluralidade na propriedade das empresas é substituto suficiente para a pluralidade de vozes?

(8) Há provas da influência da imprensa comercial sobre mandatos públicos e políticos (duração e término dos mandatos)? O Inquérito tem interesse em exemplos, inclusive de casos nos quais o interesse público foi e não foi bem atendido por aquela influência.

(9) Até que ponto, na opinião dos cidadãos, os políticos são inibidos/impedidos de agir a favor do interesse público, na direção de garantir que a conduta, as práticas e a ética nos serviços de imprensa trabalhem mais na direção do interesse público que no interesse privado das empresas da imprensa comercial? Que medidas poderiam influenciar nessa direção?

Observem, por favor, que o Inquérito considerará questões relacionadas ao Módulo 3 até o final do mês de junho de 2012. Mas, considerada a grande quantidade de material que estamos recebendo, o melhor será que todos os materiais nos sejam enviados até a 6ª-feria, 15/6/2012.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

COISAS DO DEMO


Zorô



Zoroastro Sant’Anna - Jornalista e cineasta
Coluna - Nosso Homem nº 12 (enviada pelo autor)



Nasci e cresci ouvindo dizer que o brasileiro não tem memória, não tem vergonha, só quer saber de cachaça, mulher e carnaval, é preguiçoso, é ladrão  e mais uma série de baixas estimas que só descobri a verdade quando fui morar no exterior por forças das circunstâncias e por forças armadas.

Num curso na Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, assisti um filme onde uma coisa estranha se mexia em close na tela. Na medida em que a câmera se afastava da coisa, percebia-se que ela borbulhava. Afastando mais dava para ver que a coisa era finita, tinha contornos. A câmera ia se afastando até revelar um ovo sendo frito na frigideira.  O que filme ilustrava era uma aula sobre a necessidade de se afastar do centro dos problemas, do centro das coisas para poder entendê-las melhor.

Assim foi para mim quando me afastei e pude ver melhor o meu país. Lembrei que os péssimos transportes coletivos estavam sempre abarrotados de trabalhadores às quatro horas da manhã, como essa gente poderia ser preguiçosa, embora também gostasse de carnaval? Desonesto? E o faminto lixeiro que achou R$ 20 mil e devolveu? Descobri então que tudo que atribuíam ao povo eram qualidades dos políticos, que tiravam de seus ombros essas pechas e as atiravam no peito do povo, para que ele perdesse a sua dignidade  e a sua voz e entregasse o seu voto como forma de “me desculpem por ser brasileiro”.

Quanto a não ter memória, o fato é que a grande imprensa é que apaga  a nossa memória. Ávida por manchetes escandalosas e quentinhas do dia, “esquecem” os assuntos vitais da nação.

No meu tempo de jornalista profissional, havia um quadradinho que se publicava no final de um assunto já sabido, explicando o fato desde o comecinho para que o leitor lembrasse de como tudo se iniciou e compreendesse melhor o desdobramento do acontecido. O jornalismo “moderno” jogou o quadrado no redondo buraco sem fundo do esquecimento.

Por exemplo, qual veículo grande  da mídia tem acompanhado os grandes escândalos como os famigerados políticos ladrões da Operação Sanguessuga, que superfaturavam ambulâncias? E a Operação Navalha que em Sergipe envolveu o governo de João Alves, algemou seu filho, desmascarou e prendeu o chefe da Casa Civil, Flávio Conceição? A Operação Navalha desvendou o esquema de corrupção do empresário Zuleido Veras, da Construtora Gautama, que superfaturava obras do PAC e distribuía “dividendos” aos políticos corruptos.

Agora me aparece uma versão tupiniquim de O Médico e o Monstro, do escocês Robert Louis Stevenson, livro publicado em 1886. O senador do DEM Demóstenes Torres, 128 anos depois, encarna com desenvoltura e primor os personagens Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Ele, enquanto Mr. Hyde Torres, cidadão exemplar, defendia com unhas e dentes a moralidade: “Bandido perigoso tem que ir para a cadeia. O DEM não bate  palmas e nem passa a mão na cabeça de corrupto...” dizia ele de dedo em riste. E agora? Palmas para ele! Ele, enquanto Dr. Jekyll Torres, médico malvado, abocanhou milhões fazendo lobby explícito para um criminoso preso pela Polícia Federal.

Dr. Jekyll Torres chamava o criminoso de “professor” do qual certamente é um bom aluno.

A grande imprensa minimiza a periculosidade do preso Carlinhos Cachoeira atribuindo a ele a denominação de “contraventor”, sem citar que atrás da cortina dos jogos ilegais que ele controla, segundo a Operação Montecarlo da Polícia Federal, e esconde-se o crime organizado, com sequestros, assassinatos e lavagem de dinheiro.

Não se trata de um simples batedor de carteiras ou um espertinho 171, é crime pesado com desdobramentos e ramificações nas estruturas políticas de Goiás e do país.

A Secretária do governador de Goiás acaba de cair acusada de ligações com o mesmo criminoso. Mais quatro deputados também já estão sem dormir.

Dr. Jekyll Torres foi Procurador do Estado e Secretário de Segurança de Goiás, não há como dizer que não sabia das atividades criminosas do seu sócio encarcerado. Já Mr. Hyde Torres costumava falar que “...todo bandido nega tudo”, dizia isso em relação ao suspeito senador Renan Calheiros. Mr. Hyde Torres, ainda sobre Renan, lamentava que “A imagem do Senado, hoje, é a de um pau de galinheiro”.

Contam que um ladrão surpreendido com um porco às costas, assim que o havia roubado, se defendeu do flagrante: “Porco? Que porco?” O policial respondeu: “Esse porco aí,nas suas costas.” Porco nas minhas costas? Ái, sai daí porco, sai daí”. Assim foi que o generoso DEM tratou o seu senador Demóstenes Torres.

Torrado pela opinião pública, Demóstenes se tornou um estorvo para as pretensões do DEM na próximas eleições municipais, era preciso descolá-lo da agremiação. O Partido, nas figuras impolutas de ACM Neto, conhecido como Grampinho, senador Agripino Maia (presidente do DEM) e Ronaldo Caiado, se apressou em expulsá-lo “sai daí, porco, sai daí”. Mas o porco se adiantou e pediu para sair. Pede pra sair!

Dr. Jekyll/Mr Hyde tinha um advogado chamado John Utterson que manobrava com essas duas doentias personalidades. O senador Demóstenes Torres tem ao seu lado o causídico Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay, que defende a tese de que qualquer acusação contra o senador não tem fundamento jurídico porque as escutas foram feitas sem ordem judicial e, tendo o senador foro privilegiado; a ordem judicial teria que ser expedida pelo Supremo Tribunal Federal, o que não aconteceu.

Pois veja o caro amigo leitor que por uma firula jurídica, Dr.Jekyll Torres poderá escapar das garras da Lei e da Justiça. Mais uma vez a impunidade continuará a premiar crápulas da pior espécie, impunidade que não é ocasional, mas sim sistemática e sistêmica, porque as leis que os protegem foram criadas por esses mesmos criminosos e é óbvio que ninguém legisla contra si próprio. Razão pela qual a impunidade graça país afora, inclusive nas plagas sergipanas, onde até hoje ninguém está preso ou condenado pela sangria dos cofres públicos revelada pela Operação Navalha, onde o principal envolvido oculto aspira concorrer nas próximas eleições sob a bandeira do DEM, do Demóstenes. 

Coisas do DEMO, não é?

·       Gol contra – A reestruturação levou a Gol a demitir 86 pilotos e co-pilotos, além de 45 comissários. A empresa aérea amargou um prejuízo em 2011 de R$ 710 milhões, reduziu em 80 os seus 900 voos diários. A desculpa foi o alto custo do querosene. Tem algo a mais no ar além dos poucos aviões de carreira. Um setor que cresce alucinadamente dispensar funcionários e reduzir vôos tem que ter um grave problema de gestão. Aguardem.
·       Leilão – A Presidenta Dilma já decidiu que o leilão dos aeroportos do Galeão, no Rio e Confins, em Belo Horizonte vai acontecer logo depois das eleições municipais. Os aeroportos de Brasília, Viracopos e Guarulhos já foram leiloados. Comenta-se que um aeroporto do Nordeste também será leiloado, Salvador ou Santa Maria?
·       Samba gay– O escritor carioca Paulo Lins, ex-morador da favela Cidade de Deus, que deu nome ao seu livro que virou filme de sucesso nas mãos de Fernando Meirelles, lança agora Desde que o Samba é Samba, 600 páginas sobre a origem do samba no bairro do Estácio. Paulo Lins revela o homossexualismo de Ismael Silva, um dos pais  do samba, que procurava programas com homens junto com  Mário de Andrade, pai do Modernismo e também gay.
·       Cacá – O cineasta alagoano Cacá Diegues, naturalizado carioca, tem mostra e debates na Caixa Cultural, na Avenida Almirante Barroso, esquina da Avenida Rio Branco. Sempre às 17h20min até 15 de abril. Entre as obras do cineasta estão Ganga Zumba, Bye, Bye Brasil, Chuvas de Verão e Chica da Silva. Entradas a R$ 4.